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  • há 2 dias
Kobra revê sua vida desde a infância na periferia até o sucesso mundial. Os acontecimentos se desenrolam entre a realidade e o sonho. Nessa trajetória de vida, do grafite ilegal nas ruas de São Paulo até pintar grandes murais em mais de 30 países, Kobra, um artista singular que representa tantos outros em suas batalhas, passa a entender a arte de rua como voz política e democrática.

Categoria

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Diversão
Transcrição
00:00:00Obrigado.
00:00:30Obrigado.
00:01:00Obrigado.
00:01:30Obrigado.
00:02:00Obrigado.
00:02:30Obrigado.
00:03:00numa sala assistindo toda programação
00:03:02possível de documentários.
00:03:12Eu não desenho de madrugada,
00:03:14mas às vezes eu vejo algo que me ajuda.
00:03:21Eu fico meio que assistindo e não assistindo ao mesmo tempo.
00:03:25Ficam as coisas que são narradas e aí eu fico ouvindo aquela voz de documentários de arte.
00:03:40Eu só fiz um autorretrato uma vez porque me pediram.
00:03:44Realmente porque me pediram.
00:03:45Mas é um exercício difícil pra mim.
00:03:51Eu não tenho muito esse desejo de fazer o meu próprio retrato em algum lugar.
00:04:02Não é algo que tá nos meus planos.
00:04:05Prefiro muito mais ser visto através dos meus desenhos.
00:04:21Eu não tenho muito tempo.
00:04:51Eu não tenho muito tempo.
00:05:21Os meus primeiros contatos com cor ou com pintura, que eu tenho recordação, era colorindo esses livrinhos comuns que todo mundo tem na infância.
00:05:36Eu acho que eu me lembro bem que a minha mãe comprava esse material e eu gostava muito de fazer isso.
00:05:44Era uma das coisas que eu me divertia fazendo.
00:05:47E pintar os lápis de cor e referências de personagens de quadrinhos também, de super-heróis e tudo mais.
00:05:57Eu me recordo muito bem dessa conexão, de começar a perceber as cores, as diferenças de anatomia e tudo mais.
00:06:10Sempre isso foi algo que me prendeu em relação a tentar colorir.
00:06:20E aí
00:06:33O meu pai, ele era muito dedicado no trabalho dele, né, ele, mas era muito simples também,
00:07:00era muito humilde, estudou até a quinta série só, então ele nunca teve nenhum tipo
00:07:07de contato com esse universo de arte, mas eu sei que ele era um artista, assim, embora
00:07:16ele não sabia disso, porque o que ele fazia em relação à tapeçaria era muito exclusivo,
00:07:23muito específico, né, ele trabalhava com captonê, eu me lembro dele pegar muitos sofás antigos
00:07:34e restaurava todos eles, né, então eu cheguei a ajudá-lo, ajudava a cortar os tecidos, e
00:07:43eu me lembro que ele tinha mostruários, mostruários enormes, que ele levava esses mostruários
00:07:49para as pessoas escolherem o tipo de textura, o tipo de cor, ou stripes, ou muita coisa assim
00:07:56que tinha nesses padrões, né, tinha muitas formas, muitas linhas, que ele tinha uma preocupação
00:08:04estética muito grande em alinhar, mesmo vivendo na periferia, eu ia com ele em alguns clientes
00:08:15nas áreas nobres, os contatos que eu tinha com o outro lado da ponte aqui, vamos dizer
00:08:22assim, foi visitando clientes, né, ele ia visitar clientes e muitas vezes me levava.
00:08:28Estou a uma hora da minha quebrada, logo mais, quero ver todos em paz, um, dois, três carros
00:08:35na calçada, feliz e agitada, toda preboiçada, as garagens abertas, eles davam os carros,
00:08:41desperdiçam a arma, eles fazem a festa, vários estilos, vanabundas, outros ciganos, coroa
00:08:48reta, boca aberta, escamuzilete, verde, fluorescente, queimadas, ouro e dente, a mesma vaca
00:08:53Fico, tipo, meio que viajando ali.
00:09:11Às vezes eu lembro, às vezes eu nem lembro o que que eu tô vendo também, é...
00:09:17Vejo coisas estranhas, tipo de...
00:09:23Arqueologia, vejo um monte de coisa de arqueologia, de Egito, biografia de um monte de gente.
00:09:36Meu pai nunca me, nem me incentivou, nem me ajudou a comprar uma lata de tinta sequer.
00:09:42Como eu era adolescente e tudo mais, eu comecei também a pintar todas as paredes da minha casa.
00:09:47Então, a casa inteira, o corredor era pintado, era tudo pintado.
00:09:52A parte de cima era tudo.
00:09:54Tudo era cheio de lata de tinta e tudo era o meu estúdio, era uma experiência total dentro de casa.
00:10:00E isso gerava um conflito enorme com os meus pais ao mesmo tempo.
00:10:05Então, eu queria fazer isso, é o lugar que eu tinha pra fazer dentro de casa.
00:10:09Né? E eles odiavam.
00:10:10O que eu aprendi na relação de trabalho foi com ele, né?
00:10:25Ele sentava na mesa da sala e fazia a conta de água, dá pra pagar X, a conta de luz, Y e Z.
00:10:32Tudo muito restrito.
00:10:35Mas tudo muito honesto também, né?
00:10:37Meu pai era uma pessoa que não entrava em dívida, sabe?
00:10:41Nunca vi meu pai com nenhum tipo de agressão, nem comigo, nem com a minha família, nem com a minha mãe, nem nada.
00:10:48Porém, era uma pessoa fria.
00:10:50Era uma pessoa muito fria, né?
00:10:53Tanto que eu não tenho uma recordação de um dia que meu pai tenha me dado um abraço, um beijo ou algo assim.
00:11:02A CIDADE NO BRASIL
00:11:25Os meus cadernos eram todos cheios de desenhos, eles não tinham muitas anotações.
00:11:31Eu nunca fui um bom aluno.
00:11:35O meu interesse mesmo tava da janela pra rua.
00:11:38A CIDADE NO BRASIL
00:11:40A CIDADE NO BRASIL
00:11:42A CIDADE NO BRASIL
00:11:44A CIDADE NO BRASIL
00:11:46A CIDADE NO BRASIL
00:11:48A CIDADE NO BRASIL
00:11:50O que é isso?
