Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 8 meses
O megaempresário do showbiz fala sobre as dificuldades de promover espetáculos no país.

Assista à entrevista na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=f1xizPW6a2I

Cadastre-se para receber nossa newsletter:
https://bit.ly/2Gl9AdL​

Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com​

Acompanhe nossas redes sociais:
https://www.fb.com/oantagonista​
https://www.twitter.com/o_antagonista​
https://www.instagram.com/o_antagonista
https://www.tiktok.com/@oantagonista_oficial

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Um dos episódios recentes dessa briga política,
00:03arte com política, misturado,
00:06você teve um cantor sertanejo brigando com uma cantora pop,
00:12barra funk e tal,
00:13que são dois representantes de culturas diferentes de um mesmo país.
00:20Você que circulou,
00:22que teve a oportunidade de viver outras culturas em outros países
00:26e também aqui no Brasil, já correu o Brasil inteiro.
00:31Como é que você vê esses embates que às vezes acontecem?
00:35Porque às vezes parece que o brasileiro não consegue enxergar o seu vizinho,
00:43ainda que esteja morando em outro estado,
00:45ainda que produza outra coisa,
00:47que tenha outro tipo de cultura, outra origem.
00:50O Brasil ainda não conhece o Brasil?
00:54Primeiro tem uma coisa interessante,
00:56que tem a ver muito com o brasileiro,
00:59e aí o Modé já faz, depois de tantos anos,
01:01já são praticamente 35 anos trabalhando no meio da economia criativa,
01:07o brasileiro tende a ter um gosto muito eclético.
01:10Você pega o europeu, o norte-americano, o asiático,
01:13eles tendem a ser mais fechados em um determinado lugar.
01:16Você falou desse embate aí.
01:19Eu garanto a você que milhares e milhares, se não milhões,
01:22de fãs de um são também fãs do outro.
01:24Sim, eu gosto de tudo.
01:27A turma é fã,
01:28lá está um artista ligado ao funk,
01:31mas também é fã do artista ligado ao sertanejo.
01:34O brasileiro tem um certo ecletismo.
01:37Isso tem um pouco a ver com essa excepcional mistura cultural
01:41que o Brasil é.
01:42E, na minha visão, é por isso exatamente,
01:44que ele é tão rico do ponto de vista da cultura,
01:46o povo brasileiro tem um pouco dessa maleabilidade.
01:50Você pega o povo americano,
01:51tende a ser mais fechado.
01:52É a turma do rock and roll,
01:54é a turma do heavy,
01:55é a turma do jazz, do blues e do R&B.
01:58Aqui, não.
01:58Você tem uma coisa mais fluida.
02:00Agora, você tem esses debates.
02:02Você tem esses debates.
02:04Mas o fã, ele tende a olhar...
02:07Muitas vezes, ele está ali nos dois barcos,
02:09ele gosta de um, gosta de outro.
02:10Mas eu não vejo o fã mergulhando, efetivamente, nisso.
02:13E tendo aí, enfim, alguma forma de afastamento do seu artista
02:19porque está havendo esse debate.
02:21Agora, eu acho que cada um, democraticamente, né, Cláudio?
02:25E aí, voltando aqui aos artistas,
02:26cada um decide se deve ou não deve se expressar.
02:30A única coisa que eu discordo,
02:31seja por um lado e seja por outro,
02:33e faço questão de dizer isso,
02:34é que respeito sempre, né?
02:36Discordar com elegância,
02:38discordar com respeito, né?
02:40Porque também, quando você descama para o desrespeito,
02:42e, infelizmente, alguns debates entre artistas
02:44descambaram por desrespeito,
