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Transcrição
00:00Oi, eu sou Vitor Martins e esse é mais um Cruzoé Entrevistas.
00:11Hoje eu converso com Sueli Araújo, ex-presidente do IBAMA
00:14e especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima.
00:18Sueli, muito obrigado por nos atender.
00:20É um prazer estar aqui com vocês, Vitor.
00:23Certo. Sueli, os últimos dias foram marcados pelo embate entre o IBAMA,
00:28que está sob o guarda-chuva do Ministério do Meio Ambiente
00:31e o Ministério de Minas e Energia, por causa de uma licença negada pelo IBAMA
00:38à Petrobras sobre a perfuração de poços no Foz do Amazonas.
00:43Primeira coisa, eu queria te perguntar o que nós sabemos sobre o meio ambiente
00:46na região do Foz do Amazonas, o que tem nesses recifes
00:50e o governo está tomando medidas apressadas em relação a isso?
00:55Bom, vamos lá.
00:57A Foz do Amazonas é uma região bastante sensível,
01:01ela é uma das cinco bacias sedimentares da nossa margem equatorial.
01:07E o governo vem investindo, vem assumindo,
01:14mais especificamente a Petrobras vem assumindo,
01:17que essa é uma grande fronteira para a expansão da exploração de petróleo no país.
01:23em 2018, eu mesma, como presidente do IBAMA,
01:28neguei uma licença que pegava cinco blocos da empresa total,
01:32na mesma região, numa área bem próxima do bloco 59,
01:37que está causando essa confusão toda.
01:41É preciso entender que a região é muito pouco estudada,
01:47ela é bastante complexa em termos de correntes marítimas,
01:51a Petrobras, se obtiver a licença,
01:56terá que trabalhar com correntes muito mais fortes do que ela está acostumada,
02:01as condições naquela região são bem diferentes
02:04das condições da Bacia de Santos ou da Bacia de Campos,
02:08e qualquer exploração na região tem que ser feita com muita atenção,
02:16e você tem que fazer, na verdade, o que está faltando fazer
02:21é uma avaliação ambiental de área sedimentar,
02:24um estudo regional e não bloco a bloco.
02:28Nós temos que entender o impacto potencial dessa expansão do petróleo
02:33naquela região de uma forma mais macro,
02:36porque, sim, podemos estar impactando uma biodiversidade enorme,
02:43há danos para a fauna, há danos para o fitoplânton,
02:48para o zooplânton, que são aqueles pequenos seres na superfície
02:52que são carreados pela água,
02:55há alterações na qualidade da água esperadas,
02:59isso tudo se não ocorrer um acidente,
03:02porque, em caso de acidente, as condições de gerenciamento
03:05de conseguir conter o óleo são muito complicadas naquela região.
03:10Em cerca de 10 horas ou menos do que isso,
03:13pela modelagem, pela modelagem entregue pela própria Petrobras,
03:17o óleo, em caso de acidente, atingiria águas internacionais,
03:22águas da Guiana Francesa.
03:25Então, é realmente uma situação bastante peculiar,
03:30com características especiais,
03:33e até agora a Petrobras não demonstrou que o empreendimento é viável.
03:39Assim como a Total, em 2018, quando eu estava no Ibama,
03:42também não demonstrou viabilidade do empreendimento.
03:48Em relação à questão do sistema recifal,
03:51ele pega uma região grande, na verdade,
03:53bastante grande, e esse sistema recifal,
03:58ele não foi estudado como deveria ser.
04:02E aquilo tudo é uma área única no mundo,
04:05porque você dificilmente vai encontrar situações
04:09com o rio, com o porte do Amazonas,
04:12jogando uma grande quantidade de sedimentos no local,
04:16na região toda, influenciando a região toda,
04:18e você, mesmo assim, tendo uma biodiversidade
04:24que se sabe que é muito grande.
04:26Não são condições únicas,
04:27são condições bastante preciosas em termos de...
04:32Nós devemos ter atenção em termos de conservação da biodiversidade.
04:36O que diz a Petrobras, né?
04:42Fala que o Bloco 59 estava apto para ser overtado, licenciado,
04:47o que leva a concluir que os desafios sinalizados
04:50eram todos tecnicamente superáveis.
