- há 10 meses
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Donald Trump anunciou nesta quinta-feira, 30, a redução imediata das tarifas sobre produtos chineses de 57% para 47% após reunião com Xi Jinping na Coreia do Sul.
Foi o primeiro encontro presencial entre os dois em seis anos e resultou em um acordo temporário para aliviar a disputa entre Estados Unidos e China.
De acordo com a Casa Branca, a China se comprometeu a endurecer o controle sobre a exportação de produtos químicos usados na produção de fentanil, em troca da redução tarifária.
Além disso, Pequim também vai suspender por um ano as restrições às exportações de terras raras, minerais essenciais para a indústria de tecnologia, energia e defesa.
Trump afirmou que a reunião foi “excelente” e disse acreditar que um acordo comercial mais amplo poderá ser assinado “em breve”.
Felipe Moura Brasil, Duda Teixeira e Aod Cunha comentam:
Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.
Apresentado por Felipe Moura Brasil, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
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Foi o primeiro encontro presencial entre os dois em seis anos e resultou em um acordo temporário para aliviar a disputa entre Estados Unidos e China.
De acordo com a Casa Branca, a China se comprometeu a endurecer o controle sobre a exportação de produtos químicos usados na produção de fentanil, em troca da redução tarifária.
Além disso, Pequim também vai suspender por um ano as restrições às exportações de terras raras, minerais essenciais para a indústria de tecnologia, energia e defesa.
Trump afirmou que a reunião foi “excelente” e disse acreditar que um acordo comercial mais amplo poderá ser assinado “em breve”.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente fala agora com um convidado sempre especial que eu vou introduzir aqui daqui a pouco,
00:05sobre a trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China.
00:09Donald Trump anunciou nesta quinta-feira 30 a redução imediata das tarifas sobre produtos chineses de 57% para 47%
00:18após a reunião com Xi Jinping na Coreia do Sul.
00:20Foi o primeiro encontro presencial entre os dois em seis anos e resultou em um acordo temporário
00:25para aliviar a disputa entre as duas maiores economias do mundo.
00:28De acordo com a Casa Branca, a China se comprometeu a endurecer o controle sobre a exportação de produtos químicos
00:35usados na produção de fentanil, em troca da redução tarifária.
00:39Além disso, Pequim também vai suspender por um ano as restrições às exportações de terras raras,
00:45minerais essenciais para a indústria de tecnologia, energia e defesa.
00:49Trump afirmou que a reunião foi excelente e disse acreditar que um acordo comercial mais amplo poderá ser assinado em breve.
00:56O Ministério do Comércio da China confirmou os termos do entendimento e anunciou a retomada de compras de soja dos Estados Unidos,
01:03medida que deve aliviar agricultores americanos afetados pela queda nas exportações.
01:08Eu passo a palavra ao nosso queridíssimo Aude Cunha, colaborador em matéria de economia,
01:13semanalmente presente aqui no Papo Antagonista.
01:15Ele é doutor em economia, conselheiro de administração de empresas e ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul.
01:21Aude, boa noite. Qual é a sua avaliação sobre essa trégua entre Estados Unidos e China e qual é o impacto dela na economia global?
01:29Boa noite, Felipe.
01:32Essa trégua é uma trégua que dá um alívio temporário, ao menos.
01:39Ela reestabelece um nível mais baixo de tarifa para a China, mas ainda bem acima do que os Estados Unidos praticavam antes.
01:49Ela distensiona principalmente esse tema de exportação de soja dos agricultores americanos,
01:58a diminuição das restrições, o alívio das restrições para exportação de terras raras,
02:03que são muito importantes para a indústria americana, como você comentou,
02:07e dá um certo alívio porque nós estamos falando das duas maiores economias.
02:13A China exporta mais de 400 bilhões de dólares para os Estados Unidos,
02:18os Estados Unidos têm um destre de quase 300 bilhões de dólares,
02:21então tem um fluxo comercial muito intenso em diferentes setores, para diferentes mercadorias, produtos.
02:26Mas é um alívio temporário.
02:29A gente vai precisar ver se...
