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Fernando Haddad reduz pressão sobre BC e diz que há “gordura” para cortar na taxa básica no Brasil
O Antagonista
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00:00
Pessoal, vamos seguir então com o noticiário aqui.
00:02
Olha só, hoje a gente vai seguir nessa toada do noticiário econômico,
00:06
porque teve uma repercussão muito grande durante o fim de semana,
00:09
que dois bancos quebraram nos Estados Unidos,
00:13
quebraram num período muito curto de 48 horas.
00:17
O Fed, que é o Banco Central americano,
00:19
tomou algumas medidas para tentar mitigar os impactos dessa quebra dos dois bancos,
00:25
mas fato é, isso tem repercutido bastante no mundo
00:28
e aqui no Brasil também esse assunto foi repercutido
00:32
com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que falou sobre esse assunto.
00:36
Vamos ver o que diz Fernando Haddad hoje.
00:38
Creio que assim, não há, hoje eu diria,
00:42
pouco espaço para o aumento da taxa de juros no mundo
00:44
e diria que tem uma gordura no Brasil
00:48
que permite a nós, tomando as providências que estão sendo tomadas
00:53
e que vêm sendo reconhecidas pelo Banco Central
00:56
nas atas que ele divulga, eu penso que nós temos aí um espaço
01:02
que o mundo não tem.
01:05
Qual é o limite que você tem prudencial para aumentar juros
01:09
sem desorganizar a economia como um todo,
01:13
o setor produtivo,
01:14
a quebradeira que pode adivir de um descasamento das carteiras e tudo mais.
01:20
E aí tem setores dizendo, olha,
01:23
vai chegar uma hora que você vai esbarrar nesse limite
01:27
e você vai ter mais dificuldades de buscar o centro da meta
01:33
num período muito curto.
01:38
Fernando Haddad, nesse mesmo evento,
01:40
também falou sobre a possível queda da taxa de juros
01:43
e voltou a pressionar o Banco Central.
01:46
Vamos ver o que ele disse.
01:46
Eu não sei se ele vai gerar uma crise sistêmica.
01:49
Aparentemente, não.
01:51
Eu não vi ninguém ainda
01:53
tratar desse episódio como um Lehman Brothers.
01:58
Mas o fato é que
02:00
é grave o que aconteceu.
02:04
O Fed agiu no final de semana
02:05
e nós vamos ver ao longo do dia,
02:08
por isso que eu vou ter que acompanhar isso.
02:10
O Roberto Campo deve estar voltando
02:12
do BIS para pilotar aqui o Banco Central.
02:15
para você ver
02:16
se a autoridade monetária no Brasil
02:20
vai ter que tomar alguma providência
02:22
em virtude dos efeitos
02:26
sobre as economias periféricas.
02:32
Está aí, gente.
02:33
Na verdade, os trechos foram invertidos, está, pessoal?
02:36
Só explicando para o pessoal de casa aí.
02:38
Nosso primeiro...
02:39
Nessa última fala agora,
02:41
a Fernanda Haddad falou sobre o impacto
02:43
da quebra desses dois bancos nos Estados Unidos.
02:46
E na primeira fala ali,
02:48
que a gente trouxe o recorte da primeira fala,
02:50
ele falou sobre a situação dos impostos,
02:54
da queda de juros, na verdade,
02:56
e pressionou mais uma vez o Banco Central.
02:59
Quero ouvir meus colegas
03:00
sobre essa fala de Haddad hoje aí,
03:03
mais uma vez, então,
03:05
pressionando o Banco Central
03:06
sobre a queda da taxa de juros.
03:08
Graia, quero começar contigo.
03:10
Pode ser?
03:10
Pode.
03:14
Enfim, é muito mais suave
03:17
a pressão agora
03:19
do que ela vinha acontecendo.
03:22
É muito mais cuidadosa.
03:25
Ainda existe a insistência
03:27
para que o Roberto Campos Neto
03:30
interfira na taxa de juros,
03:34
para que o Copom mude ali a sua orientação.
03:38
Mas é muito menos bruta
03:40
do que aquela que o Lula vinha fazendo.
03:45
Ele fala que tem uma gordura,
03:48
enfim,
03:49
não diz que tem que baixar,
03:51
como o Lula vinha fazendo.
03:54
Eu tenho confiança que
03:56
a análise do Banco Central
03:59
vai continuar sendo técnica.
04:01
Eu não acho que tem...
04:03
Se eles já passaram
04:05
por toda a pressão,
04:06
por todo o jogo
04:07
corporal pesado
04:10
que o Lula fez,
04:11
sem ceder,
04:13
não é com essa abordagem
04:15
um pouco mais mansa,
04:16
mais comedida,
04:17
mais ponderada
04:18
do Haddad
04:19
que eles vão
04:20
fazer alguma coisa
04:22
que contrarie
04:23
a convicção deles
04:25
e os números
04:26
que eles compilam.
