- há 1 ano
- #jovempan
O agronegócio brasileiro segue em uma "trajetória histórica de crescimento", com a perspectiva de mais uma grande safra de grãos e expansão no setor de biocombustíveis. A análise otimista é do presidente da Copersucar, Tomás Manzano, um dos nomes mais influentes do setor, em entrevista ao Show Business. Na conversa com Bruno Meyer, o executivo destacou que o agro é um dos "motores do PIB nacional" e que o Brasil vem se consolidando como líder mundial na exportação de diversas commodities, como açúcar, suco de laranja, soja e milho, fruto da "competência nacional" e do "empreendedorismo do agricultor".
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NotíciasTranscrição
00:00Ele é presidente da Copersuca, líder global na comercialização de açúcar e etanol, além de energia elétrica, gás natural e serviços logísticos.
00:13Nós vamos conversar neste bloco do Show Business com Tomás Manzano.
00:19Tomás, obrigado pela presença aqui em nosso estúdio.
00:23O Tomás é um dos grandes especialistas quando o assunto é agronegócio brasileiro.
00:31É realmente um dos nomes mais influentes.
00:35Qual que é o panorama do agronegócio brasileiro este ano?
00:41Olá Bruno, é um prazer participar aqui do programa de vocês.
00:44O agronegócio brasileiro este ano tem aí uma continuidade, uma evolução na sua trajetória histórica de crescimento.
00:54A gente deve ter uma grande safra de grãos, a gente deve ter um portfólio de produtos direcionados a biocombustíveis e transição energética.
01:02E a gente também tem um papel de alimentar o mundo.
01:04O Brasil nunca exportou tanto e nunca serviu os mercados na escala que a gente vem servindo aí numa histórica bem, um histórico bem bonito aí ao longo dos últimos anos.
01:16Quanto o agronegócio brasileiro representa no PIB nacional?
01:21O agronegócio brasileiro hoje é um dos motores do PIB nacional e ele movimenta uma indústria que vai muito além do produto que ele produz.
01:30Ele gera empregos regionais, ele gera um desenvolvimento local, ele tem uma série de indústrias diversificadas de maquinário, de implementos, ele movimenta uma indústria de fertilizantes e insumos.
01:47Então o agro no Brasil hoje é um motor que tem dimensões em vários setores da economia.
01:53Mas se a gente comparar os últimos tempos, os últimos anos, hoje nós estamos melhores, nós estamos piores ou nós estamos iguais aos últimos tempos?
02:06Estamos falando de agronegócio brasileiro.
02:08Se a gente fizer uma retrospectiva histórica, pode fazer, voltar 10 anos atrás, 15 anos atrás, 20 anos atrás, 30 anos atrás, a trajetória do Brasil é uma trajetória incrível.
02:18Incremento de produtividade ano a ano, expansão de novos destinos e novos mercados para as mercadorias que a gente produz, agregação de valor nos produtos que a gente tem.
02:30Então o Brasil for se tornando líder em diversas commodities agrícolas provenientes do agronegócio.
02:37A gente é líder em exportação de suco laranja, a gente é líder em comercialização, líder mundial em comercialização de açúcar.
02:43A gente vem se tornando líder nos grãos, em soja e milho.
02:48Então o Brasil vem ano a ano incrementando fruto da competência nacional, do know-how que a gente desenvolveu ao longo do tempo e do empreendedorismo do agricultor brasileiro ou de quem faz parte dessa cadeia do agronegócio.
03:04Você citou laranja e o Tomás Manzano, a gente vai falar ao longo deste bloco, tem uma trajetória em outros setores também, incluindo, você é muito conhecido pela sua participação como líder no setor de laranja.
03:20No setor de laranja foi que ano mais ou menos?
03:23Eu trabalhei no setor de laranja de 2002 até 2012, 10 anos.
03:30Então, nesse tempo todo, qual que é a evolução só desse setor?
03:36A cadeia de laranja é uma cadeia muito bonita, né?
