O estrategista-chefe da Avenue, Will Castro Alves, analisa o impacto da disputa tributária brasileira no balanço da Netflix.
A gigante do streaming reportou lucro abaixo do esperado e perdeu bilhões de dólares em valor de mercado após registrar uma despesa não recorrente de cerca de US$ 619 milhões, referente a um litígio fiscal com o fisco brasileiro.
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00:00Nos Estados Unidos, o investidor também está desconfiado com os atritos do país, com China e também com a Rússia.
00:07Aliás, principalmente com a Rússia nesta quinta-feira.
00:10Já grandes empresas apresentam os balanços, como a Netflix, que teve um impacto bilionário por causa de uma disputa tributária aqui no Brasil.
00:19E o nosso entrevistado agora é o estrategista-chefe da Avenue, o economista Will Castro Alves, direto de Miami, chegando aqui para conversar com a gente mais uma vez.
00:27Bem-vindo, Will. Boa noite.
00:30Boa noite. Sempre prazer falar contigo, Tiago.
00:32É um cardápio de assuntos, mas a gente podia começar sobre essa história da Netflix.
00:36O que o Brasil tem a ver com esse estresse aí nos Estados Unidos?
00:39Porque esse é o período em que estão sendo divulgados os balanços das empresas.
00:44E, de uma certa maneira, isso mexe com a Bolsa. Mas por que a Netflix?
00:50Pois é, Tiago. Quem diria que a CID, Imposto Brasileiro, que foi criado para, de alguma forma, tentar proteger a tecnologia nacional.
00:58Então, toda vez que uma empresa no Brasil fizer remessas e pagamentos para uma empresa no exterior referentes à aquisição de produtos e serviços de tecnologia, paga-se 10%.
01:09Bom, numa causa que se enrolava na justiça já desde 2022, a Netflix teve um revés.
01:18Como é que funciona isso?
01:20A empresa recorre, essa causa vai sendo julgada.
01:25E, a partir do momento que essa causa passa a ser cada vez mais provável a perda e que ela vá ter que executar o pagamento de um determinado valor,
01:34ela tem que transitar, jogar isso para o seu balanço.
01:36E foi exatamente isso que aconteceu agora nesse trimestre.
01:40Por uma decisão, numa causa semelhante com a Scania, uma decisão do STF, fez com que a Netflix agora passasse a ter que reportar isso como uma perda provável.
01:53Uma perda numa causa contra o fisco brasileiro de 619 milhões de dólares, bastante relevante,
02:00que fez com que o resultado da Netflix, aí sim reportado nos Estados Unidos e nível global, ficasse aquém daquilo que o mercado estava esperando.
02:09A receita da empresa cresceu 17%, o Netflix continua crescendo, o resultado foi bom.
02:15Agora, o que não foi bom foi nessa última linha ver um número bem abaixo.
02:19E aí o mercado se perguntou por quê?
02:20Bom, por conta de um litígio com a justiça brasileira que fez com que o Netflix perdesse alguns bilhões de dólares de valor de mercado.
02:28E outras empresas também vêm chamando a atenção no mercado.
02:33Eu sei que hoje o petróleo subiu por causa do desentendimento entre Donald Trump e essa resposta que foi dada pelo governo da Rússia, não é, Will?
02:46Exato.
02:47Para quem está nos assistindo entender, a Rússia é responsável por 10% do petróleo global.
02:52Tem uma relevância na produção de petróleo.
02:55O Donald Trump vinha conversando com o Putin e tentando negociar um acordo de paz, até porque tem interesse geopolítica na Ucrânia.
03:04Já tem um acordo firmado entre Estados Unidos e Ucrânia para a reconstrução do país e acesso a minerais de terras raras lá na Ucrânia.
03:10Então os Estados Unidos têm esse interesse.
03:12O Kremlin e o Putin não vêm escutando muito, ou não vêm concordando muito com o Trump.
03:17E aí uma forma de pressionar a Rússia foi colocar esse embargo primeiro, uma sanção ao petróleo russo.
03:25Para a Rússia é bem verdade que a gente sabe que os Estados Unidos já não é um grande comprador relevante.
03:32O petróleo russo vai para outros lugares.
03:34Agora, ainda assim, é emblemático e indicativo e também pode gerar, gera sempre a especulação no mercado que outros países coloquem também essas limitações.