04:28
Então, eu acho que
04:29
é melhor ver
04:31
esse tipo de dinâmica
04:34
da fala do Haddad
04:35
do que aquela coisa
04:36
quase
04:38
de
04:40
torcer o braço
04:42
da instituição
04:43
que o Lula
04:43
vinha fazendo.
04:44
Eu acho que
04:45
esse tipo de fala
04:46
expressa um desejo,
04:49
mas o desejo
04:50
não vai ser...
04:51
o Banco Central
04:52
não vai ceder
04:53
se achar
04:53
que não tem margem
04:54
de fato
04:55
para fazê-lo.
04:58
Rodrigo Oliveira,
04:59
quero te ouvir.
05:01
Bom,
05:01
Kenzo,
05:02
o que acontece
05:04
a partir de agora?
05:05
O que aconteceu hoje
05:06
no mercado?
05:07
As taxas de juros
05:08
lá nos Estados Unidos
05:09
que a gente
05:09
vinha numa discussão
05:10
se ia aumentar
05:11
0,25,
05:12
0,50,
05:12
despencaram
05:14
o dois anos
05:14
que é
05:15
os títulos
05:17
com vencimento
05:17
em dois anos.
05:19
Eles tiveram
05:19
uma queda
05:19
no dia
05:21
que é a maior
05:21
queda desde
05:22
1900 e bolinha
05:23
que é comparável
05:27
lá
05:27
àquele dia
05:28
do Lehman Brothers
05:29
lá,
05:29
o 15 de setembro
05:30
de 2008.
05:32
E naquela época
05:33
que aconteceu
05:33
logo em seguida,
05:34
para a gente ter
05:35
um retrato histórico.
05:37
São momentos diferentes,
05:38
é importante a gente
05:39
ter isso em mente,
05:40
são motivos
05:42
diferentes,
05:43
mas os efeitos
05:44
podem ser parecidos.
05:45
Três meses depois,
05:46
mais ou menos,
05:47
o FED começou
05:48
a baixar os juros,
05:49
então o que você já vê
05:49
na curva de juros,
05:51
que como eu falei,
05:52
semana passada
05:52
a gente estava
05:53
discutindo
05:54
no mercado financeiro
05:55
se o FED aumentaria
05:57
em 25 ou 50 pontos base,
06:00
0,50 ponto percentual
06:02
lá na taxa básica
06:03
de juros.
06:04
Hoje,
06:05
já está se discutindo
06:06
se ele corta
06:07
agora em março
06:08
ou se ele vai cortar
06:09
em maio
06:09
os juros por lá,
06:11
para não,
06:11
porque o que aconteceu?
06:13
O FED
06:14
e toda a regulação
06:16
norte-americana
06:17
estava brigando
06:18
a guerra passada,
06:20
que era uma guerra
06:20
de crédito
06:21
e ninguém se atentou
06:23
para os juros,
06:24
para o nível de juros
06:25
e o que acabou
06:26
pressionando os bancos
06:27
foi a subida
06:28
muito forte dos juros.
06:30
A gente tinha
06:30
e teve um,
06:31
e isso é tão interessante
06:33
que você teve
06:34
um momento parecido
06:35
com isso
06:35
lá na Inglaterra,
06:37
naquele evento
06:40
da List Trust
06:40
que durou menos
06:41
que um alface
06:42
e os juros
06:45
subiram tantos
06:46
que quase quebraram
06:48
os fundos
06:49
de pensão
06:49
britânicos.
06:50
Por quê?
06:51
Porque a gente
06:51
está vivendo
06:52
num mundo
06:53
que nos últimos
06:53
10, 15 anos
06:54
o juro parece
06:56
que sempre seria
06:57
próximo de zero.
06:59
Então,
06:59
quando o juro
06:59
começou a subir
07:00
nesses países,
07:02
eles não estavam
07:02
preparados para isso,
07:03
a regulação
07:04
não via isso
07:05
como um problema
07:06
e por isso
07:07
que o FED está
07:07
dizendo agora
07:08
que vai ter que rever
07:09
toda essa parte
07:10
de fiscalização
07:11
deles
07:12
para poder
07:13
trazer
07:14
novos elementos
07:16
de fiscalização.
07:18
O que no Brasil
07:19
a gente tem hoje?
07:20
A curva de juros
07:21
já precifica
07:22
uma chance
07:23
de 15%
07:24
de um corte
07:25
de juros
07:26
aqui
07:26
na próxima reunião
07:28
já semana que vem,
07:30
o que deve ter sido visto
07:31
com bastante alegria
07:32
pelo governo,
07:33
porque o Banco Central
07:35
obviamente
07:36
olha para o mercado
07:37
também para ter um termômetro
07:38
do que o mercado
07:39
está entendendo.
