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DISCOVERY ID - VIVENDO COM O INIMIGO T11 E01 - #DISCOVERYID #VIVENDOCOMOINIMIGO-720P60
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TVTranscrição
00:00A gente estava comendo espaguete na mesa de jantar.
00:08E aí eu estava sugando meu espaguete e ela não estava curtindo muito,
00:12mas ela estava sugando o espaguete dela.
00:13Eu achei engraçado, eu era criança.
00:15E tudo que eu me lembro era de estar comendo espaguete e sentir do nada uma dor penetrante muito intensa.
00:21Quando eu olhei para o lado, tinha um garfo no meu braço.
00:26Eu nem sequer me lembro de ir para o hospital, nem nada disso.
00:29Eu só lembro de estar sentado lá, tipo, ter sido furado no braço e de olhar para o lado.
00:34E aí ver que o meu braço estava sangrando mesmo, com um garfo nele.
00:39Eu tenho uma tatuagem que cobre a cicatriz que ela deixou.
00:42Ela diz, eu te perdoo.
00:43E as iniciais de Mary Bernice Rhodes embaixo são as iniciais da minha mãe.
00:47Mary Rose chorou no tribunal.
00:59Alice Jenks não mostrou muitas emoções quando eles leram a longa lista de acusações que elas estavam prestes a admitir.
01:05Eu já vi assassinos de sangue frio bem na minha frente.
01:09Estupradores, pedófilos, assaltantes, traficantes de drogas.
01:14Eu diria que vocês duas devem ser as criminosas mais frias, mais insensíveis, com menos empatia que eu já vi na minha vida.
01:24Ninguém sabe exatamente o que acontece na casa das outras pessoas.
01:29Ninguém sabe mesmo.
01:31Tem demônios dentro de algumas casas e, sei lá, ninguém sabe.
01:34É assustador, tipo, o seu vizinho, a pessoa do outro lado da rua, ou alguém da sua família.
01:39O abuso pode ser na família e ninguém fica sabendo o que acontece.
01:42O abuso pode ser na família e ninguém fica sabendo o que acontece.
02:12O abuso pode ser na família e ninguém fica sabendo o que acontece.
02:42Com o meu irmão, o Tyler, com a minha irmã, Marissa, e os meus irmãos, Daryl e Danny.
02:49E o Caleb tinha acabado de nascer.
02:53Ela era uma mãe muito boa mesmo.
02:56Tem algumas fotos da família indo para a pizzaria, esse tipo de coisa, de uma infância bem normal.
03:02Antes da Alice, minha mãe nos tratava muito bem.
03:04A minha mãe conheceu a Alice em uma boate gay em Akron, Ohio.
03:16E aí, pouco tempo depois disso, nós fomos morar numa outra casa junto com a Alice.
03:21Meus três irmãos mais velhos, o Daryl, o Danny e a Marissa, foram morar com os pais deles.
03:29E eu fiquei lá com a Alice, a Mary, meu irmão mais velho, o Tyler, e o mais novo, o Caleb.
03:34E por um tempo, parecia que estava tudo bem mesmo.
03:39Mas a Alice achava que era tipo o namorado, o homem da casa.
03:43Essa foi a casa que a gente morou por último.
03:54Eu tinha 14 anos quando eu vi a casa da última vez.
03:57Eu fico assim, meio nervoso quando eu vejo ela.
04:01Eu tive a impressão por anos que a gente nunca ia sair daquela casa e ir para longe da Alice da Mary.
04:07É assim, sei lá...
04:10Isso me deixa nervoso porque isso me faz, tipo, isso, a casa, me faz pensar naqueles tempos sinistros.
04:20Ninguém sabia o que estava acontecendo.
04:40No começo, a Alice nos tratava muito bem e era bem legal.
04:44Mas com o tempo, ela foi ficando cheia de ciúme da atenção que a Mary sempre dava para os filhos.
04:52A Alice começou a nos separar da nossa mãe e a nos amarrar na cama quando ela ia trabalhar.
05:00Vai para a cama e deita agora.
05:02No começo, o Tyler e eu ficávamos no mesmo quarto.
05:08Eram duas camas de solteiro, lado a lado, praticamente.
05:11E aí ela nos amarrava pelos pulsos e tornozelos nos pés da cama.
05:15Ou seja, nós ficávamos presos, só que deitados para não poder rolar para o lado nem se mexer demais.
05:21A Alice nunca era muito agressiva com isso.
05:23Ela era bem calada, muito séria.
05:25Ela só queria fazer o que tinha que fazer e ir embora logo.
05:29E a Mary cuidava do Caleb na maior parte do tempo, porque ele ainda era um bebê naquela época.
05:37Então eu não via muito a Mary.
05:39E fiquem aqui quietinhos até eu voltar.
05:44Aí a gente ficava no quarto, amarrado na cama.
05:47O Tyler e eu lado a lado.
05:49Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo.