03:38O Brasil verticalizou toda a cadeia de suprimentos, desde a produção agrícola da laranja até a transformação disso em suco e em produtos de valor agregado.
03:49Da laranja se extrai diversos produtos que a gente às vezes nem tem o conhecimento, óleos essenciais, ração, essências que fazem fragrâncias e perfumes e produtos cosméticos e o próprio alimento em diversas especificações.
04:03Também verticalizou para a logística na cadeia da laranja, tem navios próprios para transporte, armazenagem no Brasil e fora do Brasil.
04:12Então é um negócio bem bonito, bem integrado e uma história bonita de desenvolvimento do Brasil aí ao longo dos últimos 60 anos.
04:18Agora, ainda falando de agronegócio brasileiro, que é a locomotiva do país, como você bem falou, tem a porcentagem exata do PIB?
04:30Eu não sei.
04:31Tinha uma época que era 27%, às vezes vai para 30%, às vezes vai para 24%.
04:38Você tem uma percepção dos próximos tempos?
04:41Com tanta mudança que tem, inclusive gostaria que você falasse exatamente sobre as adversidades que podem acontecer ao longo dos últimos tempos no agronegócio e nos próximos tempos também.
04:56Com guerras, com temperatura, com o presidente dos Estados Unidos.
05:01A nossa visão, a visão da Copa Sul, a minha visão, é de que a gente tem oportunidades muito promissoras de continuar nessa trajetória ascendente de protagonismo do Brasil no agronegócio.
05:17Por dois vetores principais. Um é alimento. O mundo cresce, a população cresce.
05:23Se a gente olhar países como África, países como Índia, China, a gente tem aí nos próximos 10, 15 anos, pelo menos aí mais 700 milhões, 1 bilhão de pessoas que precisam ser alimentadas.
05:35E o Brasil tem terra fértil, tem clima favorável, tem tecnologia, custo competitivo e know-how do seu empresariado.
05:42A outra dimensão é energia. Bioenergia. Energia com baixíssima intensidade de carbono, que é um dos diferenciais muito grandes que o Brasil tem hoje, em diversas dimensões.
05:54A gente produz biodiesel, a gente produz etanol, a gente produz energia elétrica renovável a partir de várias fontes renováveis.
06:01A gente pode produzir, começou a produzir biometano, que é um gás renovável.
06:06Então a gente é muito otimista com a agenda do agronegócio brasileiro nessas duas dimensões.
06:10O mundo cresce, precisa de alimento e precisa de energia.
06:15E nós estamos muito bem posicionados nessas agências.
06:17Você, desde abril de 2022, você comanda, você preside a Copersuca.
06:24Qual que é o grande business de vocês?
06:27É uma multinacional brasileira, tem algumas usinas, né?
06:32Eu tenho os números aqui, tem 38 usinas associadas, 26 destilarias nos Estados Unidos.
06:42É uma multinacional muito grande, né? Muito grande.
06:48Qual que é o grande business de vocês? Como é que vocês ganham dinheiro?
06:51A Copersuca se mistura um pouco, Bruno, com essa história do agronegócio brasileiro.
06:56A Copersuca teve seu início em 1959.
06:59Então a nossa evolução tem muita relação com a própria evolução do agronegócio brasileiro.
07:05Ao longo desses 66 anos, a gente foi construindo uma plataforma de negócios especializados,
07:12focados inicialmente no setor sucro energético, na cana de açúcar.
07:16Primeiro começou com açúcar, depois a gente evoluiu para o etanol,
07:21depois para a energia elétrica, hoje para outros produtos que podem ser produzidos a partir dessa energia e do etanol.
07:28Também entramos em gás natural, depois em logística de distribuição, né?
07:34Pelos grandes volumes que ele movimenta.
07:35Então hoje a Copersuca é uma plataforma, é uma multinacional brasileira,
07:39uma plataforma de vários negócios.
07:41A gente tem operação no Brasil, operação nos Estados Unidos, operação na Europa.
07:45A gente atende hoje mais de 70 países.
