Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Fabrizio Neitzke analisa a derrota do partido do presidente Javier Milei nas eleições provinciais de Buenos Aires, um termômetro para as legislativas de outubro. A vitória da oposição peronista gerou uma reação negativa no mercado, com títulos e o peso argentino despencando nesta segunda-feira (08).

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/DBz6du1E8wI

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Pessoal, eu quero mudar um pouquinho de assunto agora e falar do primeiro grande teste eleitoral da Argentina e do presidente Javier Milley,
00:08depois da denúncia de corrupção envolvendo a irmã dele.
00:11Ele sofreu uma dura derrota na província de Buenos Aires, ali nas eleições que aconteceram.
00:16Legislativas e também municipais, né?
00:19Legislativas, mas que misturam com as cidades e com essas áreas de atuação.
00:23E isso vai servir de teste, inclusive, para outras eleições que vão acontecer mais pra frente, né?
00:28Que são em outubro, não é mesmo, Fabrício?
00:30Perfeitamente. Você sabe muito, hein?
00:32Não, eu só acompanho o que você nos explica todos os dias aqui, meu amigo.
00:35Que gentil.
00:36É por isso. Mas conta aí, Milley está sob pressão.
00:39Milley está sob pressão. A vitória ontem do Forza Pátria, Evandro, que é o grupo peronista, kirchnerista, de oposição,
00:47que competiu ontem contra o La Libertad Avança, que é o partido de Javier Milley, foi acima do que previam as pesquisas.
00:53Eles receberam 47% dos votos na província de Buenos Aires contra 33% para o Libertad Avança, que ficou na segunda colocação.
01:04Muito tem se dito que a província de Buenos Aires se tornou, nesses últimos anos, uma espécie de reduto da esquerda,
01:10mais ou menos como é a província de Santa Fé, lá na Argentina, tradicional, curral eleitoral da esquerda, dos kirchneristas, do peronismo, em linhas gerais.
01:19Mas é um pouco cedo para a gente falar exatamente disso ou não.
01:23Agora, o que é fato é o seguinte, foi uma vitória que foi acima do que previam as pesquisas.
01:28Já teve reação, por exemplo, nos mercados.
01:30Hoje o peso teve uma queda de 5% em relação ao dólar lá na Argentina.
01:36A Bolsa de Valores da Argentina caiu mais de 10%.
01:39Foi um dia ruim para o mercado argentino em linhas gerais.
01:44E aumenta a pressão contra Javier Milley, que em outubro, mês que vem, vai ter as eleições legislativas,
01:50quando se renova metade do Congresso argentino, Senado e Câmara dos Deputados.
01:55E que vai servir de termômetro, de referendo, vamos dizer assim, da população em relação às políticas promovidas pelo presidente argentino,
02:04que a gente sabe, são medidas polêmicas, que dão o que falar para dizer o mínimo aqui.
02:09Ele tem um trabalho para combater a inflação, mas muitos se questionam qual é o custo do combate à inflação.
02:15A população na Argentina está empobrecendo, embora, verdade seja dita, a inflação caiu e caiu muito na Argentina,
02:23desde que ele assumiu o poder.
02:26Mas a questão é como que essas propostas, como que essas medidas têm sido recebidas pela população.
02:31E a julgar pela província de Buenos Aires, elas têm sido mal recebidas.
02:36Ele tinha uma expectativa grande, o La Libertad avança, tinha uma expectativa grande nessa eleição de ontem,
02:42e eles perderam um resultado praticamente incontestável.
02:46Se somar os votos do La Libertad avança com o Somos Buenos Aires, que ficou em terceiro,
02:51não dá a margem que recebeu o Força Pátria lá na província de Buenos Aires.
02:56É importante dizer também o seguinte, que isso seria o equivalente a uma eleição para deputado estadual lá na Argentina.
03:03Não quer dizer necessariamente o Congresso argentino, mas é um termômetro, é um balizador.
03:07Seriam vereadores também, né, que mudariam nessas cadeiras.
03:10No caso dessas eleições na Argentina, elas servem como um teste lá para frente,
03:14porque agora mexem também com as escolhas nessas províncias,
03:18o que pode indicar uma lei que apoia o que ele teria lá em outubro ou não.
03:21É isso, né, Fabrício?