05:54E isso me assusta mais agora, que eu sou um adulto, do que quando eu era uma criança.
05:59É porque eu não entendia na época.
06:02Eu era muito novo e aquilo parecia normal.
06:11Depois de um tempo, a gente descobriu como se soltar da cama.
06:15E aí a gente descia do quarto e ficava com a nossa mãe e também com o Caleb.
06:19A Alice ficava muito chateada quando chegava em casa e via que a gente estava lá embaixo com a Mary fora da cama.
06:31Mas aquilo realmente parecia também que era algum tipo de jogo, porque ela não nos castigava por escapar.
06:38Nós íamos para a cama, repetir todo o processo.
06:40E aquilo parecia um joguinho.
06:42Nós éramos amarrados e tínhamos que escapar e éramos amarrados de novo e por aí ia.
06:49Parecia que ela queria criar uma separação entre a Mary, o Tyler e eu.
06:55Ela tentava quebrar o nosso vínculo.
06:58A Alice virou uma espécie de divisa entre a Mary e os filhos dela.
07:03Quando a gente escapava durante o dia, eu lembro que ela chegava em casa e via a gente fazendo de sempre.
07:20Em cima do sofá, junto com a Mary, tentando passar um tempo com a nossa mãe.
07:23E um dia ela separou a gente em dois quartos diferentes.
07:27Ela amarrava as duas portas dos quartos juntas, para que a gente não abrisse nenhuma nem a outra.
07:42Ela era muito quieta e reservada e quase parecia que aquilo era só uma tarefa que ela tinha que fazer.
07:48Era quase como se tivesse que cuidar de animais.
07:52As portas amarradas não pareciam tanto com um jogo.
07:56E mais com um castigo, com um aprisionamento.
08:01Não tinha nada para fazer dentro do quarto e a gente só ficava ali de umas oito da manhã até as quatro da tarde,
08:08quando a Alice chegava em casa para fazer o jantar.
08:10Eu não tenho nem palavras para descrever o vazio que eu sentia só de estar ali sozinho,
08:26preso em um espaço por um período de tempo bem extenso, sem ter nenhuma forma de marcar o tempo.
08:32Nada além de ficar sozinho ali.
08:34Não tinha ninguém para conversar.
08:38Eu ficava assim, sem companhia, só com os meus pensamentos.
08:42O Tyler e eu gostávamos de bater nas paredes e fazer música.
08:47Aquilo virou uma forma que a gente tinha de conversar um com o outro também, batendo na parede.
08:51Mesmo depois do jantar, ela nos levava para os nossos quartos e as portas eram amarradas juntas.
08:59E aí ela nos deixava sozinhos nos quartos separados à noite.
09:06A Mary nunca disse nada para a gente depois que a Alice passou a separar a gente em quartos diferentes.
09:13Às vezes eu lembro que ela nem estava.
09:14Ela nem estava na sala quando a gente ia jantar.
09:16A gente só descia e comia rapidinho e voltava para o quarto.
09:20Eu acho que aquilo era para manter toda a atenção da Mary focada na Alice.
09:35O comportamento da Alice começou a ficar pior e ela começou a esconder a comida para a gente ficar com fome.
09:42Até aquele momento, a Alice deixava o Tyler e eu sairmos do quarto.
09:49E na maior parte das vezes a gente só comia cereal e coisas desse tipo no café da manhã, só um pouco de cereal.
09:54E aí no jantar, o que a gente quase sempre comia era macarrão e cachorro quente.
09:58Mas eu lembro de um dia que ela chegou e abriu a porta da casa e eu estava sentado e vi que ela tinha um prato com meio sanduíche de manteiga de amendoim.
10:10Aquele foi o nosso jantar.
10:17Na boa, meio sanduíche de manteiga de amendoim não era o suficiente nem para o jantar, nem para ser a comida do dia inteiro.
10:25Pode comer o sanduíche e quando acabar vai direto para a cama.
10:28Eu pensava que aquilo era tipo um lanche, até que começou a virar rotina ela não deixar mais a gente sair.
10:38Antes a gente jantava na sala de jantar, tomava café na cozinha e a gente passou a comer no quarto toda vez.
10:49Ela não deixava a gente sair para usar o banheiro.
10:53Foi aí que a gente começou a usar os cantos dos nossos quartos.
10:56A gente puxava os carpetes e fazia o que tinha que fazer e abaixava o carpete para a Alice não encontrar.
11:04A gente fez isso por meses e meses.
11:08É muito louco, é muito animalesco.
11:12Ninguém devia ter que viver daquela forma.
11:16Naquela época eu não podia falar como o Tyler.
11:20Eu imaginei que ele estava recebendo a mesma comida que eu.
11:23Mas a gente ficou uns 10 ou 11 meses sem se ver naquela época.
11:30Naquele momento parecia que os dias se juntavam, porque eles eram todos iguais.
11:38Agora com vocês a previsão do tempo.
