O presidente da França, Emmanuel Macron, solicitou nesta quarta-feira (21) a realização de um exercício militar da Otan na Groenlândia. Segundo comunicado oficial do Palácio do Eliseu, a França está pronta para contribuir com a operação. O pedido ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Ártico, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a anexação da Groenlândia.
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00:00O Macron que se sentiu pessoalmente insultado ontem quando aquela suposta mensagem trocada de forma privada com o Donald Trump foi divulgada por ele nas suas redes sociais.
00:11Ele fez um discurso bastante claro que a Europa está unida e inclusive no aspecto militar,
00:18dizendo que caso seja necessário a França poderia enviar mais soldados para exercícios da OTAN conjuntos na proteção da ilha no Ártico.
00:28Outros países já fizeram este mesmo caminho, a Alemanha, a Suécia, a própria Dinamarca, o Reino Unido e esses países agora sofrem ameaças de aumento de tarifas.
00:38Donald Trump quer impor mais 10% de tarifas, portanto com os 15% já vigentes elevaria essa alíquota para 25% e pode até mesmo dobrar a aposta até junho caso nada seja decidido.
00:52Não sabemos se será o suficiente para dissuadir o presidente, já que é algo bastante inusual, né?
00:59Não é comum termos aliados ameaçando outros aliados, principalmente na aliança militar ocidental que é composta majoritariamente por democracias.
01:08É, ainda há pouco a gente acompanhou a imagem ao vivo da chegada do helicóptero de Donald Trump em Davos.
01:13Essas imagens, para quem nos acompanha por telas, multiplataforma aqui na Jovem Pan, para quem está no rádio, eu vou narrando aqui que o helicóptero dele acabou de pousar, então já chegou o presidente americano.
01:25Mas, o último assunto ainda que eu quero tratar com o Luca, porque a gente falou aqui sobre o conselho de segurança criado aí pelo Donald Trump,
01:32o conselho da paz, na verdade, né, em relação aos países que foram convidados, mais de 60 nações.
01:38E aí, alguém aceitou o convite do Trump para embarcar nessa?
01:43Alguns aceitaram, outros negaram categoricamente.
01:46Esse conselho da paz, apenas para a gente sintetizar para a nossa audiência, ele seria uma espécie de ono paralela, na visão de muitos diplomatas,
01:55o que poderia, de fato, inviabilizar aquilo que foi estabelecido desde 1945 com a criação das Nações Unidas.
02:02Por enquanto, temos a resposta positiva de Benjamin Netanyahu, o premier de Israel, para participar do conselho da paz,
02:10Javier Milley, da Argentina, também Irma Maliev, do Azerbaijão e outras lideranças do mundo árabe.
02:18Por enquanto, o Brasil não respondeu, apesar de ter recebido o convite.
02:22O presidente Lula avalia os riscos políticos que uma resposta positiva e negativa podem causar no ano eleitoral,
02:29enquanto países europeus, exatamente por essas rusgas, por conta da Groenlândia, acabaram decidindo de não participar,
02:37porque acreditam que a ONU já deve ter este papel e não o Donald Trump liderar qualquer tipo de fórum ou diálogo internacional.
02:46Ou seja, muito pano para manga para a gente acompanhar nessa quarta-feira, David.
02:49Exatamente. Daqui a pouquinho a gente vai estar de olho no discurso do Donald Trump, está previsto para as 10h30 da manhã,
02:55vamos ver se também vai se confirmar esse horário.
02:58E o Luca Bassani segue com a gente, mas por enquanto vou pedir licença para debatermos aqui na bancada do Morning Show,
03:04começando pelo Mano Ferreira, porque em muitos contextos, então, para a gente avaliar, analisar em relação a esse encontro,
03:09porque a tensão está instalada.
03:11E aí o presidente americano, o presidente Donald Trump, chegando nesse momento em Davos, qual a expectativa?
03:18Ou não temos expectativa, porque é doido, né?
03:21É tudo imprevisível. O que a gente sabe é que a ordem liberal internacional,
03:25que regia o mundo, pelo menos a partir da Segunda Guerra, e sobretudo após o fim da Guerra Fria,
03:32essa ordem internacional acabou.
03:35Não existe mais.
03:36O direito internacional, como nós conhecíamos, os organismos multilaterais, as alianças militares,
03:44inclusive, como a própria OTAN, parece que tudo está suspenso e incerto.
03:50E isso gera uma insegurança muito grande para todo o mundo.
03:54A gente precisa lembrar que a própria ONU surgiu como uma iniciativa após uma guerra mundial catastrófica,
04:01que gerou mortes em todos os lados, e foi uma tragédia de um ponto de vista humanitário.
04:07Então, o objetivo de construir instituições multilaterais para que os países tivessem meios de resolução pacífica de conflitos,
04:17o grande objetivo é evitar guerras generalizadas.
04:21A gente não pode jamais, como humanidade, perder isso de vista.
04:25E, aparentemente, parece que a gente vem esquecendo.
04:28Será, caso a gente veja o aumento das tensões entre Europa e Estados Unidos,
04:35a primeira vez na história da humanidade que democracias podem entrar em conflito militar.
04:42Isso jamais aconteceu.
04:44Os conflitos costumavam ocorrer entre democracias e autocracias,
04:49ou entre dois regimes autocráticos.
04:51Duas democracias ou dois blocos democráticos entrarem em conflito militar seria inédito.
04:59E muito triste.
04:59Exatamente.
05:00Ana Beatriz Hirsch.