00:12:20Eu já tinha um apelido nessa época, que era o apelido que eu tenho até hoje, que era cobra.
00:12:30É porque os meninos da escola me colocaram esse apelido, porque achavam meus desenhos bons e eles falavam, você é cobra no desenho.
00:12:39Mesmo eu estando na quinta série, eu já conhecia os da oitava, os mais velhos que iam na escola na hora da saída e já eram pichadores que pichavam a cidade toda.
00:12:53Então, quando eu vi isso, aí mexeu totalmente comigo, aí realmente eu achei que é aquilo que eu queria fazer, eu queria me expressar através disso.
00:13:05Música
00:13:17Música
00:13:29Música
00:13:41Então, muitas vezes a gente pegava o olho.
00:14:11Eu pegava esses caras, eu era um menino ali no meio deles, a gente descia em algum bairro com as mochilas cheias de lata de spray e voltava por horas e horas e horas até o campo lipo, pichando todas as paredes possíveis.
00:14:28Eu era uma pessoa muito reclusa, nunca fui muito cheio de amigos e eu vi isso uma oportunidade, uma possibilidade de explorar a cidade,
00:14:58Então, eu comecei a espalhar meu nome por toda a escola.
00:15:02Muitas brigas, inclusive, até mesmo por conta de pichação, né?
00:15:14Pichou ali, pichou aqui, então já não podia mais sair pela portão X da escola, porque tinha grupos esperando para bater.
00:15:23E uma vez eu briguei com o menino dentro da escola e ele era envolvido com vários criminosos e também foi um dos motivos que eu tive que sair da escola.
00:15:32Já havia sido suspenso, advertido várias vezes, meus pais foram levados lá para a escola e eu saí como que fugindo.
00:15:45Na escola eu fazia algo que era inacessível.
00:16:15Na minha família também, inaceitável e nas ruas também, inaceitável.
00:16:20Então, isso fez com que eu me envolvesse completamente com esses grupos de pichadores onde eu era aceito.
00:16:31Eu percebi a questão do nome, a questão de criar uma forma, a questão de criar como se fosse uma logomarca e espalhar isso pela cidade.
00:16:40E aí eu comecei no meu próprio bairro, que era um cobra em 1987.
00:16:46Tipo, pichava isso, depois cobra em 1988.
00:16:50Mas tinha muito risco, tinha muita violência, tinha muita droga, tinha muito crime envolvido em todo esse circuito.
00:16:56Muitos roubavam as tintas para poder pintar.
00:17:03E quando meus pais descobriram que eu estava envolvido com tudo isso,
00:17:08aí ficaram ainda mais desesperançosos com a minha...
00:17:12com a minha, sei lá, com algo que eu quisesse fazer.
00:17:16Nós arrombávamos as portas do ônibus, né?
00:17:34Tinha aquela...
00:17:35Vinha dois, abria ou depois passava por debaixo da roleta ou coisa assim.
00:17:41E aí comprava as tintas mais básicas.
00:17:43Por exemplo, cal.
00:17:44Comprava pigmento e rolinho, que era barato e não tinha como impedir.
00:17:56Quando eu fazia pichações em prédios, por exemplo,
00:18:00aí era algo que levava ao ápice de tudo, né?
00:18:04Porque existia uma questão de entrar no prédio de uma forma ilegal e deixar o nome lá em cima.
00:18:14E o risco era intenso, né?
00:18:16Mas que era o que dava o maior crédito, o maior mérito no meio, né?
00:18:22O maior era o Ibope, vamos dizer assim.
00:18:24Teve uma vez que a polícia pegou dois dos que estavam comigo e eu consegui correr.
00:18:42Nós estávamos fazendo pichações no muro do Jockey Club, aqui em São Paulo.
00:18:46A viatura da polícia chegou, cada um correu numa direção.
00:18:51O que estava fazendo a pichação já foi pego ali, o outro também foi pego que estava na mesma direção.
00:18:57Eu corri, me escondi no meio de umas travestis que estavam ali, né?
00:19:03Então, esse foi um dia que também me marcou bastante.
00:19:05Porque elas me protegeram ali, naquele momento.
00:19:08Falaram assim, a gente vai te proteger, mas depois a gente quer que você faça uma pichação pra gente, né?
00:19:16Quando eu tive acesso aos primeiros livros sobre grafite de uma pessoa chamada Martha Cooper,
00:19:44uma fotógrafa que registrou esse movimento da década de 70 e até antes, em Nova York.
00:19:52Um outro chamado Subway, que mostrava os trens.
00:19:55Aí eu percebi um outro universo.
00:19:58Eu comecei a juntar pichação, que era uma coisa na rua,
00:20:01utilizando os mesmos materiais, tinta cal, tinta latex, spray, tal, etc.
00:20:07Eu poderia pegar esses desenhos que eu fazia no papel e fazer no muro,
00:20:09porque lá fora já estavam fazendo isso, né?
00:20:11Mas acontecia que eu não tinha condições de fazer os desenhos da forma que eu gostaria.
00:20:21Então, muitas vezes, eu copiava ou me inspirava em outros artistas pra conseguir fazer.
00:20:29Eu imaginava que o grafite só poderia existir dentro da cultura hip-hop.
00:20:40E pra mim era isso, né?
00:20:42Então, foi um prato cheio, porque tinha tudo a ver com o que eu vivia, o que eu fazia,
00:20:46o que eu falava, as músicas de rap que eu ouvia.
00:20:50Tudo isso tinha uma influência muito grande na vida de todos os meninos ali na periferia, né?
00:21:00Em pelo menos três ocasiões, eu tive amigo morto do meu lado, a tiros.
00:21:07Eu vi vários amigos da região de onde eu morava, envolvidos com crime,
00:21:12que apareciam com carros roubados, andavam armados, com droga, com tudo isso.
00:21:16Aí eu já tinha um foco de fazer os desenhos falando sobre racismo, sobre violência.
00:21:46Eu me sinto angustiado, me sinto sozinho também, ali.
00:22:02Se eu não tomar remédio nenhum pra dormir, eu viro duas, três noites direto, sem nenhum cochilo.
00:22:16Pra sociedade, de uma forma geral, não era aceitável.
00:22:34Então, independente do que eu pintasse, sempre alguém ia me chamar de vagabundo.
