00:00Choreador Gabriel Maris, bem-vindo ao programa Olho Vivo, parabéns pelo trabalho de resgate da história de Souza e de vários municípios da nossa Paraíba.
00:10Obrigado por ter aceito o convite para estar hoje aqui no programa Olho Vivo, numa data tão importante para a história política do Estado e especialmente para a história política de Souza,
00:21de lembrar o legado de Maris, ex-prefeito, ex-deputado federal, ex-governador e ex-senador. Boa tarde, Gabriel, bem-vindo ao Olho Vivo.
00:32Boa tarde, José Neto, boa tarde, Priscila e desejar um boa tarde a toda a sua audiência.
00:40Bem, falar de Maris, a gente, José Neto, a gente tem que resgatar, a gente tem que ir lá para a metade, começar pela metade do século XIX,
00:48o início da formação da família Maris, como também de várias outras famílias, e tudo se inicia com o casamento improvável do padre José Guimarães,
01:02que raptou em Olinda Maria da Conceição Maris, em 1838.
01:08Dessa união do padre com Maria da Conceição Maris, eles tiveram 14 filhos.
01:14Dentre esses filhos, eu posso destacar dois, que foram os únicos dois filhos de toda essa união que conseguiram se formar,
01:25que foi Manuel Maris, um lendário também jurista, que morreu muito novo, com apenas 44 anos.
01:33E aí, eu posso destacar o doutor Silva Maris, de onde se origina o lendário governador doutor Silva Maris.
01:43Então, Maris já vem de uma característica de uma família política, como eu disse, o padre foi por quatro vezes deputado provincial,
01:53que seria hoje o deputado estadual, chegou a presidir a Assembleia Legislativa da Paraíba,
02:01e também foi o primeiro prefeito de Sousa, em 1854.
02:05Então, Maris era bisneto do padre, neto de Silva Maris, que também foi, por duas vezes, deputado distrital,
02:17que justamente seria o deputado federal, e também filho de José Maris.
02:25José Maris, para quem não sabe, é o plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba,
02:29leva o nome de José Maris.
02:32E José Maris chegou a governar Paraíba, por apenas um mês, praticamente,
02:41de dezembro de 1934 a janeiro de 1995.
02:44Ele chegou a assumir o governo da Paraíba,
02:48e daí começa toda essa inspiração para essa carreira vitoriosa,
02:55uma carreira, que eu posso dizer, ideológica, do lendário Antônio Maris.
03:01Gabriel, em relação a essa trajetória honrada, política, pessoal, familiar de Maris,
03:10ao longo de todo esse resgate que você realizou,
03:15para trazer os detalhes sobre Antônio Maris,
03:18o que você poderia destacar, por exemplo,
03:21do compromisso com os menos favorecidos do Sousense Maris?
03:27Bem, Maris, eu acho que era um político ideológico, né?
03:31Ele tinha uma ideologia muito forte, então, militava por paixão, né?
03:36Então, Maris abraçou primeiramente,
03:38teve um discurso progressista para a época, né?
03:42Defendeu os mais pobres.
03:44Ele foi o primeiro de toda uma região, aqui do sertão,
03:47a adotar o salário mínimo, que naquela época não era adotado por essas prefeituras, né?
03:54A transparência de sua gestão foi marcada pela publicidade, né?
04:00Ele chegava em praça pública, né?
04:03A fazer essa prestação de conta de todas as finanças do município,
04:09como também na difusora de Cajazeiras,
04:11já que nessa época, né, o Sousa não tinha um raio de grande expressão
04:17e de grande alcance.
04:19Então, já é um marco, né, naquele momento, né,
04:22para a administração pública, né?
04:24Esse compromisso pelo zelo do erário público, né?
04:29E Maris deixou, além desse legado de honestidade, né,
04:34de ética e de compromisso com o mais pobre, né,
04:37deixou vários exemplos, né, ele, além de prefeito em 1963, né,
04:45que assumiu em 1964, foi por diversas vezes deputado federal, né,
04:50foi senador, né, e também participou de um momento importante
04:55do cenário nacional, que foi o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, né,
05:02ele foi relator, José, de um momento conturbado, né, da nossa democracia.