02:47ao invés de você elevar o nível, você desce o elevador.
02:49E aí é ruim.
02:50É ruim, inclusive, para a música,
02:51é ruim para a arte, é ruim para a cultura.
02:53Mas eu sou sempre a favor da democracia e do debate.
02:56Isso sempre.
02:57Última perguntinha sobre essa relação cultura-Estado.
03:02Quando você vai produzir,
03:04eu queria mais um exemplo prático
03:05para o pessoal entender justamente como é que funciona.
03:11quando você vai produzir um festival,
03:14quando você vai produzir um musical,
03:18aonde que pega?
03:19O que você precisa falar com a Secretaria de Cultura
03:23ou trazer, ou buscar incentivo?
03:28O que você...
03:30Em que momento você...
03:31Onde está a burocracia aí?
03:33Em que momento a arte precisa da burocracia?
03:37Está sem áudio.
03:42Por exemplo, a minha casa de shows em São Paulo,
03:45Blue Note, que é esse clube que eu trouxe em Nova York.
03:47Estou aqui mais uma vez no Blue Note de São Paulo,
04:02com uma plateia fantástica, com um lugar maravilhoso.
04:04É uma casa assim, de um nível maravilhoso, muito bonito.
04:08É um presente para a cidade, um presente para o público,
04:16um presente para os músicos da cidade.
04:17E acho um acerto redondo, assim,
04:19a realização de uma casa desse porte
04:22num lugar muito nobre de São Paulo.
04:27Essencialmente, não trabalha com nada ligado a incentivo.
04:30Então, simplesmente, não há esse contato com o poder público.
04:35Já teatro tem um contato importante,
04:38aí sim, com o poder público.
04:39Mas, antes até de eu mergulhar nisso,
04:42para te responder de uma maneira bem clara,
04:43a primeira coisa em qualquer campo da arte
04:45é você definir qual é o produto artístico
04:47que você deseja botar de pé,
04:49que você deseja construir,
04:51literalmente, no amplo sentido dessa palavra.
04:54E isso tem que ser pensado à luz do mercado,
04:57à luz de eventuais oportunidades,
04:58com alguma referência que você tem
05:00para entender se esse produto artístico,
05:02seja o novo artista que você vai lançar,
05:05seja um festival de música,
05:07seja um espetáculo musical.
05:08Então, primeiro, entender o ambiente onde você está
05:11e de que maneira um produto artístico vai ser pensado.
05:14Bom, pensado esse produto artístico,
05:17em determinados setores,
05:20você tem a possibilidade de buscar incentivos.
05:23Em outros, não.
05:24Eu vou agora falar dos setores...
05:26Até aqui é o teatro, tá, Cláudio?
05:28Para ficar bem claro,
05:29para todo mundo aqui no CD Talks entender.
05:32Legal.
05:32Então, a gente definiu que, por exemplo,
05:34vai fazer sambar.
05:36O que foi isso?
05:37O primeiro samba no Brasil
05:39foi editado em 1916.
05:43Em 2015,
05:45nós da aventura,
05:46a gente decidiu,
05:47junto com um patrocinador,
05:49que foi o Bradesco,
05:50porque em 2016 haveriam as Olimpíadas,
05:54a gente decidiu celebrar os 100 anos de samba.
05:57Olha que interessante.
05:57Então, 1916, pelo telefone,
06:002016, 100 anos.
06:03Legal.
06:03Vamos celebrar o samba.
06:05Maravilha.
06:06Muito bem.
06:07Bom, a partir daí,
06:07a gente desenhou o espetáculo,
06:09que no final foi protagonizado por Diogo Nogueira.
06:13Infelizmente, claro,
06:13o teatro no Brasil,
06:15ele não se sustenta sem patrocínio.
06:18É diferente da Broadway.
06:18Por que ele não se sustenta sem patrocínio?
06:22Primeiro que você tem
06:22uma dificuldade econômica do país,
