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Neste sábado, o JP Sustentável traz um debate especial sobre a economia verde e o papel do setor privado nas grandes transformações do planeta. A apresentadora Patrícia Costa recebe dois convidados de peso: Guilherme Xavier, co-diretor executivo do Pacto Global da ONU no Brasil, e Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America. Os especialistas analisam o que as empresas brasileiras podem e devem fazer para se preparar para a COP30 e como o setor produtivo pode liderar a agenda de sustentabilidade, unindo crescimento econômico e responsabilidade ambiental.
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NotíciasTranscrição
00:00O Pacto Global da ONU é hoje a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo,
00:06com mais de 20 mil participantes em 77 países.
00:10No Brasil, a rede local é a segunda maior do planeta
00:14e reúne mais de 2.300 empresas que assumiram compromissos em temas como clima,
00:21direitos humanos e combate à corrupção.
00:24Esse movimento tem ajudado a acelerar a chamada economia verde,
00:29que busca alinhar crescimento econômico à preservação ambiental.
00:33E para entender como isso acontece na prática hoje,
00:37eu converso com o Guilherme Xavier, co-diretor executivo do Pacto Global Rede Brasil,
00:43e Christopher Podigorsky, presidente e CEO da Scania Latina América,
00:47que tem transformado o setor de transporte com foco em descarbonização e novas tecnologias.
00:54Sejam bem-vindos, obrigada pela presença aqui hoje no JP Sustentável.
00:58Obrigado, Patrícia.
01:00Guilherme, eu começo com você porque sustentabilidade foi um tema que,
01:05por muito tempo, as empresas viram como custo.
01:07Quando é que a gestão mudou e elas perceberam que isso é estratégia econômica,
01:12além de uma imagem de credibilidade diante do consumidor?
01:16Perfeito, Patrícia.
01:17Bom, esse é um movimento do setor privado que já acontece, de fato, há algum tempo.
01:21E quando que ele começa a ser realmente relevante?
01:24Quando as empresas percebem que o consumidor está buscando práticas sustentáveis,
01:29que ele está valorizando produtos que têm esse compromisso com o longo prazo, com o planeta, com as relações de trabalho.
01:37E ele também fica fundamental do ponto de vista das empresas,
01:40quando os investidores também colocam compromissos de investimento sustentável.
01:45Então, o próprio Pacto Global tem uma iniciativa que se chama PRI, que é Principle of Responsible Investment,
01:50onde as empresas colocam seus padrões e os investidores, então, eles vão buscar aquelas empresas
01:56que são aderentes a esses princípios de investimento responsável.
02:00Então, acho que esses são os dois grandes movimentos.
02:02O padrão de consumo, consumidores mais bem informados e buscando essa agenda,
02:06e os investidores entendendo que isso, de fato, é uma alavanca de valor,
02:12é uma alavanca de gerar melhor resultado para as empresas.
02:15Crissof, a adesão é voluntária, né, nesse movimento aí do Pacto Global.
02:19Por que a Scania resolveu entrar e o que ela vê de gestão e lucro mesmo, também,
02:23nessa gestão que preserva o meio ambiente, além da questão econômica?
02:28Sim, Patrícia.
02:30Nós aderimos em 2019, mas a nossa jornada já tem 10 anos.
02:36Desde o momento que aderimos ao Acordo Climático de Paris, né?
02:41E, naquela ocasião, uma empresa de 130 anos, de origem escandinava,
02:46referência em sustentabilidade, no uso racional de recursos naturais,
02:53entendemos que éramos parte do problema, em termos de emissões de CO2,
02:58e que teríamos que ser parte da solução.
03:00Então, o advento de unirmos forças no Brasil com mais 2.300 empresas
03:07nos permite uma troca de melhores práticas, de ações, de iniciativas, de ideias, de insights,
03:18e buscando que nós tenhamos a possibilidade de criar um novo ecossistema de transportes,
03:24com novas soluções, com novas infraestruturas, desta vez, descarbonizadas.
03:31Além da consciência, né, dessa questão ambiental, do Acordo de Paris, de reduzir emissões,
03:37vocês estão no pacto, estão também no acordo,
03:39vocês viram uma mudança do consumidor, que pede por isso,
03:43é uma demanda do próprio mercado,
03:45que faz a gestão da Scania mudar o foco e alternativas?