07:41
O Boletim Fox
07:42
dessa segunda-feira
07:43
é um boletim
07:44
que não traz ainda
07:45
esse problema norte-americano,
07:47
a gente vai ter
07:48
o próximo Boletim Fox
07:49
na segunda-feira
07:50
que é um boletim
07:51
que tem ali
07:51
as análises,
07:53
as expectativas
07:53
dos analistas
07:55
e economistas
07:55
consultados
07:56
pelo Banco Central
07:57
e o Banco Central
07:58
usa como uma espécie
07:59
de farol
08:00
para a decisão,
08:02
deve apontar,
08:04
porque todo esse evento
08:05
de crédito
08:08
de problema
08:09
no sistema bancário
08:10
norte-americano
08:11
é um evento
08:12
deflacionário
08:14
por natureza.
08:15
Você viu hoje
08:16
o petróleo
08:17
caindo bastante,
08:18
o minério de ferro
08:19
ainda está mais ou menos
08:20
porque a China
08:21
segura muito
08:22
o preço dessa commodity,
08:24
mas é um evento
08:25
deflacionário.
08:25
Como se você tem
08:26
uma expectativa
08:27
de deflação
08:29
ou de um recuo
08:31
da pressão inflacionária,
08:33
você vai ter
08:34
também
08:35
os bancos centrais
08:36
reagindo
08:36
dessa forma,
08:38
de forma
08:39
a cortar juros.
08:40
E aí,
08:40
lembrando lá
08:40
em 2008,
08:41
três meses depois
08:43
o Fed começou
08:44
a cortar os juros
08:44
e logo em seguida
08:45
já estava em zero
08:46
de novo.
08:47
E o que a gente tem
08:48
hoje,
08:49
e no Brasil
08:50
é a mesma coisa
08:50
em 2008,
08:52
a gente vinha subindo
08:53
os juros,
08:53
quando deu o problema
08:54
com o Lehman Brothers
08:54
a gente parou
08:55
e uns três meses
08:56
depois,
08:57
foi em setembro,
08:57
lá em janeiro,
08:58
finalzinho de janeiro,
08:59
na primeira reunião
09:00
do Copom do ano,
09:03
a gente já começou
09:03
a cortar juros também.
09:05
Então,
09:05
isso pode acabar
09:06
ajudando
09:07
o governo
09:09
nessa sanha
09:10
de baixar os juros.
09:12
Mas,
09:13
como tudo
09:14
tem o seu
09:15
bônus e ônus,
09:17
a tendência
09:18
é que,
09:19
como a gente ainda
09:19
não tem uma inflação
09:20
sob controle,
09:22
exatamente,
09:23
você pode jogar
09:24
essa inflação
09:25
para frente,
09:26
daquela discussão
09:27
do Covid
09:28
que você achatava
09:29
a curva
09:29
e jogava
09:30
os casos
09:31
para frente.
09:32
Então,
09:32
talvez a gente tenha
09:33
uma inflação longa
09:34
mais complicada.
09:35
Embora,
09:35
hoje,
09:36
as taxas de juros
09:37
em todos os vencimentos
09:38
tenham cedido,
09:40
a tendência
09:40
é que você tem
09:41
uma inclinação
09:41
na curva
09:42
e as taxas
09:43
mais longas,
09:44
então,
09:44
teriam,
09:46
seriam
09:46
sobrevalorizadas
09:49
mais para frente.
09:51
Então,
09:51
tem esse risco.
09:53
O que a gente
09:54
deve ver também,
09:55
que foi lá em 2008,
09:56
é o dólar
09:57
subindo bastante,
09:58
porque embora
09:59
juros mais baixos
10:00
signifiquem
10:01
moedas mais baratas,
10:02
você tem muita gente
10:03
buscando o dólar
10:05
e muito dólar
10:06
saindo do mercado
10:07
em função
10:08
de alguns papéis
10:09
que não estão valendo nada.
10:10
Então,
10:10
oferta e demanda,
10:11
o dólar acaba ficando
10:13
um pouco mais caro
10:14
e os emergentes
10:15
sofrem um pouco mais.
10:16
O Brasil e o México
10:16
hoje,
10:17
entre as principais
10:18
correntes,
10:19
são as principais
10:20
moedas,
10:21
currencies,
10:21
foram as que mais
10:24
sofreram.
10:25
O Brasil
10:25
caiu aí,
10:27
o dólar
10:28
subiu uns 0,70,
10:30
alguma coisa assim,
10:30
no México,
10:31
quase 2% hoje,
10:33
o dólar contra o peso mexicano.
10:34
Então,
10:35
esse mais ou menos
10:36
o efeito por aqui,
10:37
por enquanto,
10:38
até que a gente saiba
10:39
qual é a extensão
10:40
real desse problema
10:42
lá nos Estados Unidos.
10:42
E aí
10:48
E aí
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