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  • há 7 meses
Sarah Borges é o que se define como "polímata" — aquela pessoa que detém habilidades em muitas áreas.
Estudante de Medicina no Brasil, Sarah agora investiga a confluência entre a psicologia e a computação na Universidade Harvard, uma das mais prestigiadas universidades do mundo.

Natural de Goiânia, ela faz parte de uma geração de brasileiros que cada vez mais tem representado o país nas salas de universidades americanas.

A conversa com Sarah encerra uma série de três entrevistas feita por Felipe Moura Brasil com estudantes brasileiros.

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Transcrição
00:00Salve, salve, eu sou Felipe Moura Brasil, diretor de jornalismo do portal Antagonista e da revista
00:12Cruzoé e a gente começa agora mais um Cruzoé Entrevistas, nessa série que eu tô fazendo com
00:17estudantes brasileiros de destaque, seja no Brasil, seja no exterior. E hoje eu tenho uma convidada
00:25muito especial que vocês já estão vendo na tela, ela é uma estudante brasileira em Harvard,
00:31estuda psicologia, mas também estuda ciência da computação, mistura um monte de disciplinas
00:37lá na famosa Universidade Americana, também a primeira estudante de Goiânia a fazer faculdade
00:44por lá e ela é bolsista na instituição. Sara Borges, seja muito bem-vinda aqui ao Cruzoé
00:51Entrevista. Obrigada, Felipe, é um prazer pra mim estar aqui com vocês hoje.
00:55Prazer é meu estar aqui no Estúdio Antagonista em São Paulo com a Sara, que me recebeu,
01:01assim como outras pessoas da organização da Brasil Conference, lá em Boston, nos Estados
01:06Unidos, em abril. Eu, no primeiro dia, diante do convite ali da organização, fui fazer um
01:14tour em Harvard e estava a Sara com outros estudantes brasileiros, levando a gente, no
01:21grupo, apareceu ali a Regina Cazé, inclusive. Então, estava eu e Regina Cazé sendo guiados
01:25pela Sara Borges num tour por Harvard. Um luxo. E ela foi ali apresentando pra gente tudo
01:31da faculdade, de cada setor ali da Universidade Americana. E ela ia falando com um monte de
01:37gente, um monte de gente ia falando com ela. Alguém que está ali há três anos e que já
01:42criou muitos vínculos e muitas amizades. Não é isso, Sara?
01:45É, obrigada. Foi uma coincidência que eu vi vários amigos ao longo do caminho, mas foi
01:50realmente um prazer. Eu fui, inclusive, guia turística oficial da faculdade durante
01:55o verão do ano passado. Então, eu aceitei esse convite com prazer de apresentar a faculdade
01:59pra vocês.
02:00Agora, conta um pouco da sua história. Primeiro, familiar. Você vem de Goiânia, lá no interior
02:06do Brasil e sempre foi muito dedicada à escola. Os seus pais já perceberam desde cedo que
02:12você tinha um talento acadêmico. Como foi esse começo?
02:15Eu acho que não tem como falar de mim sem falar da minha família. Então, acho que
02:20essa é a melhor primeira pergunta que você poderia fazer. Bom, quem que é? Quem faz
02:26parte da minha família? Eu vivo com meus dois pais e eu tenho duas irmãs. Uma irmã mais
02:31velha e uma irmã gêmea, que acabou perseguindo um caminho diferente do meu. Ela ficou aqui
02:36no Brasil, mas que tem interesses bastante parecidos. Eu acho que nós duas, tanto eu quanto
02:43a minha irmã, éramos muito dedicadas na escola desde o começo. Então, eu acho que
02:48sim, os meus pais sabiam disso. Inclusive, a gente sempre recebeu auxílio financeiro das
02:55escolas onde a gente estudou pra estudar nelas. Então, eu estudei em ótimas escolas em Goiânia.
03:01Cursei, primeiro, o ensino fundamental na Escola Interamérica, onde eu fui super bem recebida.
03:07Minha família era próxima ali das pessoas que tinham fundado a escola. Então, foi um ambiente
03:13mesmo que eu pude cultivar esse amor pela educação e sempre com o incentivo dos meus
03:18pais. Nenhum dos dois seguiu carreira acadêmica, eles fizeram até o ensino superior, mas ele
03:25sempre era dado pra nós, pras minhas irmãs, que a gente ia estudar e que a gente ia fazer
03:32faculdade. Então, eu sei que essa é uma felicidade que muita gente não tem a sorte
03:36de ter.
03:36Seu pai e sua mãe, no caso, né? Você falou os dois pais.
03:39Hoje em dia tem que esclarecer só pra deixar...
03:42Sim, sim. Meu pai e minha mãe. Boa correção.
03:46Então, os dois sempre incentivaram os estudos. Eu lembro, assim, da minha mãe levar a gente
03:54na escola, participar de todas as reuniões que tinham, eventos pros pais. A gente participava
04:02de feiras de ciência, feiras de empreendedorismo. Então, o meu ensino fundamental foi muito
04:08bacana. Eu realmente adorava passar tempo na escola e eu passava muito tempo lá porque
04:13a minha mãe e o meu pai trabalhavam o dia todo. Meu pai é engenheiro civil, ele trabalhava
04:20numa indústria de... Hoje é aposentado, mas ele trabalhava numa indústria de cosméticos
04:24em Trindade. Então, era uma hora de distância de onde a gente morava. Então, ele acabava passando
04:29o dia inteiro lá e voltava pra Goiânia no fim da tarde. A minha mãe tinha uma loja
04:34de sapatos, depois mudou pra uma loja de imóveis. Então, ela também passava muito tempo
04:39no trabalho. Então, acabava que eu e a minha irmã passávamos muito tempo na escola
04:44estudando. Eu lembro que desde o ensino fundamental eu dava monitoria pra outros estudantes.
04:49Já tinha aí um elemento de professora.
04:52Já tinha.
04:53Que seria turbinado ao longo dessa vida acadêmica. Como a gente vai ouvir mais adiante?
04:57Sim, eu lembro que o meu presente favorito foi um quadro de escrever. E aí, a minha
05:04tia me deu esse presente e a gente ficava brincando de ensinar, eu e a minha irmã gêmea.
05:08Então, eu foi... Realmente, eu sempre gostei muito de ensinar e de aprender.
05:12E aí, você prestou vestibular pra medicina?
05:15Prestei.
05:15E já tinha esse interesse desde cedo? Eu sou de família de médicos, eu sei que médicos
05:19muitas vezes, desde adolescente, já quer ser médico, já bota na cabeça aquilo, não
05:23muda mais. Você veio a mudar depois. Mas, nessa fase, era muito certo?
05:30Não. Não era certo. Inclusive, se conecta com o porquê que eu apliquei pra fora.
05:36Eu sempre estudei muito, sempre gostei muito da escola, de estudar diferentes matérias.
05:41Participei de olimpíadas científicas no ensino médio.
05:44Sabia que ia fazer uma faculdade, mas não sabia o que eu ia fazer.
05:49E eu passei quase todo o ensino médio sem ter muita clareza do que eu ia fazer.
