00:00Apesar da pressão internacional por conta de problemas na oferta de hospedagem e ameaças de países de não irem a Belém,
00:08uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que mais da metade do setor vê com otimismo a COP30 marcada para novembro.
00:17Lucas Martins.
00:19O levantamento da CNI aponta que 54% dos empresários consideram o evento relevante para o setor.
00:27A mesma proporção acredita que a conferência trará impacto positivo ou muito positivo para a indústria.
00:35O otimismo é maior nas regiões norte e centro-oeste, com 64% e nordeste com 60%.
00:44Além disso, o estudo também aponta que 75% do segmento produtivo diz que a reunião entre países pode fortalecer a imagem da indústria brasileira no exterior.
00:56Para o superintendente de meio ambiente e sustentabilidade da CNI, Davi Bontempo, a COP30 representa um acelerador para o crescimento do Brasil,
01:07principalmente no que diz respeito à economia sustentável.
01:11A COP, a partir da pesquisa, traz essa importância de ser um fórum catalisador das vantagens comparativas do Brasil.
01:22A grande questão é como a gente transformar isso tudo em competitividade, gerando emprego, gerando renda, desenvolvimento, atração de novos mercados.
01:32E também, claro, que o Brasil possa abrir e acessar novos mercados, até porque hoje o que a gente percebe é um arcabouço regulatório internacional
01:40bastante forte, contemplando essas questões relacionadas à economia verde.
01:45A COP30 vai dar sequência às negociações da última conferência, realizada em Azerbaijão, que aprovou uma nova meta de financiamento climático global.
01:56300 bilhões de dólares por ano até 2035, com o objetivo de chegar a 1 trilhão e 300 bilhões anuais.
02:06De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará, Alex Carvalho,
02:12o debate sobre boas práticas sustentáveis é fundamental para estimular a indústria sustentável.
02:19Entendemos a importância de aproveitar esse momento e alçar boas práticas,
02:26através do exemplo, poder estimular e motivar outros caminhos possíveis,
02:32mas, fundamentalmente, criar o senso coletivo da importância de se extinguir do território da Amazônia,
02:41dois extremos que, na nossa sigela opinião, têm afetado, de sobremaneira, impactado negativamente a Amazônia e o Estado do Pará.
02:52Nesta edição, os países devem discutir como mobilizar esses recursos
02:56e definir mecanismos e fontes de financiamento para apoiar a transição de economias de baixo carbono.
03:04Para ampliar a participação do setor privado nas negociações, a CNI lançou a Sustainable Business COP30.
03:12A iniciativa vai reunir propostas e soluções da indústria para a economia de baixo carbono.
03:19Agora eu chamo os nossos comentaristas, começando pelo Túlio Nassa.
03:22Túlio, o que eu observo é que toda essa polêmica em relação a Belém, a hospedagens, a estrutura,
03:29pode acabar desvirtuando e esvaziando um pouco a pauta ambiental.
03:34Sem falar que o Brasil, o próprio presidente Lula, está querendo cada vez mais assumir um protagonismo nesse tema.
03:41Qual sua análise?
03:43Olha, Márcia, você tocou num ponto fundamental.
03:47É impressionante como o governo federal é um mau negociador.
03:50Ele não é só um mau negociador em relação às tarifas, não, dos Estados Unidos.
03:54Ele é um mau negociador aqui dentro do país.
03:57Era muito fácil, evidente, óbvio, lulante, que o governo federal deveria ter negociado pacotes
04:03com as redes de hotéis e hospedagens muito antes dessa COP30.
04:09Belém é uma cidade riquíssima, lindíssima, mas que não está acostumado a receber esse número de pessoas.
04:14Era evidente que precisava haver uma negociação prévia, uma estruturação para que os preços fossem pré-fixados.
04:21Como ocorrem eventos como Copa do Mundo, Olimpíadas.
04:24Agora, no final, na reta final, é muito complicado pressionar, ameaçar as pessoas ali,
04:30os comerciantes de Belém, para que pratiquem um determinado preço.
04:33E de outro lado, Márcia, a questão de fundo dessa COP30 mostra que o buraco está muito mais embaixo.
04:40Por quê? Porque a questão, no final das contas, é financeira.
04:44Qual é o valor que a comunidade internacional vai disponibilizar para que o Brasil possa continuar sendo o pulmão do mundo?
04:52O Brasil tem quase 50% de reservas naturais, enquanto que países da Europa têm menos de 10%,
04:58Alemanha 6%, França 4% de áreas de reserva.
05:02Então é evidente que para o Brasil poder garantir empregos, poder garantir o desenvolvimento econômico,
05:08ele precisa de recursos para manter essas áreas intocáveis.
05:11E para isso é que mora o discurso, que mora o problema.
05:16Porque nas últimas reuniões, os países internacionais queriam fixar em 300 bilhões e não em 1 bilhão e 300.
05:23Então a discussão, no final, será financeira, no frigir dos ovos.
05:28A Cássio Miranda, a gente sabe que também há muito protecionismo disfarçado em questões do meio ambiente.
05:34O agronegócio hoje brasileiro é muito sofisticado, desenvolvido.
05:41As nações de fora, muitas vezes, o acordo Mercosul com a União Europeia não avança justamente na questão agrária na França,
05:49o protecionismo, o medo, de fato, dos produtos brasileiros.
05:53Como a Márcia disse, é o momento de a gente se mostrar para o mundo
05:57e mostrar que a gente está fazendo a coisa certa, a energia renovável, o biocombustível.
06:02E a lei da oferta e procura é o princípio básico da economia, né, Cássio?
06:06Sem dúvidas, Marcelo.
06:07É importante a gente ressaltar alguns aspectos a partir da sua ponderação.
06:11Primeiro, o agronegócio é, já há algum tempo, a grande mola propulsora da economia brasileira.
06:19Hoje nós temos uma economia dependente do agro e nós temos nossas relações comerciais internacionais
06:27muito pautadas pelo agro.
06:30Nessa questão do tarifácio, por exemplo, se nós olharmos, o agro foi o grande protagonista dessa discussão
06:38porque nós ajudamos muito o mercado norte-americano,
06:42mas também nós afetamos muito o mercado norte-americano, vide a carne brasileira.
06:48Em segundo lugar, há a questão da sustentabilidade.
06:52O Túlio bem disse, nós aqui no Brasil somos e seremos sempre o pulmão do mundo.
07:00Nós temos um grau de preservação de sustentabilidade que os outros países mundo afora,
07:07países muito mais desenvolvidos que o Brasil, não foram capazes de manter.
07:13Em terceiro lugar, toda essa discussão relacionada à COP30, internamente no Brasil,
07:20ela está muito pautada, infelizmente, por essa divisão ideológica que nós vivemos.
07:26E essa divisão ideológica tem deixado um pouco a racionalidade de lado.
07:31Então, as pessoas fazem críticas independentemente de qualquer motivação
07:37e as pessoas defendem também independentemente de qualquer motivação.
07:43Fato é que a COP30 é uma chance do Brasil se mostrar mais uma vez para o mundo,
07:51mostrar mais uma vez as características de uma região que é extremamente importante para nós,
07:58mas, principalmente, é uma chance que nós temos de mostrar unidade.
08:03E eu tenho um certo temor da nossa incapacidade de mostrar essa unidade,
08:09apesar de todas as possibilidades.
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