00:22:40E aí, com o passar do tempo, quando eu cheguei já há 17 anos,
00:22:45minha mãe e meu pai já me convidaram a sair de casa e a viver sozinho, né?
00:22:51Então, quando eu fiquei sabendo, minha mãe falou,
00:22:53ó, eu vi uma casa pra você ali em cima e você vai pra lá.
00:22:57Só que eu que tive que arcar com todas as contas, sem ter condições nenhuma, né?
00:23:00Dois anos depois, eu já tava muito doente, pesando 60 quilos.
00:23:03E eu entrei numa depressão profunda, porque eu não queria estar naquela situação, né?
00:23:09Isso é a verdade.
00:23:10Não era algo que eu esperava.
00:23:13Eu queria estar com meus pais, eu queria continuar morando na casa dos meus pais,
00:23:17eu queria ser compreendido dentro daquilo que eu estava fazendo, mas foi contrário.
00:23:33Eu não sei exatamente se isso pode ou não ter uma influência sobre algumas coisas que ocorreram na minha vida na sequência.
00:23:49Em algum momento da minha vida recente, eu passei por problemas sérios de depressão,
00:24:00tomando 12 comprimidas de tarja preta todos os dias.
00:24:05Então, eu tive que encontrar maneiras de ser autossuficiente.
00:24:13Todo medo que eu passei por não ter sido acolhido em momentos difíceis,
00:24:24isso é algo que também foi recorrente durante toda a minha vida.
00:24:33Ali, realmente, eu me senti completamente sozinho.
00:24:43Ali, realmente, eu me senti completamente sozinho.
00:25:13Ali, realmente, eu me senti completamente sozinho.
00:25:43Com um desses desenhos que eu fiz nas ruas, um cara parou o carro uma vez e falou assim,
00:26:03olha, eu trabalho em uma agência de publicidade e parques de diversões da Europa e dos Estados Unidos tem pinturas e você já viu tal?
00:26:13Eu falei, não, não sei muito bem.
00:26:15Então, utilizam pinturas e a gente quer trazer esse conceito aqui para o Play Center.
00:26:20Ele me fez esse convite, ele falou assim, você poderia fazer alguns desenhos para a gente tentar entrar no Play Center?
00:26:27Então, era uma coisa surreal para mim naquele momento.
00:26:31E eu lembro que eu fiz mais de 10, 20 desenhos diferentes para o cara.
00:26:36Me dediquei dias e dias e dias pintando, fiz os projetos todos, pintar no meu máximo.
00:26:43E ele conseguiu ser aprovado lá através dos meus desenhos.
00:26:47Então, já em 93, eu entrei e fiz as minhas primeiras pinturas lá dentro do parque.
00:26:52E essa foi a minha primeira experiência em conseguir pagar as minhas contas com o meu trabalho.
00:27:08Foi um alívio.
00:27:10Eu não tinha a mínima percepção de notar o meu trabalho como arte, por exemplo.
00:27:19Não tinha nem a mínima ambição nesse aspecto.
00:27:25Eu só queria pintar e desenhar.
00:27:30E quando eu realmente estava dentro do Play Center, eu dormi lá três ou quatro dias.
00:27:36Direto, eu não fui embora para casa.
00:27:39Eu levei um colchãozinho lá e eu fiquei dormindo lá dentro do parque,
00:27:43porque eu queria fazer o melhor trabalho possível.
00:27:46Eu não queria desperdiçar essa oportunidade.
00:27:48Então, a única coisa que eu vi nisso era uma maneira honesta.
00:27:55E a primeira vez que alguém queria contratar, queria me dar uma oportunidade sobre aquilo.
00:28:01Alguém queria me pagar para fazer o que eu gostava.
00:28:05Só que eu fiz uma loucura, muito grande.
00:28:07Fiz uma loucura, uma coisa de menino.
00:28:10Ali eu fiz mesmo.
00:28:10Porque tinham outras empresas que faziam trabalhos para o parque.
00:28:16E eu acabei uma vez fazendo trabalho para uma outra empresa internacional.
00:28:20E peguei uma quantidade grande de dinheiro.
00:28:22E aí eu fiz uma loucura, que foi comprar um carro importado, que era um Mustang.
00:28:27Então, já em 97, alguma coisa assim, eu tinha um Fusquinha caindo aos pedaços, com o solo estourado.
00:28:35E tinha um Mustang, praticamente zero quilômetro, branco, com um banco de couro.
00:28:40Uma coisa incrível.
00:28:41Assim, eu tinha os dois.
00:28:44Morando numa casa de aluguel, a casa totalmente abandonada.
00:28:50E eu tinha isso.
00:28:52Que era uma questão meio de menino mesmo.
00:28:55Ninguém entendeu porque eu havia feito isso.
00:28:59E meu pai também, nesse momento, ficou enlouquecido.
00:29:25E o conhecimento, ficou enlouquecido.
00:29:47Não, não, não.
00:29:51É isso.
00:29:51De uma forma geral, eu sou tímido, mas eu encontrei essa maneira de falar sobre várias
00:30:09coisas que eu penso, me comunico através dos meus desenhos e da minha pintura.
00:30:15Então, tudo é um desafio. Tem coisas que eu faço porque o meu trabalho me levou a essa
00:30:23condição. Se fosse para eu escolher fazer, provavelmente eu não estaria aqui fazendo.
00:30:30Estar aqui falando é uma dificuldade para mim.
00:30:45Nesse momento em que eu usava o compressor e fazia trabalhos comerciais nesses estabelecimentos
00:31:07por uma questão de sobrevivência, eu encontrei uma classe artística que já estava mais estabelecida.
00:31:13Já existiam outros grafiteiros. Em algum momento eu descobri que essas pessoas existiam,
00:31:17eles me descobriram, mas já me criticando. Então, desde o meu primeiro contato, eu já
00:31:23fui criticado também. Tinha uma esperança, pedi oportunidade para vários artistas, quis
00:31:29participar de coletivos, mas sempre negaram. E até hoje continuo negando. Sempre fui
00:31:35questionado pela técnica, por que isso, por que aquilo, por que você fez isso, por que
00:31:39isso não pode, isso pode, isso não pode. Então, o lugar onde eu queria fazer, que era
00:31:44o que tinha, entre aspas, maior liberdade, foi onde eu encontrei um número de regras que
00:31:51eu não imaginava que pudesse existir. Então, as pessoas começavam a falar, artistas que
00:31:57já tinham outro tipo de história, sem ter o mínimo de consciência sobre o porquê cada
00:32:04um é o que é, né? Por que cada um faz o que faz.
