José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile com mais de 58% dos votos, consolidando uma guinada política para a direita no país. Após a vitória, ele afirmou que será presidente de todos os chilenos e fez um pedido de ajuda à oposição para combater o crime organizado. Reportagem: Eliseu Caetano.
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NotíciasTranscrição
00:00Eu quero falar também da guinada política no Chile, José Antônio Caste venceu as eleições presidenciais
00:05e a vitória marca uma guinada à direita, alinha o país com os Estados Unidos,
00:09bastante parecido com a decisão que aconteceu também na Argentina.
00:13Vamos então falar com o nosso Eliseu Caetano, que vai trazer um pouquinho mais de detalhes
00:17sobre esses movimentos que têm acontecido aqui na América do Sul, na América Latina,
00:22em relação a esse pêndulo político, né, seu Eliseu, bem-vindo.
00:25Salve, salve, Evandro Cine! Muito boa tarde para você, para os nossos colegas debatedores aí no estúdio
00:32e para todo mundo que acompanha o 3 em 1 aqui na programação da Jovem Pan.
00:35Falamos ao vivo direto dos Estados Unidos, de onde a nossa equipe segue acompanhando aí os desdobramentos
00:40e as repercussões dessa eleição que foi para o segundo turno lá no Chile.
00:43Mas deu José Antônio Caste, ele é o presidente eleito do Chile, com 58% dos votos apurados,
00:49derrotando a candidata, sua principal oponente de esquerda, Giannette Jara,
00:54que obteve cerca de 42% dos votos.
00:57Como você disse, Cine, essa vitória marca a guinada política mais à direita no país
01:02desde a ditadura militar lá na década de 1990 e, obviamente, marca agora um reposicionamento do Chile
01:11no cenário político sul-americano.
01:13Caste é fundador do Partido Republicano, uma figura polarizadora,
01:17e ele centrou a campanha dele em temas como segurança pública, controle migratório e combate à criminalidade.
01:23Num discurso muito parecido com o de Donald Trump aqui nos Estados Unidos.
01:28Assuntos esses que, obviamente, lá, assim como aqui, também dominaram o debate eleitoral
01:33diante de uma crescente preocupação da população com a violência urbana e com a imigração irregular.
01:40No primeiro discurso dele, após o resultado das eleições, após a conquista do Palácio de La Moneda,
01:46o presidente eleito tentou transmitir uma mensagem de unidade e também de moderação política.
01:53Ele afirmou que não haverá resultados imediatos, que seu governo vai exigir perseverança
01:59e também trabalho conjunto com todas as forças políticas do país.
02:03Ele prometeu ainda reforçar e focar as políticas de segurança, a reforma do judicial
02:09e até a reativação econômica, num movimento muito parecido com o que Javier Milley fez na Argentina.
02:16Além de ter destacado também em seu discurso aí a importância da colaboração com o Congresso do país
02:21para, obviamente, conseguir implementar a sua agenda.
02:25Apesar das suas posições conservadoras e do histórico de acusações,
02:29quem aí não se lembra, Castro votou lá atrás para a manutenção de Pinochet no poder do Chile.
02:36Isso foi muito utilizado pela esquerda do país.
02:39Mesmo com essa ligação tão forte e tão presente ainda na memória dos chilenos,
02:45ele procurou suavizar aí o tom ao afirmar que vai ser o presidente de todos os chilenos
02:51e ainda abrir o espaço aí para diálogo com forças políticas tradicionais.
02:56E como não poderia deixar de ser, diversas autoridades, sim, no mundo inteiro já se posicionaram
03:01e estão utilizando principalmente as redes sociais pessoais e também de seus governos
03:06para se posicionar a respeito da vitória de Castro lá no Chile,
03:09como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva,
03:12que comentou publicamente a eleição de José Antônio Castro.
03:15Ele expressou aí o posicionamento institucional voltado à diplomacia entre os dois países,
03:21felicitou o Caste pela vitória e ressaltou a importância de um processo eleitoral democrático
03:26transparente e ordenado no Chile.
03:29Nessa mensagem publicada nas redes sociais, o presidente brasileiro destacou que o Brasil
03:34seguirá trabalhando com o novo governo chileno para fortalecer as relações bilaterais,
03:39os laços econômicos e comerciais, bem como a integração regional na América do Sul.
