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00:00Jovem Pan Saúde, oferecimento ampla, muito mais que um plano, um compromisso com você. Isso é ampla.
00:13Jovem Pan Saúde
00:14Olá, seja muito bem-vindo a mais um Jovem Pan Saúde.
00:20Algumas mulheres passam por ela sem maiores problemas, outras têm sintomas bem característicos e intensos.
00:27Ondas de calor que surgem de repente, suor excessivo, diminuição da libido e até depressão.
00:33Esse período caracterizado pela interrupção da produção de hormônios pode ser uma passagem muito delicada na vida da mulher.
00:41É, da menopausa que eu estou falando.
00:43E é sobre esse assunto que eu converso hoje com o doutor Júlio Zanca, que é pós-graduado em endocrinologia feminina
00:50e também com a psicóloga Carla Zeglio. Sejam muito bem-vindos.
00:55Bem, queria começar, claro, que o doutor Júlio começasse explicando pra gente o que é, de fato, essa menopausa.
01:03Em que idade ela costuma aparecer?
01:05Isso. Na verdade, acho que a gente tem que pensar o seguinte.
01:08Desde o momento do nascimento de uma mulher, ela já nasce com o total estoque de folículos que ela vai ter ao longo da vida reprodutiva.
01:17Antes da primeira menstruação, metade dessa quantidade de folículo já evolui.
01:23Então, a partir da primeira menstruação, ela já caminha para o esgotamento.
01:28Então, a gente tem que entender que uma mulher passa por algumas fases.
01:30A perimenopausa, que é o climatério, que é um período que antecede esse período da menopausa.
01:37E a menopausa, de fato, seriam os 12 meses totais de ausência de menstruação.
01:42Aí é um marco, de fato, que a gente considera como uma menopausa.
01:46O que acontece é o seguinte.
01:49Como essa mulher caminha para esse esgotamento folicular, o organismo percebe que essa falta do estradiol, do estrogênio,
01:56que é o hormônio que a gente realmente considera como mais importante, junto com a progesterona, a testosterona,
02:02ele é muito importante porque ele participa do metabolismo energético das células.
02:06Ele tem a ver com a questão da saúde neuronal, com a saúde osteomuscular e com a questão também relacionada com a questão psicológica e tudo mais.
02:16E saúde sexual dessa mulher.
02:18Então, a gente tem que avaliar isso tudo para entender, de fato, como que essa mulher está nesse momento,
02:24risco-benefício de uma possível reposição hormonal e tudo mais.
02:28Agora, doutora Carla, é curioso pensar que quando a menina tem a primeira menstruação, é um marco que, muitas vezes, pelas famílias, são comemorados.
02:38Tipo, ai, olha, ficou mocinha, está ficando grande, está passando por uma outra fase.
02:45E com a menopausa isso não acontece, né?
02:47Ela é encarada de uma outra forma.
02:49Ainda é um tabu?
02:50Nossa, tão linda essa tua fala, tão linda essa tua colocação.
02:55Porque se as famílias falassem sobre a menopausa, como a gente fala sobre a menarca, que é a primeira menstruação,
03:04nós teríamos uma adaptação social para que essa mulher possa viver todas as sensações que este corpo novo,
03:14ou melhor, renovada, né, se coloca de maneira muito acolhedora familiarmente.
03:22Porque muitas vezes essa mulher não tem nem com quem conversar e a menopausa pode ser uma ideia de um marcador de um fim, né?
03:31Que quando a gente fala sobre a menopausa, vem uma ideia de, bom, estou envelhecendo, eu vou morrer, a vida não faz mais sentido.
03:41Não sou mais reprodutiva, né?
03:42Não tenho mais função reprodutiva, mas tenho tantas outras funções que construí durante toda a vida.
03:50E se a gente conseguisse falar com as nossas famílias sobre todo este processo, tudo o que acontece por baixo da pele, né?
04:01Todas as coisas que a gente sente, como a gente sente, eu acho que nós falaríamos da menopausa de um outro lugar.
04:08Então é importante a tua colocação, falemos sobre a menopausa, né?
04:13Mulheres importantes, empoderadas, hoje vem falando sobre seus processos de menopausar.
04:22E não tem sido um problema, porque, ai, estou com calor, faz parte do processo.
04:27Então, se a gente acolhe os processos também, socialmente, a gente tem mais qualidade.
04:34Você ressignifica, né?