11:41A gente não tinha contato com a Alice além daquilo.
11:44E a Mary não fazia nada naquela situação.
11:46Está tudo bem com eles?
11:49Tudo bem.
11:50Eles só estão jantando.
11:53A Mary devia ter chamado a polícia naquela situação.
11:55Ou o conselho tutelar.
11:57Ou um amigo da família.
11:58Ou os pais dela.
12:00Ela podia ter se separado.
12:03Ela não protegeu os filhos.
12:05Não defendeu.
12:06E nos proteger era a tarefa dela.
12:08Eu já perguntei porque ela permitiu que isso acontecesse tantas vezes.
12:14E ela disse que estava cheia de morfina e não estava com a cabeça no lugar.
12:18Mas não era para ser daquele jeito.
12:23Ela errou.
12:24E para mim ela devia ter fugido dali.
12:35A Mary tinha processado o pai do Daryl, do Danny e da Marissa para pedir a custódia deles.
12:43Ela queria a guarda compartilhada para eles virem visitar, ficar com a gente por algumas horas, nos fins de semana.
12:49Teve uma fase de lua de mel que durou mais ou menos um mês quando todo mundo ficou tranquilo, todo mundo dormia normalmente e comia café da manhã e jantar fora do quarto.
13:03A Alice era assim.
13:05Ela tentava cobrir os rastros que ela deixava para ninguém dizer nada quando voltava para a casa dos pais biológicos deles.
13:19Um dia a gente tinha acabado de acordar e estava só com um pijaminha, tipo um short e uma camiseta.
13:25De repente eu estava indo para algum lugar com a Marissa.
13:30Eu nunca tinha saído da casa até então.
13:32O meu primeiro dia de aula na escola foi a primeira vez que eu me lembro de ter saído daquela casa, porque eu não percebia que tinha todo mundo do lado de fora do meu quarto.
13:50A Alice ficou parada na calçada, na frente da nossa casa, olhando a Marissa levar a gente pela rua até a nossa escola.
13:59Eu nem sabia direito o que era a escola.
14:04A gente era muito despreparado para estar em público naquela época.
14:09Eu não sabia ler, eu não amarrava os meus sapatos, eu não usava nem o banheiro.
14:15Era como se mandassem animais selvagens para a escola.
14:19Mas eu não lembro de nenhum professor fazer alguma pergunta sobre a minha magreza, a minha desnutrição, nem mostrar qualquer preocupação.
14:28E eu não me lembro de ter contado para ninguém da escola também.
14:37Nós fomos para a escola por umas duas ou três semanas e aí elas nos tiraram da escola.
14:42Assim, de repente.
14:45Eu desejava que um dos professores denunciasse alguma coisa ou dissesse alguma coisa.
14:50Eu não sei, porque se um dos meus professores soubesse o que acontecia.
14:53Mas nada era dito, nada era feito pela nossa situação.
14:59E quando a Alice e a Mary nos tiraram da escola, as coisas começaram a ficar piores lá em casa.
15:04Foi depois de uma ou duas semanas que a gente parou de ir para a escola, que a gente viu umas crianças andando na calçada, voltando para a casa da escola.
15:23Elas foram falar com a gente.
15:25Oi, gente!
15:26E elas falaram para a gente sair e brincar, tipo, vamos brincar.
15:30Elas só fizeram isso, eram só crianças sendo crianças.
15:33A gente não pode sair.
15:34A gente não pode!
15:36A gente ficou falando com eles, batendo na janela.
15:38Mas aquilo meteu a gente numa grande confusão.
15:41Ei!
15:41Porque a Alice chegou em casa e começou a surtar.
15:43Mas o que está acontecendo aqui?
15:47Saiam de perto da janela.
15:49O que vocês estão fazendo?
15:50Vocês não vão ficar na janela.
15:51Ninguém pode saber que vocês estão aqui.
15:52Se vocês não sabem se comportar, vocês vão ficar ali dentro.
15:59E foi aí que a história do armário começou.
16:03Era um armário de um metro e meio por um metro, com carpete por dentro.
16:09Não tinha prateleiras, nem...
16:11Nenhuma arara para pendurar nada.
16:13Era um armário vazio, sem lâmpada para iluminar nada.
16:18Aí ela colocava a gente no armário, e eu só me lembro do cadeado sendo trancado,
16:22e que era muito escuro lá dentro.
16:34Na primeira vez que a Alice nos colocou no armário,
16:37eu achei que ia ser uma coisa de uma vez só,
16:40ou quem sabe um castigo, com um tempo delimitado.
16:43Mas acabou sendo uma punição contínua e recorrente.
16:47No começo, a porta do armário era só trancada por fora.
16:57E aí, com o tempo, uma cômoda marrom grande foi comprada.
17:02E elas pegavam essa cômoda e a colocavam na frente da porta do armário.
17:06Então, se ela esquecia de trancar, o que acontecia algumas vezes, a cômoda ficava lá.
