00:00E a Venezuela ocupa o topo do ranking global de produção de petróleo à frente da Arábia Saudita e do Irã
00:06e volta a ser peça-chave na geopolítica internacional após o ataque norte-americano e a captura de Nicolás Maduro.
00:14Esse é o destaque do nosso correspondente internacional, Luca Bassani.
00:18A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela no último sábado, embora já fosse amplamente antecipada
00:24diante da escalada de tensões nos últimos meses, abriu um novo capítulo com potenciais repercussões relevantes
00:31para os mercados globais, em especial o mercado do petróleo.
00:35A queda do regime de Nicolás Maduro e a sinalização de um retorno do país ao mercado internacional
00:41recolocaram a Venezuela no centro das atenções do setor petrolífero mundial,
00:46considerando que é a nação detentora das maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo.
00:52A possibilidade de uma mudança abrupta no comando político em Caracas
00:56reacendeu discussões sobre o papel que o país pode voltar a exercer na oferta global.
01:03Para muitos economistas, a reinserção da Venezuela no ambiente democrático e financeiro e internacionais
01:08tende a ampliar a oferta global e pressionar os preços para baixo no curto e médio prazo,
01:15ainda que a retomada da produção não seja imediata.
01:18Apesar do volume expressivo de reservas, há entraves técnicos bastante relevantes.
01:24O petróleo venezuelano é extremamente pesado, o que reduz seu valor agregado
01:29e exige processos de extração mais caros, além de técnicas mais sofisticadas de refino.
01:35Esse tipo de petróleo gera maior proporção de derivados de menor valor agregado, como o asfalto,
01:41e menos produtos nobres, como a gasolina, o diesel e o querosene de aviação.
01:46A extração desse petróleo é feita com o uso de diluentes, o que encarece o processo
01:51e reduz a competitividade imediata do barril.
01:55Assim, embora a produção leve tempo para se consolidar, o simples retorno da Venezuela ao mercado
02:01já amplia as expectativas de oferta futura.
02:04Na mesma linha, outros economistas avaliam que os preços do petróleo tendem a cair no médio prazo.
02:10As declarações do presidente Donald Trump, indicando a regularização de empresas americanas na Venezuela,
02:17reforçam a percepção de uma oferta estruturalmente maior,
02:21caso o país volte a exportar sem sanções econômicas.
02:24No curtíssimo prazo, contudo, analistas não descartam constante volatilidade e até altas pontuais nos preços,
02:32o reflexo da incerteza geopolítica na América do Sul e como isso pode criar precedentes
02:37de outras intervenções militares e estrangeiras mundo afora.
02:42Apesar da cautela inicial, o consenso é que a economia venezuelana isoladamente
02:47não é grande o suficiente para gerar choques duradouros nos mercados acionários globais.
02:53O principal efeito, por hora, acaba sendo não pela produção imediata e veloz,
02:58mas pela mudança estrutural no país com as maiores reservas,
03:02o que cria expectativas sobre o mercado energético mundial para os próximos meses e os próximos anos.
03:09Nós, como sempre, continuaremos acompanhando para atualizar a nossa audiência.
03:14Para a Jovem Pan, Luca Bassani.
03:17Pois é, esse é um aspecto importante para nós analisarmos.
03:20Antes disso, a hora certa, oito e cinco.
03:23Professor Marcos Vinícius, queria que o senhor discorresse e analisasse a situação
03:28que envolve o segmento de petróleo na Venezuela.
03:32As maiores reservas estão por lá.
03:35E Donald Trump, na coletiva de ontem, disse que os Estados Unidos administrariam,
03:39por um período, esse setor, inclusive ele chegou a mencionar,
03:43empresas norte-americanas iriam para a Venezuela, melhorariam a infraestrutura,
03:50atuariam na extração de petróleo.
03:52Ele fala na possibilidade de um reembolso.
03:54Empresas que teriam sido prejudicadas ao longo dos últimos anos,
03:59elas poderiam atuar, extrair uma quantidade maior de petróleo,
04:03seriam reembolsadas.
04:04E aí, pairou uma dúvida sobre quais são os interesses dos Estados Unidos
04:09em relação ao petróleo por lá.
04:12O que é preciso considerar a partir dessas declarações
04:15e a dúvida de parte da comunidade internacional?
04:17Qual seria o real objetivo e o desejo de Donald Trump?
04:21Só pegar um ponto importante que você menciona para fazer uma interpretação.
04:31Quando ele fala de reembolso de empresas do passado,
04:36de expropriações do passado,
04:39em Cuba isso já levanta uma bandeira,
04:44porque justamente uma das delegações dos Estados Unidos
04:47foi a expropriação que Fidel Castro fez de empresas norte-americanas,
04:51que até hoje querem receber o dinheiro da expropriação.
