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As novas tarifas e sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos colocam o Brasil em um cenário de alerta. Para analisar a situação, a advogada de direito internacional Giselle Farinhas detalha quais devem ser os próximos passos na esfera diplomática e jurídica e quais os riscos reais para a economia brasileira.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/NDW2TN3CVx0

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Transcrição
00:00E para mensurar os impactos após o tarifácio de 50% sobre os produtos brasileiros,
00:07vamos conversar agora com a advogada de Direito Internacional, Gisele Farinhas.
00:12Bom dia!
00:14Bom dia, Marcelo!
00:16Doutora, a senhora já...
00:17Muito, muito bom dia.
00:18A senhora já tinha se deparado com uma situação como essa?
00:21É uma novidade, de fato, aí, essa nova geopolítica?
00:25E, ao que parece, claro, todos os produtores, setor produtivo do Brasil, muito preocupado.
00:30Nós tivemos, então, aquela rodada lá dos nossos analistas falando principalmente da questão do café, da carne.
00:37Uma situação inusitada, mas muito prejudicial ao país, né?
00:40E a forma como está sendo conduzida, né, doutora?
00:44Com certeza.
00:45Na história diplomática das relações Brasil-Estados Unidos, nós nunca tínhamos nos deparados, de fato, com esse cenário.
00:53É um cenário bastante prejudicial aos empresários brasileiros e às relações governamentais em si.
01:02É preciso entender que esse tarifácio, ele é um ato eminentemente político,
01:08que não é restrito à questão do ex-presidente Bolsonaro.
01:14É uma questão que vem, antes, inclusive, do ex-presidente Bolsonaro se tornar réu,
01:21com a judicialização na Flórida de um processo contra o ministro Alexandre de Moraes,
01:32por violação à primeira emenda da Constituição americana.
01:36Então, o que se trata aqui é de uma violação à liberdade de expressão e aos direitos humanos.
01:44É isso que se pauta essa questão do tarifácio, que é um reflexo econômico,
01:50para que haja, de certa forma, um repensar das práticas e decisões judiciais
01:58que afetam a liberdade de expressão, que é um valor, vale dizer,
02:03um valor mundialmente protegido e zelado,
02:08e que vem sendo objeto de reflexos jurídicos internacionais por decisões brasileiras.
02:18Então, não se trata aqui de violação à soberania nacional,
02:23interferência externa nas decisões judiciais brasileiras, não.
02:28Muito pelo contrário.
02:28Isso começou por decisões brasileiras que têm reflexos sobre cidadãos americanos.
02:34Então, é muito importante trazer a baila a essa questão,
02:37porque nós estamos falando da imagem do Brasil e dos brasileiros mundialmente,
02:46que sempre foi marcado por boas relações diplomáticas.
02:49Então, essa própria iniciativa do governo, com um plano de contingência
02:57para ajudar os empresários que estão sendo impactados com esse tarifácio
03:05é algo que desatende a economia brasileira,
03:09porque se pensarmos detidamente ao corpo desse plano de contingência,
03:14nós vamos verificar que estamos falando de ferimento de impostos, empréstimos,
03:20ou seja, não estamos falando de isenções, não estamos falando de doações do governo brasileiro.
03:28Então, o impacto é inevitável e nós estamos enxergando poucas iniciativas
03:35por parte do governo brasileiro para buscar a solução dessa questão,
03:42que se faz através de encontros diplomáticos, negociações.
03:47É preciso que ambas as partes estejam dispostas a cederem
03:52para que a gente possa construir, ou melhor, reconstruir esse cenário.
03:58E uma reflexão bastante detida por parte do governo brasileiro
04:03que precisa ter da reforma do judiciário,
04:06porque nós estamos falando eminentemente disso,
04:09de decisões do judiciário que refletem e violam direitos humanos.
04:14Isso é muito grave.
04:15Isso é grave para o governo, é grave para a imagem do Brasil
04:19e é grave, sobretudo, para os cidadãos brasileiros.
04:22Agora, doutora, dá para a gente também ter um consenso
04:25de que a personalidade do presidente americano Donald Trump
04:29não é nada fácil, é uma personalidade que muda,
04:32ele é muito instável.
04:33O presidente Lula também, né, eu acho que tem uma disputa de egos ali.
04:39Geraldo Alckmin teria assumido esse papel um pouco mais à frente na negociação,
04:44mas também, quando foi perguntado pelo repórter na nossa reportagem,
04:47disse que não tem nada marcado.
04:49Haddad tentou, mas, segundo ele, Eduardo Bolsonaro interviu
04:53e ele foi desmarcado ali a reunião que ele teria.
04:57Então, qual seria a saída, doutora, nos próximos meses?
05:01Existe uma expectativa que exista ali uma negociação
05:05ou a senhora não acredita que isso vai acontecer?
