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Especialista explica: o que uma super tempestade solar pode fazer com a Terra?
Olhar Digital
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há 3 meses
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Tecnologia
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00:00
E para entender melhor esse assunto, vamos receber uma visita especial aqui no Olhar Digital News.
00:08
Marcelo Zurita, que é astrônomo e colunista aqui do Olhar Digital.
00:14
Vamos lá bater um papo ao vivo com o Marcelo Zurita?
00:18
Olá, Marcelo Zurita, boa noite. Seja muito bem-vindo ao Olhar Digital News nesta quinta-feira.
00:25
Boa noite, Marisa. Boa noite a todo mundo da comunidade do Olhar Digital.
00:30
E dá um medinho ver uma notícia dessa, Marisa.
00:34
Com toda certeza, principalmente dizendo que não é se, é quando.
00:39
Agora, Zurita, conta um pouquinho mais para a gente sobre esse evento de Carrington
00:43
e por que hoje o efeito de uma super tempestade solar seria muito mais grave.
00:50
Pois é, esse evento de Carrington, que aconteceu em 1859, eu não era nascido ainda,
00:56
mas eu já estudei muito ele. Foi a maior super tempestade solar já registrada.
01:02
Ela foi causada por uma ejeção de massa coronal, que a gente vê muito delas por aí hoje em dia,
01:09
através desses telescópios, dessas câmeras voltadas para o Sol.
01:14
Só que essa foi uma ejeção de massa coronal massiva, que atingiu a Terra em cheio.
01:19
E, na época, foi algo espetacular.
01:23
Gerou auroras boreais, auroras polares visíveis em áreas tropicais, em regiões tropicais,
01:30
inclusive no Caribe.
01:34
Havia relato de pessoas que conseguiam ler um livro durante a noite com a luz das auroras.
01:39
Imagina um negócio desse.
01:40
Bem intenso mesmo foi esse evento.
01:43
Agora, no que diz respeito aos danos, foi realmente bastante limitado na época,
01:50
porque a nossa tecnologia era incipiente.
01:54
Basicamente, ele acabou causando choques elétricos nos operadores de telégrafos.
01:59
Em alguns casos, alguns pequenos incêndios e curtos circuitos no sistema de transmissão do telégrafo.
02:08
Agora, hoje em dia, a nossa sociedade é muito mais dependente da tecnologia, da eletrônica, das redes integradas.
02:17
Então, uma repetição de um evento como o de Carrington resultaria numa catástrofe
02:22
e com as implicações muito mais amplas.
02:25
Além do colapso da rede elétrica, que hoje em dia toda a pequena cidade do interior recebe energia elétrica.
02:34
Então, tudo isso iria colapsar, muito provavelmente transformadores iriam queimar,
02:39
iriam gerar sobrecarga nos sistemas que continuassem funcionando.
02:44
Isso iria causar apagões, apagões que durariam semanas, talvez meses.
02:50
Iria afetar os nossos satélites, porque essa corrente dessas partículas energizadas do Sol
02:57
iriam acabar gerando pequenos curtos nos componentes eletrônicos dos satélites,
03:03
nos nossos próprios equipamentos eletrônicos em casa.
03:06
Então, imagine aí uma vida sem energia elétrica, sem GPS, sem internet, sem redes sociais.
03:15
Então, ia ser realmente um caos para a nossa vida tecnológica de hoje em dia.
03:22
Realmente imaginando que hoje a palavra é conexão, está tudo em nuvem,
03:27
e você não lembra de mais nada, não tem mais nada anotado.
03:30
Ou seja, se algo assim...
03:32
Tem IA.
03:33
Pois é, sem inteligência artificial.
03:35
Se algo assim acontecesse nos dias de hoje, a população sentiria e sentiria muito, não, Zurita?
03:42
Não, com certeza.
03:43
E praticamente toda a população, só as nossas populações ainda originárias,
03:53
vivendo lá em áreas isoladas, é que não iam mudar muito na vida deles.
03:58
Mas para nós, aqui das cidades, nós que vivemos hoje em dia secados por essas tecnologias,
04:04
a gente ia perder elas de uma hora para outra.
04:07
Então, seria realmente um caos.
04:09
Bom, pois é, a nossa sorte é que as tempestades solares hoje, por enquanto,
04:14
a gente nem sente, tem só aquelas auroras um pouco mais bonitas.
04:18
Agora, Zurita, como disse a reportagem, que não é uma questão de se, mas sim quando,
04:25
por que é falado dessa forma?
04:27
Explica para a gente.
04:29
Pois é, porque as tempestades solares, as ejeções de massa coronal,
04:35
elas acontecem o tempo todo.
04:36
A gente tem hoje em dia satélites como o Sorro, que ficam monitorando o Sol,
04:41
e aí a gente sabe que existe um ciclo de, a cada 11 anos aproximadamente,
04:46
a gente tem uma máxima solar com a maior atividade do Sol,
04:50
seguidos de vales, onde a gente tem menos atividade.
04:54
Mas essas ejeções, elas ocorrem em maior número durante esse período de máxima,
04:58
e elas ocorrem sempre, o tempo todo.
05:00
A gente tem a sorte de que nem sempre o Sol está virado na direção da Terra,
05:05
essa ejeção está virada na direção da Terra quando ela ocorre.
05:09
Então a gente vê muitas vezes as ejeções saindo na lateral, na parte de cima e tudo,
05:15
mas se elas ocorressem, apontando na direção da Terra,
05:20
a gente ia ter algo como o que aconteceu em 1859, lá com o evento de Carrington.
05:27
Então o que acontece, a gente sabe que é uma questão de estatística.
