Especialistas destacam importância do diagnóstico e do tratamento precoce. -------------------------------------- 🎙️ Assista aos nossos podcasts em http://tribunaonline.com.br/podcasts
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00:00Gente, vamos continuar fazendo um alerta aqui que nós estamos no mês de setembro e é um período dedicado na área da saúde
00:06para tratar de um tema muito importante que é a saúde mental.
00:10Esse é considerado o setembro amarelo de combate ao suicídio, um assunto delicado e que pode começar com uma ansiedade,
00:17uma depressão e chegar numa situação mais grave.
00:20E essa é causa também de afastamento do trabalho, ansiedade, depressão.
00:25Então a gente está aqui ao vivo no estúdio com o psiquiatra, doutor Rodrigo Eustache, que veio falar do assunto com a gente.
00:31Tudo bem, doutor? Boa noite.
00:32Tudo bem, boa noite, Isabela.
00:33É um assunto assim delicado, às vezes é pesado, né? Eu sei que o pessoal está em casa, chegou cansado do trabalho,
00:39mas a gente tem que falar, né, doutor? Porque tem muita gente que está com uma ansiedade, está começando uma depressão.
00:45Como que a gente consegue enxergar esse quadro na pessoa para dar esse encaminhamento de ajuda?
00:50Exatamente, Isabela. Esse é um assunto muito importante para ser falado, para reduzir os estigmas em relação aos transtornos mentais.
00:58E muitas vezes os sintomas começam de uma forma que acaba sendo pouco perceptível para as pessoas que estão ao entorno, né?
01:06E até mesmo, às vezes, para o próprio paciente.
01:08Ele começa a achar que pode ser uma fraqueza, falta de Deus, falta de fé, de que não é capaz, e tudo isso só aumenta os estigmas, e não é nada disso.
01:21Muitas vezes a pessoa está com o início de sintomas ansiosos, depressivos, que tem que ser abordados da forma mais precoce possível
01:28para que não se evolupe um caso mais grave.
01:30Como que a gente pode perceber os sintomas, os sinais, a pessoa, ah, eu estou ansiosa, ah, eu estou muito triste.
01:37Como que a gente enxerga isso no outro?
01:39Então, a ansiedade e a tristeza são sentimentos naturais do ser humano.
01:43Porém, quando esses sintomas, esses sentimentos, eles estão exacerbados, estão desproporcionais aos fatos,
01:49a gente fala que a pessoa pode estar com um transtorno de ansiedade ou um transtorno depressivo.
01:53Então, a ansiedade, a pessoa começa a ter uma ruminação do pensamento catastrófico,
01:59um excesso de pensamentos negativos, catastróficos em relação ao futuro,
02:04sintomas psicosomáticos, que são aqueles que manifestam no corpo, palpitação,
02:09taquicardia, sofrimento, náusea, vômodiarreia, dor de cabeça.
02:14Às vezes acha até que comer alguma coisa, mas pode não ser.
02:17Exatamente. As pessoas pensam muitas coisas antes de procurar o atendimento.
02:19Então, em relação ao quadro depressivo, por exemplo, uma queda no rendimento acadêmico,
02:26quando a gente está falando de crianças, adolescentes, uma queda na produtividade,
02:30quando a gente está falando dos adultos, uma alteração do sono, alteração do apetite,
02:35tudo isso aí são sinais, sintomas precoces de um quadro de um transtorno de humor.
02:40Gente, isso é muito comum, tá? No Brasil, pode colocar a primeira tela aqui,
02:44são 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, isso em 2024,
02:52e esse foi o maior número de afastamentos por ansiedade nos últimos 10 anos.
02:57Aí, gente, tem esse número também mundial.
02:59No mundo, a OMS tem uma estimativa de um bilhão de pessoas que convivem com problemas de saúde mental.
03:07E tem a questão do orçamento, né?
03:08Que tem poucos profissionais para atender essa quantidade de pessoas.
03:13Então, assim, é um problema muito comum.
03:15E como que a gente consegue uma ajuda, um tratamento,
03:18para chegar a um psiquiatra e fazer um tratamento adequado?
03:22Nós sabemos, Isabel, que nós temos uma demanda reprimida muito grande
03:25de pessoas que necessitam ter acesso ao tratamento de saúde mental e não têm.
03:31Então, muitas vezes, as pessoas não vão encontrar um serviço especializado em saúde mental,
03:36ou ambulatório de psiquiatria ou psicologia.
03:37Muitas vezes, vão conseguir ter esse acesso ao tratamento na unidade de saúde da família, por exemplo.
03:43Mas aí, nós temos também os CAPs, que são os Centros de Intensão Psicossocial,
03:49os ambulatórios especializados, tanto de psiquiatria e psicologia.
03:53Então, é importante que a pessoa, sabendo de que está passando, dos sintomas,
03:58tendo essa informação, e os familiares também,
04:00de tentar incentivar a pessoa a procurar o atendimento o quanto antes.
04:04Só para a gente encerrar, doutor, muitas vezes a pessoa fala,
04:07ah, eu não vou tomar remédio, que tem esse estigma também,
04:10vou ficar, como é que fala, viciado no remédio.
04:13Não é assim, né?
04:14É, muitas vezes a pessoa tem medo de ir ao psiquiatra, com medo de ficar dopado, né,
04:18ou dependente de um remédio.
04:20Mas, na realidade, essas pessoas que ficam, muitas vezes, dependentes de um medicamento,
04:24são aquelas que não fazem um tratamento adequado.
04:26Quando a pessoa precisa de um tratamento, ela deve buscar, sim, a orientação de um profissional
04:32para que ela tenha acesso a um medicamento correto, né,
04:37e esses sintomas reduzam da forma mais precoce possível.
04:40Então, existem medicamentos adequados e, muitas vezes, o tratamento pode ser temporário.
04:46Então, alguns casos que a gente sabe que a pessoa tem um quadro muito recorrente, muito grave,
04:50pode ter que se usar por um tempo maior.
04:52Então, a pessoa que vai ao psiquiatra, ela vai ter o medicamento mais adequado
04:59para melhorar a qualidade de vida dela, e não para ficar dependente ou dopado por causa de um remédio.
05:04Perfeito. E, além do medicamento, tem atividade física, né?
05:07Sim, e as formas de prevenir os sintomas, transtornos mentais, e prevenir que eles piorem, né,
05:13é a atividade física regular, aeróbica, ter uma boa alimentação, ter um compromisso com o lazer,
05:18não privar as noites de sono, tentar organizar o tempo,
05:21porque tudo isso são os hábitos de vida saudáveis, né?
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