17:11Por uns três anos, a gente ficava um certo tempo no armário que ficava todo escuro.
17:18Tipo, não tinha luz.
17:19A exceção da luz que vinha por baixo da porta.
17:23E nós comíamos super esporadicamente.
17:25Nós não saíamos para tomar café, não saíamos para jantar.
17:29Não tinha um horário regular.
17:30A Alice aparecia sempre que ela queria para nos alimentar.
17:34Ela subia com metade de um sanduíche de manteiga de amendoim, nos deixava sair e nós tínhamos que comer na frente dela, de joelhos.
17:42Ou ela abria a porta e dava comida para nós e nós comíamos onde fazíamos as necessidades e dormíamos.
17:50Nós éramos dois meninos, dividindo meio sanduíche de manteiga de amendoim.
17:54Então, nós comíamos o mais devagar possível, praticamente em mordidas pequenas, como se fôssemos hamsters.
18:02E aí, vomitávamos de volta e comíamos de novo.
18:06Hoje, pensando friamente, era uma tática de sobrevivência.
18:11Na verdade, eu enfrentei um grave transtorno alimentar quando eu viria adolescente.
18:15Porque, tipo, o meu estômago não aceitava comida.
18:18A minha visão é péssima, em função do todo o tempo que eu fiquei trancado no escuro.
18:24Num dado momento, nós pensávamos que dava para escapar do armário, tipo, cavando um buraco para fora da casa.
18:34E nós tentamos usar as nossas unhas para cavar e sair.
18:41O Tyler e eu ficávamos dentro do armário por um período que ia de algumas semanas até mesmo a um mês.
18:48A gente ficava no escuro total para não saber que horas eram até a hélice abrir a porta do armário.
18:56Eu não tinha ideia do que era o dia ou a noite.
18:59Eu não entendia o conceito de dizer as horas.
19:02E agora que eu sei como leio as horas, e eu sei que ano é, tipo, como um ano pode passar tão rápido.
19:11E também um mês ou dois meses no escuro.
19:15Parece, tipo, dez anos.
19:18É difícil ter uma noção de quem você é e quantos anos você tem, porque é tudo muito confuso.
19:24Então eu sempre presto atenção no tempo, eu organizo o tempo, e eu tento...
19:29Eu tento aproveitar ao máximo o tempo que eu tenho, porque...
19:34Era muito tempo.
19:36Parecia que era muito tempo.
19:38Tudo bem se eu fizer uma pausa.
19:55Me desculpa.
19:57Eu tive que fazer uma pausa.
19:58Eu acho que eu tive aquela visão de túnel de transtorno pós-traumático.
20:02Quando eu estava olhando para você, foi como se eu estivesse perdido.
20:06Porque parece que eu ainda estou, tipo, dentro daquela caixa.
20:17Esse é o armário de um por um e meio, onde o Tyler e eu dividimos o espaço.
20:24Quando eu vejo o armário com a luz acesa, realmente parece ser outro lugar.
20:28E eu sempre lembro de ser uma caixa preta e grande.
20:34E dá para ver que a gente tirou a tinta da parede dele em alguns lugares.
20:40E a gente fez isso com as unhas.
20:42Muitas vezes a gente acabava dormindo no meio da urina, porque não podia usar o banheiro por vários dias a fio.
20:55Então, a gente fazia xixi dentro do armário.
20:57É louco pensar que a gente sobreviveu naquele espaço pequeno, só ele e eu, por tanto tempo.
21:04E que a gente aguentou.
21:05É louco pensar que a Alice colocou nós dois naquela situação por tanto tempo.
21:15A violência física toda era só com o Tyler.
21:28Começou com ela chutando ele entre as pernas, aí chutando eles cada baixo.
21:34A Alice tinha muito ódio do Tyler.
21:38O Tyler e eu ficávamos no armário.
21:41E nós dois fazíamos barulho para Mary e para a Alice quando estavam em casa, só de conversar.
21:48Qualquer coisa que interrompesse o tempo da Alice com a Mary era motivo para a gente apanhar.
21:54Dava para escutar o salto de aço que ela usava batendo no chão, subindo os degraus.
21:58Parecia ser super pesado, sinistro, perigoso e agressivo.
22:03Ela está vindo.
22:06Aquilo se tornou um tipo de som de alerta às batidas.
22:11Assim que a gente escutava o salto no último degrau, era tipo, fica quieto, não se mexe.
22:15Se ela não escutar a gente, pode esquecer que a gente está aqui.
22:20Sabia que dá para escutar vocês falando lá do andar de baixo?
22:24O que ela fazia era tirar a gente do armário e forçar a gente a ficar de joelho no chão e olhar para ela.
22:32Porque ela queria ter esse poder sobre quem estava embaixo.
22:36Sai logo daí.
22:38Agora.
22:41Ela chicoteava e batia nele com o cinto.
