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Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente o chamado “Conselho da Paz”, órgão criado por seu governo para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza. O anúncio veio acompanhado de duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e da apresentação de um projeto batizado de “Nova Gaza”, que prevê uma ampla transformação urbana do território palestino, com a construção de arranha-céus. A bancada do Morning Show debateu o assunto.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente abre essa edição falando do contexto internacional, que é uma questão que preocupa bastante,
00:04porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, então lançou oficialmente o Conselho da Paz, lá em Davos,
00:11e a gente vai ao vivo com o nosso correspondente internacional, Luca Bassani,
00:15que vai trazer todas as informações e esse último pronunciamento de Donald Trump.
00:19Ontem a gente acompanhou um e hoje ele lançando esse conselho.
00:23Luca, muito bom dia contigo, meu amigo.
00:25Nem show, uma manhã movimentada em Davos, na Suíça, após ter participado do Fórum Econômico Mundial,
00:36Donald Trump aproveitou a oportunidade que muitos dos líderes mundiais estavam presentes
00:41e lançou oficialmente o Conselho da Paz.
00:44Este grupo, esta nova instituição, que segundo Donald Trump, será liderada por ele em busca da paz global,
00:50ampliando o diálogo e fazendo com que, de fato, conflitos antigos possam chegar a uma resolução.
00:57Dentre os presentes, tínhamos o presidente argentino, Javier Milley,
01:01o primeiro-ministro da Hungria, Victor Orbán, o presidente da Armênia, Nicole Paxinian,
01:07e muitos outros líderes de vários países, mas nenhum deles é da União Europeia, pelo menos até agora.
01:13Tirando o Orbán, todos os outros líderes europeus olham para esta nova organização com bastante cautela.
01:21O próprio presidente Lula ainda não decidiu se vai participar ou não,
01:24mas segundo o Donald Trump, esta nova roupagem é fundamental para trazer a paz para todo o mundo
01:32e que os Estados Unidos querem começar utilizando a faixa de Gaza como um exemplo.
01:36Inclusive, o próprio secretário de Estado, Marco Rubio, disse que há uma série de investimentos
01:41sendo planejados para a faixa de Gaza para transformar aquela área de Riviera
01:46em um polo turístico, um polo econômico dentro do Oriente Médio.
01:50Donald Trump também utilizou grande parte do tempo da sua fala para dizer que nunca antes
01:54um presidente dos Estados Unidos ou de qualquer outro país do mundo conseguiu resolver tantas guerras
02:00de maneira tão rápida, ele citou Paquistão e Índia, Camboja e Tailândia, Ruanda e República Democrática do Congo,
02:06sempre naquele bom e velho estilo de Donald Trump, de sempre colocar as suas conquistas
02:11como as mais importantes do mundo.
02:14E quando foi mencionada à ONU, uma crítica bastante evidente, dizendo que ele via muito potencial na ONU,
02:22mas que ela não vive de acordo com este potencial.
02:26E por isso mesmo, ele em muitas ocasiões que tentava acabar com algum conflito ou reabrir o caminho de diálogo,
02:33não teve a participação da ONU e perdeu a sua relevância.
02:37Todavia, ele deixou claro que não pretende rivalizar, apenas trabalhar conjuntamente com a ONU.
02:43Não sabemos se ao longo prazo esse será o caso, afinal a adesão não é completa de muitos países do mundo,
02:48até agora são por volta de 60 países, tem que participar também com 1 bilhão de dólares,
02:53tem uma taxa de entrada, se assim podemos dizer, o que acaba sendo uma restrição para nações mais pobres,
02:58mas Donald Trump com certeza querendo encabeçar essas iniciativas com o seu sonho do Nobel da Paz,
03:06quem sabe neste ano de 2025, 2026, a gente vai ficar de olho nessas notícias
03:12e também se o presidente Lula responderá em breve a participação ou não do Brasil neste conselho,
03:18liderado pelo magnata norte-americano.
03:21Tá certo, Luca Bassani, ao vivo, direto da Europa, muito obrigado pelas informações.
