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  • há 2 meses
"It's hard to look at all this and remember: the carcasses of the dolphins, scattered along the shores of Lake Tefé." This is the moving account of environmental engineer Ayan Fleischmann, upon observing the photograph of a dolphin's carcass being removed by a backhoe from the lake area. The incident occurred in 2023 and was not limited to the death of only one dolphin in Lake Tefé, in the municipality of the same name in the state of Amazonas. More than 200 pink and tucuxi dolphins were found dead on the shores of the lake. The cause? The warming of the water, caused by climate change.


LIBERAL AMAZON

Superaquecimento causou mortes em massa de botos
“É até difícil de olhar para isso e relembrar tudo: a carcaça dos botos, distribuídos pelas margens do Lago Tefé”. Esse é o relato, comovido, do engenheiro ambiental Ayan Fleischmann, ao observar a foto do cadáver de um boto sendo removido, por uma retroescavadeira da área do lago. O episódio ocorreu em 2023 e não se resumiu à morte de um boto, no Lago Tefé, no município de mesmo nome, no Amazonas. Foram mais de 200 botos cor-de-rosa e tucuxi encontrados mortos à beira do lago. A causa? O aquecimento da água, ocasionado pelas mudanças climáticas.

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Transcrição
00:00Então, nos últimos anos, a gente teve aqui na Amazônia uma série de eventos extremos,
00:04em especial de secas extremas, que trouxeram impactos sem precedentes
00:07para os ecossistemas e para as populações ribeirinhas, indígenas, ao longo dos rios amazônicos.
00:13E durante esses eventos, um processo nos chamou muita atenção, que foi o aquecimento das águas.
00:19Então, a gente notou para alguns lagos em que a gente acompanhava de perto,
00:22especialmente o lago Tefé e outros lagos da Amazônia Central,
00:26temperaturas da água muito elevadas, temperaturas de até 41 graus Celsius,
00:30como aconteceu no lago Tefé, e que é uma temperatura que vai além da capacidade de tolerância térmica
00:34de muitos dos animais aquáticos, como peixes, botos e outros.
00:39Então, a partir dessa constatação alarmante que a gente teve desde 2023 do aquecimento dos lagos,
00:45a gente pensou em avançar nesse estudo e trazer respostas sobre o que estava acontecendo
00:50e aumentar a escala, não olhar para apenas os poucos lagos que a gente tinha dados em campo,
00:55mas olhar com dados de satélite uma escala maior, olhar para muitos outros lagos
00:59e responder o que está acontecendo com os lagos amazônicos.
01:02E a resposta é que está acontecendo algo muito alarmante.
01:04A gente tem tido um aquecimento generalizado de lagos amazônicos,
01:08seguindo tendências globais de aquecimento de lagos.
01:10Então, a gente estimou uma temperatura, um aumento da ordem de 0,6 graus Celsius por década,
01:16mas que culminam durante eventos extremos, como secas, a temperaturas muito mais elevadas,
01:20a ondas de calor na água.
01:22A gente costuma falar de ondas de calor no ar,
01:23dessa vez a gente está vendo ondas de calor também dentro da água,
01:26com temperaturas muito extremas.
01:28Na Amazônia, tudo está conectado, né?
01:31Então, quando a gente fala de peixes morrendo por temperatura excessiva,
01:35ou mesmo dos botos, que são animais topo de cadeia morrendo,
01:38a gente está falando do impacto em toda a cadeia ecológica
01:40e das populações que interagem e dependem diretamente dessas cadeias.
01:45Pesca é a base da economia da Amazônia Ribeirinha, da Amazônia Central.
01:49Então, é a base da dieta, a principal fonte de proteína são os peixes.
01:54Quando a gente vê o impacto dessa proporção de mortandades de peixes em vários lagos amazônicos,
01:59não só por temperatura, mas também por outros fatores,
02:02como falta de oxigênio ou mesmo a falta do lago,
02:04o lago seca, num tempo onde os peixes acabam morrendo,
