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O Ceará, um dos estados com mais mortes violentas em 2025, vive uma guerra entre facções criminosas que já dominam comunidades inteiras. Em Pacatuba, moradores foram expulsos de casas após ameaças, pichações e intimidação, transformando vilarejos em cidades fantasmas usadas pelo crime organizado para tráfico e exploração ilegal de imóveis.

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Transcrição
00:00Um outro assunto. O Ceará, que é o quarto estado com mais mortes violentas em 2025,
00:07vivencia uma disputa entre duas das maiores facções criminosas do país.
00:11Com isso, os criminosos passaram a dominar regiões inteiras.
00:15O nosso repórter Matheus Dias tem os detalhes, chegou com mais informações.
00:19Boa noite, Matheus. Existem cidades que já são consideradas fantasmas
00:23devido à expulsão de famílias de vilarejos. É isso? Conta pra gente.
00:30É isso sim, Coba. Boa noite pra você, boa noite a quem nos acompanha.
00:33Esse recorte, então, total do estado do Ceará, ele é muito puxado por um recorte menor de uma comunidade,
00:39a comunidade chamada Jacarezal, que fica ali na cidade de Pacatuba, a 35 quilômetros de Fortaleza.
00:45Essa cidade é considerada fantasma porque cerca de 30 casas foram abandonadas pelos moradores
00:52que se sentiram coagidos ali por membros de facções criminosas.
00:55membros esses que chegaram nas comunidades, picharam os muros e também intimidaram vários dos moradores.
01:01E eles saíram com bastante pressa, viu, Coba?
01:04Abandonaram a comunidade ali, mas levaram móveis, levaram portas, janelas e até telhas dos imóveis durante a fuga.
01:12Toda essa situação, segundo especialistas, é por conta das facções de expulsarem os moradores,
01:17é porque agora eles usam essas residências pra fazer ali a prática do crime organizado,
01:21para o tráfico de drogas, mas também até pra aluguéis desses imóveis e trazer a rentabilidade
01:27pra essas facções criminosas.
01:29A gente tem que dar um contexto aqui, mesmo que breve, mas pra falar como que passa esse estado do Ceará
01:33já há pelo menos dois anos que é fiscalizado isso pelo atual governo.
01:38No caso, são duas facções criminosas que estão em guerra no estado do Ceará.
01:42A gente fala do Comando Vermelho, a facção criminosa que é proveniente do Rio de Janeiro,
01:46mas tem se instalado cada vez mais no Ceará, e isso acabou fazendo com que outra facção criminosa,
01:53essa facção de nome Guardiões do Estado, se visse, então, em combate com o Comando Vermelho.
01:59Guardiões do Estado, então, essa facção se uniu com uma outra facção chamada de Terceiro Comando Puro,
02:06essa também proveniente do Rio de Janeiro.
02:08A guerra, então, começou e transformou o estado do Ceará em uma terra com muita violência e com números alarmantes.
02:17Só no ano passado, foi verificado pela Secretaria de Segurança Pública que mais de 3 mil assassinatos em crimes violentos
02:23aconteceram em 2024, mais de 3 mil e 300 assassinatos, todos em crimes, seja feminicídio, seja homicídio,
02:33seja roubo com armas de fogo, todo tipo de crime considerado violento pela Secretaria de Segurança Pública,
02:39fazendo com que o estado do Ceará se veja no mesmo patamar que o país como um todo na questão da segurança pública.
02:46Tema tão debatido, no Ceará não é diferente.
02:49No Ceará, então, governado pelo petista Eumano de Freitas, que se vê, então, com um problema,
02:54uma dor de cabeça para tratar ali da segurança pública, mas diz que o trabalho tem sido feito,
02:58quando aponta dados de que só no ano passado, mais de 2 mil e 400 criminosos apontados como autores de homicídios
03:06foram presos, viu, Coba?
03:08Muito obrigado, Matheus Dias, falando aqui de São Paulo.
03:11Deixa eu chamar aqui o delegado Palumbo.
03:13Palumbo, as famílias estão indo embora, estão saindo de vilarejos inteiros.
03:19Como é que isso não é terrorismo?
03:21Se as pessoas se aterrorizam ao ponto de deixar aquele local, às vezes, onde se criaram,
03:26formaram suas famílias, têm suas propriedades, como é que ainda existe um posicionamento tão grande
03:34para resistir a chamar isso de terrorismo?
03:37Eu entendo que isso é terrorismo, assim como você e boa parte, a maioria dos nossos telespectadores e ouvintes.
