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Em entrevista ao Jornal Jovem Pan, o ex-ministro da Agricultura e professor Roberto Rodrigues celebrou o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Rodrigues afirmou estar "otimista e esperançoso", destacando que o tratado abre as portas de um "mercado gigantesco" para o produtor brasileiro.

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Transcrição
00:00Bom, quais são os ganhos para o agro-brasileiro com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia?
00:06Mais um convidado aqui no Jornal Jovem Pan, nosso entrevistado é o professor emérito da Fundação Getúlio Vargas,
00:12ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
00:15Professor, boa noite, muito obrigado mais uma vez por nos atender, é um bom ano, como vai?
00:21Boa noite, Thiago, bom ano para vocês também, para todo mundo.
00:24Obrigado pela oportunidade, vamos lá.
00:26Nós que agradecemos.
00:27Bom, claro que ainda é tudo muito incipiente, falta ter 100% de certeza que esse martelo efetivamente será batido.
00:36O senhor que acompanhou toda a discussão lá atrás, do início dessa aproximação entre os dois blocos.
00:44Mesma pergunta que eu fiz para o doutor Janete da Fonseca agora há pouco, faço para o senhor.
00:47O senhor está vendo com otimismo esse acordo ou ainda é preciso esperar para saber efetivamente como é que vai se dar na prática, doutor?
00:57Tiago, eu vejo com otimismo sempre, trabalhei por esse acordo mais de 20 anos, né, antes ser ministro, com ministro e depois ser ministro também.
01:06Então eu considero que é um acordo importantíssimo, afinal de contas são 720 milhões de pessoas envolvidas nesse acordo, é muito consumidor, portanto mercado gigantesco.
01:15Então eu sou otimista e esperançoso.
01:21Com uma, um dado de realidade.
01:24No começo não vai ser muito bom para a agricultura brasileira, não vai ser como a gente gostaria que fosse para a agricultura brasileira, por várias razões.
01:31Primeiro, porque muitos produtos ainda têm cotas, são cotas pequenas e não há sinal de abertura dessas cotas, de abertura dessas cotas.
01:40Segundo, porque nos últimos dias do ano passado, final do ano, a Europa colocou algumas salvaguardas em relação ao questão agrícola,
01:48que são ainda mais limitantes, mais, restringem mais ainda o acesso ao mercado.
01:53Então não vejo um horizonte de curto prazo muito favorável, muito bom.
01:58Mas há um período longo para as tarivas serem acertadas e ajustadas, 10 até 15 anos em alguns casos.
02:07Então eu espero que nesse período as coisas avancem positivamente.
02:12Por outro lado, Tiago, um tema que tenho visto pouca gente falar,
02:16é o fato de que um acordo com a União Europeia abre um precedente muito importante
02:23para outros países que estão olhando isso com desconfiança, com expectativa.
02:29Um acordo negociado com esse vigor e com tanto tempo, com tanto detalhe, tanta delicadeza,
02:36abre possibilidade de que grandes países na Ásia, Índia, por exemplo, outros países asiáticos,
02:40ou até mesmo em outras regiões, como no Oriente Médio, se interessem por acordos com o Mercosul.
02:48A verdade é que a geopolítica mundial e comercial inaugurada com o governo Trump nos Estados Unidos
02:56provocou um certo distanciamento da União Europeia dos grandes mercados aliados dela,
03:03dos Estados Unidos e até mesmo mercados novos como a China.
03:06Então um acordo com o Mercosul era importante para a União Europeia,
03:11como poderá ser importante para outros grupos de países ou países específicos.
03:15Então eu vejo esse precedente como um grande capital para nós, viu, Tiago?
03:21Pergunta agora de Denise Campos de Toledo.
03:24Roberto, boa noite.
03:26Boa noite, Denise.
03:27Bom, eu queria saber o quanto que potencialmente pode haver de expansão das vendas do agro para a Europa,
03:34que já é o segundo maior parceiro do Brasil, não é, na área,
03:39o bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro,
03:42está apenas atrás da China e já está à frente dos Estados Unidos.
03:46Então potencialmente o que pode acontecer?
03:48O senhor citou as salvaguardas, as restrições que foram colocadas,
03:51isso mais ajuda, mais atrapalha.
03:53E qual o prazo para se ter alguma ideia do que vai acontecer de fato?
03:58Pois é, a salvaguarda perturba um pouco mais o horizonte de curto prazo, Denise.
04:05Obviamente, você tem uma salvaguarda que diz, por exemplo,
04:10que se houver um aumento de exportação em torno de 5% da média nos últimos três anos,
04:15o que é 5%?
04:17Qualquer colegião de clima ou de logística pode levar 5% a mais.
04:22Então atrapalha bastante e é um número muito pouco significativo
04:26para mudar a política, criar a salvaguarda nessa direção.
04:30Então, a salvaguarda se soma as cotas e não é nada positivo e nada muito favorável.