04:52Então, essa parte da logística, tudo,
04:56não vai na mesma direção, né?
04:59Não, é isso que está no processo.
05:02Eu acho importante chamar a atenção
05:04que o Ibama, ele é o que dá licenças no offshore, né?
05:09Então, nós temos, assim, perfurados
05:12mais de 2 mil locais na nossa costa toda,
05:16e tudo isso foi licença Ibama, né?
05:19Não produzindo, produzindo é menos,
05:20porque, na verdade, só uma pequena parte do que é perfurado
05:24é encontrado óleo em quantidade suficiente
05:26para a futura produção.
05:28Então, o Ibama já dá licenças para Petrobras
05:32e outras petroleiras o tempo todo.
05:35Então, de vez em quando,
05:37o Ibama tem situações em que ele não pode conceder.
05:41A questão da logística, em caso de acidentes,
05:44é sempre um problema complicado na Foz do Amazonas.
05:48Nós estaríamos explorando petróleo longe do apoio,
05:54na verdade,
05:55e o apoio que você consegue manter,
05:58assim, sistematicamente, ao longo,
06:01perto da exploração,
06:03ele não vai dar conta de gerenciamento de acidentes.
06:06É isso que tem sido demonstrado no processo.
06:10O porto que faria o atendimento
06:12de eventuais acidentes,
06:15está a 800 quilômetros,
06:16é o porto de Belém, né?
06:18Então, é bastante complicado
06:21liberar a exploração de petróleo
06:24naquela área específica.
06:27E é isso que vem demonstrando
06:29as análises do Ibama,
06:31não só nesse processo,
06:32como nos outros processos também.
06:35O ideal mesmo seria
06:37realizar a avaliação ambiental de área sedimentar,
06:39suspender esses licenciamentos todos, né?
06:42Os outros licenciamentos,
06:44porque o da 59 foi rejeitado,
06:46a menos que a Petrobras consiga
06:48alguma coisa no pedido de reconsideração
06:51para o presidente do Ibama,
06:52que eu acho muito pouco provável.
06:55O parecer do Rodrigo Agostinho
06:56está muito consistente,
06:58está claro, está técnico, né?
07:01Então, eu acho pouco provável
07:02que haja reversão dessa situação.
07:05Mas há outros empreendimentos
07:08sendo licenciados
07:09na margem equatorial como um todo.
07:11O ideal seria
07:12a suspensão desses licenciamentos
07:16para a realização
07:18de uma ou mais avaliações
07:20de áreas sedimentares,
07:21pode ser que sejam cinco,
07:23uma em cada bacia da margem equatorial,
07:25para o país ter certeza
07:27de quais são as áreas aptas
07:30à produção de petróleo,
07:32as áreas não aptas,
07:33e as áreas que têm que ser colocadas
07:35em moratória
07:36para estudos futuros.
07:38É isso que a avaliação ambiental
07:40de áreas sedimentares faz.
07:41Quem faz esse estudo
07:43é o governo,
07:44não é a Petrobras.
07:46E esse estudo
07:46deveria ter sido realizado
07:48na Foz do Amazonas
07:49antes dos leilões,
07:51antes da oferta pública.
07:53Isso é previsto
07:54na nossa legislação
07:55desde 2012.
07:58Tem uma portaria interministerial
07:59que coloca a avaliação ambiental
08:01de áreas sedimentares como regra.
08:03E nós ignoramos isso.
08:06Tem basicamente dois casos
08:08só de avaliação ambiental
08:09de áreas sedimentares realizadas
08:10para petróleo
08:11no Brasil,
08:14que é um offshore
08:15e outro offshore.
08:16Mas ali na região da Foz
08:18isso não foi feito.
08:20Como não foi feito
08:21nas bacias vizinhas
08:22da Foz,
08:23ali na margem.
08:25Então, nós temos que parar,
08:26na minha opinião,
08:27fazer a avaliação ambiental
08:29de áreas sedimentares
08:30e achar quais são as áreas
08:33aptas para a produção.
08:34Vamos dizer que o presidente
08:35do IBAMA
08:36tivesse concedido essa licença.
