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Com tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, o economista e ex-secretário da Camex, Roberto Giannetti, defende uma resposta estratégica baseada na diplomacia empresarial. Frutas, pescado, mel e café estão entre os setores mais vulneráveis. A solução pode vir do CEO Forum, que reúne grandes empresários de Brasil e EUA.

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Transcrição
00:00Vou pedir para você continuar aqui comigo, porque a gente vai conversar agora com o Roberto Janete,
00:04economista e ex-secretário da Câmara do Comércio Exterior.
00:08Janete, boa noite, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:11Bom, as tarifas entrando em vigor de produtos brasileiros,
00:15para alguns produtos com 10% de taxação, para a maioria 50%,
00:20qual deve ser a principal preocupação a partir de agora?
00:23Olha, a primeira coisa que nós temos que fazer agora é ter uma estratégia de negociação,
00:31mas uma estratégia que seja pragmática, objetiva e eficiente.
00:36E essa estratégia passa pela diplomacia empresarial.
00:39Não acho que é o governo que tem que começar com ela, até porque eu acho que existem fórmulas e meios
00:46do setor empresarial, do setor privado, apresentar uma proposta para o governo,
00:52que seja de consenso bilateral e que possa substanciar, possa lastrear uma chamada.
01:00Aí sim, no momento em que tiver fatos e dados na mesa, uma chamada do Lula para o presidente Trump,
01:08informando que temos uma proposta na mesa para dar início às negociações.
01:12O fórum para fazer essa proposta é exatamente um mecanismo que já existe na relação Brasil-Estados Unidos,
01:19que é o CEO Forum, que é um grupo de 11 empresários, grandes empresários americanos,
01:25grandes empresários brasileiros, escolhidos, isso existe há 15 anos, não foi inventado agora,
01:30exatamente, foi criado para fazer essa mediação e solução de impasse entre os dois países.
01:38está na hora dele agir, de fazer história, de criar uma base de negociação com propostas específicas de setores,
01:49de medidas de ordem tributária, de ordem regulatória e, inclusive, sobre os minerais críticos,
01:57que tem toda uma formulação já bolada para isso e que pode ajudar muito o governo brasileiro
02:03a fazer a apresentação dessa proposta, que, por sinal, deveria ser referendada no Conselho de Ministros da CAMEX,
02:11que dá, então, um mandato para que aquela posição venha como posição oficial do governo.
02:18E aí, sim, vamos ver o que os Estados Unidos falam, o governo americano,
02:22numa proposta que os 11 empresários americanos ajudaram a construir.
02:25Até isso acontecer, Janete, qual setor deve sofrer mais, deve ser mais afetado aqui no nosso país a curto prazo, digamos assim?
02:35Olha, eu vejo com mais preocupação aqueles setores de produtos perecíveis,
02:41porque o produto perecível, você não tem nem como estocar e, às vezes, não dá para parar de produzir,
02:47significa fechar a fábrica, demitir todo mundo, interromper a atividade.
02:53Eu estou falando casos que me preocupam muito o setor de frutas, o setor de pescado,
02:59pequenos setores, até como, por exemplo, produção de mel, exporta muito para os Estados Unidos, está com problema.
03:07E eu acho que esses vão ser os que vão ter mais dificuldade,
03:12deveriam ser socorridos com linhas de financiamento e tentar buscar outro mercado.
03:18Existem também setores grandes, como o de café, que é um setor histórico, tradicional do Brasil,
03:24que tem alternativa de outros mercados, mas não, às vezes, no mesmo preço e no mesmo volume que o mercado americano compra.
03:32O mercado americano compra hoje 8 milhões de sacas de café arábica do Brasil.
03:38Não existe como substituir esse volume no mercado externo,
03:42porque o que tem no mercado externo, eles vão encontrar café arábica,
03:49um café que é, desculpe, robusta, que é um café diferente do brasileiro, como, por exemplo, tem no Vietnã.
