- há 1 ano
- #dosedereforco
- #vacinacao
O oncologista Bruno Filardi, pesquisador do Instituto do Câncer Brasil, disse que a aplicação de uma dose de reforço de vacina contra a Covid em todos os adultos é uma boa decisão, embora as evidências científicas a favor ainda sejam preliminares.
"Ela só vem para ajudar. O que nós estamos discutindo aqui é que as evidências que [a] ratificam ainda são preliminares. São mais hipotéticas, mais observacionais, mas eu assinaria embaixo (...) fazer uma terceira dose para toda a população", disse Filardi, em entrevista a 'O Antagonista'.
"Lendo a nota técnica do Ministério da Saúde, a gente percebe que o estudo que norteou essa decisão foi um estudo que não tem uma grande aplicação para a nossa realidade, que foi o estudo de Israel", acrescentou.
Filardi se refere a uma pesquisa publicada no 'New England Journal of Medicine' que mostrou que as infecções e hospitalizações por Covid foram bem menores entre os maiores de 60 anos que tomaram dose de reforço da vacina da Pfizer, em comparação com os que receberam apenas as duas doses.
Israel, porém, teve o que o Filardi chama de "problema": adotou intervalo de 3 semanas entre as doses da vacina, em vez de 12 semanas como inicialmente foi praticado no Reino Unido e no Brasil. "A gente sabe pela fisiologia da resposta imunológica que você tem um tempo de maturação (...) que vai servir de base para que seja construída a nossa resposta imune. Quando você tem um tempo muito curto entre uma resposta e outra, você não tem tempo o suficiente de aperfeiçoar, de aumentar a afinidade das nossas células de defesa".
#dosedereforço #vacinação
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"Ela só vem para ajudar. O que nós estamos discutindo aqui é que as evidências que [a] ratificam ainda são preliminares. São mais hipotéticas, mais observacionais, mas eu assinaria embaixo (...) fazer uma terceira dose para toda a população", disse Filardi, em entrevista a 'O Antagonista'.
"Lendo a nota técnica do Ministério da Saúde, a gente percebe que o estudo que norteou essa decisão foi um estudo que não tem uma grande aplicação para a nossa realidade, que foi o estudo de Israel", acrescentou.
Filardi se refere a uma pesquisa publicada no 'New England Journal of Medicine' que mostrou que as infecções e hospitalizações por Covid foram bem menores entre os maiores de 60 anos que tomaram dose de reforço da vacina da Pfizer, em comparação com os que receberam apenas as duas doses.
Israel, porém, teve o que o Filardi chama de "problema": adotou intervalo de 3 semanas entre as doses da vacina, em vez de 12 semanas como inicialmente foi praticado no Reino Unido e no Brasil. "A gente sabe pela fisiologia da resposta imunológica que você tem um tempo de maturação (...) que vai servir de base para que seja construída a nossa resposta imune. Quando você tem um tempo muito curto entre uma resposta e outra, você não tem tempo o suficiente de aperfeiçoar, de aumentar a afinidade das nossas células de defesa".
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, eu sou o C.D. Silva e hoje nós vamos conversar sobre doses de reforço de vacina
00:05para todo mundo, ou pelo menos para todos os adultos.
00:09Eu estou conversando com o doutor Bruno Filardi do Instituto do Câncer Brasil
00:13e ele vai comentar com a gente e explicar para a gente a necessidade ou não
00:17de doses de reforço para todos os adultos.
00:21Doutor, nesta terça-feira o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga,
00:24deu uma coletiva de imprensa anunciando doses de reforço de vacina
00:28para todos os maiores de 18 anos no Brasil.
00:32Até então, doses de reforço eram apenas para maiores de 60 anos,
00:36profissionais de saúde, como o senhor, e os imunossuprimidos.
00:40E agora, na sexta-feira, dias depois do anúncio do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga,
00:46a FDA, lá nos Estados Unidos, também passou a orientar doses de reforço para todo mundo.
00:52Quais estudos ou números estão embasando esta recomendação?
00:57E o que está acontecendo?
00:58É realmente necessário todo mundo tomar dose de reforço?
01:02CD, bom, boa tarde, é um prazer falar com você novamente.
01:07A gente sempre se conversa por WhatsApp, por mensagem, conversas mais curtas.
01:11É um prazer ter essa conversa um pouco mais longa aí com você.
