No JP Sustentável, o co-diretor executivo do Pacto Global da ONU no Brasil, Guilherme Xavier, e o presidente da Scania na América Latina, Christopher Podgorski, debatem o papel das empresas na economia verde. Eles explicam como a sustentabilidade deixou de ser um custo para se tornar uma estratégia lucrativa, impulsionada pela demanda do consumidor e dos investidores.
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00:00Guilherme, eu começo com você porque sustentabilidade foi um tema que por muito tempo as empresas viram como custo.
00:07Quando é que a gestão mudou e elas perceberam que isso é estratégia econômica, além de uma imagem de credibilidade diante do consumidor?
00:16Perfeito, Patrícia. Bom, esse é um movimento do setor privado que já acontece de fato há algum tempo.
00:21E quando que ele começa a ser realmente relevante?
00:24Quando as empresas percebem que o consumidor está buscando práticas sustentáveis, que ele está valorizando produtos que têm esse compromisso com o longo prazo, com o planeta, com as relações de trabalho.
00:37E ele também fica fundamental do ponto de vista das empresas quando os investidores também colocam compromissos de investimento sustentável.
00:44Então, o Propacto Global tem uma iniciativa que chama PRI, que é Principles Responsible Investment, onde as empresas colocam seus padrões e os investidores, então, eles vão buscar aquelas empresas que são aderentes a esses princípios de investimento responsável.
01:00Então, acho que esses são os dois grandes movimentos.
01:02O padrão de consumo, consumidores mais bem informados e buscando essa agenda, e os investidores entendendo que isso, de fato, é uma alavanca de valor, é uma alavanca de gerar melhor resultado para as empresas.
01:14Cris, Sophie, a adesão é voluntária, né? Nesse movimento aí do Pacto Global.
01:19Por que a Scania resolveu entrar e o que ela vê de gestão e lucro mesmo também nessa gestão que preserva o meio ambiente, além da questão econômica?
01:28Sim, Patrícia. Nós aderimos em 2019, mas a nossa jornada já tem 10 anos, desde o momento que aderimos ao Acordo Climático de Paris, né?
01:40E, naquela ocasião, uma empresa de 130 anos, de origem escandinava, referência em sustentabilidade, no uso racional de recursos naturais,
01:53entendemos que éramos parte do problema em termos de emissões de CO2 e que teríamos que ser parte da solução.
02:00Então, o advento de unirmos forças no Brasil com mais 2.300 empresas nos permite uma troca de melhores práticas, de ações, de iniciativas, de ideias, de insights,
02:16e buscando que nós tenhamos a possibilidade de criar um novo ecossistema de transportes, com novas soluções, com novas infraestruturas, desta vez descarbonizadas.
02:30Além da consciência, né? Dessa questão ambiental, do Acordo de Paris, de reduzir emissões, vocês estão no pacto, estão também no acordo,
02:39vocês viram uma mudança do consumidor que pede por isso, é uma demanda do próprio mercado, que faz a gestão da Scania mudar o foco e alternativas?
02:49Entendemos que sim, essas 2.300 empresas têm sua cadeia de valor, quase todas são consignatárias do Science Based Targets,
03:04e todos têm o mesmo ponto de interrogação, que é o escopo 3, né?
03:08O que fazer para mitigar a sua pegada de carbono, uma vez que o produto sai do seu portão de fábrica, por exemplo?
03:18Então, em conjunto, nós entendemos que eles demandam uma solução de transporte descarbonizado.
03:25E aí, nós entendemos que a oportunidade de crescimento e renovação de frotas, obrigatoriamente, passa por soluções descarbonizadas.
03:36Guilherme, os combustíveis fósseis e o transporte é visto como um vilão aí dessa questão da mudança climática, do aquecimento do planeta,
03:46e a gente tem discutido muito diminuir essas emissões.
03:49Como vocês têm incentivado o transporte a fazer essa transição energética necessária?
03:56Perfeito, Patrícia.
03:58Como você mencionou e o Cristian falou, o movimento das empresas é um movimento voluntário.
04:04Então, são os detentores de carga, identificando que precisam reduzir a sua pegada de carbono no escopo 3
04:09e demandando caminhões da Scania, que são caminhões a biometano, que são a biodiesel e assim por diante.
04:15Então, o que a gente lidera muito é esse movimento voluntário das empresas.
04:20Só que esse movimento voluntário, ele acaba repercutindo também na necessidade de políticas públicas.
04:26Então, no limite, quer dizer, obviamente, quando você olha o escopo de emissões do Brasil,
04:31você tem, obviamente, os dois maiores, uso de terra e agricultura, mas na sequência você tem o terceiro, que é justamente transporte.
