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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criou uma força-tarefa para investigar a morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, colocou forças federais à disposição para solucionar o caso. Guilherme Derrite, Secretário de Segurança Pública de São Paulo, falou que é um momento de união institucional. Reportagem: Misael Mainetti.

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Transcrição
00:00E o Misael Mainete acompanha os desdobramentos do assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Rui Ferraz Fontes,
00:08ocorrido ontem no litoral aqui em São Paulo.
00:11Ele chega com informações, nosso repórter Misael Mainete, sobre o dia hoje da repercussão, né Misael?
00:15Tanto na polícia, alguns suspeitos já identificados e muitas manifestações das autoridades também.
00:23Como é que tem sido a repercussão desse caso, Misael Mainete?
00:26Bastante coisa pra falar, Kobayashi, muito boa noite pra você e pra todo mundo que acompanha o jornal Jovem Pan.
00:35Kobayashi, foram identificados dois de seis suspeitos neste caso.
00:41A gente participou agora há pouco de uma coletiva de imprensa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
00:48Ele disse que tem muito material de DNA ainda pra ser recolhido.
00:52Dois carros foram utilizados neste crime, um foi incendiado e o outro abandonado.
00:57Neste carro abandonado, portanto, tem muito material genético.
01:02Hoje, o corpo de Rui Fontes foi velado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
01:07A Alespe, em seguida, foi enterrado em um cemitério no Morumbi.
01:12O que a gente tem pra destacar desse dia em relação às forças de segurança?
01:16O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ofereceu ajuda ao secretário de Segurança Pública, Guilherme Derriti, portanto, ao governo do estado de São Paulo, pra solucionar esse caso.
01:29E o pedido foi oferecido, mas foi recusado pelo secretário.
01:34Primeiro, a gente vai ouvir essa entrevista do ministro.
01:38Acompanhe.
01:38Foi um assassinato brutal e isso mostra o nível de violência que, infelizmente, graça aqui no Brasil e também em outros países.
01:49É preciso que se diga isso.
01:50Não é uma exclusividade nossa do Brasil.
01:54Nós já tomamos as providências cabíveis ao nosso nível.
02:00Claro que a responsabilidade da apuração é do governo de São Paulo.
02:03Eu, hoje, liguei para o governador de São Paulo, prestando a minha solidariedade pessoal, não só ao policial morto e à família, mas a todas as forças de segurança do estado de São Paulo.
02:16Nós nos colocamos à disposição do estado, sobretudo no que diz respeito à polícia científica.
02:22Nós temos um banco de dados no que diz respeito à balística, à DNA, informações.
02:28Tudo isso, nós colocamos à disposição, se é necessário, do governo de São Paulo.
02:36Tá, e eu quero chamar a Dora Kramer e o Cristiano Vilela.
02:39Vamos começar essa com o Cristiano Vilela.
02:41Há essa discussão, ou se gerou essa discussão, pelo menos, o Cristiano Vilela,
02:45sobre a ajuda que ofereceu o Ministério da Justiça para colocar a Polícia Federal, inclusive, no auxílio às investigações,
02:52e o secretário de São Paulo garantindo que a investigação é de responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública e, portanto, da própria Polícia Civil.
03:00Como é que você vê isso?
03:02Olha, eu vejo de uma forma adequada.
03:04De fato, a responsabilidade é do governo do estado, no caso, da Polícia Civil do estado de São Paulo,
03:11e não é qualquer tipo, qualquer assassinato, por mais que seja realmente um crime execrável,
03:17um crime que, de fato, desperte uma certa comoção na sociedade,
03:22mas não há justificativa no sentido de fazer com que haja uma necessidade das forças da Polícia Federal
03:30entrarem nas investigações, especialmente nesse contexto onde estamos aí,
03:35no caminhar das discussões da PEC da Segurança Pública e que tem ali no seu pano de fundo
03:42uma certa nacionalização de diversos elementos do combate, especialmente ao crime organizado,
03:49que hoje em dia, na sua maioria, são de competência do âmbito estadual das polícias civis dos estados.