03:25O Luca que nos ajudou também na tradução ontem, fazendo com preciosismo isso.
03:31E as falas também do Donald Trump, muitas vezes quando você está fazendo a tradução,
03:35você pensa, nossa, será que é isso mesmo que eu entendi?
03:37Porque é muito difícil, né Luca? Você fica meio que refletindo assim,
03:41mas aí você tem que ficar acompanhando, é difícil, eu te entendi ontem.
03:45Nem me fala.
03:47Valeu, Luca.
03:48São muitas frases no meio que ele coloca, ele quebra o raciocínio contando uma história,
03:53daí no meio fala do Biden, fala de um outro caso, é complicado, mas a gente dá o nosso melhor aqui.
03:59É, exatamente, porque a gente fica sem saber, será que eu estou certo? Será que eu escutei certo isso daqui?
04:05Valeu, Luca, brigadão.
04:06Agora, vamos tratar aqui sobre as questões impostas, então, em relação ao Donald Trump.
04:11A gente vai explorar bastante isso, porque no contexto internacional,
04:15a ONU, claro que ela tem o papel ali de tentar mediar esses conflitos,
04:19eles fazem as reuniões com os conselheiros, com os chefes de Estado,
04:23só que muitas vezes não tem uma efetividade, porque nos últimos anos a gente tem acompanhado isso.
04:28Tem acontecido com frequência essa situação.
04:30E aí o Donald Trump, que tem um poder bélico, vai lá e consegue muitas vezes resolver esse conflito.
04:34Então, de que forma que a gente pode analisar tudo isso e agora esse Conselho da Paz
04:37pela proposta do Donald Trump?
04:40Uma coisa muito importante da gente ter em mente é que a ONU não manda nos países.
04:44A ONU não está acima dos governos nacionais.
04:47Pelo contrário, a ONU é a organização das Nações Unidas, ou seja, é a reunião entre os países.
04:55Então, se os países que compõem a ONU não respeitam os princípios e as deliberações tomadas em conjunto,
05:05a ONU se enfraquece.
05:07Ou seja, não faz muito sentido quando líderes mundiais criticam a ONU,
05:12porque a ONU são os líderes mundiais.
05:15A ONU não funciona porque os líderes mundiais não estão levando a sério o pacto que é construído por eles mesmos,
05:22ao longo das décadas.
05:25E isso é muito triste do ponto de vista da governança global,
05:29porque na prática, vamos sempre lembrar,
05:31a ONU nasceu após a catástrofe humana da Segunda Guerra Mundial.
05:37A humanidade viu, bom, parece que vai todo mundo morrer aqui se a gente continuar nessa lógica.
05:42Isso aqui é uma postura suicida que vai acabar com o mundo.
05:47Precisamos ter um lugar para trocar ideias e tentar resolver os conflitos de forma pacífica.
05:53Assim surgiu a ONU.
05:55Então, é evidente que estamos tendo problemas de governança global.
06:01Mas como que isso se resolve?
06:03Certamente não é boicotando a ONU.
06:06Certamente é a partir de novos arranjos.
06:09Se o acordo entre as nações não está funcionando da forma que está,
06:13como que a gente pode rearranjar esse acordo
06:16de uma forma que os países, de fato, respeitem aquilo que eles mesmos pactuam?
06:22Essa é a grande questão.
06:24E aí os Estados Unidos, que sempre foi uma grande potência,
06:28sempre liderou o processo de construção da própria ONU,
06:32agora faz de conta que não é corresponsável pela situação da ONU
06:36e cria uma organização paralela, como se magicamente fosse ter resultados diferentes.
06:44É fato que essa linha já foi cruzada.
06:47Quando a gente olha os Estados Unidos, eles já desistiram de apoiar a ONU,
06:51pelo menos nesse momento.
06:53E como a gente não tem nenhum tipo de coalizão acontecendo,
06:56pelo contrário, a gente tem uma rivalidade entre a Europa,
07:00entre o cenário, no mínimo ali, a zona da União Europeia
07:04e os Estados Unidos de forma direta,
07:06a ONU já está esvaziada.
