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Felipe D'Avila e o Bispo Auxiliar de SP, Dom Carlos Lema, debatem o erro comum de terceirizar a educação moral dos filhos. Entenda por que a falta de tolerância à frustração está criando uma geração despreparada para a realidade da vida.

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Transcrição
00:00Mas hoje há a degeneração do conceito de família.
00:05E muitos pais, na verdade, jogam no ombro da escola para fazer tudo aquilo que não se faz em casa,
00:09que é ensinar valores e tal.
00:11Como é que o senhor vê hoje a formação educacional das pessoas com essa família em crise?
00:17Como é que nós vamos resolver esse paradoxo?
00:21Você tem toda a razão. Antigamente, a família transmitia, era a primeira escola, né?
00:26E porque, de fato, os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos, né?
00:32Então os pais transmitiam os seus próprios valores dos seus antepassados aos seus filhos.
00:39Com essa crise do nosso tempo moderno, acontece que os pais já não têm esses valores para transmitir aos filhos,
00:48ou não têm autoridade, às vezes têm medo de dizer não aos filhos.
00:53É um problema sério hoje em dia da formação dos nossos jovens.
00:57Não são educados para frustração.
01:01Os pais querem que o filho triunfe tudo e sempre, que ele tire todos os obstáculos à frente deles.
01:08Então, claro, ele vê que na realidade a vida não é assim, a vida não é um mar de rosas, né?
01:14A gente encontra dificuldades de qualquer modo.
01:16Então, eu tenho visto nas escolas que eu visito, acompanho e converso,
01:23que hoje em dia a escola tem que se preparar mais profundamente ainda,
01:28porque ela não tem apenas que educar os alunos, mas ela tem que formar os próprios pais desses alunos, né?
01:36Porque, às vezes, os pais não têm estrutura humana,
01:39ou porque a família não está bem estruturada, ou porque eles não receberam essa transmissão de valores dos seus pais, né?
01:48Dos avós, dos alunos.
01:50Então, eles precisam ser ajudados.
01:52E as escolas têm feito isso.
01:54Na medida do possível, têm feito isso porque sentem que é uma necessidade,
02:00porque têm que também reunir os pais,
02:02têm que fazer formações específicas sobre questões que acontecem na vida diária,
02:09da escola, têm que fazer um acompanhamento.
02:12Têm escolas que fazem entrevistas personalizadas com os alunos e com os pais desses alunos.
02:20Isso é o ideal, né?
02:22Porque acompanham periodicamente o aluno, a chamada perceptoria, né?
02:26É a chamada educação personalizada.
02:31E, ao mesmo tempo, têm encontros bimestrais, por exemplo, com os pais,
02:35para trocar impressões com os pais sobre os seus filhos,
02:39sobre o direcionamento que eles estão dando na formação desses filhos,
02:44para que haja uma harmonia entre o que a escola propõe e o que os pais também exigem dentro de casa.
02:50Tem que haver uma sintonia, porque se a escola vai por um caminho e os pais vão para o outro,
02:56aí a criança fica perdida, fica perplexa.
02:59Você não sabe, como eu obedeço os pais ou obedeço a escola.
03:02Então, a escola hoje em dia tem que se aprimorar para aprender,
03:07além de formar os alunos, formar os pais.
03:11E também, claro, é um âmbito em que a educação hoje em dia tem que se especializar mais,
03:19que são os componentes socioemocionais.
03:22A gente encontra tanto pais como alunos com falhas emocionais muito graves.
03:32Os motivos vão variados, não existe uma razão única.
03:38Como eu falei, a vida do contato com a tecnologia, a vida muito apressada, muito estressante,
03:47vai produzindo essa fratura na formação.
03:52Também a pandemia deixou marcas que ainda hoje se notam,
03:56de alunos que perderam o contato com os colegas, com os professores,
04:03e hoje trazem traumas provenientes daí.
04:09E, além disso, também tem surgido, é uma coisa constante, notória,
04:13muito mais frequência, alunos com laudos de distúrbios neurológicos.
04:24Mas, então, esses transtornos mostram que hoje a escola tem que zelar não só pela educação formal,
04:31mas também pela formação do indivíduo e pela formação dos pais.
04:35É isso que você estava falando.
04:36Agora, algo que me parece que, além desse problema da família, na educação,
04:45ultimamente nós perdemos um pouco o elo com o que a gente chama das humanas.