07:48Então a gente foi se consolidando como uma plataforma especializada em energia e alimento natural.
07:55Na presidência da Copersuca, você está diretamente ligado à transição energética.
08:03A companhia é fundamental para esse tema.
08:07E o Brasil, como todos os espectadores do show business sabem,
08:11vai sediar nos próximos meses a COP30.
08:16Na sua avaliação, como o Brasil deve se comportar na COP30?
08:23A COP, Bruno, é uma excelente oportunidade que a gente tem nesse momento
08:27para reforçar o papel do Brasil como solução de bioenergia para o mundo.
08:33A gente tem aqui tecnologias já em grande escala comprovadas e viáveis economicamente.
08:41Vou citar uma delas, o etanol.
08:42A gente tem aqui o etanol há 50 anos, uma matriz muito eficiente,
08:46uma frota que utiliza uma proporção do combustível em larguíssima escala.
08:52Então, a oportunidade que a gente tem nesta COP, a COP é ampla, discute vários temas,
08:57mas a oportunidade que a gente tem é de reforçar o papel do Brasil como solução em bioenergia para o mundo.
09:05Nós temos um portfólio de produtos a oferecer com baixíssima intensidade de carbono,
09:11em escala, com soluções imediatas que podem ser aplicadas para a descarbonização.
09:16Mas esse é o mundo ideal, eu concordo 100% com o que você tem falado.
09:20Mas eu até levanto aqui a discussão, porque como a gente tem que se comportar
09:27para não ter interferências políticas, para, por exemplo, o que mais tem se falado nessa COP aí
09:34são os preços aí de hotéis, de hospedagem, preços abusivos, inclusive.
09:40Então, eu acho que o Brasil tem um grande desafio para chegar a esse nível que você está destacando agora.
09:48Você vai estar lá?
09:49Eu vou estar lá, sim.
09:50Imagino, imagino.
09:51Agora, você falou muito sobre etanol.
09:54Você foi conselheiro da Única, você tem participação ainda na Única, né?
09:58Sim.
09:58E a associação, né?
09:59Isso, a Única é uma entidade setorial e a Cupersucar está presente na Única como associada.
10:05Falando especificamente do etanol, por que o etanol, o álcool combustível, é bom?
10:13É bom para o bolso, é bom para o meio ambiente mesmo?
10:17O etanol é hoje um combustível pronto e já é utilizado no Brasil, como eu comentei, há 50 anos, para mobilidade.
10:28A gente tem hoje uma frota de veículos, cerca de 85% da nossa frota de veículos é flex.
10:35O consumidor tem a opção de escolher o combustível na bomba e esse combustível, ele tem diversos benefícios.
10:43O primeiro é um benefício, é um produto produzido no país, que gera renda, emprego, desenvolvimento regional
10:50e tem toda uma indústria hoje a partir da cana e a partir do milho de produção que desenvolve os estados.
10:57Ele também tem um benefício ambiental, a qualidade do ar numa cidade como São Paulo hoje é melhor do que era no passado,
11:05muito em função da maior utilização do combustível que tem uma intensidade de carbono muito menor.
11:11E o etanol também tem aplicações ou tem outras aplicações como combustível para futuramente ser aplicado em aviação,
11:21em navegação, que são mercados muito relevantes, que a gente costuma dizer hard to abate,
11:29de difícil solução para redução de emissões.
11:33E o etanol é uma solução, uma das soluções para esse caminho.
11:38Você está falando do SAF, o combustível sustentável de aviação.
11:42Esse combustível sustentável de aviação, qual que é o tamanho dele hoje?
11:48O combustível sustentável de aviação hoje é o chamado...
11:52Antes disso, o combustível de aviação hoje, o chamado querosene de aviação,
11:58é um produto padronizado, utilizado por toda a frota aérea que faz a mobilidade aérea do mundo.
12:07Com o avanço da tecnologia, foi possível desenvolver esta mesma molécula, igual ao querosene de aviação,
12:17a partir de algumas fontes de matéria-prima.
