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O impacto das novas tarifas impostas por Donald Trump sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil será "próximo a zero". A conclusão surpreendente é de um estudo recente do banco suíço UBS, revelada pelo presidente da instituição no Brasil, Daniel Bassan, em entrevista ao Show Business.Segundo Bassan, a baixa representatividade das exportações para os EUA (12% do total) e a capacidade de redirecionar a maior parte dos produtos para outros mercados diminuem o efeito macroeconômico. No entanto, ele alerta que "muitos pequenos produtores" e "pequenos empreendedores"

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Transcrição
00:00Olá, boa noite! Está no ar o Show
00:03Business, o mais tradicional
00:04talk show de negócios da TV
00:06brasileira. E no programa de
00:08hoje vamos receber Daniel
00:10Bassan, presidente do Banco
00:12Suíço UBS no Brasil e
00:15responsável pela operação da
00:17instituição na América Latina.
00:19A companhia tem presença em
00:21mais de cinquenta países e no
00:24Brasil é um banco de
00:26investimentos e faz a gestão
00:28de patrimônios e ativos.
00:30Eu sou Bruno Meier e seja muito
00:32bem-vindo ao Show Business que
00:34começa em instantes.
00:47Ele comanda no Brasil um dos
00:50maiores bancos do planeta. Nós
00:54vamos conversar nesta edição do
00:56Show Business com Daniel Bassan,
00:58presidente do UBS no Brasil e
01:01responsável pela operação do
01:03banco na América Latina. Bassan,
01:06muito obrigado pela presença em
01:09nosso estúdio. Eu vou começar essa
01:11conversa sendo muito direto e com
01:14um assunto muito quente que eu acho
01:16que você já deve imaginar. Quanto o
01:19Brasil vai ser afetado com as
01:23tarifas impostas por Donald Trump?
01:25Bom, primeiro obrigado pelo convite,
01:27prazer estar aqui, acompanho o
01:29programa. Obrigado pelo papo. A
01:35gente fez um estudo recente, nosso
01:37macroeconomista Alexandre Azera fez
01:39uma análise recente sobre impacto
01:42financeiro ou no PIB do Brasil,
01:46dessas impactos, dessa questão das
01:48tarifas do Trump. A verdade é que
01:51hoje as exportações brasileiras são
01:54ali em torno de 12% para os Estados
01:55Unidos. Chegou a ser 24% no passado,
01:58no ano 2000. Hoje são 12%. Um pedaço
02:03delas já foi isenta da tarifa ou
02:06teve, voltou para o patamar antigo,
02:0945%. Então sobram 50% que ainda tem
02:13algum tipo de impacto. É claro que a
02:15gente tem que tomar cuidado quando a
02:16gente fala isso, porque os muitos
02:19pequenos produtores e muito pequenos
02:21empreendedores vão ser impactados.
02:23Mas de uma forma geral, o PIB, por ter
02:25sido só metade dessas exportações, o
02:28PIB vai ser relativamente menos
02:30impactado. Uma outra análise também do
02:32Alexandre Azera é que 74% das nossas
02:36exportações, elas podem ser relocadas.
02:39Vou dar um exemplo. Comida e petróleo.
02:43Você pode deixar de vender para os
02:45Estados Unidos e vender para outros
02:46lugares. Então, acho que como o efeito
02:49macro, o efeito do PIB, ela vai acabar
02:53sendo relativamente diminuta. É claro
02:56que tem uma questão política que está
02:59girando em torno disso, né? E que está
03:01muito no dia a dia. E tem os pequenos
03:05produtores que a gente nunca pode deixar
03:06de acompanhar.
03:07Mas falando especificamente de impacto no
03:10PIB, você falou que é pequeno.
03:12Pequeno.
03:13Próximo a zero.
03:14Vocês mediram? Vocês têm o valor?
03:16Próximo a zero.
03:17Próximo a zero. Próximo a zero.
03:18Na visão do Alexandre Azera, nossa,
03:21próximo a zero.
