00:00MDB e PL largam na frente na disputa pelo Senado em 2026, em um cenário marcado pelo embate entre o governo do presidente Lula e o chamado bolsonarismo pela correlação das forças na Casa Alta.
00:16Um levantamento que foi feito pelo jornal Estado de São Paulo, com base em pesquisas eleitorais nos estados e também no Distrito Federal, aponta candidatos favoritos para 32 das 54 vagas que estarão em disputa neste ano.
00:31O MDB libera o número de nomes bem posicionados com oito pré-candidatos à frente nas sondagens, em sua maioria aliados do governo no Nordeste, o que pode reforçar a base governista no Senado a partir de 2027.
00:45O PL aparece em seguida, com pelo menos seis candidatos competitivos, apostando na estratégia do ex-presidente Jair Bolsonaro de buscar maioria no Senado para eleger o presidente da Casa e também pautar temas importantes, principalmente aqueles que têm alguma relação com o Poder Judiciário.
01:04Apesar do avanço de siglas de direita e de centro-direita, o Senado ainda é incerto em cerca de 40% das vagas, com disputas em aberto em estados estratégicos como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
01:18Analistas têm avaliado que a tendência é de um Senado mais conservador, mas sem uma maioria que tem alguma relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em razão do peso das alianças regionais e também de parlamentares com um perfil mais pragmático.
01:34Começar essa com o Alan Ghani, as discussões sobre a necessidade, as discussões que acontecem no âmbito da oposição, a necessidade de aumentar o número de cadeiras de senadores liberais conservadores.
01:48Esse é o grande desafio? Dá para apostar que o objetivo tem a ver somente com, sei lá, possíveis reformas no Poder Judiciário ou vai muito além disso?
01:59Eu vejo que basicamente a estratégia da direita, e aí o principal partido de direita hoje é o PL, seja mesmo fazer o máximo de senadores para enfrentar questões relacionadas ao Poder Judiciário.
02:18Uma espécie aí de correção dessa democracia.
02:21Agora, evidentemente, Caniato, que não é uma tarefa simples.
02:26A eleição do Senado é uma eleição muito disputada e essa pesquisa preliminar já mostra essa dificuldade.
02:34Porque, embora o PL, de fato, seja um partido e com senadores, com políticos bastante competitivos, ele por si só não vai formar a maioria.
02:44E aí, se tem lá senadores do MDB ou do PSD, partidos identificados mais como o tal do Centrão, a gente sabe que esse pessoal não gosta de comprar algumas brigas incômodas.
03:00Não vai comprar uma briga com o Poder Judiciário de maneira alguma.
03:03Vai compor.
03:04Vai agir de acordo com a lógica fisiológica.
03:09Então, é um desafio muito grande, é uma ambição muito grande do PL.
03:14Agora, é um objetivo que faz sentido, dado toda a realidade que a gente observa no país hoje.
03:22Pois é, o Gani mencionou o MDB e o PSD, que são partidos clássicos aí do Centrão.
03:28Então, muitas vezes ficam com o pé em cada canô, mas há exceções, né, delegado Palumbo?
03:33Há exceções, né?
03:34Deixa eu passar para o Mota, depois o delegado Palumbo falar com a gente.
03:37Você, Mota, a disputa pelo Senado em destaque, quais são os aspectos importantes dessa análise que a gente precisa fazer?
03:44Eu acho que o que a gente vai ver mais uma vez é uma eleição que lembra muito um plebiscito, né?
03:53Uma escolha entre duas visões do mundo.
03:57Entre quem acredita que o Estado resolve todos os problemas,
04:03que bom mesmo é ter uma bolsa isso ou bolsa aquilo,
04:07e quem acha que cada um tem que lutar e melhorar a sua vida
04:15e que o governo atrapalha mais do que ajuda.
04:19Essas duas visões do mundo estão, de novo, em pauta.
04:24Agora, essa história de eleger muitos senadores e depois pautar impeachment
04:29sempre me lembra aquela história do treinador com o time dele, né?
04:33Dizendo para um, olha, você pega a bola e para o outro, você dribla, passa para o outro,
04:38chuta para o outro, o outro cabeceia e faz gol.
04:41E aí perguntaram ao treinador,
04:43treinador, você já combinou isso com o time adversário?
04:47Eu acho que o que a gente aprendeu nos últimos tempos
04:52é que as decepções da política são muitas.
04:56A história recente do Brasil está cheia de esperanças frustradas.