02:32Porque já se teve outros acordos desde fevereiro,
02:35teve um vai e volta em relação a essa intensidade de atrito dos Estados Unidos à China.
02:40A China, diga-se de passagem, nunca aliviou muito, sempre respondeu rápido,
02:45e aparentemente o Trump agora quer um período maior de distensionamento.
02:49Então, é um distensionamento, mas nós vamos esperar mais tempo para ver se ele perdura.
02:55Aude, Duda Teixeira, tem uma pergunta para você, diga, Duda.
02:58Aude, boa noite.
02:59A China, quando faz esse acordo com os Estados Unidos,
03:02a China se compromete a comprar soja americana.
03:05Isso não prejudica os produtores brasileiros de soja?
03:10Boa noite, Duda.
03:12Eu acho que não, tá?
03:15Assim, o que estava acontecendo antes era uma certa expectativa, uma euforia,
03:19e até um impacto de preço, preço de soja subindo,
03:23porque a China, no final, dependeria mais das exportações brasileiras.
03:29Mas o Brasil e as exportações brasileiras de soja já cresciam há bastante tempo,
03:36há muitos anos, com essa distribuição de mercado mundial,
03:39tanto os Estados Unidos quanto o Brasil, exportando para a China.
03:42É um mercado muito grande, são muitos consumidores,
03:45então não chega a afetar negativamente, dramaticamente o Brasil.
03:50Claro, os exportadores deixam, talvez, de ter uma oportunidade melhor,
03:55principalmente por elevação de preços que haveria,
03:58por conta de uma necessidade maior da China demandar mais do Brasil,
04:02se não demandasse dos Estados Unidos.
04:04Mas eu acho que não chega a ser algo muito dramático,
04:07e que não muda a situação que já vinha há mais de duas décadas do Brasil,
04:12das exportações de soja crescendo e renda sendo gerada nesse setor para o Brasil.
04:17E, Aude, agora falando sobre o tarifácio,
04:19houve um encontro entre Lula e Trump no último fim de semana para tratar do tema,
04:23e os dois países ficaram de aprofundar as conversas.
04:25Qual é a sua análise sobre esse cenário
04:27e uma possível redução ou suspensão da taxa sobre produtos brasileiros?
04:33Acho que da mesma forma que nós estávamos falando sobre Estados Unidos e China,
04:39no caso de Brasil e Estados Unidos,
04:42é uma diminuição de tensionamento.
04:45O Trump começou a fazer declarações mais amenas,
04:49o próprio Lula baixou a bola um pouco em relação a outras declarações do passado,
04:55mas diferentemente desse caso que nós estávamos combinando Estados Unidos e China,
04:58que teve medidas imediatas de redução de tarifa do lado dos Estados Unidos,
05:04de diminuição de restrições por parte da China para compra de soja e terras raras,
05:10no caso do Brasil e Estados Unidos, a gente ainda não tem nenhuma medida concreta.
05:13O Brasil ainda continua com aquele nível de alíquota máxima de 50%,
05:19vários setores ainda com carga bastante elevada,
05:23e nós não sabemos efetivamente, tem reuniões que estão acontecendo,
05:27quais vão ser os desdobramentos.
05:29Tem uma expectativa que essas alíquotas para o Brasil vão cair,
05:33e aí quer saber também um pouco o que o Brasil eventualmente vai oferecer,
05:37ou vai ceder, se vai entrar alguma discussão do ponto de vista de terras raras,
05:42ou alguma outra questão também que os Estados Unidos têm interesse aqui no Brasil.
05:47Então, por hora, há um distensionamento, mas não tem nenhuma medida concreta ainda anunciada.
05:53Duda?
05:54Aude, agora a gente pode estar vendo aí um padrão que pode se reproduzir depois
05:59nas relações Brasil-Estados Unidos, né?
06:01Porque o Trump jogou a tarifa lá em cima e depois ele cede um pouquinho, né?
06:06Cai de 57 para 47.
06:09Então, talvez o nosso tarifácio também tenha uma folguinha,
06:13os Estados Unidos continuam negociando, depois mais uma folguinha, né?