03:48Entendemos que sim, essas 2.300 empresas têm sua cadeia de valor,
03:57quase todas são consignatárias do Science Based Targets,
04:04e todos têm o mesmo ponto de interrogação, que é o escopo 3, né,
04:08o que fazer para mitigar sua pegada de carbono,
04:12uma vez que o produto sai do seu portão de fábrica, por exemplo.
04:17Então, em conjunto, nós entendemos que eles demandam uma solução de transporte descarbonizado.
04:26E aí, nós entendemos que a oportunidade de crescimento e renovação de frotas
04:31obrigatoriamente passa por soluções descarbonizadas.
04:37Guilherme, os combustíveis fósseis e o transporte é visto como um vilão aí,
04:42dessa questão da mudança climática, do aquecimento do planeta,
04:45e a gente tem discutido muito diminuir essas emissões.
04:50Como vocês têm incentivado o transporte a fazer essa transição energética necessária?
04:56Perfeito, Patrícia.
04:58Como você mencionou e o Cristian falou, o movimento das empresas é um movimento voluntário.
05:04Então, são os detentores de carga,
05:06identificando que precisam reduzir a sua pegada de carbono no escopo 3
05:09e demandando caminhões da Scania, que são caminhões a biometano, que são a biodiesel e assim por diante.
05:16Então, o que a gente lidera muito é esse movimento voluntário das empresas.
05:20Só que esse movimento voluntário, ele acaba repercutindo também na necessidade de políticas públicas.
05:26Então, no limite, quer dizer, obviamente, quando você olha o escopo de emissões do Brasil,
05:31você tem, obviamente, os dois maiores, uso de terra e agricultura,
05:36mas na sequência você tem o terceiro, que é justamente transporte.
05:39Então, é 11% das nossas emissões são transporte.
05:42E uma vez que a gente conseguir resolver a questão da emissão, principalmente do desmatamento ilegal,
05:46a gente conseguir realmente ter o selo de que a gente tem uma agricultura de baixo carbono.
05:50O grande desafio, próximo grande desafio em termos de redução do footprint do NDC brasileira,
05:56passa a ser exatamente a questão de transporte.
05:58Então, acho que nesse sentido que a gente trabalha com as empresas buscando esse movimento voluntário,
06:03mas de alguma forma tentando influenciar também em boas políticas públicas.
06:07Políticas que façam com que os combustíveis, os biocombustíveis,
06:11passam a ser uma rota tecnológica viável para o Brasil,
06:14que a infraestrutura esteja presente,
06:16que o financiamento possa ser feito dentro de um regulamento claro, de uma taxonomia sustentável.
06:23Então, eu acho que o trabalho do Pacto, junto com empresas com Scania,
06:26é avançar este movimento voluntário, mas ao mesmo tempo buscar boas políticas públicas
06:32que permitam que o setor se descarbone, se descarbonize dentro de regras muito claras
06:39e de um investimento seguro para que a gente possa fazer, como o Christopher falou,
06:42a renovação das frotas.
06:43Frota de transporte público, frota de transporte de carga e assim por diante.
06:47Além de políticas públicas, Christopher, como é que você vê os incentivos do próprio empresário?
06:52Porque não adianta a gente mudar a cadeia, investir em tecnologia ali no transporte,
06:56se ele não tiver a matéria-prima, que é o biocombustível, o uso da bateria,
07:01fontes para recarregar aí, o uso dos elétricos, por exemplo.
07:06Os empresários, eles esperam que o governo venha com essa estrutura,
07:10incentive novas cadeias da produção sustentável nesse sentido de combustíveis,
07:15ou o próprio empresariado já tem se unido nesse caminho para gerar emprego também de outras formas
07:21e fazer essa cadeia realmente muito promissora do início até o fim?
07:25Pergunta excelente.
07:27Como eu disse, nós estamos desenhando um novo ecossistema que desafia aquele vigente já há 12 décadas
07:33e com base energética fóssil.
07:37Então, para construir um novo ecossistema, seja eletrificado ou com biocombustíveis,
07:43tem que haver a infraestrutura disponibilizada.
07:46Então, estaríamos falando de incentivos, sim, e eles já estão regulamentados, alguns,
07:53no Brasil especificamente pela legislação recém aprovada, que é o combustível do futuro,
08:01que traz alguns incentivos para aqueles que produzem o biometano, por exemplo.
08:05E os incentivos não são subsídios, são tax breaks, taxonomics, como você estava mencionando, Guilherme.
08:14Corredores específicos onde você tem a garantia de abastecimento desse combustível alternativo e renovável.