03:22A gente está falando, Evandro, da província de Buenos Aires, que é a maior província da Argentina,
03:26é a maior colégio eleitoral da Argentina.
03:2840% da população do país está lá.
03:31Então, se 40% da população preferiu para a Câmara, para a Assembleia Legislativa Estadual,
03:36comparando aqui com o Brasil, a lespe deles, digamos assim,
03:40pelo peronismo, pelo kirchnerismo,
03:44possivelmente a gente pode ver uma repetição disso nas eleições legislativas agora em outubro.
03:50Vamos ver como é que o resto do país reage,
03:52a capacidade de Milley também de reorganizar as massas,
03:56distribuir o seu apoio ao redor do país.
03:59Como é que foram as reações?
04:01O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof,
04:03que é um dos maiores críticos de Javier Milley,
04:06tem sido ventilado, inclusive, como candidato presidencial da esquerda para daqui dois anos,
04:11falou que o La Libertad Avança vai precisar recalcular a rota.
04:14Falou, olha, eles levaram aqui uma derrota que eles perderam o norte
04:17e vão precisar pensar no que eles vão fazer aqui para frente.
04:21Javier Milley disse o seguinte, foi um tom até mais conciliador,
04:24a gente vai aceitar a derrota, a gente aceita a derrota,
04:27os resultados não eram aquilo que a gente queria, mas a gente aceita,
04:31mas a gente não vai retroceder nas nossas políticas,
04:34pelo contrário, vamos aprofundar as medidas que a gente tem tomado até aqui.
04:39Quando a gente fala do mercado,
04:40Evandro, é importante falar disso, do peso,
04:43semana passada o governo federal precisou interferir no mercado cambial.
04:47O dólar estava disparando, a Argentina vendeu reservas,
04:50já não tem muita reserva de dólar,
04:52vendeu reservas para controlar o câmbio,
04:54e agora, se essa situação se intensificar por conta da derrota provincial,
04:59aí pode ser que ele amplie essa intervenção no câmbio da Argentina,
05:04coisa que ele não gostaria de fazer,
05:05vai até contra aquela política de Javier Milley,
05:08mas política é política, né?
05:09É, porque tudo vai depender da popularidade,
05:12a popularidade pode mudar e mexer com decisões importantes
05:17desses políticos que acompanhamos.
05:19Seu Fabrício Naitski, obrigado.
05:21Bem explicado para você?
05:22Ô, rapaz, claro que sim,
05:23tanto que a gente vai jogar agora.
05:24Não está bem explicado, Fabrissi?
05:25Não, não, Fabrissi?
05:26É, craque, né?
05:28Por isso que a gente sempre recebe ele com muito gosto aqui no nosso 3 em 1.
05:31Um abraço, meu amigo, ótimo trabalho para você na redação.
05:34E aí, Alangani, o que isso indica?
05:36E o que luz de alerta que isso acende para Javier Milley?
05:39Porque tem a ver também, como nós comentávamos até então,
05:43com uma reação a denúncias de corrupção envolvendo a irmã dele,
05:48de recebimento de propina em contratos.
05:50Ou seja, Javier Milley está experimentando agora o armagor que uma denúncia pode provocar.
05:56É claro que tem toda essa questão envolvendo a irmã dele, né?
06:00De indícios de corrupção.
06:01Mas há também algo que ele já esperava,
06:05e ele falou durante a campanha eleitoral,
06:08que o país iria piorar num primeiro momento para depois melhorar.
06:14E, de fato, isso ocorreu.
06:15Foram anos de estrago do peronismo, né?
06:18Dos governos Kirchner.
06:20E agora ele está tendo que consertar a casa.
06:24Ou melhor, está tendo que trocar o pneu com o carro rodando, né?
06:28E não é uma tarefa simples.
06:29E aí é claro que alguns índices pioraram, outros melhoraram.
06:33Mas ele está na direção certa, ele não joga para a torcida, ele não faz populismo.
06:39E é difícil realmente convencer a população de que essas políticas,
06:44muito embora tragam alguma dor no curto prazo,
06:49mas vai tirar o país do buraco a médio e longo prazo.
06:54E esse é o grande desafio dele, esse convencimento da população
06:59e também brigar com as forças do peronismo,
07:02as forças populistas que não são fáceis, Evandro.