04:38Então, é 11% das nossas emissões são transportes.
04:42E uma vez que a gente conseguir resolver a questão da emissão, principalmente do desmatamento ilegal,
04:46a gente conseguir realmente ter o selo de que a gente tem uma agricultura de baixo carbono.
04:50O grande desafio, o próximo grande desafio em termos de redução do footprint do NDC brasileiro,
04:56passa a ser exatamente a questão de transporte.
04:59Então, acho que nesse sentido que a gente trabalha com as empresas buscando esses movimentos voluntários,
05:03mas, de alguma forma, tentando influenciar também em boas políticas públicas.
05:07Políticas que façam com que os combustíveis, os biocombustíveis,
05:11passam a ser uma rota tecnológica viável para o Brasil,
05:14que a infraestrutura esteja presente,
05:17que o financiamento possa ser feito dentro de um regulamento claro, de uma taxonomia sustentável.
05:22Então, eu acho que o trabalho do Pacto, junto com empresas com Scania,
05:26é avançar este movimento voluntário,
05:29mas, ao mesmo tempo, buscar boas políticas públicas
05:32que permitam que o setor se descarbone, se descarbonize,
05:37dentro de regras muito claras e de um investimento seguro
05:40para que a gente possa fazer, como o Christopher falou, a renovação das frotas.
05:43Frota de transporte público, frota de transporte de carga e assim por diante.
05:47Além de políticas públicas, Christopher,
05:49como é que você vê os incentivos do próprio empresário?
05:52Porque não adianta a gente mudar a cadeia, investir em tecnologia ali,
05:56no transporte, se ele não tiver a matéria-prima, né?
05:58Que é o biocombustível, o uso da bateria, fontes para recarregar aí,
06:03o uso dos elétricos, por exemplo.
06:06Os empresários, eles esperam que o governo venha com essa estrutura,
06:09incentiva em novas cadeias, né?
06:11Da produção sustentável nesse sentido de combustíveis, né?
06:15Ou o próprio empresariado já tem se unido nesse caminho
06:18para gerar emprego também de outras formas
06:20e fazer essa cadeia realmente muito promissora do início até o fim?
06:24Pergunta excelente.
06:26Como eu disse, nós estamos desenhando um novo ecossistema
06:29que desafia aquele vigente já há 12 décadas, né?
06:34E com base energética fóssil.
06:37Então, para construir um novo ecossistema,
06:39seja eletrificado ou com biocombustíveis,
06:42tem que haver a infraestrutura disponibilizada.
06:46Então, estaríamos falando de incentivos, sim.
06:50Eles já estão regulamentados, alguns,
06:52no Brasil, especificamente pela legislação recém-aprovada,
06:59que é o combustível do futuro,
07:01que traz alguns incentivos para aqueles que produzem o biometano, por exemplo.
07:06E os incentivos não são subsídios,
07:08são tax breaks, taxonomics, como você estava mencionando, Guilherme.
07:14Corredores específicos,
07:16onde você tem a garantia de abastecimento
07:18desse combustível alternativo e renovável.
07:21mudança na regulamentação e na legislação dos veículos em si.
07:28Por exemplo, os veículos movidos a gás precisam,
07:31e já têm aprovados,
07:33uma tolerância de um peso maior no eixo dianteiro
07:36para poder fazer frente aos tanques de gás.
07:41Enfim, a regulamentação estava toda desenhada
07:44para os combustíveis fósseis.
07:46Então, o papel do governo é muito importante.
07:48Subsídios a gente sabe que não vai ter,
07:50porque não existe recurso disponível,
07:53mas incentivos para fazer, vamos dizer,
07:56esse novo ecossistema se sustentar
07:59passo a passo e dar confiança ao empresariado
08:03para fazer o investimento,
08:05isso já está ocorrendo.
08:06Incentivo fiscal no sentido, por exemplo,
08:08de também chegar mais barato no mercado?
08:11Porque hoje, essa semana,
08:12saiu uma pesquisa que mostra
08:13entre dez empresas, quatro
08:16querem trocar a frota por frota elétrica
08:18ou movida a biocombustível.
08:20Mas acredita que o preço também
08:22continua muito alto quando chega no mercado.
08:25E aí é que o governo precisa atuar?
08:27Sim, naturalmente, sustentabilidade
08:31também se reflete na sustentabilidade
08:34econômica e financeira.
08:37Entendemos que as soluções que oferecemos
08:39hoje já estão para e passo.
08:42A eletrificação já ainda é aquela história
08:45do ovo da galinha, né?