04:35Essa nova fase que não tem que ser encarada como uma coisa ruim, né?
04:39Não é uma coisa ruim, né?
04:40Se a gente está envelhecendo é porque muita coisa deu certo.
04:44Então, se a gente conseguir compreender a menopausa como mais um processo na vida e não o fim dela...
04:49É, mais uma fase que a gente vai passar.
04:51A gente vai viver muito melhor.
04:54Agora, doutor Júlio, você citou, né?
04:56Então, nesse período dos ovários, eles vão envelhecendo e começam a parar de produzir os hormônios.
05:02Uma fase que você trouxe aí um outro nome, né?
05:05O climatério.
05:06Quanto tempo ele pode durar?
05:08Esse período aí pode durar em torno de 5 a 7 anos, antes mesmo da ausência total de menstruação.
05:15É um período sintomático.
05:16Vamos supor, o organismo percebe esse esgotamento folicular e ele, na tentativa de permanecer com a normalidade,
05:25tenta recrutar esse estoque final aí de folículos, né?
05:29E aí, isso é sintomático.
05:31Por quê?
05:31Não é laboratorialmente fácil de achar.
05:35Por exemplo, não tem um exame que a gente vai fazer que vá definir.
05:38Olha, essa pessoa está vivenciando o climatério.
05:41Às vezes, o exame hormonal vai parecer super normal e a pessoa vai referir.
05:45Eu sinto calor.
05:47Eu acordo às 3 da manhã.
05:49Eu sinto secura vaginal.
05:51Eu tenho uma questão ali.
05:52Minha libido diminuiu.
05:54Eu perdi a memória.
05:55Tem uma série de coisas acontecendo.
05:57Ganho de peso.
05:58Eu não mudei em nada a minha rotina.
06:00Continuo fazendo as mesmas questões de exercício.
06:04E eu percebo uma gordura abdominal que não tinha antes.
06:07Isso tudo tem uma explicação.
06:08Difícil de perder, inclusive, né?
06:10Exatamente.
06:11O estradiol, ele está muito relacionado com essa questão que eu te falei do metabolismo energético das células.
06:16Quando a gente fala, por exemplo, de insônia, relacionado com a questão desse período de perimenopausa e menopausa,
06:23o neurônio, ele tem uma questão de neurotransmissor e receptor.
06:27E o estradiol participa tanto na parte que é de recaptação de neurotransmissores,
06:32quanto aumentando o número de receptores nos neurônios.
06:36Então, assim, até para funcionamento desse impulso elétrico, para a pessoa ter memória, para o sono,
06:43para a manutenção do sono, é necessário a participação.
06:46Ele auxilia nisso.
06:47Então, nessa transição, como você tem essa mudança, essa variação na quantidade hormonal,
06:54vai ser bem sintomático.
06:55Então, vai ter uma labilidade emocional, aquela coisa toda de tristeza, angústia,
06:59uma sensação de não pertencimento, então, de menos-valia em relação a alguma coisa.
07:04E, às vezes, não tem nada demais acontecendo, é só uma sensação mesmo percebida, uma variação hormonal.
07:10É sobre esse ponto que eu queria tratar com a doutora Carla,
07:12porque essa instabilidade hormonal que a gente falou, também traz uma instabilidade emocional.
07:18E daí, como que a mulher pode lidar com isso sem se sentir culpada, né?
07:23Então, é porque como o corpo passa a se comportar de uma maneira diferente,
07:28a gente começa a sentir coisas que não sentia antes.
07:31E a gente nomeia isso como doença.
07:35E, a partir daí, vem toda uma ideia social e cultural de que é o fim.
07:43E, todas as vezes que a gente pensa em algum fim, fim do processo reprodutivo, fim,
07:50e junta com a saída dos filhos para uma universidade, com a saída dos filhos de casa,
07:55junta uma série de situações sociais que justificam a emoção não tão boa,
08:06mas não são só questões hormonais.
08:10Então, a gente tem uma sensação e a gente junta com todas as outras coisas que estão acontecendo.
08:15Às vezes, o relacionamento é de longo prazo, às vezes a comunicação se perdeu.
08:21Então, veja, todas as coisas acontecem num mesmo momento, né?
08:27A gente perde mais de uma função neste momento.
08:32Então, a dor se dá, não pela menopausa em si, mas sim pelo momento no qual ela acontece nas nossas vidas.
08:39Doutor Júlio, você falou que não tem um exame específico para detectar que a pessoa ali está naquela fase do climatério.