07:05É, e porque o resultado também não foi assim apertado, né?
07:08A gente está falando de 13 pontos à frente do peronismo em relação ao partido de Javier Milley.
07:15E é por isso que a preocupação ficou grande, né, Bruno Mousa?
07:18Sem dúvida. Bom, vamos lá.
07:19Muitos até me cobraram, porque ele é da mesma linha de pensamento econômico do que eu,
07:23que eu fizesse uma análise mais aprofundada.
07:25Eu fiz, vai ser amanhã lá no meu canal.
07:26Mas tem alguns dados interessantes para serem analisados nas entrelinhas.
07:30De fato, a diferença, ela foi expressiva.
07:33Se esperava já que o peronismo ganhasse em Buenos Aires, não nessa magnitude.
07:39Mas é interessante que quando comparamos as últimas eleições,
07:42nesse mesmo par, as eleições em Buenos Aires das últimas,
07:45o peronismo, em número de votos absolutos, ele perdeu quantidade de votos.
07:49Só que o que aconteceu foi que ele conseguiu manter 85% dos eleitores das últimas eleições,
07:54ao passo que o partido de Javier Milley conseguiu manter 50%.
07:59Basicamente, aqueles, digamos, em cima do Muros, ou indecisos ali,
08:03acabaram migrando para o lado.
08:05Por dois pontos, um deles pode ser essa parte da Karina Milley, a irmã dela,
08:10e os supostos áudios que são atribuídos a ela,
08:13que vale lembrar que está em fase de investigação.
08:15Eu acho muito difícil alguém que tem a mesma linha de raciocínio
08:20passar a votar no peronismo, que colocou a Argentina na situação que estava à beira da hiperinflação,
08:26por ainda uma investigação.
08:28Acho muito difícil, mas claro que impacta naturalmente isso nas eleições.
08:33Mas é mais importante a mensagem que o Mireille colocou,
08:36assumindo de cara a derrota, fazendo uma autocrítica,
08:40o que fará uma autocrítica para as eleições mais importantes,
08:43dia 26 de outubro, em Buenos Aires, mas as eleições nacionais.
08:48Esse é o ponto mais importante.
08:51Para que ele consiga colocar tudo em lei,
08:53basicamente o esqueleto central dele, que é a geração de superávit.
08:57Mas vale lembrar, até o momento, no primeiro mês que ele assumiu,
09:00a inflação era 25,5% ao mês, hoje está 1,9%.
09:03A pobreza, que tinha saltado para 58%, está em 31% da população.
09:08As reservas do Banco Central, que estava em 7 bilhões negativas, líquidas,
09:13hoje está positiva por volta de 10 bilhões.
09:16Então, há sinais muito importantes de estabilidade macroeconômica,
09:21mas volta no que o Alan falou.
09:23Essa melhoria, depois de décadas de deterioração, demora alguns anos para melhorar.
09:28E esse curto prazo precisa ser colocado de alguma maneira
09:32para que essas pessoas já sintam, no dia a dia, toda essa melhoria.
09:37Apesar da estabilidade da inflação, você ainda tem um incremento no salário real
09:41em dólares na Argentina.
09:43Foi brutal.
09:44Mas, realmente, os preços estão muito caros lá.
09:47Portanto, há de ser feita alguma autocrítica
09:50para abranger melhor essa população mais carente,
09:54para que ela entenda e continue entendendo a importância
09:57da mudança macroeconômica que o país está passando.
09:59Fala, Zé Maria Trindade.
10:00É interessante que o Milley possa vencer essa politicagem e continue colocando em prática
10:10esse pragmatismo que a Argentina precisa.
10:14A Argentina chegou a um ponto antes do Milley de que estava precisando mesmo de medidas radicais
10:20como ele prometia.
10:21Os argentinos entenderam, o elegeram e sabiam da dificuldade e do enfrentamento com esta
10:28política enraizada, este centrão que também exige na Argentina, que tenta se manter com
10:35um governo forte para mamar nas tetas do governo.
10:39Então, esta é a ideia, que o Milley possa vencer.
10:44Maurício Macri, que é um empresário, um engenheiro, um gestor, foi presidente da Argentina,
10:52chegou com o discurso liberal e acabou ficando com medo e recuando diante dessas resistências
10:57que são naturais.