03:44Lula ainda sublinhou o desejo de pleno êxito ao presidente eleito no desempenho das suas novas funções
03:51e reafirmou o compromisso brasileiro com a manutenção da região como uma, abre aspas, zona de paz, fecha aspas.
03:59A manifestação de Lula veio a reboque também de outras manifestações, como Javier Milley, lá na Argentina,
04:06foi um dos primeiros líderes mundiais a reagir à vitória de Castro.
04:09A Javier Milley publicou nas redes sociais dele mensagens de felicitação e, chamando o Caste de amigo,
04:17saudou o resultado como um avanço em defesa das ideias de liberdade, dos ideais de liberdade no Bloco Sul.
04:25Ele também seguiu aquilo mais ou menos que disse Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano,
04:32o equivalente ao chanceler máximo dos Estados Unidos.
04:35Marco Rubio também enviou felicitações ao presidente eleito do Chile e destacou que os Estados Unidos esperam colaborar com a sua administração.
04:43Aliás, nota essa seguida por uma nota oficial do governo dos Estados Unidos,
04:48que por meio do Departamento de Estado divulgou também mensagem em sine de congratulação a José Antônio Castro pela eleição dele
04:55e expressou, na nota, confiança numa cooperação bilateral futura entre os dois países.
05:02O Chile redirecionando parte do Bloco Sul novamente para a direita e, obviamente, os líderes mundiais felicitando José Antônio Castro nesse momento.
05:14Eu volto com você no estúdio.
05:15Muito obrigado, viu, seu Eliseu Caetano. Um abraço para você.
05:18Ô, Piperno, você se surpreendeu com essa decisão dos chilenos?
05:20Não.
05:21Por que não?
05:22As pesquisas apontavam para isso.
05:24Há muito tempo, o presidente Moritz, jovem presidente, inexperiente presidente,
05:29não era das figuras mais populares do país,
05:33a esquerda chilena errou ao lançar uma candidata ainda afiliada ao Partido Comunista.
05:40Isso foi muito mal digerido por parte da sociedade chilena.
05:45É importante a gente lembrar que, no Chile, nas últimas seis eleições, em todas ocorreu alternância de poder.
05:52Primeiro, a concertação ganhou quatro.
05:55O Bachelet foi a quarta presidente.
05:57Aí, ela é uma mulher de esquerda,
06:00veio o presidente Pierre de direita, o Bachelet de esquerda volta,
06:04retorna o Pierre de direita,
06:05veio o Boric de esquerda,
06:07e agora o Cássio, o mais direitista da história, dessa história democrática.
06:12Chamado por alguns de ultraconservador, né?
06:14Sim, ele tem um irmão, que foi ministro, que foi general na época do Pinochet.
06:20O pai dele era um defensor do nazismo
06:23e ele, obviamente, está tentando moderar as suas posições.
06:27Deu para perceber, inclusive, no discurso após a vitória, né?
06:30Porque, ao longo da campanha, ele trouxe manifestações mais contundentes
06:34em torno de problema de imigração, contra a criminalidade, etc.
06:38E também, numa crítica mais dura, a oposição chilena.
06:41A oposição a ele, nesse caso, tá?
06:43Mas, depois que ele venceu, ele já usou um discurso um pouco mais moderado,
06:47de união de forças, para conduzir o país a um novo momento.
06:51Piperno, desculpa te interromper.
06:53Agora, imagina.
06:53Agora, o Chile é diferente.
06:55Hoje, por exemplo, onde é que o Caste estava?
06:58Tomando um café com o presidente Boric.
07:00Tem fotos aqui, inclusive, no Twitter do presidente Boric, né?
07:05Enfim, recebendo o novo eleito.
07:07É assim que tem que ser.
07:09País civilizado, governante civilizado,
07:12haja assim, mesmo quando perde.
07:14Como é que você avalia, hein, Alangani,
07:16essa guinada que se dá agora?
07:18Embora seja uma tradição, como menciona o Piperno, né?
07:21Você tem, de fato, esse pêndulo ali no Chile em relação à direita e à esquerda.
07:26Mas como você avalia a escolha dos chilenos nesse momento,
07:29em que outros países, não só aqui da América Latina e da América do Sul,
07:33mas também na Europa,
07:35resolveram olhar para líderes conservadores ou ultraconservadores, enfim,
07:41como uma solução para os problemas dessas regiões?