03:54Então, nós vamos ter que realmente, no caso do café, buscar uma solução negociada que venha tirar o café da tarifa,
04:03assim como também para o peixe, para as frutas e outros, que eu acho que não tem sentido,
04:08porque são produtos insubstituíveis no mercado americano.
04:12Eles não têm produção local, por isso que eles importam do Brasil,
04:15que tem sido um fornecedor competitivo, de boa qualidade, por muitas décadas.
04:21E eu espero que assim continue.
04:23Por isso que eu acho que o diálogo e a negociação do setor privado
04:26pode trazer para a mesa a solução do impasse desses setores.
04:31Talvez o café tenha sido a maior surpresa de ficar de fora daqueles quase 700 itens, certo?
04:38Não há dúvida, porque, primeiro, que o americano adora café.
04:42E o nosso café é o café que dá aroma, dá sabor.
04:47Enquanto o robusto, é um café diferente, que é um pouco mais azedo e tem mais corpo.
04:53Mas não tem o sabor ou aroma que tem o café arábico brasileiro.
04:57O café do sul de Minas, eu sou mineiro, falo com gosto disso, é insubstituível.
05:02Se eu não tomar um cafezinho daquela boa qualidade todo dia, me faz falta no organismo.
05:07Nosso sangue tem café por dentro.
05:10Bom, a gente viu que o Brasil acionou os Estados Unidos na OMC, mas é uma atitude quase simbólica.
05:18Sim, o OMC, infelizmente, perdeu completamente seu prestígio, seu poder, sua autoridade.
05:25E agora ficou exatamente as moscas.
05:28A gente tem que fazer formalmente isso, até porque nós temos que continuar,
05:32e está certo o governo, em defender o multilateralismo.
05:36Defender que haja regras no mercado internacional.
05:38Um mercado internacional sem regras é caótico, é o que está acontecendo agora, vale tudo.
05:45Esse caso da Índia, que vocês estavam se referindo antes de eu entrar na entrevista, é um absurdo.
05:50Quer dizer, então escolhe um país, a Índia, que compra petróleo da Rússia, porque não é autossuficiente.
05:55Aliás, compra petróleo da Rússia, Cristiane, há décadas.
05:59Não é de agora que passou a comprar.
06:01E mais, tem uma coisa que não foi ainda vinculado, que eu vou lhe dar aqui uma informação nova.
06:07A Índia paga o petróleo da Rússia, não é em dólar, em rúpia.
06:11Portanto, sabe, como é que ele vai de repente agora comprar da Arábia Saudita em dólar?
06:19Um país que importa 90% do seu petróleo, como disse o Vinícius, 40% vem da Rússia.
06:26E não é que vem da agora, vem de sempre.
06:28Então, é até um problema do ponto de vista de cambial.
06:33E tem um problema.
06:34A Rússia carrega bilhões de dólares, dezenas de bilhões de dólares de reserva em rúpia.
06:42Se a Índia deixasse de comprar petróleo da Rússia, a Rússia poderia vender essas rúpias no mercado externo
06:50e causava uma crise cambial na Índia de tamanho gigantesco.
06:55Então, não é um problema simples, é um problema...
06:59Eu acho que até o Trump sabe disso.
07:00A maldade é achar aquele que vai sofrer mais com determinado assunto.
07:05No assunto do petróleo, é a Índia.
07:07O Brasil pode substituir o diesel.
07:10Dói um pouco, dói. Vai pagar mais caro, como falou o Vinícius.
07:13O fertilizante é um pouco mais grave.
07:16E do fertilizante, olha só o perigo que tem.
07:19Porque o nosso fertilizante sustenta o agronegócio.
07:23E nós somos concorrentes dos Estados Unidos.
07:26Então, pode ter maldade por aí também.
07:28Vamos maltratar o nosso concorrente.
07:31Eles são mais produtivos na soja porque tem fertilizante.
07:34Sem fertilizante, seremos menos produtivos.
