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Notícias
Transcrição
00:00Bom, e agora? Vamos falar sobre os Yanomamis, o seu programa, muito bom. Conta aí para a gente.
00:08Então, um grande assunto do final de semana, especialmente da semana, que é recrutivo aí, durante toda a semana,
00:14foi a questão dos Yanomamis e todo aquele cenário que a gente viu lá de tragédia, de tristeza.
00:22A gente fala, e eu falo aqui enquanto mãe também, quando a gente vê uma cena de uma criança pequena, desnutrida,
00:31a gente até se emociona quando a gente pensa nisso, que a gente pensa no nosso filho e, consequentemente,
00:37a gente pensa que são filhos de outras mães também, são crianças, são seres humanos.
00:42E uma coisa muito interessante, meninas, que eu acho que é legal a gente destacar aqui,
00:46é porque a gente vive muito numa bolha social, que a gente avalia que nosso cenário está consolidado.
00:52Quando a gente fala que tem fome no Brasil ainda, muita gente questiona, tipo, onde é que tem fome?
00:57Porque a gente olha essa bolha social nossa de achar que nossa vida, nossos parentes, nossos amigos
01:04e as pessoas que estão em volta da gente representam a totalidade do Brasil, quando na verdade não.
01:10O ex-presidente Jair Bolsonaro, uma vez, de dentro do Palácio da Alvorada, falou que não existia fome aqui,
01:16e bastava ele caminhar nem dois quilômetros.
01:19Tinha um acampamento ali de pessoas em situação de rua, né?
01:24Distante dois quilômetros do Palácio da Alvorada.
01:26Só fala quem não tem fome no Brasil, quem nunca passou fome.
01:28Quem nunca passou fome.
01:29E, assim, é uma realidade que está latente no país.
01:32E essa semana a gente recebeu no meio de Brasília, um representante do Zianomami,
01:37que ele, inclusive, convive com a realidade, convive com o pessoal.
01:42E ele trouxe alguns dados bem relevantes, que eu acho que vale a pena a gente destacar aqui,
01:45que um deles é a principal causa da situação que os Zianomami estão agora
01:52diz respeito aos garimpeiros.
01:54Os garimpeiros estão lá, eles têm investido aí em extração lá dos minérios.
02:01E o que acontece?
02:04Ele convoca os indígenas da região para trabalhar junto.
02:08Então, assim, há exploração sexual de mulheres, estupro de crianças, inclusive.
02:14Ele cita isso durante o programa.
02:16E ele também cita que os garimpeiros cederam drogas e álcool para os indígenas da região.
02:24Então, em troca de trabalho, aliás, em troca de álcool e droga,
02:28eles também começaram a trabalhar com os garimpeiros.
02:32Muitos deles deixaram a família de lado, deixaram as pessoas que estavam convivendo com eles
02:36para poder ficar com os garimpeiros, porque, obviamente, é um vício que se alimenta, né?
02:40Então, eles estão viciados aí no álcool, na droga.
02:43E acabam trabalhando ali com os garimpeiros de graça.
02:46Isso, deixam de lado a plantação, deixam de lado o investimento na família deles.
02:50E acabam ficando nos garimpes em troca, inclusive, de resto de alimento.
02:54Então, ele cita essa situação, esse cenário.
02:58Ele lamenta muito, ele diz que a questão da fome está mais relacionada a esse abandono
03:03dos próprios indígenas que decidiram trabalhar ou ceder serviços para os garimpeiros.
03:08E ele fala também que o grande problema também é a desnutrição.
03:12E uma coisa interessante, antes de ontem, eu estive com o ex-ministro da Defesa,
03:17o Aldo Rebelo, que ele também está lá na Amazônia.
03:20Ele, inclusive, soltou um vídeo essa semana falando sobre isso,
03:23sobre o Zianomami.
03:25E ele fala que a situação, na verdade, já existe há bastante tempo.
03:29Essa situação de miséria, de desnutrição.
03:31E que está se repercutindo agora.
03:33Agora ganhou visibilidade.
03:34Agora chegou a imprensa, chegou a sociedade.
03:37Mas que isso já existe há bastante tempo.
03:39E ele está lá para averiguar, para discutir.
