00:00Agora eu quero desembarcar novamente aqui no nosso quintal para trazer uma atualização sobre a votação que acontece na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
00:09depois de uma decisão da Comissão de Constituição e Justiça desta Assembleia definir pela soltura de Rodrigo Bacelar,
00:17presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que foi alvo de uma operação na semana passada por tentativa ou por vazamento de informações,
00:26tentativa de obstrução de justiça, ao ter acesso a informações privilegiadas e tentar, segundo investigações da Polícia Federal,
00:34utilizar essas informações para impedir uma outra operação que mirou o deputado parlamentar TH Joias.
00:42E agora eu atualizo para vocês que o plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro definiu também acatar a decisão que foi apontada
00:50no relatório da Comissão de Constituição e Justiça pela soltura ali de Bacelar.
00:56Então, a decisão depois da manifestação de vários parlamentares é maioria para soltar Rodrigo Bacelar.
01:05Votaram 65 deputados, foram 42 votos positivos, 21 votos para que não houvesse a soltura e duas abstenções.
01:16Ou seja, se confirmando, então, a partir da apuração que foi trazida aqui por nós, pelo nosso Rodrigo Viga no Rio de Janeiro,
01:26ao conversar com muitos parlamentares e ao entender o clima no plenário, de que haveria uma decisão de acolher aquilo que foi definido também na CCJ da LERJ.
01:38Te impressiona, Piperno? Dei um pouco.
01:41Claro que não. Rio de Janeiro, Castelo de Cartas, veja. Foi uma proporção de 2 para 1. 42 a 21.
01:48É, bastante, né?
01:49Outra coisa, nos últimos tempos, a maior, de uns 20, 20 e poucos anos para cá, a maior parte dos presidentes da LERJ já em algum momento foi para a cadeia.
02:02Aliás, Jorge Pisciani, por exemplo. Sérgio Cabral chegou a ser presidente da LERJ.
02:07Muitos governadores, ex-governadores do Rio, os garotinhos, Pesão, Sérgio Cabral, fora o Witzel, que acabou sofrendo impeachment.
02:17Então, em relação ao Rio de Janeiro, aliás, deputado que condecorou com a medalha Tiradentes, o miliciano Adriano da Nóbrega.
02:27Isso também teve lá no Rio de Janeiro. Podem pesquisar quem foi.
02:30Então, não surpreende a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro adotar essa sinalização.
02:36Fala, Zé Maria Trindade.
02:39É um movimento, assim, de auto-mutilação, eu diria, né?
02:45É muito claro, é muito claro de que é um movimento que demonstra que não está nem aí para o que pensa a opinião pública,
02:55para o que quer o Rio de Janeiro e uma demonstração clara do que os nossos políticos entendem o mandato.
03:03Um mandato ou um cargo público, ele não é parte integrante do patrimônio do deputado, não é direito individual,
03:11é uma condição e deveria ser respeitado como, é um termo bem usado, coisa jurídica, né?
03:19Ou seja, um processo público e que não é do próprio deputado.
03:25Quando a Assembleia toma uma decisão assim, desmoraliza todos os políticos e, evidentemente, pega mais pesado contra a Assembleia.
03:35E é isso, é exatamente isso que faz o fortalecimento de outros poderes, como o do Judiciário, por exemplo,
03:42de encontrar uma maneira para anular a medida desta tão, eu diria, ignorante,
03:49porque não está entendendo que o processo político morreu e, apesar desses móveis antigos
03:54e da tradição da Assembleia do Rio de Janeiro, a gente vê claramente de que é uma decisão equivocada.
04:02O deputado está sendo, no mínimo, no mínimo, investigado.
04:07E isso não combina com o exercício parlamentar ou exercício de atividade pública.
04:13Quando alguém é investigado, ele tem que se afastar.
04:17Exatamente, Zé Maria Trindade. O que foi, Piper? Não quer acrescentar?
04:20Tenho. É que aí, Zé, então, tem um outro componente.
04:24Eu concordo com a sua defesa.
04:28O seu argumento é um argumento moral, no sentido de se preservar a moralidade da instituição.
04:39Eu concordo com você.
04:41A questão, Zé, agora, voltando para o mundo real, Castelo de Cartas, que é a política do Rio de Janeiro,
04:48o que está em jogo é o Rodrigo Barcelar se tornar governador no começo do ano.
