Mariana Grilli analisa o anúncio da Noruega de US$ 3 bilhões para o fundo de florestas tropicais, feito durante a COP30. A comentarista também fala sobre as tentativas do agronegócio e do governo federal de estabelecerem um Plano Clima.
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NotíciasTranscrição
00:00Eu quero falar de uma outra realidade também, aproveitando que nós estamos na esteira da COP30, acontecendo lá em Belém do Pará,
00:05que a Noruega anunciou um investimento de 3 bilhões de reais para esse fundo que é encabeçado pelo Brasil para tentar manter as florestas de pé.
00:14Agora há pouco, o ministro da Fazenda falava sobre essa iniciativa, inclusive sobre a necessidade de tentar, a partir dos discursos da COP,
00:24convencer muitas dessas autoridades e dos países a também investirem, fazerem as suas transferências para esse fundo,
00:31que poderia, digamos, mostrar para o investidor que vale a pena, sim, você manter a floresta de pé,
00:38em vez de buscar avanço ou até mesmo o desenvolvimento de regiões no mundo todo, principalmente onde há florestas tropicais,
00:48em que você tem a vontade de muitos desses países de derrubar a floresta para gerar desenvolvimento,
00:56seja por meio de avanço de cidades, seja por meio da agricultura, da pecuária, enfim.
01:01E, Bruno Musa, você contava aqui que a Noruega já tem um investimento grande nesse setor,
01:07inclusive maior que o próprio PIB do Brasil.
01:11Mas como é que você avalia a maneira como ela também cuida de seus, digamos, de suas riquezas ambientais
01:18e busca, em outro país, compensar aquilo que talvez os países da Europa não façam?
01:25Pois é, nenhum país da Europa faz isso, mas é um país que adora mais colocar regra no país dos outros sem praticar para ele mesmo.
01:33Cagar uma regrinha.
01:34Totalmente, você tirou da minha boca.
01:35Eu sou muito a favor da exploração do petróleo.
01:38Eu acho que o brilhantismo do ser humano ao empreender, ele mostra que, quando deixado livre,
01:44a capacidade criativa do ser humano de empreender e satisfazer novas demandas com novas tecnologias está aí ao nosso lado.
01:51Pode ter gente nos assistindo agora de um celular no Japão.
01:54E ele está vendo.
01:55Isso não foi feito pelos governos, nenhum deles.
01:58Foi feito pela capacidade do empreendedor de levar e satisfazer melhores demandas tecnológicas.
02:04E o mesmo acontece com as fontes alternativas de energia, que está acontecendo.
02:09Ou seja, estão surgindo novas alternativas.
02:11A Noruega é um país extremamente rico em petróleo e em gás.
02:15E o que ele fez?
02:16Ele é um país rico justamente porque ele sabe explorar isso.
02:20Ele criou esse fundo soberano, que é o maior do mundo, como eu falei,
02:23que é o mesmo tamanho do PIB do Brasil, 2,1 trilhões de dólares, o PIB soberano apenas.
02:29E ali você tem a previdência, a aposentadoria de grande parte dos noruegueses.
02:33Eles mantêm a sua poupança privada nos fundos, no fundo soberano da própria Noruega.
02:40Então, me parece que eles sabem aproveitar para eles, mas adoram, como você mesmo falou,
02:45cagar regra para fora.
02:47Faça o que eles têm que fazer, deixar o país maravilhoso, a Noruega.
02:50Mas não vem querer cagar regra no outro.
02:52Agora, vamos lembrar.
02:533 bilhões, que eu tinha comentado, que agora saiu a notícia oficial,
02:583 bilhões que eles anunciaram para colocar no TFFF,
03:01num fundo de 2,1 trilhões, convenhamos.
03:05Está tranquilo, né?
03:06É, como costumamos dizer aqui no Brasil, dinheiro de pinga.
03:11Fala, Fábio Piperno.
03:12É um dinheiro de pinga, mas é um início, né?
03:15A gente está falando em algo aí em torno de uns 450 milhões de euros.
03:21Agora, de fato, veja, é claro que muitas vezes alguns países tentam até reparar erros que já cometeram.
03:29Então, a Noruega, ela tem uma estatal petrolífera.
03:37Aliás, muitas, tirando as americanas, uma ou outra europeia,
03:41grande parte das maiores petroleiras do mundo são empresas estatais.
03:46A gente está falando com a maior delas, por exemplo, a Saudi Aramco, lá do Reino Saudita,
03:51a Equinor, norueguesa, a Petrobras, enfim, são muitas.