04:51Parte da educação clássica era estudar filosofia, história, retórica, poesia, literatura,
05:00e essas coisas são importantes para entender melhor a dimensão da humanidade de cada um.
05:05É isso, é verdade.
05:06E com o empobrecimento disso, ou até com uma certa ideologização que trouxeram para esses temas,
05:15parece que a gente não está ensinando os jovens mais na escola a pensar,
05:20até o pensamento crítico a questionar, a saber olhar a questão sobre vários prismas.
05:26Como é que o senhor vê essa deficiência dos estudos das humanas
05:31e como que, vamos dizer, a filosofia cristã, os valores cristãos
05:38podem ajudar a suprir parte disso que se perdeu ao longo do tempo?
05:43A gente vê na escola, hoje em dia, uma preocupação que é preparar os alunos para os vestibulares.
05:50Preparar para as provas, os pais, quando vão matricular a criança na escola,
05:56já perguntam quais foram os resultados do Enem.
05:59Então, há uma preocupação imediata, direta das escolas,
06:04de preparar bem os seus alunos para desempenharem com sucesso os seus exames vestibulares.
06:10Então, eles se concentram naquilo que vai ser exigido lá na frente.
06:14Mas, ao mesmo tempo, você tem toda a razão.
06:19Para conseguir uma formação integral,
06:21uma formação integral não quer dizer que é manhã e tarde do dia inteiro,
06:28não é integral no sentido de período integral.
06:31É a formação que aborda todos os aspectos da pessoa humana.
06:34Claro, os aspectos acadêmicos, de conteúdos,
06:41mas também a convivência dentro de sala de aula.
06:49Pressupõe também a abertura aos valores,
06:54as questões do sentido da vida, por exemplo.
06:57Eu penso que é um tema muito vivo e que os alunos são muito sensíveis.
07:02Se a gente coloca e começa a perguntar sobre isso,
07:08porque, de fato, se a gente perguntar qual é o sentido da vida,
07:11de onde eu venho, para onde eu vou,
07:14o que eu estou fazendo aqui?
07:15As perguntas fundamentais.
07:17Se a gente faz essas perguntas,
07:20a gente vai ver que é preciso um recurso, uma transcendência.
07:25Alguém pensou em mim.
07:27Eu sempre, quando falo nas salas de aula com os alunos de oitavo, nono ano,
07:30eu pergunto sobre isso.
07:32Eu falo para eles assim,
07:34olha, pense o seguinte,
07:37nenhum de vocês, nem eu,
07:39escolhemos nascer nesse momento que nós nascemos.
07:44Nós poderíamos ter nascido há 500 anos atrás,
07:46ou só daqui a 200 anos.
07:48Poderíamos ter nascido em outro país,
07:51em outro lugar.
07:53Nossa família poderia ser outra,
07:55podemos falar outra língua.
07:58Alguém decidiu isso por nós.
07:59Nós não escolhemos nem os nossos pais.
08:02De repente, nós, quando chegamos,
08:03nós já estávamos dentro de uma casa.
08:06Então, alguém escolheu isso para nós.
08:08Alguém pensou em nós.
08:10E aí, quando eu falo disso, eu falo, olha,
08:14quem vai ser essa pessoa?
08:16Quem é capaz de fazer isso para todos os mundos?
08:20Se nós não recorrermos a Deus, nós não vamos encontrar uma resposta.
08:23E essas são perguntas filosóficas.
08:25Não são perguntas religiosas.
08:27Os filósofos, os bons filósofos,
08:30Santo Agostinho, Aristóteles, etc.,
08:34também chegaram a se colocar nessas questões
08:38e procuraram respostas.
08:40O próprio Aristóteles chegou a uma noção de Deus,
08:42Deus único, Deus uno,
08:44um Deus muito parecido com o Deus das religiões monoteístas.
08:48E um Deus todo poderoso, um Deus sapientíssimo.
08:52Então, é uma pergunta filosófica
08:56que se nós só recorrendo às humanidades,
09:01nós conseguiríamos uma resposta.
09:04E se sem resposta a essas perguntas,
09:06de fato, nós andamos perdidos.
09:07Nós andamos assim, sem saber o que nós temos que fazer.
09:12Então, eu penso que você tem toda a razão.
09:14É preciso investir nisso
09:16e procurar a verdadeira formação integral dos nossos alunos.
09:20Formar como pessoas.
