00:00E também a corrida ao Senado. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, revela que já acertou com o presidente Lula
00:06a mudança do domicílio eleitoral do Centro-Oeste para São Paulo.
00:11Repórter André Anelli chega com as últimas informações.
00:14Ela quer, ou pelo menos há expectativa, de que ela concorra também ao Senado e por São Paulo. É isso, André?
00:19Olha, Tiago, de acordo com pessoas próximas à ministra Simone Tebet, com as quais eu conversei,
00:30essa mudança de domicílio eleitoral dela ainda não foi definida.
00:34Uma reunião com o presidente Lula depois do carnaval é que vai decidir a candidatura que, segundo a ministra, já está sacramentada.
00:42A candidatura, sim. A indefinição principal é em relação ao cargo, Senado ou Governo, sendo mais provável a candidatura direcionada ao Congresso.
00:53O estado pelo qual ela deve disputar também é uma dúvida com o Mato Grosso do Sul e São Paulo,
01:01entre as possibilidades, sendo esse último estado então viável para a disputa por ela apenas com essa transferência de domicílio eleitoral.
01:10A eleição para o Senado é considerada fundamental pelo Partido dos Trabalhadores,
01:15já que duas das três vagas em disputa estão, portanto, colocadas como disponíveis
01:22e existe a possibilidade de, à direita mais radical, conseguir formar maioria no Senado,
01:29algo que não conseguiu nem mesmo durante a gestão Jair Bolsonaro.
01:32Isso permitiria, por exemplo, que os bolsonaristas, que os apoiadores do ex-presidente,
01:39tentassem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal,
01:43algo que o Governo Federal, nesse momento, tenta evitar para o futuro.
01:48Nesse sentido, além de Simone Tebet, já confirmaram então a disputa ao Senado.
01:53Os ministros Rui Costa, ele que é da Casa Civil, vai disputar pela Bahia,
01:57e Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, disputando pelo Paraná.
02:04Tiago.
02:04Bom, o André Nelly, então, trazendo as informações, como a gente falava com o Matheus,
02:08o xadrez político vai se formando e essa tropa de choque do próprio governo
02:12para disputar a eleição aqui em São Paulo.
02:15Até daqui a pouquinho, André?
02:16Bom, Dora Kramer.
02:17Primeiro, Marina Silva, com essa possibilidade do PT, e agora Simone Tebet.
02:22Aí se fala no Senado, talvez o espaço para tentar o Palácio dos Bandeirantes.
02:28Tudo muito incerto ainda, não é, Dora?
02:30Mas o xadrez já está se movimentando.
02:31Olha, o que é certo é que o governo não está de brincadeira, não está dormindo no ponto,
02:38compreendeu que a parada é duríssima, a parada de 2026 é dura e não é dura só com relação ao Planalto, não.
02:46É dura em vários estados e aí está se armando.
02:50Simone Tebet é um nome super forte, Marina Silva é um nome super forte.
02:55lembrando que ela pode também ir para o PSB, porque ela já foi do PSB, lembra?
03:01Ela estava do PSB na chapa com o Eduardo Campos, quando o Eduardo Campos morreu num desastre de avião,
03:07ela assumiu a liderança da chapa em 2014.
03:11Então ela pode bem voltada.
03:15No Rede, que é o partido que ela criou, pode ficar impossível, porque a Heloísa Helena, que é a adversária dela,
03:24hoje tem maioria ganha dentro do partido.
03:29Então a Marina, partido não vai faltar para Marina e a gente vê que realmente são nomes bastante fortes.
03:41A Simone Tebet, ela diz que vai ser candidata a alguma coisa, porque ainda não se sabe.
03:48Mas eu acho que está com muita cara de Senado e muita cara também dela mudar o domicílio eleitoral para São Paulo,
03:58porque no Mato Grosso do Sul ela não tem espaço e vai precisar mudar de partido também,
04:06porque o MDB fica esquisito, o MDB em São Paulo é aliadérrimo do Tarcísio, é o partido do Ricardo Nunes.
04:18Então acho que nesse mês de março a gente vai ver a Simone mudar de domicílio eleitoral e de partido.
04:27ela tem esse prazo até o dia 6 de abril.
04:30Agora lembrou Marina e a senhora era vice de Eduardo Campos, que morreu 13 de agosto de 2014.
04:37Estava cobrindo aqui como repórter da Joem Pan, lá em Santos, no litoral.
04:41E de qualquer forma tem essa história da mudança de partido.