12:20Você pode produzir esse combustível a partir de óleo reusado, você pode produzir a partir de gorduras animais,
12:27e você pode produzir também a partir do etanol.
12:31Qual é a vantagem do etanol?
12:32É a escala.
12:33Você tem dois grandes produtores mundiais de etanol, Brasil e Estados Unidos, em larga escala,
12:38e esta rota pode ser transformada neste querosene,
12:45que a grande vantagem é que ele pode ser utilizado no avião sem nenhuma alteração na motorização, na turbina,
12:52é o que a gente chama de um produto que está plug and play.
12:57E você pode aplicar utilizando a logística de distribuição que existe hoje e utilizando as motorizações que estão aí.
13:05Então, o combustível sustentável de aviação nada mais é do que um querosene, na mesma especificação do querosene fóssil,
13:12mas com uma intensidade de carbono muito mais baixa, porque ele utiliza fontes renováveis, matérias-primas renováveis.
13:18E isso vai ser, já tem um plano aí, um projeto de ser 100% nos próximos tempos?
13:25Então, hoje, né, esses dois combustíveis, o combustível de navegação e o combustível de aviação,
13:30o combustível de aviação hoje representa cerca de 2,5% a 3% das emissões globais.
13:36E o combustível de navegação também cerca aí de 3% das emissões globais.
13:41Esses dois produtos estão relacionados a tráfico de pessoas no mundo inteiro e a tráfico de cargas e produtos no mundo inteiro.
13:50Então, são mercados globais.
13:53No caso do combustível de aviação, a regulação está em desenvolvimento.
13:58Hoje, você tem países estabelecendo mandatos obrigatórios de mistura ou de blend de combustível sustentável no querosene fóssil.
14:08O Brasil mesmo tem, no conjunto de regulação que está sendo, que foi estabelecido, um percentual de mistura.
14:16E, de acordo com essa regulação, no caso específico do combustível de aviação, isso pode chegar até 50% de mistura no combustível fóssil.
14:25Então, uma aeronave que vai executar um voo pode utilizar, no seu abastecimento, até 50% de SAF misturado no combustível sustentável, no combustível de aviação tradicional.
14:37Ele é presidente da Copersucar, líder global na comercialização de açúcar e etanol, além de energia elétrica, gás natural e serviços logísticos.
14:50Nós vamos conversar neste bloco do Show Business com Tomás Manzano.
14:57Tomás, obrigado pela presença aqui em nosso estúdio.
15:01O Tomás é um dos grandes especialistas quando o assunto é agronegócio brasileiro.
15:09É realmente um dos nomes mais influentes.
15:13Qual que é o panorama do agronegócio brasileiro este ano?
15:18Olá, Bruno. É um prazer participar aqui do programa de vocês.
15:23O agronegócio brasileiro, este ano, tem aí uma continuidade, uma evolução na sua trajetória histórica de crescimento.
15:32A gente deve ter uma grande safra de grãos, a gente deve ter um portfólio de produtos direcionados a biocombustíveis e transição energética.
15:40E a gente também tem um papel de alimentar o mundo.
15:42O Brasil nunca exportou tanto e nunca serviu os mercados na escala que a gente vem servindo aí, numa histórica bem...
15:51Um histórico bem bonito aí ao longo dos últimos anos.
15:54Quanto o agronegócio brasileiro representa no PIB nacional?
15:58O agronegócio brasileiro hoje é um dos motores do PIB nacional e ele movimenta uma indústria que vai muito além do produto que ele produz.
16:08Ele gera empregos regionais, ele gera um desenvolvimento local, ele tem uma série de indústrias diversificadas de maquinário, de implementos,
16:21ele movimenta uma indústria de fertilizantes e insumos.
16:24Então, o agro no Brasil hoje é um motor que tem dimensões em vários setores da economia.
16:31Mas se a gente comparar os últimos tempos, os últimos anos, hoje nós estamos melhores, nós estamos piores ou nós estamos iguais aos últimos tempos?
16:44Estamos falando de agronegócio brasileiro.