09:22E eu sempre insisto nisso, especialmente nas escolas católicas.
09:27Eu visito continuamente as escolas de São Paulo, especialmente.
09:32E eu digo isso para eles.
09:33Olha, o diferencial da escola católica é precisamente esse.
09:37A escola pode dar a mesma formação que os outros colégios
09:40para preparar os alunos para os vestibulares
09:43e terem sucesso na carreira profissional que eles escolherem.
09:48Mas eu digo que lá na frente,
09:51quando estiverem já no pleno exercício da atividade profissional,
09:53os valores que eles aprenderam a conhecer e a praticar na escola,
10:00esses que vão fazer a diferença.
10:01Valores como poder conviver com pessoas que pensam de modo diferente
10:07e dialogar com essas pessoas, sem fugir,
10:10sem considerar as pessoas que pensam de diferente como nossos inimigos.
10:14Saber dialogar, argumentar, ouvir o argumento da outra pessoa.
10:19Saber ter sintonia com as pessoas mais necessitadas da sociedade.
10:24As escolas católicas, com frequência, realizam atividades de voluntariado.
10:31Os alunos vão, por exemplo, passar uma tarde no asilo de velhinhos,
10:34acompanhar os velhinhos, conversar com eles,
10:36ou vão visitar um hospital onde há, sei lá, crianças com doenças graves.
10:42Eu recomendo fazer isso com frequência,
10:44porque isso deixa uma marca muito grande no coração deles.
10:48Eles pensarem, olha, eu tenho uma família,
10:53eu tenho capacidade de estudar, estou em uma boa escola,
10:56eu sou uma pessoa privilegiada.
10:59Eu conheci, vejo outros aqui que têm uma doença grave
11:02que não estão podendo estudar como eu estou estudando.
11:06Eu recebi dos meus pais tudo o que eu tenho.
11:10Então, às vezes, eles têm contato também com crianças
11:12de classes desfavorecidas.
11:16Isso também marca os alunos.
11:19Então, eu recomendo que eles façam isso.
11:21Inclusive, por exemplo, quando fazem coletas de alimentos
11:26ou de brinquedos para famílias necessitadas,
11:30eu recomendo que as crianças, os alunos,
11:32vão pessoalmente entregar os brinquedos para outras crianças pobres,
11:37para ter esse contato humano que é muito importante.
11:40Porque isso, eu penso, contribui para essa formação integral.
11:45A pessoa ter uma consciência de sociedade,
11:50de sentir a responsabilidade pela sociedade.
11:52Então, lá na frente, na vida profissional,
11:55aqueles alunos que conseguiram interagir assim
11:59com seus colegas durante o colégio,
12:01conseguiram ter contato com as pessoas mais necessitadas,
12:04eles vão ter mais facilidade até para progredir na vida profissional.
12:08Dom Carlos, o senhor diz que visita muitas escolas católicas
12:12na cidade de São Paulo, né?
12:14Como é que o senhor percebe a formação do professor?
12:19Nós falamos da formação dos pais,
12:21nós falamos das formações das crianças e dos jovens,
12:25mas também tem a formação do professor.
12:29Existe algum programa feito para a formação desses professores
12:32que atuam nas escolas católicas?
12:35Olha, você tocou um tema muito vivo,
12:39e eu tenho até a alegria de dizer para vocês.
12:41Ano passado, nós, no Vicariato para Educação da Universidade,
12:46que é a equipe da equidocese,
12:50nós estávamos questionando sobre essa questão,
12:53a formação dos educadores,
12:56das escolas.
12:59Claro, cada escola tem o seu plano de formação,
13:02fazem semanas pedagógicas, reuniões, etc.
13:05Mas nós sentimos a necessidade de montar uma estrutura,
13:11a gente chama, e foi criado,
13:13um núcleo para a formação continuada
13:17de profissionais da educação,
13:19uma parceria entre o Vicariato para Educação,
13:22e a Universidade, e a Fundação São Paulo,
13:25que é a mantenedora da PUC.
13:28E, com isso, nós constituímos esse núcleo,
13:30são cinco profissionais,
13:32são remunerados,
13:34trabalham cada um em um âmbito,
13:38um âmbito de gestão escolar,
13:40no âmbito pedagógico e no âmbito pastoral.
13:44E nós estamos organizando muitas atividades
13:46ao longo de todo esse ano de 2025,
13:48e organizamos vários encontros formativos
13:52para tanto dirigentes de escolas,
13:56como coordenadores e como professores,
13:59que estão em contato direto com os alunos.