05:32
Elas continuam acontecendo, como ocorreram há 100, 200, mil anos atrás,
05:37
como elas ocorrem enquanto o Sol está aí na sua fase principal.
05:43
E se elas continuam ocorrendo, elas vão ocorrer agora, nos nossos tempos modernos.
05:48
Então a gente só não sabe exatamente quando, porque é uma coisa muito difícil da gente prever
05:55
quando essa ejeção de massa coronal vai ocorrer na direção da Terra.
06:00
Então a gente tem que ficar monitorando o Sol para quando isso acontecer,
06:04
a gente está minimamente preparado, porque como a gente viu, o caos vai vir de um jeito ou de outro.
06:11
Por falar em monitorar, Zurita, quais equipamentos ou quais tecnologias
06:17
nós temos à disposição para fazer esse monitoramento dessas ejeções solares?
06:26
Bom, hoje a gente tem o monitoramento feito por uma combinação de tecnologias,
06:32
parte em órbita da Terra, parte em solo e até outros objetos aí no espaço
06:38
que estão fora da órbita da Terra.
06:40
Por exemplo, a gente tem satélites em L1, como é o caso do sorro que eu citei agora há pouco.
06:45
Ele fica lá no ponto de Lagrange, L1, entre a Terra e o Sol.
06:50
E aí, com isso, ele consegue monitorar aquelas ejeções que vão atingir a Terra lá
06:58
alguns minutos antes.
07:00
Elas atingem primeiro o sorro para depois atingir a Terra.
07:03
Então, a gente tem uma certa antecedência, 15 minutos, uma hora de antecedência
07:09
para a gente se preparar aí.
07:12
A gente tem satélites de observação solar, que monitoram a superfície do Sol,
07:16
detectando os flares, o início das ejeções de massa coronal.
07:21
E a gente tem também observatórios terrestres com magnetômetros
07:25
que monitoram essas flutuações do campo magnético da Terra,
07:29
que são indicativos de tempestade geomagnética em curso.
07:32
E uma coisa interessante, Marisa, o que aconteceu em 1859,
07:37
que é o maior risco que aconteça agora novamente,
07:41
é que no evento de Carrington não foi uma ejeção coronal isolada.
07:47
Teve primeiro uma ejeção mais fraca que reduziu,
07:50
que fragilizou o campo magnético da Terra,
07:53
e aí depois veio uma mais intensa.
07:56
E se isso acontecer novamente agora,
07:58
o efeito vai ser muito similar em termos daquilo que vai atingir a Terra,
08:03
mas os danos vão ser bem maiores.
08:06
Agora, em termos de evolução, nós temos novas tecnologias
08:10
que estão sendo desenvolvidas para melhorar, digamos assim, esse monitoramento?
08:13
Ah, sim.
08:15
A gente teve algumas semanas atrás um lançamento da SpaceX
08:20
que levou três satélites para a órbita da Terra
08:25
para monitorar o clima espacial, chamado clima espacial.
08:30
Esses satélites da NASA.
08:32
A ESA também está investindo em novas tecnologias.
08:35
Essa simulação feita pela Agência Espacial Europeia
08:39
mostra justamente como isso também é uma preocupação dos europeus.
08:44
Então, eles estão investindo em tecnologias
08:46
para poder aumentar o tempo de aviso prévio das super tempestades.
08:51
Uma coisa curiosa, o Sol, assim como a Terra, está girando no espaço.
08:56
Então, às vezes, você tem uma CME, uma injeção de massa coronal
09:02
sendo, digamos assim, preparada aqui na parte de trás do Sol
09:05
que a gente não consegue observar da Terra.
09:08
E aí, a ESA está projetando uma missão chamada Vigil
09:12
que vai colocar um satélite em L5, no ponto de Lagrange 5,
09:17
que fica 60 graus afastado da Terra.
09:20
Na mesma órbita da Terra, mas 60 graus afastado do nosso planeta.
09:25
E aí, ela vai poder ver, esse satélite vai poder ver com antecedência
09:28
quando essa região ativa do Sol estivesse virando na direção da Terra.
09:35
Então, a gente teria aí uma previsão um pouco maior
09:38
de alguns dias a mais para a gente poder se preparar
09:44
caso tivesse alguma coisa ruim sendo preparada para a Terra, pelo Sol.
09:52
Tá certo.
09:53
Tá aí. Marcelo Zurita, superobrigada por participar aqui conosco
09:57
da edição de hoje.
09:59
E amanhã tem o Olhar Espacial, não é?
10:02
É verdade. Amanhã a gente vai estar recebendo o Christian Pereira,
10:07
que foi o cientista brasileiro, o astrônomo brasileiro,
10:12
que encabeçou um trabalho que descobriu anéis em formação em torno de um asteroide.
10:18
Essa descoberta é publicada essa semana e já amanhã, na sexta-feira,
10:23
ele vai estar com a gente no Olhar Espacial para a gente debater esse tema tão interessante,
10:27
essa descoberta tão importante também para a astronomia brasileira.
10:31
Olha que bacana.
10:32
Então, foi muito bom já ter esse spoiler para já se preparar e reservar aí o espaço na agenda,
10:37
não é, Marcelo? Para não perder.
10:40
Bom, Zurita, muitíssimo obrigada por hoje e nos encontramos amanhã.
10:44
Tenha uma excelente noite.
10:46
Boa noite e até a próxima.
10:49
Até, Zurita.
10:50
Está aí, pessoal, Marcelo Zurita, astrônomo, participando aqui conosco,
10:55
colunista do Olhar Digital, trazendo todas essas informações aqui para nós.
11:00
E amanhã, como vocês viram, Olhar Espacial imperdível, hein?
11:03
E amanhã, como vocês viram, olhar Espacial imperdível.
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