08:39Num estudo maior,
08:40você poderia chegar à conclusão
08:42de que aquela área
08:43não é apta para a exploração
08:45de petróleo.
08:46A tentativa de exploração
08:48tem que estar em outros locais.
08:50Então, esse estudo
08:51ele é ignorado
08:53na prática.
08:55Se faz,
08:57se usa um dispositivo
08:58transitório
08:59que tem na portaria
09:00que fala
09:01enquanto não houver
09:02avaliação ambiental
09:04de área sedimentar,
09:05pergunta aí
09:05para o IBAMA
09:06e para o ICMB
09:06ou para o Ministério
09:07do Meio Ambiente
09:08se eu posso leiloar.
09:10Isso é colocado
09:11na portaria
09:12como questão transitória.
09:14Isso há dez anos atrás
09:15e se tornou regra.
09:16tem um problema jurídico
09:18aí, a regra
09:18é realizar a avaliação
09:20e eu acho que o governo
09:21está dando um tiro no pé
09:23todos os governos,
09:24não é este governo.
09:26O governo brasileiro
09:27está dando um tiro no pé
09:29quando não faz
09:30essa análise regional
09:31porque se fizesse
09:33os leilões sairiam
09:34com muito mais
09:35segurança jurídica
09:36e provavelmente
09:37o valor arrecadado
09:39nos leilões
09:40seria maior.
09:43Agora,
09:44falar sobre a MP
09:44da Esplanada,
09:45queria perguntar
09:47o Ministério do Meio Ambiente
09:48da Marina Silva
09:49está sendo esvaziado?
09:50O esvaziamento
09:51do Ministério do Meio Ambiente
09:53e Mudança Climática
09:54é o nome oficial
09:55do Ministério agora
09:56colide com toda
09:59a narrativa
09:59do presidente Lula
10:00desde a campanha presidencial.
10:03O presidente Lula
10:04assumiu
10:04clima
10:05e meio ambiente
10:06de uma forma ampla
10:07como pontos centrais
10:09da sua narrativa política,
10:10das suas propostas
10:11de políticas públicas
10:13e tem viajado pelo mundo
10:14e ele tem que fazer isso
10:16arrecadando recursos
10:18para programas
10:19socioambientais.
10:21Quando nós esvaziamos
10:22o Ministério do Meio Ambiente
10:24como o Congresso
10:25pretende fazer,
10:27nós estamos,
10:28na verdade,
10:28querendo incluir
10:30essa proposta
10:31do governo Lula
10:32que foi construída
10:34durante a campanha,
10:35principalmente depois
10:37da adesão
10:37da ministra Marina Silva.
10:38é como se o Congresso
10:41estivesse passando
10:42um recado,
10:44nós somos contra
10:45todos esses programas
10:48que vocês estão falando
10:49de proteção do meio ambiente,
10:50é isso que eles estão falando,
10:52porque o Cadastro Ambiental Rural
10:54ele foi criado
10:56em 2012
10:57na lei florestal,
10:59no Código Florestal,
11:01principalmente
11:01para controlar
11:02o desmatamento,
11:02é um cadastro técnico,
11:05é um cadastro
11:06com dados sofisticados,
11:08com mapas,
11:09com georreferenciamento,
11:11com informações
11:12que o Ministério
11:14mais burocrático,
11:15que o Ministério de Gestão,
11:17porque é para lá
11:17que eles querem colocar,
11:19não vai saber
11:19o que fazer com aquilo.
11:21A partir do Cadastro Ambiental Rural
11:23são planejados
11:25todos os programas
11:26ligados à floresta
11:28no Ministério do Meio Ambiente,
11:30a partir do CAR
11:32também se faz
11:33o planejamento
11:34da fiscalização
11:34e para mim
11:36é o que eles querem
11:37viabilizar.
11:38Querem viabilizar
11:39embargos remotos,
11:41fiscalização remota,
11:43porque parte da fiscalização
11:45hoje
11:45é feita em escritório
11:47com imagens de satélites
11:48cruzando com os dados do CAR.