01:14Bom, lendo a nota técnica do Ministério da Saúde, a gente percebe que o estudo que norteou essa decisão
01:24foi um estudo que não tem uma grande aplicação para a nossa realidade, que foi o estudo de Israel.
01:31Israel teve um problema, eu vou chamar de problema porque realmente foi de que as doses de vacina,
01:39entre a primeira e a segunda dose de Pfizer, o intervalo foi muito curto.
01:45A gente sabe pela fisiologia da resposta imunológica que você tem um tempo de maturação,
01:50ou seja, quando você apresenta os antígenos que vão ser os fragmentos das proteínas,
01:55ou da proteína S, que vai servir de base para que seja construída a nossa resposta imune,
02:03quando você tem um tempo muito curto entre uma dose e outra,
02:07você não tem tempo o suficiente de aperfeiçoar, de aumentar a afinidade das nossas células de defesa.
02:17Então, quando vem a dose de reforço, você está expandindo clones de células de defesa
02:24que ainda não foram bem selecionadas para aqueles antígenos, né?
02:28Ou seja, no nosso sistema linfático, no nosso sistema, nas regiões do nosso sistema imunológico,
02:35onde fica sendo apresentado esse antígeno e essa resposta imune fica sendo construída e aperfeiçoada,
02:43é necessário um tempo.
02:45A gente pode fazer paralelo aí com culinária, né?
02:47Com tempos de assar um bolo, eventualmente com a maturação de um vinho,
02:50de uma cerveja depois da fermentação.
02:52Então, você não tem como abreviar esse tempo, né?
02:56Então, fazer a dose mais precoce, a segunda dose mais precoce,
03:00e muita gente lutou muito por isso, em mídia social,
03:04cientistas lutaram muito por isso, para que esse tempo entre as doses fosse respeitado.
03:10Em Israel, foram de três semanas ou quatro semanas,
03:14eu acho que, inclusive, lá foi três semanas, igual nos Estados Unidos,
03:17entre três e quatro semanas.
03:18Nesse intervalo muito curto, você tem uma resposta muito pior do que daquela de três,
03:23quatro meses, que é o ideal, né?
03:25Até cinco meses, que é o recomendado.
03:28Então, o estudo que foi feito em Israel,
03:32além de não contemplar pessoas abaixo de 60 anos, né?
03:36Então, lembrando que a população estudada foi acima de 60 anos e pacientes imunocomprometidos,
03:42houve um bom desfecho clínico comparado, ou seja, o grupo que tomou só duas doses
03:47nesse intervalo mais curto, e o grupo que tomou a terceira dose,
03:51aí após seis meses da segunda dose, o desfecho desse segundo grupo foi melhor.
03:57Então, esse estudo trouxe uma ideia de que a terceira dose é necessária
04:00para aumentar a resposta imune, né?
04:02Na verdade, a gente sabe que não temos dúvida que um reforço vacinal
04:09vai aperfeiçoar ainda mais a resposta imune.
04:12Isso ninguém tem dúvida.
04:14Entretanto, dizer que é necessário, que essa terceira dose é necessária
04:17para a nossa situação atual, eu gostaria de que vocês aí,
04:22fica até a dica para chamar o Júlio Proda, que já veio aqui,
04:24e outros grandes epidemiologistas do país, né, infectologistas,
04:28só para poder dizer, eu, mais na minha área de estudo,
04:32que seria a imunologia, né, o pós-doutorado foi em imunologia,
04:37não há um subsídio, muito claro, para que seja feita a terceira dose agora
04:43na população, haja vista que existe um grande número de pessoas no Brasil
04:48que não tomou nem a segunda dose.
04:50Então, claro, dito que a terceira dose vai trazer uma melhor resposta imune,
04:57isso não tem dúvida, agora dizer que é necessária para o momento atual,
05:01na minha opinião, nós estamos num momento que deveria ser mais interessante
05:05acumular dados, gerar estudos científicos,
05:09gerar bons dados científicos de qualidade,
05:14para que aí sim, com esses dados em mãos,
05:18os técnicos tomem as suas condutas, né.
05:21Sim, me chamou a atenção, já quando foi divulgada a nota técnica,
05:25os estudos que o Ministério da Saúde cita para supostamente embasar
05:29essa recomendação de dose de reforço para todo mundo.
05:33Existe esse estudo de Israel, que o senhor mencionou,
05:35que foi feito com maiores de 60 anos imunocomprometidos,
05:40e tem, por exemplo, alguns estudos no Reino Unido,
05:42mas esses estudos no Reino Unido são sobre a vacina da AstraZeneca,
05:46e não estudos sobre a aplicação da Pfizer.