03:42Hoje, também, a gente teve um vídeo que foi liberado do presidente da Avisa,
03:45se não me engano, que ele fala que ele compara a situação ao holocausto.
03:48Então, assim, foi uma situação gravíssima.
03:51A gente viu aí as cenas, as imagens que chocam.
03:56Uma indígena morreu, inclusive, vítima de desnutrição.
04:00E a gente espera que a situação se resolva o mais rápido possível.
04:04E que a gente veja, né?
04:06São brasileiros, são pessoas.
04:08Acima de tudo, são vidas, né?
04:09E a gente tem que olhar isso como vidas também.
04:10Então, esse foi um programa que foi interessante.
04:13Não foi um programa legal, porque é um cenário triste, é um cenário ruim.
04:17Mas foi um programa que trouxe, lançou luz sobre um tema que eu acho que chocou a sociedade.
04:23Me chocou enquanto ser humano mesmo, enquanto profissional também.
04:27E foi bem interessante.
04:28E é um programa legal até de quem puder reassistir.
04:31Sim, está disponível.
04:32Porque acaba sendo, está disponível para quem não assistiu.
04:34Sim.
04:34Porque a gente, principalmente quem vive em outras regiões fora do norte,
04:39a gente é muito alheio à pauta indígena.
04:42E eu acho que é muito bacana trazer essa discussão que nem você trouxe.
04:45É importante ressaltar, né?
04:46Como você falou, que essas questões, esse sofrimento da população,
04:51também vem do esquecimento do restante da população e dos governistas, né?
04:57Por muitos, muitos anos, acerca das questões indígenas, da cultura indígena.
05:02Então, até falando sobre o Ministério dos Povos Indígenas, que foi criado agora,
05:07a ministra Sônia Guajajara, ela mesma ressaltou que houve um abandono
05:13e que, inclusive, as taxas de desnutrição, né?
05:18Estão sendo subnotificadas também por falta de interesse da CESAI,
05:23que é a secretaria que deveria...
05:24Uma nota técnica que ontem foi adicionada na DPF 709, se eu não me engano,
05:31que fala justamente sobre essa subnotificação.
05:33E os técnicos da Fiocruz reclamando que dados de indígenas não foram inseridos
05:40por conta de lei geral de proteção de dados.
05:45A proteção às inversas, né?
05:47Por que? O que eles dizem?
05:49Porque tem uma aldeia que tem o quê?
05:52Dois indígenas lá.
05:53E aí você vai entrar, então, passando dados de gênero e idade,
06:00e que isso, então, serviria para você identificar a pessoa.
06:04Ou seja, eles pegaram a exceção para transformar em regra.
06:09Então, em aldeias maiores, eles passaram a usar esse mesmo critério, né?
06:14A CESAI.
06:16Então, não colocando, subnotificando, colocando menos informações.
06:21E hoje, os técnicos que estão debruçados, tentando informações,
06:25e isso foram dados na época da COVID,
06:27eles não conseguem. Por quê?
06:30Porque não tem dado.
06:32Porque não tem dado.
06:33Vanessa, uma coisa que me chocou muito, assim,
06:35eu acompanhando as redes sociais e vendo as pessoas comentando e falando,
06:40é que eu vi muita gente falando,
06:42é aquela coisa da fake news que ainda se desdobra,
06:44vai se desdobrar durante bastante tempo.
06:46A gente sabe disso ainda.
06:48Mas eu vi muita gente nas redes sociais falando assim,
06:51ah, a gente não tem que se importar porque são venezuelanos.
06:55na verdade, não tem, não são indígenas, não são brasileiros, são venezuelanos.
07:02Gente, são brasileiros.
07:04E, assim, não é porque está fora do nosso contexto e fora da realidade
07:07que a gente tem que simplesmente excluir.
07:09São brasileiros, são povos originários, inclusive.
07:13São pessoas que estão precisando de assistência nesse momento
07:16e nada mais justo do que essa assistência ser fornecida.
07:19Um dado também que eu acho interessante a gente destacar aqui
07:24é que o indígena que esteve comigo nesse programa,
07:27ele cita que uma situação grave,
07:31que os médicos não conseguiam chegar no atendimento
07:34porque lá chega ou de barco ou de avião.
07:37Não há outra opção, porque é uma região bem isolada,
07:41eles decidiram, são povos que decidiram viver de forma isolada.