08:23Mudança na regulamentação e na legislação dos veículos em si.
08:27Por exemplo, os veículos movidos a gás precisam, e já têm aprovados, uma tolerância de um peso maior no eixo dianteiro
08:36para poder fazer frente aos tanques de gás.
08:41Enfim, a regulamentação estava toda desenhada para os combustíveis fósseis.
08:46O papel do governo é muito importante.
08:48Subsídios a gente sabe que não vai ter, porque não existe recurso disponível,
08:53mas incentivos para fazer, vamos dizer, esse novo ecossistema se sustentar passo a passo
09:01e dar confiança ao empresariado para fazer o investimento, isso já está ocorrendo.
09:06Incentivo fiscal no sentido, por exemplo, de também chegar mais barato no mercado?
09:11Porque hoje, essa semana, saiu uma pesquisa que mostra que entre 10 empresas,
09:154 querem trocar a frota por frota elétrica ou movida a biocombustível.
09:20Mas acredita que o preço também continua muito alto quando chega no mercado.
09:25E aí é que o governo precisa atuar?
09:28Sim. Naturalmente, sustentabilidade também se reflete na sustentabilidade econômica e financeira.
09:37Entendemos que as soluções que oferecemos hoje já estão para e passo.
09:42A eletrificação já ainda é aquela história do ovo da galinha, né?
09:46Precisaríamos ter, industrialmente, uma escala maior, volumes maiores,
09:54porque o preço de aquisição hoje ainda é bastante elevado,
09:58embora o custo operacional seja bem menor.
10:00Então, ao longo da vida útil de um produto descarbonizado,
10:05você acaba tendo retorno.
10:06Enfim, acho que os incentivos, a visibilidade de quem não busca preço,
10:16mas busca valor, ao longo do ciclo de vida útil do produto,
10:21aí já existe uma boa competitividade.
10:25Agora, se você me permitir,
10:27a gente tem que seguir um pouco a vocação de cada país.
10:31não é a tecnologia, não existe uma flecha de prata,
10:35uma tecnologia que será vencedora.
10:38Então, o Brasil, com sua pujança no agronegócio,
10:41como o maior produtor de proteína animal e vegetal,
10:46também é o maior produtor de resíduos orgânicos,
10:49que é a matéria-prima para a produção, por exemplo, do biometano.
10:52Ou, na produção agrícola, a produção do biodiesel.
10:58Então, isso tem, vamos dizer, um vento de cauda bastante interessante,
11:03com bastante adesão ao movimento econômico e social do país.
11:09A gente acredita muito, vamos oferecer todas as tecnologias,
11:13mas somos pioneiros e estamos ampliando a gama de oferta
11:17de veículos com biocombustíveis.
11:20Como unir melhor essa cadeia?
11:23É isso que ele disse.
11:24A gente tem muitos resíduos e, às vezes, trabalha com o rejeito,
11:27não como matéria-prima.
11:29E essa cadeia ainda, às vezes, nem sabe como pode contribuir,
11:33se interligar ali, para fazer com que o Brasil,
11:36em todos os passos e etapas,
11:38consiga transformar melhor o biocombustível,
11:41o biometano e por aí mais.
11:43Perfeito, Patrícia.
11:44E essa é exatamente a vocação do pacto, do pacto global.
11:47A gente trabalha justamente esse engajamento intersetorial,
11:50multissetorial, em objetivos muito claros.
11:53Objetivos de meio ambiente, de trabalho,
11:55de antigovernância e direitos humanos.
11:58E, especificamente, nessa questão, então,
12:00de descarbonização do transporte,
12:02esse é um bom exemplo que o pacto tem.
12:05A gente tem uma iniciativa,
12:06dentro da nossa plataforma de meio ambiente,
12:08que chama Hub de Biocombustíveis e Eletrificação,
12:12onde a gente une, justamente, os vários atores da cadeia.
12:14Os fabricantes, como a Scania, que lidera, inclusive, o Hub,
12:19detentores de carga, como as empresas,
12:21como o pessoal do agronegócio, o pessoal da manufatura,
12:27os movimentadores de carga, as empresas de logística,
12:30e até setores como varejo, etc.
12:33Então, é um grupo, hoje, que são cerca de 80 empresas,
12:37que fazem, ao longo do ano, várias discussões,
12:40por exemplo, sobre quais são as rotas possíveis.
12:43Então, pode ser hidrogênio, pode ser eletrificação,
12:45pode ser biodiesel, pode ser biocombustível.