00:32:12Eu quero que você pinte o meu quarto. Eu quero que você reproduza essa obra de tal
00:32:18artista. Você pode reproduzir nessa parede? Você pode reproduzir nessa porta de aço?
00:32:23Eu tenho uma oficina mecânica. Você pode pintar a minha oficina mecânica? Eu tenho uma
00:32:27escolinha. Você pode ir lá e fazer a turma da Mônica na fachada da minha escolinha?
00:32:32Você pode fazer isso? Você pode fazer aquilo? Tinha uma exigência das pessoas que me chamavam
00:32:38pra pintar isso. Ou seja, elas me davam aquela referência, eu tinha que copiar aquela referência
00:32:43na parede delas. Eu ganhava algum dinheiro pra fazer isso. E elas cobravam qualidade naquilo,
00:32:50né? Uma das maneiras que eu aprendi a evoluir, melhorar minha pintura, minha técnica, foi com a
00:32:57cobrança dessas pessoas. Porque elas reclamavam muito. Tá muito feio, tá torto, esse olho não
00:33:03tem brilho, isso aqui não funciona assim, tá tudo torto, tá isso, tá aquilo. Então eu fui aprimorando o meu
00:33:10trabalho e a minha técnica diante disso.
00:33:40e aí
00:34:04Quando eu vejo as ruas, pra mim é o meu ateliê, tipo assim, eu entendo dessa forma,
00:34:25aquele prédio ali, eu posso pintar tal coisa, aquela outra parede comporta isso,
00:34:31então eu vejo a cidade como uma oportunidade infinita de explorar.
00:35:01O movimento é cada vez mais de pintar prédios, de fazer instalações, esculturas, intervenções,
00:35:09todo tipo de instalação nas ruas, porque isso tá o acesso de todo mundo.
00:35:13Quando você tá dentro de uma galeria, é mais restrito.
00:35:18Na rua é ilimitado, esse acesso é ilimitado, né?
00:35:22Mas eu não aprendi de outra maneira, né?
00:35:26Então, quando eu sou convidado pra alguma galeria, a dificuldade maior é fazer em menor proporção.
00:35:32Isso tem uma certa dificuldade, né?
00:35:38Como que eu vou pensar uma tela de um metro, sendo que eu pinto uma coisa de 600 metros, né?
00:35:44De mil metros, acho mais fácil, na verdade.
00:35:46Eu acabo levando ou o mesmo tempo, ou mais tempo pra pintar uma tela do que pintar um prédio.
00:35:54É mais detalhe, é menor, exige mais paciência.
00:35:57Eu não tenho muita paciência, entendeu?
00:36:02Por isso que eu gosto da rua mesmo.
00:36:05Então, eu subo lá, desço, a hora que eu quero sair, eu saio.
00:36:07Eu uso um equipamento mais rápido também.
00:36:10É mais gestual você pintar com spray ou usar compressor ou pistola.
00:36:16Quando você tá fazendo um trabalho em grande escala,
00:36:43Você, em cima de um prédio, você não consegue ver o que você tá fazendo, na verdade, né?
00:36:49Então, você vai pintar um olho de um determinado personagem, né?
00:36:53Ou, sei lá, vou pintar o olho do Mário Quintana.
00:36:55Por exemplo, o olho do Oscar Niemeyer lá, ele tem dois metros por um metro de altura.
00:37:00Então, a bolinha do olho ali, o brilho do olho, o reflexo é desse tamanho, assim, né?
00:37:05Você fica pequenininho com aquele muro gigante, né?
00:37:15Então, tem um trabalho também, um esforço, né?
00:37:18Você é uma formiguinha ali, tem que ir sobe, andando, e vai, volta, vai, volta, vai, volta, vai, volta, vai, volta.
00:37:25Tchau, tchau, tchau.
00:37:55Assim, tem um desafio também, né?
00:38:00Tem uma circunstância de estar pintando na rua, né?
00:38:02Então, às vezes eu pego um time-lapse pra ver.
00:38:07Pô, enquanto você tá lá no andame, quantas milhares de carros não passaram ali, né?
00:38:10Quantas milhares de pessoas não passaram ali?
00:38:12Eu tava vendo um time-lapse essa semana, tem milhares de pessoas passaram.
00:38:15Eu não vi essas pessoas, é interessante, eu não vi ninguém.
00:38:18Eu nem barulho, eu não ouço, eu não escuto nada.
00:38:21Então, eu tô lá concentrado no muro e o meu mundo fica ali.
00:38:29E aí, tem o envolvimento com as pessoas que estão passando.
00:38:32Tem gente que gosta, tem gente que não gosta.
00:38:34Quando tá começando, tem gente que fala, pô, mas tá estragando um prédio histórico, tá acontecendo sei lá o quê.
00:38:41Então, tem milhões de opiniões, né?
00:38:42E a gente fica o tempo inteiro também.
00:38:45Ô, vem aqui um minuto.
00:38:46Vai, tem uma história, tem toda uma relação com as pessoas na cidade, né?
00:39:12Eu não subo num prédio de 90 metros de altura sem sentir medo.
00:39:29Eu tenho medo quando eu tô lá em cima.
00:39:30Não criar um trabalho simplesmente por uma questão estética, isso tudo é importante, fez parte da...
00:39:43É difícil de entender o que significa.
00:39:47Aí, sonho é uma coisa complexa.
00:39:51Fico até de manhã lá com os meus cachorros, muitas vezes.
00:39:54Eu tenho três cachorros, fico com eles lá até de manhã.
00:39:56Muitas vezes eu tô vendo um documento.
00:40:26documentário lá de alguma coisa e aí eu vejo uma história lá, eu já anoto no meu bloco de notas e depois eu vejo uma outra coisa.
00:40:32Começo a ver documentários sobre os animais que são maltratados, vejo documentário de um monte de coisa.
00:40:39Eu vou anotando essas histórias, depois vou pesquisando.
00:40:42E aí
00:40:47A CIDADE NO BRASIL
00:41:17A CIDADE NO BRASIL
00:41:47Eu não consigo produzir da forma que eu sei que eu sou capaz, porque a minha saúde me limita.