05:53Achava que eu não queria direito, mas não sabia exatamente o que seria.
05:59E quando foi no meu terceiro ano, que aí eu tinha que decidir realmente que eu ia fazer
06:03o Enem e outros vestibulares, eu comecei a ver as opções.
06:07E aí, eu lembro que eu listei todos os cursos oferecidos pelas universidades públicas
06:12do país. E aí, eu fui pensando, ah, quais desses cursos eu gostaria de fazer no futuro?
06:18E aí, eu cheguei a uma lista um pouco menor, mas era assim, ah, gostava de ciências,
06:23então, me via fazendo algo próximo de biologia, química.
06:28Queria algo que me desse uma ampla gama de oportunidades.
06:33Eu achava que medicina era um desses cursos.
06:37E eu queria algo que me permitisse fazer pesquisa.
06:40Porque eu sabia que eu gostava muito de estudar, sabia que eu queria continuar estudando.
06:44E eu me via fazendo pesquisa, sendo professora.
06:46E eu gostava muito do cérebro, de estudar biologia.
06:49Então, eu pensei, ah, acho que medicina pode ser uma boa opção.
06:52Mas não foi uma decisão muito certeira.
06:54E aí, você passou para qual universidade?
06:57Eu passei para a medicina na UNB, pelo PAS.
07:00E também passei para a medicina na USP.
07:03Passei em quinto lugar pelo Enem.
07:05Passou em quinto lugar pelo Enem para a medicina na USP.
07:08E aí, a sua família queria que você ficasse lá?
07:11Queriam que eu ficasse.
07:13A minha família não tinha muita noção do que eu estava fazendo ao aplicar para fora.
07:17Então, eu lembro que eu estava, enquanto eu estava escrevendo as essays para fora,
07:22para aplicar para fora do país, a minha mãe me via fazendo aquilo.
07:26E ela perguntava, Sara, você não devia estar estudando para o Enem?
07:29E eu pensava, eu não sei, talvez eu devesse.
07:32Mas, aqui estou.
07:34Você já estava aplicando para fora antes mesmo de fazer as provas de vestibular?
07:38Já estava.
07:39Foi tudo meio simultâneo.
07:40Foi ao mesmo tempo.
07:41Foi no final do meu ensino médio, no terceiro ano.
07:44Então, eu optei por fazer os dois, mas a minha família achava que eu deveria ficar no país,
07:51porque era o que vinha sendo construído até então, de planos.
07:55Eles também não sabiam muito das faculdades de lá, conheciam de nome só Harvard mesmo.
07:59Então, acho que foi um pouco mais fácil de convencer eles a ir para Harvard do que outra universidade.
08:05Mas, fui questionada, sim, se eu não queria ficar mesmo fazendo medicina aqui no Brasil.
08:11E aí, quando você pensou em Harvard, você foi procurar na internet esses formulários de inscrição?
08:19Que tipo de vaga teria?
08:21Quais eram os requisitos?
08:23Foi simplesmente vasculhando os portais?
08:25Porque é até bom deixar claro para estudantes, para jovens que estejam assistindo a essa entrevista,
08:31que tem muitas oportunidades para a faculdade nos Estados Unidos que estão online.
08:35Sim, isso é super importante.
08:37Eu sempre gosto de falar porque foi o que mais me ajudou.
08:41Então, primeiro eu busquei no YouTube.
08:44Então, eu comecei a buscar como fazer para estudar nos Estados Unidos.
08:47Eu achava que os Estados Unidos eram mais próximos do Brasil.
08:50E dando um passo para trás, né?
08:52Por que eu comecei a olhar?
08:54Foi, um, essa questão de não me ver fazendo um curso só.
08:58Parecia que eu não me encaixava muito no sistema de ensino superior aqui do Brasil.
09:02E eu queria algo que me desse mais flexibilidade.
09:06E eu comecei a falar para as pessoas, comecei a reclamar quase, né?
09:10Eu me identifico muito com isso.
09:11Deixa eu fazer um parênteses.
09:13Não perde aí a sua linha de raciocínio, né?
09:15Mas eu até quando dou entrevistas também, quando estou no seu lugar, em podcasts, etc.
09:20Eu cito muito uma expressão que está no livro Minha Formação, do Joaquim Nabu,
09:25que foi o mais influente dos abolicionistas brasileiros.
09:27E ele, já depois de velho, ele fez um livro ali sobre toda a biografia, a biografia intelectual dele também.
09:34E ele falava da incompressibilidade dos interesses dele.
09:37Quer dizer que não podia comprimir, porque eram interesses muito amplos.
09:42E ele, como teve uma carreira política também, mas sempre foi mais intelectual do que político,
09:48ele falava que ele se sentia muito limitado pela política pequeno-partidária, como ele chama.
09:54Então, você tem que aderir à agenda do partido, você tem que focar naqueles problemas, muitas vezes, pequenos,
10:01fazer aquelas reuniões, assembleias, etc.
10:03E ele estava muito mais antenado com o drama humano contemporâneo universal.
10:08Então, os grandes acontecimentos do mundo daquela época, fossem em Paris, fossem em qualquer outro lugar, continente,
10:15ele, de repente, virava o olho e falava, esse é o grande drama da humanidade.
10:18Hoje, provavelmente, ele estaria com os olhos ligados na guerra, na faixa de Gaza, na guerra da Rússia contra a Ucrânia,
10:24em todos esses conflitos que a gente aborda aqui diariamente em um antagonista.
10:29Então, assim, eu na época de faculdade, sair da faculdade, de escolher o rumo também,
10:35eu ficava com isso, assim, tudo me parece muito específico.
10:39E eu queria ter uma abordagem mais ampla, ter um leque de possibilidades e tal.
10:44Aí, inventei isso de ser colunista, de ser cronista, de escrever, de ser jornalista,
10:50porque permite você falar de muitos assuntos.
10:52Mesmo dentro do mercado da comunicação, do jornalismo, você tem carreiras muito específicas.
10:57E eu falava, não vou ficar limitado a isso, porque eu quero essa abrangência.
11:01Então, de certa forma, você também procurou uma abrangência dentro, mais ou menos, dessa área.
11:05Sim, isso me faz pensar que se eu não seguisse carreira acadêmica, eu ia querer virar jornalista.
11:10Ainda tem, seria muito bem-vinda aqui, Sara Borges.
11:13Sim, eu gosto muito, assim, de poder explorar diferentes áreas do conhecimento
11:18e traçar suas próprias conexões, que eu acho que é algo que eles permitem que a gente faça lá fora
11:24muito mais, às vezes, do que aqui no Brasil.
11:27Então, esse foi um grande fator por eu começar a buscar isso lá fora,
11:31sem ter nenhuma noção de como que era o processo, se era possível.
11:35A única coisa que eu sabia das universidades dos Estados Unidos é que elas eram muito caras.
11:38Então, isso para mim já era um obstáculo.
11:42E eu tive a sorte de, primeiro, a minha irmã mais velha comentou,
11:46ah, por que você não olha universidades fora, então?
11:48E eu não sei se ela estava falando, brincando, assim, ah, já que você está tão frustrada
11:54com as opções que tem aqui no Brasil, por que você não olha algo fora?