05:08Então, Maris, ele hoje é considerado por todos os amigos,
05:14como também por todos os adversários na Paraíba,
05:17como um político exemplar, né,
05:20que, para uma curiosidade aqui de Maris,
05:23Maris, o patrimônio dele, que ele deixou,
05:26para você ver, um ex-governador, senador por diversas vezes,
05:29deputado federal, um apartamento em Brasília,
05:32e um João Pessoa, e uma casa de herança,
05:36juntamente com o seu irmão, aqui na nossa cidade.
05:38Então, um cara simples, né,
05:41um cara que o...
05:43a sua postura e as suas atitudes
05:46condiziam justamente com o seu cargo.
05:51Gabriel Maris, conversando com a gente aqui no programa Olho Vivo,
05:55nessa data em que marca os 30 anos da morte do inesquecível Antônio Maris.
06:02Gabriel, olhar para a trajetória de Maris
06:04e olhar também para a importância da atuação dele
06:08para o destaque de Souza no cenário estadual e também nacional.
06:13Como você mesmo disse, ele foi o relator no Senado
06:16do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.
06:21Mas também sempre teve pensamentos além da sua época, né?
06:28No próprio vídeo do resgate que você trazia,
06:31ele defendia bandeiras para a sua época muito visionárias.
06:37Exatamente.
06:38Até são ideias que agrediam a sociedade na época, né?
06:43Os mais poderosos na época.
06:44Para ter uma ideia, ele teve uma formação,
06:47estudou ciência política em Nancy, na França, né?
06:50Então, ajudou muito essa faculdade a desenvolver esse aspecto político
06:58e trazer novas ideias de um grande centro, como a França,
07:01aqui para o nosso Estado, né?
07:04E assim, Maris, como eu falei, é um político ideológico
07:09e a família, apesar de toda essa tradição política
07:13que a família Maris tem, né?
07:15Não só Maris, né?
07:17Teve, dessa linhagem do governador,
07:20teve grandes músicos, governadores também no Rio Grande do Norte, né?
07:24Essa aliança Maris-Maia lá de Catolé com Souza
07:28rendeu vários frutos, né?
07:30Por todo, não só no Estado da Paraíba,
07:33como também no Estado do Rio Grande do Norte.
07:35Então, a família de políticos, porém,
07:36sem grandes posses, né?
07:38Era mais uma política ideológica,
07:40uma política de discursos,
07:42de posicionamento, então.
07:44Era um discurso disruptivo para a época.
07:47Enfrentou grandes oligarquias,
07:49em especial na eleição de 1963,
07:54onde ele se saga vitorioso desse embate
07:58com a família Gadelha, em Souza,
08:01ele ganha por apenas sete votos.
08:04Inicialmente, ele ganhou a prefeitura de Souza por dez,
08:08houve uma contagem, uma recontagem,
08:11e aí se sagrou grande e vencedor por apenas sete votos.
08:16E uma curiosidade,
08:18que também essa política de 1963,
08:21onde Maris se torna pela primeira vez
08:25e única, prefeito de Souza,
08:27foi uma cisão com a família Gadelha,
08:30que até então, historicamente,
08:32a família Gadelha e a família Maris
08:34eram aliadas politicamente.
08:37E na minha visão,
08:38não como historiador,
08:40porque eu nem gosto dessa palavra,
08:42em respeito aos grandes historiadores,
08:44mas eu sou um pesquisador,
08:46foi de grande valia para a cidade de Souza.
08:49Nesse momento,
08:50começa uma guerra,
08:52tanto da família Gadelha,
08:53como também da família Maris,
08:55para trazer uma competição positiva,
08:59que justamente Souza se tornou essa potência
09:03por conta desse momento disruptivo,
09:07nesse ato que essas duas famílias têm,
09:11que ficou uma competição.
09:13Quem trazia mais para a cidade de Souza?
09:15E eu acho que é muito positivo,
09:16foi muito positivo esse rompimento,
09:19não para a família, mas para a cidade.
09:21E só em 1994,
09:23volta as famílias Gadelha
09:26com a família Maris,
09:29se aliar politicamente,
09:31para a eleição de 1994,
09:33onde Maris se consagra vencedor
09:37do governo do Estado,
09:39que era o seu maior sonho.