12:47Então, é uma discussão intersetorial,
12:50onde a gente, inclusive, tenta, como eu falei antes,
12:52influenciar, trazer o agente público,
12:54para ele também entender,
12:55trazer o agente financeiro,
12:57para ele ver o potencial de negócio,
12:58a partir da renovação da frota.
13:00E é uma iniciativa em que a gente faz justamente isso,
13:03reforça a capacidade de unir pessoas
13:05que têm interesses comuns,
13:07mas que estão, muitas vezes, dispersos,
13:09e sem essa visão de como é que as coisas podem se encaixar.
13:12Então, esse é um bom exemplo,
13:14a gente chama isso do Hub de Biocombustíveis e Eletrificação.
13:18E, como eu falei, é uma iniciativa bastante bem-sucedida,
13:21liderada pela Scania, aqui, até pelo Christopher,
13:24e que a gente busca exatamente isso,
13:27como você falou,
13:28esse alinhamento de interesses em prol de uma causa única,
13:31que é essa, demonstrar a capacidade que o país tem
13:34de oferecer boas rotas,
13:36já com uma infraestrutura disponível,
13:38como, por exemplo, a parte de biocombustíveis.
13:40Christopher, nesse caso, você acha,
13:41vocês que são uma multinacional,
13:43que o Brasil se destaca,
13:45já que ele falou aqui,
13:46a gente tem potencial para o hidrogênio verde,
13:48a gente tem portos que podem facilitar,
13:50né, o transporte desse combustível em outros países,
13:54a gente tem energia solar,
13:55a gente tem a ideia elétrica, que é limpa para fazer energia elétrica,
13:58os biocombustíveis, né, de uma forma geral,
14:01feito aí a partir da cana, do milho, né,
14:03e do próprio coco, que tem sido feitas pesquisas relacionadas a isso.
14:08Dentre o que vocês têm, assim, como gestão global,
14:11o Brasil pode ser o grande protagonista
14:12dessa transição energética dentro do transporte?
14:15Não tenho dúvidas que o Brasil tem, inclusive,
14:19uma oportunidade de ouro, agora, na COP30,
14:23de lançar, solidificar, ratificar esse posicionamento.
14:28O Brasil já é detentor de tecnologia
14:30que pode ser replicada e exportada em outros países.
14:34Tem a matriz energética eletricidade verde,
14:38a mais alta do planeta,
14:40com potencial de crescimento ainda maior.
14:43Enfim, nós...
14:47Está tudo, todos os...
14:49Está tudo na mão.
14:50Pilares estão aí.
14:52E a gente já percebe uma adesão maior, né,
14:55do empresariado.
14:56Vou dar um pequeno dado.
14:59Nós introduzimos os caminhões a gás natural,
15:02ou a biometano,
15:03a proposta é a mesma substância,
15:05só que uma é verde, a outra é fóssil,
15:08em 2020.
15:10E, esse ano, nós vamos completar
15:12duas mil unidades circulando.
15:14Você já percebe isso nas rodovias.
15:18Aquela fase de teste, de prova, de conceito,
15:21de protótipo, nada disso.
15:23Já é um veículo comercial.
15:24Estamos ampliando,
15:26dentro do sistema modular da Scania,
15:29a especificação ideal para cada tipo de aplicação, né,
15:35novas motorizações.
15:36Enfim, nós já estamos, para e passo,
15:40com as soluções anteriores.
15:43Fósseis.
15:44Então, existe já tração, já existe o pôr, né?
15:48Não estamos mais pregando no deserto.
15:51Perfeito, isso, Christopher.
15:53E o Brasil tem uma grande chance
15:54de ser um exemplo para o mundo.
15:57A gente fala, né, Christopher,
15:58de uma transição,
15:59porque é óbvio que a gente não consegue mudar
16:01toda uma cadeia produtiva,
16:03de uma hora para a outra,
16:04e isso tem que vir, né, aos poucos.
16:06Mas, quando a gente fala em combater
16:08os combustíveis fósseis,
16:09e talvez até zerar o uso dele no futuro,
16:12existe algum estudo que vocês fazem
16:14ou acompanham desse mercado,
16:16em que a gente vai conseguir ter,
16:18alguns países já têm, né,
16:19mais veículos elétricos
16:21do que movidos a combustíveis fósseis,
16:23mas, de uma maneira geral,
16:24diminuir quase em 100% essa dependência,
16:28vamos dizer assim,
16:28pelo menos na questão do transporte,
16:30em relação ao petróleo?
