A reunião entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin renovou as discussões sobre um possível acordo de paz para a guerra da Ucrânia. Quais são as chances reais de que isso aconteça? O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ José Niemeyer analisa o cenário e os possíveis desdobramentos do encontro.
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NotíciasTranscrição
00:00A grande pergunta é quais as chances de paz no leste europeu?
00:04Quem analisa esse cenário é o professor de Relações Internacionais do BMEC do Rio de Janeiro,
00:09gentilmente nos atendendo mais uma vez, José Niemeyer.
00:12Tudo bem, professor? Bem-vindo sempre. Como vai?
00:15Ô, Tiago, bom te ver novamente. Quanto tempo. Um abraço a você e o assinante da Jovem Pan.
00:21Ô, professor, vou fazer uma pergunta que é a seguinte.
00:23É mais fácil obter a paz do que um cessar-fogo, que na verdade é uma interrupção de uma guerra, ou não, professor?
00:30É mais fácil um cessar-fogo. Cessar-fogo é um primeiro passo para depois a assinatura de um armistício.
00:37Mas é impressionante, essa reunião foi fora do que é normal numa reunião de alto nível como essa.
00:44Primeiro que eles ficaram juntos, sozinhos, desde um carro, conversando sobre questões que eu acho que nós nunca vamos saber de forma definitiva.
00:54E é impressionante como os dois se aproveitaram deste evento para os seus eleitorados respectivos, nos Estados Unidos e na Rússia.
01:03Uma outra questão também, Tiago, importante, é que me parece que a Rússia ganhou um pouco mais de autonomia com relação à China.
01:13Porque a reunião foi entre Donald Trump e Putin.
01:17Não se mencionou nas últimas horas o nome de Chico, líder chinês.
01:23Então, Putin tem ganho de várias maneiras.
01:26Ele ganha ainda sendo aliado da China, um aliado estratégico, mas se aproximando dos Estados Unidos.
01:33Ele meio que deu uma chance dos Estados Unidos de incomodar a China.
01:38Na verdade, foi isso que Putin fez.
01:41Ele deu uma oportunidade para a Casa Branca de deixar clara a sua potência, a potência norte-americana, muito com relação à China.
01:51E talvez menos com relação à própria Rússia.
01:54É muito interessante a maneira que Putin se desloca.
01:59Em futebol, a gente tem uma frase cérebro, né?
02:02Nem prancha que falava isso, que foi o filósofo de futebol.
02:04Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe.
02:09O presidente Putin se desloca com muita facilidade, com muito mais facilidade que o presidente Trump.
02:15O presidente Trump ficou um pouco refém nessa reunião.
02:18Inclusive nas formas de o cumprimentar.
02:21Ele foi muito empático, demasiadamente empático com Putin.
02:25Coisa que ele não é. Ele não é uma figura empática.
02:27Mas ele teve que ser muito empático com Putin.
02:29Inclusive encostou a mão em cima da mão do Putin.
02:32Achei todos esses gestos muito, muito fortes.
02:35Professor, jamais imaginei que o senhor ia citar nem prancha aqui do futebol na programação da Jovem Pan.
02:42Vou trazer o Cristiano Villela para participar dessa nossa conversa.
02:45Villela, boa noite. Mais uma vez.
02:47Boa noite, professor. Boa noite.
02:49Sempre bom revê-lo aqui na Jovem Pan.
02:51Professor, e para continuar também nas frases de futebol, está faltando...
02:58Como é que ficaria a combinação com os ucranianos?
03:01Não com os russos, como diz a frase clássica, mas a combinação com os ucranianos.
03:06De que forma o governo americano tem a capacidade de resolver isso
03:12sem, de alguma forma, ter uma concordância expressa, explícita, com relação à Ucrânia, nesse sentido?
03:21Essa frase do grande craque Garrincha, que foi pedindo para ele jogar de uma determinada forma.
03:27Ele falou que tinha que combinar com o inimigo.
03:29Só que nesse sentido, Villela, é um prazer falar com você.
03:32Nesse sentido, na verdade, Trump vai passar um recado.
03:35Ele vai passar um recado.
03:37Ele está... é um agente de um recado.