09:41Infelizmente,
09:42foi derrotado pelo
09:43seu maior oponente
09:45de toda a sua vida,
09:47que foi o câncer, né?
09:48Então,
09:49durante todo o momento,
09:51Maris
09:51ensaiou em outras oportunidades
09:54essa eleição
09:56para o governo do Estado,
09:58mas num momento crucial
10:00de maturidade política,
10:02de experiência,
10:05também partidária,
10:07se consagra vencedor,
10:09mas infelizmente,
10:10só governa a Paraíba
10:11por breves cinco meses.
10:13Gabriel,
10:15em relação à morte
10:16naquele 16 de setembro
10:19de 1995,
10:22um clima de verdadeiro luto
10:24em todo o Estado,
10:25se perdia
10:26uma das figuras
10:27mais importantes
10:28do cenário político
10:29e social do Estado.
10:31O que você poderia trazer
10:33para a gente
10:34de impacto
10:35com a morte
10:37do souzense Maris
10:39lá em 1995,
10:41que representou
10:42a morte de Maris
10:43para o contexto político,
10:45social também
10:46e de impacto também
10:48para essa nossa região?
10:51Olha, José,
10:52pela Maris
10:53já tinha se consagrado
10:55vitorioso, né?
10:57Em vários embates
10:58políticos,
10:59mas justamente
11:00no legislativo.
11:02É a primeira vez
11:03em grande escala
11:04que Maris
11:05ia ter o domínio
11:06do executivo
11:07da Paraíba.
11:08Então,
11:09naquele momento,
11:10apesar de toda essa experiência,
11:11política de Maris,
11:13o Senado,
11:14deputado federal,
11:15prefeito de Sousa,
11:18era um momento
11:19de renovação,
11:21de reciclagem
11:22política de Maris.
11:24Ele ia ter
11:24o domínio
11:25do Estado,
11:26juntamente com
11:27aquele apogeu
11:29do MDB,
11:30do PMDB na época,
11:32que era bastante forte.
11:34Então,
11:34apesar de toda essa experiência,
11:36naquele momento,
11:37também estava surgindo
11:38um novo momento
11:40de governar
11:41de Maris,
11:42era um momento
11:44pessoal de Maris.
11:46E por isso,
11:47houve um choque
11:48na Paraíba.
11:49Então,
11:50foi um...
11:51A gente publicou
11:52até um vídeo hoje,
11:53um resgate
11:54dos arquivos
11:55que nós temos,
11:56um arquivo pessoal.
11:58Só para você ter ideia,
12:00eu tenho mais de 10 horas
12:01tanto do inteiro
12:02de Maris,
12:03dos diversos canais
12:04do Brasil todo
12:05que publicou,
12:06como também
12:07de sua posse.
12:09Então,
12:09foi um choque
12:10para a Paraíba.
12:11E também um momento
12:12de incerteza,
12:13já que,
12:14naquele momento,
12:16a base aliada
12:18de Maris
12:18ficou insegura,
12:20apesar de ter
12:21a confiança
12:22do ex-governador
12:25José Maranhão,
12:27que naquele momento
12:28ele não foi escolhido
12:30à toa,
12:31já existia
12:33esse temor
12:34do próprio Maris,
12:35da sua saúde,
12:38e aí ele queria
12:39uma pessoa
12:39que ele tivesse
12:40confiança
12:41e que pudesse,
12:42naquele momento,
12:43de maneira direta
12:45ou indireta,
12:46perpetuar
12:47as suas ideias.
12:48Então,
12:49foi um momento tenso
12:50da política paraibana,
12:53da perda de Maris,
12:55tanto por essa questão,
12:56como eu falei,
12:57da insegurança política
12:58dos deputados estaduais,
13:00federais,
13:01de seus aliados
13:01como um todo,
13:02e também aquele momento
13:04que a oposição
13:05estava vendo
13:06uma oportunidade
13:07não para governar,
13:09porque Maris,
13:10naquele momento,
13:11lógico,
13:11ele deixou um sucessor,
13:13um possível sucessor
13:13com a sua morte,
13:16que era o ex-governador
13:18José Maranhão,
13:19mas ocasionou um momento
13:22de caos
13:22na política paraibana.