08:46Existe algum exame que detecte e que diagnoste que ela está com a menopausa ou não?
08:52É mais pela questão do tempo.
08:54A menopausa é um marco, né? Igual a gente comentou.
08:56Então, após 12 meses sem menstruação, essa mulher, a gente considera que ela já esteja na menopausa.
09:02Então, fica mais fácil.
09:03Mas aí dá para a gente avaliar.
09:05Porque aí, laboratorialmente, você tem alterações em alguns exames e aí a gente consegue perceber.
09:11A transição que é mais difícil, como eu comentei até mesmo, a questão é a seguinte.
09:16A gente tem pacientes aí que vão começar a vivenciar o climatério por volta dos 40, 41 anos, algumas pacientes.
09:25E aí é muito difícil uma mulher se identificar tão jovem vivenciando isso.
09:30Você entende como que é complicar dela?
09:32Então, de fato, vai tentar ali, olha, eu quero um exame para poder justificar o que eu estou sentindo.
09:36Não é possível. 40 anos é muito nova, né?
09:39Tem questão de menopausa precoce também. Seria por volta dos 40?
09:43Antes dos 40.
09:44Antes ainda.
09:45A gente chama até de insuficiência ovariana precoce, que é uma condição aí que envolve algumas alterações que devem ser tratadas.
09:53Nesse caso aí a gente até comenta que essa paciente, ela precisa da reposição hormonal, porque o prejuízo do ponto de vista de uma futura osteopenia, osteoporose, um risco aí de outras alterações cardiovasculares para essa paciente que teve essa insuficiência tão precoce, é importante a reposição para essa paciente.
10:14Vamos falar um pouco de sintomas, porque quando a gente se fala de menopausa, acho que a primeira coisa que vem na cabeça é essa onda de calor, né?
10:23Mas tem outros sintomas que a mulher pode sentir.
10:28Sim. A questão do calorão, do fogacho, a gente tem um termostato no hipotálamo que ele controla essa questão.
10:35E o estradiol, ele também participa controlando essa sensibilização aí desse local do termostato, do hipotálamo.
10:43E aí a variação, né? A diminuição do estradiol no sangue favorece essas ondas de calor.
10:49A questão talvez que a gente perceba mais comum é insônia, perda de sono, assim, às 3 da manhã, geralmente essa mulher acorda, a perda de memória, que é aquele névoa mental.
10:59Geralmente com termos que você costuma dizer, com palavras que a gente usa no dia a dia e que não vem, assim, eu preciso falar sobre aquele assunto e eu não consigo lembrar.
11:09Aí, o que assusta, né? A questão também que a gente fala sobre o ganho de peso, principalmente na região abdominal, o seguinte, o estradiol, ele favorece o acúmulo de gordura na região osteomuscular, né?
11:24Na região mais musculosquelética. E aí, aquele quadril, aquela gordura mais localizada no glúteo.
11:31Só que nessa transição aí, ocorre uma mudança. Eu transloco essa gordura pra região visceral.
11:39Daí, a questão do metabolismo diminuir.
11:42Mais lento, né?
11:43Exatamente. Ficar um pouco mais lento.
11:45Da questão do ganho de peso, mais aparente na região abdominal e essa queixa relacionada aí com esse ganho de peso, mesmo sem modificar a rotina.
11:55A alimentação, enfim.
11:56Exato.
11:57Uma pausa rápida na entrevista de hoje pra te dar um recado importante.
12:01Muita gente acha que pra emagrecer é só comer pouco e praticar muita atividade física.
12:07Alerta laranja.
12:09Você atrasa o seu emagrecimento e pior ainda, prejudica a sua saúde.
12:13Emagrecer apenas com déficit calórico pode não ser eficiente ao longo do tempo.
12:18Porque perder peso tem outras infinitas questões hormonais e lida com princípios de fome e saciedade.
12:26Por exemplo, se você ficar muito tempo sem comer, seu cérebro entende que você está precisando de energia.
12:33É aí que ele armazena gordura.
12:35Manter o equilíbrio entre alimentação e exercícios é o caminho para o emagrecimento.
12:40Mas ficar sem comer também traz problemas graves.
12:44Além de desnutrição e alterações metabólicas, o Hospital do Coração reforça os riscos cardíacos trazidos pela queda da pressão sanguínea e da frequência respiratória.
12:56Por isso, não siga dietas de redes sociais e busque ajuda especializada sempre.