11:50e a ideia
11:53para mim
11:55do Centrão,
11:57da parte arcaica
11:59do Congresso
12:00que tem uma visão
12:02de que a política ambiental
12:03atrapalha,
12:04a ideia deles
12:05é principalmente
12:06atrapalhar a fiscalização ambiental.
12:09E aí está
12:09muito complicado,
12:11porque o governo Lula
12:12tem assumido
12:13compromissos internacionais
12:15de que o desmatamento
12:16vai cair,
12:17tem tomado medidas fortes
12:18nesse sentido,
12:19a fiscalização
12:20está fazendo
12:21tudo o que pode,
12:22os números fiscais
12:23hoje
12:23é muito pequeno,
12:24precisa crescer,
12:25mas eles estão fazendo
12:26tudo o que eles podem
12:27para reforçar
12:29as ações de fiscalização
12:31e se você tirar
12:32o controle do CAR
12:33do Ministério
12:34do Meio Ambiente,
12:35tudo isso pode estar
12:36em risco.
12:37O CAR esteve
12:38no Ministério da Agricultura
12:39no governo Bolsonaro
12:40e ficou estacionado
12:42por quatro anos,
12:42não houve evolução
12:43no sistema do CAR.
12:44E qual a capacidade
12:47da Marina
12:48de resistir
12:48a essas pressões
12:49do Centrão,
12:50dessa aula do Congresso
12:51citada?
12:53Bom,
12:54o governo,
12:55o Poder Executivo
12:56tem que estar
12:57com a Marina também,
12:58isso é importante.
13:00Nós vimos
13:00nas votações
13:02que ocorreram,
13:03o governo,
13:04por exemplo,
13:05liberando bancada,
13:07foram uma série
13:08de votações,
13:09não só da medida
13:10provisória
13:10em 154
13:12na comissão mista.
13:13foi um dia
13:15e noite
13:15de terror
13:16onde o meio ambiente
13:17perdeu todas.
13:20Nesses processos,
13:22eu entendo
13:24que o governo
13:25deveria ter sido
13:26mais incisivo
13:27no sentido
13:29de lutar
13:30contra
13:30o que estava
13:32sendo feito
13:32em termos
13:33de perdas
13:35na legislação ambiental.
13:37Perdas
13:38efetivas
13:40ou
13:40futuras,
13:42porque o processo
13:43vai continuar
13:44como no PL 490.
13:46Mas eu entendo
13:47que o governo,
13:48a liderança do governo
13:49no Congresso,
13:51a liderança na Câmara,
13:52no Senado,
13:54a Casa Civil,
13:56a Secretaria de Governo,
13:57todos têm que atuar
13:58com mais força
13:59na linha
14:00do que a ministra
14:02Marina Silva
14:03defende.
14:03Isso é importante.
14:04É importante
14:05porque
14:06quem está
14:07coerente
14:08com as propostas
14:09do governo Lula
14:10que estão sendo
14:12espalhadas
14:13internacionalmente,
14:14divulgadas
14:15todos os dias,
14:16quem tem
14:17coerência com isso
14:18é a ministra
14:19Marina Silva.
14:20O que ela está
14:20defendendo
14:21é o que está escrito
14:22que o país
14:23ia fazer
14:24quando o presidente
14:25Lula foi eleito.
14:26E o presidente Lula
14:27tem mantido
14:28esse discurso.
14:30Então,
14:30cabe ao governo
14:32essa coerência
14:34com essas propostas
14:36que colocam
14:38o meio ambiente
14:38no centro
14:39do governo.
14:40A gente tem
14:41que demandar isso.
14:42Esse dever
14:42da sociedade civil
14:44é dever
14:44dos cidadãos.
14:45O presidente Lula
14:46foi eleito
14:47prometendo
14:47fazer tudo isso.
14:50Nós não podemos...
14:51O governo
14:52tem problemas
14:53de base
14:54no Congresso,
14:54isso é evidente.
14:55Acho que
14:56qualquer um
14:57que acompanha
14:58o Congresso
14:58sabe disso.
15:00Nós precisamos
15:02garantir
15:02governabilidade.
15:03o governo
15:06por exemplo
15:06precisou
15:07votar lá
15:08o arcabouço fiscal.
15:10Não vou nem
15:11entrar em críticas
15:12ao arcabouço fiscal
15:13porque
15:13não é o tema.