07:08Ela já perdeu força.
07:09Ela não vai conseguir avançar nesse sentido de dizer
07:12agora eu posso tomar a decisão,
07:14agora eu posso direcionar o que os Estados Unidos,
07:17o que a Europa, o que o Brasil vai fazer.
07:19E a gente já viu o Netanyahu se juntando ao Conselho da Paz,
07:23que o Trump já decidiu que vai chamar sim.
07:26A gente já viu historicamente esse tipo de tentativa acontecer
07:29de criar um conselho paralelo.
07:31Depois, isso acabou ficando para trás,
07:34mas só ficou para trás quando a paz voltou de verdade
07:38e aí os países voltavam a dialogar, voltavam a ter diplomacia.
07:42Então eu realmente acredito que nesse momento a ONU não tem força,
07:45ela não vai conseguir ter voz
07:46e o que a gente vai ver é de fato um Trump seguindo,
07:50como a gente ainda não sabe.
07:51É, mas aí quem vai embarcar nessa questão, né?
07:54É muito inconsistente essa proposta toda,
07:58porque vamos lá, a gente está falando de um Conselho de Paz
08:01que ele alega ser necessário ante o enfraquecimento da ONU,
08:06que é a organização que a maioria dos países democráticos faz parte
08:10e que tem exatamente esse mesmo objetivo.
08:13Aí ele cria uma organização paralela,
08:15mas ele coloca uma taxa de entrada de um bilhão de dólares.
08:19Para que serve esse dinheiro?
08:20Para onde vai esse dinheiro?
08:22Por quem vai ser administrado esse dinheiro?
08:24Então, para investir em armamento, provavelmente,
08:27poder bélico e dessa forma resolver os conflitos.
08:29Porque aí você cria uma situação...
08:31Armamento?
08:32Onde as pessoas temem, né?
08:34Aquilo que...
08:34Mas daí o que vai fazer é que esse conselho nasce em tese
08:38para construir a governança da faixa de gás.
08:41Isso, porque a ONU também tem custos, né?
08:43Exato.
08:45E a ONU é financiada pelos próprios governos nacionais.
08:48E isso esteve, inclusive, no acordo celebrado entre Israel
08:52e também com a assinatura do próprio Hamas,
08:56havia lá a previsão da construção de um Conselho Internacional
09:00que ajudaria na construção da paz.
09:02Deixa eu agregar na nossa conversa o Orián Fanceli também,
09:04que ele entende tudo do contexto internacional,
09:07acompanha de perto essa situação
09:08e vai poder trazer mais detalhes sobre a Groenlândia,
09:12porque também foi citado isso.
09:13Então, Orián, baita craque aqui do time da Jovem Pan também,
09:17para nos ajudar a entender tudo isso.
09:19Muito bom dia.
09:21Bom dia, David.
09:22Bom dia a todos.
09:23Um prazer estar aqui com vocês.
09:25Bom, de que forma que você analisa esses passos,
09:28tanto na fala do Donald Trump de ontem,
09:30como também de hoje, e esse Conselho da Paz?
09:34É bastante complicado, David.
09:37Quando a gente olha com calma para o estatuto desse Conselho,
09:40fica claro que a ambição,
09:43obviamente, vai muito além da faixa de Gaza.
09:46Isso porque ele se desenha como órgão global de gestão de conflitos,
09:51presidido, e é isso que é bastante preocupante pessoalmente pelo Donald Trump,
09:55com o poder de veto, controle sobre quem participa,
09:58quem fica de fora, até quem vem, quem vai sucedê-lo.
10:02Então, não é um modelo multilateral clássico.
10:05É uma lógica muito personalizada,
10:07muito centralizada pelo estatuto.
10:10O Conselho, ele não está vinculado,
10:12e a isso eu acho que é o mais preocupante de tudo.
10:14Ele não está vinculado automaticamente à presidência dos Estados Unidos,
10:18mas sim à figura, à pessoa física do Donald Trump.