05:05E, sinceramente, eu não vejo nenhum motivo para achar que os próximos anos vão ser diferentes.
05:12Você, delegado Palumbo, sabe como a banda toca em Brasília?
05:17Como observa esse movimento da oposição de buscar as estratégias
05:23para aumentar o número de cadeiras com os conservadores nesse ano,
05:27nas eleições desse ano?
05:28Dois terços do Senado serão renovados, delegado Palumbo.
05:34É, Caniato, muita gente vai se declarar como conservador, como corajoso,
05:39mas quando senta na cadeira, aí muda o discurso.
05:43Aí se debandia para o lado A, B ou C,
05:46é onde é melhor para eles e não para o Brasil.
05:49Infelizmente, tem que votar naquele assunto das pessoas, do eleitor,
05:53não pesquisar o seu candidato, para ver se ele tem algum processo,
05:58para saber se ele está respondendo alguma coisa no Supremo Tribunal Federal,
06:03porque não adianta ficar falando, senta lá e não faz nada.
06:07E isso aconteceu em 2022, quando muita gente começou a falar,
06:13agora nós temos um Congresso extremamente conservador e direito,
06:16e as coisas vão mudar.
06:18E eu falei isso no programa Pânico.
06:20Eu era vereador, eu não tinha nem assumido o cargo de deputado.
06:23Falei, não, se iludam.
06:24As pessoas sentam na cadeira,
06:27e aí eu não sei que poder que tem essa cadeira,
06:29porque nós viemos do Pó e vamos voltar para lá,
06:31não vamos levar nada dessa vida,
06:33que eles começam a mudar.
06:35Aí eles se esquecem daqueles que ajudaram o eleger.
06:39Quantas traições o Bolsonaro teve,
06:42de gente que se elegeu nas costas dele,
06:44que usou o nome dele,
06:46que depois sentou na cadeira e mudou completamente o discurso.
06:50Não foi um ou dois, não.
06:51Foram dezenas.
06:53Foram dezenas, entre eles, deputado, senador,
06:58e outros cargos de relevância.
06:59Então a traição é igual um mato na política.
07:02Basta a pessoa sentar na cadeira,
07:04que aí a gente costuma dizer,
07:06tem um ditado popular,
07:07que o poder revela as pessoas,
07:09e acaba revelando mesmo,
07:12então, que o eleitor possa pesquisar.
07:14Agora, quanto aos partidos de centrão,
07:16não esperem nada deles.
07:18Eu posso falar, porque até março estarei no MDB.
07:21Se depender de mim, já teria saído há muito tempo,
07:22mas não consegui sair,
07:24a gente é refém de partido.
07:26Não esperem nada.
07:27Eles vão ver quem vai ganhar a eleição.
07:29E conforme ganha o lado A a B,
07:31está um pé em cada canoa,
07:32como você mesmo falou, caniato.
07:34Eles vão pular para o lado,
07:35porque é melhor para eles.
07:36Não esperem absolutamente nada desses partidos de centrão.
07:39E, infelizmente, eles mandam no país.
07:42Não é a direita ou a esquerda que manda no país, não.
07:44Quem manda no país é o centrão,
07:45que decide.
07:47E faltam parlamentares aí com vontade,
07:50com atitude, poderia dizer assim,
07:53de dizer, falar e cumprir o que fala.
07:56Não adianta só ficar falando,
07:59discursando em rede social
08:00e depois fazer outra coisa.
08:02Agora, esses partidos de centrão,
08:05eles vão se posicionar
08:07de acordo com o próximo presidente da república.
08:10Se o próximo presidente da república
08:11for um homem ou uma mulher de direita,
08:15aí eu espero tudo deles.
08:17Espero até que se assine pedidos de impeachment de ministro.
08:22Agora, se for o atual presidente,
08:24que, porventura, ganha uma reeleição,
08:27não esperem nada.
08:28Não vai ter absolutamente nada.
08:30Então, fica aqui um alerta para o eleitor,
08:32para pesquisar, independente de partido,
08:34os políticos são obrigados a estarem em partido.
08:37E tem muita gente,
08:39eu posso dizer isso porque eu vejo,
08:40muito parlamentar que está no PL,
08:44mas que está ao lado do governo atual.
08:47Alguns foram expulsos,
08:48mas é só pesquisar as votações deles.
08:51Não se alinham com o perfil da direita.
08:53E agora, vai começar a guerra
08:55por causa da campanha eleitoral,
08:57pré-campanha,
08:58eles vão começar a falar
08:58que são conservadores,
09:00pela família,
09:01pelos direitos,
09:02pelos bons costumes.