05:50Aqui no Brasil, nós usamos o intervalo britânico de 12 semanas
05:55para a aplicação da dose da Pfizer, assim como fez o Reino Unido.
05:59E a gente não vê estudos em lugares que adotaram
06:04esse esquema vacinal brasileiro de 12 semanas da vacina da Pfizer.
06:08Não tem esses estudos, né, e não tem estudos,
06:11na nota técnica do Ministério da Saúde,
06:13não tem estudos conduzidos no Brasil.
06:15Então, a gente não conhece ainda, o Ministério da Saúde,
06:18pelo menos ainda não citou, estudos conduzidos no Brasil
06:21para orientar, para embasar essa recomendação de dose de reforço
06:26para todo mundo.
06:28Outra coisa que chamou a atenção, doutor,
06:30foi essa questão de que a Anvisa foi atropelada, né.
06:33A Anvisa disse que não foi consultada pelo Ministério da Saúde
06:37antes dessa recomendação de dose de reforço para todos os adultos.
06:40E no fim de setembro, a Pfizer entrou na Anvisa
06:43com o pedido para incluir a terceira dose na bula.
06:46Ou seja, a Pfizer querendo que o esquema vacinal
06:49passasse a ser oficialmente de três doses.
06:53Esse pedido da Pfizer ainda não foi respondido pela Anvisa
06:57e o ministro Queiroga atropelou a questão e falou,
07:00não, mas vai ser três doses para todo mundo,
07:01independente do esquema vacinal.
07:03Foi tanto atropelamento que a própria AstraZeneca,
07:07depois do anúncio do ministro,
07:09também pediu para ter terceira dose na bula.
07:12Como é que o senhor avalia esse comportamento do Ministério da Saúde
07:15de ter, digamos assim, atropelado tanto a Anvisa
07:20quanto até os pedidos das próprias farmacêuticas?
07:23Bom, eu não sei explicar muito bem o que motivou
07:28a essa altura do campeonato, essa atitude, essa indicação.
07:34Eu vou dizer que como um profissional que gosta de imunologia,
07:39que estuda imunologia, apesar de, claro,
07:42minha formação oficial como cancerologista, como oncologista,
07:47mas que gosta de imunologia básica, estuda imunologia básica,
07:50eu vejo com bons olhos sempre uma dose a mais de vacina.
07:53Claro que, e eu só quero deixar claro na nossa entrevista,
07:57que ninguém vai ser prejudicado de tomar a terceira dose de vacina,
08:00qualquer que seja essa vacina.
08:03Quanto maior exposição a antígenos,
08:05uma vez que as vacinas são extremamente seguras,
08:08quanto maior a quantidade de exposição aos antígenos,
08:11melhor nós vamos ficar em termos de imunidade.
08:13Então, dito isso, para que isso fique bem claro a todos,
08:17nós estamos discutindo aqui estratégias populacionais,
08:20estratégias em saúde pública.
08:24Saúde pública envolve política.
08:27Então, eu não consigo, do ponto de vista técnico,
08:30determinar para você, CD,
08:32por que o ministro Queiroga,
08:36antes de todas as indicações,
08:37antes dos dados mais robustos,
08:39antes de ter essas respostas,
08:41já padronizou a terceira dose para todo mundo.
08:47Claro que isso não vai fazer mal,
08:48mas talvez a estratégia mais adequada seria
08:51reforçar a necessidade da segunda dose.
08:54Se eu não me engano, a última nota que eu vi,
08:55tinham 29, 30 milhões de brasileiros
08:57que tinham ainda a terceira dose,
09:00a segunda dose atrasada.
09:01Então, isso é a prioridade zero do país,
09:05deixar todo mundo com duas doses
09:07e depois fornecer a terceira dose.
09:10Outro detalhe importante para a gente ter em mente
09:13é que não é porque uma vacina
09:16está indicada a terceira dose,
09:20ou seja, não é porque a Anvisa liberou
09:21a terceira dose de uma vacina,
09:23liberou aquele esquema como possível
09:25de se fazer terceira dose,
09:26é que ele deva ser obrigatoriamente adotado.
09:28São coisas diferentes.
09:29A Anvisa avalia situações diferentes,
09:33o olhar da Anvisa é um olhar diferente
09:35do que um olhar de um Ministério da Saúde,
09:38de um órgão especializado
09:40em ditar saúdes em política pública.