10:21E aí ele aparece ali não como presidente do Conselho,
10:25mas como uma pessoa que vai ter um mandato indefinido,
10:30com poder de veto, controle sobre todos os convites,
10:33ou seja, numa eventual mudança de presidente nos Estados Unidos,
10:37quem continua no comando do Conselho da Paz não é o presidente americano,
10:41é o próprio Trump.
10:43E isso é um ponto central da crítica,
10:45porque rompe completamente com a lógica institucional clássica,
10:48e transforma o Conselho num órgão que tem dono,
10:51que sobrevive politicamente à Casa Branca
10:53e que passa a orbitar em torno de um indivíduo e não do Estado.
10:58É, e com o dinheiro no bolso, né?
10:59Um bilhão, sessenta países, faz as contas.
11:03Não precisa fazer muito cálculo, né?
11:05Não, e é uma coisa...
11:06O Rian, prazer enorme falar contigo novamente.
11:10Classicamente, as instituições funcionavam com base em regras.
11:15Entre as regras do direito internacional,
11:17talvez a principal delas seja o respeito à soberania territorial.
11:22E aí a gente tá falando da construção de um conselho
11:24sobre a presidência de um indivíduo
11:27que é um indivíduo que tem rotineiramente ameaçado
11:32a soberania de outros países,
11:34inclusive com essa história toda das ameaças à Groenlândia.
11:39Como é que você analisa esse aspecto
11:42da relação do Trump com os demais países,
11:45sobretudo com as democracias europeias,
11:48nesse contexto da Groenlândia?
11:50Eu tô vendo que é uma coisa realmente oportunista por parte dele, mano.
11:55Por quê?
11:56Primeiro o nome, realmente você citou isso, né?
11:59Conselho da Paz por um presidente
12:00que ameaça invadir militarmente um aliado.
12:03Até mudou um pouco o discurso ontem,
12:06mas a Europa continua tensa,
12:07porque enxerga que aquela confiança
12:10que era basicamente inabalável, inviolável,
12:13ela foi quebrada e ela não vai simplesmente
12:15ser reconstruída de um dia pro outro.
12:18Então, Conselho da Paz que convidou Vladimir Putin,
12:23que tem um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional
12:26por conta do sequestro de 20 mil crianças ucranianas,
12:30que invadiu a Ucrânia,
12:32tá tentando também anexar território ilegalmente,
12:34convidou o Alexander Lukashenko,
12:36ditador de Belarus,
12:38que é conhecido como o último ditador vivo da Europa.
12:40E, então, eu digo que é oportunismo.
12:43Por quê?
12:43Porque, na teoria, o que o Trump deveria fazer?
12:46Ele deveria, de fato,
12:47querer melhorar as instituições multilaterais existentes, né?
12:51Algo que ele despreza,
12:53sempre desprezou e sempre deixou claro.
12:54Então, ele deveria, primeiro,
12:56lidar com a realidade como ela é
12:58e não criar essa ilusão de uma solução rápida.
13:02A ONU, ela tem problemas claros,
13:04mas ela carrega algo que nenhuma organização nova nasce tendo,
13:08que é certa legitimidade internacional,
13:10reconhecimento, regras aceitas,
13:13uma arquitetura que, apesar de todos os defeitos,
13:16e são defeitos que eu reconheço.
13:17Ela foi construída justamente para equilibrar
13:20os interesses distintos dos diferentes países.
13:23Então, eu vejo que ele se aproveita desse momento de enfraquecimento da ONU
13:30e tenta colocar ali como alternativa uma organização
13:35que vai beneficiá-lo pessoalmente.
13:39Pessoalmente.
13:40Então, ele vai ter ali um papel eterno nessa instituição
13:44com um conselho que são pessoas, inclusive, parentes,
13:48que ele vai indicar e que vão decidir se ele depois sai ou não.
13:51É, o delegado Mesquita vai fazer a próxima pergunta aqui.
13:55Professor, bom dia.
13:57Eu penso que a ideia da existência da ONU
14:01e do próprio direito internacional,
14:03ela parte de um pacto.