03:22Então, você está dizendo que as grandes
03:24empresas do país, grandes, médias
03:26empresas, vão ter um impacto muito
03:29pequeno. Talvez nem terão impacto.
03:32Sim.
03:32Mas os pequenos terão sim. Dá para saber,
03:37por exemplo, mensurar qual produtor, qual
03:42setor, qual estado brasileiro vai ser
03:45mais afetado?
03:46É difícil. A gente não chegou a fazer
03:47essa análise. Mas é mais complexa.
03:52Eu acho que o problema maior é justamente
03:55que esses pequenos produtores, eles dão
03:58muito emprego também. Então, isso acaba
04:00trazendo uma consequência para desemprego
04:04em determinadas regiões. Mas vão ser
04:05micro-regiões. A gente ainda não
04:07conseguiu medir esse lado micro de
04:11cada empresa, né? Porque está muito
04:13volátil essa conversa.
04:14Não. Toda hora você tem uma novidade,
04:16você tem um anúncio envolvendo o Brasil
04:20ou não, você tem uma reviravolta.
04:23Então, eu imagino que até para vocês
04:24deve ser algo muito novo, né?
04:26Todo dia voltar o famoso acordar cedo
04:29e ler o jornal para ver as notícias.
04:31Hoje em dia tem o Twitter e outras
04:32coisas mais, né?
04:33O Bassan, como andava a economia
04:36brasileira e, sobretudo, o mercado de
04:38capitais até o anúncio de Trump com a
04:42tarifação com 50% na economia
04:46brasileira?
04:47Acho que a economia brasileira tem
04:50tido uma... um crescimento, tem uma
04:54expectativa de crescimento e a gente
04:55está ali em torno de 2%, um pouquinho
04:57menos. E estava caminhando para uma
05:01expectativa de o que que vai acontecer a
05:03partir das eleições. Acho que o
05:04investidor, de uma forma geral, está
05:06olhando para o que que vem depois de
05:092026. Um pouco por causa da questão
05:13fiscal. Essa talvez seja a grande
05:15discussão. A gente, quando acompanha
05:19mercado de ações nos últimos seis meses
05:22seis meses ou sete meses, talvez um pouco
05:25mais, desde o começo do ano, a gente teve
05:26muita entrada de capital estrangeiro. A
05:29nossa corretora, a UBSPB, tem 27%, quase 30% do fluxo de
05:34investidor estrangeiro no Brasil, que é a maior
05:36corretora do Brasil hoje. E a gente viu muito esse fluxo
05:40entrando. E maio e junho foram dois meses muito bons. A gente viu
05:44muita entrada, tanto que isso acabou trazendo consequências positivas.
05:48E teve um motivo específico? Alguns motivos?
05:52Tiveram sempre alguns motivos. Eu acho que o principal foi justamente
05:57um aumento da incerteza sobre os Estados Unidos. Quando o governo
06:03americano começou a trazer essa discussão de tarifação, o
06:08investidor não gosta de incerteza. Então o investidor recolhe um pouco o
06:13flap. Então o investidor começou a... Deixa eu diminuir um pouco minha
06:16posição em alguns mercados e os Estados Unidos é o maior mercado do
06:19mundo. E aí ele começou a pensar onde eu coloco esse dinheiro e que
06:22resolveu fazer uma alocação tática. E aí isso é importante a gente falar.
06:26Hoje o investidor está fazendo uma alocação tática no Brasil, não
06:28estratégica. O que eu quero dizer com isso? É uma alocação de curto prazo.
06:32A gente ainda não está vendo... É rápido o negócio. É rápido. É aproveitar
06:35algumas coisas. Aproveitar uma oportunidade, preços baratos e
06:38aproveitar eventualmente um momento melhor de Brasil. E a gente ainda
06:45não está vendo uma alocação estratégica. Essa alocação estratégica vai
06:48começar a acontecer na nossa visão a partir do momento que a gente tiver uma
06:51visão melhor de eleições a partir do ano que vem. Por quê? Porque você pode...