09:44Então, para responder, a minha resposta é
09:46eu não consigo explicar o que norteou isso.
09:49O Queiroga, eu não vi nenhuma declaração dele
09:51mais específica,
09:52eu não sei se ele deu declaração
09:53para dizer bem da verdade,
09:56mas eu não consigo justificar isso.
09:57Claro que vai ser bom para a população,
10:00três doses,
10:00três doses vai ser melhor que duas,
10:02mas a gente não sabe se isso vai causar
10:04uma diferença, um impacto clínico muito grande
10:06dada a nossa situação atual.
10:08O que eu penso,
10:10e isso é algo que a gente conversa
10:12com os amigos, com os colegas,
10:14é que talvez ele esteja liberando isso
10:16para que um evento de final de ano
10:19ou um carnaval, por exemplo,
10:21não seja um evento
10:22que possa trazer uma nova onda no país.
10:26Talvez, estou fazendo a hipótese
10:28que talvez possa ser isso.
10:30Em relação aos estudos que você citou,
10:32da Inglaterra, de outros locais,
10:34o que tem muito
10:36são estudos observacionais.
10:39E é importante a gente deixar claro
10:41que o estudo observacional
10:42não tira conclusão.
10:43Então, canonicamente,
10:44na medicina baseada em evidência,
10:46um estudo observacional gera hipóteses.
10:48Ele não nos traz uma conclusão.
10:51Então, os estudos observacionais,
10:53a gente vê falar de queda de imunidade
10:56depois de cinco, seis meses,
10:57isso pode ser apenas por um viés
10:58de fazer uma pergunta.
11:03Desculpa, Cedê.
11:03Não, se me permita só ajudar o leitor aqui,
11:06que não está familiarizado com a literatura.
11:09Estudo observacional
11:13é porque observou a população no mundo real,
11:16que é diferente do ensaio clínico,
11:18que você vai pegar dois grupos
11:19parecidos,
11:21aí tem o grupo do placebo,
11:23o grupo que não tem intervenção,
11:24e o outro grupo.
11:24É isso que o professor quer dizer.
11:25Uma coisa é você observar
11:26o que está acontecendo no mundo real,
11:28outra coisa é um ensaio controlado
11:29que vai ter pacientes,
11:31se possível, duplo cego,
11:33que nem o aplicador sabe
11:34se está aplicando remédio ou não e tal.
11:36Não é isso, professor?
11:37Não, exatamente.
11:38Não precisa do professor, né, Cedê?
11:42Bom, o estudo observacional,
11:44como é que ele é feito?
11:45Ele pega dados do que está acontecendo
11:47na vida real.
11:49E, por incrível que pareça,
11:51você observar o que está acontecendo
11:53sem que você controle
11:54a evolução desses grupos
11:57ou que você selecione adequadamente
11:59esses grupos,
12:00traz um grande viés.
12:01Eu vou dar um exemplo
12:02do que pode estar acontecendo,
12:03é uma hipótese,
12:04alguns pesquisadores já lançaram
12:06essa hipótese em público,
12:08é o seguinte,
12:08você aplica a vacina
12:11para uma parcela da população
12:12e não aplica para outra parcela
12:13da população, né?
12:15E essa seleção em quem vai tomar vacina
12:17ou quem não vai tomar vacina
12:18é de acordo com a vontade da pessoa.
12:19Por sorte,
12:22por uma questão histórica do SUS,
12:25uma questão histórica
12:26de vários governos
12:27que já passaram por aqui
12:28e forçaram muitas campanhas
12:30de vacinação,
12:32nosso movimento antivacina
12:33que, graças a Deus,
12:35cabe numa combi, né?
12:36A gente tem pouquíssimos
12:38pessoas antivacina.
12:39A gente teve, claro,
12:40pessoas que estão com medo,
12:41com receio de informação,
12:43mas essas pessoas tomaram vacina.
12:45Mas o movimento antivacina mesmo,
12:47como tem muito importante
12:48nos Estados Unidos,
12:48na Europa,
12:49aqui, por sorte,
12:50não tem.
12:52Então,
12:52vamos imaginar o que aconteceu,
12:54um exemplo real
12:55aconteceu na Inglaterra.
12:58As pessoas que não quiseram
12:59tomar vacina na Inglaterra
13:01foram avaliadas
13:03ao longo do tempo
13:04e as pessoas que tomaram vacina
13:06foram avaliadas
13:07ao longo do tempo.