14:01E estão abordando diversos assuntos
14:04que são do dia a dia da escola.
14:07Por exemplo, alunos com dificuldades de aprendizagem,
14:12que métodos são mais eficientes,
14:16questão de atendimento das famílias,
14:18acompanhamento dos pais,
14:19como receber os pais, como abordar os pais.
14:22Mas não se pode considerar os pais
14:24como inimigos da escola,
14:26os pais têm que estar integrados na escola,
14:28os pais têm que estar participando
14:30das atividades das crianças.
14:33Também,
14:34essas questões que são mais delicadas hoje em dia,
14:39como questões de gênero,
14:41que estão no dia a dia,
14:43procurar as orientações.
14:45Existem documentos do Magistério da Igreja
14:48que têm orientações muito claras
14:51sobre essas questões também,
14:52que estão surgindo por aí.
14:54Então, nós estamos oferecendo
14:56esse tipo de formações.
14:58Inclusive, fizemos dois encontros presenciais
15:01com um grupo grande
15:03de diretores,
15:05de reitores de universidades católicas,
15:08de diretores de escola,
15:09professores, etc.,
15:10para abordar esses assuntos.
15:12Chamamos alguns profissionais especialistas
15:15em alguma área.
15:16Então, nós estamos oferecendo
15:18essas formações.
15:19Hoje em dia, também, com a internet,
15:21a gente pode chegar mais longe.
15:22Sim.
15:23A gente não só atinge os professores
15:24daqui da cidade de São Paulo,
15:26mas a gente atinge do Estado
15:29até de fora de São Paulo.
15:31A nossa ideia é precisamente essa,
15:33é de fazer esse núcleo de formação continuada,
15:36porque os professores têm que estar
15:38sempre se aprimorando,
15:39como qualquer profissional,
15:41tem que estar se atualizando.
15:43O profissional não pode parar na vida,
15:45o professor não pode dar a mesma hora
15:46igual a 20 anos.
15:49Ele tem que...
15:50Aliás, hoje em dia,
15:50a internet está ajudando muito
15:52os professores a melhorarem,
15:53porque o professor, ele chega na aula
15:55e começa a falar uma coisa,
15:56o aluno vai lá no Google,
15:58e fala, professor,
15:58essa data que o senhor falou
15:59não corresponde.
16:01Então, o professor tem que estar
16:02muito preparado para poder
16:03atender a demanda dos alunos
16:08em sala de aula.
16:10E essa demanda cada vez maior
16:13por escolas católicas,
16:15por que pais estão redescobrindo
16:19a religião como uma coisa importante
16:20e querendo fazer com que seus filhos
16:22estudem escolas católicas?
16:24É isso mesmo.
16:25Esse é um fenômeno muito interessante
16:28e muito atual,
16:29especialmente no nosso país.
16:30eu penso que ele é natural também.
16:37É natural,
16:38e, aliás, é um direito.
16:39Isso está reconhecido até
16:41na Constituição Brasileira,
16:44fala que a educação é tarefa
16:46da família, da sociedade e do Estado.
16:50Da família também.
16:52A própria Santa Sé,
16:55no Conselho Vaticano II,
16:56a declaração sobre a educação
16:58chamada Gravíssimo Educaciones,
17:01que fez 60 anos agora,
17:03em outubro,
17:05também fala que os pais
17:06são os principais
17:08educadores dos filhos,
17:10eles têm direito
17:11de transmitir aos filhos
17:13a educação que eles desejam,
17:15segundo os seus próprios valores.
17:18Isso é um direito natural,
17:20isso é um direito de todos,
17:21não é só dos católicos.
17:22Os judeus fazem isso,
17:24os adventistas fazem as suas escolas,
17:27os presbiterianos,
17:28e assim por diante,
17:29os islâmicos.
17:30Então, a igreja,
17:32já há muitos séculos,
17:34tem grandes nomes,
17:35a educação,
17:36tem São João Bosco,
17:37tem João Batista La Salle,
17:39tem Marcelino Champagnat,
17:40que formaram escolas
17:43que são conhecidas e tradicionais,
17:45estão estendidas pelo mundo todo.
17:48Mas nós estamos notando,
17:50hoje em dia,
17:51isso que você acabou de mencionar,
17:53que pais de família
17:54querem formar escolas
17:56praticamente para os seus filhos.