07:37Vou passar para a pergunta do Vinícius.
07:39Vinícius, por favor.
07:42Janete, vamos continuar nessa especulação terrível,
07:46que é a possibilidade de Trump continuar com essa linha de, agora, sanções contra terceiros países.
07:55Ele não está fazendo uma tentativa, pelo menos alegada, de, segundo as ideias dele, de proteger a economia americana.
08:02Ele está interferindo nas relações comerciais de outros países.
08:06Então, esse risco para o Brasil aumentou.
08:08Então, pode ser que seja apenas no combustível, no petróleo, no diesel, que tem mais saída, como você disse também.
08:16Agora, vamos supor uma hipótese terrível, que é de o Trump realmente mirar em qualquer relação comercial do Brasil com a Rússia.
08:24E aí, a gente vai ter problema de alimentar, mais ou menos, o que é 27% do consumo nacional de fertilizante.
08:35Tem gente do setor que diz que uma parte disso dá para arrumar nos próximos meses em outros países.
08:41Agora, quanto dá? Qual o tamanho do problema?
08:45Quanto tempo a gente pode ficar sem a quantidade necessária de fertilizante?
08:49O que isso pode interferir no planejamento de safras?
08:54Olha, eu não tenho um número preciso para te dar, porque, inclusive, são vários componentes do fertilizante, do que a gente chama de fertilizante, que vem de diferentes origens.
09:05O Marrocos, por exemplo, nos exporta fosfatos.
09:10Nós temos também a importação da Rússia, principalmente de ureia, que é nitrogenado.
09:15A ureia pode ser substituída, inclusive, por produção no Brasil.
09:18Não foi ainda por nossa incompetência, vamos ser claros.
09:22Porque a gente sabe disso há muito tempo, essa vulnerabilidade do setor de agronegócio vem sendo apontada há algum tempo.
09:29Eu mesmo fiz um trabalho para a CNA, se não me falha a memória, em 2022,
09:33que apontava no planejamento estratégico a principal vulnerabilidade do setor de agronegócio no Brasil é a importação de fertilizante.
09:42Nós estamos na mão de três, quatro empresas e três países.
09:45Então, isso lembra que teve um aumento vertiginoso do preço de fertilizante em 2022, por mera especulação, quando teve aquela coisa da guerra da Ucrânia.
09:56Então, a gente tem que resolver esse assunto de fertilizante no Brasil.
10:00O agronegócio brasileiro não pode ficar dependente de fertilizante.
10:03A ureia, o nitrogenado, a gente pode produzir no Brasil.
10:07Depende de gás, pode ser feito também através de hidrogênio.
10:10A gente tem que achar a solução e fazer o investimento.
10:15E a questão de importação da Rússia, eu acho que eu também não tenho certeza até que ponto existe justificativa e base legal, jurídica,
10:32para que o presidente Trump, o governo americano, possa tomar essa medida arbitrária de, de repente, falar
10:40não, o Brasil não pode mais comprar fertilizante da Rússia e aplicar mais uma sobretarifa em cima dos nossos produtos.
10:48Que, aliás, não vai fazer muita diferença.
10:5150 ou 75 vai ficar caro do mesmo jeito, é quase como um embargo.
10:56Então, daqui a pouco, nós vamos fazer que nem a China.
10:58dobra, que não adianta...
11:00Lembra que o Xi Jinping teve uma atitude de negociador brilhante.
11:04Ah, quer dobrar para 100?
11:06Dobra logo para 200.
11:07Não vamos perder tempo.
11:08Porque, de repente, é insensível.
11:10Você entra num nível de indiferença.
11:12Pode fazer o que quiser com a tarifa que o mercado secou.
11:17Roberto Janetti, muito obrigada.
11:19É sempre um prazer recebê-lo aqui.
11:21Volte mais vezes.
11:23Muito obrigado, Cristiane e Finícius.
11:25Até breve.
11:26Boa noite para você.
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