13:02Ah, vale lembrar que saúde não é apenas emagrecimento.
13:05Emagrecimento, ela é muito mais ampla.
13:08E com quem está em volta, com a família, com o marido, por exemplo, o fato dessa mulher acordar durante a noite vai atrapalhar o sono do companheiro, por exemplo.
13:20E aí ele também precisa entender que essa é uma fase que vai passar.
13:24Isso, e a gente muitas vezes vai discutir em terapia de casal, se não vale a pena dormir em quartos separados até que este tempo de adaptação do organismo passe.
13:39Porque aí eu não atrapalho o companheiro, se eles tiverem essa possibilidade na casa.
13:43Eu não atrapalho o sono dele, eu não atrapalho a minha adaptação ao meu novo sono e em algum momento tudo volta a acontecer como foi um dia.
13:55Desde que não seja um marcador de alta ansiedade.
13:59E aí a gente vai ter alguns diagnósticos, inclusive psiquiátricos feitos, de maneira não tão efetiva,
14:10quando a gente esquece que essa mulher está na menopausa.
14:13E que aqueles sintomas de névoa, de esquecimento, de irritabilidade,
14:19nada tem a ver com um transtorno psiquiátrico e sim com uma adaptação hormonal para aquele momento.
14:27E aí a gente tem, ah, as mulheres após a menopausa são mais deprimidas ou mais ansiosas.
14:34Não, elas estão num momento.
14:36Se a gente não cuidar deste momento, aí sim a gente pode desenvolver esses comportamentos de ansiedade e depressão.
14:43Vamos falar um pouquinho então de tratamento, doutor Júlio.
14:47A reposição hormonal, né?
14:49É o caminho?
14:51Toda mulher pode usar hormônio?
14:53E tem mulheres que não querem, né?
14:55Optar por esse método de tratamento.
14:58Na verdade não.
14:59Existe uma...
15:01A gente tem que avaliar sempre, assim, o risco-benefício da reposição hormonal.
15:04É o que eu costumo dizer.
15:07Primeiro a gente faz uma avaliação de risco para ver se essa mulher, ela pode ou não fazer a reposição.
15:13Uma vez que ela tem a possibilidade de fazer, ela pode escolher em fazer ou não.
15:17Não é uma obrigação, né?
15:19E uma outra coisa que eu sempre comento com as pacientes é, até quando que vai essa reposição?
15:23Até a próxima consulta.
15:25A gente vai sempre avaliando um período curto aí de como que esse organismo se comportou com a reposição, com a terapia hormonal.
15:33Mas, assim, de maneira geral, uma mulher tendo a possibilidade de fazer e optando por fazer a terapia de reposição,
15:41a gente precisa respeitar algumas questões.
15:44Uma delas é a janela de oportunidade, que seria o tempo que eu preciso mínimo, máximo, né?
15:50Para poder pensar em iniciar uma terapia nessa mulher já vivenciando a menopausa, que é uma janela de 10 anos.
15:57Ou seja, se a pessoa, se essa mulher, nesse primeiro momento, ela vai optar por não usar um hormônio,
16:04aí ela vai sentir todos os sintomas, né?
16:06Vai, claro, tratar com alimentação, atividade física, que a gente vai falar como opções, né?
16:11De um tratamento sem hormônios, mas ela vê que o sintoma não está passando.
16:15Ela fala, não, eu vou usar o hormônio agora, só que passou 10 anos.
16:19Vai ter a mesma funcionalidade?
16:21A questão, sim. O risco-benefício que talvez não.
16:24Aí a gente tem que avaliar.
16:25O benefício de fazer uma reposição para uma mulher fora da janela.
16:30Aí a gente tem que discutir ponto a ponto.
16:31Então, por isso que é sempre muito importante, assim, essa discussão com os pacientes desde o primeiro momento.
16:36Olha, você está entrando nesse período de menopausa, e aí a gente tem uma janela a ser respeitada
16:41porque o benefício é interessante até tanto tempo, nesses 10 anos.
16:46A partir disso, o risco que a gente vai enfrentar são esses os riscos e tudo mais.
16:51Para que ela tenha consciência de que, caso ela opte por fazer a questão da reposição,
16:57que tem um tempo interessante para isso.
16:59Não é que não vai funcionar.
17:02Pode ser que os sintomas não diminuam se ela usasse no começo?