16:46Se a gente fizer uma retrospectiva histórica, a gente pode fazer, voltar 10 anos atrás, 15 anos atrás, 20 anos atrás, 30 anos atrás,
16:54a trajetória do Brasil é uma trajetória incrível.
16:57Incremento de produtividade ano a ano, expansão de novos destinos e novos mercados para as mercadorias que a gente produz,
17:04agregação de valor nos produtos que a gente tem.
17:07Então, o Brasil foi se tornando líder em diversas commodities agrícolas provenientes do agronegócio.
17:14A gente é líder em exportação de suco laranja, a gente é líder em comercialização, líder mundial em comercialização de açúcar.
17:21A gente vem se tornando líder nos grãos, em soja e milho.
17:26Então, o Brasil vem ano a ano incrementando aí, fruto da competência nacional, do know-how que a gente desenvolveu ao longo do tempo,
17:33e do empreendedorismo do agricultor brasileiro ou de quem faz parte dessa cadeia aí do agronegócio.
17:41Você citou laranja, e o Tomás Manzano, a gente vai falar ao longo deste bloco,
17:49tem uma trajetória em outros setores também, incluindo, você é muito conhecido pela sua participação como líder no setor de laranja.
17:58No setor de laranja foi que ano, mais ou menos?
18:01Eu trabalhei no setor de laranja de 2002 até 2012, 10 anos.
18:07Então, nesse tempo todo, qual que é a evolução só desse setor?
18:14A cadeia de laranja é uma cadeia muito bonita, né?
18:16O Brasil verticalizou toda a cadeia de suprimentos, desde a produção agrícola da laranja,
18:23até a transformação disso em suco e em produtos de valor agregado, né?
18:27A da laranja se extrai diversos produtos que a gente, às vezes, nem tem o conhecimento, né?
18:32Óleos essenciais, ração, essências que fazem fragrâncias e perfumes e produtos cosméticos,
18:39e o próprio alimento em diversas especificações.
18:41Também verticalizou para a logística na cadeia da laranja,
18:45tem navios próprios para transporte, armazenagem no Brasil e fora do Brasil.
18:50Então, é um negócio bem bonito, bem integrado,
18:51e uma história bonita de desenvolvimento do Brasil aí ao longo dos últimos 60 anos.
18:56Agora, ainda falando de agronegócio brasileiro,
19:00que é a locomotiva do país, né?
19:04Como você bem falou.
19:06Tem a porcentagem exata do PIB?
19:07Eu não sei.
19:09Tinha uma época que era 27%, às vezes vai para 30%, às vezes vai para 24%.
19:15Você tem uma percepção dos próximos tempos?
19:19Com tanta mudança que tem, inclusive gostaria que você falasse exatamente sobre as adversidades
19:27que podem acontecer ao longo dos últimos tempos no agronegócio e nos próximos tempos também.
19:33Com guerras, com temperatura, com o presidente dos Estados Unidos.
19:39A nossa visão, a visão da Copersucra, a minha visão, é de que a gente tem oportunidades muito promissoras
19:49de continuar nessa trajetória ascendente de protagonismo do Brasil no agronegócio.
19:55Por dois vetores principais.
19:56Um é alimento.
19:58O mundo cresce, a população cresce.
20:01Se a gente olhar países como África, países como Índia, China,
20:05a gente tem aí nos próximos 10, 15 anos, pelo menos aí mais 700 milhões, 1 bilhão de pessoas
20:11que precisam ser alimentadas.
20:13E o Brasil tem terra fértil, tem clima favorável, tem tecnologia, custo competitivo e know-how do seu empresariado.
20:21A outra dimensão é energia.
20:25Bioenergia.
20:25Energia com baixíssima intensidade de carbono, que é um dos diferenciais muito grandes que o Brasil tem hoje.
20:31Em diversas dimensões.
20:32A gente produz biodiesel, a gente produz etanol, a gente produz energia elétrica renovável a partir de várias fontes renováveis.