13:08E isso causou,
13:11gerou diferentes taxas
13:13de incidência,
13:15diferentes incidências
13:16de infecção
13:16entre os grupos,
13:18certo?
13:19Então, vamos pensar o seguinte,
13:20ao longo do tempo,
13:21depois de 3, 4, 5 meses,
13:25observou-se que,
13:26tirou-se uma conclusão
13:27do estudo,
13:28que a imunidade cai
13:31após 5, 6 meses,
13:33certo?
13:34Mas, não necessariamente,
13:36isso é uma verdade.
13:38Por quê?
13:39O primeiro fato,
13:41óbvio,
13:42de se trazer aqui,
13:43se eu estou estudando
13:44duas populações
13:44que estão caminhando
13:45e a realidade
13:47daquelas duas populações
13:49mudou ao longo do tempo,
13:50então,
13:51uma taxa de epidemia
13:53mudou ao longo do tempo,
13:53isso pode modificar o estudo.
13:56Outro fator
13:57que, para mim,
13:58eu considero extremamente importante
13:59é o seguinte,
14:01a infecção natural
14:02traz uma imunidade.
14:04Obviamente,
14:05a infecção natural
14:05traz uma boa imunidade,
14:07uma imunidade de memória,
14:09principalmente em pessoas
14:10com mais idade.
14:11Por que vacinar,
14:13então,
14:13todo mundo que teve a doença?
14:15Porque você não tem garantia
14:16que essa imunidade
14:17foi homogênea na população.
14:19Então,
14:19se uma pessoa teve doença leve,
14:21ela gerou uma imunidade
14:22menor do que a vacina
14:24via de regra.
14:26Então,
14:26veja bem,
14:27mas eu estou seguindo
14:27duas populações,
14:28milhões de pessoas.
14:30Então,
14:30você não tem,
14:31às vezes,
14:31muito controle
14:31se aquela população
14:33que não tomou vacina,
14:35a tendência dela
14:36é se infectar mais.
14:37Então,
14:38você tem,
14:38de uma certa maneira,
14:39algum grau de imunidade
14:40que vai sendo trazida
14:42naquela população
14:43e que o estudo
14:44não está pegando.
14:45Entendeu?
14:46Você tem mecanismos
14:46de controlar isso,
14:48só que são mecanismos
14:49artificiais.
14:50Você,
14:50às vezes,
14:50não sabe se uma pessoa
14:51teve COVID,
14:53não fez diagnóstico,
14:54ficou em casa
14:54ou achou que era só
14:55uma gripe mesmo,
14:56mas na verdade era COVID.
14:58Então,
14:58a tendência ao longo do tempo
14:59é esses dois grupos,
15:01o grupo que não está vacinado,
15:03ele vai adquirindo
15:04uma certa imunidade também,
15:05entendeu?
15:06Então,
15:06na hora que você vai
15:07comparando esses dois grupos,
15:09há uma tendência
15:10de queda de imunidade.
15:12Perfeito.
15:12Aí,
15:13para deixar claro
15:13para o nosso leitor,
15:14isto é relevante
15:15porque esta imunidade,
15:17ela é calculada
15:17em proporção
15:18entre os dois grupos,
15:19assim como
15:20se fosse um ensaio clínico
15:22do grupo placebo
15:24e o grupo que recebeu a vacina.
15:25A gente sabe
15:26se a vacina é eficaz ou não,
15:27porque tem um grupo
15:28que recebe o placebo,
15:29um grupo que recebe a vacina,
15:30a gente compara os dois grupos
15:32para saber a eficácia da vacina,
15:34não é isso?
15:35E o que o senhor está dizendo
15:35é que no estudo observacional
15:37de população
15:38acontece a mesma coisa,
15:39o grupo que seria o placebo
15:40é o grupo que não tomou vacina,
15:43tem o grupo de vacinados,
15:44com o tempo,
15:45o grupo que não tomou vacina
15:47vai se infectando com a doença
15:49e parte dele adquirindo
15:51a imunidade natural
15:52e aí parece,
15:54em proporção com outro grupo,
15:56que a efetividade da vacina
15:58está diminuindo,
15:58é isso?
15:59É,
15:59isso é uma das hipóteses
16:01que é um dos viéses possíveis
16:02do estudo observacional.
16:03Exatamente isso que aconteceu,
16:06mas são dos viéses possíveis.
16:07Ou seja,
16:08e num estudo controlado,
16:10você não tem esse fenômeno
16:12ou tem um grau muito menor,
16:14não significativo,
16:15porque essas populações
16:16estão sendo acompanhadas
16:17de muito perto.