04:55Então, ele alega um ponto que pode ser utilizado no discurso em Cuba.
04:59Então, a gente já deve começar a prestar atenção para onde o discurso vai.
05:04Agora, a questão do petróleo.
05:05Se ele colocar, se a PDVSA, que é a empresa estatal,
05:13começar a fazer novas concessões,
05:16as empresas americanas voltarem a atuar com intensidade,
05:19é importante relembrar que a Chevron, que é uma empresa americana,
05:23continua atuando na Venezuela.
05:26Então, não é que todas as empresas foram e saíram automaticamente da Venezuela.
05:31A Chevron continua lá.
05:32E a Venezuela tinha, até muito tempo atrás,
05:35uma empresa de petróleo, uma distribuidora nos Estados Unidos,
05:39que era a Citigol.
05:40Agora, se eu não me engano, não pertence mais ao governo venezuelano.
05:43Preciso verificar isso.
05:44Mas, durante muito tempo, eles tiveram essa presença nos Estados Unidos.
05:48Agora, se você pegar a Venezuela e colocar em plena produção,
05:52claro que isso não interessa para o mundo,
05:54em razão do preço do petróleo,
05:56que poderia diminuir por causa deste aumento de produção.
06:01Isso é um aspecto fundamental.
06:03A segunda coisa que a gente não pode deixar de levar em consideração
06:06é de que a razão principal nesta situação é uma ação estratégica.
06:11Em primeiro lugar, a Venezuela vende muito deste petróleo para a China.
06:16Isso prejudica a China, que tem que diversificar os seus fornecedores de petróleo.
06:22Em segundo lugar, quando a China compra o petróleo venezuelano,
06:26ela paga em uans e o que nós vemos é que existe um movimento de desdolarização global.
06:32Um dos elementos fundamentais da dolarização global é justamente o petrodólar.
06:37Então, todo mundo que se arrisca a sair do petrodólar para utilizar outras moedas,
06:44de alguma forma, é prejudicado e sofre as sanções e as consequências dos Estados Unidos.
06:51Esse é um segundo aspecto fundamental.
06:54E a terceira coisa que me consta é que no processo, como o petróleo venezuelano é um petróleo que precisa ser diluído,
07:00uma das substâncias fundamentais para a diluição deste petróleo é um produto que vem da Rússia,
07:09necessariamente para fazer com que este petróleo seja diluído e se torne uma venda muito mais fácil,
07:17globalmente falando.
07:18Então, o que nós observamos é que o objetivo não é somente controlar o petróleo,
07:24porque uma injeção muito grande de petróleo faria com que o preço global caísse.
07:29Claro que tem-se o objetivo de controlar a maior reserva global de petróleo,
07:35também considerando a instabilidade que outros parceiros do mundo dos Estados Unidos,
07:41nomeadamente a Arábia Saudita, enfrentam.
07:44Então, o objetivo dos Estados Unidos é muito claro.
07:49Manter o controle sobre o petróleo venezuelano, buscar uma restituição de dívidas do passado,
07:57mas isso é um argumento que eu acho um pouco menos relevante nessa situação,
08:03e afetar efetivamente aqueles que teriam ganhos, dada a continuidade da relação com a Venezuela.
08:09Eles falam em devolver o petróleo roubado dos Estados Unidos,
08:15e vai ser importante a gente ficar de olho também, já logo no começo dessa semana,
08:20com a abertura dos mercados, né, Gisualdo, no preço do petróleo, o que pode acontecer,
08:26e pensando que se os Estados Unidos já são autossuficientes em petróleos,
08:30até em termos quantitativos, e se tiverem ao mesmo tempo o poder também da decisão da Venezuela,
08:36como que vai ser daqui pra frente, né?
08:39Os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo do mundo, superaram inclusive a Rússia,
08:44mas também são os maiores importadores de petróleo.
08:48E entre os três maiores exportadores de petróleo para os Estados Unidos,
08:52de quem ele mais importa, está a Arábia Saudita, o Iraque e a Nigéria,
08:57países muito mais longes do que a Venezuela.
08:59Portanto, o petróleo da Venezuela, se por um lado ele tem uma qualidade inferior,
09:05o frete dele é muito mais barato para chegar nos Estados Unidos.
09:08E uma alta produtividade no mercado interno americano,
09:13significa a redução do preço de combustível no mercado interno,
09:16o que pro Donald Trump é fundamental no tocante ao controle da inflação.
09:20É sabido que a inflação nos Estados Unidos tem subido
09:23para níveis naquele país alarmante,
09:26e o combustível é um fator determinante na fixação desses preços
09:30e no percentual inflacionário.
09:33Portanto, sob essa perspectiva também,
09:36o controle sobre o petróleo venezuelano
09:38é muito bem-vindo para o governo Donald Trump.
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