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Os cafeicultores brasileiros estão em alerta máximo com o ‘tarifaço’ imposto por Donald Trump, que prevê uma taxa de 50% sobre os produtos do Brasil. Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, comenta que, embora o movimento possa conter a inflação nos EUA, ele prejudica gravemente o agronegócio nacional. Diante do cenário, o Brasil busca ativamente novos mercados para carne, café e ferro.

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Transcrição
00:00O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, alertou que se os Estados Unidos aplicarem realmente a tarifa de 50% prevista para entrar em vigor em 1º de agosto,
00:10as exportações brasileiras de itens como café e carne podem despencar.
00:15Repórter Matheus Dias, chegando agora ao Jornal Jovem Pan, essa sobra do produto no mercado interno poderia reduzir os preços e ajudar a conter a inflação pelo menos?
00:24Bem-vindo, Matheus.
00:26Segundo o secretário de Políticas Econômicas, Guilherme Mello, a resposta é sim, viu, Tiago?
00:34Boa noite pra você, boa noite a quem nos acompanha.
00:36Isso porque a oferta do café e da carne aqui no país iriam aumentar e seriam vendidas no mercado interno.
00:43Aí sim os preços abaixariam.
00:44Focando mais no café, lembrando que hoje, então, o Brasil é o maior exportador de café do mundo.
00:50De toda oferta de café do mundo, 40% vem aqui do Brasil.
00:55Os Estados Unidos, por sua vez, são os maiores consumidores desse café.
00:59São as pessoas que mais consomem café no mundo todo e mais compram do Brasil também.
01:04Cerca de 20% do café que o Brasil produz vai direto para os Estados Unidos.
01:08E lá eles produzem apenas 1% do café que a população consome.
01:12Então todos os outros 99% são importados.
01:16Essa é a balança.
01:17O Brasil é um grande exportador e os Estados Unidos é um grande consumidor.
01:20Se for colocado mesmo esse tarifaço, se ele realmente vier a acontecer, essa tarifa de 50% para as importações aqui,
01:27muito provavelmente a exportação de café, de carne, de suco de laranja também vão diminuir.
01:32E aí talvez a alternativa seja vender esses produtos aqui.
01:36Teremos muita oferta e uma demanda um pouco menor.
01:39Isso faria, segundo o secretário de Política Econômica, os preços abaixarem.
01:44Só que gera também um outro efeito negativo que aí os produtores do café, os produtores da carne,
01:50eles também vão receber menos dinheiro, né?
01:52Porque param-se as exportações para os Estados Unidos e começam-se a vender aqui um preço mais barato.
01:59Isso pode atrapalhar a safra do ano que vem.
02:02Os Estados Unidos, então, extremamente dependentes do café brasileiro.
02:05Hoje o café nos Estados Unidos já é considerado caro.
02:08Se o Brasil, que é o principal exportador, então, cortar essas relações com os norte-americanos,
02:13o café lá tende a ficar mais caro ainda e a inflação aumentar ainda mais, viu, Tiago?
02:18Só que isso é uma via de mão dupla.
02:21Segundo o especialista Marcos Matos, ele que é diretor executivo do C-Café,
02:26e deu uma entrevista para a gente dizendo que os dois lados têm bastante a perder se isso acontecer.
02:30Vamos ouvir.
02:31Nós somos os mais importantes para eles e eles são os mais importantes para nós.
02:38Eles compram 8 milhões de sacas do Brasil no ano passado, que representou 2 bilhões de dólares.
02:43Então, nós não temos nenhuma possibilidade de mudar essa estrutura.
02:47Claro que é reforçar o nosso mercado interno, olhar para países que estão crescendo,
02:52mercados asiáticos, países árabes, oceania, isso tudo é importante.
02:55Mas nada substitui os Estados Unidos para nós e tampouco o Brasil para os Estados Unidos.
03:01Então, a estratégia número 1 é negociação.
03:04A estratégia número 2 é negociação.
03:10Complementando essa última frase do Marcos, então, ele, como diretor executivo do Conselho Nacional de Café,
03:16disse que espera que essa negociação entre Brasil e Estados Unidos seja feita apenas com viés econômico e não político, viu, Tiago?
03:23É isso. Matheus Dias, será que há pouco a gente vai continuar falando sobre o mercado,
03:28as consequências econômicas aqui para o Brasil e a relação entre o país e os Estados Unidos.
03:34Está ameaçada com o estarifácio de Donald Trump?
03:36O nosso entrevistado agora é o ex-secretário de Comércio Exterior, doutor em Direito Internacional pela USP,
03:42Velber Barral. Tudo bem, doutor? Como vai?
03:44Muito obrigado mais uma vez por estar aqui na Jovem Pan. Bem-vindo.
03:48Boa noite, Tiago. Muito obrigado pelo convite.
03:50Eu que agradeço o senhor.