13:25E na época,
13:27lá em 1995,
13:28a história vai registrar
13:30que o lema
13:31do governo de Maris
13:32era governo
13:33e solidariedade,
13:35não é isso, Gabriel?
13:36Governo e solidariedade.
13:37Dizia muito
13:38sobre esse compromisso
13:39social
13:40de Antônio Maris.
13:42E eu lhe pergunto,
13:44em tempos
13:45como esses atuais
13:46que nós estamos
13:47vivenciando,
13:48de uma política
13:49polarizada,
13:50de falta até
13:51de diálogo
13:52na política,
13:54naquela época,
13:55Maris
13:55já demonstrava
13:57esse espírito público
13:58de respeito
13:59ao contraditório,
14:01de divergência política,
14:02é verdade,
14:03de confronto,
14:06mas sempre
14:06de um respeito mútuo,
14:08algo que hoje em dia
14:09a gente não consegue
14:10enxergar, né, Gabriel?
14:11Então, acho que
14:12é também um símbolo atual,
14:14olhar para essa trajetória,
14:16para todo esse potencial
14:17político,
14:18para todo esse capital
14:19político do Maris,
14:21mas sempre com
14:22espírito público,
14:23como você mesmo disse,
14:25de uma discussão,
14:26qual é o grupo político
14:27que vai trazer mais benefício
14:29para a cidade de Souza,
14:30para a Paraíba,
14:31e não de um discurso
14:33do quanto pior,
14:34melhor.
14:35Então, acho que o Maris
14:36representa
14:37esse espírito público
14:38e esse compromisso
14:39com o bem comum,
14:41com a sociedade
14:42e, acima de tudo,
14:44com a política,
14:45com a boa política,
14:46política com P maiúsculo.
14:48Eu acho que a gente
14:49pode resumir Maris
14:51com todo esse legado
14:52com a única palavra,
14:53ética, né?
14:55Ela era um político
14:56muito ético, né?
14:58Preservava
14:58e os seus valores,
15:01os seus reais valores,
15:03né?
15:03Então, a política
15:04paraibana
15:05ficou ófã.
15:07A gente não tem
15:07uma referência
15:08hoje política,
15:10hoje é uma política
15:11de conveniência.
15:13Então,
15:13hoje existe
15:14muito uma dança
15:15de partidos,
15:16o partido A
15:17se coliga
15:17com o partido B,
15:19daqui a dois anos
15:21ou na próxima legislatura,
15:23já está
15:24ao inverso, né?
15:26Então,
15:27ele era um político,
15:28como eu falei,
15:29um político militante,
15:30um político ideológico
15:32que defendia
15:32não seu mandato,
15:34mas uma causa.
15:36Gabriel,
15:36quero lhe agradecer
15:37mais uma vez,
15:38lhe parabenizar
15:39pelo resgate
15:40da história.
15:41Viva a Souza,
15:42Gabriel!
15:43Muito obrigado!
15:43e espero contar
15:45com...
15:45Viva a história!
15:45Viva a história!
15:46Viva a Souza!
15:47Gabriel,
15:48quero lhe agradecer,
15:49meu irmão,
15:50parabéns pelo trabalho,
15:51pelas pesquisas
15:52que você tem desenvolvido
15:54nessa região,
15:55que tem feito
15:56a gente olhar
15:57para a nossa história
15:58e compreender,
15:59entender o hoje,
16:00é preciso olhar
16:01para o que já passou
16:02e você tem feito
16:03isso de forma
16:04brilhante,
16:05parabéns
16:06e espero contar
16:07com outras participações
16:09suas
16:09aqui no nosso programa
16:11Olho Vivo.
16:12Viva a história!
16:13Viva a Souza!
16:15Pois é,
16:15Viva a história!
16:16Viva a Souza!
16:17Esse projeto
16:17é um projeto cultural
16:18que a gente analisa
16:20tanto o aspecto político,
16:22José,
16:23como também
16:23o aspecto arquitetônico,
16:25cultural,
16:25culinária.
16:26Na realidade,
16:27nosso projeto
16:27é vivenciar
16:28o sertão como um todo,
16:30né?
16:30Então,
16:31resgatando histórias,
16:32trazendo momentos marcantes
16:35do sertão nordestino
16:37e justamente
16:38preservando,
16:40principalmente,
16:41nossa identidade.
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