06:59Pode ter uma redefinição do que é a economia brasileira. A questão fiscal,
07:04talvez, e dívida líquida PIB, talvez seja o grande discussão que a gente está
07:10tendo recente. O que que mudou de junho, de julho pra agosto, é justamente... Começou
07:17com a discussão do IOF, que trouxe um pouco de incerteza pra gente. E, obviamente, essa
07:22discussão do Trump focando no Brasil. Agora, na sua avaliação, qual é o real
07:28motivo dessa fúria de Donald Trump contra o Brasil?
07:32É... É difícil dizer. Eu acho que tem uma questão... Acho que tudo hoje, dentro do
07:41cenário americano, está passando por uma... O Donald Trump está querendo trazer de volta
07:48para o mercado americano a relevância que os Estados Unidos sempre teve. Quando a gente
07:54tem um BRICS, com 40% da população mundial, é... Se reunindo e tentando aumentar a sua
08:02força, é... Eu acho que isso trouxe um pouco da atenção dele para o... Para esse mercado
08:09consumidor. É 40% da população mundial e, no final, o consumo depende das pessoas, né?
08:14Então, acho que tem um pouco disso. Bom, você destacou o mês de maio e junho como
08:19mês bons de entrada de dinheiro estrangeiro no Brasil. E você falou muito sobre a questão
08:26do tiro curto, né? Aquele investidor que vem, muitas vezes, para aproveitar uma oportunidade.
08:32É... Você acredita que tem muito ativo, muita ação na Bolsa brasileira que não está
08:40precificado corretamente? Eu acho que sim. É... Eu acho que a gente tem hoje um múltiplo
08:48nível médio da Bolsa, ou o valuation médio da Bolsa, está no menor patamar, num dos
08:53menores patamares, é... Dos últimos dez anos. É... 2020 e 21 teve no... No momento
09:00mais alto e agora, talvez, no momento mais baixo. Isso, claro, tem a ver com uma série
09:05de fatores, né? Crescimento mais baixo, juros muito alto, endividamento alto de
09:09algumas companhias, é... Mas uma oportunidade, eu enxergo que existe uma oportunidade grande
09:14para investidores entrarem hoje no mercado brasileiro. Por isso que quando sobra algum
09:19espaço, o investidor ainda está querendo entrar na Bolsa brasileira e comprar algumas
09:23oportunidades. É claro que... Isso a gente fala de média. Alguns setores foram bem no
09:29primeiro semestre. Setor de educação, setor de imobiliário, setor de instituições
09:35financeiras. Eles tiveram um primeiro semestre bastante positivo. É... Ainda poderiam ir mais.
09:42Alguns setores, menos, por exemplo, setor de consumo e varejo, que depende muito de
09:48consumo, é... E depende de alavancagem das pessoas com juros a 15%, são setores que
09:53estão um pouco mais de dificuldade para esse crescimento. É... Para... Para... Para voltar a ter
09:58uma avaliação melhor. Então, quando a gente olha a média, tá... A Bolsa brasileira está
10:04num patamar bastante interessante. Vamos esquecer um pouco Donald Trump, porque senão a gente
10:08vai falar o programa inteiro de Donald Trump. Vamos... Vamos esquecer o tarifácio de Donald
10:14Trump, que hoje é a pauta do dia, do mês e, muito provavelmente, do ano. Esquecendo Donald
10:22Trump, o que que atrapalha os negócios e as ações brasileiras? É o político?
10:29Eu diria que hoje é o político barra econômico. Essa é a discussão fiscal brasileira. Isso é o que
10:35hoje traz maior incerteza para o investidor. É... A gente tem um crescimento para esse ano projetado
10:43ainda ok, 2%, um pouquinho menos de 2%. É... Isso se mantém, né? Se mantém, mas com juros de 15%. Na nossa visão,
10:52esses juros ainda vai demorar um tempo para começar a ter uma queda. De novo, nosso economista, o Alexandre
10:57Azra, ele tem uma visão de que começa a cair abril, talvez, do ano que vem.