16:32O meu entendimento pessoal
16:34é que já existe uma frota circulante enorme
16:37que será renovada,
16:39mas não será totalmente substituída.
16:42Nós estamos falando na renovação, sim,
16:44a oportunidade de descarbonizar,
16:47mas existe uma frota legada
16:49que vai continuar.
16:50Aí, políticas públicas de renovação de frota
16:53poderiam acelerar isso, por exemplo,
16:55existem discussões avançadas, eu diria.
16:58O crescimento será descarbonizado,
17:02mas temos que pensar que existe
17:04uma frota enorme
17:06de veículos que vão continuar utilizando.
17:10Minha opinião pessoal é que,
17:12enquanto houver gasolina,
17:15enquanto houver dícil,
17:16ele vai ser monetizado,
17:18ele vai ser consumido,
17:20mas dentro de um patamar estabilizado.
17:23O crescimento previsto,
17:26por exemplo, para o transporte
17:27nos próximos 30 anos
17:29é de dobrar o volume de bens
17:31e pessoas a serem transportadas.
17:35Então, não precisamos dobrar
17:37a emissão de carbono.
17:40Guilherme, você acredita que,
17:42por exemplo,
17:43todas essas transformações ambientais
17:45e de ordem econômica também
17:47é porque a gestão, às vezes,
17:50é muito imediatista?
17:52Então, assim, por exemplo,
17:53não adianta uma fábrica de refrigerantes
17:55querer produzir a qualquer custo
17:57se amanhã falta água.
17:59Então, a gente tem outras questões
18:01que a gente precisa olhar
18:02para pensar num objeto a longo prazo.
18:04Gerir recursos naturais
18:06também é se manter naquele negócio.
18:08Você acha que esse imediatismo
18:10acaba travando muito essa transição?
18:13Eu não acho que trave,
18:15eu acho que é a lógica.
18:16Se você pensar,
18:18o setor privado,
18:19ele tem um mandato
18:20e o mandato dele, no final das contas,
18:22é entregar produtos
18:23para os seus consumidores,
18:24que sejam dentro do orçamento
18:27daquele consumidor
18:28e entregar retorno ao acionista.
18:29Então, esse é o mandato do privado.
18:31E eu acho que dentro desse mandato,
18:32como eu falei,
18:33as empresas já estão percebendo
18:35que os seus consumidores
18:36têm uma expectativa diferente,
18:37seus investidores estão mais...
18:39Então, eu acho que essas são
18:40as condições do empresário.
18:43Agora, o próximo passo,
18:45como eu falei,
18:45é política pública.
18:46E o governo também tem limitações.
18:48O governo tem uma limitação
18:49que, no final das contas,
18:50é ser o eleitor.
18:51Quão disposto o eleitor está
18:53de bancar uma determinada
18:54política pública ou não.
18:57Mas no limite, Patrícia,
18:58a grande transformação
18:59tem que vir da sociedade,
19:00do teu padrão de consumo,
19:02do meu padrão de consumo,
19:03das escolhas que eu faço
19:04no meu dia a dia.
19:06Porque, no final,
19:07é a sociedade que é o consumidor,
19:08que é o investidor,
19:09que é o privado.
19:10Então, eu acho que o setor privado
19:12avançou muito.
19:14Os movimentos voluntários,
19:15eles estão aí.
19:16A participação do setor empresarial
19:18nas COPs,
19:19ele já vem desde a parceria
19:21de Marrakech, em 2016.
19:23Muito amplificada em Glasgow,
19:25em 2021.
19:26E, com certeza,
19:27vai estar esse ano aqui em Belém.
19:29Porque, como o Christopher falou,
19:31o empresário brasileiro,
19:32de um modo geral,
19:33percebeu que a gente tem
19:34uma boa narrativa.
19:35A gente realmente é
19:36um bom protagonista.
19:37Então, eu acho que o setor privado
19:39está avançando, sim.
19:40dentro dos limites que ele tem.
19:43E tem algum, talvez,
19:45necessidade de maior,
19:47melhor gestão.
19:48Claro que tem.
19:49Mas eu acho que,
19:50de um modo geral,
19:50pelo menos dentro da nossa rede,
19:52das nossas 2.300 empresas,
19:54o que a gente percebe é isso.
19:55É um comprometimento sério
19:57com esse futuro mais sustentável.
