00:00Esse conceito de industrialização, dessa bioeconomia, ele se abre, ele é possível de ser aproveitado por quem de direito? Por essas comunidades indígenas, por exemplo, que estão espalhadas por toda essa região?
00:20Sem dúvida, sem dúvida. Um dos componentes do projeto Amazônia 4.0, que eu já tive a oportunidade, inclusive, de entregar em Brasília, no Ministério da Ciência e Tecnologia e no Ministério do Meio Ambiente,
00:35e também já entreguei isso para o que será o presidente do BNDES, o Aloysio Mercadante, e também já entreguei isso na campanha para o presidente Lula, ele até, durante a campanha, ele deu esses comentários e entrevistas,
00:52que ele gostou muito da ideia, que é o quê? Um dos componentes do Amazônia 4.0 é a criação do Instituto de Tecnologia da Amazônia.
01:01Nós queremos criar na Amazônia o que eu chamo um MIT da Amazônia, um ITA, vamos dizer assim, um ITA da Amazônia, aqui no Brasil, um MIT, eu fiz meu doutorado no MIT, estudei engenharia no ITA,
01:13eu conheço bem o que um moderníssimo Instituto de Tecnologia pode fazer para mudar e melhorar a economia.
01:21O ITA construiu a Embraer, o Brasil é o terceiro maior produtor de aviões do mundo, e durante meus anos no MIT, ainda que eu tenha feito um doutorado em Ciências Naturais, em Meteorologia e Clima, mas eu vi o que o MIT estava fazendo,
01:3440 anos atrás, e eu vi o quão importante era o MIT para a industrialização avançadíssima dos Estados Unidos, e continua sendo.
01:44Então, a ideia é essa, nós estamos fazendo essa proposta, nós fizemos um estudo para mostrar a viabilidade do Instituto de Tecnologia da Amazônia,
01:53é isso que nós agora queremos implementar esse ano, convencer o governo brasileiro e outros governos amazônicos,
02:00eu conversei com a vice-presidente da Colômbia durante a COP27 no Egito, com o vice-presidente da Bolívia, com o ministro do Meio Ambiente do Peru,
02:10todos gostaram muito da ideia, isso é para ser pan-amazônica, é para ser uma parceria público-privada desde o nascimento,
02:17é criar um instituto que vai ser descentralizado, ele não é só uma cidade, ele vai estar em várias cidades amazônicas,
02:23e ele é como se fosse um MIT para a Amazônia, vamos, exatamente o que você falou, o desafio,
02:29como capacitar as populações amazônicas para essa nova bioeconomia, nós precisamos trazer modernas tecnologias,
02:38e uma inovação também desse instituto é que nós vamos trazer para dentro do instituto os indígenas,
02:45nós vamos trazer o conhecimento tradicional que mantém a floresta em pé há mais de 10 mil anos,
02:51nós temos já uma parceria com o MIT, o MIT também já começa a desenvolver projetos dessa natureza na Amazônia colombiana,
02:59então nós queremos de fato criar um instituto com capacitação, cursos de graduação, cursos de pós-graduação,
03:07para milhares de estudantes para essa nova bioeconomia, usando as mais avançadas tecnologias,
03:13junto também, junto com o conhecimento dos povos tradicionais que sempre mantiveram a floresta em pé.
03:20Esse é um enorme desafio, mas eu estou muito otimista que nós vamos agora com o governo do presidente Lula,
03:27eu estive ontem numa reunião importante com o governador Helder Barbalho, em Belém,
03:32o governador Helder Barbalho apoia totalmente, ele quer muito que o Estado do Pará ajude muito a criar esse Instituto de Tecnologia da Amazônia,
03:40eu tenho certeza que o governo da Colômbia, da Colômbia, do Rio, do Equador também estão interessados,
03:46então essa é a ideia, esse é um desafio, lógico, criar um instituto padrão MIT na América Latina, na Amazônia,
03:54é um desafio, mas nós já estamos com parceria com a MIT, com o Stanford, com instituições da Alemanha,
04:00e com várias universidades e institutos aqui no Brasil, vamos começar uma parceria com o ITA também,
04:07essa ideia é criar esse instituto.
04:10Aí sim, esse instituto vai capacitar milhares e milhares de estudantes por ano
04:15para que essa economia seja, de fato, desenvolvida dentro da Amazônia.
04:21O que difere em relação ao trabalho que vem sendo feito há décadas por ONGs nacionais e internacionais,
04:33algumas delas parceiras até de grupos econômicos, de farmacêuticas, de empresas de produtos de beleza, etc.
04:43Qual é a grande diferença?
04:46Porque a gente, eu já tive também algumas vezes em alguns dos estados da Amazônia,
04:52conheci vários projetos de capacitação, e esses projetos sempre eram focais,
04:58projetos executados por ONGs, muitas vezes em convênios com estados, o município,
05:06às vezes com apoio federal.
05:08Qual é a diferença disso para essa ideia do MIT amazônico,
05:14esse MIT realmente dedicado a capacitar, a produzir inteligência,
05:20produzir inteligência e a capacitar, porque a gente está falando de duas coisas,
05:24capacitar do ponto de vista acadêmico e também profissional.
05:29Qual é a diferença do que era feito até agora, do que é feito até agora,
05:35do que pode ser feito? É escala? É método? Qual é a abordagem?
