00:00Gostaria de começar o papo de hoje pelo caso da ministra Damares Alves,
00:07que, enfim, no sábado passado fez denúncias graves durante um culto religioso.
00:15E aí, muita polêmica em torno dessas denúncias,
00:20porque até agora não se sabe se há provas ou não a respeito delas.
00:25Mas coisas horrorosas com crianças que teriam os dentes arrancados,
00:30uma dieta especial, tudo isso para permitir que elas fossem abusadas sexualmente mais fácil.
00:39Vamos ver, né?
00:40Hoje teve duas reações em torno disso, uma do PT e uma de gente famosa,
00:47que pediu que a ministra seja investigada, tenha a própria posse dela,
00:52que acaba de ser eleita como senadora barrada antes mesmo do começo do ano,
01:00quando os novos parlamentares vão para o Congresso.
01:04Olha ali, famosos pedem assinaturas pela cassação de Damares Alves antes da posse.
01:10Os dois nomes aí que se manifestaram foram a Xuxa, apresentadora,
01:14e o Marcelo Tassi, apresentador, também uma personalidade conhecida da televisão.
01:22Vamos dar uma olhadinha na outra reportagem, olha aqui, olha,
01:27sobre o pedido do PT, né?
01:31O PT também pediu uma investigação da ministra.
01:37O PT aciona a PGR contra Damares após falas sobre exploração sexual de menores.
01:43Essa história, vamos lá, vamos dar uma olhadinha no texto, né?
01:50Deputados do PT enviaram nesta terça-feira à Procuradoria Geral da República
01:53um pedido de abertura de investigação criminal
01:56para apurar a conduta da senadora eleita Damares Alves
02:00durante o culto no último fim de semana.
02:04Na ocasião, ex-ministra da Mulher Família e Direitos Humanos
02:08falou sobre supostos abusos sexuais contra crianças na ilha de Marajó.
02:13O que é interessante a gente lembrar e observar sobre essa história?
02:21Denúncias de que histórias de abuso vêm acontecendo em Marajó
02:28são muito antigas.
02:31Em 2018, inclusive, não sei se vocês lembram disso,
02:35aconteceu lá na Câmara dos Deputados,
02:38no Congresso, na verdade não lembro se era a sua Câmara ou se era o Senado também,
02:41que no Congresso aconteceu uma CPI justamente para investigar
02:48todos esses casos que vinham sendo relatados de crianças abusadas sexualmente.
02:55A CPI ganhou o nome de CPI da pedofilia,
02:58não é um nome muito preciso porque
03:02é importante a gente ser preciso com as palavras, né?
03:06A pedofilia é uma doença.
03:10Quando é gente...
03:13adultos que simplesmente se abusam de crianças,
03:18se aproveitam de crianças,
03:20isso é abuso sexual mesmo,
03:21tem crime previsto sobre isso no Código Penal.
03:26não estou dizendo que a pedofilia é menos grave
03:30do que o abuso sexual de crianças,
03:32as coisas às vezes se confundem,
03:34mas não necessariamente se confundem.
03:37Uma pessoa não precisa ser doente
03:38do ponto de vista médico,
03:42ser chamada de pedófila,
03:44para praticar esse tipo de abuso.
03:46pode ter uma vida sexual que também é normal com adultos,
03:50com mulheres ou homens, sei lá eu,
03:54e em uma determinada situação cometer um abuso contra uma criança.
04:00Não é pedófila, mas cometer um crime, certo?
04:03Pedófilo tem uma orientação sexual que é primordialmente,
04:07exclusivamente voltada para crianças.
04:09São duas coisas que se confundem, mas...
04:12Então, só estou querendo dizer que o nome melhor
04:15para aquilo que a CPI lá em 2018 investigou
04:20foram abusos sexuais comuns
04:24cometidos contra crianças na ilha de Marajó.
04:28E, de fato, se identificou que muita coisa acontecia.
04:31Por quê?
04:31Porque era uma região palpérrima do Brasil.
04:36E descobriu-se que as crianças subiam nos barcos
04:41que passavam ali pela região
04:43para conseguir comida.
04:47E, muitas vezes, essa comida era obtida
04:49em troca de favores, entre aspas, sexuais.
04:54Elas se submetiam a um abuso, a um estupro,
04:58para conseguir comida ou algumas outras coisas
05:01que elas precisavam, que as famílias precisavam ali para viver.
05:04Uma situação horrível, horrível, sob todos os aspectos.
05:08Lá durou dois anos a CPI, se não me engano,
05:10e ela resultou em uma série de medidas legais
05:14para tentar coibir aquilo.
05:19Mais recentemente, em 2020,
05:21isso é um mérito do governo Bolsonaro,
05:25ele lançou um programa
05:27inteiramente voltado para a ilha de Marajó.