04:36Mas, como eu disse anteriormente,
04:39todo o processo, depois de aprovado pelo parlamento,
04:43tem um prazo para funcionar,
04:46que varia de 10 a 15 anos conforme o setor.
04:49Então, dependendo de como essa coisa variar,
04:53pode ter grandes ganhos.
04:55Eu vejo ganhos importantes, por exemplo,
04:58nas de frutas tropicais, fundamentalmente,
05:00que temos um horizonte grande para crescer em frutas tropicais,
05:04inclusive em regiões mais pobres, como o Nordeste Brasileiro.
05:07Temos um horizonte grande também para carnes,
05:10todos os tipos de carnes, inclusive pescado,
05:12que pode crescer bastante também na União Europeia.
05:15Café.
05:16Vejo uma boa chance para crescer nesse processo.
05:19E madeira.
05:20São vários os temas que podem ganhar mercado mais rapidamente.
05:25Outros vão demorar um pouco mais.
05:27A área de soja, milha, vão demorar um pouco mais.
05:29Mas eu vejo um horizonte positivo reiterando.
05:33Não é para amanhã ou depois, não é para dois ou três anos.
05:35É um processo um pouco mais longo, mas muito positivo.
05:39Pergunta agora, professor Roberto Rodrigues, de Dora Kramer.
05:43Boa noite, professor.
05:47Olha só.
05:50Eu queria falar sobre dificuldade, dificuldade de implementação.
05:54Pelo que o senhor disse aí,
05:57a conturbação provocada pelo Trump, pelo Donald Trump,
06:03contribuiu para destravar o acordo.
06:05Me parece que o senhor deu essa impressão.
06:09Muito bem.
06:10Essa mesma conturbação e, além de tudo, a forte oposição da França,
06:16podem criar dificuldades para a implementação desse acordo?
06:23Quer dizer, o Trump pode criar algum problema?
06:26Porque ele cria muito problema, né?
06:28E até agora, não sei se tem alguma coisa a ver.
06:32O que pode acontecer ou não acontecerá nada?
06:36Não tem nada a ver Trump e a oposição da França.
06:40Dora, difícil dizer.
06:42O Trump é muito surpreendente com as medidas dele.
06:45Difícil dizer o que pode acontecer.
06:47Não acho que existam razões concretas para que uma coisa muito grande aconteça.
06:52Em relação à França, a gente está observando uma coisa curiosa.
06:56Os produtores europeus estão errados, eles estão certos.
07:01Estão fazendo interesses deles.
07:02Estão lutando para se manter na atividade produtiva.
07:05E essa luta tem uma premissa fundamental.
07:08Muito subsídio, muita subvenção, muito apoio do governo.
07:12Então, eles querem mais apoio, inclusive, porque hoje,
07:16dentro da própria União Europeia, tem disputa.
07:18Alguns países do leste europeu já começam a ser mais competitivos
07:22com a própria Europa do oeste.
07:23E, portanto, os subsídios que são exigidos pelos franceses e outros países
07:29da Europa Ocidental, crescem em termos de...
07:34O olho fica mais gordo para os subsídios.
07:36E o acordo com o Mercosul é um argumento para eles também usarem essa pressão.
07:41Então, eu acho muito mais complexo a negociação interna na Europa,
07:49dos diferentes países que estão lá negociando,
07:52do que uma ação externa com o Trump ou até com a China, com a Rússia.
07:57Creio que o acordo com o Mercosul é produtivo, é positivo para o consumidor europeu
08:04no médio e longo prazo.
08:05Como é para nós também.
08:07Para nós, obviamente, da mesma forma.
08:09O setor industrial, que pode perder no começo,
08:12vai ganhar um impulso importante.
08:14Todos os investimentos, de competitividade, tecnologia, serviços,
08:18vão ser oferecidos para nós.
08:20E tudo isso...
08:21Tem uma outra questão que também acho relevante, Dora.
08:24Que é o seguinte, para que aumente o comércio de maneira significativa,
08:29no prazo determinado, 10 anos, 15 anos, 6 anos, o que for,
08:33é fundamental também que aumentemos a nossa estrutura de porto,
08:38de ferrovia, de armazenamento no interior ou no porto,
08:44de indústria de transformação.
08:46Então, é preciso que haja investimento importante no processo de estrutura.
08:51E isso pode atrair investimentos europeus e de outros países
08:56no nosso setor de infraestrutura.
08:58Então, vejo um horizonte muito amplo de crescimento do comércio
09:03e com vantagens para o Brasil.
09:06Agrícola, industrial e serviços.
09:08Quem faz a próxima pergunta é Nelson Kobayashi.
09:12Professor Roberto, boa noite.
09:13É um prazer falar contigo.
09:14A minha pergunta é, nesse caso, envolvendo a possibilidade
09:19de um impacto aqui no território brasileiro,
09:22por exemplo, em relação a carne, alimentos, enfim.
09:24Se a gente tem algum problema que possa surgir
09:28em relação à inflação ou segurança alimentar.