11:57Mas eu levei a sério, eu comecei a buscar, eu busquei no YouTube, primeiro, como fazer para ajudar nos Estados Unidos.
12:05E eu encontrei histórias, né?
12:07Por isso que eu acho que é tão bacana o trabalho que você está fazendo de trazer a gente para compartilhar as histórias,
12:11porque foi assim que eu acabei lá, né?
12:14A ideia é essa, obrigado.
12:15Eu encontrei a história de uma menina que estava em Northwestern, com bolsa completa,
12:20também é uma universidade muito boa nos Estados Unidos.
12:22e eu achei aquilo incrível, nossa, você tem, você pode estar em uma universidade que te permite estudar o que você quiser,
12:30você recebe bolsa para isso, às vezes fica até mais barato do que estudar no Brasil,
12:35e você vive na universidade, você conhece gente do mundo inteiro,
12:39então eu pensei, nossa, essa é uma oportunidade que eu quero ter.
12:41E foi assim que eu comecei.
12:44E aí eu encontrei a Brasa, que foi fundamental também na minha trajetória,
12:49a Brasa, para quem não conhece, é uma organização de estudantes brasileiros que estudam no exterior.
12:54Começou nos Estados Unidos, mas hoje eles têm capítulos no mundo inteiro,
12:57eu acho que na Europa e na Ásia também.
12:59E eles oferecem mentorias gratuitas para quem quer estudar fora,
13:03você tem que passar por um processo seletivo.
13:05E eu tive de novo a sorte de ter encontrado isso uma semana antes, eu acho, das inscrições encerrarem,
13:11então eu mandei tudo ali correndo.
13:12E eu disse para mim mesma, se eu passar eu vou tentar, se eu não passar eu acho que vai ser muito difícil fazer isso sozinha.
13:19Tive a sorte de ser aceita e aí eu decidi seguir esse sonho.
13:22Comemorou muito?
13:24Demais, demais. Só depois da aceitação.
13:27E já era específico de biologia ou não? Era simplesmente o ingresso em Harvard?
13:31Era, você tem que indicar o curso em que você tem interesse,
13:35mas não é nada que você tem que se comprometer a fazer.
13:38Então eu indiquei que eu tinha interesse em neurociência e também em estudos sociais,
13:43que no final virou psicologia, eu acho que eu só não sabia que lá eles davam esse nome, né?
13:48Eu tinha ideia de que psicologia era só terapia, psicologia clínica, como é aqui no Brasil,
13:52o que não era exatamente o que eu queria fazer.
13:54Então eu acabei indicando essas preferências, mas você pode trocar depois, é realmente muito flexível.
13:59Acho que nesse primeiro momento eles só querem saber o que mais ou menos você estaria interessado em fazer na faculdade.
14:05Quer dizer, essa área está mais ligada nessa área de psicologia social.
14:10Nós inclusive conversamos lá em Harvard sobre o livro, que eu já recomendei várias vezes aqui,
14:14um antagonista do Jonathan Haidt, A Mente Moralista,
14:19que fala por que as pessoas se segregam tanto por causa de religião e de política,
14:24enfim, nesse tema mais sensível.
14:26Mas ele apresenta uma série de estudos ali que envolvem neurociência também,
14:30e que fala dessa psicologia das massas, dos grupos.
14:34Aliás, como uma professora que tem lá, a Sarah me indicou,
14:38e eu fui acompanhar a obra dela, tem vídeos excelentes no YouTube, a Mia Sicara,
14:44e ela fala a respeito dessa questão dos grupos,
14:47que é objeto presente no meu trabalho,
14:50sobre a adesão ali a determinados grupos,
14:54e como as pessoas começam a se comportar diferente,
14:56porque se julgam no grupo do bem contra o mal.
14:59Então, você tem uma professora em Harvard que aborda essas questões também.
15:03O que você destaca, assim, de aulas, cursos, professores,
15:08que chamaram a sua atenção,
15:10e tiveram ali alguma linha de interesse que você pode desenvolver mais adiante?
15:15Sim.
15:16Eu venho fazendo um projeto de pesquisa desde o meu primeiro ano,
15:19e já passei por três laboratórios de psicologia lá na faculdade.
15:23O primeiro que eu me interessei foi o laboratório da professora Mazarin Banaji.
15:30Ela é uma das maiores psicólogas sociais, eu diria,
15:33e o foco de estudo dela é implicit bias, né, ou viés implícito.
15:40Ela que cunhou esse termo e desenvolveu os experimentos
15:43que levaram a gente a entender o que é um viés implícito.
15:48E é basicamente essa ideia de que, sim, temos viés explícitos, né,
15:51aqueles que a gente reconhece e fala para outras pessoas que a gente tem,
15:55mas também existem viés implícitos, que às vezes nós mesmos não percebemos,
16:00mas por conta de associações que a gente acaba fazendo, né,
16:04o nosso cérebro é uma máquina de previsão.
16:07Então, naturalmente, à medida que a gente vai encontrando exemplos,
16:11a gente vai criando associações,
16:13e com isso a gente pode fazer essas associações automáticas,
16:16sem mesmo perceber.
16:19E eu achei aquilo muito interessante, né,
16:21ela realmente ampliou uma área ali da psicologia
16:24que não vinha sendo investigada até então,
16:27e que, inclusive, busca explicar por que que nós ainda vemos
16:32discriminação ou diferenças de tratamento
16:37para alguns grupos,
16:39sendo que quando você faz uma pesquisa de opinião,
16:41as pessoas não falam mais que elas têm qualquer tipo de preconceito
16:46contra esses grupos, né,
16:47então explica um pouco dessa divergência, né,
16:50do que a gente admite
16:51e o que, de fato, acaba acontecendo implicitamente.
16:55E...
16:56É, muitas vezes, ao expressar,
16:58a pessoa sabe que aquilo é negativo
17:01e ela rejeita,
17:02mas não quer dizer que ela, nas suas atitudes,
17:05não tenha, muitas vezes,
17:06uma conduta ruim,
17:08uma conduta que não seria adequada, né.
17:11Isso tudo é muito interessante,
17:12e, obviamente, o mercado da comunicação
17:14é repleto de sinais de viés explícito e implícito.
17:18Mas, continue.
17:19Uhum.
17:20É isso mesmo.
17:21E eu acho que o legal da pesquisa dela
17:24é que ela levou isso para o público.
17:26Então, hoje, ela tem um projeto
17:27que chama Outsmarting Implicit Bias,
17:30que busca divulgar essa pesquisa que ela fez
17:33e ajudar pessoas de cargos importantes
17:37a não tomarem decisões com base em viéses, né.
17:40Então, ela levou isso para cortes judiciais nos Estados Unidos, né.
17:43Pessoas que, caso elas deixassem incorporar esses viéses,
17:46seria muito ruim.
17:47Acabou que a longa...
17:48Ah, seria ótimo dar umas aulinhas aqui
17:50para os tribunais brasileiros.
17:52Eu acho que não tem muito jeito, não,
17:54porque eu acho que o problema é de outra natureza.