19:59O investidor ainda se sente,
20:00de certa maneira,
20:01inseguro com as políticas ambientais
20:03e econômicas do Brasil.
20:05e isso pode travar um pouco
20:07desses investimentos,
20:08já que a gente tem
20:08todos os recursos naturais
20:10necessários para ajudar
20:11nessa transição global,
20:13não só aqui do nosso país.
20:15Mas o investidor,
20:15como é que vê o cenário brasileiro
20:17na hora de fazer esses investimentos
20:19e apostar nessa transição energética
20:22liderada pelo Brasil?
20:23Sim.
20:25Eu posso responder pela Scania,
20:26uma empresa que atua em 100 países.
20:29Temos um hub industrial no Brasil,
20:31um novíssimo hub na China,
20:33que inauguramos no mês que vem,
20:35e a grande concentração na Europa.
20:37Os investimentos aqui continuam
20:40norteando esse nosso propósito,
20:43essa nossa jornada,
20:45continuar ampliando e disponibilizando
20:47a tecnologia no mercado local,
20:49produzido por brasileiros para brasileiros.
20:53Do ponto de vista de segurança
20:56como investidor,
20:57o marco legal, regulatório,
20:59é bastante positivo e robusto.
21:03Evidentemente, os movimentos geopolíticos
21:05e os movimentos políticos internos
21:07em cada país também podem trazer
21:10alguns pontos de interrogação,
21:12mas isso é a dinâmica normal de mercado.
21:15Eu entendo que todos os pilares estão aí.
21:19Vontade política existe.
21:21Marcos regulatórios já estão firmados,
21:25não estão em discussão,
21:26que garantem ao investidor
21:29segurança de retorno deste investimento.
21:32Acho que é um trem que já partiu.
21:35Guilherme, o Pacto tem mais de 2 mil empresas
21:38de diversos setores,
21:40tanto públicos e também privados.
21:43Qual o setor que vocês avaliam
21:46dessas empresas hoje brasileiras,
21:48que estão aqui no Brasil,
21:49mesmo que multinacionais,
21:50quais os setores ainda têm mais resistência
21:53para fazer esse pacto global
21:55em prol das ODS,
21:57da Agenda 2030 e tudo mais?
21:59Patrícia, é aquilo que eu falei.
22:01Dentro da nossa rede,
22:02a gente não vê, de fato, resistência.
22:04E, de novo, é um movimento voluntário.
22:06As empresas não chegaram ao pacto
22:08porque elas foram obrigadas.
22:09Elas chegaram porque elas viram nessa agenda
22:11um caminho muito claro
22:15e uma forma de seguir em parcerias.
22:18Então, como você falou,
22:19a gente tem todos os setores.
22:20A gente tem empresas públicas,
22:21a gente tem empresas privadas,
22:23a gente tem o agronegócio,
22:24a gente tem o setor industrial,
22:26a gente tem o setor financeiro.
22:27E é muito interessante
22:28que, inclusive, dentro dessa agenda,
22:30a competição, às vezes, não existe.
22:32Você vê bancos trabalhando,
22:35bancos que competem no dia a dia pelo cliente,
22:37mas na pauta de ISG,
22:40eles estão juntos
22:41porque o avanço do setor
22:43é beneficial a todos,
22:45é benéfico a todos.
22:46A mesma coisa nos setores industriais.
22:49Setores que, eventualmente, competem,
22:51mas dentro dessa agenda,
22:53eles se unem
22:54para que essa realidade
22:57se torne, de fato, um movimento.
23:00Então, essa é a beleza dessa pauta.
23:02É uma pauta que interessa
23:03e que ela permite que pessoas
23:06ou grupos que competem
23:10pelo mesmo consumidor,
23:12mas dentro da pauta
23:13que avança setorialmente,
23:15é uma pauta benéfica para todas elas.
23:18Então, dentro da nossa rede,
23:20de fato, a gente não vê
23:21essa dúvida em relação
23:23ao caminho a ser seguido.
23:25Não tem um setor específico
23:26que você acredite
23:27que precisa melhorar ali
23:28tanto a mentalidade
23:30quanto o investimento
23:30para progredirmos com essa pauta?
23:32Não, sinceramente,
23:33não vejo, Patrícia.
23:34Agora, eu vejo setores
23:36que podem ser mais,
23:38ter ambições maiores,
23:40porque este setor
23:41é um setor que faz com que
23:43a pauta avance.