20:39A gente pode produzir, começou a produzir biometano, que é um gás renovável.
20:43Então a gente é muito otimista com a agenda do agronegócio brasileiro nessas duas dimensões.
20:48O mundo cresce, precisa de alimento e precisa de energia.
20:53E nós estamos muito bem posicionados nessas agências.
20:55Você, desde abril de 2022, você comanda, você preside a Copersuca.
21:02Qual que é o grande business de vocês?
21:05É uma multinacional brasileira.
21:08Tem algumas usinas, eu tenho os números aqui, tem 38 usinas associadas, 26 destilarias nos Estados Unidos.
21:18É uma multinacional muito grande, muito grande.
21:26Qual que é o grande business de vocês?
21:28Como é que vocês ganham dinheiro?
21:29A Copersuca se mistura um pouco, Bruno, com essa história do agronegócio brasileiro.
21:34A Copersuca teve seu início em 1959.
21:36Então a nossa evolução tem muita relação com a própria evolução do agro brasileiro.
21:42Ao longo desses 66 anos, a gente foi construindo uma plataforma de negócios especializados,
21:50focados inicialmente no setor sucro energético, na cana-de-açúcar.
21:55Primeiro começou com açúcar, depois a gente evoluiu para o etanol, depois para a energia elétrica,
22:00hoje para outros produtos que podem ser produzidos a partir dessa energia e do etanol.
22:06Também entramos em gás natural, depois em logística de distribuição, pelos grandes volumes que ele movimenta.
22:13Então hoje a Copersuca é uma plataforma, é uma multinacional brasileira, uma plataforma de vários negócios.
22:19A gente tem operação no Brasil, operação nos Estados Unidos, operação na Europa.
22:23A gente atende hoje mais de 70 países.
22:25Então a gente foi se consolidando como uma plataforma especializada em energia e alimento natural.
22:32Na presidência da Copersuca, você está diretamente ligado à transição energética.
22:41A companhia é fundamental para esse tema.
22:45E o Brasil, como todos os espectadores do show business sabem, vai sediar nos próximos meses a COP30.
22:54Na sua avaliação, como o Brasil deve se comportar na COP30?
23:01A COP, Bruno, é uma excelente oportunidade que a gente tem nesse momento para reforçar o papel do Brasil como solução de bioenergia para o mundo.
23:12A gente tem aqui tecnologias já em grande escala comprovadas e viáveis economicamente.
23:18Vou citar uma delas, o etanol.
23:20A gente tem aqui o etanol há 50 anos, uma matriz muito eficiente, uma frota que utiliza uma proporção do combustível em larguíssima escala.
23:31Então a oportunidade que a gente tem nesta COP, a COP é ampla, discute vários temas, mas a oportunidade que a gente tem é de reforçar o papel do Brasil como solução em bioenergia para o mundo.
23:42Nós temos um portfólio de produtos a oferecer com baixíssima intensidade de carbono em escala com soluções imediatas que podem ser aplicadas para a descarbonização.
23:54Mas esse é o mundo ideal, eu concordo 100% com o que você tem falado.
23:58Mas eu até levanto aqui a discussão porque como a gente tem que se comportar para não ter interferências políticas, para, por exemplo, o que mais tem se falado nessa COP aí são os preços aí de hotéis, de hospedagem, preços abusivos inclusive.
24:19Então eu acho que o Brasil tem um grande desafio para chegar a esse nível que você está destacando agora.
24:26Você vai estar lá?
24:27Eu vou estar lá sim.
24:28Imagino, imagino.
24:29Agora você falou muito sobre etanol.
24:32Você foi conselheiro da Única, você tem participação ainda na Única, né?
24:36Sim.
24:36E a associação, né?
24:37Isso, a Única é uma entidade setorial e a Copersucar, né, está presente na Única como associada.
24:43Falando especificamente do etanol, por que o etanol, né, o álcool, o álcool combustível é bom?
24:51É bom para o bolso, é bom para o meio ambiente mesmo?