06:17Seja uma coisa gradual.
06:18Você acha que pode acontecer assim?
06:20Eu acho que o ideal para o Brasil seria ter uma redução maior,
06:24porque se a gente for comparar com China,
06:27o argumento dos Estados Unidos com a China,
06:29baseado no tamanho do déficit comercial,
06:32fazia sentido, em parte, né?
06:34Porque nós estamos falando de quase 300 bilhões de dólares de déficit dos Estados Unidos.
06:39Os Estados Unidos importam 450 bilhões e tem 300, quase 300 bilhões de déficit.
06:47O Brasil, que tem um fluxo comercial muito menor,
06:49na casa de 40 bilhões de dólares, os Estados Unidos,
06:53os Estados Unidos tinham superávit para o Brasil, não tinham déficit.
06:55Então, e tanto é verdade que lá em Severero,
06:59quando o Trump colocou tarifa, colocou do nível mais baixo para o Brasil.
07:02O mesmo nível de tarifa para a Inglaterra e para outros tinha sido 10% ali.
07:06Então, o salto que teve do Brasil, de 10 para 50,
07:09foi o maior que teve.
07:11E teve com a justificativa de um movimento,
07:14um posicionamento político também de Trump,
07:17contrário ao que ele avaliava como uma perseguição a Bolsonaro, enfim.
07:21Então, não teve a ver com o tema comercial.
07:24Se essa pauta política saiu e o Trump efetivamente quer voltar
07:29a um nível de negociação anterior,
07:32a gente deveria esperar uma redução maior no caso do Brasil.
07:36Mas, de novo, nós estamos aguardando ainda ver o que vai acontecer
07:40depois dessas últimas negociações.
07:42Aonde, uma última pergunta.
07:44Hoje nós noticiamos no portal antagonista.com.br
07:47que o Senado americano aprovou três resoluções
07:49para suspender os poderes de emergência
07:51utilizados pelo presidente Donald Trump,
07:53com o objetivo de impor tarifas a produtos estrangeiros.
07:57Então, você tem aí uma oposição no Senado
07:59ao tarifaço do Trump.
08:01A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes
08:04para ser aprovada.
08:06E lá tem mais resistências.
08:08Eu estou falando isso porque existe crítica, evidentemente,
08:12dentro dos Estados Unidos a essa política tarifária do Donald Trump.
08:18com o restante do mundo, questões envolvendo o Canadá,
08:21o Brasil, já foram pautas dessa discussão no Congresso americano.
08:25Em que medida você tem prejuízos a empresas, a consumidores americanos?
08:32Porque a gente já falou bastante sobre os prejuízos aqui para o Brasil,
08:35nas exportações brasileiras, as empresas,
08:37eventual desempreio que poderia ocorrer se isso fosse mantido por muito tempo.
08:41Mas, para os Estados Unidos, você vê algum tipo de problema nesse sentido?
08:46Eu vejo assim, Felipe, porque, de novo,
08:50eu tenho uma visão liberal do mundo,
08:54da economia, do comércio,
08:56e acho que o mundo, nas últimas décadas,
08:59ele se beneficiou muito.
09:00E talvez o país que mais tenha se beneficiado desse mundo mais aberto,
09:05com maior comercialização, com tarifas mais baixas,
09:08foi o próprio Estados Unidos,
09:09que teve um crescimento tecnológico, de eficiência,
09:12de competitividade e de renda, por conta disso, muito grande.
09:16Tudo que a gente sabe sobre experiência histórica,
09:20sobre literatura boa de macroeconomia,
09:23mostra que quanto mais fechado o país,
09:26quanto mais protecionista,
09:28quanto mais ele aumenta tarifas,
09:29ele colhe mais ineficiência,
09:32custos mais altos,
09:34e, no final, menos investimentos e menos crescimento.
09:36Aliás, o Brasil é um exemplo disso,
09:39ao longo de décadas de 80, 90, 2000,
09:42por ser um país fechado.