09:30E se isso pode impactar também outros mercados,
09:32como, por exemplo, o chinês,
09:34que é para onde vão a maioria das carnes brasileiras.
09:38Como que o senhor analisa?
09:39Não acho que esse risco possa ocorrer por duas razões.
09:47A primeira é que não haverá um reflexo rápido, imediato,
09:53em relação às exportações a mais por causa do acordo.
09:57É um processo mais lento.
09:59E o segundo ponto é que, para isso acontecer,
10:02temos que investir mais aqui.
10:04Temos que produzir mais.
10:05Mais tecnologia, mais investimento em logística, em infraestrutura.
10:08Temos que fazer investimentos que permitam esse avanço adicional.
10:13Então, não vejo esse risco.
10:14Além do que, nós exportamos hoje menos de 30% da nossa produção.
10:18Salvo na soja, que a exportação é de maior parte da produção exportada,
10:2260% exportada.
10:24O demais produtos, como carnes e frutas,
10:26ao contrário, fica a maior parte aqui no Brasil.
10:29Então, não vejo nenhum risco, boiás, no curto prazo,
10:33para que isso aconteça,
10:34porque não vai haver um aumento de exportação no curto prazo.
10:36Nem para a Europa, nem para outros países.
10:40A última pergunta, Denise Campos de Toledo.
10:43Roberto, eu gostaria de aproveitar toda a sua experiência no setor agrícola
10:46e lembrando uma entrevista sua que eu vi recentemente,
10:49que o senhor demonstra preocupação com o retorno financeiro do agro brasileiro.
10:53O senhor já disse que o acordo com o Mercosul,
10:55se der resultado efetivo, como se espera, pode demorar dois, três anos.
10:59Mas agora, 2026, o que a gente pode esperar em termos de oferta,
11:04em termos de preços,
11:05e essa reclamação que o senhor já fez em termos do retorno financeiro
11:09para o produtor brasileiro?
11:13Denise, essa é uma reclamação.
11:16É um comentário sobre as possibilidades de 2026.
11:19O que está acontecendo em 2026?
11:21Custos muito altos e preços mais baixos, de maneira geral.
11:24Também tudo para as commodities agrícolas.
11:25Fora café, que é um preço ainda melhor do que no passado,
11:29por causa de questões climáticas.
11:31Mas os gramas, de maneira geral, açúcar também,
11:34estão com preços menores do que nos últimos dois ou três anos.
11:36E os custos mais altos, sobretudo financeiros.
11:39Então, o que vai fazer a diferença para o produtor rural brasileiro
11:43vai ser a sua produtividade agrícola.
11:47Aqueles que tiveram produtividade alta, vão ficar no azul.
11:50Na verdade, muito baixa, vão ficar no vermelho.
11:52Então, é um ano de margem curta, estreita,
11:56do ponto de vista econômico e financeiro
11:58para os produtores militares do Brasil.
11:59Agora, para o país, Denise, não há nenhum problema.
12:04Porque a safra é grande, mais uma vez.
12:07O clima está correndo bem.
12:08Se não houver nenhum problema daqui para frente,
12:10a safra vai ser grande de grão.
12:12Então, o abastecimento interno está garantido.
12:14Nossos comércios de exportação também estão garantidos.
12:16Não há nenhum problema para o país.
12:18A economia nacional não vai sofrer nada.
12:20Não vai haver inflação.
12:21Não vai haver nenhum problema que a agricultura produza.
12:24O ruim é para o produtor rural.
12:26E, no longo prazo, também há uma consequência negativa no país.
12:31Por quê?
12:32Um ou dois anos muito ruins de renda,
12:35de margens negativas ou muito pequenas,
12:38acabam inibindo a plantio de novas safras
12:42com um padrão tecnológico adequado.
12:44Que é o que temos feito no Brasil.
12:45Nos últimos anos, o nosso processo produtivo
12:47está crescendo espetacularmente a produtividade por causa da tecnologia.
12:51Tecnologia de inovação sempre crescendo,
12:54aplicando o que há de novo.
12:56O produtor rural é muito crente na sua capacidade de produzir mais.
12:59Então, o risco que tem é no longo prazo.
13:03Médio e longo prazo.
13:05Não para este ano.
13:06Talvez nem para o ano que vem.
13:07Mas um ou dois anos com preços baixos e custos muito altos
13:10levam os produtores a produzir menos.
13:13E aí o reflexo é inflação em perna e problemas de abastecimento em perna.
13:18Mas para este ano, nenhum problema no Brasil.
13:21Ao contrário, o Brasil vai ganhar.
13:22Vai exportar bem, vai produzir bem, vai ter um abastecimento garantido.
13:27Mas para os produtores que, por circunstância,
13:29não tiveram a oportunidade adequada, não é um ano bom.
13:32Professor Roberto Rodrigues, muito obrigado por atender a Jovem Pan.
13:37Como sempre, volte outras vezes.
13:39Um excelente ano.
13:41E obrigado por dividir a experiência do senhor com os nossos ouvintes e espectadores.
13:46Um abraço.
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