18:00Então, isso tem acontecido,
18:02não ainda é um fenômeno de massa,
18:04mas é um fenômeno
18:05que a igreja tem visto
18:08com atenção
18:11para receber essas famílias
18:14e dar um apoio.
18:16Claro, porque esses pais
18:17precisam formar-se,
18:20não só pedagogicamente,
18:22mas espiritualmente,
18:24para transmitir os seus valores
18:26aos filhos.
18:27Então, a igreja também tem que ajudar
18:29nesse sentido de formar
18:31esses pais
18:33para que eles possam criar
18:35essas escolas.
18:35Tem surgido aqui em São Paulo,
18:37em muitos lugares do Brasil.
18:39Às vezes, são escolas de famílias
18:41que se reúnem,
18:44sem um vínculo maior
18:46do que ter a mesma fé,
18:47mas também existe
18:49esse fenômeno
18:50das novas comunidades,
18:52que é um fenômeno recente
18:53na igreja,
18:54especialmente do Brasil.
18:56Novas comunidades,
18:57são grupos de famílias
18:58que montam uma comunidade
19:00e que se reúnem
19:01e querem educar bem
19:02os seus filhos,
19:03em geral tem muitos filhos,
19:06e muitas dessas comunidades
19:07também estão promovendo
19:09escolas para os seus filhos,
19:12escolas com espírito cristão católico.
19:15Isso é um fenômeno feito.
19:16Eu vejo que essas comunidades
19:18vão se criando
19:19não é só para tomar conta
19:21da educação das crianças,
19:23mas para que tenha um convívio rico
19:26e dentro dos valores comuns.
19:29Isso.
19:29Isso mesmo.
19:30No fundo,
19:32se a gente for pensar
19:33o país,
19:38como é que surge uma nação?
19:40A nação surge
19:42a partir das famílias.
19:44A família célula
19:45é mãe da sociedade.
19:47Você começa
19:50um grupo de famílias
19:51que moram
19:52em determinado lugar,
19:54que começam a se unir,
19:57porque tem uma série
19:58de assuntos
19:59que tem que resolver.
20:01É interessante,
20:01a sociedade existe
20:03a partir da família.
20:05O Estado vem
20:06a servir também
20:06a sociedade
20:07e a família.
20:09A gente nunca pode perder
20:10de vista
20:10que a prioridade
20:11é a família.
20:12O Estado está
20:13a serviço da família,
20:14a serviço da sociedade,
20:16dos requisitos,
20:18das necessidades
20:19que as famílias têm.
20:21Então,
20:21esse fenômeno
20:22que tem acontecido
20:23é exatamente esse.
20:24As famílias querem se unir
20:26precisamente para
20:27preservar os seus filhos
20:29também de influências negativas.
20:31Porque os filhos,
20:32eu sempre digo isso,
20:33às vezes tem famílias
20:34de pais
20:35que ficam muito
20:36preocupados
20:38e ficam sem explicação
20:40por que às vezes
20:41eles deram uma educação
20:42muito boa
20:43para os seus filhos
20:43e de repente os filhos
20:44andam por caminhos
20:46completamente alheios
20:47ao que aprenderam em casa.
20:49Porque os filhos
20:50eles são filhos
20:51dos seus pais
20:52mas também são filhos
20:54da sociedade
20:55e do mundo.
20:56Eles andam
20:57pelo ambiente.
20:59Então,
20:59esse ambiente
21:00que se ele
21:01não é positivo
21:02ele pode influenciar
21:03negativamente
21:04os filhos.
21:06Agora,
21:06se eles
21:07têm
21:08uma
21:09formação
21:10muito sólida
21:12eles vão saber
21:13reagir bem
21:13eu sempre penso assim
21:15às vezes
21:15os filhos
21:17não sabem
21:18explicar por que
21:19mas eles falam
21:21meu pai não gostaria
21:21de que eu fizesse
21:22isso aqui
21:23minha mãe não acharia
21:24bom
21:25fazer
21:25o que meu colega
21:26está me convidando
21:27para fazer
21:28eles têm
21:29aquela sensação
21:31de que
21:31alguma coisa
21:32aqui não está
21:33de acordo
21:33com o que
21:33nós aprendemos
21:34em casa.
21:35Então,
21:36essa é a formação
21:36que os pais
21:37têm que dar.
21:37a ver.

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