Uma mulher vítima de violência doméstica denuncia o agressor pedindo dipirona para a polícia. O caso aconteceu em Campo Grande (MS), e ela foi socorrida por policiais militares após a ligação. Comentaristas: Mano Ferreira, Jess Peixoto, David de Tarso, Priscila Silveira, Carina Pirró.
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00:00A Bárbara que não respeita a dignidade da mulher, pessoal, foi em Campo Grande, capital sul-mato-grossense,
00:05que uma mulher vítima também de violência doméstica foi socorrida pela polícia militar
00:09após ligar para o 190 e pedir uma dipirona.
00:13Vamos ver aqui um trecho da ligação e tentar entender o que está por trás desse caso.
00:17Polícia militar, margêntia.
00:19Oi, eu gostaria de um remédio.
00:23Remédio? A senhora é da polícia, o 190.
00:26Sim, é remédio. É aqui na vinheta, onde pirona.
00:29Alguma coisa no local?
00:32Sim, o antipirona.
00:35E ele está agressivo, a pessoa responde sim ou não?
00:38Sim.
00:39Certo.
00:40Onde é só o antipirona?
00:42Aham.
00:45E o número?
00:46Sim.
00:48Responde sim ou não, é seu marido, é parente, sim ou não?
00:52Sim.
00:54Certo.
00:54É, se preocupa bem, tá?
00:57Sim, deixa eu registrar. Finaliz, finaliz.
00:58Que eu vou finalizar a pedida aqui.
01:04Posture arma ou negativo?
01:06Não?
01:07Não.
01:08Tá ok.
01:09Eu acho que só tem 10.
01:11Tá ok.
01:14Seu nome?
01:15Agora, eu sei que parece um caso estranho, mas aqui que mora, é aqui que tá o x da questão,
01:24aqui que tá o pulo do gato nesse caso, porque a polícia agiu rápido no caso e a mulher foi encontrada sem ferimentos graves
01:29e ainda bem que o agressor foi preso, tá, pessoal?
01:32Ninguém é melhor que nossa psicóloga amiga aqui do Morning Show, colunista do nosso Morning Show, Karina Pirró, tá aqui com a gente de novo, retornando aqui ao palco do programa
01:39e tá aqui com a gente pra falar sobre esse caso em específico, né?
01:43Tudo acontece nesse mês de agosto, que é justamente o mês de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres.
01:50Então, é importante que talvez esse caso sirva de alerta e um, pelo menos, pra caminhar na boa direção dessa conscientização, né?
01:57Exatamente. Dia 7 de agosto de 2006, nós tivemos a Lei Maria da Penha sendo colocada aí pra salvar tantas mulheres
02:07e que maravilhoso o trabalho desse policial de ter rapidamente percebido.
02:13E que absurdo, né? A gente ter que encontrar esse tipo de estratégia pra ser protegido.
02:18É por aí? É mais um caso...
02:21Sem dúvida. Jess Peixoto, o que você achou desse caso específico aqui?
02:24E essa menção, a de pirona, a de pirona, até os bons policiais sul-mato-grossês sacarem o que realmente estava em curso.
02:31É, são muito comuns, né? Os atos invisíveis, as saídas invisíveis que as mulheres tomam,
02:36desde gestos, protocolos que estão sendo adotados pelo mundo, pra se livrar ou, pelo menos, se proteger em situações de violência.
02:42E aqui nós temos isso em áudio de uma mulher muito inteligente,
02:46que num momento de dor, de dificuldade, que a gente não tem dimensão e toda a minha solidariedade a ela por isso,
02:52conseguiu ter a ideia de ligar, pedir um remédio, possivelmente, pra não se colocar ainda mais em risco.
02:58E a agilidade do policial que já, depois do primeiro momento onde ela repete,
03:04já percebe o que está em curso e faz as perguntas pra poder agir, protegê-la e, de fato, punir esse agressor.
03:10Então, aqui nós vemos o dia-a-dia de uma mulher que, às vezes, está em casa, está sendo vítima de violência,
03:16está se sentindo em risco e não ter o que fazer.
03:18É muito importante que a gente passe matérias como essa, e a Panta te parabéns por fazer isso,
03:22pra que outras mulheres descobram saídas em situações como essa.
03:26Saídas silenciosas, saídas que não vão gerar risco.
03:30Isso é muito importante.
03:32Então, que a gente possa aprender muito a se defender, infelizmente,
03:35dessas situações de violência doméstica com saídas inteligentes como essa.
03:38Todo mundo assinando embaixo, sublinhando aqui exatamente o que a Jess disse,
03:42todo mundo nesse mesmo coro, ainda mais num momento tão simbólico e necessário,
03:47pra gente jamais esquecer que não há ato de covardia mais extrema do que um homem bater em mulher, né?
03:52Vamos botar a cabeça no lugar.
03:54Mas é impressionante, né?
03:54Pena que é, parece que segue sendo a regra e não a exceção em vários rincões desse Brasil.
04:00É impressionante a quantidade de casos que a gente tem trazido aqui, impressionado a todos nós.
04:04Aquele homem que deu 60 socos no Rio Grande do Norte contra a companheira, né?