22:44A coisa tinha menos a ver com se alimentar do que com sobreviver.
22:49Eu preferia ter morrido de fome do que ter visto ele apanhando algumas vezes.
22:54Ele e eu conversamos e ele acha que foi tratado como um escravo.
23:00E que não era justo.
23:04Eu teria feito aquilo de novo só para evitar tudo isso.
23:07Um dia, o Tyler e eu fomos soltos do quarto e levados lá para baixo para sentar no chão no meio da sala de estar.
23:27Ela pegou um saco de lixo de bichinhos, de pelúcia, brinquedos, coisas que a gente nunca tinha visto na vida e despejou tudo no chão.
23:35Prontinho, brinquem.
23:37A gente não ficou brincando.
23:39A gente só ficou sentado ali.
23:41E foi super estranho.
23:42Porque a gente nunca tinha ganhado nada.
23:44E duas pessoas que eu nunca tinha visto na vida entraram na casa.
23:48Eu achei que fossem, sei lá, alguns amigos da Alice ou da Mary.
23:54Nós não sabíamos que eles eram do conselho tutelar.
23:57Eu acredito que o conselho tutelar foi chamado lá para casa porque alguém, ou a Marissa, ou o Danny, ou o Daryl contou alguma coisa para o pai de um deles.
24:09O Danny e o Daryl sempre iam em casa no fim de semana.
24:15Aí eles iam até lá em cima ficar com a gente.
24:18A Alice deixava o Tyler e eu sairmos do armário para a gente ficar na sala.
24:22E dava para sentir o cheiro de fezes que tinha no quarto.
24:25E eu imagino que, ao longo daqueles anos, o Danny, o Daryl e a Marissa comentaram alguma coisa com os pais deles, ou com os professores da escola, sobre aquela situação.
24:38Mas o conselho tutelar nunca foi lá em cima.
24:41Nunca olhou nos quartos.
24:42Nunca olhou no armário.
24:45Nunca fez nenhuma pergunta para a gente.
24:47Se eles tivessem subido a escada, passado pelo corredor até o quarto, eles teriam visto.
24:52Mas não fizeram.
24:53A Alice parecia super calma.
24:55A Mary deixou a Alice conversar mais com eles.
24:58Era como um teatro para a Alice.
25:00Era como se ela fosse encarnar uma personagem.
25:03Muito obrigada por terem vindo aqui.
25:05Tá bom?
25:07Tchau.
25:07Quando eles saíram, a Alice guardou todos os bichinhos de pelúcia e os brinquedos de volta nos sacos de lixo onde eles estavam.
25:14E aí, nós fomos levados para cima de novo e colocados dentro do armário.
25:18Depois que a Alice recebeu a primeira visita do conselho e não deu em nada, ela sabia que estava tudo bem e que nada ia acontecer.
25:28Em 2003, o Daryl, o Danny, a Marissa, o Tyler, o Caleb e eu morávamos na mesma casa.
25:47A Mary queria guarda unilateral e meus três irmãos mais velhos foram morar lá em casa também.
25:57Nós sempre contávamos para o Danny e para o Daryl que nós não comimos direito e eles contavam para a Marissa.
26:02A Marissa era praticamente a nossa maior aliada.
26:09A Marissa que nos tirava do quarto algumas vezes e também a Marissa era a pessoa que tinha que nos levar para usar o banheiro de vez em quando porque a Alice não queria lidar com aquilo.
26:18Ela nunca foi insensível com nada.
26:24Ela realmente cuidava de nós dois.
26:25Uma vez, eu lembro que a Marissa nos tirou de dentro do armário e falou que a Mary e a Alice tinham saído da casa.
26:32Nós perguntamos se podíamos descer para a cozinha e talvez comer alguma coisa.
26:36Por favor.
26:38Tá bom, mas tem que ser rápido porque elas podem voltar a qualquer momento, tá bom?
26:41Aí a gente desceu para olhar a cozinha e viu a dispensa lotada, a geladeira estava lotada, a cozinha estava cheia de comida.
26:53E aquele momento realmente fez a Alice parecer uma pessoa que fazia maldade por escolha própria, simplesmente por fazer.
27:02Quando ela claramente tinha muita comida para nos dar e escolhia não dar.
27:09Eu fiquei absolutamente chocado de ver como tanta comida podia estar em um só lugar.
27:16A gente pegou de tudo.
27:17Pacote de batata frita, bebida e até barrinha de cereal.
27:21A gente pegou tudo que conseguiu e levou lá para cima.
27:26E aí a Marissa nos levou para o quarto de novo.
27:28Vocês não podem contar para ninguém sobre isso, tá bom?
27:32Ela trancou a gente no armário e a gente comeu tudo que podia.
27:36Eu nunca tinha ficado tão satisfeito na vida, foi delicioso.
27:46Quando a Alice chegou em casa, ela ficou muito furiosa, absolutamente furiosa.