00:42:02Durante o período em que eu tomava os antidepressivos, eu bebia muito, porque o álcool era uma forma de equilibrar o sintoma do...
00:42:16É uma coisa louca, talvez nem todo mundo entenda, mas o sintoma era tão ruim do antidepressivo que o álcool me dava um equilíbrio.
00:42:24Eu bebia junto e me sentia melhor.
00:42:26A tinta também dissolve com gasolina, com gasolina, com thinner, com spray, com tudo tóxico.
00:42:39E eu fiz muito isso em ambientes fechados durante toda a minha juventude.
00:42:44E aí, rapidamente, eu declinei e fiquei doente.
00:42:49Isso causou uma revolta durante toda a minha vida, porque, primeiro, pelos erros médicos,
00:42:57fui submetido a um monte de coisas desnecessárias e que só pioraram o meu estado.
00:43:09Se fosse para seguir os conselhos médicos, eu já teria deixado de pintar há muito tempo,
00:43:15porque, na realidade, já foi uma condição médica que eu não pintasse mais.
00:43:19Eu continuo pintando por teimosia.
00:43:20Eu continuo pintando por teimosia.
00:43:50Eu continuo pintando por teimosia.
00:44:20Eu continuo pintando por teimosia.
00:44:50Para mim, se eu não pintar, significa morrer, morte.
00:45:05Eu não sou feliz fazendo outra coisa.
00:45:20É uma experiência diferente, inusitada, não me acho no mérito de ser retratado por
00:45:33alguém e também não me sinto confortável em fazer autorretrato, não é algo que eu
00:45:40pensei.
00:45:41Eu já estou falando sobre a minha personalidade quando eu estou colocando essas questões
00:45:58que eu acabo falando nos meus murais.
00:46:02Isso já é o meu autorretrato.
00:46:03De qualquer forma, eu busco encontrar as inspirações.
00:46:08Essas figuras que eu pinto são pessoas que realmente fizeram algo do meu interesse.
00:46:38Tem uma passagem bíblica que fala que os pacificadores herdarão o reino de Deus.
00:46:50Então, eu penso dessa maneira.
00:46:54O que sempre me chamou a atenção é o convívio, a relação das pessoas com o meio ambiente
00:47:03ou com os animais, por exemplo.
00:47:06Mesmo antes de eu pintar qualquer coisa relacionada a isso, eu já não entendia o porquê algumas
00:47:14coisas eram mantidas, como as touradas, por exemplo.
00:47:20Eu nunca entendi por que seria necessário manter uma agressão, algo tão violento, e por
00:47:28que as pessoas se divertiam com isso.
00:47:44Não é possível que, no fundo, no fundo, alguém ache correto maltratar um animal.
00:48:02Eu não consigo entender, embora tenha pessoas que defendam.
00:48:05Eu não consigo pensar em um animal.
00:48:35Eu vi o racismo, eu vivenciei a questão do preconceito, essa separação de você muitas vezes não ter acesso às coisas básicas também
00:49:02E toda a ganância e todo esse outro lado que eu pude conhecer através do meu trabalho
00:49:08Que se não fosse também pela minha arte, pelo meu trabalho, eu também não teria tido acesso
00:49:15Então eu conheço os dois lados, eu percebi que nenhum tipo de violência existe justificativa
00:49:25Nenhum tipo de guerra existe justificativa, que através do ódio também você não consegue trazer a paz
00:49:32Através de violência, despertar isso nas pessoas, eu acho que é ruim
00:49:38E eu vejo isso em todos os níveis sociais
00:49:41As pessoas são intolerantes, racistas, violentas, pregam o ódio, não toleram as decisões do próximo
00:49:48De que adianta tantas religiões falar tanto em Deus e tantas coisas, mas ao mesmo tempo se matarem entre si
00:49:58Eu achei que eu pudesse trazer esse propósito
00:50:02Eu cheguei a uma consciência do privilégio de poder ocupar as ruas com o meu trabalho
00:50:14E perceber que algumas pessoas hoje entendem que por trás do que eu estou pintando
00:50:19Tem algo que eu quero dizer, tem alguma mensagem, tem histórias
00:50:25Tem uma questão que também é uma busca interior minha
00:50:31Então assim, é primeiro em mim, porque eu tive que passar por esses processos, eu tive que conhecer tudo isso
00:50:38E através dessa percepção, tentar trazer isso para as cidades, para as ruas, para despertar
00:50:46Porque os povos, as etnias, tudo isso é tão bonito, os costumes, os usos, as religiões, isso é muito bonito
00:50:54Eu fiz murais, por exemplo, nos Estados Unidos contra a utilização de arma
00:51:02Eu não tenho uma justificativa real, porque a arma é para matar
00:51:07E você vê, não é uma preocupação específica com a religião X ou Y
00:51:17Ou com ser branco ou negro
00:51:22A gente percebe que em todos os lugares do mundo tem pessoas que se dispuseram a colocar as suas vidas para fazer o bem
00:51:31Embora foram mortas, tomaram tiro
00:51:34Parar com essa pintura e ir para o desenho logo
00:51:44Vai demorar pra caramba
00:51:47Primeiro a parede é pintada de branco, depois a parede é quadriculada
00:51:53Depois é feito o esboço do desenho inteiro
00:51:56Então eu trabalho com método de quadriculado
00:51:59Como uma batalha naval, a gente sabe mais ou menos que o A45 pega a bolinha do olho
00:52:06Que não sei o que, não sei o que
00:52:29Inscreva-se, não sei o que foi
00:52:59Era o melhor lugar que eu poderia ir naquele momento,
00:53:18que era uma super referência de murais no mundo,
00:53:21e ainda é a cidade de Lyon.
00:53:24Porque eu pude ter o primeiro contato com artistas internacionais.
00:53:29Na sequência disso, eu tenho uma tia que morava em Londres.
00:53:37Eu fui para lá também.
00:53:39Eu fiquei alucinado visitando as obras do Banksy por todo lado.
00:53:42E esse muro que eu consegui tinha essa obra,
00:53:46e moradores ou pessoas que estavam passando ali vandalizaram essa obra do Banksy.
00:53:52Então a obra tinha sido removida.
00:53:56E logo na sequência eu entrei com o meu trabalho.
00:53:59E aí as pessoas achavam que eu tinha apagado a obra do Banksy.