04:10Tá preso.
04:11Também aquele que agrediu em Santos, aqui no litoral de São Paulo, a médica,
04:16que também está em estado gravíssimo.
04:18Teve que fazer uma cirurgia reparadora pra recuperar o rosto.
04:21E o que eu gostaria de discutir com a doutora Karina é assim.
04:24Porque muitas vezes esses agressores, eles vão apresentando alguns sinais, né doutora?
04:28E como que a mulher, ela pode perceber que aquilo pode avançar pra não ser vítima de violência de fato?
04:34Perfeito.
04:35É muito importante que a gente até faça uma diferenciação básica aqui de relacionamento tóxico pra relacionamento abusivo.
04:44Relacionamento tóxico, vamos falar do abusivo.
04:47Sempre existe uma discrepância.
04:49Tem alguém que acha que é melhor, que tem o poder, que controla.
04:53E aí a gente vai vendo esses comportamentos e que vale a pena a conscientização da diferença dos tipos de agressões.
05:03Então, pega o seu celular, joga no chão ou não deixa você usar uma determinada roupa.
05:10Quando você vai olhando esses comportamentos, é sempre de alguém que se coloca como tem poder.
05:16Esse é o relacionamento abusivo, então você pode ver isso em várias situações.
05:20O tóxico, né, não tem essa diferença.
05:24Às vezes é um com o outro mesmo, tá?
05:26Então, acho que o que distinga é esse poder que alguém acredita que tem sobre você.
05:32A gente tem, quando eu disse de quebrar um objeto, isso aí também é uma agressão, por exemplo, patrimonial.
05:39Que já mostra que tem o poder de fazer alguma coisa com algo que é seu.
05:44Então, assim, numa discussão, tô nervoso, vou lá e quebro um copo.
05:47Já é um sinal.
05:48Já é um sinal de agressão.
05:49Sim, e isso é escalável.
05:52Karina, agora a gente tem aquele clássico que ainda se escuta muito, que em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.
06:00Quando temos um caso extremo de violência, já é um consenso social a necessidade de chamar a polícia.
06:07Mas quando a relação tá tóxica ou tá abusiva num estágio anterior, qual a melhor maneira, e muitas vezes a própria vítima ainda não tem consciência de que se trata de uma relação abusiva, qual a melhor maneira de pessoas do entorno do casal atuarem na tua visão?
06:27Perfeito. Com conscientização, aproveite agora no mês de agosto, Lilás, que vai ter muita informação em rede social sobre o que são os tipos de agressão, né?
06:43Então, compartilhem esses conteúdos, principalmente com aquela pessoa que você percebe que está vivendo um relacionamento assim, pra que ela possa aumentar o nível de informação, pelo menos.
06:56Difícil de discordar, né?
06:57Jess Peixoto, queria muito também te ouvir aqui, até no espírito da sororidade, como as mulheres dizem.
07:05Ah, no geral, eu acho que as mulheres têm que estar atentas a esses comportamentos abusivos no começo do relacionamento.
07:11Eu vejo, assim, casos em que as pessoas, elas deixam pensar que é um momento, é um momento de raiva, mas o fato de alguém te xingar, o fato de alguém quebrar um copo, o fato de alguém esmurrar uma parede,
07:22tudo isso são indícios do que você pode vivenciar lá na frente.
07:26Eu até acho que o suporte, né? As amigas, a família, são importantes pra fazerem essa... dizer pra você, assim, olha, isso pode lá na frente virar um relacionamento abusivo.
07:37Porque eu já vivenciei, assim, já vi essa situação acontecendo com pessoas próximas, em que, ah, não, mas é só que ele é assim, ele tá com raiva.
07:46É o jeito dele, né?
07:47É o jeito dele.
07:48E, de repente, lá na frente, você vê que isso se torna um caso de violência doméstica.
07:53Você vê que isso se materializa.
07:55E aí, a pessoa já tá envolvida, já tá ali com quase num casamento.
07:59Então, tem várias dificuldades que se impõem.
08:01Então, eu acho que a gente precisa sempre ser bem tratada e aceitar que você tem que ter um tratamento de princesa.
08:06E homem que não te trata bem não merece nem um pingo da sua atenção.
08:09É, e que ninguém mais precise pedir de pirona pra sobreviver.
08:12E ficar nessa espécie de código morsa pra poder, enfim, acabar se salvando.
08:16O que, com certeza, é situações mais comuns do que a gente imagina nesse Brasil, né?
08:23É, só lembrando que todo agressor, eles têm muito estudo sobre esse comportamento do agressor.
08:29E passa sempre pelo mesmo lugar, são as mesmas características.
08:33Inclusive, o ciclo da violência, né?
08:35Que vai subindo, aí se torna violento, aí pede desculpa, aí vive a lua de mel de novo.
08:42Então, estudem.
08:44Estudem o que é o comportamento violento, porque vocês vão ver que tem um padrão.
08:49E aí fica mais claro pra gente poder definir o que está acontecendo em casa.
08:54É, meus amigos.
08:55Agora, outra reflexão que eu quero propor nessa reta final...
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