00:00O Bloco Sete de Setembro Folia foi uma iniciativa minha e de minha família.
00:04A gente já vem há alguns anos realizando o São João da Rua.
00:08Já temos 12 anos de eventos naquela rua.
00:11Iniciamos um evento pequeno, familiar, só com os vizinhos.
00:14E foi crescendo.
00:16E hoje também o Arraiá da Sete de Setembro é um evento grandioso, graças a Deus.
00:22E há quatro anos atrás, a gente, por um pedido dos moradores da rua,
00:27vamos comemorar o Carnaval, e a gente colocou para fazer e fizemos o primeiro ano.
00:33Foi tudo de última hora, mas deu tudo certo.
00:36Foi um evento muito bonito, por sinal, no nosso Instagram, Rua Sete de Setembro.
00:40Inclusive está passando aí a imagem, foi o primeiro de setembro Folia.
00:44Foi um evento pequeno, mas por sinal muito organizado, muito bonito.
00:48Todos os moradores, os pessoal das ruas adjacentes vieram participar conosco
00:52e a gente viu que foi um sucesso a primeira edição e levamos à frente.
00:56Conseguimos realizar o segundo ano, o terceiro ano a gente realizou.
01:01O ano passado também foi um sucesso, da qual já teve a participação da banda do Afoxé.
01:06E esse ano, novamente, pelo segundo ano consecutivo.
01:10E esse ano a gente entramos em parceria, o Sete de Setembro Folia, com o Afoxé.
01:16E foi um sucesso esse ano.
01:18Conseguimos arrastar um público muito bom para a rua.
01:20Antônio Simplicio é meu avô, né?
01:22Ele é natural da cidade de Aurora, Ceará.
01:24Vem de uma família tradicional de lá.
01:27Meu avô chegou em Cajazeiras aos 17 anos de idade.
01:30Logo assim, foi para a rua Sete de Setembro e morou quase 60 anos.
01:35Morou 59 anos até o mês de abril do ano passado.
01:40Meu avô era o morador mais velho daquela comunidade.
01:43Por sinal, muito respeitado.
01:44Tem as imagens aí da oficina dele, passando na tela.
01:49E meu avô tinha um sloganzinho que ele sempre costumava dizer.
01:56Batendo sola, furando couro.
01:59Ele falava assim, cheirando cola.
02:02Os dois primeiros anos, não era passando cola, era cheirando cola.
02:07Só que a gente viu que poderia fazer uso ao incentivo de drogas e a gente resolveu trocar.
02:11A homenagem a ele foi criada por a própria população da rua.
02:21Foi quem pediu.
02:22Se não, vamos fazer um bloco, vamos colocar o bloco do sapateiro.
02:24Batendo sola.
02:25E começou o nome assim.
02:27Batendo sola da Sete de Setembro.
02:29Aí a gente se reuniu e decidimos formar o nome do bloco.
02:33Para homenagear meu avô.
02:35Meu avô participou do bloco os três anos anteriores.
02:38Esse ano foi o primeiro ano que a gente realizou sem ele.
02:41O bloco surge em 2022.
02:44No final de dezembro de 2022 surge a ideia.
02:48Porque o bloco é resultante de uma associação que nós temos,
02:53chamada Associação Afrocultural Ibadu,
02:56que atende as pessoas,
02:59as pessoas do Barro da Esperança, de Capoeiras, Vila Nova.
03:03Nós temos parceria com o PAA,
03:08que é o Programa de Acredição de Alimentos,
03:10com o CRAS.
03:10Com o CRAS a gente dá aula de música na associação.
03:14Eu desmontei minha casa e fui para uma casa vizinha.
03:17Da minha casa eu fiz a associação.
03:19Então a gente atende crianças, jovens e os adolescentes
03:24com aulas de músicas, de reforço,
03:28fazemos atendimento com doação de cestas básicas,
03:31enfim, tudo isso.
03:32Então dessa associação surge a ideia do bloco.
03:35É um bloco afro.
03:36É um bloco que vem se destacando,
03:39porque nós começamos com a ideia que era bem tímida,
03:42e a ideia foi se fortalecendo cada vez mais.
03:44Em 2022 a gente monta o bloco.
03:47No ano seguinte a gente sai com a quantidade de pessoas.
03:50No segundo ano a gente já saiu arrastando muita gente,
03:53porque arrastamos os imprensados também.
03:56Nós temos parceria com os outros blocos.
03:58Esse ano fechamos parceria com o 7 de setembro Folha também.