08:48Precisaríamos ter industrialmente
08:50uma escala maior, volumes maiores,
08:54porque o preço de aquisição hoje
08:56ainda é bastante elevado,
08:58embora o custo operacional
08:59seja bem menor.
09:00Então, ao longo da vida útil
09:02de um produto descarbonizado,
09:05você acaba tendo retorno.
09:08Enfim, acho que os incentivos,
09:12a visibilidade de quem não busca preço,
09:16mas busca valor,
09:18ao longo do ciclo de vida útil do produto,
09:21aí já existe uma boa competitividade.
09:24agora, se você me permitir,
09:27a gente tem que seguir um pouco
09:29a vocação de cada país.
09:32Não é a tecnologia,
09:33não existe uma flecha de prata
09:34numa tecnologia que será vencedora.
09:38O Brasil, com sua pujança no agronegócio,
09:41como maior produtor de proteína animal e vegetal,
09:46também é a maior produtor de resíduos orgânicos,
09:48que é a matéria-prima para a produção,
09:51por exemplo, do biometano.
09:53Ou, na produção agrícola,
09:55a produção do biodiesel.
09:58Então, isso tem, vamos dizer,
10:00um vento de cauda bastante interessante,
10:03com bastante adesão ao movimento econômico e social do país.
10:08A gente acredita muito,
10:10vamos oferecer todas as tecnologias,
10:13mas somos pioneiros e estamos ampliando a gama de oferta
10:17de veículos com biocombustíveis.
10:21Como unir melhor essa cadeia?
10:23É isso que ele disse.
10:24A gente tem muitos resíduos e, às vezes,
10:25trabalha com o rejeito,
10:27não como matéria-prima,
10:28e essa cadeia ainda, às vezes,
10:31nem sabe como pode contribuir,
10:33se interligar ali,
10:34para fazer com que o Brasil,
10:36em todos os passos e etapas,
10:38consiga transformar melhor o biocombustível,
10:41o biometano e por aí mais.
10:43Perfeito, Patrícia.
10:44E essa é exatamente a vocação do pacto,
10:46do pacto global.
10:47A gente trabalha justamente esse engajamento
10:49intersetorial, multissetorial,
10:52em objetivos muito claros.
10:53Objetivos de meio ambiente,
10:54de trabalho,
10:55de antigovernância e direitos humanos.
10:58E, especificamente,
10:59nessa questão, então,
11:00de descarbonização do transporte,
11:02esse é um bom exemplo que o pacto tem.
11:05A gente tem uma iniciativa,
11:06dentro da nossa plataforma de meio ambiente,
11:08que chama Hub de Biocombustíveis e Eletrificação,
11:12onde a gente une, justamente,
11:13os vários atores da cadeia.
11:14Os fabricantes, como a Scania,
11:16que lidera, inclusive, o Hub,
11:18detentores de carga,
11:20como as empresas,
11:21como o pessoal do agronegócio,
11:25o pessoal da manufatura,
11:26os movimentadores de carga,
11:28as empresas de logística,
11:30e até setores como varejo, etc.
11:33Então, é um grupo, hoje,
11:35que são cerca de 80 empresas,
11:37que fazem, ao longo do ano,
11:39várias discussões, por exemplo,
11:41sobre quais são as rotas possíveis.
11:43Então, pode ser hidrogênio,
11:44pode ser eletrificação,
11:45pode ser biodiesel,
11:46pode ser biocombustíveis.
11:47Então, é uma discussão intersetorial,
11:49onde a gente, inclusive,
11:50tenta, como eu falei antes,
11:52influenciar,
11:52trazer o agente público,
11:54para ele também entender,
11:55trazer o agente financeiro,
11:56para ele ver o potencial de negócio,
11:58a partir da renovação,
11:59da frota.
12:01E é uma iniciativa em que a gente faz justamente isso,
12:03reforça a capacidade de unir pessoas
12:05que têm interesses comuns,
12:07mas que estão, muitas vezes, dispersos,
12:08e sem essa visão de como é que as coisas podem se encaixar.
12:12Então, esse é um bom exemplo,
12:14a gente chama isso do Hub de Biocombustíveis e Eletrificação.
12:18E, como eu falei,
12:18é uma iniciativa bastante bem-sucedida,
12:21liderada pela Scania,
12:22aqui até pelo Christopher,
12:24e que a gente busca exatamente isso,
12:27como você falou,
12:28esse alinhamento de interesses,
12:29em prol de uma causa única,
12:31que é essa,
12:32demonstrar a capacidade que o país tem,
12:34de oferecer boas rotas,
12:36já com uma infraestrutura disponível,
12:38como, por exemplo, a parte de biocombustíveis.
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