03:54E a Equinor, ela está fazendo um grande investimento aqui no Brasil.
04:00Inclusive, construindo uma grande plataforma,
04:03porque, em breve, ela vai se tornar, muito provavelmente,
04:08entre as empresas estrangeiras, a maior produtora de petróleo aqui no Brasil.
04:14Então, é claro que ela sabe também
04:18que é o momento de se fazer um movimento na direção dessas boas causas.
04:26Porque se ela constituiu, se o país constituiu esse imenso fundo soberano,
04:32com recursos do petróleo,
04:34aliás, que, inclusive, acabaram inspirando o fundo soberano que o Brasil queria construir.
04:40Se a Equinor, até hoje, é uma grande petroleira
04:44e que, inclusive, explora petróleo aqui no Brasil,
04:47nada melhor para a imagem do país
04:49também fazer algum tipo de aceno compensatório.
04:53E aí, sim, participar de um fundo como esse.
04:55Bruno, você fez as contas aí de quanto representa?
04:58Fiz 3 bidas, 0,14% sobre 2,1 trilhões.
05:02Ou seja, é um rendimento de...
05:04Lá, a taxa de juros é muito mais baixa,
05:06mas como eles têm muito desses investimentos,
05:092,1 trilhões em ações, inclusive,
05:11que estão tendo um rendimento interessante,
05:13isso talvez dê um, dois meses de rendimento
05:15quando o mercado vai para cima, né?
05:16Ô, Zé Maria Trindade, eu queria entender também
05:18de que maneira que você avalia a estratégia do governo
05:20de, ao mesmo tempo em que tem interesse
05:25e a liberação para a exploração de pesquisas relacionadas ao petróleo
05:29na Foz do Amazonas,
05:31busca, por meio desse fundo, manter a floresta de pé.
05:34Então, o presidente Lula não esconde o interesse que tem
05:37em continuar a explorar petróleo,
05:39mas a COP30 quer falar sobre a superação do petróleo,
05:44o que poderia parecer bastante incoerente.
05:47E aí vem o ministro da Fazenda e diz,
05:48mas nós também encameçamos uma proposta que hoje busca criar um fundo
05:53que torne valioso o investimento na floresta de pé.
05:57Dá para segurar esses pratos todos e equilibrá-los, hein, Zé?
06:02É preciso equilibrar.
06:06Eu não sei exatamente o que o Bruno pensa sobre isso,
06:09mas há por aqui uma definição
06:10de que não há como negar
06:15que já está acoplado a qualquer produto
06:18esse termo aí de preservação e a reputação.
06:23Não tem mais como você separar uma coisa da outra.
06:26Sendo mais simplista ainda,
06:29não dá para ofertar o produto brasileiro no exterior,
06:33carne e soja e milho,
06:35sem levar junto essa reputação.
06:38Sem dizer que o Brasil produz milho,
06:41produz soja, produz algodão e produz carne,
06:44todos de boa qualidade, competitivos, sem preço,
06:47mas que não desmata,
06:49que não usa trabalho escravo,
06:51que não usa, enfim, áreas preservadas para esses produtos.
06:56Isso já está indivisível.
06:58Essa reputação está acoplada ao produto.
07:01Daí a grande preocupação que há que se ter
07:04sobre esta imagem.
07:06Isto é muito importante.
07:08Sobre a exploração de petróleo, de minério em geral.
07:11Muito se preocupa com a exploração do petróleo
07:14e eu falo muito da exploração do minério.
07:18Trata-se de uma relação abusiva com a natureza,
07:20sim, mas é possível reduzir esse impacto
07:25e nós temos que admitir que não podemos mais,
07:29há muito tempo, viver sem a exploração de minérios,
07:32ferro, como viver sem ferro,
07:35como viver sem petróleo, não há como.
07:37Então, hoje, é possível extrair petróleo
07:41lá na Foz do Amazonas,
07:43de uma maneira menos, vamos dizer, danosa ao meio ambiente.
07:48Há tecnologias para isso e a nossa extração do pré-sal
07:52em águas profundas mostra exatamente isso.
07:55Então, a grande preocupação é a reputação do Brasil
08:00e manter o desenvolvimento.
08:02A gente não pode ser decretado a ficar subdesenvolvido
08:05porque nós temos uma floresta.