03:58Então, nesse sentido, qualquer demonstração como essa poderia realmente fazer coro a esse discurso governista
04:07pela aprovação da PEC, o que honestamente não convém, não apenas por esse, mas por outros motivos.
04:14Misael Mainete, novamente conosco, ouvimos o ministro da Justiça e também outras autoridades falaram,
04:20não é isso, Misael Mainete, aqui de São Paulo?
04:21Correto. Como vocês mencionaram no estúdio, houve esse oferecimento de ajuda pela Polícia Federal,
04:31mas isso foi recusado pelo secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.
04:35Ele disse que esse é um caso para ser resolvido pela Polícia de São Paulo.
04:40Como eu mencionei, dois suspeitos de pelo menos seis criminosos
04:45e a gente ainda não tem a certeza, não dá para cravar que esse crime está ligado ao PCC.
04:51Muito provavelmente sim, conforme dizem aí as fontes que a gente ouve na polícia,
04:56mas não dá para cravar ainda.
04:58Fato esse, né, que foi um crime, infelizmente, muito trágico em relação ao ex-delegado de Polícia Civil aqui em São Paulo.
05:06Acompanhe a fala de Guilherme Derrite de hoje mais cedo.
05:09Eu acho que esse momento é um momento de união institucional, de todas as forças de segurança, das instituições,
05:18para que a gente possa o mais rápido possível identificar, qualificar e dar resposta devida a esse crime covarde que aconteceu.
05:27Primeiro ponto é que perguntaram, está sendo questionado a respeito de possível força-tarefa.
05:35Não existe uma força-tarefa formalizada, criada, que existe.
05:40É toda a instituição da Polícia Civil com seus principais departamentos,
05:44DHPP, o DEIC, o DIPOL, o Departamento de Inteligência,
05:49o DECAP, o DENTER-6, que é o responsável pelo território da Baixada,
05:55empenhados, o GAECO, que já ofereceu apoio desde ontem para nós,
06:00o Centro de Inteligência da Polícia Militar, também recebendo todas as informações e passando em tempo real para a Polícia Civil,
06:08especialmente para nós, a Secretaria, para o Dr. Arthur.
06:11Nós estamos acompanhando pessoalmente esses trabalhos.
06:14A gente vai falando do caso, elucidando o caso, mas também trazendo esse contexto político,
06:24porque Ricardo Lewandowski ofereceu ajuda da Polícia Federal.
06:28Agora, em seguida, a gente ouve Guilherme Derriti falando sobre uma união institucional,
06:34mas perceba que ele fala sobre essa união institucional da Polícia Civil em São Paulo.
06:39Pois bem, agora há pouco, a gente participou de uma coletiva de imprensa com o governador do Estado de São Paulo,
06:45Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
06:47Ele não conseguiu comparecer nem no velório e nem no enterro desse ex-policial civil.
06:54É muito importante aqui para a história de São Paulo.
06:57Nessa coletiva de imprensa, o governador disse que nunca houve nenhum pedido formal ou informal
07:04de escolta ou de segurança, por exemplo, por parte de Rui Fontes,
07:09que, vale lembrar, estava como secretário de administração na Prefeitura de Praia Grande.
07:14Ele lamentou o ocorrido e também disse que agora deve pautar, muito provavelmente,
07:20uma escolta automática para pessoas que deixam aí cargos importantes, como segurança pública.
07:27Já, já, eu explico melhor sobre isso.
07:29Vamos ver o que disse o governador Tarcísio de Freitas.
07:31Não dá para afirmar que tem indício nem que não tem indício.
07:59Então, as investigações, nós temos várias linhas de investigação,
08:03tem várias possibilidades.
08:05Então, a gente hoje não afasta nenhuma possibilidade nem de ser um crime promovido por facção
08:10ou de não ser um crime promovido por facção.
08:13O governador não tinha pedido proteção do Estado?