00:54:03Então também gerou uma polêmica,
00:54:07tipo no meu segundo trabalho internacional,
00:54:10todo mundo falando que eu tinha removido uma obra do Banksy.
00:54:13Saiu matérias, sai Banksy, entra cobra.
00:54:16Tipo assim, quem sou eu para poder apagar uma obra do Banksy?
00:54:19Eu, Dr. Ed?
00:54:20Quizacam!
00:54:20MinhaMan Incorpor你可以 ser eu para poder apagar de todos eles.
00:54:24Então será que ficou lelli przyjaçando o melhor do Banksy.
00:54:35Essa é a palavra do banco.
00:54:37Seleciando o banheiro.
00:54:37E aí, surgiu."
00:54:37Do banco.
00:54:37Seleciando o banco.
00:54:38Gracias, ela sim!
00:54:39Nada cupboard!
00:54:40O banco.
00:54:40Me!
00:54:41Depois equipado!
00:54:41O banco.
00:54:41Amigo.
00:54:41E aí?
00:54:42Issoれて é o amor de que eu sou eu para poder.
00:54:43Que nem free.
00:54:44Acho bomertam!
00:54:45São Paulo e Nova York tem total conexão
00:54:52São Paulo porque eu comecei a pintar aqui
00:54:54Nova York porque eu tinha influência dos artistas de lá
00:54:56Então eu sempre tive essa ideia de pintar algo lá
00:55:15Nova York
00:55:45Nova York
00:56:15Nova York
00:56:45Nova York
00:57:15Nova York
00:57:17Nova York
00:57:19Nova York
00:57:21Nova York
00:57:23Nova York
00:57:25Nova York
00:57:27Nova York
00:57:29Nova York
00:57:31Nova York
00:57:33Nova York
00:57:35Nova York
00:57:37Nova York
00:57:39Nova York
00:57:41Nova York
00:57:43Nova York
00:57:45Nova
00:57:47Nova
00:57:49Nova
00:57:51Nova
00:57:53Nova
00:57:55Nova
00:57:57Nova
00:57:59Nova
00:58:01Nova
00:58:03Nova
00:58:07Nova
00:58:09Nova
00:58:11Nova
00:58:13Nova
00:58:17Nova
00:58:21Nova
00:58:23Nova
00:58:25Nova
00:58:27Nova
00:58:29Nova
00:58:31Nova
00:58:33Nova
00:58:39Nova
00:58:41Nova
00:58:43Nova
00:58:45Nova
00:58:57da vida, assim.
00:59:04E são 15 anos.
00:59:0615 anos com ela.
00:59:11Eu nunca quis ser pai.
00:59:15Esse período
00:59:16com a Andressa, eu sempre disse
00:59:18que não queria, porque uma que eu
00:59:20não estava
00:59:21fisicamente ou saudável,
00:59:25psicologicamente
00:59:26para poder ter filho e tudo mais.
00:59:28Então eu estava muito
00:59:29desestabilizado.
00:59:32Nos últimos 4, 5 anos
00:59:34que eu realmente comecei
00:59:36a tomar um caminho diferente na minha vida.
00:59:38Estava mais preparado para cuidar
00:59:40mais corretamente
00:59:41até do que a Andressa merece
00:59:43e mereceu e muito
00:59:46mais do que eu fiz ou faço por ela,
00:59:48porque disso tudo
00:59:50a Andressa foi a pessoa que esteve
00:59:52comigo em todos os momentos,
00:59:53entendeu? Então, com todas
00:59:56as dificuldades.
01:00:03Eu não sabia como eu reagiria,
01:00:05não tinha noção, não sei se eu seria...
01:00:09se eu ia querer ter algum contato físico,
01:00:12se eu não ia querer,
01:00:14como seria a minha relação,
01:00:15se eu levaria no hospital
01:00:17quando ele estivesse doente
01:00:19ou como seria,
01:00:19eu não sabia.
01:00:21Mas eu percebi realmente que eu
01:00:23estive o tempo todo,
01:00:28desde que ele nasceu,
01:00:29eu estava lá
01:00:29na maternidade,
01:00:31segurando a mão da Andressa,
01:00:32quando não foi possível o parto normal
01:00:34e teve que ser cesárea.
01:00:36Eu fiquei lá, acompanhei.
01:00:38sempre de coração
01:00:42muito aberto
01:00:43para tudo isso.
01:00:44Então, o Pedrinho mudou
01:00:45completamente.
01:00:47Sim, o Pedrinho,
01:00:48para mim,
01:00:48é o amor que eu tenho
01:00:51por ele,
01:00:53o que eu sinto.
01:00:56É uma alegria imensurável
01:00:58ter ele hoje na minha vida.
01:01:01Então,
01:01:02foi uma mudança
01:01:03muito grande.
01:01:05Para mim,
01:01:06uma evolução enorme,
01:01:07porque eu não me sentia capaz
01:01:09de imaginar uma pessoa
01:01:12dependente de mim
01:01:14nessa situação.
01:01:15Mas hoje,
01:01:16eu acho que eu sou mais dependente
01:01:17dele do que dele de mim.
01:01:19Acho que ele,
01:01:19tipo,
01:01:21tem um vazio
01:01:23da minha vida
01:01:23que ele acabou
01:01:24me ajudando demais.
01:01:36com uma pessoa
01:01:40certa.
01:01:40Amém.
01:02:10Teve um mural que foi o maior de Manhattan, talvez o maior de Nova York também, que foi um mural feito na escola onde estudou o Basquiat.
01:02:33E parece que ele conseguiu ser expulso dessa escola, inclusive, então era um aluno bem diferenciado, assim.
01:02:39Então, pra mim, quando eu soube disso, pra mim foi emocionante.
01:03:09Vamos lá.
01:03:11Vamos lá.
01:03:13Vamos lá.
01:03:15Vamos lá.
01:03:16Vamos lá.
01:03:17Vamos lá.
01:03:18Vamos lá.
01:03:19Vamos lá.
01:03:20Vamos lá.
01:03:21Vamos lá.
01:03:22Vamos lá.
01:03:23Vamos lá.
01:03:24Vamos lá.
01:03:25Vamos lá.
01:03:26Vamos lá.
01:03:27Vamos lá.
01:03:28Vamos lá.
01:03:29Vamos lá.