07:45Olha só, Evandro, eu vejo que a direita,
07:48ela tem transmitido melhor uma solução de mundo real para a população.
07:54Então, ela traz à mesa problemas reais.
07:56Olha, tem um alto desemprego no Chile.
07:58A taxa de desemprego no Chile é próxima de 8,5%.
08:02Dificuldade de crescimento econômico.
08:04São problemas que afetam a população.
08:07Não só isso, segurança pública também.
08:09Então, em vez de você ali ficar naquele discurso mais ideológico,
08:14você fala o seguinte, olha, eu identifico alguns problemas,
08:18problema de migração, problema na área econômica e problema de segurança pública.
08:22São problemas reais.
08:23Então, a população se sente identificada.
08:26Fala, pô, peraí, esse cara está falando a minha língua.
08:29Então, esse fenômeno, ele não é desconectado, né?
08:32Como bem você colocou, de outras figuras, de outros presidentes,
08:36daqui na América Latina, que a gente vê, novamente, o pêndulo voltando para a direita,
08:41porque a esquerda não tem oferecido as respostas necessárias
08:46para os problemas reais da população, segurança pública e área econômica.
08:50Agora, Piperno, rapidamente, antes de ouvir o Zé Maria Trindade e o Bruno Moussa,
08:53você entende que esse movimento no Chile,
08:55parecido com o movimento que aconteceu na Argentina,
08:57que também tem um alinhamento maior aos Estados Unidos,
09:00pode influenciar as eleições de 2026 aqui no Brasil?
09:03Eu diria para você que, nas eleições desse ano, lá no Canadá,
09:06o partido mais à esquerda ganhou,
09:08e nas eleições recentes, nos Estados Unidos,
09:12para governos de Estado, prefeitura de Nova York,
09:15os democratas alcançaram uma grande vitória.
09:18Eu quero dizer para você o seguinte,
09:20as oposições, à exceção do Canadá,
09:23as oposições, elas têm vencido, sim, em muitos países.
09:27Agora, isso também não é algo que aconteça automaticamente.
09:31E você, Bruno Moussa, como avalia?
09:34Bom, vamos lá.
09:35Tem alguns pontos importantes aqui.
09:37Quando a gente fala sobre imigração,
09:39do discurso do Caste,
09:40é um discurso que está alinhado aos movimentos de hoje em dia.
09:43Veja, enquanto vocês estavam comentando aí,
09:45acabou de sair uma notícia que o Macron, por exemplo,
09:48anulou agora, cancelou os eventos na Champs-Élysées,
09:51no final do Réveillon, dia 31,
09:54porque disse que não consegue mais controlar
09:56um eventual ataque terrorista,
09:58e depois dá mais um triste evento que aconteceu
10:02na antissemita lá na Austrália.
10:05E aí a gente está vendo, por exemplo,
10:06o Kerry Starmer, que eu fiz um vídeo dedicado a isso,
10:09porque eu estou com os números na ponta da língua,
10:11na Inglaterra também, que é um cara de esquerda,
10:14se voltando agora para um discurso anti-imigração,
10:16uma vez que o partido de oposição
10:20vem ganhando e muito disparado nas pesquisas
10:24com o discurso anti-imigração.
10:26Isso está tomando corpo, o pêndulo começa a voltar,
10:28e a gente vê aqui na América Latina da mesma forma.
10:31O Chile vem recebendo bastantes venezuelanos, por exemplo,
10:35a criminalidade dobrou nos últimos 10 anos no Chile,
10:39e aí, obviamente, as pessoas estão cansadas disso.
10:42Aqui no Brasil, um pouco do mesmo.
10:44Agora, um dado que talvez os números, na minha opinião,
10:47são mais difíceis de serem refutados.
10:49Quando nós analisamos, por exemplo, desde 2014 até hoje no Chile,
10:55então a gente pega o período que, como o Peperno muito bem colocou,
10:58tiveram os governos mais esquerda, de Bachelet,
11:00e depois mais esquerda do Boric,
11:03a gente vê que a renda per capita no Chile,
11:07acompanhada pela inflação, descontada a inflação, melhor dizendo,
11:11ela cresceu em uma média de 0,9% ao ano,
11:14ou seja, é praticamente estagnada.