08:16Não, não pediu.
08:18Não pediu proteção, nem formal, nem informalmente.
08:21Não tem nenhum pedido de proteção, até porque se tivesse, nós daríamos.
08:24Você viu que ele fala sobre o peso da justiça, uma declaração de Tarcísio de Freitas, também
08:32durante a coletiva.
08:34Ele reconhece que há uma luta estruturada de espaço, uma luta de espaço entre Estado
08:40e entre crime organizado.
08:42Ele disse que o Estado sempre vai prevalecer e sempre vai vencer.
08:47Hoje, o governador falou com a imprensa, já fazia bastante tempo que ele não falava junto da imprensa
08:53e ele desmembrou esse caso.
08:56Também disse que não dá para cravar que é o PCC ainda, mas que também não dá para negar
09:02coisas que vão ser investigadas.
09:04Afinal, Rui Fontes foi um dos maiores combatentes da facção criminosa.
09:09A gente vai continuar acompanhando esse caso de perto e também as investigações e todo
09:14o repercutir político que esse caso também causa em volta das autoridades.
09:20Só para finalizar, Kobayashi, o governador Tarcísio de Freitas disse que muito provavelmente
09:25esse caso vai pautar o que ele chamou de escolta automática.
09:29Atualmente, quem sai de um cargo importante como esse, como delegado geral ou secretário
09:34de segurança pública, procurador, tem que necessitar, ou melhor, tem que requisitar
09:39uma escolta, requisitar segurança.
09:42E não foi o caso aqui, infelizmente, Rui Fontes não solicitou nenhuma escolta, agora
09:49ele pretende pautar o assunto da seguinte maneira.
09:51Tem um cargo de segurança, a pessoa sai licenciada ou aposenta e aí vai ter uma escolta automática.
09:59Muito provavelmente vai ter uma proposta do executivo em breve em relação a isso.
10:03A gente segue acompanhando.
10:05Muito obrigado, Misa Elmanete.
10:07Qualquer nova informação voltará conosco na programação da Jovem Pan.
10:10Deixa eu chamar agora a Dora Kramer para comentar também sobre esse caso que nós trouxemos
10:14ontem à noite, foi no início da noite de ontem, aqui no litoral de São Paulo e repercutiu
10:18muito.
10:19Repercutiu no mundo político, na segurança pública principalmente, polícia investigando,
10:23chegando a dois suspeitos.
10:24Dora, pelo que a gente viu na repercussão, era um delegado muito querido na Polícia Civil
10:29aqui de São Paulo, respeitadíssimo.
10:31Foi um dos que primeiro denunciou Marcola como líder da facção criminosa.
10:34Por isso que há toda essa suspeita, que eles não confirmam como sendo já cravado pelas
10:40investigações, mas que também, claro, não descartam.
10:43E aí isso naturalmente traz toda a discussão a respeito de facções criminosas crescendo,
10:49a organização, o poderio, praticamente duas viaturas com os bandidos ali altamente armados,
10:55fuzis, enfim, e um delegado já aposentado numa administração de um município do litoral
11:02que foi vítima desse crime bárbaro.
11:04Quero a sua análise, Dora Kramer.
11:05Pois é, e ele falava, tem um podcast, acho que é da CBN, divulgado ontem, onde ele falava.
11:12Estranho ele não ter pedido, né?
11:14Porque ele se lamentava nesse podcast, dizendo que estava sozinho, que morava sozinho na Praia Grande,
11:21que não tinha proteção nenhuma, por isso que é estranho ele não ter pedido.
11:26Mas aí esse tipo de caso, sempre que acontece um caso assim, volta mesmo a discussão.
11:32E aí, gente, se a gente juntar o caso lá de novembro do delator, como é que é o nome dele?
11:38Cris Bergman, o nome? Esqueci.
11:41Bom, vocês sabem o que é aquele assassinato lá em Guarulhos, no aeroporto de Guarulhos.
11:45E depois tivemos agora a Operação Carbono, vendo crime organizado, infiltrado no mercado financeiro.