15:16Mas o governo
15:17precisa
15:17de
15:19conseguir
15:20vitórias
15:21no Congresso,
15:23mas para isso
15:24ele não pode
15:24vender a pauta
15:25ambiental,
15:26ele não pode
15:26ou ser omisso
15:28ou liberar.
15:30Eu entendo
15:31que pela centralidade
15:32de meio ambiente
15:33nas propostas
15:34do governo Lula,
15:35o governo tem
15:35que ser ativo
15:36e sim
15:38se movimentar
15:39dentro do Congresso
15:40para garantia
15:41de que não
15:43haja
15:44retrocessos
15:45na política
15:46ambiental,
15:47na política
15:47climática.
15:48Meio ambiente
15:49está em mais
15:49de 20 ministérios
15:51do governo Lula
15:51como tarefas
15:52e a centralidade
15:53é muito clara.
15:56Não dá
15:56para
15:56colocar
15:57tudo isso
15:58como
15:59na organização,
16:00nas tarefas
16:01de cada um
16:02dos órgãos
16:02governamentais
16:03e depois
16:04deixar
16:05a legislação
16:06ser flexibilizada.
16:08Quer dizer,
16:08nós não podemos
16:10ter derrotas
16:11no governo Lula
16:13sobre esse tema
16:13inadmissível.
16:15E na sua avaliação,
16:16o Brasil
16:16precisa aumentar
16:17a exploração
16:18de petróleo?
16:19O Lula tem falado
16:19em investir
16:20em refinarias,
16:21faz sentido isso?
16:23Bom,
16:24aí eu queria,
16:26é importante até
16:26essa pergunta
16:27porque nós temos
16:28que separar os debates,
16:29uma coisa
16:30é uma negação
16:31de licença
16:32do Ibama
16:33que faz isso,
16:35o Ibama
16:35dá muito mais licença
16:37do que rejeita
16:37e a análise
16:39é absolutamente técnica,
16:40o Ibama
16:40não está falando
16:41que é contra
16:42petróleo,
16:43ele não tem
16:43esse poder.
16:44A discussão
16:45de política energética
16:46é uma discussão
16:47dos ministérios,
16:48do presidente,
16:48da população.
16:51O processo
16:51do Ibama
16:52é um processo
16:53normal,
16:54técnico,
16:55que ocorre
16:55todo dia
16:56e quando eu neguei
16:57os cinco blocos
16:59da Total,
16:59a reação negativa
17:01durou dois ou três dias
17:02só.
17:03Agora fizeram
17:04um terremoto político
17:05por causa
17:06de uma negativa
17:06do Ibama,
17:07sendo que ele
17:08dá mais de mil
17:10e tantas licenças
17:11de perfuração
17:12na costa toda.
17:12Então,
17:13não faz sentido
17:14politizar a licença
17:15do Bloco 59,
17:17esse é o primeiro ponto.
17:18Agora indo
17:18para a política energética
17:20e aí esquecendo
17:21o Ibama,
17:22nós estamos
17:23em plena
17:24crise climática,
17:26nós temos
17:27que caminhar
17:28para a descarbonização
17:29e não
17:30para a carbonização.
17:32O Brasil
17:33tem condições
17:35de se tornar
17:35uma liderança
17:36mundial
17:37em termos
17:38de caminhar
17:39para uma situação
17:40de país
17:42carbono negativo.
17:44O Observatório
17:45do Clima
17:45defende
17:46que o Brasil
17:46consegue se tornar
17:48carbono negativo
17:49até 2045.
17:51Ele seria
17:52o primeiro
17:52grande país,
17:53a primeira
17:54grande economia
17:55que atingiria
17:57esse patamar.
17:58Ele tem que fazer
17:59isso controlando
18:00o desmatamento,
18:01o desmatamento
18:02é a maior fonte
18:03de emissões
18:04de gás
18:04de efeito estufa
18:05no país,
18:06ele tem que fazer
18:07isso transformando
18:09a nossa agropecuária
18:10em agropecuária
18:11de baixo carbono
18:12e tem que fazer
18:13isso tentando
18:15preservar
18:16a nossa matriz
18:17energética,
18:18a nossa matriz
18:18elétrica,
18:19que tem condições
18:21favoráveis
18:22em relação
18:23a grande
18:23parte dos países,
18:24principalmente
18:25a matriz
18:25elétrica.