03:39Ele vai passar um recado para Zelensky que a Ucrânia precisa entregar 20% do território,
03:45principalmente uma área onde estão a maior parte das reservas de minerais raros.
03:51A Ucrânia não poderá participar de nenhuma organização militar, muito menos da OTAN,
03:56e nem falar num assunto de mudar isso.
04:02Por exemplo, a Crimeia.
04:03Vamos tentar mudar a situação da Crimeia?
04:06Não vão mudar a situação da Crimeia.
04:07Então, esses serão os pontos que Trump vai levar.
04:10É o recado de Putin que passou...
04:14Quem dá o recado vai ser o presidente norte-americano.
04:17Nada a conversar sobre a Crimeia, território russo,
04:2020% do território ucraniano anexado à Rússia,
04:23e a não participação para sempre da Ucrânia em organismos e organizações militares.
04:29E, professor, justamente nesse sábado, o presidente Donald Trump falou que a Ucrânia deveria ceder esses territórios para a Rússia,
04:39para que a guerra pudesse ser encerrada.
04:42Mas eu pergunto, professor, o seguinte, para que a Ucrânia faça essa cessão de terras,
04:47o que a Ucrânia poderia conseguir em troca disso?
04:52Qual seria a vantagem da Ucrânia?
04:53Simplesmente o fim da guerra, claro, poupar as vidas que vêm sendo perdidas há muito tempo, há mais de três anos,
04:59mas qual seria a vantagem para a Ucrânia nessa negociação, professor?
05:05Tiago, essa sua pergunta é de um jornalista com um perfil idealista.
05:09Você é um idealista.
05:10Mas a resposta você mesmo deu.
05:12É o fim da guerra.
05:13É uma força militar dez vezes maior que a força ucraniana.
05:17A Rússia cada vez mais está aumentando seu esforço de guerra.
05:21A informação que a gente tem é que a Rússia produz mil e seiscentos tanques de guerra por ano.
05:25Os Estados Unidos produzem cento e cinquenta.
05:27Então, o esforço de guerra na Rússia é muito grande, principalmente com meios terrestres para invasão.
05:33Então, o que a Ucrânia vai ganhar é o fim da guerra,
05:35que a Ucrânia já começa a ter problemas de suprimento, mesmo com a ajuda da OTAN.
05:41E o mais grave, Tiago, a população ucraniana começa a questionar Zelensky.
05:45E Zelensky é um líder basicamente populista.
05:50Ele é muito populista.
05:51Como o Putin e como o Trump.
05:52Os três são populistas.
05:54E ele já está começando a perder terreno político.
05:56E ele precisa ganhar alguma coisa com tudo isso.
05:59Então, eu acho que ele vai assinar armistício mesmo perdendo tudo isso que ele vai perder.
06:03Ou não ganhando tudo isso que ele gostaria de retomar.
06:07Vilela?
06:09Professor, nós tivemos ao final do encontro o convite de Vladimir Putin
06:15para que a próxima reunião, o próximo encontro fosse em Moscou.
06:19Até que ponto é impossível pensar numa visita, num próximo evento como esse,
06:25acontecendo com um deslocamento de Donald Trump a terras russas?
06:29Pois é, Vilela.
06:31Por isso que eu sempre tenho insistido, em todos os lugares que eu falo, que Trump não
06:35é um presidente republicano.
06:37Ele não tem nada a ver com o perfil republicano.
06:40Ele é um presidente do PT, né?
06:43Desculpe a brincadeira, do partido do Trump.
06:46Esse é o partido dele.
06:47Partido do Trump.
06:48Ele age politicamente só pensando nele, num seu grupo muito próximo e num seu eleitorado
06:53que parece que é cada vez mais ligado a essa forma de fazer política.
06:58É um líder cesarista.
07:00Eu acho que ele vai a Moscou, sim, para marcar a carreira dele, a carreira política dele,
07:05como alguém que visitou o Kremlin.
07:07Eu acho que ele vai, sim.
07:08E vai ser mais um ponto alternativo com relação à política no mundo hoje,
07:14em todos os lugares que a política está muito alternativa e inacreditável.
07:17Interessante, professor, nessa semana tem a discussão de qual seria a vantagem
07:22para que o presidente dos Estados Unidos conseguisse acabar com essa guerra.