05:32O programa se chama Abrace o Marajó.
05:35E tem lá quatro eixos de atuação do governo,
05:40medidas de infraestrutura, medidas sociais,
05:44medidas de preparação dos agentes públicos,
05:47medidas de saúde.
05:48Tem um monte de coisa,
05:49vários milhões de reais voltados
05:52para atender aquela população daquela região,
05:55aquela gente bem pobre.
05:56E boa parte do monitoramento desse programa,
06:05que é um programa que atinge vários ministérios do governo,
06:09ficou embaixo da pasta que era da ministra Damares Alves.
06:13O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
06:16estava ali envolvido em muitas dessas atividades
06:19do programa Abrace o Marajó.
06:21Então, supostamente,
06:24nessa capacidade de ministra
06:27envolvida com o programa do governo,
06:30a Damares Alves teria tido conhecimento
06:33desses fatos que ela relatou.
06:38Então,
06:40que existe exploração sexual das crianças
06:43naquela região,
06:45não se pode negar.
06:46O governo está fazendo
06:50alguma espécie de atuação
06:51naquela região também.
06:54Isso também é fato.
06:56O que todo mundo está questionando é,
06:58bom,
06:59se
07:00coisas horríveis,
07:03como essas dos dentes das criancinhas
07:06serem arrancados,
07:07para que elas possam
07:08praticar atos sexuais
07:11com mais facilidade,
07:13estavam acontecendo,
07:14por que é que isso
07:15não veio à tona
07:16antes?
07:18Por que é que nunca
07:18a ministra falou disso
07:20e só veio falar
07:21na época
07:22da campanha eleitoral?
07:29Foram perguntar para a PF
07:30e para a polícia
07:32do próprio Pará
07:35se havia
07:36investigação em torno disso.
07:39E as respostas,
07:40por enquanto,
07:41foram negativas.
07:42ninguém sabia
07:43do que a ministra
07:44estava falando,
07:45aparentemente.
07:46Só ontem,
07:48dia 11 de outubro,
07:51um ministério,
07:53que era o ministério
07:53da Damares,
07:54soltou uma nota
07:55dizendo
07:56que foram instaurados
07:58inquéritos,
07:59que foram
08:00iniciadas
08:02investigações
08:03sobre
08:04molestamento,
08:07abuso de crianças
08:08na região do Marajó.
08:10mas também não deu
08:11maiores informações
08:12sobre isso.
08:13Então,
08:14a situação
08:17é essa.
08:19Por enquanto,
08:20não há
08:21prova,
08:22não há
08:23indício
08:24concreto,
08:25não há documentação
08:27oficial
08:27concreta
08:28indicando
08:29que aquelas
08:30coisas todas
08:31sobre as quais
08:32a ministra falou
08:32tenham acontecido.
08:34daí.
08:39Se
08:39não existem
08:41as investigações,
08:43pode ser
08:44prevaricação,
08:45crime,
08:46e é por isso
08:47que as pessoas
08:47estão caindo
08:48em cima
08:50da Damares.
08:51E se for o caso
08:52mesmo de não haver
08:53nada
08:54em curso
08:56na polícia,
08:58na polícia federal,
08:58na polícia local,
09:00polícia federal,
09:01porque a Damares
09:02disse que muitas
09:02dessas crianças
09:03eram mandadas
09:04para fora do Brasil.
09:05Então,
09:06é um crime
09:06que teria que ser,
09:07além de tudo,
09:08além das práticas
09:09de abuso,
09:11teria ainda
09:11um tráfico
09:12de crianças,
09:13teria que ser
09:13investigado
09:14pela PF mesmo.
09:16Então,
09:17se não existirem
09:19essas investigações,
09:22o crime
09:24da Damares,
09:24aquilo que a Damares
09:25disse,
09:26vai ser uma coisa
09:27hedionda também,
09:29porque é
09:30inventar
09:31uma história
09:32macabra
09:33para privilegiar
09:36o candidato
09:37que ela apoia.
09:39Eu prefiro
09:40aguardar um pouco,
09:42justamente por causa
09:43de tudo isso
09:44que eu falei.
09:46Existe um histórico
09:47de investigação
09:49de abusos
09:50de crianças
09:50naquela região.
09:52É uma coisa
09:53que se sabe
09:53que acontece,
09:55porque a região
09:56é muito pobre.
09:58as crianças
09:59trocavam
10:00sexo
10:01desde muito cedo
10:02por comida,
10:04por coisas básicas
10:05de sobrevivência.
10:07Então,
10:08é sim possível
10:09que coisas
10:11parecidas,
10:12ou até mesmo
10:13aquelas coisas
10:13exatamente
10:14que a ministra
10:15mencionou,
10:17aconteçam.