05:03Olha, David, eu acho que a gente está vivendo um momento de bastante tensão
05:08com relação à política externa que o Donald Trump vem trazendo.
05:12E, como você mesmo comentou, é imprevisível.
05:16É completamente imprevisível.
05:17Nós, pela primeira vez em muito tempo, não temos a menor ideia do que vai sair,
05:23de qual vai ser a fala de um presidente americano.
05:25E isso não deixa de trazer uma insegurança muito grande para o cenário internacional.
05:29A gente vê manifestações de determinados países,
05:33até mesmo silêncio de grande parte das nações com relação a essa tal ONU paralela
05:38que ele pretende criar, muito se dá por conta dessa incerteza e dessa insegurança
05:44que o Donald Trump tem apresentado.
05:46Porque a gente realmente não sabe o que vai acontecer.
05:49E, como o Manu colocou, é extremamente preocupante que a gente esteja em vias
05:54de ter um conflito militar entre dois países ou dois blocos democráticos
06:01do mundo ocidental.
06:03A gente não sei dizer quando isso foi cogitado nas últimas décadas.
06:08E isso acaba sendo muito perigoso para o mundo como um todo.
06:12A gente até convidou também o Matheus Machado,
06:14ele que acompanha bastante o mercado financeiro, né?
06:16Porque uma coisa é o aparato militar, você ter uma questão militar ali,
06:21uma incursão, como foi realizado já na Venezuela,
06:24a última dos Estados Unidos, e as tarifas sendo impostas.
06:29Porque aí você tem uma guerra comercial e tudo, mas dá para driblar.
06:31Agora a questão militar é muito difícil, né?
06:34O fato é que o posicionamento do Trump durante todos os últimos anos
06:38já deixou muito claro que ele não quer dar espaço para a ONU.
06:43Há muito tempo ele já vem falando que ele vai tirar os incentivos,
06:47e ele de fato tirou.
06:48Ele fez esse movimento muito claro.
06:50E agora ele criar esse Conselho de Paz, ou essa ONU paralela,
06:53é o segundo passo.
06:55É aquele passo em que ele mostra.
06:57Eu não estava brincando, eu não estava só falando sobre isso.
06:59E claro que isso tem um impacto direto no mercado.
07:01Ontem, as principais bolsas nos Estados Unidos, todas terminaram em queda,
07:06com um grande medo do que pode vir.
07:08E o fato é que não tem hoje ninguém à altura do Trump para rivalizar com ele.
07:12Então isso coloca o mercado europeu também muito em xeque.
07:15Tanto é que Reino Unido, vários outros países,
07:19eles já têm anunciado uma saída do mercado americano,
07:23e estão investindo em novos mercados.
07:25Então estão buscando parcerias com a Índia, com o próprio Mercosul,
07:29como a gente viu recentemente, esse novo acordo, que ainda tem muito para desenrolar.
07:33Então o fato é que o mercado, ele começa a tentar entender uma nova dinâmica global,
07:38onde historicamente a gente depende muito dos Estados Unidos,
07:42e agora está todo mundo tentando fugir dessa relação,
07:44inclusive o mercado brasileiro.
07:45O Lula está nesse jogo de xadrez, nessa grande dúvida,
07:50porque ele não sabe o que fazer.
07:51Se ele diz sim, ele pode entrar no jogo do Trump,
07:54e se ele diz não, ele pode perder muito com essa negativa.
07:58Então o fato é que o mercado está ansioso e querendo saber o que o Trump vai falar hoje.
08:02Exatamente, porque a princípio, o presidente Lula fez uma sinalização ali,
08:09olha, está rolando uma química entre a gente, agora o discurso já mudou.
08:11Falando que o Donald Trump quer ser o presidente do mundo.
08:15Está com medo da combustão, né?
08:17É, então assim, inflamou o discurso, a gente vai até mostrar ao longo do Morning Show aqui,
08:21sobre essa questão do presidente Donald Trump e as últimas medidas também que ele tem tomado.
08:26Gustavo Mesquita, qual a sua expectativa,
08:28de que forma que você analisa tudo isso que está acontecendo nos últimos dias?
08:33Olha, eu vindo atentamente as análises, excelentes análises aqui da bancada,
08:38acompanho todas elas, de fato a gente está assistindo
08:40uma derrocada do sistema de direito internacional,
08:46colapso operacional do direito internacional,
08:49pelo menos aquele que vigia desde o fim da Segunda Guerra Mundial
08:53e agora culminando aí com a possibilidade de conflito
08:58entre dois aliados, dois blocos aliados históricos
09:02que são a União Europeia, a Europa e os Estados Unidos.
09:07É preocupante, né?
09:08Naturalmente, esse assunto vai dominar o Fórum Econômico de Davos
09:13e, infelizmente, nesse caso não tem como.
09:16Não tem como a gente relativizar a atitude do Trump,
09:20essa intenção dele de anexar a Groenlândia
09:23sob um argumento que não se recorre,
09:27ele não faz questão de justificar sob argumentos morais,
09:30legítimos, históricos, não.
09:32Ele simplesmente diz que ele pretende anexar a Groenlândia
09:38porque ele pode, porque ele é mais forte,
09:40porque é importante para os Estados Unidos.
09:42Isso não pode ser dessa maneira.
09:43De fato, isso abre um precedente muito perigoso no mundo,
09:47onde a lei do mais forte vai se tornando cada vez mais
09:50a lei internacional.
09:52A gente precisa analisar, acompanhar com muito cuidado
09:56e esperar que, de fato, alguma composição seja feita.
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