11:56Toda hora a gente vê na política.
11:58E aí o delegado, já houve promotores assassinados, e ainda que não seja uma facção denominada essa ou aquilo,
12:08é o crime organizado, seja de que natureza for.
12:12E sempre a gente olha, e do lado do Estado?
12:16Do lado do Estado, a gente tem uma discussão que não se pode nem chamar de discussão,
12:22tem lá uma PEC da Segurança, que é a única ação de visibilidade nacional que se vê e que não anda,
12:32e que não acontece coisa nenhuma.
12:34Então fica sempre aquela história, a gente olha para esse tipo de coisa e precisamos concluir, né?
12:41E aí a gente acaba concluindo.
12:43É o crime organizado diante do Estado desorganizado.
12:47Vence sempre o governador, sim.
12:50Claro que a polícia de São Paulo, que é super bem preparada, vai solucionar esse caso,
12:55mas são casos pontuais.
12:57O que está acontecendo em termos de criminalidade é um problema transnacional
13:03e que vai além das fronteiras do país, enfim, essa coisa toda que a gente fala toda vez
13:09até a próxima tragédia e certamente vai acontecer.
13:14Aquele caso que você citou, Dora, é o caso do delator do PCC, o Vinícius Gritzbach,
13:21que também na ocasião estava sem a proteção oficial, teria recusado também, enfim.
13:26Não é nem que não havia pedido, é que tinha recusado.
13:29E aí isso gera esse debate que nos falou há pouco.
13:32Ali o Misael Mainetti e Cristiano Vilela,
13:34se não há uma necessidade de um programa obrigatório.
13:37Se você ou combate como força policial ou delata,
13:42necessariamente você vai ter que passar a ter ali uma proteção,
13:45até porque uma pessoa como essa é, no caso do delator,
13:50é uma pessoa que tem muitas informações valiosas para o combate ao próprio time organizado também.
13:54Como é que você vê essa movimentação para a segurança dessas pessoas?
14:00O Cristiano Vilela.
14:02Zé Cobach, eu acho que ela é bem-vinda até um determinado ponto, né?
14:06Talvez durante as atividades de delação, por exemplo,
14:09ou até durante um certo tempo, uma certa quarentena,
14:12após o exercício de uma determinada função.
14:15Agora, realmente você tem um momento da vida onde a pessoa,
14:18ela é livre para fazer as suas escolhas,
14:21especialmente alguém que eventualmente já se aposentou da polícia,
14:24já seguiu um outro rumo e entende,
14:27e um ex-delegado geral, uma autoridade, uma pessoa que tem experiência,
14:32pelo menos em tese, é uma pessoa extremamente habilitada
14:35habilitada para poder fazer essa análise.
14:37E, naturalmente, viver realmente como escolta não deve ser a tarefa mais interessante
14:44ou mais adequada.
14:45Talvez essa pessoa entenda que já não corre mais risco nenhum.
14:49Eu vejo que é possível que a pessoa tome essa iniciativa.
14:52Agora, mais importante, ou para além da investigação dessa morte em especial,
14:59ou de qualquer outra morte que aconteça,
15:02o que é importante é uma política de Estado para acabar com o crime organizado,
15:07ou para fazer frente ao crime organizado.
15:10Porque enquanto a gente fica tratando de casos pontuais,
15:13fica discutindo realmente detalhes disso ou daquilo,
15:17o fato é que o crime vai se organizando,
15:20se estruturando cada vez mais,
15:21mostrando força, mostrando poderio
15:23e tomando conta do pedaço,
15:26tomando conta até de atividades
15:28que, historicamente, são atividades regulares,
15:31regulamentadas, formalizadas, enfim.
15:33Então, o que o poder público precisa
15:36é atacar o coração do crime organizado
15:38e não ficar realmente só correndo atrás
15:41de atuação quando acontece
15:44algum crime bárbaro como esse que aconteceu.
15:46Obrigado.

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