27:52Eu acho que levou dois ou três dias para a gente poder comer de novo.
27:58A Alice tirou a gente do armário, deixou a gente de joelho no chão e trouxe uma tigela para cada um de nós.
28:03Ela colocou no chão para todo mundo ver e disse que a gente tinha que comer tudo por roubar a comida dela.
28:11Qual é o problema?
28:13Achei que estavam com fome.
28:15A gente foi forçado a comer fezes.
28:18Comam.
28:18A gente achou que era um do cachorro da família, recolhidas do quintal.
28:29Às vezes eu penso assim, que eu não tinha que ter feito aquilo, que ninguém apontou uma arma para mim, mas...
28:34Eu me sentia preso àquela situação.
28:38Eu me sentia um lixo, enquanto ser humano.
28:45Isso é uma coisa que me afeta até hoje.
28:48Eu ainda penso nisso o tempo todo.
28:51Isso afeta como eu me vejo como um ser humano.
28:54Tem que ser muito cruel para forçar alguém a fazer uma coisa daquelas.
29:00A tirar a humanidade de alguém.
29:04Em 2013, eu tinha oito anos de idade.
29:07E naquela época, a Alice me dava comida uma vez por semana.
29:12Eu não via minha mãe, havia meses já.
29:14Então, na época, eu imaginei que eu estava por conta própria.
29:18Eu só queria fugir.
29:20Eu comecei a convencer o Tyler e todos os outros de tentar fugir.
29:24Nós ficamos tentando pensar num jeito de sair daquela situação.
29:32Porque naquela época, o Danny e o Daryl já tinham contado para o pai deles.
29:36E a Maurícia tinha contado para o pai e nada tinha acontecido.
29:38Foi quando nós começamos a planejar uma forma para sair daquele lugar.
29:47Um dia, no meio da noite, a Maurícia entrou no quarto,
29:50Enquanto a Alice e a Mary dormiam e deixou o Tyler e eu sairmos do armário.
29:55O Daryl, o Danny e o Kaley estavam no quarto e ela disse
29:58Gente, tem que ser agora.
29:59Ela estava em pânico.
30:00Ela estava num estado de pânico.
30:02O que você está fazendo?
30:03Fica quieto.
30:05Nós vamos sair daqui agora.
30:06O que?
30:07Agora?
30:08Ela disse, agora é a hora.
30:09Agora é a hora.
30:10Não dá para esperar.
30:11Tem que ser agora.
30:12E foi aí que ela deu a ideia da gente tentar sair pela janela.
30:17Você tem que ir com eles, Daryl, para eles saírem daqui bem.
30:19Aí nós tivemos que decidir quem ia mesmo, porque nós éramos seis.
30:23Não dava para todos saírem.
30:24Porque se a Alice voltasse e olhasse dentro do quarto, as mesmas pessoas tinham que estar lá.
30:28Temos que tirar vocês dois primeiro.
30:29É, vocês têm que ir embora.
30:32O Daryl, o Tyler e eu decidimos sair.
30:35E o Caleb, o Danny e a Maurícia ficariam para trás.
30:38Vamos ficar bem.
30:40Agora anda.
30:42A Maurícia tentou apagar os nossos rastros.
30:45Ela colocou a cômoda na frente do armário de novo, caso a Alice acordasse e fosse até lá.
30:51O Daryl falou para eu subir nas costas dele, para ele descer pela janela, pela calha.
30:57Então eu subi nas costas dele e ele foi tremendo pela beirada do telhado e aí ele deslizou pela calha.
31:06E aí quando nós caímos no chão, a calha quebrou e fez um barulho muito alto.
31:12Nós ficamos esperando a luz do quarto da Mary e da Alice acender na hora.
31:16Nós ficamos paralisados e esperamos alguns minutos.
31:18O Tyler pulou também do telhado e nós saímos andando pela rua, pela calçada.
31:31Tinha bastante adrenalina e eu percebi que eu tinha escapado e comecei a olhar, reparar ao redor, ver o céu lá em cima, ver as árvores para todo lado.
31:43Aquilo foi muito impressionante.
31:45Foi muito louco, mas muito bonito.
31:50Aquilo era meus irmãos e eu tentando alcançar a liberdade.
31:55E é tudo mais bonito agora do que era na época.
31:59Três meninos, quase nus, andando pela rua às três da manhã, mal nutridos, sem tomar banho, sem sapatos, sem meia.
32:24Parecia que nós éramos sem teto.
32:27Nós não tínhamos um plano.
32:30Só queríamos escapar e andar na esperança de que alguém fizesse alguma coisa.
32:37Nós dobramos a esquina, bebemos água de uma mangueira da casa de uma senhora.
32:42E aí tinha uma luz da casa que estava acesa.
32:46E a senhora estava parada do lado da cortina nos observando.
32:53Ela segurava a cortina com uma mão e o telefone com a outra mão.