03:46Mas quando você tem um governo fraco, é isso que acontece.
03:50O crime deita e rola.
03:53E é isso que vai continuar acontecendo.
03:54Agora tem até mais uma facção, guardiões do Estado.
03:58Tem que ser guardiões do cemitério.
04:00A polícia tem que fazer o seu trabalho.
04:03Mas como você vai fazer o seu trabalho?
04:04Como que a polícia vai fazer o seu trabalho com organizações de direitos humanos que só defendem bandidos?
04:11Com boa parte dos políticos, inclusive este que o governador faz parte,
04:15que defendem bandidos, que não querem ver o encarceramento,
04:18que é a soltura, que é colocar a tornozeleira,
04:20que não quer colocar a facção como terrorista, que não quer acabar com a progressão de regime.
04:26E se a polícia fizer alguma coisa?
04:28Olha, foi massacre.
04:30Olha, não pode.
04:30Massacre é o que está acontecendo com essas famílias que são expulsas,
04:34que têm o celular, que têm que levar o telhado, que têm que levar a janela.
04:37Isso sim é massacre, isso sim é terrorismo.
04:40Mas será que a polícia tem liberdade?
04:43Vamos usar o exemplo do Rio de Janeiro,
04:45onde teve uma operação, onde centenas de ladrões criminosos,
04:49traficantes foram mortos em legítima defesa.
04:52Olha a quantidade de defensores que apareceu para defender os bandidos.
04:59Teve até uma especialista de segurança que falou uma barbaridade,
05:03que com uma pedra você pode neutralizar um traficante.
05:07Olha o nível das pessoas que se intitulam especialistas de segurança.
05:13Que conhecimento que tem uma senhora que fala uma barbaridade dessa.
05:18Para quem é operador ou já foi operador de segurança pública,
05:21você escuta aquilo e fala, não, não é possível.
05:23Eu estou num teatro, é stand-up, é comédia,
05:27eu não estou ouvindo uma barbaridade dela.
05:29O que tem que você fazer?
05:30A lei é fraca.
05:31Mas aí o Ministério Público, o Poder Judiciário,
05:34o governador tem que pegar e soltar a polícia.
05:37Mas não é soltar para cometer irregularidade,
05:40ilegalidade.
05:41É uma ordem.
05:43Se o traficante apontar a arma para você,
05:45não morra, mata.
05:47Porque você pode matar.
05:49Em legítima defesa.
05:51Mas qual o respaldo que tem esses policiais?
05:54Será que se eles forem lá num confronto e matarem 10,
05:57vai acontecer algum tipo de represália?
06:00Será que realmente terá apoio da sociedade?
06:03Duvido.
06:04Da sociedade sim, mas duvido que vai ter apoio por parte do governador.
06:09Eu me lembro quando eu era o 01 aqui da divisão do Garra,
06:13que é um grupo da divisão de operações especiais,
06:15aonde houve a morte de 10 bandidos que estavam assaltando residência no Morumbi.
06:20O que, desculpe o termo, encheram a nossa paciência,
06:25literalmente, essas organizações de direitos humanos,
06:29essas organizações que defendem bandido, ouvidoria,
06:33a gente não fica com medo da troca de tiro.
06:36A gente fica com receio desse tipo de represália
06:38que vem depois desses especialistas de segurança,
06:41que põe um óculosinho, pinta o cabelo de laranja, de azul, sei lá de que cor,
06:45e fala que com uma pedra você neutraliza um traficante
06:47e que não precisava atirar num bandido que está portando um fuzil 762.
06:51Aí fica quase difícil.
06:52Enquanto a gente tiver governo frouxo, isso vai continuar acontecendo.
06:56É isso aí, Palom.
06:58Me lembrei de uma cena, você, num debate desses aí.
07:01O pessoal coloca o óculos e produz regras, não é isso?
07:04Fica produzindo regras, né, Palom?
07:07Fala aí, Diego Tavares.
07:08Eu quero propor um exercício aqui para a nossa audiência.
07:11Vamos imaginar que, na cidade mais distante dos Estados Unidos da América,
07:15um grupo se reúna, se armem,
07:18lá é muito mais fácil o acesso às armas do que aqui,
07:20e decidam que vão tomar para si uma cidade.
07:23O que será que vai acontecer com essas pessoas?
07:26Que fim será que elas levarão?
07:28Eu garanto, garanto para a nossa audiência que nem presas,
07:30essas pessoas serão diante do grau de ameaça
07:34que isso representa para a unidade do Estado.