01:03:30Vamos lá.
01:03:31Põe no final.
01:03:33Põe a parede.
01:03:34Vamos lá.
01:03:35Vamos lá.
01:03:36Vamos lá.
01:03:37Vamos lá.
01:03:38Vamos lá.
01:03:39Põe a parede.
01:03:40Vamos lá.
01:03:41Vamos lá.
01:03:42Põe a parede.
01:03:43Não, não.
01:03:44Põe a parede.
01:03:45Não, não.
01:03:46Põe a parede.
01:03:47É, eu fiz um desenho ontem pra você.
01:03:48Ah, é?
01:03:49Legal.
01:03:50Se tiver.
01:03:51Show.
01:03:52Só a barba que tá mais branca agora.
01:03:53Só a barba que tá mais branca agora.
01:03:54Vamos lá.
01:03:55Vamos lá pegar o spray.
01:03:56Vamos lá pegar o spray.
01:03:57Põe no...
01:03:58Põe no...
01:03:59Não, não.
01:04:00Põe no final.
01:04:01Medir a parede.
01:04:02Põe o suporte aqui.
01:04:03Quer ver a altura lá?
01:04:04Não, não precisa não.
01:04:05Não precisa não.
01:04:06Não precisa não.
01:04:11E aí?
01:04:12Tranquilo?
01:04:13Tranquilo.
01:04:14É, eu fiz um desenho ontem pra você.
01:04:15Ah, é?
01:04:16Puta.
01:04:17Legal.
01:04:18Só a barba que tá mais branca agora.
01:04:24Tá da hora.
01:04:25Valeu.
01:04:26Obrigado.
01:04:27Valeu.
01:04:28E aí, tudo bem?
01:04:29E aí, beleza?
01:04:30Ó, esse aqui é o Marcos, que trabalha comigo.
01:04:32Tudo bem?
01:04:33Marcos.
01:04:34O Anderson.
01:04:35E aí?
01:04:36Ó, parabéns, hein?
01:04:37E aí?
01:04:38Tudo bem?
01:04:39E aí, tudo bem?
01:04:40Vocês são de que série?
01:04:41Estou na sexta.
01:04:42Quinta?
01:04:43Show.
01:04:44É, eu estudei aqui na quinta, na sexta, na sétima, na quarta.
01:04:47Coloca o desenho aqui, ó.
01:04:49Coloca aqui, ó.
01:04:50Coloca aqui, ó.
01:04:51Coloca aqui, ó.
01:04:52Não, aqui, ó.
01:04:53Aqui, ó.
01:04:54Deixa ele aí pra mim.
01:04:55Aqui?
01:04:56É.
01:04:57A insônia nunca saiu de mim.
01:05:03Isso é uma questão que perdura até hoje.
01:05:06O que apareceu mais no meu trabalho foi a questão das formas e das cores.
01:05:11Tudo bem?
01:05:12Ok.
01:05:13Mas eu tenho uma busca muito mais intensa do que isso.
01:05:18O que eu busco é o significado das obras, acho que isso faz o meu trabalho movimentar.
01:05:20Se eu fizer dez muralhas, eu acho que eu tinha um desenho aqui.
01:05:21Se eu fizer dez muralhas, eu tenho uma busca muito mais intensa do que isso.
01:05:24E eu tenho uma busca muito intensa do que isso.
01:05:29A gente não fica paralisado simplesmente pela questão estética.
01:05:38A gente fica paralisado pela mensagem, pelo significado.
01:05:42e o que eu busco é o significado das obras.
01:05:44Acho que isso faz o meu trabalho movimentar.
01:05:47Se eu fizer dez murais e dois forem descoloridos,
01:05:50eu sei que esses, as pessoas prestam mais atenção,
01:05:54mas existem outros oito que muitas vezes também foram feitos.
01:06:02O que eu não gosto de fazer, na realidade,
01:06:06é fazer um trabalho cor pela cor.
01:06:11Ou a imagem pela imagem, eu também busco uma conexão entre isso.
01:06:41E aí
01:06:43E aí
01:06:45E aí
01:06:47E aí
01:06:49E aí
01:06:51E aí
01:06:57E aí
01:06:59E aí
01:07:01E aí
01:07:05E aí
01:07:07E aí
01:07:09E aí
01:07:11E aí
01:07:19E aí
01:07:21E aí
01:07:23E aí
01:07:29E aí
01:07:31E aí
01:07:33E aí
01:07:39E aí
01:07:41E aí
01:07:43E aí
01:07:45E aí
01:07:51E aí
01:07:53E aí
01:07:55E aí
01:07:57E aí
01:07:59E aí
01:08:01O que você está pintando?
01:08:03Não entendi.
01:08:05O que você vai estar pintando?
01:08:07Estou fazendo um esboço de um desenho que vocês vão pintar junto com mim daqui a pouco.
01:08:21Perto da boia, a cor escura é melhor.
01:08:23É verdade.
01:08:24Por exemplo, preto aqui perto da boia.
01:08:26Aqui destaca mais, né?
01:08:28Claro, é. O brancão da boia, cara.
01:08:31Deixa ele por último, aí depois migre ele para uma cor mais escura, repete.
01:08:39Liberta a senha, com uma cor escura e desprezou a cor.
01:08:42Ficou muito legal.
01:08:44Ficou muito legal.
01:08:46Confio, vou passar lá pra baixo.
01:08:48Ficou muito legal.
01:08:50Ficou muito legal.
01:08:52Ficou muito legal.
01:08:54Ficou muito legal.
01:08:56Ficou muito legal.
01:08:58Ficou muito legal.
01:09:00Amém.
01:09:30Vários artistas têm as suas obras apagadas, artistas até importantes na história,
01:09:56como, por exemplo, o Kate Herring. Várias obras foram apagadas, Banksy, por exemplo.
01:10:05Eu já lidei melhor com isso, né? Acho que já tive um outro momento, mais jovem e tal, etc.,
01:10:11que era mais fácil ir lá e pintar outro trabalho e vai pintar outro, pintar outro e tudo bem, vai indo.
01:10:18Mas hoje eu acho que tem que haver uma mudança nesse pensamento de simplesmente descartar.
01:10:28Foi tratado assim, a arte de rua, ela começou dessa maneira, mas eu acho que já não é mais o momento de se pensar dessa forma.