04:45E você lembrou bem essa semana, Denise, que se ela tentar, não Marina Silva, mas a Simone Tebet,
04:50tentar o governo de São Paulo, tem o problema.
04:53Se ela se filiar ao PSB, por exemplo, o Márcio França quer tentar de novo aqui em São Paulo.
04:58É, e é uma coisa que chama atenção, que não se toca no nome dele para nenhum cargo.
05:02E ele já tinha manifestado a intenção de ir para o governo do Estado,
05:04depois tinha essa possibilidade também do Senado.
05:08É um partido que faz parte da base do governo,
05:10então se imagina que ele vai ter um espaço nessa disputa toda.
05:14Ele que faz parte do governo, que também é ministro.
05:18Mas a gente vê o governo agora muito preocupado com a formação dessa chapa aqui no Estado de São Paulo.
05:25Um Estado em que na capital o PT pode até ir bem,
05:28mas tem uma resistência muito grande no interior de São Paulo.
05:31Bolsonaro saiu vitorioso nas eleições anteriores.
05:34E eles querem, ao mesmo tempo, garantir o espaço no Senado,
05:39que houve toda uma articulação da oposição,
05:41para tentar fazer a maioria efetivamente e conseguir implementar as pautas
05:45que vem propondo já há bastante tempo,
05:47como é importante o palanque para o próprio presidente Lula aqui no Estado de São Paulo.
05:52Então, puxando candidatos fortes, que tem o recall, inclusive, de eleições anteriores,
05:57ele pode conseguir ter esse espaço aqui para ele aparecer nas campanhas
06:03e campanhas pelas ruas aqui de São Paulo, conseguindo uma adesão importante.
06:06A grande incógnita, eu acho que é também o ministro atual, o ministro da Fazenda,
06:11Fernando Haddad, que daí sai do Ministério em fevereiro.
06:13Por enquanto, todas as entrevistas que ele dá, ele diz que ele não quer ser candidato a nada.
06:19Bom, Nelson Kobayashi, essa estratégia, como a Denise falou,
06:23de trazer essa tropa de choque aqui para São Paulo, qual é o reforço?
06:27Se ganha, ninguém sabe, né?
06:29A eleição é no voto, mas essa questão do conservadorismo aqui em São Paulo, como é que fica?
06:34Olha, Tiago, nesse ponto a Simone Tebbitt vai ter dificuldade,
06:39porque ela já está cogitando a possibilidade da mudança de domicílio,
06:42porque no Mato Grosso do Sul ela está sem clima.
06:45Lá, provavelmente, ela não ganhe mais um cargo como já ganhou anteriormente para o Senado, por exemplo.
06:50Porque a Simone Tebbitt, depois que se aliou e virou ministra do governo Lula,
06:55ela saiu daquele campo de centro, de terceira via,
06:58inclusive foi morte de sua campanha presidencial nas últimas eleições,
07:01e, de alguma maneira, se colou no progressismo e no lado do presidente Lula.
07:08E isso em um Estado tão conservador como é o do Mato Grosso do Sul,
07:12não dá a ela chances de uma campanha competitiva.
07:17O mesmo se aplica no interior de São Paulo aqui, principalmente com alguém que vem de outro Estado.
07:22No campo da esquerda, o que teria mais capilaridade seria, claro, Geraldo Alckmin,
07:26que ele traz de experiência de quatro gestões, bons relacionamentos com alguns
07:33que permanecem ainda em algumas prefeituras,
07:35e o Márcio França, que também foi governador e muito bem relacionado com as prefeituras.
07:40Aliás, Márcio França, ele foi, de alguma maneira, escanteado pelo presidente Lula.
07:43Ele é um dos responsáveis, são alguns responsáveis,
07:46e ele é um dos principais responsáveis pela união da chapa do Lula com o Geraldo Alckmin.
07:51E ficou só o primeiro ano no Ministério de Portos e Aeroportos,
07:53depois deram para ele essa linha ali do lado do Ministério do Geraldo Alckmin,
08:00que chamaram de Ministério também de Empreendedorismo, Microempreendedorismo, enfim.
08:05E ele ficou escanteado, inclusive agora, nas cogitações todas para a disputa do governo ou do Senado.
08:11E, para finalizar, se o PL não abriu os olhos e não escolheu um nome bom
08:16para ser candidato pela direita, vai perder uma vaga para a esquerda.
08:20Eles ficam aí cogitando o Rosa Navalny pela amizade com a Michelle e a Bolsonaro.