07:37Aqui no Brasil a gente vive uma letargia,
07:39a gente vive um estado de frouxidão em relação ao absurdo
07:44que produz esse tipo de efeito que,
07:46quando a gente ouve, já parece que é algo normal,
07:48já parece que é algo que faz parte da nossa paisagem aqui.
07:52Uma organização criminosa tomando parte de um território
07:55para ali empregarem as suas atividades de venda de drogas,
07:58de tráfico de armas, enfim,
08:00e todo outro tipo de atividade que o crime organizado produz.
08:04Então, quando nós naturalizamos esse tipo de absurdo,
08:08o que nós estamos dizendo é que não existe ordem constitucional no Brasil,
08:12que não existe um Estado disposto a proteger o seu povo.
08:16Isso é um Estado de coisas muito perigoso.
08:19Isso nos faz ter a certeza de que aqui não existe mais Estado democrático de direito,
08:23de que aqui não existe mais lei, de que aqui não existe mais nada.
08:26Aqui existe uma grande selvageria, uma grande lei da selva,
08:29de que sobrevive o mais forte.
08:31E hoje, infelizmente, a aparência que tem é que o Estado nem é o mais forte.
08:35Eu me lembro de um episódio muito emblemático também nesse sentido,
08:38a respeito do furto de metralhadoras .50 num quartel aqui no Estado de São Paulo,
08:42na cidade de Barueri, salvo engano.
08:45E apurou-se que as pessoas que furtaram essas metralhadoras .50
08:50tentaram fazer a venda dessas metralhadoras para o crime organizado,
08:53que se recusou a adquiri-las, porque, segundo os compradores do crime organizado,
08:58essas metralhadoras seriam obsoletas.
09:00Então, nós temos organizações que são muito fortes do ponto de vista econômico,
09:04tudo que nós repercutimos aqui de o turnamento sobre o poder econômico das facções
09:08militam a esse favor.
09:10Nós temos organizações que são muito fortes do ponto de vista bélico
09:13e nós temos organizações que estão agora tomando conta das próprias instituições de Estado.
09:18Será que o Brasil já não é, como disse o juiz naquele caso da delegada
09:23que foi presa por ligações com o Primeiro Comando da Capital?
09:26Será que nós já não somos, de fato, um narco-Estado?
09:28E nós não percebemos ainda, nós só não nos demos conta ainda,
09:32o que está faltando para as nossas autoridades entenderem que nós estamos vivendo uma guerra,
09:36de que tem pessoas que estão invadindo o nosso país,
09:39estão tomando para si parte do território,
09:42estão ali nesse território impondo os seus símbolos,
09:44estão ali impondo o seu hino, estão ali impondo as suas leis.
09:48Eu fico aqui me questionando o que está faltando em qualquer outro país do mundo.
09:52Essa situação que nós estamos noticiando aqui a respeito do Ceará
09:55motivaria que o governo federal agisse com toda a força possível para retomar esse território.
10:00Motivaria, inclusive, que o governador respondesse por isso como crime de responsabilidade,
10:05porque foi negligente ao ponto de deixar que uma cidade inteira se perdesse para as facções criminosas.
10:10Então, esse processo de naturalização desse absurdo,
10:13infelizmente, está conduzindo o Brasil para um processo de narco-estatização acelerado,
10:18se é que esse processo de narco-estatização já não se consolidou por aqui.
10:23É muito triste, fica aqui a nossa solidariedade ao povo cearense
10:27e os nossos votos de que essas pessoas possam um dia,
10:30diante de um governo um pouco mais eficiente, retornarem para os seus lares.
10:34Só confirmando, Diego, foi em Barueri, sim, foi em 2023, em outubro,
10:3721 metralhadoras do exército que foram furtadas.
10:41Agora são 19 horas e 27 minutos, intervalo para você que está na nossa rede de rádios.
10:47Por aqui seguimos, quero também a opinião do Mota.
10:50Mota, mas a gente tem no nosso congresso PEC da Segurança,
10:55CPI de Crime Organizado, PL Antifacção.
11:01Tem como resolver?
11:03Olha, Koban, eu acho que diante dessa notícia,
11:07eu já estou imaginando as pessoas do governo federal tomando uma providência imediata.
11:11mandar um carregamento de TV Smart para os presídios do Ceará.
11:16Esse é o momento de lembrar como surgiram as facções.