10:59Existem resistências.
11:01Eu conversei uma vez com o Paulo Guedes e ele me falando das resistências, que ele
11:06chamava de curraisinhos, vários currais.
11:09São grupos que se apoderam ali de poderes setorizados no governo e lucram com burocracia,
11:16com dificuldades e ficam nutrindo ali naquele curral e não permite a modernização do Estado.
11:25Foi uma luta para tentar privatizar, tentar colocar um governo eletrônico aqui no Brasil,
11:31tentar facilitar e agilizar para os empresários, criar novas empresas.
11:37Mudou muito, melhorou, né?
11:39Mas isso é difícil, porque tem uma resistência interna muito grande, porque são pessoas que
11:45lucram com essas dificuldades e essas incompetências do governo.
11:49Então, na Argentina, isso foi construído com muito mais competência.
11:53E eu gosto de falar do Macri lá atrás, porque se ele tivesse levado adiante as propostas
12:02de campanha e no que ele acredita, hoje a Argentina estaria melhor.
12:06E talvez ele seria reeleito e não foi nem candidato à reeleição, porque sabia dessas
12:10resistências.
12:11Então, eu acho que o Milley está preparado para enfrentar essas dificuldades que a gente
12:17aqui já sabia que elas iam aparecer.
12:20A política não pode destruir a lógica.
12:23Arremate, Piper.
12:25Veja, foi muito bom, Zé Maria, lembrar do Macri, porque o Macri foi presidente outro
12:29dia.
12:29Ele não é um peronista.
12:30Ele foi presidente de 2015 a 2019.
12:34Isso é sempre importante a gente lembrar.
12:36Aí veio depois, de novo, a Cristina Kirchner voltou.
12:40O que está acontecendo é o seguinte.
12:42Entre outras coisas, os resultados econômicos dos últimos três meses, eles já não foram
12:49vistosos.
12:50A Flação parou de recostar-se mensais, não anual, mas as taxas mensais.
12:55O país não vai conseguir cumprir seus compromissos com o FMI agora, os próximos, porque não
13:02tem dólares e o Milley é uma contradição do discurso moralizante e libertário.
13:14O que o Milley fez nesses últimos dias?
13:16O Milley ingressou na justiça para impedir jornalistas de continuarem divulgando os áudios.
13:23Então, me parece que não é uma medida de um democrata.
13:27Segunda coisa, é importante lembrar que Karina Milley é a pessoa forte do governo.
13:33Ela não é só uma irmã, ela exerce cargos, ela é, enfim, a pessoa a quem todo mundo
13:39recorre.
13:40A pessoa que, para muitos, efetivamente governa.
13:42Terceiro, Milley também está enrolado na justiça com o processo da Libra.
13:49Não vamos esquecer o escândalo das criptomoedas que ele ajudou a divulgar nas redes sociais
13:55dele.
13:56Então, é claro, e veja, consegue a proeza de perder uma eleição em Buenos Aires no momento
14:03em que a Cristina Kirchner está presa.
14:05Seria a grande oportunidade da vida de se impor lá também.
14:10E nós assistimos ontem a constrangedora cena da Cristina Kirchner dançando na sacada
14:16lá da casa dela, em plena prisão domiciliar.
14:19Olha para quem que ele conseguiu perder.
14:21Arremate, Bruno, rapidinho.
14:22Fale, Bruno, rapidinho, é que o Banco Central tem hoje capacidade, o Piperna, até porque
14:27ele fez um acordo novo com a FMI recentemente.
14:30E mais, as províncias que antes não conseguiam captar dinheiro através de dívida estão
14:33conseguindo emitir.
14:34Fato é que a taxa de juros teve que subir depois dessa desvalorização cambial que teve nos
14:38últimos dias depois dos áudios.
14:40Aliás, intervenção no câmbio que contradiz as promessas de campanha dele.
14:44Concordo com você e o aumento do depósito compulsório também que contradiz as políticas
14:49que nós defendemos.
14:50Então, isso sim, de fato é verdade.
14:52Mas o meu ponto é só isso, que o Banco Central hoje tem uma capacidade que antes eles
14:55não tinham.
14:56Então, eu vou passar.
14:57Então, eu vou passar.
14:57Então, eu vou passar.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado