00:00José Maria Trindade, e você? Como avalia essa estratégia?
00:03Você entende que seria interessante que os réus estivessem ali no julgamento,
00:08participassem cara a cara com os ministros e também ao lado de seus advogados?
00:13Não, isso não é bom.
00:15Dois pontos me surpreenderam quando eu comecei a cobrir o Supremo Tribunal Federal.
00:21Primeiro foi o Ministério Público, que é uma parte, que é o Procurador-Geral da República,
00:26geralmente, entrar no plenário junto com os ministros e depois ir para o cafezinho
00:32e para o lanche que eles fazem às cinco da tarde com os ministros e se confunde
00:36o Procurador-Geral e os ministros do Supremo Tribunal Federal,
00:40enquanto a defesa fica sentada lá fora, não tem acesso aos ministros
00:44e só tem uma fala ali rápida, determinada pelo presidente da mesa e pelo relator.
00:52Então, assim, isso me surpreendeu, que eu entendia que o Ministério Público
00:56devia estar na mesma condição do acusado.
01:00Os dois vão se debater, assim, o processo judicial.
01:04E a outra foi a ausência do réu.
01:06Não é usual e, em certo ponto, visto até como possibilidade de constrangimento aos ministros.
01:15Isso é a prática do Supremo Tribunal Federal.
01:19Nunca os réus vão. Um ou outro, aí já é uma exceção.
01:25Então, o que a defesa recomenda é isso, de não ir.
01:28Os votos não são decididos na hora.
01:31Não é como o Tribunal do Júri, por exemplo, onde os jurados ficam ali
01:36e ficam permeáveis aos argumentos, aos fatos apresentados ali no julgamento.
01:41Nesse caso, não. O ministro já chega com o voto pronto e ele lê aquele longo voto
01:48e, portanto, não há absolutamente nenhuma interferência.
01:52Pode até piorar, para você ter uma ideia.
01:54Então, é uma situação, é uma praxe do Supremo Tribunal Federal
01:58que o réu não participe, não esteja presente no julgamento.
02:03Eu estranho.
02:03Obrigado.
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