18:27Nossa
18:27eletricidade
18:28é gerada
18:29preponderantemente
18:30por energia
18:31renovável
18:32e nós não
18:32podemos piorar
18:33isso.
18:34Em termos
18:34de matriz
18:35energética
18:37e aí pegando
18:38a questão
18:38do transporte
18:39rodoviário,
18:40que aí sim
18:40tem bastante
18:41emissões,
18:42nós temos
18:43que priorizar
18:44a descarbonização,
18:47falar em expansão
18:48de exploração
18:49de petróleo
18:49em plena crise
18:51climática,
18:52com as informações
18:52que nós temos
18:53de que a crise
18:54já chegou,
18:55é só abrir
18:56os jornais,
18:56só abrir as redes
18:57sociais,
18:58um dia
18:59chove demais,
19:01em outra parte
19:04do mundo
19:04está com seca,
19:05outro é calor
19:06intenso,
19:07outro é frio
19:07intenso,
19:08mas o mundo
19:08está aquecendo
19:09na média
19:10numa velocidade
19:11que nunca ocorreu.
19:13E o painel
19:14intergovernamental
19:15da ONU
19:15sobre mudança
19:16do clima
19:16diz que nós
19:17temos que dar
19:18um jeito
19:18nisso,
19:19é agora,
19:20a crise
19:21já está
19:21posta,
19:22nós temos
19:24nesse cenário,
19:25nós temos
19:25que caminhar
19:26para medidas
19:26fortes
19:27na linha
19:28de descarbonização,
19:29a Petrobras
19:30tem que se tornar
19:30uma empresa
19:31de energia
19:32e não apenas
19:32uma petroleira,
19:34sempre vai haver
19:34um nível
19:35de exploração
19:36de petróleo,
19:37mas ele tem
19:37que ser mantido
19:38no mínimo possível,
19:39o mundo
19:40por questões
19:41de sobrevivência
19:42tem que achar
19:43outras alternativas
19:44e o Brasil
19:45tem essas alternativas,
19:47o Brasil
19:48tem um potencial
19:48enorme
19:49e já usa
19:51na questão
19:51da eólica,
19:52existem alguns
19:53problemas sociais
19:54que têm sido
19:55debatidos
19:55nos empreendimentos
19:56eólicos,
19:56mas eles podem
19:57ser resolvidos,
19:59todos os empreendimentos
20:00na área de energia
20:00têm que ser feitos
20:01cuidando
20:02da questão
20:03da justiça social,
20:05da interferência
20:06com as comunidades,
20:07mas nós temos
20:08um potencial enorme
20:10em eólica,
20:11em solar,
20:12em outras fontes
20:14renováveis,
20:15nós temos que priorizar
20:16tudo isso
20:17e ser um país
20:18que lidera
20:19tudo isso
20:19e a Petrobras
20:20tem uma importância
20:21grande,
20:22pode exercer
20:23uma liderança
20:24no sentido
20:25de estabelecer
20:26um cronograma
20:27na linha
20:27da descarbonização.
20:29E aí o pessoal
20:30pergunta,
20:31mas esse petróleo
20:32é para exportar?
20:33Sim,
20:34mas o petróleo
20:34para exportar
20:35vai ser queimado
20:36em algum país
20:37e nós não estamos
20:39em condições
20:40no mundo
20:40de fazer isso.
20:42houve colocações
20:46na imprensa
20:47em eventos
20:48também
20:48na linha
20:49de que o Brasil
20:50quer ser
20:51o último
20:52grande vendedor
20:53de petróleo
20:54no mundo,
20:55porque a tendência
20:55é o preço
20:56do petróleo
20:57cair
20:57depois de 2030.
21:00O mundo
21:01não vai poder
21:02ter tanto fóssil,
21:04tanta queima.
21:05Então,
21:06o termo
21:08utilizado
21:09foi
21:09aquele que vai
21:12ficar lá
21:13em pé
21:13antes que todo mundo
21:14vai morrendo
21:15só sobre ele.