24:55O etanol é hoje um combustível, né, pronto e já é utilizado no Brasil, como eu comentei, há 50 anos, para mobilidade.
25:07A gente tem hoje uma frota de veículos, cerca de 85% da nossa frota de veículos é flex.
25:13O consumidor tem a opção de escolher o combustível na bomba e esse combustível, ele tem diversos benefícios.
25:21O primeiro é um benefício, é um produto produzido no país, que gera renda, emprego, desenvolvimento regional
25:28e tem toda uma indústria hoje a partir da cana e a partir do milho de produção que desenvolve os estados.
25:35Ele também tem um benefício ambiental, né, a qualidade do ar numa cidade como São Paulo hoje é melhor do que era no passado,
25:43muito em função da maior utilização do combustível que tem uma intensidade de carbono muito menor.
25:48E o etanol também tem aplicações ou tem outras aplicações, né, como combustível para futuramente ser aplicado em aviação, em navegação,
26:00que são mercados muito relevantes, que a gente costuma dizer hard to abate, de difícil solução para redução de emissões.
26:11E o etanol é uma solução, uma das soluções para esse caminho.
26:15Você está falando do SAF, né, o combustível sustentável de aviação.
26:21Esse combustível sustentável de aviação, qual que é o tamanho dele hoje?
26:26O combustível sustentável de aviação hoje, o chamado, antes disso, né, o combustível de aviação hoje,
26:33o chamado, né, querosene de aviação, é um produto padronizado, utilizado, né, por toda a frota aérea, né,
26:41que faz aí a mobilidade aérea, né, do mundo.
26:45Com o avanço da tecnologia, foi possível desenvolver esta mesma molécula, igual ao querosene de aviação,
26:55a partir de algumas fontes de matéria-prima.
26:58Você pode produzir, né, esse combustível a partir de óleo reusado, você pode produzir a partir de gorduras animais,
27:05e você pode produzir também a partir do etanol.
27:08Qual é a vantagem do etanol? É a escala.
27:11Você tem dois grandes produtores mundiais de etanol, Brasil e Estados Unidos, em larga escala,
27:16e esta rota pode, né, ser transformada neste querosene,
27:22que a grande vantagem é que ele pode ser utilizado no avião sem nenhuma alteração na motorização, na turbina,
27:30é o que a gente chama de, né, um produto que está plug and play.
27:35Você pode aplicar, né, utilizando a logística de distribuição que existe hoje,
27:39e utilizando, né, as motorizações que estão aí.
27:43Então, o combustível sustentável de aviação nada mais é do que um querosene,
27:48na mesma especificação do querosene fóssil,
27:50mas com uma intensidade de carbono muito mais baixa,
27:53porque ele utiliza fontes renováveis, matérias-primas renováveis.
27:56E isso vai ser, já tem um plano aí, um projeto de ser 100% nos próximos tempos?
28:03Então, hoje, né, esses dois combustíveis,
28:05o combustível de navegação e o combustível de aviação,
28:08o combustível de aviação hoje representa cerca de 2,5% a 3% das emissões globais,
28:13e o combustível de navegação também cerca aí de 3% das emissões globais.
28:18Esses dois produtos estão relacionados a tráfico de pessoas no mundo inteiro
28:26e a tráfico de cargas e produtos no mundo inteiro.
28:28Então, são mercados globais.
28:30No caso do combustível de aviação, a regulação está em desenvolvimento.
28:37Hoje, você tem países estabelecendo mandatos obrigatórios de mistura
28:41ou de blend de combustível sustentável no querosene fóssil.
28:46O Brasil mesmo tem, no conjunto de regulação que está sendo,
28:51que foi estabelecido, um percentual de mistura.
28:54E, de acordo com essa regulação, no caso específico do combustível de aviação,
28:58isso pode chegar até 50% de mistura no combustível fóssil.
29:03Então, uma aeronave que vai executar um voo pode utilizar,
29:07no seu abastecimento, até 50% de SAF misturado no combustível sustentável,
29:13no combustível de aviação tradicional fóssil.