06:24de uma maneira geral,
06:26e depois você tem um fenômeno.
06:27Eu não vou aqui fazer juízo de valor,
06:29nem dizer que eu sou contra,
06:30nem a favor,
06:30mas há o fenômeno da meia-entrada.
06:33Você tem o fenômeno da meia-entrada
06:34e que muita gente se utiliza da meia-entrada.
06:37A verdade é essa.
06:38Muito bem.
06:39Então, não há como você botar de pé
06:41uma produção num teatro
06:43e viver da bilheteria
06:45por um problema econômico
06:46que o país, infelizmente, vive
06:47e por que você tem a meia-entrada.
06:50Em média, Cláudio,
06:5160%, 70% dos títulos vendidos
06:53são meia-entrada.
06:54Você tem, inclusive,
06:55indústria de meia-entrada.
06:57Você tem problemas aí.
06:58Bom, vila que segue.
07:00Vamos lá.
07:00Então, é preciso que você tenha
07:02investimentos e tenha patrocinadores.
07:04Aí, nesse caso de sambrar,
07:06a gente estrutura o projeto
07:08e, nesse caso,
07:09fomos ao Ministério da Cultura
07:10e apresentamos.
07:11Olha, é um espetáculo.
07:13Teatro.
07:13Vai valorizar o samba.
07:14Ele vai trazer a história do samba
07:16lá de 1916 até 2016.
07:19Ok.
07:20Aí, o Ministério da Cultura,
07:21à época,
07:22porque isso foi em 2015,
07:25dá o ok
07:26e te autoriza,
07:28dentro de um critério
07:29muito bem feito,
07:30e eu estou falando aqui
07:31de lei Rouanet,
07:33a captar um determinado volume
07:35de dinheiro.
07:36É importante mencionar.
07:37Muita gente...
07:38Perdão.
07:40Faz confusão
07:40e acha que quem põe o valor
07:42da lei Rouanet
07:44nos projetos de arte e cultura,
07:45nesse caso aqui,
07:46eu estou falando de teatro,
07:47é o governo.
07:47Não, o governo não bota um real.
07:49O que acontece?
07:50Aí, você fica apto a captar.
07:52Aí, você vai para a iniciativa privada
07:55apresentar aquele projeto
07:57dizendo que ele tem,
08:00né?
08:00Ele tem incentivo fiscal
08:02e que, portanto,
08:03a empresa,
08:04se, ao invés de pagar
08:05um determinado valor de imposto,
08:07aportar no espetáculo,
08:08ela não deixa de gastar
08:10o mesmo dinheiro,
08:11mas, em vez de ir para imposto,
08:13vai para um espetáculo.
08:15Então, funciona tão simples
08:16quanto isso.
08:17E também aqueles que pensam que
08:19ah, não, uma vez que você tem
08:20Rouanet é fácil,
08:21também não é,
08:22claro, tem toda uma jornada
08:24para você apresentar o projeto,
08:26para as empresas se interessarem.
08:28Então, também tem muito trabalho
08:29por trás disso.
08:31E aí, para concluir esse assunto,
08:33lei Rouanet,
08:34que é tão demonizada,
08:36é uma lei de incentivo,
08:38mas que obriga a empresa
08:40que está usando aquele incentivo,
08:42eu repito,
08:43a investir em arte e a cultura.
08:45Linha Branca tem incentivo de IPI.
08:48O que acontece?
08:49Eles deixam de pagar imposto
08:51ou pagam menos imposto.
08:52Concorda?
08:53Para onde é que vai esse dinheiro?
08:55Para o cofre das empresas.
08:56Não é destinado para nada.
08:58Carro, muitas vezes,
09:00tem incentivo.
09:01Para onde é que vai o dinheiro
09:02que a empresa deixa de pagar em imposto?
09:05Para o cofre da empresa.
09:06Não vai para lugar nenhum.
09:07A lei Rouanet, além do quê,
09:08obriga.
09:09A empresa gasta o mesmo dinheiro.
09:11Só que, em vez de mandar para o governo,
09:13manda para alguém que está produzindo
09:14arte e cultura, Cláudio.
09:16e que vai o dinheiro.
09:22E aí
09:22E aí
09:24Obrigado.
Comentários

Recomendado