11:21A primeira facção surgiu aqui no Rio de Janeiro, no presídio da Ilha Grande,
11:27devido à convivência entre pessoas, partidos de esquerda,
11:33que tinham sido presos por envolvimento com terrorismo e guerrilha,
11:37e conviviam com presos comuns.
11:39E aí doutrinaram, começaram a explicar para os presos comuns
11:43como é que se organizava essas operações.
11:46E aí surgiram as facções.
11:48Não existe nenhuma razão técnica, lógica ou financeira
11:53para que a polícia não tenha supremacia no confronto com os bandidos.
11:59Não é compreensível que estados como Rio de Janeiro e Ceará
12:02tenham áreas dominadas por facções criminosas.
12:05Eu quero lembrar aqui que tem muita gente que tem na cabeça
12:09essa visão do Rio de Janeiro, que essas coisas só acontecem no Rio de Janeiro.
12:14Então é boa uma notícia como essa para mostrar
12:15que isso está espalhado pelo Brasil inteiro.
12:18Agora, não se trata simplesmente de uma questão de tráfico de drogas.
12:23Porque existe tráfico de drogas em Nova Iorque, em Londres, em Roma,
12:28mas nenhuma dessas cidades tem territórios controlados por homens armados de fuzis.
12:36Aqui no Rio de Janeiro, você sabe, o Ministério Público aqui tem um mapa,
12:41eu já vi uma vez, no escritório do Ministério Público,
12:44o mapa das comunidades do Rio de Janeiro com as facções.
12:47Olha, aqui é a facção tal, aqui é outra facção.
12:49Como é que nós chegamos num estágio desse?
12:54A resposta é, nós chegamos ali com uma mistura de ideologia, populismo e incompetência.
13:01E boa parte da responsabilidade está com os especialistas marxistas de segurança pública,
13:11que construíram essa situação de hoje,
13:14enquanto recebem verbas públicas e levam uma maravilhosa vida burguesa.
13:21Quero mandar um abraço aqui para toda a nossa audiência,
13:23nos acompanhando aqui, no meu Instagram, recebi aqui um post do Marcelo Rocha Monteiro,
13:28procurador de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro,
13:31já esteve conosco aqui nos Pingos nos Is, amigo do Mota, não é isso?
13:34A gente tem também, acompanhando aqui, o Ivan Rafael Bueno,
13:40conselheiro da OAB, lá na cidade de Sertãozinho, na nossa audiência,
13:46o João Vinícius Mansur também, nosso colega advogado, conselheiro,
13:49um dos advogados mais influentes do Brasil, sempre conosco aqui em Os Pingos nos Is.
13:54Muito obrigado, viu?
13:54Você que está no YouTube, não deixa de curtir também, comentar,
13:58deixa aí a sua análise, muito bom ter você participando com a gente.
14:00Agora, 19 horas e 31 minutos, nós estamos de volta
14:03para você que estava no nosso intervalo na rede de rádios,
14:05repercutindo essa situação agora que aflige a população no Nordeste também,
14:11facções expulsando famílias inteiras de vilarejos, enfim,
14:14o crime organizado chegando também lá no estado do Ceará.
14:18Palumbo, traz a sua experiência aí de anos aqui de Polícia Civil no estado de São Paulo,
14:23onde se enraizou o PCC, que ainda é a maior facção criminosa no Brasil,
14:29e atravessando fronteiras, é o que se chama de uma facção transnacional,
14:33que tem seus líderes até nos Estados Unidos, na Europa, em tantos locais do mundo.
14:40O que precisa para resolver essa situação aí?
14:43Você que está no Congresso, você acha que essas CPI, projeto, PEC da Segurança,
14:48tem jeito de resolver ou não vai alcançar o objetivo?
14:53A CPI do crime organizado, para quê?
14:56Para quê? Vamos voltar a projetos que vão ferrar a vida de bandido.
15:03A linguagem do povo é essa.
15:05O povo não gosta de ver um bandido roubando o celular e saindo na audiência de custódia,
15:09ou saindo primeiro que os policiais numa delegacia.
15:12Agora, a gente não vai acabar com isso se a gente tiver governantes frouxos.
15:17Tivemos... Vamos citar um exemplo.
15:19Paraisópolis, acertaram um policial, a rota foi para lá.
15:24O governador da época ligou, saiam daí.
15:28Que estímulo policial tem para trabalhar quando atinge um colega de farda?
15:35Aí vai a rota, uma unidade de elite, policiais extremamente capacitados,
15:40para uma das maiores comunidades aqui de São Paulo, maior.
15:45E aí, saiam daí.
15:48É governo o quê?