17:56Mas, se ela puder consertar,
17:58seria muito bem.
18:00Um recadinho rápido.
18:01Vamos ver se a gente consegue trazer a minha professora.
18:04Vamos organizar esses eventos.
18:06Mas, então, desde então,
18:08eu mudei um pouco de caminho,
18:10continuo muito interessada em psicologia social,
18:13fiz alguns projetos relacionados à desinformação,
18:16inclusive, tentando entender
18:18se tem algo que poderemos fazer,
18:20algum tipo de treinamento
18:21para as pessoas conseguirem identificar fake news
18:23antes mesmo de elas aparecerem,
18:27seja no feed da rede social ou em notícias.
18:31Temas quentíssimos do momento
18:33e que são de profundo interesse
18:35de um antagonista e cruzoé.
18:36Em breve, Sara Bosch vai estar colaborando com a gente.
18:39Adoraria, adoraria.
18:40Eu acho que tem muita coisa que pode ser feita
18:42e muita gente não sabe que tem esse lado da psicologia
18:44que trata desses temas que são tão relevantes atualmente.
18:47Então, fiz trabalho sobre isso,
18:50fiz trabalho sobre psicologia de mudanças climáticas, né,
18:52porque por que as pessoas têm tanta resistência
18:55em mudar comportamentos que ajudariam a resolver
18:57essas grandes questões climáticas.
19:00E, assim, eu acho que eu tenho um interesse muito grande
19:01pela psicologia.
19:02Eu acho que, no geral, eu sou muito interessada em saber
19:04por que as pessoas se comportam da forma como comportam,
19:08como que os grupos a quais elas pertencem
19:10ou a cultura onde elas estão inseridas
19:12afetam o comportamento ou como elas pensam.
19:16E isso acabou me levando à psicologia clínica,
19:19que no começo eu achava que eu não ia me interessar.
19:22Você vê como os caminhos, muitas vezes, são diferentes,
19:25mas acabam dando no mesmo lugar.
19:28Sim.
19:29Eu saí da medicina achando,
19:31não, não quero tratar doença, isso é muito difícil.
19:34E agora eu acho que é o que eu mais interesso
19:37dentro da psicologia,
19:38mas ainda assim com o viés social,
19:40de entender como que questões socioeconômicas,
19:43como que questões culturais
19:45acabam levando ao adoecimento,
19:47a questões de saúde mental,
19:51e então fazer essa interseção entre o que eu venho estudando até agora
19:53e o que eu acabei de encontrar dentro da psicologia clínica.
19:58Muito do que constitui a mente do indivíduo
20:01vem do ambiente cultural,
20:02e aí a pessoa muitas vezes acaba
20:05se apegando a frases feitas,
20:07a ideias que não fazem bem a ela
20:10na tomada de decisões pessoais,
20:12e isso eventualmente vai atrapalhando a sua saúde mental.
20:14Tem todo um universo aí
20:16a ser explorado em torno desse assunto.
20:18Agora, você está falando sobre questões
20:21que estão sendo estudadas, de fato,
20:23no mundo inteiro,
20:24já existe uma bibliografia a respeito disso,
20:27pesquisa acadêmica,
20:29o próprio jornalismo está focando nessa questão,
20:32tem discussões em tribunais
20:34sobre como lidar com isso,
20:36na internet, etc.
20:37Agora, você já conseguiu vislumbrar
20:39um caminho profissional para você?
20:42Quer dizer, como transformar isso
20:44numa iniciativa sua?
20:47Porque você falou que gosta de ensinar,
20:50gosta de ser pesquisadora.
20:52Agora, você já tem ali um caminho
20:54do que fazer realmente com essa profissão?
20:57Sim, com certeza.
20:58Acho que é a pergunta de ouro
20:59que eu estou me fazendo agora,
21:01indo para o meu último ano de faculdade.
21:04E, assim, eu gosto muito de pesquisa em si,
21:07de desbrandar o conhecimento
21:09e expandir a fronteira do que a gente conhece
21:12dentro dessa área.
21:14Mas eu acho muito importante também
21:15trazer isso para as pessoas,
21:17de alguma forma,
21:18aplicar todo esse conhecimento.
21:20Acho que por isso que eu me inspiro
21:22tanto nessa professora que eu mencionei
21:23que tem esse projeto de divulgação científica.
21:26Hoje, eu estou fazendo
21:27o meu projeto de tese,
21:29que seria o TCC aqui no Brasil,
21:32estudando uma coorte brasileira
21:35de quase 4 mil crianças
21:37que foram acompanhadas
21:39desde que elas tinham 6 anos
21:41até já a vida adulta,
21:44para entender como que esses fatores sociais,
21:47em particular o que eu vou focar
21:48é em estigma relacionado à saúde mental,
21:52afetam a progressão de sintomas
21:54mais tarde na vida delas.
21:57Então, já estou conseguindo trazer isso
21:59de volta para o Brasil.
22:00É uma corte brasileira
22:02e eu estou usando os recursos
22:03que eu tenho na universidade,
22:05o apoio do meu professor
22:06para traduzir dados em conhecimento.
22:10Os dados já estão lá,
22:11o que precisamos fazer agora
22:13é encontrar correlações,
22:15encontrar conexões que expliquem
22:16o que a gente está vendo nos dados.
22:18Qual foi a palavra?
22:18Você usou corte brasileira?
22:20Coorte brasileira.
22:21É um grupo...
22:22Esse é o termo que eu acabo,
22:23às vezes, usando...
22:24Porque corte remete a tribunal,
22:25mas não é disso que você está falando.
22:26Não, não.
22:27Boa...
22:27Bom ponto.
22:28Só para deixar claro.
22:30Coorte é o termo que eles usam
22:32para descrever grupos de estudo.
22:34Então, nesse caso,
22:35eles selecionaram crianças
22:37que estudavam aqui em São Paulo
22:40e em Porto Alegre
22:41para participarem desse estudo
22:43e essas crianças formaram
22:44a coorte brasileira
22:46que eles chamam de
22:46coorte brasileira
22:47de crianças de alto risco.
22:50Alto risco para desenvolverem
22:51algum tipo de transtorno mental.
22:53Então, são esses dados
22:54que eu vou usar.
22:55Estou fazendo umas parcerias
22:56com o pessoal da Unifesp
22:58e também com o meu supervisor em Harvard
23:00para estudar esses dados.
23:01Mas, então, eu gosto muito
23:02dessa área de pesquisa,
23:04mas eu já tenho planos
23:05para trazer isso para as pessoas
23:07e talvez disso tirar uma iniciativa.
23:10Eu acho que o interessante da pesquisa
23:12é que ela ilumina
23:13quais são fatores de risco
23:15e também fatores de resiliência.
23:16Então, o que leva uma pessoa a adoecer
23:19e o que pode proteger uma pessoa
23:21ou evitar o adoecimento.
23:23E uma vez que a gente tem esse conhecimento,
23:24a gente pode desenvolver tratamentos
23:26ou intervenções que enderecem
23:28esses fatores de risco ou de resiliência.
23:30E medidas preventivas.
23:31E medidas preventivas.