32:59Pouco depois de 30 segundos, um carro de polícia passou ali, bem do nosso lado.
33:02Eles pararam o carro e perguntaram por que a gente estava vagando pelas ruas de Akron.
33:12A gente não queria falar nada, por medo que eles mandassem a gente de volta para a casa da Alice e ficassem do lado dela.
33:20A gente sentou no banco de trás e eles se ofereceram para comprar comida se a gente conversasse com eles.
33:30Aí eles levaram a gente para comer sanduíche e beber alguma coisa.
33:34Era um sanduíche de 30 centímetros com carne, legumes, queijo, coisas que eu nunca tinha comido na vida.
33:40Eu não faço ideia do que tinha no sanduíche, até hoje eu não sei, porque eu nunca tinha comido aquilo.
33:45E assim que a gente começou a comer no banco de trás do carro,
33:50eles notaram como a gente comia de forma animalesca aqueles sanduíches e perceberam que tinha algum problema.
33:55E foi aí que a gente começou a contar que trancavam a gente no armário, que passava fome, apanhava e tudo aquilo.
34:02Como assim vocês moram no armário?
34:03A gente não pode sair de lá até a Alice e dizer que pode.
34:07Eles não reagiram.
34:09Eles ficaram sentados ali, olhando para a gente, assim, sem expressão, só absorvendo tudo aquilo.
34:15Eu estava morrendo de medo que eles não acreditassem na gente.
34:20Eles falaram com alguém pelo rádio e a gente ficou sentado ali em silêncio, praticamente.
34:25Aí eles terminaram de falar pelo rádio e começaram a dirigir.
34:29Eles falaram bem assim, nós vamos levar vocês para casa.
34:32Não, por favor!
34:32E aí nós gritamos, nós entramos em surto, por que vocês vão levar a gente para casa?
34:36Vocês deviam ajudar a gente!
34:38Nós tentamos ficar o mais abaixados possível lá dentro, porque se eles abrissem as portas,
34:43eles teriam que fazer força para nos puxar do carro, porque de jeito nenhum nós íamos
34:47voltar para o armário.
34:53Tá legal, vamos levar vocês para casa.
34:56Aquilo foi apavorante.
34:58Eu realmente achei que eles iam ficar do lado da Alice, que nem todo mundo tinha ficado.
35:02Não podem levar a gente de volta.
35:04E aí eles falaram, relaxa, relaxa, não vamos tirar vocês do carro.
35:12Aí eles ficaram com a gente no carro e vários outros policiais vieram.
35:18Eles arrombaram a porta, entraram na casa e logo depois tiraram a Alice e a Mary de casa,
35:24algemadas, uma do lado da outra.
35:28Foi a última vez que eu vi a minha mãe.
35:32Eu ainda penso nisso às vezes.
35:34É um momento que fica passando pela minha cabeça.
35:36Eu não acho que isso é bom.
35:38Tipo, eu não sei.
35:39Eu acho que foi o momento que nós conseguimos finalmente ter paz
35:44e que elas começaram a pagar pelo que fizeram.
36:08Esse sou eu, nas fotos.
36:10E eu guardo elas no meu celular.
36:11E às vezes eu olho para elas para me lembrar.
36:16Me lembrar de onde foi que eu vim.
36:20Essas duas fotos mostram o abuso, a negligência e a desnutrição
36:25que nós enfrentamos por causa da fúria da Alice e da Mary.
36:30Eu tinha oito anos e pesava dez quilos nessas fotos.
36:35Eu não tinha peito e o meu externo era um pouco afundado.
36:38Eu tinha olheiras bem grandes.
36:42Como se eu não dormisse por semanas.
36:45Eu lembro que eu tive esse tamanho por...
36:48Por muito tempo.
36:49Pelo que me pareciam, foram anos.
36:51Eu me senti uma alma antiga naquele corpo.
36:53E eu tenho muito orgulho de mim, sabia?
36:55Eu sei que ele tem orgulho de mim e eu dele.
36:58Nossa.
37:10Bom, tem essa foto que está meio rasgada no cantinho direito, porque eu carrego ela no meu bolso.
37:18Eu não me lembro de quando ela foi tirada, mas eu estou sempre com ela.
37:22É uma das poucas que sobraram.
37:25Nós fomos nos afastando ao longo dos anos.
37:28E quando nós nos encontrávamos, nós não sabíamos quando nos veríamos de novo.
37:33Então eu fico com a foto porque é tipo uma foto de família e sei lá.
37:37Nós enfrentamos muita coisa.
37:39E todos nós fomos separados.
37:42Tomamos rumos diferentes.
37:44E é legal ver que aquela situação, aquele abuso não nos separou.
37:48E ela nos transformou em um grupo de irmãos mais forte.
38:13Essa é a minha foto preferida.
38:15Eu tenho muito orgulho dessa foto.
38:16Essa foto foi tirada tipo um ano depois.