14:05Ela é uma ficção, na verdade, né?
14:07Eu acho importante a gente, pelo menos a meu ver,
14:09a gente desromantizar a ideia de que a ONU
14:13é uma instituição criada com todos os fins absolutamente legítimos
14:17de cooperação, com o objetivo de trazer a paz mundial.
14:20É uma instituição que fez sentido, talvez isso ainda faça,
14:22durante determinado tempo,
14:24porque ela representava a composição de interesses.
14:27Na verdade, eu acho que é isso.
14:28O direito internacional representa a composição de interesses.
14:31Na medida que a gente assiste uma crise de eficácia,
14:34de efetividade desse organismo
14:36chamado Organização das Nações Unidas,
14:39eu penso que talvez faça sentido a gente buscar alternativas
14:42como, nesse momento, o Trump apresenta,
14:46talvez como uma saída à ideia da criação do Conselho da Paz.
14:50Eu queria saber do senhor,
14:52se o senhor entende que há salvação nessa alternativa,
14:55com uma remodelação ali da estrutura,
14:57por exemplo, rever essa ideia absurda da homogeneidade,
15:01da vitalicidade da presidência do organismo,
15:05dentre outros aspectos problemáticos,
15:09se, de repente, o Trump, como costuma fazer,
15:12ele está só colocando o bode na sala,
15:14mas talvez ele esteja disposto a abrir concessões
15:17e, nesse sentido, se teria razão de ser
15:19a gente continuar, os organismos internacionais
15:24continuarem com a ideia da criação do Conselho.
15:27Eu acredito que esse Conselho já nasce contaminado.
15:33Então, você criar um órgão novo,
15:35ele pode até parecer ágil no curto prazo,
15:38mas se ele começa sem confiança,
15:42sem representatividade,
15:44aí os próprios países que, enfim,
15:48não enxergam legitimidade nisso tudo que está acontecendo
15:51acabam dificultando essa situação.
15:53Reformar a ONU é difícil, é lento, é frustrante,
15:57é algo que tem tentado ser feito há muitas décadas,
16:02mas é algo que, se fosse, de fato, tentado,
16:05e ele com o poder que detém a presidência dos Estados Unidos,
16:10é algo que, se ele quisesse, ele conseguiria fazer
16:12e é algo que poderia dar mais estabilidade.
16:15Eu gostei bastante de uma fala que o Mano trouxe
16:19porque a gente não pode dizer que a ONU falhou por completo
16:25porque eu acho que isso significa simplificar demais em realidade.
16:29Eu entendo e concordo com as críticas que são feitas
16:33no sentido de que ela não foi capaz de impedir grandes guerras,
16:38até mesmo porque a gente está falando ali de potências nucleares
16:41e que, enfim, se elas quiserem, elas vão agir independentemente de qualquer coisa.
16:46Então, a ONU nunca foi pensada como um governo mundial capaz de impor soluções,
16:52mas era, sim, um espaço de contenção, de negociação,
16:56de criação de algumas regras mínimas
16:59para evitar que os conflitos saíssem totalmente do controle.
17:03Então, ela erra, ela é lenta, ela trava muitas vezes,
17:08por conta principalmente dos interesses das grandes potências,
17:13mas ela também foi decisiva em muitos contextos diferentes,
17:17em missões de paz, na ajuda humanitária, na coordenação internacional,
17:21para evitar que outras crises acabassem escalando também.
17:26Então, quando a gente diz apenas que a ONU fracassou,
17:29na verdade, a gente está cobrando dela algo que ela nunca prometeu entregar.
17:34Eu acho que o problema não é a ONU existir,
17:37mas é o mundo que ele está completamente dividido, desigual,
17:42e a ONU é apenas um reflexo disso tudo.
17:45É, sem dúvida alguma.
17:46Nós conversamos com o professor de Relações Internacionais,
17:48especialista no contexto geopolítico também,
17:51Uriam Fancelli.
17:52Eu que agradeço demais a presença aqui no Morning Show.
17:55Obrigado. Bom dia a todos.
17:56Nós que agradecemos.
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