23:32E eu acho que isso tem aplicações
23:34tanto em políticas públicas
23:36quanto no setor privado,
23:37desenvolvendo realmente
23:38novas técnicas de tratamento.
23:42E eu estaria super interessada
23:44em, de alguma forma,
23:45seja criar um projeto
23:47ou então assessorar
23:48no desenvolvimento de políticas públicas
23:51voltadas à saúde mental
23:53ou até mesmo alguma empresa
23:56que vise a desenvolver tratamentos
23:58nesse sentido.
23:59Mas o que eu gosto mesmo
24:01é a pesquisa.
24:01Então, eu imagino que eu vou
24:02seguir fazendo pós-graduação,
24:04doutorado
24:05e aí, depois disso, né?
24:07É, ainda tem um longo caminho
24:09de qualificação
24:10porque ela gosta realmente
24:11de se qualificar
24:12e tem todo o potencial para isso.
24:14Agora, você já faz mentoria.
24:16Explica para a gente
24:17como é que funciona
24:18essa mentoria
24:18e é em relação a quê?
24:20A vestibulandos?
24:22Gente se preparando
24:23para vestibulares
24:25e outras provas
24:25aqui no Brasil?
24:26Sim, eu sou mentora
24:28desde que...
24:29Bom, como eu comentei
24:30para você,
24:31desde o ensino fundamental, né?
24:33Ajudando alguns colegas.
24:34Mas eu virei mentora
24:35oficialmente
24:36quando eu fui aprovada
24:37nos Estados Unidos
24:38e aí eu,
24:39sabendo do quanto
24:41foi impactante
24:41ser mentorada
24:42pela Brasa,
24:43eu ingressei na HBS,
24:45que é uma organização
24:46de alunos
24:47que estudam em Harvard,
24:48em todas as escolas,
24:50não só na graduação.
24:52E eu sou mentora.
24:53Por lá,
24:54a gente oferece
24:54mentorias gratuitas,
24:56existe um processo
24:56de aplicação
24:57para quem quer estudar
24:58nos Estados Unidos.
24:59Mas eu acho que existe
25:01uma demanda anterior
25:02a essa
25:02de pessoas que sonham grande,
25:04que têm a capacidade,
25:06que são dedicadas
25:07na escola
25:07a saberem quais são
25:08os caminhos que existem
25:09e como que eu faço
25:10para manejar tudo isso, né?
25:12Que foi a posição
25:13em que eu senti
25:14que eu estava ali
25:15no ensino médio.
25:16Eu era muito dedicada
25:17à escola,
25:17queria fazer coisas grandes,
25:19mas não sabia muito
25:20o que eu poderia fazer,
25:21que vestibular expressar,
25:23onde aplicar, né?
25:24Além de todo o processo
25:26que tem vários componentes.
25:28Então,
25:29eu e a minha irmã gêmea
25:30que faz medicina
25:31aqui na USP,
25:32ela acabou ficando,
25:33nós entramos na mesma turma,
25:34eu fui para a Harvard,
25:35ela ficou aqui.
25:37Nós criamos um projeto
25:38juntas
25:39para ajudar pessoas
25:40que querem
25:40ou fazer vestibular
25:43aqui no Brasil,
25:44os vestibulares mais competitivos,
25:46ou então aplicar para fora, né?
25:47Eu ajudo mais
25:48na parte de aplicar para fora,
25:49ela ajuda mais
25:49na parte de ficar
25:51aqui no país.
25:52Qual é o nome dela?
25:53Sofia.
25:54Sofia.
25:54Sofia Borges.
25:56E ela, inclusive,
25:57foi aceita
25:57para um programa também
25:59em Harvard,
25:59então a gente vai estar
26:00juntas ano que vem,
26:01ela vai estar na...
26:02Que dupla, hein?
26:03Ela vai estar na Faculdade
26:04de Saúde Pública.
26:06E ela é igualzinha a você, Sarah?
26:07Olha,
26:08eles falam que o médico errou,
26:10porque
26:10a gente não é
26:12univitelina,
26:13mas a gente é muito parecida.
26:15Então,
26:15só vendo para dizer,
26:16eu acho que a gente é diferente,
26:18mas todo mundo fala
26:18que nós somos muito parecidos.
26:20Agora,
26:21pessoal do meu Rio de Janeiro,
26:23juventude,
26:23que está na praia,
26:24nos mega eventos,
26:25olha só tudo
26:26que a Sarah já fez,
26:28ainda está terminando
26:29a graduação
26:30em Harvard
26:30e olha só
26:32toda a
26:33trajetória dela,
26:35quantos afazeres
26:36ela já tem,
26:37quanto ela busca.
26:38Vamos lá, hein, pessoal?
26:39Vamos correr atrás.
26:40Tem aquele vídeo
26:41que é muito bom,
26:42é sobre
26:43muita gente
26:45especial
26:45que realizou
26:46grandes obras
26:47e que não sabia
26:48até determinada idade
26:49o que que ia fazer.
26:51Isso tudo é verdade.
26:52Agora,
26:52vale a pena buscar,
26:54vale a pena
26:54tentar descobrir
26:55exatamente qual é
26:57a sua vocação,
26:58correr atrás
26:59e realizar,
27:00porque a vida
27:01passa muito rápido.
27:02Então,
27:03vamos aqui
27:03usar esses exemplos
27:05para nos inspirar também.
27:07Agora,
27:08além de tudo isso
27:09que a Sarah fez,
27:10ela também,
27:11dentro desse intercâmbio,
27:12que é
27:13você ganhar uma bolsa,
27:14estudar em Harvard,
27:15ela conseguiu outro intercâmbio ainda
27:17para estudar em Oxford,
27:18no Reino Unido.
27:20Conta para a gente
27:20como é que foi
27:21essa experiência.
27:22Eu acabei de voltar,
27:23inclusive,
27:23cheguei tem duas semanas.
27:26Foi uma experiência incrível.
27:27Eu acho que
27:28essa foi
27:29uma das razões também
27:30porque eu decidi
27:31aplicar para fora.
27:31Lá eles têm
27:32várias oportunidades
27:33de você ir para outros países
27:34e eu sabendo
27:35do tanto que eu já tinha
27:36aprendido
27:37estando ali
27:37em outro país,
27:38eu pensei,
27:38ah, poxa,
27:39eu tenho que
27:39abraçar essa oportunidade.
27:42Então,
27:42acabei aplicando.
27:44Você tem que fazer
27:45um outro processo seletivo
27:46específico
27:48para a Universidade
27:48de Oxford
27:49e passei
27:50por esse processo seletivo
27:51no ano anterior.
27:52Fui aceita
27:53para fazer um semestre lá.
27:54Então,
27:54eu passei
27:55desde janeiro
27:56até junho
27:56estudando lá
27:57como uma aluna comum.
27:59Então,
27:59eu morava
27:59em um dos colégios,
28:01jantava,
28:02almoçava
28:03com os alunos de lá
28:03e fazia os tutoriais,
28:05que são as aulas,
28:07como eles chamam
28:07as aulas de lá.
28:08E foi uma experiência...
28:09Dentro da mesma área?