17:09É, por exemplo, uma mulher, para a gente entender melhor, o risco cardiovascular dela,
17:14que foi exposta a um período longo sem estradiol.
17:17Lembrando que o estradiol, ele favorece e protege a questão do risco cardiovascular dessa mulher.
17:23Então, a gente considera que ela ficou exposta a um alto risco cardiovascular nesses 10 anos.
17:28E aí, entrar com um hormônio que tem uma função antioxidante, anti-inflamatória,
17:33poderia aumentar ainda mais esse risco de um infarto, AVC e tudo mais.
17:38Mas é uma série de outras questões que a gente discute com a paciente,
17:42mas pensando no risco-benefício mesmo.
17:45Não necessariamente da função, porque funcionaria,
17:47caso ela entrasse com a terapia depois.
17:49Porque a gente tem que entender também que a terapia hormonal,
17:53ela é diferente de um método contraceptivo.
17:57No caso de uma paciente que vai optar por fazer um método contraceptivo,
18:00você precisa usar uma dose alta para poder bloquear esse eixo hormonal.
18:06Já no caso da terapia hormonal, a gente oferece para o paciente uma dose bioidêntica,
18:11equivalente a que esse organismo iria produzir para a manutenção da função cardiovascular,
18:16da proteção óssea, da questão da proteção neuronal e tudo mais.
18:21Que é diferente da questão da terapia mesmo contraceptiva.
18:27Doutora Carla, quando a gente fala de menopausa,
18:30a sexualidade também é um ponto importante.
18:35Não falando propriamente de sexo, mas de autoestima, de identidade, de desejo também.
18:42Isso. A sexualidade está aqui com a gente enquanto a gente conversa.
18:48A sexualidade está aí, está aqui enquanto eu falo, está com o Júlio, enfim.
18:53Agora, o que a gente vai entender é que tem toda uma estrutura de educação e social
19:00que diz para nós que mulheres mais velhas não são mulheres tão desejáveis ou bonitas.
19:08E a gente acredita.
19:11E a partir do momento que a gente acredita, a gente deixa de cuidar do cabelo, das unhas,
19:16da pele, da vida, inclusive do genital.
19:23Porque às vezes a gente tem pequenas doses hormonais também para usar topicamente
19:30que ajudam ao genital funcionar bem.
19:35Porque nessa fase também existe a secura vaginal.
19:38Pode ser que exista uma secura vaginal.
19:42Então, se existir, existem formas de lidar topicamente.
19:48Agora, o que acontece é que muitas vezes, se esta mulher já não tem uma vida sexual legal
19:54antes da menopausa, na menopausa e no pós-menopausa, ela não vai querer mesmo.
20:02Se a relação não é boa, se a relação com a parceria não é boa, na menopausa ela tem também a ideia de que é hora dela cuidar dela mesma.
20:13E aí a gente começa a discutir, muitas vezes, o divórcio na geração prateada.
20:20Porque ela associa com uma coisa ruim, né, aquele momento.
20:24Viver com aquela pessoa por tanto tempo e neste momento de fragilidade, a pessoa continuar no mesmo padrão
20:32e ela entendeu que aquilo é ruim, ela também entendeu que ela tem que cuidar dela.
20:37E aí a gente pode também compreender os divórcios buscados por mulheres dentro do processo de menopausa.
20:44O estilo de vida nessa fase, a gente sempre fala, né, aqui no programa, o quanto a atividade física é importante, a alimentação.
20:54Nessa fase, doutor Júlio, é ainda mais.
20:56Sim.
20:57A gente tem que pensar o seguinte, você comentou sobre a questão do sono, sobre a questão emocional, da labilidade emocional,
21:04da questão da ansiedade e tudo mais.
21:07E das modificações, das mudanças corporais.
21:10Então imagina uma mulher que não dorme bem, acorda mais cansada, que tem uma rotina estressante,
21:15a questão mesmo do desejo, da libido que diminuída por uma variação hormonal,
21:19então até mesmo estrutural, de uma secura vaginal.
21:22E aí ela começa a enfrentar outras mudanças ali no dia a dia que são impactantes ali na vida dela e tudo mais.
21:30Então, ter uma prática de exercício vai facilitar, vai melhorar a questão até mesmo do ganho de peso, vai reduzir isso.
21:38Melhorar o sono, por exemplo.
21:40O sono, uma proteção óssea, porque quando eu falo de osteoporose, osteopenia, nessa mulher menopausada,
21:45é mandatório que ela faça exercício para a manutenção também da massa óssea.