08:08Eu quero também falar um pouco mais sobre esse TFFF
08:11com a nossa apresentadora aqui da Hora H do Agro,
08:13Mariana Grilli, que também está conosco,
08:15acompanhando a COP30.
08:16Na semana que vem estará lá, né Mari?
08:18Estarei lá, estarei lá.
08:19Um pouquinho depois, mas estarei lá.
08:22Na verdade, já estamos, né?
08:23Um pé aqui em São Paulo.
08:24É interessante conversar com a Mari
08:26porque ela está de olho muito no que o agronegócio busca
08:30hoje em termos de investimento, de desenvolvimento
08:32e, digamos, o diálogo que ele tenta construir também
08:36com a questão ambiental.
08:38Mas sobre TFFF, o que você traz para a gente, Mari?
08:41Então, esse é um assunto que toca o agro
08:44porque embora a gente esteja falando de florestas
08:46e não necessariamente tem uma relação ali direta,
08:48mas quando a gente olha para o setor da silvicultura,
08:52das florestas plantadas,
08:54é importante a gente entender que o setor está
08:59prestando atenção nessa discussão do TFFF
09:04porque tem essa diferenciação, então, né?
09:08Então, florestas plantadas e florestas nativas.
09:10O TFFF quer preservar as florestas tropicais,
09:16logo as florestas nativas.
09:17Mas tem companhias, por exemplo, do setor de celulose
09:21que tem uma grande área preservada
09:24e aí eles já olham lá para frente para o mercado de carbono.
09:28Então, é super importante a gente entender
09:30e acompanhar esse assunto do ponto de vista do agro,
09:34do setor que planta e colhe,
09:36porque a floresta plantada que depois vai ser colhida
09:39também pode fazer parte desse TFFF.
09:43Aqui no Brasil, só rapidinho,
09:44a gente tem essa questão do eucalipto que não é nativo.
09:47Então, como que incentiva via fundos TFFF a floresta nativa?
09:52Voltando à questão da COP, que também mexe com o clima,
09:56com o meio ambiente.
09:58Nós temos aí, Omari, uma tentativa do governo
10:02de se articular com o agronegócio
10:05para montar um plano clima que atenda a ambos os lados.
10:09Explica para a gente o que seria esse plano clima
10:11e como que essas conversas estão se encaminhando.
10:15Sim, o plano clima é esse instrumento, então,
10:19que o governo federal, na verdade, já existe há muitos anos,
10:22em que o governo federal explica ali
10:26como que cada setor da economia
10:28vai descarbonizar as suas atividades.
10:31Então, várias atividades econômicas estão inseridas nesse plano clima,
10:36incluindo o agronegócio, a agropecuária,
10:39a atividade agropecuária.
10:40O grande lance é que o plano clima, então,
10:43mostra as metas de descarbonização
10:46de cada um desses setores
10:48e como cada um deles
10:49precisa se comportar ali,
10:52conduzir os seus negócios
10:54para que haja essa descarbonização.
10:55E, para que esse cálculo, então, exista,
10:59para que essa meta exista,
11:01o cálculo precisa, então,
11:02ser feito a partir das emissões já realizadas, né?
11:05O quanto emitimos hoje,
11:07o quanto vamos deixar de emitir no futuro.
11:10O ponto é, a metodologia de cálculo
11:13das emissões de gases de efeito estufa
11:16do setor do agronegócio
11:17estavam desagradando o setor, o agro.
11:21Porque, de uma forma geral,
11:23o que o Ministério do Meio Ambiente fez
11:24foi considerar que todo o desmatamento,
11:27seja legal ou ilegal, inclusive,
11:30estava sendo alocado na agropecuária.
11:32Se o Brasil desmatou, é culpa do agro.
11:35E aí houve toda uma mobilização, é claro,
11:37do setor, para explicar que não é bem assim,
11:40literalmente, não é bem assim.
11:41Primeiro, que o plano clima precisa deixar claro
11:44o que é desmatamento legal
11:45e o que é desmatamento legal.
11:46Porque a gente tem essa diferenciação
11:49de acordo com o Código Florestal.
11:51E, além de diferenciar, então,
11:53o que é legal e ilegal,
11:55dentro do legal, dentro do que se permite,
11:57do que pode se desmatar
11:59por conta da nossa legislação,
12:01é importante calcular o que está sendo,
12:04de fato, se tornando agropecuária.
12:06Grãos, soja, milho,
12:08o uso da pecuária em si.
12:10Então, como estava muito generalizado,
12:13é isso sim.