28:10Eu acabei explorando
28:12algumas áreas diferentes também,
28:14porque lá,
28:15como aluna visitante,
28:15eu tinha muita flexibilidade.
28:17Eu fiz aulas de psicologia clínica,
28:20fiz matemática
28:21e algumas aulas de sociologia também.
28:24E como é que a computação
28:25entra nessa história toda?
28:27É um interesse
28:27por se manter antenada,
28:29moderna,
28:30ou tem algum link secreto
28:32com a área de psicologia social?
28:34Tem um link secreto
28:35e muita gente me faz essa pergunta
28:37porque eles acham
28:38que são dois opostos.
28:40Eu acho que faz sentido mesmo.
28:41mas como o meu interesse
28:43é em pesquisa
28:45e desenvolver técnicas avançadas
28:47de você processar dados
28:49e transformar esses dados
28:50em respostas concretas,
28:53a computação tem muito a ajudar.
28:55Então, os projetos de pesquisa
28:56que eu venho fazendo na faculdade
28:57fazem uso de bases de dados gigantes
28:59e a gente usa de programação,
29:02de análises estatísticas
29:04para processar esses dados.
29:06Então, tem sim uma conexão
29:07entre os dois.
29:09Eu acho isso fascinante
29:10porque eu prego
29:11essa visão holística
29:13desde sempre também
29:15na minha carreira,
29:15em crônicas,
29:16em conversas com os amigos
29:18porque eu acho que
29:19essas pessoas vão afunilando
29:20o conhecimento
29:21e elas vão transformando
29:23a realidade
29:24nesse bloco acadêmico
29:28de áreas específicas,
29:30elas vão distorcendo a realidade
29:32porque no mundo
29:33é tudo junto e misturado.
29:35Então, você precisa ter
29:36ferramentas de diversas áreas
29:38para conseguir se aprofundar
29:41em uma.
29:43E desde a escola
29:44que empurrava assim
29:45quem é de raciocínio lógico
29:47para as exatas.
29:48E aí, depois,
29:50eu que comecei a fazer
29:51faculdade de engenharia
29:52e depois mudei
29:53para ter outra carreira,
29:55não, mas eu tenho
29:56raciocínio lógico aqui,
29:57mas é fundamental
29:58para escrever um texto,
29:59para arquitetar
30:00as informações.
30:02Então, você tem aí
30:03essas misturas
30:04que precisam ser exploradas,
30:06senão as pessoas vão ficando
30:07mecanizadas,
30:08robotizadas.
30:09E eu tenho uma tese
30:10ainda mais profunda,
30:11mais amalucada,
30:12que isso prejudica
30:12até o futebol brasileiro.
30:14A seleção brasileira
30:14acabou eliminada
30:15aí da Copa Média
30:16e eu tenho há muito tempo
30:17uma tese
30:18que está todo mundo
30:18mecanizado.
30:19Então, o lateral,
30:20ele só joga como lateral.
30:21Então, a gente está deixando
30:22de formar jogadores completos
30:23e a gente precisa formar
30:25pessoas profissionais
30:26em todas as áreas
30:27mais completos.
30:29Vamos ver se a Sara
30:31me ajuda nessa campanha.
30:33Melhorar não só a academia,
30:35mas também o futebol brasileiro.
30:37Exatamente.
30:39Desburocratizar.
30:40Aqui no bom sentido,
30:41sentido mais amplo.
30:42Agora, conta um pouco
30:43da sua rotina lá em Harvard.
30:45Você joga vôlei,
30:47não é isso?
30:47Joga vôlei, sim.
30:48Eu me lembro que você falou
30:49em determinado momento.
30:50faz academia,
30:51quer dizer, transita lá.
30:53Existe essa liberdade.
30:54Assim como tem a liberdade
30:55para você escolher disciplinas
30:57de áreas diferentes
30:58do que eu acho extraordinário,
31:00você não tem um horário
31:02tão pesado de aulas.
31:04Acho que me parece,
31:06a minha impressão
31:07de quem ouviu vocês
31:08quando esteve lá
31:09é de que existe
31:10uma cobrança de resultado,
31:12mas ao mesmo tempo
31:13eles te dão a liberdade
31:14para trilhar o seu caminho
31:16e entregar aquilo
31:17da maneira como você achar
31:20que vale, né?
31:21Sim, eu acho que lá
31:22a gente tem muito mais tempo
31:23fora da sala de aula.
31:25Então, esse foi, inclusive,
31:27um dos fatores mais difíceis
31:28de transição,
31:29porque eu estava acostumada
31:30no ensino médio
31:31a ficar o dia inteiro na escola
31:32e quando comecei a faculdade
31:34eu vi que eu ia ter
31:35muito tempo livre,
31:36mas eu acho que é um pouco
31:36enganador,
31:38porque na verdade
31:38não é tempo livre, né?
31:39É tempo que você tem que usar
31:40fazendo as leituras
31:42para a próxima aula,
31:43estudando para as provas
31:45ou fazendo as tarefas
31:46que tem toda semana.
31:47Então, é muito mais tempo
31:50de autoestudo,
31:51assim, self-learning,
31:52do que estudo
31:54dentro da sala de aula.
31:55Mas, óbvio,
31:56que dentro desse tempo livre
31:57você não está só estudando, né?
32:00Eu acho que o mais comum
32:02é mesmo que você faça
32:03várias atividades extracurriculares,
32:04se envolva com projetos
32:06fora da sala de aula,
32:08fora até mesmo do seu curso.
32:09E eu também abracei
32:11as oportunidades.
32:11Então, a Brasil Conference
32:13é um exemplo, né?
32:14Eu venho trabalhando na ABC
32:15desde o meu primeiro ano
32:16em diferentes iniciativas.
32:19E eu acho que você
32:19aprende muito também
32:20por meio desses projetos, né?
32:22Como você está falando,
32:22desenvolver,
32:23se desenvolver holisticamente, né?
32:25Eu acho que uma coisa
32:26é você aprender
32:26só o conteúdo ali
32:27dentro da sala de aula
32:28e outra coisa é você aplicar,
32:29desenvolver comunicação,
32:31como se relacionar
32:32com outras pessoas.
32:33E eu acho que,
32:34para isso,
32:34você tem que fazer
32:35esses projetos
32:36fora da sala de aula.
32:37Então, é algo que eu encorajo
32:38até quem está no ensino médio,
32:40quem está pensando em aplicar.
32:41É um fator que eles buscam
32:43na hora de aceitar os estudantes,
32:45o que é algo bem diferente
32:46daqui do Brasil,
32:47em que eles levam em consideração
32:48somente as provas.
32:50Então, acaba que os estudantes
32:51que chegam lá também
32:52já estão acostumados
32:53a desenvolver projetos,
32:54participar de organizações.
32:56E eu venho participando
32:57de algumas iniciativas
32:58desde que eu comecei.
32:59Mas também gosto muito de esporte,
33:01então faço vôlei,
33:02jogava vôlei lá em Goiânia
33:03e entrei para um grupo de trilha.
33:06Essa foi nova porque...
33:07Trilha?
33:08Trilha.
33:08Para quem conhece Goiânia
33:10é totalmente plano.
