00:00Bom, e mais destaques internacionais, o presidente eleito do Chile, José Antônio Castro, visitou
00:05Javier Milley, da Argentina, nesta terça-feira, em Buenos Aires.
00:08Nosso editor internacional, Fabrizio Naysk, com todos os detalhes, como é que foi a agenda
00:13do futuro líder chileno.
00:15Os dois conversaram, falaram o quê?
00:17Boa noite, bem-vindo.
00:18Boa noite, Thiago.
00:19Boa noite a todos que acompanham o jornal Jovem Pan.
00:22José Antônio Castro cumpriu a sua primeira agenda internacional desde ter sido eleito
00:27no domingo, foi ao encontro de Javier Milley, com quem ele tem algumas semelhanças ideológicas,
00:34não necessariamente de posturas.
00:36José Antônio Castro é um líder político com muito mais experiência que Javier Milley,
00:41antes de chegar ao poder lá na Argentina.
00:45E eles se reuniram para tratar do que eles chamam de agenda comum, definir prioridades
00:51para a partir do ano que vem, março do ano que vem, José Antônio Castro vai tomar posse
00:56no Chile, Milley confirmou a presença na posse de Castro e eles devem tratar, trataram,
01:02melhor dizendo, nessa reunião de hoje, segundo a Caça Roçada, de prioridades.
01:08O que são as prioridades dos dois?
01:10Principalmente o combate ao crime transnacional, a questão de fronteira, mas também questão
01:16de comércio.
01:16O Castro aproveitou para se reunir com empresários lá na Argentina e também com o embaixador
01:25chileno em Buenos Aires.
01:27Chile e Argentina, historicamente, têm grandes rivalidades.
01:32Se você voltar no tempo, na época, por exemplo, da Guerra das Malvinas, o governo argentino
01:37tem, ou pelo menos tinha, um rancor muito grande dos chilenos que, de maneira indireta,
01:43apoiaram o Reino Unido no conflito das Malvinas com o posicionamento de tropas próximo à zona
01:49de fronteira com a Argentina, fazendo com que os argentinos não pudessem se concentrar
01:54totalmente na operação ali no Atlântico Sul, precisassem se preocupar também com a sua
02:00fronteira interna.
02:01É uma situação que parece estar contornada, pelo menos nesse momento, como a gente ouviu
02:06aqui na entrevista, a própria Denise falou agora há pouco, da imagem que foi compartilhada
02:11por Javier Milley, sugerindo que os países aqui da América do Sul governados pela esquerda
02:16são uma favela, isso inclui o Brasil, e que os países governados pela direita, e a partir
02:22do ano que vem essa lista vai incluir o Chile, são um paraíso, são países muito avançados.
02:29E aí, sobre esse assunto, a gente separou aqui um mapa para entender como que estavam
02:33os governos na América do Sul há alguns anos e como vai estar a partir do ano que vem.
02:39Então vamos dar uma olhadinha aqui em 2022.
02:41Em 2022, o Brasil era governado pela direita, o Uruguai também, Paraguai, Peru e Equador.
02:49Onde a esquerda governava?
02:51O Chile, a Argentina, a Bolívia, a Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname.
02:56A gente tira dessa conta aqui a Guiana Francesa por ser, de fato, um território francês.
03:02E agora, em 2026, a gente vai ter uma mudança.
03:05O Brasil vai passar por eleições, o Peru também, a Colômbia também, mas o cenário
03:11no começo de 2026, já com as presidências confirmadas, a Bolívia vai ter posse também
03:16em 2026, é esse.
03:18Bolívia, Paraguai, Argentina, Chile, Peru e Equador governados pela direita, Uruguai
03:26governado pela esquerda, Brasil, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname também.
03:31Isso indica que a direita está com uma onda azul aqui no continente sul-americano?
03:38Não é bem assim.
03:39Aí a gente precisa olhar caso a caso.
03:42Por exemplo, quando a gente fala do Chile, onde Castro foi eleito no último fim de semana,
03:46é muito interessante a gente analisar um fator.