12:14Quem bate o olho ali no documento
12:15vê que desmatou é culpa do agro.
12:18E não é bem assim.
12:19Então, foi isso que o setor
12:21vem articulando já há algumas boas semanas
12:23com o Ministério do Meio Ambiente
12:24e parece que vai haver, então,
12:27um consenso de mudar esse cálculo,
12:30mudar a metodologia.
12:31Nisso, o agro que emitiria 70%
12:35cai para 30%.
12:37Então, é muita diferença.
12:39Então, o governo precisa explicar agora
12:41qual vai ser essa metodologia usada,
12:43o quanto que, de fato,
12:44das emissões do Brasil
12:45estão a cargo da agropecuária
12:48e como que isso vai ser mostrado
12:49para a comunidade internacional.
12:51E é interessante haver também
12:52um trabalho intenso de comunicação, né, Mari?
12:53Porque se a gente fala de agronegócio,
12:56naturalmente, nós estaríamos falando
12:58de uma atividade que é legal,
13:01que obedece aos trâmites burocráticos
13:04e que cria oportunidades
13:06de crescimento da economia,
13:08da empregabilidade no país.
13:10Quando você pega o que é ilegal
13:12e joga também no agronegócio,
13:14é como se você estivesse contaminando
13:16uma palavra que deveria servir
13:18apenas para representar aqueles
13:19que atuam da maneira correta,
13:22que respeitam as leis ambientais,
13:23que respeitam as regras do país.
13:26Então, tudo isso é muito importante
13:27e eu acredito que também
13:28incomode bastante o setor, né,
13:30que é receber, digamos,
13:32todas as consequências
13:33do que eles fazem,
13:34mas também do que a atividade ilegal
13:37acaba trazendo de consequência.
13:40Sem dúvida, sem dúvida.
13:41E é exatamente esse o ponto
13:42que o agro tem definido muito,
13:44do tipo, emitimos, né,
13:47a agropecuária emite gases
13:48de efeito estufa, emite,
13:49mas a gente também sequestra.
13:51Então, um dos pontos
13:52que eles falam muito é,
13:53peraí, a gente está sendo só
13:54penalizado pelo desmatamento
13:57que às vezes nem é culpa nossa
13:58e quando vai,
14:00e não se olha, por exemplo,
14:02para essa metodologia de sequestro.
14:03Porque muito rapidamente,
14:05não vou ficar entrando
14:05em questões agronômicas,
14:06mas é isso, o solo,
14:08quando ele está saudável,
14:08ele consegue sequestrar carbono.
14:11Então, no plano clima,
14:12da forma como ele estava concebido,
14:15a gente só olha, né,
14:16o governo federal só estava olhando
14:17para o quanto a agropecuária emite,
14:19e não o quanto ela sequestra.
14:21Então, isso é um dos pontos de atenção.
14:23E o segundo ponto de atenção,
14:24de fato, é essa questão
14:26do desmatamento legal ou ilegal.
14:28Porque é uma questão
14:30de uso de terras públicas,
14:32e aí a gente começa a falar
14:32das mudanças do uso da terra, né.
14:34Ou seja, essa terra
14:36que foi desmatada ilegalmente,
14:39que está contra a lei,
14:41muitas vezes, sim,
14:42é utilizada para depois
14:43virar soja, virar boia.
14:45A gente fala, né,
14:45o boia é o laranja da terra,
14:47muitas vezes.
14:48E aí não é um agronegócio legal.
14:50É.
14:50É o laranja, o grileiro,
14:53usando a terra
14:54para, então,
14:56esquentar essa terra,
14:57e isso lá na frente
14:58vai virar um problema de soja,
15:00de pecuária,
15:01e aí a gente entra em questões
15:02de rastreabilidade.
15:04Fica o convite para o pessoal
15:05assistir aí o Hora H do Agro,
15:06que a gente vai explicando
15:07essas camadas do setor.
15:09Ô Mari,
15:10peraí que eu vou conversar
15:10com os nossos amigos
15:11sobre essa questão
15:12relacionada à descarbonização
15:14e ao plano clima,
15:15e daqui a pouco
15:15eu volto para falar contigo
15:16também sobre esses fundos
15:18que têm o apoio da Europa,
15:19que joga o dinheiro
15:22no fundo alheio,
15:23mas muitas vezes
15:23não cumpre também a sua parte.
15:25Espera só um minutinho
15:25que eu já volto contigo.