11:16Quando nós pegamos do ano 2000 até ali, mais ou menos 2014, 2015,
11:22o crescimento foi por volta de 4,4% ao ano, descontado a inflação,
11:28que foi um período que o Chile teve mais liberdade,
11:30mais flexibilidade na contratação, enfim.
11:33Então, me parece que, pelo menos pelo discurso que ele vem fazendo o CAST,
11:38uma vez que ele vai ter o apoio no parlamento,
11:40ele consegue implementar as mudanças que ele vem falando,
11:43que significam menos Estado, mais abertura comercial,
11:46mais abertura e flexibilidade do mercado de trabalho,
11:49e, consequentemente, diminuição dos impostos,
11:51com combate mais duro, linha dura, contra a imigração,
11:55e também contra a violência.
11:57O que foi, Peperno?
11:57Não, só uma coisa, Musa.
11:59Então, vamos lá.
12:00Nesse recorte aí de 11 anos, de 14 pra cá,
12:05em que a renda ficou praticamente estagnada,
12:07então, teve um governo conservador no meio,
12:11não foi uma sequência ininterrupta de governos de esquerda.
12:15E lá pra trás, atrás disso aí, de 2013 pra trás,
12:22até o fim da ditadura Pinochet,
12:25foram seis governos,
12:28sendo cinco da consertação, mais um da Bachelet,
12:33e só um conservador.
12:35Então, no período da consertação de governo mais esquerda,
12:39o Chile prosperou muito.
12:41Nesses 11 anos em que foi dividido,
12:45houve estagnação.
12:46Fala, Musa.
12:48Ele não foi muito dividido, né?
12:49Você teve um governo que não foi à esquerda nesse período,
12:52e, de novo, aqui,
12:53eu não tô querendo fazer nenhum tipo de uso de valor com A ou com B.
12:56Tô tentando pegar um recorte até maior, Peperno,
12:58porque eu acho que a economia se lê no longo prazo,
13:01não se lê no curto prazo.
13:02Tanto é que você pega os principais governos de regimes militares na região,
13:06os países cresceram muito.
13:07E eu não acho que esse seja um crescimento verdadeiro,
13:10que é o Estado centralizando, o Estado impulsionando a economia.
13:13No primeiro momento, sim, parece que tudo tá fluindo
13:16e, realmente, a coisa anda.
13:18Mas, no médio e no longo prazo, as consequências são muito piores.
13:21E essa mudança que a gente tá vendo do pêndulo agora,
13:23já são, na América Latina, seis países de esquerda
13:26e seis países de direita.
13:27E é bem provável que, nas eleições de março,
13:29o Petros perca as eleições na Colômbia.
13:32E esse jogo pode alterar.
13:34Então, eu tô tentando fazer uma leitura até de mais longo prazo mesmo.
13:37Zé, eu já passo pro C, só o Gani quer acrescentar aqui.
13:40Diga.
13:40A ditadura do Pinochet, ela foi diferente em relação à economia
13:44em relação às demais ditaduras aqui da América Latina
13:49na questão econômica, Evandro.
13:52Por quê?
13:53Porque, nas outras ditaduras, havia um grande protagonismo do Estado.
13:57Então, isso que o Musa falou é verdade.
13:58Então, era um crescimento meio anabolizado, artificial,
14:01mas que deixou muito problema lá na frente,
14:03problema de dívida, problema de inflação,
14:05desse protagonismo do Estado também,
14:07essa ideia, né, desenvolvimentista.
14:09A ditadura do Pinochet, pelo menos na área econômica,
14:13e aí foi muito curioso,
14:15foi uma ditadura que permitiu liberdades econômicas.
14:18Então, fez uma série de reformas liberais.
14:20E essas reformas liberais, elas acabaram tendo impacto
14:23à frente por décadas,
14:25porque são reformas muito importantes.
14:27Reforma trabalhista, enxugamento de gastos do Estado,
14:30modernização do Estado, redução de impostos.
14:33Então, provavelmente, Piperno,
14:35esses governos também mais à esquerda,
14:38tiveram mérito, lógico,
14:39de manterem todas essas reformas,
14:43mas foram, lógico,
14:45que foram ajudados por essas reformas
14:48feitas lá atrás, durante a ditadura do Pinochet.