03:49Primeiro, você não tem reeleição no Chile.
03:52E já há algum tempo, há uma alternância ideológica muito grande.
03:57Então você tinha, no começo do século, Michele Bachelet, uma presidente de esquerda no Chile.
04:03Ela foi substituída por Sebastián Pinheira, um presidente de direita, que foi substituído
04:09por Michele Bachelet, que também foi substituída de novo por Sebastián Pinheira.
04:13E aí ele foi substituído por Gabriel Boric, que agora vai dar lugar a José Antônio Castro.
04:19Ou seja, há pelo menos seis eleições onde você tem trocas ideológicas no Chile.
04:25De esquerda para a direita, de direita para a esquerda e assim sucessivamente.
04:29Quando a gente fala de Uruguai, que trocou recentemente para a esquerda,
04:34o Uruguai é um país onde você tem uma aproximação ideológica muito grande.
04:38Direita e esquerda se respeitam muito no Uruguai.
04:41É uma característica da democracia uruguaia onde não há tanta divisão assim.
04:46Na Bolívia, esse ano, nós tivemos uma vitória surpreendente da direita.
04:51Depois de muitos anos de Evo Morales ou de Lúcio Arce, que era o sucessor de Evo Morales no governo.
04:58Qual que é a questão aqui?
04:59O candidato, o presidente boliviano, Lúcio Arce, não concorreu à reeleição.
05:04Até porque ele rompeu com o Evo Morales, que também foi impedido de disputar as eleições.
05:09Evo instruiu aos seus eleitores o seguinte.
05:11Anulem os votos.
05:13E, de fato, a Bolívia teve no primeiro turno quase 20% de votos nulos.
05:18Isso seria praticamente o suficiente para colocar um candidato no segundo turno.
05:23Então, a esquerda não morreu muito assim na Bolívia, podemos dizer dessa forma.
05:29Houve uma questão ali circunstancial dessas eleições.
05:32O Peru tem hoje um governo de direita.
05:35Mas é importante a gente lembrar que as últimas eleições peruanas, em 2021, quem venceu foi a esquerda.
05:41Pedro Castillo foi o presidente eleito.
05:43deu um alto golpe no final de 2022, foi substituído pela sua vice, Dina Boloarte, que é de direita.
05:51Pode não parecer fazer muito sentido, mas a política peruana é muito complicada da gente entender mesmo.
05:56Muitos ex-presidentes presos, empichados e por aí vai.
06:00Ano que vem a gente vai ter eleição na Colômbia.
06:02A Colômbia, muito possivelmente, vai trocar sim para a direita.
06:05A exceção na Colômbia, na verdade, é a esquerda e não o contrário.
06:09Então o cenário hoje está muito dividido, mas é muito difícil a gente afirmar que um espectro ideológico ou outro
06:18tem um controle ou tem aqui uma esperança de controlar toda a região,
06:22porque os ventos sopram de maneiras diferentes em cada país.
06:28No comecinho do século a gente teve a chamada onda rosa.
06:31Muitos governos de esquerda, muitos governos progressistas aqui na América do Sul.
06:35Agora o cenário é um pouco mais diferente.
06:38A gente pode argumentar que os governos estão ficando cada vez mais extremos.
06:41Tanto de extrema esquerda quanto de extrema direita.
06:43Mas aí já é uma outra história.
06:45O que a gente deve ver é um mapa bem dividido para 2026, Thiago.
06:49Perfeito. Fabrício Nays trazendo esse panorama importante, interessante,
06:53sobre a configuração política da América Latina, principalmente, na América do Sul.
06:59E você volta amanhã com mais informações.
07:01Bom descanso para você.
07:02Até amanhã.
07:03Até amanhã.
07:03Bom, no próximo bloco a gente fala de política.
07:07O presidente Lula e o deputado Hugo Mota...
07:10E aí
07:15E aí
07:17E aí
07:18E aí
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