07:27Tem a discussão também da guerra no leste europeu, mas talvez a geografia lá
07:31torne a situação um pouco mais difícil, ou bem mais difícil.
07:35Mas a democrata Hillary Clinton, que perdeu a eleição para ele em 2018,
07:40diz, olha, se essa guerra acabar, eu apoio Donald Trump para o Prêmio Nobel da Paz.
07:47Só em algum momento imaginou que ia ouvir isso?
07:51É, eu não sei se a Hillary disse isso de maneira irônica ou se verdadeira.
07:56Se disse de forma verdadeira, é algo inacreditável.
07:59Mas isso faz parte desta agenda do partido de Trump, do PT, do partido de Trump,
08:05porque eles querem ser sempre muito alternativos.
08:08Eles querem governar com uma agenda muito liberal na economia,
08:13ao mesmo tempo eles são isolacionistas,
08:16eles ao mesmo tempo querem cada vez subsidiar mais a economia norte-americana,
08:21videm as questões da tarifa.
08:23Eles vão ter que trabalhar com questões de migração,
08:26que para eles são muito importantes,
08:28porque eles representam um tipo de norte-americano,
08:31que é um americano de origem anglo-saxônica.
08:33Então, é um governo muito alternativo.
08:36Ele não tem nada de republicano.
08:38Por isso que talvez a Hillary tenha dito isso,
08:41que iria apoiar o nome dele para o Prêmio Nobel da Paz.
08:44Mas eu acho ainda difícil nós podermos dizer que vai haver um amistício.
08:50O que pode haver é um cessar-fogo por algum tempo.
08:53E olha, Tiago, eu vou dizer uma coisa para você.
08:56Eu acho que daqui a alguns anos, ainda mais que Putin,
08:59dentro das demandas, ele tiver colocado a retomada de acordos comerciais com os Estados Unidos.
09:04Se ele conseguir isso também, além de todos os acordos que ele está fazendo com a China,
09:09eu tenho a impressão que daqui a alguns anos,
09:11ele pode invadir a Moldávia, como já tem um certo controle da Moldávia.
09:15Ele pode projetar poder novamente contra a Geórgia, como fez em 2008.
09:19Ele pode projetar poder contra os países do Mar Báltico, Letônia e Estônia.
09:24Estônia e Lituânia.
09:26Ele pode fazer isso.
09:27E aí ele vai novamente invadir um país com força militar.
09:31Vai fazer uma chantagem com relação ao sistema internacional.
09:34Eu não sei se vai ser a OTAN que vai estar atuando naquele momento.
09:37Imagino que sim, que é algo que eu penso por médio prazo.
09:41A OTAN não vai poder fazer nada, porque há ameaça de uma guerra nuclear.
09:44E ele novamente vai negociar, vai ganhar mais um pouco de território.
09:48Vai recuperando e reconstruindo a ideia de mãe Rússia.
09:51E vai novamente ter novos acordos com os países do Ocidente.
09:55Mais uma, Vilela.
09:58Professor, até que ponto essa fotografia de Donald Trump e Vladimir Putin
10:05e um eventual acordo, ou a construção, pelo menos, as tratativas para um acordo,
10:11podem de alguma forma criar algum tipo de embaraço com a China
10:16ou, de alguma forma, fazer com que a China possa se sentir escanteada ao longo desse processo?
10:23Olha, eu tenho a impressão que tanto o Trump se aproximou de Putin
10:27como o Putin aceitou se aproximar de Trump,
10:30muito em função de deixar a China um pouco de lado, como você colocou, Vilela.
10:35Você está perfeito.
10:36Eu só não sei como a China vai reagir a isso.
10:39Talvez a China até se aproveite disso,
10:42porque também é um agente muito poderoso, a segunda economia do mundo,
10:46e a China se utilize mais da Rússia para pressionar a agenda de segurança internacional,
10:52e aí ela não precisa se envolver nessa,
10:55além da questão grave do março da China, que ela não abre mão,
10:58mas as grandes questões da segurança internacional, ela não vai se envolver,
11:02a Rússia se envolve por ela,
11:04e ao mesmo tempo ela continua fazendo comércio com o Ocidente.
11:09Ela segue um pouco a linha de Putin,
11:12só que Xi é muito mais discreto.