14:50Quer acrescentar algo, Piperno,
14:52em relação a esse comentário aqui do Gani?
14:53E aí eu já passo pra vocês essa,
14:54vou receber o pessoal da rádio.
14:56Fala, Piperno.
14:57Então, só uma coisa, pra gente não nos perder em relação a isso.
15:02O Pinochet sai em 89.
15:06Nos 16 anos seguintes,
15:08foram governos de centro e de centro-esquerda.
15:11Todos eles eleitos pela consertação.
15:13Aí teve um do Pinheira,
15:15depois teve mais um outro da Bachelet.
15:18Então, num período de 24 anos,
15:22nós tivemos 20 de governo mais à esquerda.
15:27Foi um período de inegável prosperidade.
15:29É isso que eu tô falando.
15:30Agora, e...
15:31Erdou todas essas bases ali do Pinochet.
15:34Muitas dessas reformas...
15:35Mais ou menos Fernando Henrique pra frente.
15:36Muitas dessas reformas,
15:38elas já foram, inclusive, refeitas.
15:41Ó, eu quero só receber aqui o pessoal da rádio.
15:43Vocês que nos acompanham, nos ouvem.
15:44Muito obrigado por estar conosco nessa segunda-feira.
15:47É um prazer ter vocês aqui pra gente debater,
15:49trazer opinião crítica.
15:50Eu sou o Evandro Cine.
15:51E seguimos juntos pela próxima Uma Hora.
15:53A gente tá falando sobre a eleição
15:55do conservador Caste, no Chile.
15:58Mudando agora completamente
16:00e dando uma guinada mais à direita também naquele país.
16:03Zé Maria Trindade,
16:04qual que é a sua avaliação
16:05sobre essa escolha do eleitor chileno?
16:08Pois é.
16:09E a história do Chile,
16:10a relação com a ditadura do Pinochet,
16:13deixou um legado importante.
16:15Uma constituição liberal muito aberta,
16:17inclusive, é sobre a Previdência, né?
16:20Uma Previdência que é contributiva
16:23e aberta e foi rediscutida depois.
16:28Mas tudo isso aí é um legado de uma economia aberta
16:31e definida por um ditador.
16:32É o que o Gani fala da diferença, né?
16:35E são novos ventos.
16:37O Brasil está meio ali que isolado.
16:41Ainda com o governo de esquerda,
16:42um governo progressista.
16:44Porque esse novo caminho está percorrendo,
16:48veio da Europa,
16:50Estados Unidos,
16:52e chegou aqui,
16:53está chegando aqui.
16:55É um momento em que até os defensores
16:58de regimes de esquerda estão repensando.
17:01E aí?
17:01O que fazer?
17:02Eu acho que chegou mesmo o momento
17:04de repensar defesas antigas,
17:07defesas que não dão certo para a economia
17:09e acabam danificando a vida do país e o futuro.
17:13A grande preocupação do Chile
17:15foi sobre migração, né?
17:17E isso inclui Venezuela e violência,
17:20porque lá eles estão atribuindo uma coisa à outra, né?
17:25E você quer saber aqui no Brasil o que acontece?
17:28Vai lá na divisa,
17:30vai lá em Pacaraima,
17:31vê a violência,
17:32vê como estão os presídios lá em Pacaraima,
17:36vê como estão as casas de saúde,
17:40as escolas públicas tomadas por venezuelanos e tal,
17:44e a violência, praças públicas ocupadas,
17:49incomodando muito e tal.
17:51O Brasil é muito grande,
17:52a gente não sabe o que eles estão passando.
17:54Eu recebo relatos aqui.
17:55Então, o Chile viveu isso de perto.
17:58Então, o discurso de segurança pública,
18:03o discurso anti-migração,
18:05ele vem mesmo mais da direita.
18:07As economias têm que se proteger.
18:09E é o novo vento que passa pelo mundo inteiro.
18:13Eu acho que nós estamos agora
18:15num limiar de mudanças,
18:17mudanças de relações internacionais,
18:20e a grande novidade é,
18:21de novo, as barreiras fechadas.
18:24A gente pensou que o mundo ia globalizar produtos
18:27e globalizar as pessoas.
18:30E agora está tendo um retrocesso muito grande.
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