21:16É isso.
21:17É inadmissível
21:17que isso seja
21:18o modelo
21:19de alavancagem
21:21econômica
21:22que o país
21:22vai adotar.
21:23O nosso futuro
21:24não pode estar
21:25no petróleo.
21:26O nosso futuro
21:27tem que estar
21:29na proteção
21:30dos nossos recursos
21:31naturais,
21:33na geração
21:34de renda
21:35com a floresta
21:36em pé.
21:37Nós temos
21:38condições
21:38de fazer isso.
21:40Nós realmente
21:40estamos
21:41numa situação
21:42privilegiada
21:43em relação
21:43à maior parte
21:45dos países
21:45no sentido
21:46de caminhar
21:47para a descarbonização.
21:49E a aposta
21:50é que o Brasil
21:50pode e deve
21:52fazer isso.
21:53O petróleo,
21:54eu não estou dizendo
21:55que a Petrobras
21:56tem que ser extinta.
21:57A Petrobras
21:58tem que liderar
21:59uma campanha,
22:00se transformar
22:01numa empresa
22:01de energia
22:02e liderar
22:03uma campanha
22:04no sentido
22:05da descarbonização
22:06progressiva,
22:08da redução
22:09progressiva
22:10do uso
22:10de petróleo.
22:12E ainda
22:13nesse sentido,
22:14o governo
22:14ontem anunciou
22:15um plano
22:16para paratear
22:17os carros
22:18populares
22:18e queria saber
22:20qual a sua avaliação
22:20do impacto
22:21ambiental
22:22disso.
22:22Eu apoio
22:27fortemente
22:29a ideia
22:29de que o país
22:31precisa se
22:32reindustrializar.
22:34A indústria
22:35brasileira
22:36sofreu
22:36muito
22:37nos últimos
22:38anos
22:38e precisa
22:40se reerguer.
22:41Agora,
22:41eu tenho sérias
22:42dúvidas
22:42se esse
22:43é o caminho.
22:44Em termos
22:45mesmo de
22:46mobilidade
22:46urbana,
22:48quando você
22:48lota
22:49a cidade
22:50de carros,
22:50você está
22:52atrapalhando
22:53aquele usuário
22:53do transporte
22:54coletivo,
22:55do ônibus.
22:56Então,
22:57se for
22:57para investir
22:58subsídios
22:59governamentais
23:00na área
23:01de transporte,
23:02que investam
23:03no transporte
23:05coletivo,
23:06seja o ônibus,
23:07seja o metrô,
23:09é isso que tem
23:10que ser,
23:10as cidades
23:11têm que ser
23:11planejadas
23:12para que o
23:13transporte
23:13coletivo
23:14seja
23:15prioritário.
23:17Então,
23:17eu
23:18assim,
23:19entendo
23:20o que
23:22fomenta
23:23esse tipo
23:23de proposta,
23:24mas não tem
23:25como concordar,
23:26a prioridade
23:27não pode ser
23:28o transporte
23:28individual.
23:30É,
23:30o modelo
23:30adotado
23:31nos países
23:31desenvolvidos
23:32é justamente
23:32priorizar
23:33o transporte
23:34coletivo,
23:34né?
23:35Isso,
23:35é isso,
23:36é esse o caminho.
23:37Já que o governo
23:38vai subsidiar,
23:39que subsidia
23:40aquilo que
23:40realmente é
23:41importante.
23:42Certo.
23:43Agora,
23:43voltando para a
23:44questão da Petrobras
23:45e Ibama,
23:46esse embate
23:48resultou na saída
23:50do Randolfo
23:50Rodrigues,
23:51do senador
23:51Randolfo
23:52Rodrigues,
23:53da rede.
23:55Como você
23:56viu essa saída,
23:58o ponto de vista
23:59dele,
23:59de defender,
24:00né,
24:01de defender,
24:01nesse caso,
24:02a Petrobras?
24:03O senador
24:03Randolfo
24:04está atuando
24:05com olhar
24:05para a questão
24:06do Amapá
24:07especificamente,
24:09mas tem
24:10uma distorção
24:11nisso tudo.