11:14o Chino se movimenta tão bem como o Putin para receber a bola.
11:20Pessoal, mais uma questão.
11:21O senhor falou numa das respostas que a situação do presidente da Ucrânia,
11:26ele começa a enfrentar já algum tipo de desgaste.
11:29Não se fala muito sobre a sucessão na Ucrânia nesse momento,
11:33porque tudo é muito marcado por causa desse conflito,
11:36e ele tentando resolver os problemas do país.
11:39O senhor acha que uma sucessão em breve já vai ser discutida?
11:43Claro que existem prazos, enfim, para eleições,
11:46mas esse desgaste que ele vem sofrendo,
11:48é um desgaste normal de qualquer governante,
11:51ou a guerra agrava ainda mais essa situação,
11:54porque a população começa a ficar impaciente, não é?
11:57Em épocas de guerra, a população apoia no início,
12:02espera o desengaste da guerra,
12:04mas se a guerra dura muito e a população percebe
12:07que a moral da tropa está caindo,
12:09a própria moral da população começa a diminuir também,
12:12e há questionamento sobre a estratégia governamental,
12:15a grande estratégia governamental, no caso, o governo da Ucrânia.
12:19Já está se falando, e talvez isso tenha sido discutido
12:22entre Trump e Putin, em quem será o sucessor de Zelensky.
12:27E já está se pensando em uma figura que seja pró-Moscou,
12:31ou pelo menos que não seja pró-União Europeia.
12:34E volta.
12:35Claro, só pra gente reforçar,
12:37a expectativa do senhor é pra reunião da segunda-feira,
12:39porque Donald Trump falou que além, claro,
12:42de Volodymyr Zelensky,
12:43a gente se lembra que em fevereiro os dois estiveram na Casa Branca,
12:46e foi aquela reunião com muitas trocas de farpas, né?
12:49Muita gente falou que foi uma arapuca montada pelo republicano
12:53pra pegar Zelensky,
12:55mas ele também fala na possibilidade de convocar líderes europeus,
12:59não cita nomes.
13:00O que o senhor espera, afinal?
13:03É algo também muito estranho.
13:05Líderes europeus já deveriam ter participado,
13:08principalmente Inglaterra, França e Alemanha,
13:11que são os principais países europeus,
13:12Inglaterra fora da União Europeia,
13:14mas França e Alemanha, os grandes líderes da União Europeia,
13:17deveriam ter ido, né?
13:18E agora, nessa reunião de segunda-feira,
13:21com Zelensky,
13:22eu acho que ele vai pegar um pouco mais leve,
13:24não vai humilhar Zelensky,
13:26como ele humilhou daquela última vez,
13:28ele humilhou Zelensky em público, ao vivo, né?
13:32Ele não vai fazer mais isso,
13:33imagino que ele seja um pouco mais tranquilo,
13:36talvez até um pouco mais simpático,
13:38mas talvez na conversa não mostrada pra imprensa,
13:41mas na conversa mais fechada,
13:43ele vai dizer que é isso ou não vai ter a paz,
13:46que é aceitar que a Rússia vai anexar 20% de um território que até 4 anos atrás
13:53era um território soberano e independente da Ucrânia,
13:56que a Rússia não vai permitir e é obrigação da Ucrânia não participar
14:01de uma nenhuma organização militar, muito menos da OTAN,
14:05e que ele não quer discutir, que Putin não quer discutir a Crimeia,
14:08a Crimeia já é território russo.
14:10Professor, já agradeço o senhor mais uma vez pela participação,
14:13o senhor citou Neném Prancha,
14:14eu cito agora Benjamin Wright,
14:16que dizia que futebol é uma caixinha de surpresas,
14:18mas a diplomacia também é uma caixinha de surpresas,
14:21não é, professor? Obrigado mais uma vez.
14:24Eu que te agradeço, um grande abraço a você,
14:26foi muito bom te encontrar, viu, Tiago?
14:28Um abraço a você e o assinante,
14:30só um abraço pro Vilela e um abraço ao assinante da Jovem Pan.
14:34Muito obrigado.
14:35Muito obrigado.
14:35Bom, claro que a gente vai continuar acompanhando
14:37os desdobramentos dessa crise no leste europeu.
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