04:54Porque o Rodrigo Barcelar, eu insisto muito nisso, ele já foi escolhido para ser o sucessor do Cláudio Castro.
05:01É essa a questão.
05:02Então, o Rio de Janeiro está prestes a ter, como governador,
05:08alguém que é suspeito, alguém que é, no mínimo, investigado,
05:13de ligação com um deputado que é o braço político do Comando Vermelho.
05:17Comando Vermelho, aliás, que estava sendo, entre aspas,
05:20combatido por esse mesmo governo no Rio de Janeiro, numa operação recente
05:23e que, inclusive, serviu de bastante, digamos,
05:27trouxe bastante efeito político para Cláudio Castro
05:30e até uma força, uma garantia de que o apoio dele na próxima eleição
05:35pudesse trazer um bom resultado para quem fosse justamente esse indicado, Fábio Piperno.
05:39Exato.
05:40Mas aí vem a outra suspeita daquele momento.
05:43Muita gente morreu, é verdade,
05:45mas morreu, assim, morreu o banditismo chão de fábrica.
05:49Porque os líderes escaparam, não foram nem presos.
05:54Então, será que, de fato, há um efetivo combate ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro?
06:01Essa é a minha questão.
06:02Ô, Bruno Musa, para você também não te admira ver essa decisão tomada no plenário
06:08da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro?
06:11Não, e eu acho que esse último comentário talvez nem seja necessário falar da parte técnica
06:18da coisa em si, como ele está sendo investigado, como o Zé Maria já muito bem colocou,
06:23para não ser repetitivo.
06:24Mas sim daquilo que eu venho falando, está cada vez mais explícito.
06:29Eu acho que grande parte do interesse dos políticos, que eu sempre repito,
06:35tire o ente abstrato Estado, Alerje, Senado, Câmara, no fundo, são pessoas com nome e CPF
06:44a que nós devemos atribuir as responsabilidades das suas ações.
06:48Essas pessoas que representam essas instituições, elas são dotadas de interesses próprios,
06:56dos incentivos perversos da centralização da política financiada com o dinheiro do pagador
07:02de imposto, onde nós, pagadores de impostos, não assinamos um contrato com eles.
07:08Nós financiamos de maneira obrigatória.
07:11Eu achei muito interessante em que o Piperno trouxe um ponto muito legal,
07:17que é o lado moral, sobre o comentário do Zé Maria, que eu concordo 100%.
07:22A moralidade precisa começar a ser discutida.
07:26Se eu chego para vocês aqui e falo, ora, eu agora, de livre e espontânea vontade,
07:32tomarei 50% daquilo que cada um de vocês, Zé Maria, Evandro e Piperno,
07:38produziram no mês, então eu vou tomar para mim.
07:41Ora, mas com qual legitimidade?
07:43Quem me legitima para fazer esse tipo de autoritarismo ou roubo frente ao que vocês produzem
07:50se a gente não tem um contrato assinado entre as partes?
07:53Qual é a diferença do que acontece hoje?
07:55Grande parte do que nós produzimos é tomado de maneira forçada.
07:58A população não tem um contrato assinado, não tem um consentimento para onde o seu dinheiro vai.
08:04Você não pode saber.
08:05Colocam em sigilo tanto processos como os gastos públicos do seu dinheiro.
08:10Grande parte da população paga imposto porque tem medo de ser preso
08:15e não porque acredita que vai ter algum tipo de retorno.
08:18Então são essas pessoas que representam as instituições.
08:21Isso é imoral.
08:23Tomar grande parte do outro sem o consentimento, sem voluntariedade, é imoral.
08:28É seu.
08:29Você produziu.
08:30Você saiu de casa para produzir aquilo.
08:32O dinheiro é seu.
08:33Você tem idade suficiente para dizer aonde quer alocar aquele seu dinheiro.
08:39Essa é a parte moral.
08:40A parte econômica são todas as disfunções que causam ao longo desse intervencionismo
08:44de retirada da capacidade financeira das pessoas e das empresas.
08:49Mas o lado moral não pode ser esquecido.
08:51E aí eu deixo a pergunta e passo.
08:53Quando foi que nós demos legitimidade para cada um deles
08:57que muitos não foram eleitos pelo povo
09:01para tomar decisão e tomar o que é nosso
09:04e fazer o que eles querem com o nosso dinheiro?
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