24:13O debate
24:14sobre o bloco
24:1559,
24:17tem sido
24:17colocado
24:18como se
24:19a produção
24:19de petróleo
24:20fosse
24:20iniciar
24:21imediatamente.
24:22Isso está
24:22longe de ser
24:23verdade.
24:25Nós estamos
24:25lá na fase
24:26de perfuração,
24:27a licença
24:28que foi solicitada
24:29é de perfuração.
24:31Na perfuração,
24:32a Petrobras
24:33vai furar
24:35para ver se
24:35tem petróleo
24:36e se tem
24:36petróleo
24:37em quantidade
24:37suficiente.
24:39Na grande
24:39maioria dos casos,
24:41a resposta
24:42é que não
24:43vai ter.
24:44Colocando a
24:45exploração
24:45de petróleo
24:46como atividade.
24:47A perfuração
24:48gera
24:50produção
24:53na verdade
24:54na minoria
24:54das situações.
24:55Isso é no mundo
24:56inteiro.
24:57No mundo inteiro
24:59um pequeno,
25:00um pouco mais
25:01de 20%,
25:02se não me engano,
25:03dos que você
25:04perfura,
25:05você realmente
25:06chega à fase
25:06de produção.
25:07Então,
25:07você não sabe
25:08se vai ter
25:08petróleo lá.
25:09Existem pesquisas
25:11preliminares
25:12que mostram
25:13que tem chance,
25:14mas vai encontrar
25:16o petróleo,
25:17vai produzir
25:17agora,
25:18isso é tudo
25:19inverídico.
25:21Eles vão fazer
25:22a perfuração,
25:23vão ver se tem
25:23o petróleo
25:24e se tem
25:24petróleo
25:25em quantidade
25:25suficiente
25:26para entrar
25:27em produção.
25:28Essa é a fase
25:28que se está.
25:29Se der tudo
25:30certo,
25:31se o IBAMA
25:31tivesse concedido
25:32a licença,
25:33tivesse petróleo,
25:34se tiver petróleo
25:36lá,
25:37entre essa fase
25:38e você começar
25:40a produzir,
25:41a espera média
25:43é de seis anos,
25:44porque,
25:44na verdade,
25:45você tem
25:47depois uma fase
25:48de licença
25:48de produção
25:49e os equipamentos
25:51que vão ser usados
25:52para a produção
25:53têm que ser fabricados,
25:54eles são feitos
25:55para o local.
25:57Então,
25:57recursos mesmo
25:58para a comunidade,
26:00eles só viriam
26:01depois de 2030,
26:02isso no bloco 59
26:03que é o que está
26:04com o licenciamento
26:05mais adiantado
26:06na fosta.
26:07O petróleo
26:07produzido naquela região
26:09vai ser produzido
26:09lá entre 2030
26:11e 2040
26:12e olhe lá.
26:13E você,
26:14aí o questionamento
26:15assim,
26:16se vende
26:17para a população
26:18uma expectativa
26:20de receita,
26:21de ganho,
26:22de renda,
26:23que é inverídica.
26:25Isso em si só
26:26é um grande impacto
26:28social desse processo
26:29todo.
26:30Você teria que deixar
26:31claro tudo isso.
26:33E quando você vê
26:34as colocações
26:35do presidente
26:36da Petrobras,
26:37do ministro das Minas
26:38Energia,
26:39dá a sensação
26:40como se os recursos
26:41para a comunidade
26:42do Amapá,
26:43para o Pará,
26:45fossem brotar
26:46no dia seguinte
26:48da licença
26:48de perfuração.
26:50Isso é muito ruim,
26:51é preciso esclarecer
26:52o que realmente
26:53está sendo licenciado.
26:56Certo.
26:58Bom,
26:58muito obrigado.
26:59Conversei aqui
27:00com a Sueli Araújo,
27:01que é ex-presidente
27:01do IBAMA,
27:02especialista sênior
27:03em políticas públicas
27:05do Observatório do Clima.
27:06agradeço pela sua participação
27:09aqui na Cruz Ué
27:10e um bom fim de semana.
27:12Eu que agradeço,
27:13Vitor.
27:13Obrigado.
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