09:03Sentou na cadeira,
09:04o discurso se apaga
09:06e eles vão votar
09:07de acordo com os interesses dele,
09:09principalmente no Senado,
09:10que é oito anos de mandato.
09:12Então, ele tem tempo
09:13na cabeça desse político,
09:14ele pensa assim,
09:15não, daqui a pouco o povo esquece,
09:17não vou nem lembrar
09:17do que a gente está fazendo agora.
09:19Infelizmente,
09:19esses políticos que pensam assim
09:21têm razão, Caniato.
09:22Esse é um ponto importante,
09:24né, Cani?
09:25Eu me lembro que
09:26na atual legislatura
09:28na Câmara Federal,
09:29nós aqui,
09:30na programação da Jovem Pan,
09:31os nossos analistas
09:32faziam uma reflexão
09:34sobre o chamado
09:36Congresso mais conservador
09:38da história,
09:38mas especialmente
09:39fazendo um recorte
09:41da Câmara dos Deputados
09:42e projetavam que
09:43essa Câmara conseguiria avançar
09:46com uma porção de projetos.
09:48Enfim, estamos encerrando,
09:50pelo menos,
09:51entramos no último ano
09:52dessa legislatura
09:54com um sentimento,
09:55pelo menos para alguns,
09:56observando um sentimento
09:57de frustração.
09:59O que garante
09:59que colocar
10:01dois terços
10:02conservadores
10:03no Senado Federal,
10:04o que garante
10:05que aquelas pautas
10:06que muitos defendem
10:07serão colocadas
10:08em votação
10:09e serão aprovadas,
10:10por exemplo?
10:11Não tem garantia
10:12nenhuma, né?
10:13Até porque
10:14o pensador intelectual,
10:16talvez um dos maiores
10:17do século XX,
10:18que foi o Thomas Sowell,
10:19eu ainda vivo, claro,
10:20ele diz o seguinte,
10:22a maioria dos políticos
10:23está preocupada
10:25em resolver
10:25o problema deles,
10:27e não necessariamente
10:28os problemas
10:30da sociedade.
10:31E aí,
10:32essa ducha
10:32de água fria,
10:33porque muitas vezes
10:34a gente viu um Congresso
10:35muito omisso,
10:36mas não omisso
10:38para tratar
10:38de emendas parlamentares.
10:40Aí,
10:41é gatinho
10:42para enfrentar
10:44questões relevantes
10:45para a sociedade,
10:46poder judiciário,
10:47mas aí
10:48é tigrão
10:49para brigar
10:52por emendas parlamentares.
10:54E se a gente voltar,
10:55por exemplo,
10:57mesmo no ano
10:58ali de 2019,
11:00se eu não me engano,
11:01havia uma grande
11:02euforia
11:03tanto com
11:04Davi Alcolumbre
11:05e tanto com
11:06o senador
11:07Rodrigo Pacheco,
11:08de que seria
11:09um presidente
11:09do Senado,
11:10ambos ali
11:11mais
11:12rompendo
11:14com o
11:15fisiologismo,
11:16mais arrojados,
11:17mais modernos,
11:18etc.
11:19E o que a gente
11:19observou,
11:21muitas vezes,
11:21foi até uma
11:22ingenuidade
11:23por parte da direita,
11:25acreditando
11:26que eles seriam
11:27ali,
11:28de fato,
11:28uma oposição
11:29e muitas vezes
11:30eles compuseram
11:33com o governo.
11:34então a gente
11:36tem que
11:36parar um pouco
11:37com esse romantismo,
11:39com essa
11:39ingenuidade
11:41e fazer a lição
11:43de casa
11:44que o Palumbo
11:45falou,
11:46escolher muito bem
11:47quem que você
11:48vai votar,
11:49mas a gente sabe
11:50que muitas vezes
11:51o voto é por
11:52identificação,
11:53é de improviso,
11:53como o Mota
11:54bem colocou
11:55e o resultado
11:56está aí.
11:57A eleição
11:57no Congresso Nacional
11:58é fundamental,
12:00porque é o
12:01Congresso Nacional
12:02que vai
12:04determinar
12:05as principais
12:06pautas
12:07econômicas
12:09de segurança
12:09pública
12:10do país
12:10e que também
12:11eventualmente
12:12pode fazer
12:13um enfrentamento
12:13ao Poder Judiciário.