01:10:35Porque tem artistas que estão há 20, 30 anos pintando nas ruas.
01:10:39Eu quero poder ver tantas obras que estão aí, eu quero que o Pedrinho veja também, né?
01:10:45Eu quero que ele perceba, o cara legal que tem.
01:10:48Imagina se todas as obras do Diego Rivera tivessem sido apagadas, do Orozco, do Portinari.
01:10:55Não é bem assim, né? Realmente, ou dentro dos museus, né?
01:11:01Imagina se as obras que fossem pintadas fossem apagadas e colocassem outras telas.
01:11:05Porque não há diferença, na realidade, nenhuma, entre uma obra que é feita num museu, numa galeria, numa tela, num muro.
01:11:11Tudo é arte.
01:11:13Então, vários processos acho que tem que ser feito. Preparar melhor as paredes, ter iluminação, ter aplicação de verniz pra que isso dure mais tempo.
01:11:43A CIDADE NO BRASIL
01:12:13Amém.
01:12:43Esse mural é maior do mundo, esse mural vai entrar para o Guinness, vai entrar para o Guinness, não sei o que, não sei o que, não sei o que, e entrou mesmo no Guinness Book.
01:12:57Aí eu recebi um outro convite na Castelo Branco para um outro mural de 6 mil metros quadrados.
01:13:03Foi algo que surgiu na minha história.
01:13:13Amém.
01:13:43Muitas pessoas começaram a chegar até ele e elogiar os meus trabalhos.
01:14:13Em vários momentos, falaram outros parentes dos quais eu nunca tive qualquer tipo de contato.
01:14:23Pessoas na rua, todos que sabiam que ele era meu pai, elogiavam.
01:14:32E ele não demonstrava isso claramente, não demonstrava abertamente.
01:14:36Mais uma vez, eu estava no quarto da minha mãe, do meu pai, e tinha aquelas gavetinhas ali.
01:14:45E eu abria essa gavetinha e tinha vários recortes de jornais e fotografias de obras que eu tinha feito por São Paulo, por todos os lugares.
01:14:55Então, ele colecionava isso.
01:14:58Ele tinha muita coisa ali, de muitos anos.
01:15:01Mas ele nunca me disse, mas eu vi.
01:15:04E quando eu vi, eu passei a perceber que ele gostava.
01:15:08Então, ele já não via mais da mesma forma.
01:15:13Ele já gostava e ele, inclusive, demonstrava já, no final, o orgulho disso tudo.
01:15:21Então, teve uma mudança.
01:15:22Já quando meu pai estava doente, acho que houve, sim, um processo de reconciliação.
01:15:28Acho que houve um processo de perdão também, da parte deles comigo, a minha com eles.
01:15:35Então, eu acho que, no final, a gente teve um...
01:15:39A gente acabou se acertando bem.
01:15:44E sim, claro, até os dias de hoje, eu gostaria que ele estivesse aqui para poder...
01:15:51Na realidade, não é sobre...
01:16:19Não é sobre a periferia.
01:16:22Não é sobre o que eu pintei e eu deixei de pintar.
01:16:27É sobre o que eu plantei e o que eu estou colhendo.
01:16:30É sobre uma história que também tem a ver com as escolhas.
01:16:36Eu acho que...
01:16:38Eu sou mais um.
01:16:39Sou mais um com uma história assim.
01:16:41Sou mais um com uma história complexa, uma história difícil, uma história de periferia.
01:16:46Uma história com dificuldades.
01:16:47E nesse momento que eu estava com o Pedro, eu percebi realmente que Deus tinha aberto as portas para o meu trabalho no mundo todo.
01:16:55Eu tinha viajado por 30 diferentes países.
01:16:59Tinha pintado 50 murais nos Estados Unidos.
01:17:02E aí eu vi realmente...
01:17:04Que...
01:17:06De alguma forma, eu cheguei nesse momento e eu estava com o Pedro no meu colo.
01:17:11Então, as portas se abriram e deu certo.
01:17:18Qual de vocês quer pintar com a gente?
01:17:21É, todo mundo.
01:17:23Todo mundo.
01:17:24Deixa eu ver.
01:17:25Um, dois, três, quatro, cinco, seis...
01:17:28Aqui é aí, ó.
01:17:31No começo ali, ó.
01:17:32Aqui, ó.
01:17:33É que aqui dói um pouquinho se eu apertar o seu dedo, mas eu só estou pintando pra vocês.
01:17:47Ó, empurra o cobra que ele está atrapalhando.
01:17:49Você derruba ele da escada e vem nessa faixa aqui, ó.
01:17:52Ó, já pivou de espéu de vocês, como você quer mais um?
01:17:55Tem um quadrado, certo?
01:17:58Só tem que pintar com o mesmo beijo, né, você pintou?
01:18:01Aí, tem mais, ó.
01:18:02Da época da pichação, né?
01:18:03Ele pichava cobra quando ele era criança.
01:18:05Muito, muito, muito tempo atrás.
01:18:08Oi?
01:18:09Há 70 anos atrás.
01:18:11Há 70 anos atrás.
01:18:13Era só pátula lá.
01:18:14Pode ir.
01:18:15Tinha nata lá.
01:18:16Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não.
01:18:22Olha lá.
01:18:27Mais rápido.
01:18:28Vamos deixar aqui no pintor, tá?
01:18:29Isso, isso.
01:18:30Delícia.
01:18:30Isso.
01:18:31Já pichado.
01:18:31Aí, ótimo.
01:18:50E aí, cobra, vai liberar pra pichar a gente?
01:18:52Pichar a escola, não.
01:18:54Ó, o cobra liberou, gente, pode?
01:18:56O cobra liberou pra pichar a escola.
01:19:00Como não?
01:19:01Quando você estudava aqui, você pichava a escola, eles não podem?
01:19:03Eu não tenho.
01:19:03Eu não tenho.
01:19:04E aí, eu tenho.
01:19:05Eu tenho.
01:19:05Eu tenho.
01:19:07Rádio.
01:19:07Isso.
01:19:07Tchau.
01:19:07E aí, eu tenho.
01:19:08Amém.
01:19:38Amém.
01:20:08Amém.
01:20:38Amém.
01:21:08Amém.
01:21:38Amém.
01:22:08Amém.
01:22:38Amém.
01:23:08Amém.
01:23:38Amém.
01:24:08Amém.
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