00:00O líder do governo, o deputado José Guimarães, nega qualquer crise com a Câmara
00:05e reforça que a proposta do pacote de aumento de impostos do Ministério da Fazenda
00:10é importante para impedir a possibilidade de pedaladas fiscais.
00:15As informações, Brasília, Luciana Verdolim.
00:18O governo tenta vencer as resistências e convencer os partidos aliados
00:23de que o pacote de aumento de impostos do Ministério da Fazenda
00:27é importante nesse momento até para evitar problemas jurídicos
00:31como a possibilidade de pedaladas fiscais.
00:35A ministra das Relações Institucionais, Glaise Hoffmann, tem acompanhado com atenção
00:39as negociações lá no Congresso e tem ouvido reclamações e principalmente insatisfações de todos os lados.
00:48O alerta do presidente da Câmara, o deputado Hugo Mota,
00:51de que a Casa não estava recebendo bem a proposta e a votação da audiência do projeto
00:56marcada para a próxima segunda-feira, acenderam o sinal de alerta.
01:02A ordem é conversar, liberar emendas e tentar entender se existem ainda outras demandas.
01:11O líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães, nega crise.
01:15Defende que se a proposta da Fazenda não for aprovada,
01:19os cortes no orçamento terão que ser muito maiores em todas as áreas.
01:25Aqui vocês sabem o seguinte, todo dia com sua agonia.
01:29Tem uma base que ela não é do tamanho daquilo que esses partidos que têm ministério representam
01:37e a cada dia a gente vai consolidando, porque essa é a essência do parlamento.
01:41Nós não temos preocupação.
01:44A ministra Gleice está conduzindo isso e eu acho que vai avançar nas negociações.
01:49A divergência, por exemplo, sobre o que aconteceu de domingo para cá, evidentemente que faz parte do jogo.
01:57Eu estou trabalhando para que daqui até segunda noite a gente atinja um novo patamar de diálogo
02:03e a gente assente as bases da tramitação da principal matéria, que é a tramitação e aprovação da medida provisória.
02:09Guimarães lembra ainda que essa é a segunda proposta do Ministério da Fazenda apresentada ao Congresso Nacional.
02:17Admite que nem ele conhecia todos os detalhes, mas garante que se o problema é esse, é de fácil solução.
02:25O líder alerta, inclusive, que se essa proposta alternativa for derrubada,
02:30a ordem natural das coisas é a primeira MP do IOF voltar a valer.
02:36De Brasília, Luciana Verdolim.
02:41Ô Dora, quando um político nega qualquer tipo de crise, a gente deve acreditar ou não, Dora Kramer?
02:48Depende das circunstâncias, né?
02:50Você vê que, nesse caso, é dever de ofício do líder negar qualquer crise.
02:56Embora, ontem, o presidente Lula não tenha usado a palavra crise, mas falou num palanque que o clima estava muito ruim.
03:06Reclamou dos políticos que falam bobagem.
03:09Foi essa expressão que ele usou.
03:11Então, é claro que não caberia ao líder José Guimarães chegar e dizer, não, está tudo péssimo, está uma crise,
03:19até porque a tentativa dele, não sei se ele vai conseguir, é daqui até...
03:25É tentar, talvez até nem impedir a votação da urgência daquele projeto que pode derrubar o tal do decreto do IOF.
03:35A preocupação mesmo é com o mérito e, principalmente, como ele disse, a negociação da medida provisória.
03:44O decreto, eu tenho a impressão, que votado a urgência, feito o gesto político, o mérito vai ser realmente motivo de negociação.
03:55Acho que o Hugo Mota deu para a oposição essa... abriu essa janela, essa oportunidade de fazer a votação.
04:05Dá urgência e aí deixa para ver como é que administra a questão do mérito depois.
04:11É, o Vilela, o que o líder falou é para o governo não incorrer nas pedaladas fiscais,
04:16que é o que acabou prejudicando a ex-presidente Dilma Rousseff.
04:20Agora, será que existe essa preocupação? De que forma isso realmente atormenta o governo?
04:27Pois é, Tiago, isso me parece desculpa, né?
04:29Eu não vejo essa preocupação especialmente com relação a esse ponto.
04:33Eu vejo muito mais o governo querendo defender o desenho que fez realmente no sentido de promover um aumento de gastos
04:41sem realizar aquilo que seria o mais razoável, que é um corte de despesas,
04:47que é algo que nesses dois anos e meio de gestão fica evidenciado que o governo não suporta a possibilidade de corte de gastos.
04:55Então, nesse sentido, o governo tenta manter o desenho que foi feito com argumentos, argumentos como esse,
05:02mas talvez o mais razoável, o mais racional seria não ficar batendo na mesma tecla
05:09no sentido de fazer com que os seus pontos sejam eventualmente aprovados.
05:15Mas eu vejo que seria mais razoável discutir, debater, não com a oposição,
05:20mas nós estamos falando de um centro político, de grupos parlamentares
05:25que poderiam dialogar claramente com o governo, que inclusive muitos deles têm ministério
05:30na esplanada dos ministérios, mas que acabam não sendo ouvidos em temas importantes como esse
05:36e, num contexto como esse, faz com que acabem não aprovando o projeto dos sonhos do governo
05:43para fazer com que a sua arrecadação seja ampliada nesse momento.
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