33:11Mas em Goiânia,
33:11não lá em Boston.
33:12Lá em Boston.
33:13Lá em Boston tem trilhas para fazer?
33:15Tem muitas trilhas.
33:16Isso é um programa muito carioca,
33:17eu faço bastante.
33:18Trilha, cachoeira.
33:19Então, tem que trazer os cariocas,
33:21acho que eles iam gostar.
33:22Só é bem frio, né?
33:23Acho que essa é a grande diferença.
33:25Mas vamos...
33:27Quase todo semestre
33:28tem sim trilhas.
33:30A ideia é levar os alunos
33:32para experiências na floresta.
33:34Então, a gente geralmente dirige
33:36até New Hampshire,
33:37que é um estado vizinho.
33:39E lá tem muitas montanhas.
33:41Então, é muito legal.
33:42A gente tira geralmente
33:43um dia ali no final de semana
33:44para fazer isso,
33:45que é realmente difícil
33:46dado a rotina de estudos.
33:48Mas é um tempo de descontração
33:50e também de conhecer outras pessoas.
33:52Então, foi super legal
33:54também aproveitar esse outro lado
33:56da universidade
33:57que eu não tinha experienciado até então.
33:59E duas questões,
34:01agora encaminhando para o final.
34:02Primeiro que eu perguntei
34:03para o Matheus também,
34:04só para os jovens
34:04terem uma noção.
34:06Você ganha uma bolsa
34:07e você ganha um quarto
34:09lá na faculdade,
34:10num prédio,
34:11no qual você fica
34:12durante toda a sua graduação?
34:15Sim.
34:15Lá no college
34:16é diferente de pós-graduação.
34:19Então,
34:19quando eu falo college,
34:20é graduação,
34:21os estudantes que foram lá
34:22fazer faculdade.
34:24Para quem tem bolsa,
34:25você recebe,
34:27basicamente,
34:28todos os cursos
34:28são cobertos pela universidade.
34:30Então,
34:30desde alimentação,
34:32passagem aérea,
34:33o quarto,
34:34como você falou,
34:35as taxas da universidade,
34:37tudo é coberto pela bolsa.
34:39Bandejão é bom?
34:41Olha,
34:41isso é controverso.
34:43Bem controverso.
34:44Eu acho que é ótimo,
34:45assim,
34:45você tem várias opções,
34:46tem salada,
34:47eu acho que isso que é importante,
34:48você ter várias opções.
34:49Mas é menos saudável,
34:51eu diria que no Brasil.
34:52Então,
34:52comida daqui
34:53continua sendo melhor.
34:54mas o quarto
34:56aí é diferente
34:57do primeiro ano
34:57para os demais.
34:58Então,
34:58no primeiro ano,
34:59todos os alunos
35:00do primeiro ano
35:01moram no Yard,
35:02que é o jardim,
35:03inclusive,
35:04que a gente passou por lá
35:04durante o tour.
35:06Eles moram em prédios,
35:07a ideia é começar a criar
35:08uma comunidade
35:09de alunos do primeiro ano.
35:10Você começar a formar
35:11suas primeiras amizades.
35:13E todo mundo
35:13almoça e janta
35:15no mesmo refeitório,
35:17que é reservado
35:18para os alunos
35:19do primeiro ano.
35:20E aí,
35:20uma vez que você passa
35:21para o segundo ano,
35:22você é designado
35:22uma casa.
35:23Então,
35:23para os fãs de Harry Potter,
35:24eu nunca tinha assistido
35:26antes de chegar lá,
35:27então,
35:27não sabia muito bem,
35:28mas é bem parecido.
35:30Então,
35:30você tem as diferentes casas
35:31e você é designado
35:33uma casa para morar
35:34durante os próximos
35:35três anos.
35:35A graduação lá
35:36tem quatro anos.
35:37E aí,
35:38você fica morando
35:39num dormitório
35:39dentro dessa casa,
35:41que na verdade
35:41são grandes prédios,
35:42cada uma tem
35:43quatrocentos alunos.
35:44E a ideia é formar
35:46ali uma subcomunidade
35:48dentro da universidade.
35:49E aí,
35:49cada casa
35:50tem sobre biblioteca,
35:52tem seu refeitório.
35:54A minha é Kirkland,
35:55é que eu falo
35:55que é a melhor,
35:56mas muita gente
35:56vai falar que não é.
35:57Então,
35:57tem uma disputa ali
35:58também entre as casas.
36:00Mas é um ambiente
36:00muito legal,
36:01você acaba conhecendo
36:02vários outros alunos.
36:03É,
36:03é muita experiência humana,
36:04a gente vê até
36:05pela sua articulação
36:07o quanto que você
36:08já adquiriu
36:09de habilidade social,
36:11tendo que lidar
36:12com tantas pessoas
36:14do exterior,
36:15tendo que lidar
36:15com curso
36:16em outra língua.
36:17A gente cresce,
36:18a gente amadurece,
36:19evidentemente.
36:19E a Brasil Conference,
36:21como é que foi
36:21essa experiência
36:22de organizar?
36:23Você organizou
36:24principalmente
36:25aquela parte
36:26dos cientistas brasileiros.
36:28Eu cheguei a comentar
36:29aqui com o Matheus Farias
36:30também
36:31sobre a dificuldade
36:33de fazer pesquisa
36:35científica no Brasil
36:36e como
36:36é o caso
36:37da Ana Paula
36:38que usa a cafeteira
36:40para resolver
36:41questão de poluição
36:42no oceano.
36:43Quer dizer,
36:43tem um quê de improviso
36:45na ciência brasileira.
36:46e você pensou
36:48vários profissionais
36:50e acabou reunindo lá.
36:52Conta para a gente
36:52como foi essa experiência.
36:53Sim, foi uma experiência
36:54fantástica.
36:55Eu diria assim
36:55que uma das minhas
36:57melhores experiências
36:58na universidade
36:59até agora
36:59foi ter liderado
37:01o programa
37:01ao lado do Matheus
37:02e no ano interior
37:03eu ajudei a conceber
37:04o programa
37:05ao lado do Gabriel
37:07e de todo um time
37:08ali que pensou
37:09em como valorizar
37:10a pesquisa nacional.
37:12Eu acho que
37:13olhando para trás
37:14é até incrível
37:14pensar que
37:15a gente faz essa conferência
37:17em Harvard e MIT
37:18para celebrar
37:20a academia
37:21a ciência
37:22trazer essas conexões
37:23mas ainda não tinha
37:24um programa
37:25para os pesquisadores brasileiros.
37:27Então a ideia
37:27assim que ela surgiu
37:28foi muito natural
37:29que deveria acontecer
37:30e justamente
37:32o intuito
37:34era valorizar
37:35esses pesquisadores
37:35que mesmo
37:37diante dessas dificuldades
37:38mesmo às vezes
37:39sem o reconhecimento
37:40ou até mesmo
37:41com o ataque
37:42de alguns setores
37:44continuam fazendo
37:45pesquisa de qualidade
37:46eles dizem pesquisa
37:47de altíssimo nível
37:48assim das universidades
37:49de fora mesmo
37:51mas que não é reconhecido
37:52então o papel
37:53do programa
37:54é reconhecer
37:54e incentivar
37:55pessoas que querem
37:56fazer pesquisa
37:57e em quais áreas
37:58é tecnologia
37:59o que?