07:44E aí, os garimpeiros bloquearam o acesso,
07:49tanto às pistas de pouso, como também por barcos.
07:52Então, a situação da desnutrição, da malária,
07:55inclusive Covid também, que ele cita na entrevista,
07:58diz respeito a essa falta de acesso aos profissionais de saúde.
08:01Então, é grave.
08:03Não que não merecesse atenção, mas não são venezuelanos,
08:06são indígenas.
08:07Antes de mais nada, você que nos acompanha,
08:09você que nos assiste aí,
08:11não dissemine informação errada.
08:15Independentemente de qualquer coisa, são seres humanos,
08:17se fossem venezuelanos, mereciam suporte, mereciam auxílio,
08:21mas são brasileiros, sim, são indígenas,
08:24que estão isolados, estão passando por situação de desnutrição,
08:26são crianças, são vidas, acima de qualquer coisa.
08:29Então, você que nos assiste, é interessante você tomar ciência.
08:33E se você não viu a entrevista,
08:34está disponível no canal aqui do Antagonista,
08:37no meio de Brasília, vale muito a pena assistir.
08:39E se fossem venezuelanos, a gente também teria...
08:42Merecia, merecia, porque as pessoas não são vidas,
08:46são crianças.
08:47Agora, você imagina.
08:48Tem as leis com atenção para refugiados.
08:52Então, é isso, é a questão humanitária e dependência.
08:54Exatamente.
08:55Aí, você vê uma criança,
08:57aí, simplesmente, eu fecho os meus olhos e falo assim,
08:59ah, não importa, porque são venezuelanos.
09:01Gente, é uma vida, é uma criança,
09:03é um ser humano, acima de tudo, é uma idosa, sabe?
09:06Eu não consigo entender essa inacessibilidade,
09:08na minha cabeça não entra.
09:10É uma questão de...
09:11É uma causa humanitária,
09:12mesmo se fosse venezuelano, se fosse o caso.
09:14Não é o caso.
09:15São pessoas que vivem com o Roraimo, ali na divisa.
09:18E, acima de qualquer coisa,
09:19é isso que eu quero deixar para vocês.
09:21Alguém quer comentar a fala do ex-ministro Aldo Rebelo?
09:25Dizendo que estão demonizando o garimpo?
09:28Inclusive, ele está no programa, na segunda-feira,
09:31o ministro ex-ministro Aldo Rebelo.
09:32Não é questão de demonizar o garimpo, demonizar, não.
09:37Vamos criticar o garimpo ilegal.
09:39A situação dos indígenas, os garimpeiros estão invadindo terras indígenas.
09:46O ex-ministro diz, ah, o indígena come banana verde,
09:50come mandioca cozida.
09:51Ministro, isso é comida típica dos indígenas, né?
09:56Então, o que acontece?
09:57No momento que entra o homem, nós, na área deles,
10:01invadindo a cultura deles,
10:04introduzindo a força, a nossa cultura,
10:07entendo que eles vão pegar alguma coisa da nossa cultura.
10:10A gente já está alterando ali, né?
10:12Mas você não pode também chegar e dizer
10:16que está errada a cultura deles.
10:19Não está.
10:20Não está.
10:20Você estava falando a questão, Kis,
10:21que eu me lembrei aqui dos indígenas indo trabalhar para o garimpo.
10:27Eles vão trabalhar para o garimpo.
10:29E no garimpo, para quem não sabe,
10:30lá eles têm as merceariasinhas, as vendinhas deles.
10:34Vocês sabem quanto custa um quilo de arroz
10:36numa dessas vendinhas de garimpo?
10:3980 reais.
10:41E aí o indígena vai se endividando para ele comer.
10:45E no momento que ele não tem dinheiro para pagar,
10:47como é que ele paga?
10:48O estupro das mulheres, o estupro das crianças.
10:53Então, ministro,
10:54sim, a tragédia dos Yanomamis não é de agora.
10:59Não é só do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
11:02Já é um tema que se arrasta a vários governos.
11:06Mas a gente também não pode minimizar
11:09o papel dos garimpeiros nesse momento,
11:12durante esses quatro anos,
11:14do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro,
11:16que liberou, abriu a porteira para o garimpo ilegal.