11:03Em 2026.
11:03Em 2026. Então, é um período longo de taxa de juros alto. É... Então, isso atrapalha investimentos, atrapalha as
11:13empresas fazerem, tomarem dívida para fazer mais investimentos para crescimento. O investidor que procura
11:18Brasil quer crescimento. Até pouco pela incerteza e pela volatilidade que a gente tem no Brasil, ele quer
11:25muito crescimento. Ele não quer olhar para o Brasil e ter muito dividendo. Tem alguns que até gostam de
11:33dividendo, mas acho o grande... Atrair... O que atrai muito o investidor internacional é o crescimento
11:40acelerado das empresas e da economia.
11:43Você, no comando aí de um dos maiores bancos do planeta, comandando a Operação Brasileira, comandando
11:51a América Latina, eu imagino que é um grande desafio para você atrair os estrangeiros para o Brasil. E agora,
12:02nesse segundo semestre, com o Brasil no olho do furacão, a minha pergunta é como se consegue atrair o
12:10investimento estrangeiro para o país. Está mais difícil? Eu te diria que a gente está tendo
12:17muita conversa. Eu, usando uma analogia, eu vejo que o investidor está com a mão na chave para virar,
12:27para ligar a Igneção e começar a entrar com capital no Brasil. A gente tem um cenário global que o Brasil
12:32pode se beneficiar muito dele. Esse cenário de tarifas e geopolítico, guerras, etc.
12:41Esse é um cenário, além disso, a nova economia, que é a economia verde, os investimentos de infraestrutura
12:49no Brasil, tudo isso é um cenário que a gente pode se beneficiar muito dele. O investidor tem mostrado
12:56muito interesse em olhar. A gente fez uma conferência agora recente em Londres, que a gente teve bastante
13:02demanda por investidor para conversar com as companhias. Eles ainda não fazem esse movimento
13:08de longo prazo. Eles estão querendo olhar. De novo, o que eu acho que é o principal foco desse pessoal
13:18é não ter a incerteza, reduzir a volatilidade e, obviamente, o crescimento acelerado.
13:26Não, mas você está falando de incerteza? Em 2026, a gente tem uma eleição presidencial pela frente.
13:32Então... Por isso que eu acho que o investidor ainda está...
13:35Mas aí o investidor, olhando uma eleição presidencial de 2026, ele olha e isso inibe o investimento,
13:43por exemplo, no mercado de renda variável.
13:45Sim. Sim, o investidor ainda está um pouco mais cauteloso. Hoje, um dos temas mais importantes
13:53para os próximos 12 a 24 meses, talvez, é o cenário de eleição.
13:58Não, eu vou pegar até o gancho que você está falando, porque a gente está falando de eleição presidencial
14:04de 2026, a gente está falando de um país com taxa de juros de 15%, que, segundo o seu economista,
14:12diz que vai até abril, até abril, nesse valor altíssimo aí.
14:18Quer dizer, estamos fadados a ser o país da renda fixa?
14:22Eu acho que, no curto prazo, é talvez o que esteja interessando mais aos investidores,
14:27principalmente aos investidores locais.
14:30Agora, a gente vive muito de expectativa.
14:32Quando a gente tiver uma expectativa de que o cenário pode mudar, ou que a questão fiscal
14:40está mais adequada para o Brasil, os juros futuros começam a cair.
14:46E aí a gente pode começar a voltar ao investimento.
14:48Porque, de novo, tem o lado da renda fixa, mas tem o lado de estar muito barato ainda.
14:54A Bolsa está muito barato.
14:54Tem um setor que mais está barato na sua avaliação?
15:00Eu acho que tem, mas eu acho que é muito mais pelo momento daquele setor, por causa de
15:06taxa de juros altas.
15:08Por exemplo, como eu falei, o setor de consumo e varejo.
15:10É um setor que sofre mais, porque as pessoas têm menos poder de compras para comprar.
15:16Então, eu acho que é um setor que sofre mais, porque as pessoas têm menos
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