23:45Então, claramente,
23:45a gente fala muito
23:46sobre financiamento climático.
23:48Então, o setor financeiro
23:49conseguir ajustar
23:51as suas políticas de crédito,
23:52as suas políticas de risco,
23:54para que você possa
23:55fazer com que o capital,
23:57o fluxo de capital
23:58seja mais direcionado
23:59e com isso criar,
24:01eu acho que é uma agenda
24:01muito importante.
24:03E, de novo,
24:03o setor financeiro nacional
24:05já entendeu isso.
24:06E você vê bancos públicos,
24:07bancos privados,
24:08participando,
24:09estabelecendo metas voluntárias
24:11e, obviamente,
24:12dependendo,
24:13como a gente falou,
24:14de regras claras
24:15em termos do que é
24:15uma taxonomia verde,
24:17o que é uma taxonomia sustentável,
24:18como é que é essa questão
24:20de risco cambial,
24:21porque grande parte
24:22do fluxo de capitais
24:24que a gente precisa trazer
24:25para a nossa economia
24:26vem de fluxos internacionais.
24:28E, obviamente,
24:29você tem desafios,
24:30como a questão
24:30do investment grade do país,
24:33a questão de risco cambial.
24:35Então, tem algumas agendas
24:37que precisam avançar
24:38um pouco mais
24:38para que o setor financeiro
24:40possa fazer com que
24:41esse fluxo de capitais
24:42aumente ainda mais.
24:44Mas, de novo,
24:45eu acho que todos os setores
24:46aqui são alinhados,
24:48o que a gente talvez precisa
24:49são esses ajustes
24:50para que um setor
24:51possa ter um protagonismo
24:52ainda maior.
24:53Até porque segurança ambiental
24:55é um ativo importante,
24:56porque se você investe
24:57numa empresa
24:57que amanhã pode ser denunciada
24:59por escravizar uma mão de obra
25:01ou poluir um lugar,
25:03mesmo que ela,
25:04neste momento,
25:04por exemplo,
25:05no Brasil,
25:05ela esteja com tudo correto,
25:07mas usa um outro ativo,
25:09terceiro,
25:09que possa vir com uma poluição,
25:11isso perde valor de marca
25:12e perde valor de mercado.
25:14Não, perfeito.
25:14Essa condição do risco,
25:16risco social, ambiental
25:18e de governança,
25:18ela já é uma realidade,
25:20porque, como você mencionou,
25:22isso aparece,
25:23o risco reputacional está lá.
25:26Mas é interessante
25:26que essa agenda
25:27começa com risco,
25:28mas hoje,
25:29mais do que risco,
25:30ou tanto quanto risco,
25:31também é oportunidade
25:32de negócio.
25:33Então, acho que são
25:33dois drivers importantes.
25:35Mitigar o risco,
25:36mas, ao mesmo tempo,
25:37ver na sua ação
25:38uma ação de você trazer
25:40produtos melhores,
25:42mais bem aceitos
25:42pelo seu consumidor
25:43e maior retorno
25:45para o seu acionista.
25:46E para isso,
25:46é preciso investir
25:47em governança,
25:48para fechar todo o ciclo.
25:50Não adianta investir
25:51só na tecnologia,
25:52não adianta,
25:53tem que ter uma gestão
25:54integrada em todos os setores,
25:56porque a agenda ambiental,
25:58SG,
25:58a gente trata de várias
26:00frentes aí
26:01que a empresa precisa
26:02estar se organizando,
26:03inclusive com terceiros,
26:05fornecedores e tudo mais.
26:07Essa governança
26:07na Scania
26:08já funciona
26:09em todas as etapas,
26:10como é que vocês investem
26:11nisso?
26:12Sim,
26:13em todos os nossos
26:14procedimentos.
26:15Começa com a gestão
26:16de riscos.
26:18O World Economic Forum,
26:20na sua última edição,
26:22elencou
26:23emergência climática
26:25nos top 5
26:26de riscos.
26:27Então,
26:27isso está na agenda
26:27de todo o empresariado.
26:30Com relação
26:30à cadeia de fornecimento,
26:32todo o supply chain,
26:33já há 10 anos,
26:36nós trabalhamos,
26:37por exemplo,
26:37na América Latina,
26:38temos 287
26:40fornecedores.
26:41Todos eles têm
26:42uma agenda
26:43aderente à nossa
26:44de sustentabilidade.