21:52Existem até estudos que mostram que nessa fase o aumento de mulheres que são diagnosticadas com esse tipo de doença óssea aumenta, né?
22:00Sim, sim.
22:01Porque o estrajol está relacionado com isso, ele participa também, favorecendo.
22:05Mas nem tudo é só reposição.
22:07Eu preciso realmente mudar, ter um estilo de vida diferente.
22:10E aí até você comentou sobre mulheres que não podem fazer a reposição, que fica essa questão.
22:15E aí?
22:16Faço o quê, né?
22:17O que eu posso fazer de alternativa?
22:18Hoje a gente tem alternativas que são medicações não relacionadas com hormônio,
22:24que podem ser utilizadas para aliviar os sintomas.
22:27Mudanças realmente do estilo de vida, melhorar a prática de exercício, a alimentação,
22:32fazer um planejamento nesse sentido, para evitar que realmente uma piora,
22:36ou então que esses sintomas aí se agravem.
22:39Que tipo de medicação?
22:40Hoje a gente está aguardando a chegada no Brasil de uma medicação que ela tem uma ação aí nesse termostato,
22:46que seria para aliviar o fogacho, né?
22:49Que é o fésioninilitante.
22:52E aí a gente está esperando aí que já estava sendo utilizado nos Estados Unidos há cerca de dois anos.
22:58E aí ele vem com o nome de Viosa para ser utilizado.
23:02Só que ainda a expectativa era de que chegasse nesse segundo semestre.
23:07A princípio não sabemos se vem ainda nesse ano ou não.
23:10Que já é um alívio em relação ao calorão absurdo.
23:14A gente tem hoje antidepressivos que têm uma ação também no sistema nervoso central,
23:17que vão auxiliar, que vão favorecer essa questão para essa pessoa aí,
23:22para aliviar esses sintomas que a gente fala sobre o fogacho, o calorão, né?
23:26Que é tão incômodo.
23:27Tem algum exercício físico específico, fundamental ali, que é melhor?
23:35Musculação.
23:35Musculação.
23:36A temida, né?
23:38Temida a musculação.
23:39Quantos dias por semana?
23:41Semana toda.
23:42É, na verdade, hoje a gente entende que 150 minutos eram indicados para ganho de massa,
23:48para melhorar esse perfil.
23:49Só que hoje a gente entende que dobrou essa meta, né?
23:53Que são 300 minutos semanais.
23:55E aí quando a gente fala também, a gente tem que pensar na fisioterapia pélvica, né?
23:59Porque essa mucosa, essa parede interna aí, vai sofrer alterações pela baixa do hormônio,
24:06essa secura, vai ter diminuição da elasticidade, vai ter encurtamento do canal vaginal.
24:11Então ela vai precisar ter uma melhora nesse sentido.
24:15Aí tem os lasers, né?
24:16Que a gente pode usar.
24:17Tem ácido hialurônico hoje, que são géis que não tem hormônio, que favorecem isso também.
24:25Então assim, a gente tem como oferecer para essa mulher hoje...
24:28Qualidade de vida, né?
24:29Com conforto no momento, né?
24:31E os tratamentos com laser...
24:38Com laser, exatamente.
24:39Melhoram também.
24:40Eles funcionam muito bem localmente.
24:43Para, por exemplo, mulheres que tiveram câncer de mama,
24:47ou que tem alguma restrição com o uso de hormônios,
24:52Esses tratamentos que eu vou chamar de fisioterápicos, né?
25:01Ou não hormonais, eles funcionam muito bem.
25:05Se a relação conjugal tiver boa, vai ajudar também nesta resposta para uma vida sexual mantida.
25:13Então é muito importante que a gente saiba que existe todo um trabalho conjugado
25:19das questões psicológicas e das questões fisiológicas,
25:24que quando a gente consegue trabalhar tudo,
25:27essa mulher tem qualidade de vida, assim.
25:30Então assim, é importante fazer musculação, é.
25:32Mas você gosta de dançar?
25:34Vai me fumar.
25:35Mas assim, não precisa nem estar na menopausa.
25:38Você precisa fazer um exercício que você goste,
25:41porque vai fazer a primeira vez e se não gosta,
25:43no dia seguinte já não vai fazer, né?
25:45Quer nadar? Vai nadar.
25:47Quer, sei lá, fazer aula de cerâmica?