15:49Frouxo.
15:51O que está acontecendo agora no Ceará.
15:55Qual a atitude do governador?
15:56Concordo.
15:57Tem que responder.
15:58Crime de responsabilidade.
16:00Está dando apoio para as polícias?
16:02A polícia pode trabalhar?
16:05Ou a ouvidoria é aquele extremista, esquerdista,
16:08que só quer perseguir os policiais?
16:11Que não vai na casa dessas pessoas e perguntar,
16:14onde vocês vão morar?
16:16Onde você vai colocar esse telhado que você arrancou da sua própria casa
16:19porque o traficante te arrancou?
16:21Vamos arrumar um lugar para você morar?
16:23Não, não.
16:24Tenho certeza absoluta que ninguém vai procurar essas pessoas.
16:27Mas o traficante, se a polícia matar, aí aparece.
16:32Tem especialista de segurança que pinta o cabelo e que fica em Yacht Club.
16:36Como o próprio Mota falou, burgueses que adoram palpitar.
16:44Coloque essas pessoas para morar um mês numa comunidade no Rio de Janeiro
16:48para eles sentirem o que o povo da comunidade sofre.
16:52Porque falar você estando num Yacht Club,
16:56ou estando num resort, ou estando num ar-condicionado,
17:00tomando uma aguinha gelada,
17:02é fácil.
17:03Até a minha avó opina sobre segurança pública.
17:05Agora eu quero ver estar lá com o trabalhador,
17:08com aquela pessoa que tem que acordar 4 horas da manhã,
17:11ou com o motorista de Uber,
17:13que é abordado, não pela polícia,
17:15é abordado pelos traficantes do Rio de Janeiro e quase morre.
17:18Aí ele abre o vidro e pede,
17:20desculpa, eu sou motorista de aplicativo.
17:24Tipo assim, não me mata não, traficante.
17:26Ou seja, tudo isso se criou por causa de governantes e políticos frouxos,
17:33que defendem bandido, que vê lógica no assalto,
17:37que acha que é normal roubar, que são coitadinhos.
17:41Vamos dar uma TV de 40 polegadas para eles assistirem, sei lá o quê,
17:46uma artista aí famosa, como se isso fosse ressocializar.
17:50Você acha que um faccionado, ele vai assistir um filminho
17:54e ele vai se regenerar?
17:56Isso é piada, é piada de mau gosto.
17:59Enquanto o povo brasileiro,
18:01será que ele consegue assistir uma TV com internet?
18:06Claro que não.
18:07Não consegue,
18:09porque se ele tentar ligar uma TV no celular dele,
18:11no ponto de honor que ele tiver e trabalhar,
18:14ele vai ser roubado.
18:15E quem é que vai ser defendido por esses mesmos políticos e governantes?
18:19Quem é que vai ser defendido?
18:20O traficante.
18:22É, esse mesmo.
18:23O ladrão.
18:24O bandido.
18:25Então, enquanto a gente tiver governo frouxo,
18:27cobaiacho, não adianta.
18:29A polícia vai ficar acuada,
18:31enxugando gelo,
18:33respondendo na cogidoria,
18:34na ouvidoria
18:36e tendo que sofrer processos administrativos
18:40porque cumpriu o seu dever legal.
18:42O policial não é pago para morrer.
18:43O traficante que sai armado,
18:45o ladrão que sai armado com um fuzil
18:47está disposto a atirar na polícia,
18:49tem mais é que tomar um tiro
18:50e sentar no colo do capeta, cobaiacho.
18:52Ô Diego,
18:53nessa CPI do crime organizado no Congresso,
18:56você acha que tem algum parlamentar lá
18:58que vai ter coragem de convocar o Marcola
19:01para prestar um depoimento?
19:03Ou o Fernandinho Beramar?
19:04Ou não?
19:06Olha, Coba,
19:07eu tenho uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil
19:09que é através da qual eu ganho a minha vida
19:11e sustento a minha família.
19:12Eu jogo essa minha carteira fora
19:14se uma dessas grandes lideranças de facção criminosa
19:17que estão sob custódia do Estado
19:19forem convocadas para prestarem seus depoimentos,
19:21para explicarem aos parlamentares
19:23como funcionam as entranhas do crime organizado.
19:27Evidentemente que mais essa CPI
19:30é um expediente para lacração de parlamentar,
19:33para que parlamentar possa achacar outras autoridades ali
19:36e fazer os seus cortes para as redes sociais
19:39e em ano eleitoral capitalizar muito politicamente
19:42com isso tudo.