03:51Bom, eu, inclusive, estava vendo um artigo do senhor fazendo alguns apontamentos de que é uma relação de 200 anos
03:59que pode ou ser encerrada ou ameaçada, como nunca foi em outros tempos.
04:05Eu pergunto para o senhor o seguinte, como que é possível se buscar uma saída para uma questão econômica,
04:10sendo que o ponto principal é a política?
04:13É bem interessante isso, Tiago, porque, na realidade, todas as cartas que o Trump está mandando essa semana
04:19têm algum grau de política ou de temas que não são necessariamente econômicos.
04:27Ontem ele enviou carta para o Canadá, por exemplo, ameaçando com tarifas de 35% por conta, de novo, da história do fetanil,
04:34que também sequer existe.
04:36Ele enviou cartas para o Japão e Coreia dizendo que elas têm que investir mais em defesa,
04:41que também não é um tema econômico e ameaçando com tarifas de 25%.
04:46Então, há muita mistura de vários temas e, mais do que isso, em alguns pontos ou em algumas cartas,
04:52você vê o mesmo texto copiado, inclusive com equívocos.
04:56Ao dizer, por exemplo, que o Brasil tem um superávit com os Estados Unidos,
05:00o que não é verdade, inclusive pelos dados norte-americanos.
05:04Então, há uma mistura de temas, não há clareza de quais são as demandas americanas
05:09e, no caso do Brasil, é a coisa mais grave ainda porque ele trata de questões,
05:14como são os processos judiciais, que sequer são de competência do Executivo brasileiro
05:19e que não vai haver intervenção no judiciário para mudar o posicionamento, com certeza.
05:25Então, há muito desconhecimento do Brasil e uma mistura de temas que não serão e não poderão ser negociados.
05:32Secretário, vou passar a palavra agora para a Dora Kramer, que faz a próxima pergunta. Dora.
05:37Boa noite, secretário. O senhor traçou aí o retrato da confusão, está certo?
05:42E aí eu lhe pergunto, da maneira... Fala-se muito em negociação.
05:47Todo mundo fala em negociação. Negociação para cá, negociação para lá.
05:50Vamos todos negociar.
05:51Mas da maneira que as coisas estão, como o senhor muito bem acabou de desenhar,
05:57eu lhe pergunto, objetivamente, negociar o quê?
06:03Dora, o que é que é bom? Primeiro, prazer te rever.
06:06Depois, o que aconteceu ao longo desse ano, em vários momentos,
06:11Trump colocou ameaças muito altas, inclusive contra a China, de 145%,
06:15ameaçou 30% contra a Europa, ele colocou ameaças muito altas,
06:21depois recebeu algum tipo de concessão ou alguma negociação
06:25e, a partir daí, eliminou a ameaça e ou fez alguma negociação pontual
06:31para dizer que teve uma grande vitória.
06:33Esse foi mais ou menos o comportamento ao longo desse ano.
06:36Então, no caso do Brasil, seguramente o governo brasileiro vai tentar
06:41algum tipo de contato, vai ter que excluir os temas relacionados
06:45a processos judiciais naturalmente e vai ver se há alguma concessão
06:49que possa ser feita nos Estados Unidos para manter as tarifas
06:53ou postergadas até uma negociação mais ampla
06:57ou num nível, por exemplo, de 25%, que é o que eles limitaram ao Japão
07:03e à Coreia atualmente.
07:04Secretário, vou trazer aqui, a Dora está aqui,
07:07vou trazer o Cristiano Vilela também para fazer a próxima pergunta para o senhor.
07:11Vilela, o secretário, aqui com a gente.
07:14Doutor Werber Barral, uma boa noite.
07:17Muito se falou, nesses últimos dias, sobre, eventualmente,
07:20o Brasil recorrer à OMC.
07:22É viável esse tipo de recurso?
07:25A OMC, ela tem força?
07:27A gente tem percebido, nos últimos tempos,
07:28um certo enfraquecimento dos organismos multilaterais.
07:32A OMC, ela tem força?
07:33Teria algum tipo de força para, de alguma forma,
07:36socorrer os interesses do Brasil?
07:38Qual que é a sua visão a esse respeito?
07:41Thiago, essa é uma pergunta bem interessante,
07:42porque, de fato, a OMC, já há bastante tempo,
07:46nós podemos falar desde o governo Obama,
07:48tenha havido enfraquecimento da OMC pela ação dos Estados Unidos.
07:53Os Estados Unidos vêm impedindo a indicação de juízes,
07:56vêm impedindo a composição de grupos,
07:58grupos especiais para tratar de temas específicos,
08:01e isso enfraqueceu a OMC.
08:03Um recurso, hoje, a OMC, e até uma vitória brasileira,
08:07um eventual acontecioso, não teria feito,
08:09porque o Trump não só desrespeitou outras decisões internacionais,
08:13mas desrespeitou, inclusive, acordos de livre comércio que ele assinou,
08:18como foi o acordo no outro governo,
08:20como foi o acordo com o México e com o Canadá.