25:52Vai fazer aula de cerâmica.
25:53O que a gente precisa entender é
25:55o que nos dá prazer encontrar algo que realmente nos dê prazer
25:59para depois conseguir colocar uma hora de musculação por dia
26:04durante sete dias da semana
26:08pra chegar nas milhares de horas.
26:12Então veja, tem uma cobrança?
26:14Tem.
26:15Mas vamos devagar.
26:16Vamos dançar.
26:17Vamos nadar.
26:18Vamos entender este corpo chamando.
26:21Que a hora que a gente se der conta de que
26:23a musculação é importante pra qualidade de vida,
26:26ela sai do lugar de vilão e passa pro lugar de amiga, né?
26:30Sim.
26:30Mas aos poucos, construindo esse lugar, construindo essa possibilidade.
26:35Vai ser recompensador mesmo.
26:37Doutora Carla, que dica que você daria
26:39pra quem tá nos acompanhando,
26:41que tá passando por esse momento, né?
26:43Tá chegando próximo ou já tá vivendo, né?
26:45Um momento ali cheio de mudanças.
26:48Que dica que você daria?
26:49Converse, fale, conte, explique o que você tá sentindo,
26:54como você tá sentindo.
26:55Busque ajuda médica, psicológica, busque qualidade de vida.
27:00Porque a menopausa não é o fim.
27:02Ela é mais um processo.
27:05E a gente tava conversando que a gente vive metade da vida no pós-menopausa.
27:11Sim, tem muita vida ainda.
27:13Tem muita coisa pra acontecer.
27:15Então não abra a mão da sua própria vida.
27:18Busque um caminho, ele se apresenta.
27:21E a gente consegue viver com qualidade.
27:24E o senhor Júlio também.
27:25Exato.
27:25Você falou uma coisa importante que eu falo com meus pacientes.
27:28O bom não pode ser inimigo do melhor.
27:31É o seguinte, o que eu consigo fazer?
27:33A gente vai considerar também que essa mulher,
27:35ela tem uma rotina, geralmente filhos, trabalho.
27:39Então assim, a gente considera até mesmo a questão social disso.
27:43Que a régua nunca começa igual pensando na nossa sociedade,
27:47uma mulher que tem as obrigações que tem.
27:49Então assim, dentro dessa realidade...
27:49As obrigações de casa às vezes são maiores ainda do que se fosse...
27:54Trabalho numa empresa, né?
27:55Exatamente.
27:56E aí como que essa mulher, dentro dessa realidade,
27:59consegue fazer uma política de redução de danos, né?
28:01Olha, de exercício, o que ela consegue fazer?
28:03Uma caminhada.
28:05Então dentro da possibilidade dela, ela encara isso e faça.
28:09Porque assim, senão a gente fica criando possibilidades inatingíveis
28:13e aí a gente acaba não fazendo nada,
28:15porque realmente fica difícil alcançar algo nesse sentido, né?
28:20E aí ela vai se frustrar mais ainda.
28:21Exato.
28:22Mais levantamento de um quilo de açúcar em cada mão,
28:25a gente consegue adaptar coisas...
28:27Até dentro de casa.
28:28Dentro da nossa casa, né?
28:29Verdade.
28:30Exatamente.
28:31É isso, a menopausa não é uma doença,
28:33é mais um ciclo da vida,
28:35uma realidade feminina que com informação,
28:38cuidado e acolhimento pode ser vivida com leveza,
28:41com saúde e também autoestima.
28:43Quero agradecer mais uma vez,
28:45doutora Carla, doutor Júlio,
28:47pela participação, por todas as informações
28:49e obrigada também a você que nos acompanhou em mais um programa.
28:54Você já sabe, né?
28:56Se tiver alguma sugestão de tema, dúvida também,
28:59mande um e-mail pra nós.
29:00É o saúde.com.br
29:03Se você quiser rever essa e outras entrevistas,
29:06só acessar o canal Jovem Pan News na internet
29:10ou no aplicativo da Panflix para Android ou iOS.
29:12Na semana que vem,
29:14a gente volta com mais um tema importante para a sua saúde.
29:16Até lá.
29:21Jovem Pan Saúde
29:22A opinião dos nossos comentaristas
29:27não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
29:36Realização Jovem Pan
29:37Jovem Pan Saúde
29:42Oferecimento Ampla
29:44Muito mais que um plano
29:46Um compromisso com você
29:47Isso é Ampla
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