26:46E acaba havendo
26:47uma classificação
26:48e, às vezes,
26:49a decisão
26:49se a gente vai escolher
26:51um fornecedor
26:52A ou B.
26:54Então,
26:54é sim ou sim.
26:55Então,
26:55não existe complacência
26:57se você
26:58tem essa adesão
27:00a essa jornada,
27:02esse novo propósito.
27:04Esse propósito
27:04nosso lançado
27:05há 10 anos,
27:06ele está
27:07completamente
27:08enraizado
27:08em nossa estratégia
27:09de negócios.
27:11Agora,
27:11eu vou trazer
27:11para vocês
27:12uma última pergunta
27:13que tem a ver
27:14com um certo desconforto
27:15que eu particularmente
27:16tenho
27:17a utilizar
27:17principalmente
27:19bens e serviços.
27:21Por exemplo,
27:21a gente falou
27:22sobre a manutenção
27:24das frotas
27:26e a gente substituir.
27:27Lógico,
27:28o governo tem que vir
27:29com esses incentivos,
27:30mas existe uma cadeia
27:31que possa ajudar,
27:33por exemplo,
27:33na hora de receber,
27:34por exemplo,
27:35eu vou citar uma coisa
27:36que é um bem de consumo
27:36que não tem a ver
27:37com o business
27:38nesse momento,
27:39mas assim,
27:39se eu tenho uma geladeira,
27:41em vez de eu quero
27:42trocar ela nova,
27:43eu poderia dar ela ali,
27:44entrar,
27:45movimentar um outro
27:46linha de usado,
27:46usar aquele equipamento
27:47para produzir uma nova
27:48e aí a empresa
27:49tem que investir
27:50numa tecnologia
27:50nesse sentido
27:51para que a gente
27:52gere menos resíduos,
27:53mais valor
27:54aos recursos naturais
27:55e também,
27:56da mesma maneira
27:57que a gente incentive
27:58a economia,
27:59a gente pode incentivar
28:00nas duas pontas,
28:01pessoas com baixa renda
28:02possam adquirir
28:03outros bens,
28:04como é que a gente pode
28:05mudar esse eixo
28:06da economia hoje
28:07protegendo as duas pontas
28:09e toda a cadeia econômica,
28:11incentivar o consumo
28:12e ao mesmo tempo
28:13a troca,
28:13o reuso e tudo mais?
28:16Patrícia,
28:17isso já é uma realidade,
28:19eu mencionei há pouco
28:20o programa
28:21de renovação de frota,
28:23no final do ano passado
28:24foi feito um ensaio,
28:26um piloto,
28:27que é exatamente isso,
28:28você retira
28:29um veículo comercial
28:31antigo de circulação,
28:33você sucateia,
28:35e você promove
28:37então o fechamento
28:38do ciclo,
28:39circularidade,
28:40o reuso
28:41daquela
28:42matéria reciclável,
28:45e cria
28:46uma outra
28:46cadeia de valor,
28:47como você bem
28:48falou,
28:49que gera empregos,
28:50gera renda,
28:52gera empregos
28:53dignos,
28:54e gera também
28:56um crédito
28:58para a aquisição
28:59de um veículo
28:59mais novo,
29:00então,
29:01esse processo
29:02circular
29:03acaba atingindo
29:05todos os pontos
29:06importantes,
29:07além da
29:08sustentabilidade
29:10social,
29:11e tem que haver
29:12uma governança,
29:13que é o G do SG,
29:15um marco legal,
29:16regulatório,
29:17já aprovado,
29:18já testado,
29:19basta uma vontade
29:20política,
29:21que eu entendo
29:22que o momento
29:23está chegando,
29:24e com isso
29:26nós também
29:26vamos reduzir
29:27as emissões
29:28de gases
29:29de efeito estufa.
29:30E olha,
29:31a transição
29:32para a economia verde
29:33não é mais
29:34uma opção,
29:34mas uma exigência
29:36do nosso tempo,
29:37como a gente viu aqui.
29:38O Pacto Global
29:39mostra como o setor
29:40privado pode se comprometer
29:41com metas globais,
29:43e exemplos
29:44como o da Scania
29:44revelam que inovação
29:46e sustentabilidade
29:47andam juntas
29:49quando há visão
29:50de longo prazo.
29:51O Brasil tem a chance
29:52de ser protagonista
29:54nessa agenda,
29:54unindo o desenvolvimento
29:55econômico
29:56à responsabilidade
29:57climática.
29:58Até a próxima.
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