03:46E aí, isso acontecendo, obviamente você tem o que a gente chama de um choque de oferta.
03:50Pelo menos você retira o petróleo russo de mercado ou reduz essa oferta russa que 10% de oferta total do petróleo é relevante.
04:00E acaba fazendo o preço, por isso que o petróleo subiu hoje 5% e acabou puxando também as ações petroleiras na bolsa americana.
04:07Oi, você trabalha aí nos Estados Unidos, claro, com o dólar, presta assistência para os brasileiros.
04:14E hoje o presidente Lula voltou a falar sobre essa possibilidade, algo que ele já vinha defendendo,
04:21de que pode haver uma moeda alternativa ao dólar nessas negociações internacionais.
04:26E o dólar, a moeda americana, hoje eu vi um balanço, já caiu 14% só nesse ano de 2025.
04:33De que forma isso estressa o mercado aí, que depende do próprio dólar?
04:39Pois é, o dólar tem tido um ano que não foi dos melhores.
04:42Vale lembrar também que a gente começa o ano de 2025 com o dólar perto da máxima.
04:48A gente tinha aquela história do Make America Great Again, aquele entusiasmo com o Trump ganhando as eleições.
04:53Aí o dólar acaba, 2024, muito perto da máxima.
04:57De lá para cá passa por uma correção, é normal.
05:00A gente tem uma... a economia americana continua crescendo, mas deu uma desacelerada.
05:04Os yields, os títulos de dívida, a remuneração da renda fixa nos Estados Unidos também cedeu.
05:10E isso acaba tornando outros mercados mais interessantes, mais atrativos.
05:14Inclusive, esse é um vetor aí que tem ajudado bastante o real brasileiro.
05:19O fato da taxa de juros brasileira ser muito elevada.
05:21Isso acaba atraindo investidores para aproveitar essa renda fixa.
05:27Agora, normalmente, esse é um movimento...
05:29Isso que eu tenho salientado bastante com clientes e com brasileiros.
05:33Olha, isso normalmente é um movimento tático.
05:35Estruturalmente, você não viu uma melhora na economia brasileira substancial.
05:40Na verdade, você continua vendo riscos bastante elevados.
05:42Aquilo que motivou a alta do dólar em 2024, que foi o receio com a situação fiscal,
05:48continua presente, continua na mesa ainda de debate, ou na mesa de receios relacionados ao Brasil,
05:54olhando para 2025 e ainda mais para 2026, com uma eleição se aproximando.
05:58Então, nada disso mudou.
06:00Taticamente, pontualmente, o dólar está fraco nesse ano.
06:05Agora, a gente já vê uma mudança em relação à movimentação da moeda frente ao euro.
06:10Por exemplo, cada vez mais o mercado questionando também a economia da Europa, a força do euro.
06:15Então, é questão, a meu ver, de tempo para questionar também até que ponto vale a pena correr o risco
06:20de uma forte desvalorização cambial ali na frente para pegar um juro mais elevado no Brasil.
06:26Uma última pergunta, Will.
06:28Será que todo o estresse da semana já passou aí nos Estados Unidos, apesar de amanhã a gente ter mais um dia da Bolsa funcionando?
06:39Ou é possível acontecer, já que Donald Trump é sempre imprevisível, Will?
06:44Não, totalmente imprevisível.
06:46Realmente, em 24 horas, muita coisa pode acontecer.
06:48Mas, em especial para amanhã, o que vai estar no radar dos investidores é a indicação, é a inflação do consumidor americano.
06:56Apesar do shutdown aqui ainda acontecer, existe uma grande expectativa que até o final do mês se resolva, ou seja, até a semana que vem se resolva.
07:04O shutdown ainda está acontecendo, mas o Bureau de Estatísticas aqui dos Estados Unidos vai entregar o dado do CPI,
07:11o dado de inflação ao consumidor amanhã.
07:14Não, dado super relevante e importante, que acaba mexendo com juros aqui nos Estados Unidos.
07:18E aí se mexe com juros, mexe com o dólar, mexe com a Bolsa, e isso acaba tendo repercussão no mercado inteiro.
07:24Você está sempre convidado a voltar aqui a Jovem Pan, Will Castro Alves, economista, estrategista-chefe da Avenue, que tem sede em Miami.
07:32Muito obrigado mais uma vez, Will.
07:34Bom resto de semana para você, a gente volta a se falar. Um abraço.
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