19:43Há já visto aqui, conforme já dissemos aqui hoje,
19:45a segurança pública será o grande tema dessas eleições.
19:49Não é por CPI que nós vamos combater o crime organizado.
19:52Eu conclamo aqui a nossa audiência
19:54prestar muita atenção no que está escrito aqui
19:57para quem nos acompanha por imagens, evidentemente,
19:59no nosso geradores de caracteres.
20:01Eu vou até ler aqui para quem está na rádio
20:02entender o que está acontecendo.
20:03Facções criminosas expulsam famílias
20:06e assumem o controle de regiões.
20:09Facções criminosas estão tomando conta
20:11de cidades inteiras.
20:13Tem cidades se tornando cidades fantasmas
20:16no Brasil em razão da atuação do crime organizado.
20:20Não tem lei, não tem discussão parlamentar,
20:23não tem expediente investigativo
20:25que tenha condição de resolver uma situação como essa.
20:28Essa situação se resolve somente com demonstração
20:30de força do Estado com a retomada dessas regiões.
20:34É uma situação de invasão muito semelhante
20:36a uma situação de guerra,
20:38muito semelhante a uma situação,
20:39para traçar aqui um paralelo,
20:40do que acontece entre Rússia e Ucrânia.
20:42Os ucranianos estavam lá num belo dia
20:44nas suas casas, nas suas cidades.
20:46Os russos chegaram, invadiram
20:47e tomaram conta daquele território.
20:49É o que está acontecendo aqui no Brasil.
20:51Nós precisamos de uma resposta enfática,
20:54firme, dura, rígida do Estado
20:56para que isso não aconteça novamente,
20:58para que deem o exemplo a essas facções criminosas
21:01de que aqui existe lei, de que aqui existe ordem.
21:04Mas o que nós temos aqui,
21:05em resposta do governador do Estado, por exemplo,
21:07é o número de pessoas que foram presas
21:09em razão do cometimento de homicídios.
21:11Num trabalho brilhante que a polícia do Ceará faz,
21:15digas de passagem,
21:15porque sequer dispõe de recursos
21:17para fazer metade daquilo que está sendo noticiado
21:20pelo governador.
21:21Então, o que nós precisamos é de uma resposta muito dura,
21:24de uma resposta, um combate ao crime organizado,
21:27como se combate numa guerra,
21:28porque está muito claro que não existe
21:30ressocialização para essas pessoas,
21:32não existe forma de você pegar um faccionado
21:34que fez do crime a sua profissão de fé
21:36e devolvê-lo à sociedade.
21:38Esperar que uma pessoa que porta um fuzil
21:40e que está disposta a tomar uma cidade
21:41vai trabalhar amanhã ou depois
21:43nos empregos comuns,
21:45que infelizmente aqui no Brasil
21:46não pagam muito bem,
21:47não pagam como paga o crime organizado.
21:50Então, o que nós ouvimos hoje
21:51a título de debate de segurança pública,
21:53em grande parte é uma fábula,
21:55é uma falácia para tentar acalmar o nosso coração
21:58diante de uma situação de guerra
22:00que nós vivemos nesse país.
22:01Não dá para naturalizar,
22:03para normalizar a tomada de territórios
22:05e a imposição de ordem pelo crime organizado.
22:08Isso cumpre ao Estado.
22:10É o Estado que tem que ocupar as regiões,
22:13que tem que fazer valer nas regiões
22:15aquilo que se chama lei.
22:16É o império da lei
22:17que faz um Estado democrático de direito.
22:19Se desaparece o império da lei,
22:21nós não somos mais um Estado democrático de direito.
22:23Ô, Mota, e esses faccionados,
22:25eles têm muito mais medo,
22:27temor, respeito,
22:28pelo tribunal do crime
22:29do que pelo tribunal da justiça.
22:33É o que se chama de ameaça crível,
22:37Cobar.
22:39O Estado brasileiro deixou de ser
22:41uma ameaça crível.
22:43Exceto, é claro,
22:44para as pessoas que escrevem
22:46em uma estátua com batom.
22:48Aí a lei é dura e imperdoável.
22:51Agora, quando a gente examina
22:54o que acontece no Brasil,
22:57essas coisas já vêm de muito tempo, Cobar.
23:00Eu sou um pouco mais velho que vocês,
23:02eu me lembro de uma cena,
23:04se eu não me engano,
23:05em 1984 ou 1985,
23:09aqui no Rio de Janeiro,
23:11era um grupo da...