38:22E ela mostra a essência do que é ser criança.
38:26A gente ficava andando de bicicleta no quintal o dia inteiro.
38:32Foram anos muito bons da minha vida em que nada de ruim aconteceu.
38:35E eu podia aproveitar o tempo, ser uma criança e fazer o que eu queria.
38:40Eu não tinha que me preocupar com nada.
38:42E as pessoas cuidavam de mim.
38:43Alguém que não era minha mãe estava disposto a me dar o tempo e a atenção e o cuidado para eu ter uma infância.
38:50Mary Rose chorou no tribunal.
39:04Alice Jenkins não mostrou muitas emoções quando eles leram a longa lista de acusações que elas estavam prestes a admitir.
39:11Sequestro, agressão e negligência.
39:14E então...
39:15Senhora Jenkins, como se declara?
39:16A Alice e a Mary confessaram a culpa e foram condenadas há 30 anos.
39:23Eu acho que tanto a Mary quanto a Alice confessaram só para reduzir o tempo de pena dentro da prisão.
39:30A juíza Patricia Cosgrove julgou que Mary Rose tem a mesma responsabilidade, mesmo que não tenha iniciado os abusos.
39:36A qualquer momento, se você tivesse agido como uma mãe nesse caso, você teria evitado o sofrimento dos seus filhos.
39:44Você escolheu se omitir?
39:45Agora, já se passou metade desses 30 anos, faz 15 anos já.
39:54Então, em 2033, elas vão sair.
39:58E assim, agora que já passou metade desse prazo, não parece que é tempo o suficiente.
40:05Nossas condições de vida eram piores do que as condições delas dentro da cadeia.
40:09Essas são as fotos delas, que estão no site da prisão.
40:18A Alice parece bem cansada olhando pelos olhos.
40:21A Mary mudou bastante.
40:23Ela parece super velha.
40:25Eu fico com muita raiva de ver que elas ainda estão sorrindo.
40:28Ainda parecem satisfeitas e confortáveis no lugar onde elas estão.
40:32Aí, em 2017, eu entrei em contato com a Alice pra perguntar por que ela fazia tudo aquilo e se ela sentia algum remorso.
40:42Ela disse que não tinha feito nada de errado, que ela estava cumprindo o seu papel e fazia o trabalho que a Mary devia ter feito como mãe.
40:55A Mary escreve pra mim de vez em quando.
40:58A Mary sempre diz pra mim que se arrepende, que não devia ter deixado aquilo acontecer.
41:02Eu não acredito nessas desculpas.
41:06Eu acho que isso é o que a Mary imagina que os outros queiram ouvir.
41:12Mas foi importante perdoar ela e não esquecer só desapegar.
41:19Deixar ela viver a vida dela em paz e eu viver a minha.
41:22Eu quero perdoar Alice, mas ainda não consegui.
41:25É difícil lembrar do que aconteceu comigo e com os meus irmãos, mas nós suportamos e sobrevivemos.
41:33O Daryl acabou tendo os filhos dele, o Danny tá super bem, ele se casou, teve filhos também.
41:39Eu falo com o Danny com alguma regularidade.
41:41Com o Tyler também, mas eu não falo com o Caleb há alguns anos.
41:49Eu amo a Marissa.
41:51Depois de anos separados, eu consegui entrar em contato com ela e conhecer os filhos lindos dela.
41:58E ver a minha irmã como a mãe de alguém.
42:04Ela era uma boa mãe.
42:07Esse era o sonho dela.
42:08Era isso que ela queria ser.
42:10Uma boa mãe e fazer tudo direito.
42:14Um dia ela saiu e foi deixar os filhos na escola.
42:17E durante o trajeto da escola até a casa dela, ela sofreu uma batida frontal com alguém que tava tirando uma racha.
42:23E morreu na hora.
42:29Eu não sei porquê, mas eu penso na Marissa todo dia.
42:42Eu quero saber porquê aquilo aconteceu.
42:44Porquê nós não podíamos ser uma família feliz.
42:47É sério, não tinha motivo pra nada daqui.
42:49Eu sei que eu podia ter morrido naquela situação em que
42:54Elas teriam deixado.
42:57Então, tipo, eu vejo o mundo com o olhar de quem sabe que coisas ruins estão acontecendo.
43:03E eu quero que mais coisas sejam feitas por isso.
43:07Você pode olhar pras casas ao redor, mas ninguém sabe o que acontece dentro das outras casas.
43:11Ninguém.
43:12Ninguém sabe.
43:16Tem uns demônios dentro de algumas casas que ninguém sabe.
43:19Versão Brasileira
43:22Vox Mundi
43:23A CIDADE NO BRASIL
43:26A CIDADE NO BRASIL
43:28A CIDADE NO BRASIL
43:28A CIDADE NO BRASIL
43:29A CIDADE NO BRASIL
43:30A CIDADE NO BRASIL
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43:31A CIDADE NO BRASIL
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