15:27E há, meus amigos,
15:28esse incômodo muito grande, né.
15:30E isso é uma questão
15:31que tem, digamos,
15:32permeado o agronegócio
15:34e a dificuldade que se tem
15:35de dialogar muitas vezes
15:36com governos
15:37que também lançam
15:38essa crítica
15:39há muito tempo,
15:40que é fazer a sociedade
15:42entender a diferença
15:44entre o agronegócio,
15:45o produtor de alimentos,
15:46das fazendas que atuam
15:47da maneira correta,
15:49que mantém a porcentagem
15:50ambiental e das matas
15:53dentro de suas propriedades
15:54de pé,
15:54daqueles que derrubam
15:55de maneira ilegal
15:56nessa tentativa
15:57de depois regularizar
16:00a situação.
16:01O pessoal da rádio
16:02já está conosco,
16:03sejam muito bem-vindos,
16:03é um prazer ter vocês
16:04por aqui nessa quinta-feira
16:06para a gente debater.
16:07Eu sou o Evandro Sine,
16:08sigo com vocês
16:08pela próxima uma hora
16:09e nesse momento
16:10nós estamos falando
16:11do plano Clima,
16:12esse plano apresentado
16:13pelo governo federal
16:14e que tenta uma articulação
16:16mais intensa agora
16:17com o agronegócio.
16:18E aí, quando a gente
16:18entra com a questão
16:19da descarbonização, Bruno,
16:21aí o negócio
16:21fica complicado mesmo,
16:22porque as métricas
16:24utilizadas,
16:25as contas feitas,
16:26ainda não trazem
16:28a transparência necessária
16:30para que todo mundo
16:31consiga entender
16:32que caminho seguir.
16:34Pois é, e o objetivo
16:34não é politizar
16:35uma discussão
16:37tão importante como essa.
16:38Enquanto a Mari
16:38estava falando aqui,
16:39me lembrou uma frase
16:40de Milton Friedman,
16:41que ele falava que
16:42as políticas públicas,
16:43elas devem ser mensuradas
16:44não pelas suas intenções,
16:47mas sim pelos seus resultados,
16:48porque a intenção
16:49ela é linda.
16:49Se você pega um político
16:51que normalmente
16:51de todos os lados
16:52eles mentem,
16:53eles vão falar,
16:54obviamente,
16:54que a intenção
16:54é sempre muito mais linda.
16:56Meu objetivo
16:56é acabar com o desmatamento.
16:59Quem é o inimigo?
17:00Ah, o inimigo é o agro.
17:01Sempre aqueles
17:02que acreditam
17:02num Estado gigantesco
17:04promovem um inimigo,
17:05precisam de um inimigo
17:06para que ele seja
17:07o salvador da prata
17:08através dos recursos
17:10subtraídos de todos
17:11do setor privado.
17:13E esse é normalmente
17:14o Estado,
17:15que é formado
17:15pelos pequenos burocratas
17:17que comandam
17:18a todos nós.
17:18Então, meu ponto aqui
17:19é não olhemos apenas
17:20as intenções.
17:21No papel, vale tudo.
17:23Mesma coisa
17:23que você querer projetar
17:24o faturamento
17:25da tua empresa.
17:26Você joga no Excel,
17:27ele aceita tudo.
17:28Você vai falar
17:28que gráfico lindo,
17:29só sobe.
17:29Mas e a real intenção disso?
17:31Um outro ponto interessante
17:32que a Mari também trouxe,
17:34me parece,
17:34que vai nessa linha,
17:36que quando ela falou
17:36da emissão e do sequestro,
17:38eu estava vendo
17:39um relatório
17:40que saiu agora
17:41na revista Nature,
17:42que até onde me consta,
17:42é uma revista importante
17:43científica do tema.
17:45Claro.
17:45E ela soltou ali
17:47uma matéria importante
17:49com artigo científico,
17:51falando que as emissões
17:52de CO2 agora
17:53estão até inclusive
17:55ajudando
17:56na revitalização
17:58das árvores
17:58na Amazônia.
17:59Então, veja que nós
18:00fomos ensinados lá atrás
18:02isso no colégio,
18:03da importância
18:03da emissão do CO2
18:05e aí ao longo do tempo
18:06isso tudo foi subvertido
18:07e eu não sei
18:08porque não é minha área,
18:09mas engraçado
18:10que começou a surgir agora
18:11o contraponto.
18:11Então, em determinado nível
18:13é importante a emissão
18:14desse CO2.