05:09Eu não acredito que isso vai acontecer,
05:11porque, ao contrário do que nós vislumbramos e tivemos acesso,
05:15há uma carta oficial do governo americano,
05:18dirigida, no caso, ao governo brasileiro,
05:22sobre o tarifácio e as razões pelas quais essa medida estava sendo tomada.
05:27Ao contrário do censo, nós não tivemos acesso
05:29a nenhuma carta oficial do governo brasileiro,
05:31dirigida ao governo americano,
05:33no sentido de buscar uma reunião efetiva
05:36para que esse diálogo fosse restabelecido.
05:40Porque ele sempre existiu.
05:43Sempre existiam grandes negociações entre Brasil e Estados Unidos
05:48e nunca houve um precedente na história como esse.
05:52É importante salientar que o governo Donald Trump
05:57não é o primeiro mandato dele
06:00e nunca houve esse tipo de cenário de intervenção,
06:05de retaliação, como se prefere chamar, denominar.
06:11Então, é importante que o Brasil,
06:14sim, através do consulado, através dos seus organismos,
06:20oficialmente peça essa reunião,
06:23oficialmente restabeleça as relações,
06:26porque o que nós estamos acompanhando até o momento
06:28são vídeos promocionais
06:31que instigam a trocar a moeda oficial das transações internacionais,
06:38que é o dólar.
06:39E o dólar não é só entre as relações americanas e brasileiras,
06:43o dólar é a moeda oficial internacional
06:46em que todas as negociações e pagamentos são realizados.
06:51Então, questionar isso é jogar alto.
06:56E eu penso que o governo brasileiro,
06:58como um país subdesenvolvido,
07:01que ainda busca o desenvolvimento,
07:03não deveria descartar as suas relações com os Estados Unidos.
07:07A situação fica muito difícil, né, doutora?
07:10Porque, deste lado aqui,
07:13então, o governo deveria sustentar,
07:15provar, então, que as decisões judiciais
07:17estão calcadas aí dentro da legislação do país,
07:20que não há nenhuma afronta à legislação,
07:23porque, pelo que a senhora está dizendo,
07:24e até o deputado Eduardo Bolsonaro colocou,
07:27que não é a questão econômica,
07:28então, é a questão mais política das decisões aqui.
07:31Então, o governo, no mínimo, teria que tentar provar
07:33e sustentar que tudo foi feito dentro da legalidade,
07:38da Constituição do país, das leis aqui do país,
07:40para tentar sensibilizar esse lado, então,
07:43do governo norte-americano?
07:45Ou, então, é um assunto que não vai haver decisão
07:47e também consenso nunca também, né?
07:51Eu penso que eu, como operadora do direito,
07:56que conheço bastante a prática jurídica do judiciário,
08:02eu posso dizer que é necessária uma reforma do judiciário,
08:06a gente já tem iniciativas, inclusive,
08:07da Ordem dos Advogados nesse sentido,
08:09a OAB São Paulo,
08:11é preciso discutir isso de forma urgente,
08:14porque nós estamos vivenciando um cenário
08:16que não se restringe ao Supremo Tribunal Federal,
08:19mas um retrato do judiciário
08:22de uma gangorra de decisões contraditórias
08:26e que não existe uma coesão,
08:30uma coerência entre as decisões tomadas pelo judiciário
08:33e isso é prejudicial,
08:35porque nós estamos falando de insegurança jurídica
08:37e ninguém, nem empresários, investidores,
08:41não podemos falar de recursos estrangeiros no país
08:45sem segurança jurídica,
08:48porque não se sabe qual decisão
08:52será tomada pelo judiciário,
08:54não tem previsibilidade.
08:56Quando nós não temos previsibilidade,
08:58nós estamos, sim, falando de reflexos
09:01em decorrência das decisões judiciais
09:04no cenário econômico.
09:07Então, é muito complicado essa questão
09:12e eu penso que, enquanto o governo brasileiro,
09:15respeitando a independência dos poderes,
09:18respeitando a harmonia institucional,
09:22não tomar uma iniciativa de se discutir
09:26a reforma do judiciário,
09:28ou seja, um judiciário que não tem interferência política
09:32nem de ideologias,
09:34mas estritamente do cumprimento
09:36da nossa Constituição vigente,
09:39nós não vamos avançar nisso,
09:42isso prejudica muito, prejudica os empresários,
09:44prejudica o cidadão brasileiro,
09:46porque a nossa imagem está comprometida.
09:48Hoje, a imagem brasileira está comprometida.
09:50Isso é muito grave.
09:51Conversamos, então, com a advogada
09:53de Direito Internacional Gisele Farinhas
09:56conversando conosco sobre, mais uma vez,
09:58essa questão que envolve a relação hoje
10:00entre Brasil e Estados Unidos.
10:02Muito obrigado. Bom dia, senhora.
10:04Obrigada. Bom dia a todos. Até mais.
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