08:23Então, a OMC é ineficaz no atual momento.
08:26Agora, dito isso, é importante o Brasil recorrer à OMC.
08:31Por quê?
08:32Para mostrar a intenção brasileira de continuar respeitando as regras multilaterais.
08:36Os Estados Unidos são a economia mais importante do mundo,
08:41mas não são todo o comércio internacional.
08:43Todas as outras relações internacionais continuam sendo respeitadas.
08:48Eu tenho uma experiência interessante desse ano.
08:51Nós estamos defendendo os exportadores brasileiros de carne
08:53em uma investigação na China, uma investigação de salvaguarda.
08:56E a China tem obedecido todas as regras da OMC,
09:00mais do que no passado, inclusive,
09:02para mostrar que é confiável,
09:03para mostrar que as regras multilaterais têm que continuar a ser aplicadas.
09:07Então, o recurso brasileiro, a OMC,
09:09mesmo que seja ineficaz, ele é recomendável.
09:13Secretário, acho que é importante a gente fazer uma leitura
09:16sobre, claro, se essas tarifas entrarem em vigor,
09:21especificamente a tarifa de 50% entrar em vigor.
09:24O que acontece com a exportação brasileira?
09:27Primeiro, o Brasil vai atrás de quais mercados?
09:30Aqui, internamente, a gente acabou trazendo também a informação
09:34de que existe a possibilidade, talvez, de ter mais produtos aqui,
09:37aí cairia a inflação.
09:39Qual é essa leitura efetiva do mercado aqui?
09:42E também, como que o Brasil pode explorar outros mercados
09:45se efetivamente essa tarifa entrar em vigor?
09:49Tiago, então, só para relembrar a situação.
09:51Até o final do ano passado, o Brasil tinha uma tarifa bem baixa
09:53nos Estados Unidos.
09:54A partir de 2 de abril, passou-se a cobrar 10% em geral,
09:59com várias exceções.
10:01Então, qual é a situação hoje?
10:02Alguns produtos, como é o caso de cobre, alumínio e aço,
10:07que são exportações muito importantes para o Brasil,
10:10estão com 50% para todo mundo.
10:13Então, hoje, isso vai ter um efeito grande
10:16na própria cadeia produtiva americana,
10:18mas não ocorreu ainda, porque essa elevação
10:20ocorreu há menos de um mês.
10:21Depois, nós temos um grupo de exportações brasileiras,
10:25principalmente de petróleo, petroquímicos, derivados,
10:29alguns minerais, que não vão ser taxados,
10:31não vão ser tributados, porque eles estão excluídos
10:34de qualquer forma, de qualquer tipo de taxação.
10:36Então, isso é um terço das exportações brasileiras.
10:40Depois, nós vamos ter um conjunto de produtos
10:44que são produtos industriais,
10:47fabricados principalmente no centro-sul do Brasil,
10:49e esses produtos industriais serão os que mais vão sofrer.
10:54Porque muitos desses produtos são exportações,
10:57por exemplo, de subsidiárias de empresas americanas
11:02para os Estados Unidos.
11:03O Brasil tem muito comércio intrafirma com os Estados Unidos.
11:06E aí você não consegue direcionar essa mercadoria
11:11para outros mercados, nem vender no mercado brasileiro,
11:14porque não existe demanda suficiente.
11:15Então, a indústria tende a sofrer muito,
11:18caso essas tarifas sejam aplicadas.
11:21E você tem um outro grupo ainda, que são os commodities.
11:24São as grandes commodities que o Brasil exporta para os Estados Unidos.
11:27É o caso do suco de lalange, é o caso do café, por exemplo,
11:32carnes.
11:33E aí, o que acontece, eventualmente,
11:36vai ser um redirecionamento desses produtos
11:39para outros mercados.
11:39Eventualmente, é um preço menor,
11:42mas commodities sempre é vendida.
11:44Então, ela vai ser redirecionada para o mercado interno
11:47e para outros mercados,
11:49dependendo dos preços internacionais aqui e lá.
11:52E aí, sim, pode ter um efeito, eventualmente,
11:56de redução temporária de preços,
11:59enquanto não há uma alocação mais eficiente
12:03dessa exportação para outros mercados que paguem mais.
12:06Então, você pode ter um efeito temporário
12:07de redução de preços, sim.
12:09Perfeito.
12:10Conversamos com o ex-secretário de Comércio Exterior,
12:12doutor em Direito Internacional pela USP,
12:14Velber Barral.
12:15Doutor, muito obrigado, viu, pela atenção, pela gentileza.
12:18Volto sempre aqui à Jovem Pan.
12:20Vai ser um prazer.
12:20Boa noite a todos.
12:21Muito obrigado.
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