18:15Então, de novo,
18:16isso tudo infelizmente
18:17é politizado.
18:19E se você defende
18:19um lado,
18:20você está do lado A,
18:21se você defende o outro,
18:21você está do lado B.
18:22E isso é muito triste,
18:24é muito ruim,
18:24porque o agro,
18:25a gente já mencionou aqui
18:26ao longo de toda
18:26a cadeia produtiva,
18:27ela representa o quê?
18:2820% do PIB brasileiro,
18:29toda a cadeia produtiva,
18:30eu estou falando do agro,
18:31desde chegar até
18:32o produto do supermercado.
18:33E você está demonizando
18:34alguém que representa
18:3420, 25%
18:36do PIB brasileiro
18:37de um país
18:38que é pobre
18:38por essência,
18:39em renda,
18:41justamente quem produz
18:43um quarto do PIB,
18:44essa politização é muito triste
18:46e mantém o Brasil atrasado.
18:47O Piperno,
18:47e é uma preocupação extrema
18:48com a floresta amazônica,
18:49porque a gente está falando
18:50de um tipo de floresta
18:51que contém muitas árvores
18:53centenárias.
18:54E essas árvores
18:55passam essas centenas de anos
18:57sequestrando esse gás carbônico.
19:00Quando elas são derrubadas,
19:02esse gás carbônico,
19:03ele é devolvido à natureza.
19:05E aí, o que se tenta fazer
19:07a partir desses projetos
19:08são meios de compensação
19:10que tenham também
19:11a participação do agronegócio.
19:13Você acha que é um tema
19:16que o governo vai conseguir
19:17pacificar com o setor
19:19da maneira correta
19:20e comunicando também
19:22corretamente, Piperno?
19:23Bom, Evandro,
19:24eu acho que grande parte
19:25do agro,
19:26ele já se conscientizou
19:27e isso não vem de hoje.
19:30O agro mais moderno,
19:31ele já se conscientizou
19:32de que é assim,
19:33precisa compatibilizar isso
19:34até porque,
19:36se ele assim não fizer,
19:37ele perde o mercado.
19:38Até porque a questão
19:41do agronegócio
19:42e da rastreabilidade
19:44que a Mari citou
19:45é um dos gargalos.
19:47Por exemplo,
19:48do acordo que há décadas,
19:51há muito tempo,
19:52o Mercosul e a União Europeia
19:54tentam fechar
19:55e agora parece que está
19:56mais próximo do que nunca
19:57de ter, enfim,
19:59seu desfecho.
20:00Então, não dá realmente
20:02para hoje não pensar nisso.
20:05Agora, cabe também ao governo,
20:08além de atualizar as suas métricas
20:12e tornar tudo muito mais realista,
20:15conhecer mais a realidade
20:16de cada área,
20:18de cada bioma,
20:20de cada ambiente,
20:21de cada região,
20:23também continuar investindo
20:26bastante em fiscalização.
20:27até porque
20:28a boa fiscalização
20:31é o que vai viabilizar
20:34alguns projetos.
20:35Exemplo,
20:37o que se debate hoje
20:39sobre o asfaltamento
20:41da BR-319
20:42lá entre Manaus
20:43e Porto Velho.
20:44O que que pega
20:46nessa história?
20:47É que grupos
20:49que defendem
20:50a preservação
20:51da, enfim,
20:52da floresta
20:53argumentam que
20:54caso
20:55o asfalto
20:57seja refeito,
20:57que isso lá atrás
20:58já foi, né?
20:59Lá no tempo lá da
21:00Transamazônica e tal,
21:02né?
21:03Se criaram
21:04no, enfim,
21:06no entorno
21:07dessa via
21:08muito,
21:09muitas áreas
21:10que vão proporcionar
21:13o desmatamento,
21:15até porque
21:15nessas áreas
21:17aí sim
21:18vai haver
21:19exploração
21:20talvez agrícola
21:21sem a devida fiscalização,
21:23exploração comercial,
21:25exploração até mesmo
21:26de garimpo,
21:27novas comunidades,
21:29novas vias,
21:30ou seja,
21:31o asfaltamento
21:32ele ensejaria
21:34então
21:34o surgimento
21:36de outros
21:37polos
21:37de atividades
21:38que de alguma forma
21:40poderiam danificar
21:41a floresta.
21:41Então, veja,
21:43o governo também
21:44tem que ser
21:45muito vigilante
21:46em relação a isso.
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