02:07a gente está falando de um grande impacto nas populações locais,
02:10um impacto enorme na segurança alimentar dessas populações.
02:14Então, a gente tem muitos relatos distribuídos em toda a Amazônia.
02:17Aqui no Pará, a gente viu muitos relatos.
02:19Por exemplo, a gente tem um estudo com parceiros da UFOPA, lá em Santarém,
02:24no Lago Grande de Monte Alegre.
02:25É uma tragédia o que aconteceu nos últimos anos lá.
02:29Quase todo o lago seca e apenas poucas poças ficam,
02:32e com poucos peixes ali, com muita mortandade.
02:35Então, a gente está falando de um impacto enorme,
02:36não só, como eu falei, na segurança alimentar dessas populações,
02:39mas também na economia.
02:40Porque quem depende, os pescadores que dependem desses recursos
02:43para o seu dia a dia, ficam sem recursos.
02:47Então, é muito alarmante e a gente tem que pensar em soluções.
02:50Tem que pensar em formas de adaptação e de buscar soluções
02:54para apoiar essas populações que têm sido cada vez mais vulneráveis a essas crises.
02:58A gente estudou, com imagem de satélite,
03:01a gente estudou 24 lagos distribuídos em toda a Amazônia Central,
03:04desde lá do Médio Solimões, que a gente chama, na região do Amazonas,
03:09até aqui embaixo, na região de Santarém, Monte Alegre,
03:12e mais aqui para baixo, até no baixo rio Amazonas.
03:15Então, a gente olhou toda uma distribuição de lagos na Amazônia Central,
03:19que são bastante representativos de lagos amazônicos,
03:22e que convergem também para as tendências que a gente tem visto em escala global,
03:26de um aquecimento generalizado de lagos,
03:28e que durante eventos extremos tornam temperaturas ainda mais elevadas.
03:32A partir dessas metodologias que a gente vem desenvolvendo nos últimos anos,
03:36de monitorar a temperatura da água por satélite,
03:41o MapBiomas Água, em especial junto com o WWF Brasil,
03:44eles lançaram uma plataforma online para monitorar a temperatura da água dos lagos amazônicos.
03:50Então, são, em grande parte, os mesmos lagos, com alguns adicionais,
03:54mas que é uma ideia de olhar para uma escala maior e trazer respostas.
03:58Em tempo real, sobre o que está acontecendo com esses lagos.
04:00A temperatura da água se mostrou uma variável chave
04:04para a gente entender o que tem acontecido nos últimos anos.
04:07Então, a partir de satélites, a gente consegue ter essa compreensão em mais ampla escala
04:12e poder trazer uma resposta.
04:14Será que os lagos estão de novo aquecendo quando vier uma nova seca?
04:17Todo ano a gente tem a excitação seca dos rios.
04:20Isso é natural.
04:21O problema é quando essa excitação seca se torna muito mais forte do que o normal,
04:25quando vem uma seca extrema.
04:26Em 2025 a gente não teve.
04:27Finalmente, depois de dois anos de muito sufoco, de duas tragédias em sequência,
04:3323, 24 e 25, a gente não teve uma seca extrema.
04:37E as temperaturas não subiram tanto como naqueles anos.
04:41Então, ter plataformas desse tipo, estratégias de monitoramento
04:45que nos permitam trazer respostas em tempo real é muito importante.
04:49Mas também é importante salientar que satélites não trazem toda a resposta que a gente precisa.
04:54A gente precisa estar em campo e precisa ter estratégias de monitoramento de longo prazo no território.
04:59Porque por satélite a gente ainda não consegue ver muita coisa.
05:02A mortandade dos animais a gente não consegue ver por satélite.
05:05O valor de fato que a temperatura da água está chegando,
05:08o satélite ainda tem um pouco de dificuldade de estimar.
05:11Então a gente precisa ter novas formas, novas estratégias de monitoramento no terreno,
05:15no território, para que a gente consiga, ao longo dos anos, ir entendendo, acompanhando
05:19e trazendo respostas sobre o que a emergência climática está trazendo para os lagos da Amazônia.
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