23:14Naquela época não se falava facção,
23:16era um grupo de bandidos,
23:18de traficantes,
23:19na Rocinha,
23:20aqui no Rio de Janeiro.
23:21E um deles apareceu,
23:23na época,
23:23no telejornal mais famoso,
23:26com uma metralhadora,
23:28dando tiros para cima.
23:31Isso foi em 1985.
23:34De lá para cá,
23:35a situação só piorou.
23:37Quando o cidadão comum
23:38olha o que acontece no Brasil hoje,
23:41o que a gente tem vontade
23:42de perguntar é,
23:43o que as pessoas responsáveis
23:46do Estado brasileiro
23:48estão fazendo
23:49que é mais importante
23:51do que lidar com essa situação?
23:54E eu não sei
23:55nenhuma resposta boa
23:57para essa pergunta, Cobar.
23:58Difícil, né, Palumbo?
24:00O cidadão,
24:01as pessoas,
24:02enxergarem no futuro próximo aí,
24:05na próxima década,
24:07cinco, dez anos,
24:08esse cenário mudar.
24:09A gente só consegue ver
24:10as facções crescendo, né?
24:11A gente pega a linha de crescimento
24:13em faccionados,
24:15em volume de dinheiro movimentado,
24:18em empreendimentos.
24:20Antes era tráfico de drogas,
24:21depois tráfico de drogas
24:22e posto de gasolina.
24:23Agora é fintech,
24:24é todo tipo de mercado,
24:27imobiliário,
24:28carros de luxo,
24:29enfim,
24:30todo tipo de negócio
24:31envolvendo as facções criminosas.
24:33Qual é a chance
24:34desse negócio agora
24:35começar a ruir,
24:36diminuir,
24:37deixar de ter faccionado,
24:38deixar de movimentar
24:39muito dinheiro,
24:40deixar de ter essas frentes
24:41de negócio?
24:42A gente não consegue enxergar
24:43isso acontecendo
24:44num futuro próximo, né?
24:47É, fica difícil, né,
24:48a gente acreditar,
24:50principalmente com o governo aí,
24:52que não toma atitudes
24:53que deveriam tomar.
24:54O crime organizado,
24:56ele está na política,
24:58está entrando
24:58nas instituições,
25:00mas já visto o que aconteceu
25:01aqui em São Paulo,
25:02uma delegada,
25:04que a gente sabe
25:05que tinha conivência, né,
25:08ou participação
25:09com uma facção poderosíssima,
25:10que é o PCC,
25:11mas não é só na polícia.
25:13Eles também estão
25:14prestando um concurso
25:15para a magistratura,
25:17para o Ministério Público,
25:19para a advocacia,
25:20para procuradores,
25:21estão em todos os locais.
25:22Enquanto isso,
25:24o governo romantizando.
25:26O bandido,
25:27ele tem que entender
25:27algumas coisas,
25:29entre elas,
25:30se enfrentar a polícia,
25:32você vai morrer.
25:32Se você cometer crime
25:35e se entregar,
25:36você vai ficar preso
25:37e não vai ter benefício.
25:40Você não vai ter
25:40nenhum tipo
25:41de benefício.
25:43E dar instrumentos
25:44para que a polícia civil,
25:46para que a polícia federal,
25:47ela possa atuar
25:49para captar
25:50esse dinheiro
25:51do crime.
25:53Para sufocar o crime,
25:55não é só com tiro,
25:56porrada e bomba,
25:58desejando a morte
25:59do bandido
26:00num confronto.
26:01Não,
26:01você tem que tirar
26:01o dinheiro da facção.
26:03Como é que você faz isso?
26:04através de instrumentos
26:06jurídicos.
26:07Não pode
26:08a polícia civil
26:09pegar
26:10um helicóptero,
26:12um barco,
26:13do André do Rep,
26:14esse helicóptero
26:15servia
26:16para transporte
26:18de órgãos
26:19para que pessoas
26:20que precisam
26:20de um transplante
26:21sejam operadas
26:22rapidamente,
26:23em uma,
26:24duas,
26:24no máximo,
26:25três horas,
26:26e depois
26:27devolve-se
26:28esse helicóptero.
26:30Trabalhei
26:30na divisão
26:31de operações especiais
26:32muito tempo
26:32e posso falar
26:34com tristeza
26:35que os policiais
26:37que arrancaram
26:38os adesivos
26:39desse helicóptero
26:40que era
26:40do traficante,
26:42que arrancaram
26:42os adesivos
26:43da polícia civil
26:44que era usado
26:46porque ele não tinha
26:46adaptação
26:48para ser um helicóptero
26:50para trabalhar
26:50no combate,
26:52não era blindado
26:53a parte dos pés,
26:55enfim,
26:56ele foi usado
26:56para transplante,
26:57para pegar órgãos
26:59para ser transplantado.