38:00Todas as áreas
38:01então
38:01ano passado
38:03nesse ano
38:04na verdade
38:05nós tínhamos
38:06pesadores
38:07de várias áreas
38:07diferentes
38:08desde
38:08bioquímica
38:10tinha
38:11nas ciências sociais
38:12psicologia
38:13tínhamos também
38:15trabalhadores
38:15pesquisadores
38:17que trabalhavam
38:17com fome
38:19então assim
38:20são várias áreas
38:21todas as áreas
38:21que são abraçadas
38:22pela CAPS
38:23aqui no Brasil
38:24e pelo CNPq
38:26e a ideia
38:27é trazer
38:28diversidade
38:30então a gente sabe
38:30que não existe
38:31pesquisa só em ciência
38:32não existe pesquisa só
38:34tipicamente as pessoas
38:35pensam física
38:36biologia
38:37matemática
38:37mas existe pesquisa
38:39em várias áreas
38:40e a ideia é celebrar
38:41todas essas áreas
38:42dentro do programa
38:43então era uma das nossas
38:44vertentes
38:45trazer essa diversidade
38:46essa representatividade
38:47para conseguir
38:48inspirar pessoas
38:49que tem interesses
38:50diferentes
38:50e você vai estar
38:51na organização
38:52ano que vem
38:52sobre a presidência
38:53de Matheus Farias
38:54então o Matheus
38:56quer me trazer
38:57para a conferência
38:57mas eu tenho
38:59muitas outras
38:59responsabilidades
39:00agora no meu último ano
39:01então acho que vai ser
39:02difícil pelo menos
39:03tomar um papel
39:04de liderança
39:04só de ouvir aqui
39:05a gente já ficou
39:06assim como que dá
39:07conta disso tudo
39:08talvez seja melhor
39:09dar uma passadinha
39:10lá como visitante
39:12como quem conhece
39:13todo mundo
39:13deixar os outros
39:14organizarem dessa vez
39:15focar nos estudos
39:17exato
39:17acho que eu vou
39:18de alguma coisa
39:18tem que abrir mão
39:19tem
39:20infelizmente não tem
39:21como fazer tudo
39:22eu já tentei
39:23mas não tem
39:23então acho que o jeito
39:25vai ser
39:26eu gostaria
39:26de continuar ajudando
39:28de alguma forma
39:29mas com certeza
39:30não com um papel
39:31de liderança
39:32tão ativo
39:32quanto eu tive
39:33esse ano passado
39:34e Sarah
39:35só um recado final
39:36para jovens brasileiros
39:37que pensam
39:38em se qualificar
39:38no exterior
39:39quer dizer
39:40vale a pena
39:41está valendo
39:42muito a pena
39:43toda essa
39:43sua experiência
39:45você sente
39:46a bagagem
39:46que você está
39:47construindo
39:48o que você diria
39:49com certeza
39:50eu acho que
39:51existem trajetórias
39:52e trajetórias
39:53pode ser que
39:54não seja o caminho
39:55certo para você
39:56mas eu diria que
39:57dado o que eu falei
39:59dado as outras histórias
40:00que vocês conhecem
40:01se vocês se interessam
40:02pela flexibilidade
40:05pela oportunidade
40:06de conhecer pessoas
40:06do mundo inteiro
40:07pelas oportunidades
40:08de estudar
40:09em outros países
40:10eu acho que
40:11vale a pena tentar
40:12existem programas
40:13de apoio
40:14existem pessoas
40:15que estão dispostas
40:16a auxiliar
40:17durante o processo
40:18então
40:18mesmo que no final
40:19você descubra
40:20que o que você quer
40:21é ficar no país
40:22o que eu acho
40:23que existem
40:23opções muito boas
40:25no Brasil também
40:25acho que a gente
40:26não pode desconsiderar isso
40:28mas eu acho que
40:29para quem
40:29gerou essa pulga
40:30atrás na orelha
40:31que talvez seja
40:32para mim
40:32eu acho que vale a pena
40:33tentar
40:33e buscar
40:34principalmente
40:35essas fontes
40:37de apoio
40:37que foram tão
40:38importantes para mim
40:39eu acho que
40:39são muito importantes
40:40no geral
40:41para quem aplica
40:42então encorajo
40:43se visarem de mim
40:44eu também
40:45como eu disse
40:46eu sou mentora
40:47então
40:47fico à disposição
40:48para ajudar
40:49quem tem interesse
40:50eu tive o privilégio
40:53de conversar aqui
40:53com Sara Borges
40:55estudante brasileira
40:56de Harvard
40:57ela faz psicologia
40:58mas também estuda
40:58ciência da computação
41:00já fez esse intercâmbio
41:02agora em Oxford
41:03cheia de história
41:04para contar
41:05a primeira estudante
41:06de Goiânia
41:07a fazer esse curso
41:08de graduação
41:09em Harvard
41:09e como bolsista
41:11muito bem
41:12muito obrigado
41:13pela sua participação
41:14aqui no Antagonista
41:15nessa temporada
41:16em São Paulo
41:17daqui a pouco
41:17volta de novo
41:18para lá
41:18obrigada
41:19foi um prazer
41:20quanto tempo falta
41:21para você terminar
41:22a Harvard?
41:23falta um ano
41:24eu termino em maio
41:25e tem planos
41:27de ficar nos Estados Unidos
41:28Oxford
41:29Brasil
41:29depois?
41:30olha
41:31acho que eu vou continuar
41:33ou nos Estados Unidos
41:34ou na Inglaterra
41:35eu acho que eu vou continuar estudando
41:37porque tem muita coisa ainda
41:38para aprender
41:38mas amo muito o Brasil
41:41estou sempre envolvida
41:42com essas iniciativas
41:43que de alguma forma
41:45tentam trazer
41:45algo de volta
41:46para o país
41:47então quem sabe
41:48minha família toda está aqui
41:49eu acho que eu tenho
41:49grandes motivos
41:50para voltar
41:51maravilha
41:52essa é a nossa série
41:53de entrevistas
41:53com estudantes brasileiros
41:55de destaque no Brasil
41:56e no exterior
41:57cruzoé
41:58quem ainda não assinou
41:59em cruzoé.com.br
42:00você consegue a assinatura
42:01a gente vai fazer
42:02uma reportagem especial
42:03com esses casos
42:05todas essas histórias
42:06e lembrando também
42:07que o nosso programa
42:08Papo Antagonista
42:09de segunda a sexta-feira
42:10às 18 horas
42:11está na TV
42:11no canal 579 da Vivo
42:13563 da Claro
42:14além do Sky Mais
42:15e aqui no nosso canal
42:17de Youtube
42:17de O Antagonista
42:18continuem acompanhando
42:19o nosso trabalho
42:20no portal antagonista.com.br
42:22na revista
42:22e nos nossos programas
42:24audiovisuais
42:24até a próxima
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