11:22Nós temos hoje indígenas lá envenenados por mercúrio.
11:26Teve até um fato,
11:29esse indígena que você fez com a gente no meio de Brasília,
11:32ele cita justamente essa questão da contaminação da água e do solo.
11:37E também é outro motivo das doenças.
11:40A desnutrição das crianças, dos idosos,
11:44inclusive a idosa morreu, né?
11:45Uma mulher morreu essa semana.
11:48Então, diz respeito justamente a essa contaminação do solo e da água.
11:52Numa região que, teoricamente, devia ser protegida,
11:56devia ser preservada.
11:58Os povos que vivem lá são povos que decidiram viver de forma isolada.
12:02Mas, obviamente, os garimpeiros encontraram lá minérios
12:07que eles podem enriquecer com isso.
12:10Então, não houve qualquer respeito.
12:12E brecaram, inclusive, o acesso a profissionais de saúde,
12:15o que é inadmissível, né?
12:17Então, infelizmente, foi uma tragédia.
12:19Está sendo ainda, até que essa situação se resolva,
12:22até que, de fato, eles tenham a assistência necessária.
12:25Mas, felizmente, essa situação se tornou pública.
12:29E hoje a gente pode conversar sobre isso,
12:30tomar ciência, eu, você e todo mundo que está aqui.
12:34Quando surgiu, quando veio a história, né?
12:36A ex-ministra da Maris Alves, ela falou em primeira mão conosco.
12:43Era quase nove e meia da noite, eu mandei mensagem para ela
12:46perguntando se ela se manifestaria sobre as 670 mortes, né?
12:51De anomamis por conta da desnutrição, enfim.
12:56É curioso, é curioso porque ela só se manifestou no momento em que eu falei
13:01ministra, vou colocar então na minha matéria que a senhora não vai se manifestar.
13:04E de que maneira, então?
13:06Aí ela vem falar comigo e ela diz o seguinte,
13:10que ela nunca recebeu nenhuma denúncia a respeito da situação dos anomamis
13:16durante o período que ela estava à frente do Ministério da Mulher,
13:20da Família e dos Direitos Humanos.
13:22Que isso era assunto da FUNAI, que nunca chegou até ela.
13:27É curioso porque histórias, né?
13:29De indígenas sendo, tendo arcada dentária, os dentes arrancados, né?
13:35Para a prática de sexo oral.
13:38Essa denúncia chegou, mas uma denúncia tão grave, né?
13:43E já foi comprovado que sim, que o governo anterior recebeu várias denúncias a respeito.
13:48E é muito triste.
13:49Então, a gente vê a ex-ministra, até por conta do trabalho que ela diz ter feito com indígenas, né?
13:55A filha dela é uma menina indígena.
13:59A gente vê essa inércia do Ministério e chegar ao ponto de a gente ter, então,
14:05durante esse governo, 670 mortes de anomandos.
14:09Vanessa, só para a gente encerrar esse papo,
14:13mas é um papo que merece a gente se debruçar sobre ele,
14:16porque é um assunto de relevância também.
14:18O que eu percebo, infelizmente, assim, frisando mais uma vez, destacando mais uma vez,
14:24há um certo preconceito ainda de muita gente com relação aos indígenas.
14:29Eu sou bisneta de um indígena.
14:32Eu defendo muito a pauta.
14:33Os meus traços orientais, na verdade, são traços indígenas.
14:36Todo mundo pergunta se eu sou japonesa ou chinesa.
14:39Não, na verdade, eu sou descendente de um indígena.
14:41Mas o que eu percebo muito é que muita gente ainda tem um preconceito.
14:44Só que o que a gente não observa, o que a gente não olha, o que a gente não se atenta,
14:49é que eles foram os povos originários.
14:53A gente que ocupou aqui depois a terra e que ocupou os espaços.
14:57Então, esse preconceito não se justifica.
15:01Comentários preconceituosos não se justificam.
15:04Nesse momento, a gente tem que olhar para todos com muita empatia,
15:07com muita solidariedade,
15:09e entender que a assistência é fundamental
15:13para fazer com que essas crianças, essas senhoras, esses idosos, esses homens
15:17se salvem e se livrem dessa situação caótica que está acontecendo.
15:39A gente tem que olhar para todos com muita empatia,

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