04:02Fizemos um sucesso lá.
04:03Com certeza faremos agora também dia 12.
04:05Então é um bloco que tem se destacado
04:07e tem alcançado um parâmetro maior do que a gente pensou,
04:13porque cada vez mais nós temos encontrado parceiros
04:16que tem fechado com a nossa ideia.
04:18A exemplo desse ano,
04:19quando a gente anunciou que íamos colocar o bloco na avenida novamente,
04:23de imediato a gente já contou com Reinaldo e Amanda Jalda,
04:26já contou com Val Stories,
04:28já contou com Casa da Padelha,
04:31já contou com a loja AM3 Soluções.
04:35Foram parceiros que fecharam com a gente,
04:37disseram imediatamente, vamos fechar, vamos fazer,
04:39fora as pessoas também que nos acompanham.
04:42E aí é só usar esse espaço que é tão democrático
04:47para deixar uma coisa bem nítida.
04:49Ao contrário do que andaram dizendo por aí,
04:52nós não somos uma banda e nem um bloco de macumba.
04:56Primeiro porque dizer isso é crime,
04:58é um termo pejorativo.
05:00O bloco e a associação são coordenadas
05:02por pessoas de candomblé,
05:04nós somos de candomblé,
05:05temos orgulho disso, por sinal,
05:07temos orgulho disso,
05:08mas o bloco e a banda não são de candomblé,
05:13é um bloco afro.
05:15Digo isso por quê?
05:16Porque tem dois músicos
05:17que tocam na nossa banda
05:20que a gente não marca compromisso com eles
05:22para o domingo de manhã
05:22porque eles tocam na igreja católica.
05:24São católicos fervorosos, inclusive.
05:26Então, assim, é um bloco que agrega,
05:28nós não somos um bloco só de candomblé.
05:30Repito, somos, a boa parte da coordenação
05:35é candomblacista, sim, e com muito orgulho.
05:37Mas o bloco e a banda não são de candomblé
05:40e também, como dizem aí,
05:44de uma forma errônea,
05:45não é banda de macumba.
05:46Então, esse bloco, ele vem se fortalecendo,
05:50tem aumentado cada ano, cada vez mais.
05:52A prova é que esse ano
05:53nós não temos mais camisas à venda.
05:55Já há um tempo que a gente colocou as camisas
05:57para vender e já esgotaram de imediato,
05:59assim, graças a Deus.
06:01Então, esse bloco, a gente conta,
06:04como eu disse, com os parceiros
06:05que fecham com a gente,
06:06com os nossos familiares,
06:08com os nossos amigos
06:09e com as pessoas que compram a nossa ideia.
06:11Importante também que a gente pensa muito
06:13na família, a gente pensa muito
06:15no outro nesse sentido.
06:17A exemplo, a nossa banda,
06:19ela não toca música que vai falar mal de mulher,
06:22que vai falar mal de cabelo,
06:23que vai falar calcinha, bundinha,
06:25ou coisa do tipo.
06:26Nós tocamos músicas dos carnavais antigos,
06:29dos anos 80, 90, 2000,
06:32como Timbalada, Holodum,
06:34Chiclete com Banana,
06:35Azadeu,
06:36mas todas as músicas são...
06:38Quando a gente para para pensar
06:39no que vamos tocar,
06:41a gente tem muita atenção
06:43no cuidado
06:44para não estar diminuindo uma classe,
06:49diminuindo uma raça,
06:50diminuindo qualquer coisa.
06:51Então, a gente,
06:52até nisso, a gente pensa também.
06:53As pessoas que fazem parte do bloco,
06:56boa parte também são pais e são alunos
06:59da nossa associação,
07:01que inclusive vão tocar antes do bloco,
07:03no dia 12 também,
07:04nós temos um grupo de 25 jovens
07:07que vão tocar seis vezes nesse carnaval.
07:11Nossa associação foi convidada
07:12para tocar em seis locais diferentes,
07:14inclusive no bloco de Nino e Cajá,
07:16no bloco Cafu Sul,
07:17no Amélia Nunca Mais.
07:18Já colaborou com o 7 de setembro.
07:21Exatamente.
07:21Então, assim, nós temos
07:22essa convocatória,
07:26esse ano tem sido em massa,
07:28tem sido massivo
07:28e a gente tem buscado atender a todos
07:30e justamente nisso,
07:31pensando em ser um bloco que agregue,
07:35que quebre esse conceito das pessoas
07:38e que seja também voltado
07:41a todas as idades.
07:42Nós atendemos a todos os públicos.
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