10:18Agora,
10:20é muito ruim
10:21quando um agente
10:22público,
10:23como a ministra,
10:24fala
10:25dessas coisas
10:26no meio
10:28de um culto,
10:30pescando
10:32os exemplos,
10:34os detalhes
10:34mais escabrosos
10:35de toda a história,
10:37os mais
10:37horrendos,
10:40sem conseguir
10:43logo em seguida
10:44mostrar aquilo
10:45que ela mesma fez,
10:47mostrar aquilo
10:48que o governo
10:48fez
10:49para deter
10:50esses abusos,
10:53esses crimes.
10:54está uma situação
10:55que,
10:56assim,
10:57eu acho
10:57que não é hora
11:00de crucificar
11:01completamente
11:02a ministra,
11:02não é hora
11:03de crucificar
11:03a ministra,
11:05mas também
11:06não é hora
11:06de acreditar
11:08naquilo
11:09que ela disse.
11:10A ministra
11:11já disse
11:11coisas absurdas.
11:15Então,
11:15ela não tem
11:15um histórico
11:16muito bom.
11:19Ela tem,
11:20aparentemente,
11:21até uma tendência
11:22de exagerar
11:23nos quadros
11:25que ela pinta,
11:27sobretudo
11:27quando está
11:27adiante de gente
11:28que partilha
11:32da religião dela,
11:33quando está em cultos,
11:34quando está ali
11:34com o chapéu
11:37de pastora,
11:38vamos dizer assim.
11:40Então,
11:40é uma história ruim,
11:44nesse momento,
11:45é uma história ruim
11:46sobre todos os ângulos
11:47que você quiser observar.
11:48uma região paupérrima
11:50que tem histórico
11:52de abuso
11:54de menores.
11:56Uma ministra
11:57que falou
11:58do assunto
11:58sem,
12:00nos dias seguintes,
12:01vamos lá,
12:02ela falou no sábado,
12:03domingo,
12:03segunda
12:04e terça,
12:06ela não
12:07se pronunciou
12:08de novo
12:08a respeito disso,
12:10não deu
12:10nenhuma informação
12:12extra
12:12oficial
12:13sobre aquilo
12:14que ela teria
12:14feito
12:15para
12:16coibir
12:17os crimes.
12:19Então,
12:19é ruim.
12:21Mas,
12:22pelo histórico,
12:23eu acho que a gente
12:23deve esperar.
12:25Tem coisa ruim
12:26acontecendo ali?
12:27Tem.
12:28O governo
12:29implantou um programa
12:31para tentar ajudar
12:32as populações
12:34da ilha de Marajó
12:34e das outras ilhas
12:35que tem ali em volta.
12:38Agora,
12:39não tem um braço
12:40de justiça,
12:41não tem um braço
12:42de segurança pública
12:43nesse programa
12:44o governo.
12:45e a gente
12:47não sabe
12:47de fato
12:49se o ministério
12:50tem linhas
12:52de telefone,
12:53de internet
12:53para denúncia
12:54de crimes,
12:56deu o mesmo
12:56andamento
12:57a ações
12:58para coibir.
13:01É ruim,
13:02é ruim,
13:02é tudo ruim.
13:04A gente
13:05público
13:05não pode ser
13:06responsável
13:07desse jeito,
13:08não pode
13:09causar
13:10sensação
13:11falando
13:12sobre coisas
13:14que tem a ver
13:14com o cargo
13:15que ela ocupou.
13:16Ela disse,
13:16agora que eu saí
13:17eu posso falar.
13:19Isso é pior ainda.
13:21Tinha que ter falado
13:22quando estava no governo.
13:25Não agora que saí,
13:26ela não está mais livre
13:26para falar agora.
13:29Ela tinha uma capacidade
13:30oficial para falar
13:31quando ela era ministra.
13:33Não fez nada.
13:34Deixou em segredo
13:36para não prejudicar
13:37investigações.
13:38mas ela não disse
13:38isso também.
13:40Ela não veio a público
13:40e disse,
13:41olha,
13:42quando eu era ministra
13:44eu não podia falar,
13:45tem inquéritos
13:46em andamento,
13:47então eu não deveria
13:47ter falado agora também.
13:49Certo?
13:51Se a questão
13:52era não
13:52interferir em investigações,
13:54ela não podia ter falado
13:54nem antes,
13:55nem poderia falar agora.
13:57Porque apesar
13:58de ser ministra,
13:58ela continua sendo
13:59uma autoridade pública
14:01que acaba de ser eleita.
14:04Então ela não entendeu
14:05as responsabilidades dela.
14:08Legenda Adriana Zanotto
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