09:44Agora, isso demora para gerar esses resultados,
09:46em termos de aumento de inflação, de ineficiência,
09:49mas eu acho que, à medida que isso vai ser colhido nos Estados Unidos,
09:53eu acho que isso vai acontecer,
09:54eu vejo que a sociedade americana vai reagir.
09:57Não só a classe política,
09:59mas consumidores, produtores,
10:02que passam a ter custos mais altos,
10:04produção mais cara.
10:06Então, eu acho que faz sentido se esperar esse tipo de reação dentro da sociedade americana.
10:11E, Aude, para não perder a oportunidade da sua presença,
10:15já que a gente comentou dias atrás a vitória eleitoral do Javier Milley,
10:19presidente da Argentina, lá no Congresso Argentino,
10:22hoje mais cedo a gente cobriu ali um afago entre autoridades americanas e o governo Milley,
10:28e o secretário do Tesouro Scott Besson,
10:30falou que é a última chance de a Argentina se afastar de décadas de atraso nos governos de esquerda,
10:37com essa mentalidade mais liberal.
10:40Como você tocou nesse assunto,
10:43o que você vê de importante que o Milley tem feito lá,
10:46com já, vamos dizer assim,
10:49efeitos sendo sentidos pela população a ponto de conseguir uma vitória eleitoral,
10:53e que poderia ser aplicado e não é aqui no Brasil?
10:58Boa pergunta, né?
11:00Se a gente olha para a Argentina,
11:01a Argentina era a terceira economia mais rica em termos de renda per capita,
11:06início do século passado,
11:07e ao longo de décadas de experiências populistas, peronistas,
11:11foi destruindo essa economia,
11:13foi caindo seu nível de renda,
11:15foi se tornando relativamente mais pobre.
11:18E o Milley, quando assume,
11:20tem um país que vem há dois, três anos com déficits muito grandes,
11:24dívida elevada, inflação passando de 200%,
11:27e passa a fazer, diferentemente de outras experiências mais graduais,
11:31como o próprio Macri tentou,
11:33e talvez com o aprendizado do Macri,
11:34ele tem vários ministros que eram do Macri,
11:36e falam desse aprendizado,
11:38começou a fazer reformas mais rápidas.
11:40Fez um ajuste de gastos muito significativo,
11:43cortou quase 30% do orçamento,
11:45sai de um déficit de 1% do PIB,
11:48sai de um déficit de 5% do PIB,
11:50para um superávit de 1%,
11:52é o maior ajuste primário feito
11:53em qualquer economia que se conhece nas últimas décadas,
11:57mas, claro, com um ajuste duro,
11:58com custos de redução de programas sociais,
12:01e aparentemente teve uma derrota,
12:04assim, na primeira eleição em Buenos Aires,
12:06que se esperava, talvez, um novo resultado negativo,
12:09mas parece que a sociedade argentina
12:11cansou das medidas anteriores
12:14e redobrou essa aposta.
12:16Eu acho que é muito importante,
12:18porque quando a gente olha para as experiências,
12:20mesmo na direita brasileira,
12:22ela muitas vezes tem um discurso que é de direita,
12:25do ponto de vista conservador,
12:26mas, no ponto de vista da economia,
12:27não conseguiu fazer avanços mais liberais,
12:31mais no sentido de aumento de produtividade,
12:33de reformas.
12:34Então, dar certo na Argentina,
12:36a Argentina prosperar e entregar,
12:38crescimento, prosperidade,
12:39eu acho que pode ser uma mensagem
12:41muito relevante, não só para o Brasil,
12:43mas para a América Latina como um todo.
12:45Maravilha.
12:46Lembrando a todos que o Macri,
12:47citado pelo nosso Aude Cunha,
12:49Maurício Macri,
12:50empresário que foi presidente da Argentina
12:51entre 2015 e 2019.
12:54Aude, muito obrigado pela sua participação
12:56no Papo Antagonista.
12:57Semana que vem tem mais.
12:59Boa noite, bom trabalho, um grande abraço.
13:01Obrigado, boa noite, um abraço a todos.
13:04Obrigado.
13:11Obrigado.
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