05:41Qual é a diferença, a grande diferença?
05:43A principal diferença é método.
05:46E eu dou um pequeno exemplo para você, para você entender muito bem.
05:50Uma outra pessoa que tem proposto já há alguns anos a criação de um instituto de tecnologia na Amazônia,
05:58Pan-Amazônico, é um dos fundadores da Natura, o Guilherme Leal.
06:04O Guilherme Leal deu uma belíssima entrevista em 2018, no jornal brasileiro,
06:09em que ele fala exatamente isso.
06:11Exatamente, eu tenho essa ideia há muitos anos, o Guilherme Leal também, independentemente,
06:16e ele fala, e ele, com os fundadores da Natura,
06:19a Natura, ela já, na medida que ela comprou inúmeros produtos da biodiversidade amazônica,
06:30ela melhorou a qualidade de vida das populações amazônicas que fornecem os produtos primários,
06:36mas eles são todos industrializados, principalmente em São Paulo.
06:42Os laboratórios avançados da Natura são em São Paulo.
06:45Então, o próprio Guilherme Leal vem fazendo essa proposta,
06:48que é exatamente na construção de uma capacitação para que toda essa industrialização,
06:54agregação de valor, o avanço científico e tecnológico do enorme potencial da biodiversidade
07:00seja feito na Amazônia, as indústrias sejam desenvolvidas na Amazônia,
07:05que é aquilo que eu falei, país desenvolvido é país industrializado.
07:09Então, lógico, a gente vê São Paulo, porque São Paulo se tornou o estado mais desenvolvido do país
07:18desde a década de 20 do século passado, em industrialização.
07:21Então, essa é a ideia.
07:23Lógico, o trabalho das inúmeras ONGs, de parcerias, de melhoria,
07:28até mesmo as cooperativas dos sistemas agroflorestais, como eu mencionei,
07:32melhoraram muito a qualidade de vida,
07:34mas nós queremos preservar a floresta e tornar a sociedade da Amazônia classe média,
07:41nós precisamos trazer para dentro da Amazônia a industrialização,
07:45a agregação de valor, a proteção da floresta e também esse enorme desafio.
07:50Quando a gente pensa e olha, todo o investimento em ciência e tecnologia no Brasil,
07:56quanto desse investimento foi para descobrir o enorme potencial econômico da Amazônia?
08:03Foi pouco, foi pouco.
08:04Investimentos em ciência e tecnologia no Brasil na Amazônia são muito pequenos.
08:08A Amazônia tem 10, 11% da população brasileira, do PIB brasileiro,
08:12e recebe menos de 2% dos investimentos em ciência e tecnologia.
08:16Isso é verdade em todos os países amazônicos.
08:18Então, nós estamos a investir muito em ciência e tecnologia na Amazônia
08:21de forma muito inovadora, disruptiva,
08:24essa é a ideia do Instituto de Tecnologia da Amazônia.
08:27É uma forma também de garantir um pouco de,
08:34até de estabelecer um ordenamento jurídico mais concreto,
08:39no que tange também a propriedade intelectual,
08:42do que é extraído, do que pode ser processado,
08:46visto que as comunidades ribeirinhas e indígenas, de forma geral,
08:50são justamente os detentores do conhecimento tradicional
08:55e que, às vezes, acabam entregando de graça isso para grandes corporações
09:01que ou fazem através da biopirataria,
09:03ou extraem isso através da biopirataria,
09:05ou extraem o conhecimento, levam embora,
09:08usam ali a mão de obra, não pagam nada,
09:12ou pagam uma miséria só de contrapartida?
09:15Concordo, né?
09:19Então, um pouco disso,
09:20quando o protocolo de Nagoya foi estabelecido em 2012,
09:26criou-se o mecanismo importante,
09:28chamado acesso à informação da biodiversidade
09:32e repartição dos benefícios.
09:34Então, a ideia é a seguinte,
09:35uma empresa de fora da Amazônia,
09:38de fora das florestas tropicais,
09:39vai, explora um produto da biodiversidade tropical,
09:45e aquele produto existe dentro de uma comunidade indígena,
09:50de uma comunidade local,
09:52e aí ele reparte um pouco dos lucros
09:55que a exploração daquele produto,
09:57por exemplo, um novo fármaco,
10:00um novo cosmético, um novo alimento.
10:03Só que essa remuneração é muito pequena.
10:05Na lei brasileira,
10:06ela colocou lá um valor entre 0,2% e 1% dos lucros.
10:12Isso é muito pouco.
10:12Então, a ideia do Instituto de Tecnologia da Amazônia
10:16é trazer toda essa capacitação para dentro da Amazônia,
10:19inclusive comunidades locais,
10:22ribeirinhos, quilombolas,
10:24e principalmente indígenas.
10:26Essas comunidades todas,
10:28no desenho desse Instituto,
10:31nós já estamos em contato com comunidades,
10:33com líderes indígenas,
10:34todos querem que isso seja trazido para dentro da Amazônia,
10:38eles querem ser capacitados,
10:41eles querem desenvolver biofábricas
10:44nas comunidades ribeirinhas,
10:47comunidades indígenas,
10:48eles querem trazer a industrialização
10:51para dentro das suas sociedades.
11:08E aí
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