27:00A tristeza
27:01dos policiais
27:02arrancando
27:03o adesivo,
27:04aí devolveram
27:05o helicóptero.
27:07Tem condição
27:07disso aqui
27:08dar certo?
27:09É claro que não.
27:10Então,
27:11a segurança pública
27:12se faz com a junção
27:13do legislativo,
27:14leis pesadas,
27:15mas, infelizmente,
27:16anti-horários
27:17não desejam isso.
27:18E a prova é
27:19só pesquisar.
27:21Tudo que se faz
27:21no Congresso
27:22é público.
27:23Eles não votam
27:24para aumentar a pena,
27:26para tirar benefício.
27:27Não votam.
27:29Não votam.
27:30Judiciário,
27:31quando você vê
27:32um juiz
27:32dando um cafezinho
27:33para um preso,
27:34pegando uma cara
27:36que toma um cafezinho,
27:37põe um casaquinho,
27:38está frio,
27:39desligou o ar-condicionado.
27:40Como é que a vítima
27:41se sente, hein?
27:42Imagine a vítima
27:43desse bandido
27:44vendo uma cena
27:46da juíza
27:47ou do juiz,
27:47coloca um casaquinho
27:48nele.
27:50Aí não dá,
27:51Kobayashi.
27:51Aí você vê
27:52um governador
27:53como o do Estado
27:54que a gente
27:55está falando agora
27:56que afrouxou.
27:59Tanto é que
27:59é o terceiro Estado
28:00mais violento.
28:01Afrouxou.
28:02E a gente não precisa
28:03ir longe, não.
28:05Aqui,
28:05quando os policiais
28:06prenderam
28:08aquele feminicida
28:09que arrastou a mulher
28:10que teve as pernas
28:11cortadas,
28:13o preso
28:14parecia que estava
28:15numa sala
28:16de reunião
28:17com o promotor
28:18perguntando,
28:19mas você foi agredido?
28:19Te agrediram?
28:20Aí a juizinha,
28:20manda para a congedoria,
28:22espécie de ofício
28:22para a congedoria.
28:23peraí,
28:25e o crime
28:25de denunciação caluniosa?
28:27Você é advogado,
28:28Kobayashi.
28:29Diogo é advogado.
28:30E o crime
28:30de denunciação caluniosa
28:32que a pena pode chegar
28:33a oito anos,
28:33que é quando você
28:34acusa alguém
28:34falsamente de cometimento
28:35de crime?
28:36Por que esse juiz,
28:37esse promotor
28:37não falou assim,
28:39se você mentir,
28:40se você falar qualquer coisa
28:41e não for provado,
28:42a sua pena pode aumentar
28:43em oito anos?
28:44Não,
28:45manda para a congedoria.
28:46Os policiais me ligaram
28:48pedindo,
28:49nos ajuda,
28:50porque a gente
28:50prendeu um feminicida
28:51que arrastou uma mulher
28:52por um quilômetro,
28:53ele veio para cima da gente
28:54e tirou no braço?
28:56Pois eu falei,
28:56deveria ter matado,
28:57porque morto não fala.
28:59Então, infelizmente,
29:00é assim,
29:01a polícia enxuga gelo,
29:03a polícia está acuada,
29:04e esses policiais
29:05que estão aparecendo
29:06na tela do telespectador
29:07da Jovem Pan
29:07são policiais valentes.
29:10Deixa eles trabalharem,
29:11coloca fuzil na mão deles
29:12e põe todos esses pandidos
29:14para correr
29:14e se enfrentar.
29:15A polícia é vala.
29:16Mas qual governador
29:17tem coragem de fazer isso?
29:18Poucos.
29:20É verdade.
29:21Palumbo,
29:21e esses policiais
29:22são acusados
29:23numa audiência dessa
29:24de terem praticado
29:26algum ilícito,
29:27até eles provarem
29:28a inocência,
29:29já são afastados,
29:30às vezes estão longe
29:31do serviço,
29:31já muda toda a rotina
29:32do policial,
29:33já é penalizado,
29:34ele começa já penalizado.
29:37Essa é a situação,
29:38infelizmente,
29:38de muitos agentes
29:39de segurança.
29:40Segurança.
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