08:24Ela, numa disputa com pessoas do Calido e da Marina Silva e da Fernanda Dade, por exemplo,
08:29teria muita dificuldade para disputar essa segunda vaga,
08:32já que a primeira parece estar muito bem encaminhada para o Guilherme de Ritchie.
08:35Agora, só queria acrescentar com você sobre essa possível volta de Marina Silva ao PT.
08:41Você acompanhou muito bem lá atrás a forma como ela saiu do PT, brigada e tudo mais.
08:46Será que ela toparia retornar? São outros tempos, outros momentos, Dora?
08:54Tiago, ela topou voltar ao governo. Lembra? Ela saiu, você lembra bem,
08:59ela saiu dizendo uma frase inesquecível quando ela saiu do Ministério do Meio Ambiente.
09:05eu perco o pescoço, mas não perco o juízo. Foi exatamente isso que ela disse.
09:13E aí ela sofreu do PT uma... o PT foi um adversário absolutamente desleal a ela em 14,
09:23quando ela assume a candidatura do PSB, depois da morte do Eduardo Campos,
09:29ela sofreu uma das campanhas mais agressivas ali a especialistas de pesquisa
09:37que consideram ali o marco do início do uso das fake news,
09:43com propagandas institucionais no horário eleitoral absolutamente mentirosas.
09:50ela sofreu também ataque do Aécio Neves, mas num grau muito menor do que sofreu de Dilma Rousseff.
10:00Mas tudo isso, esse quadro, nos levaria a imaginar que seria muito difícil
10:07ela voltar a conviver com o presidente Lula.
10:11No entanto, voltou. E não só voltou, como voltou para o Ministério do Meio Ambiente,
10:16levando uma rasteira atrás da outra.
10:20E a autoridade climática que o Lula prometeu para ela na campanha era um compromisso.
10:25Ela vir e ir para o governo e ter autoridade climática até hoje, ó.
10:30E a margem equatorial, a exploração na margem equatorial? Nada.
10:34Então, se ela aceita essa situação, não vai me espantar a Marina aceitar a votar para o PT.
10:42Já te chamo de novo, companheira. A Denise quer fazer um adendo aqui disso que a Dora falou.
10:45É, exatamente. Eu ia lembrar dessa pauta ambiental, que há algumas divergências,
10:50inclusive por negociações políticas em relação à margem equatorial.
10:54Sabemos que o presidente do Senado tem todo o interesse nessa região.
10:58Aliás, todo o trabalho lá está suspenso, porque inicialmente já houve um certo vazamento,
11:04mas demonstra uma divergência atual em relação a isso.
11:08Mas eu acho que quando se coloca essas candidaturas aqui no Estado de São Paulo,
11:12também se pensa na questão ideológica, de não deixar a oposição avançar no Senado
11:17e tentar garantir a reeleição do presidente Lula.
11:20Eu acho que voltamos àquele discurso do nós contra eles,
11:23que é a polarização que vem sendo colocada pelo próprio presidente Lula em várias manifestações
11:28e no comunicado que foi divulgado nesta semana também pelo Partido dos Trabalhadores.
11:32Você vê bem esse tom de se combater, inclusive os mais ricos.
11:38É aquele PT original do qual Marina Silva, inclusive, fez parte antes de mudar de partido.
11:44Então eu acho que tem muito a ver com o campo ideológico,
11:46é não deixar que a oposição avance nas próximas eleições.
11:50Diga, Kubayashi.
11:51Tiago, eu ia falar justamente o que a Dora acabou falando,
11:54que é a situação da campanha eleitoral de 2014,
11:58que foi a campanha negativa da presidente Dilma.
12:00Eu ia falar justamente isso, mas totalmente contemplado pelo que já lembrou a Dora Kramer,
12:05se a gente pegar, não sei se tem aí, de repente, no YouTube,
12:08o que foram as duas últimas semanas de campanha antes do primeiro turno,
12:12na propaganda eleitoral, na TV, da Dilma contra a Marina,
12:16faz estranhar, inclusive, hoje, mesmo ter que querer de volta nos seus quadros alguém,
12:19que naquele momento foi pintado como uma pessoa que não merecia crédito algum.
12:24Então, assim, é incoerência de lado a lado,
12:28tanto da Marina em hoje se associar novamente ao PT,
12:30quanto do PT de ter de volta nos seus quadros a Marina,
12:33aquela pintada por eles mesmos há pouco mais de 10 anos.
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