16:19Então,
16:19qualquer sintoma de COVID,
16:21a população liga
16:22para essa pessoa
16:22que está sendo acompanhada,
16:23ela liga para o centro de pesquisa,
16:25liga para o pesquisador.
16:27Vários estudos
16:28fazem PCR
16:29de tempos em tempos,
16:31então,
16:31uma vez por semana,
16:32uma vez a cada 15 dias
16:33é feito PCR
16:34dessas pacientes,
16:35ou seja,
16:36você tem um controle
16:36muito maior.
16:38Então,
16:38o nível maior de evidência
16:39que a gente tem
16:39para tirar a conclusão
16:40são estudos
16:41randomizados,
16:42controlados.
16:43Estudos observacionais,
16:44como eu disse,
16:45como esse que eu citei
16:45dessas populações,
16:47eles são feitos
16:47para gerar hipóteses.
16:49Quando você não tem
16:50um estudo
16:50randomizado,
16:52controlado,
16:52você,
16:53claro que você pode
16:54depreender dados
16:56desse observacional
16:56e tomar uma conduta
16:58em saúde pública.
16:59se faz isso,
17:01isso sempre foi feito.
17:02Entretanto,
17:03é importante a gente
17:04deixar claro
17:04que essa conduta
17:06é baseada
17:06num menor grau
17:07de certeza.
17:09Lembrando que
17:09em ciência,
17:10tudo é o controle
17:11da incerteza.
17:12Os métodos científicos,
17:13os estudos,
17:14são para controlar
17:15as incertezas.
17:16Então,
17:17você,
17:17e as taxas,
17:20as variáveis
17:21em biologia,
17:23em ciências da saúde,
17:25elas são sempre
17:26de comparar grupos.
17:27Ou seja,
17:28qual a eficácia
17:29da vacina?
17:29Você só sabe
17:30porque você compara
17:31um grupo não vacinado.
17:32Então,
17:33é importante essa dinâmica
17:34entre os grupos,
17:35porque os resultados
17:36sempre vêm dessas
17:37comparações de grupos.
17:38Ou são sempre
17:40eficácias relativas
17:41entre os grupos
17:42ou risco relativo.
17:43A gente lida
17:44com esse tipo de variável.
17:46Legal.
17:46Por falar em estudo controlado,
17:48aliás,
17:48antes da gente chegar
17:49para o estudo controlado,
17:49só atualizando
17:50alguns dados
17:51levantados pelo professor.
17:53Quanto aos atrasados
17:54para a segunda dose,
17:55segundo o Vigivac,
17:56da Fiocruz,
17:57nós estamos hoje,
17:58sexta-feira,
17:59com quase 16 milhões
18:00de brasileiros
18:01atrasados
18:03com a segunda dose,
18:03que já passaram
18:04o tempo
18:05de receber
18:06a segunda dose.
18:07Outra coisa
18:08que o professor
18:09falou do carnaval,
18:10talvez,
18:11aí o doutor
18:12pode comentar ou não,
18:13talvez isso explique
18:14por que
18:15o ministro Queiroga
18:16decidiu
18:17dar essa dose
18:18de reforço
18:19cinco meses
18:21depois da segunda dose,
18:22que é um intervalo
18:23que eu não conheço
18:24em outro país.
18:25o que eles estão
18:26fazendo em Israel
18:27e agora a FDA
18:28está fazendo
18:29é dar dose
18:30de reforço
18:30seis meses
18:31depois da segunda dose,
18:32não cinco meses.
18:33Então, a gente não sabe
18:34de onde o ministro
18:35tirou os cinco meses.
18:37Bom,
18:37por falar em
18:38estudo controlado,
18:40o doutor Filardi
18:41coordena um estudo
18:42que está recrutando
18:43voluntários agora,
18:44que vai estudar
18:45a necessidade
18:47ou os resultados
18:47de uma dose
18:48de reforço
18:48em quem tomou
18:49o Coronavac.
18:50A gente sabe,
18:51professor,
18:52pelas suas redes sociais
18:53que o recrutamento
18:54de voluntários
18:54já começou.
18:55O senhor quer falar
18:55um pouquinho
18:56desse estudo?
18:57Vou falar, sim,
18:58com prazer.
18:59Entretanto,
18:59só vou fazer
19:00uma ressalva antes.
19:02Os dados históricos
19:04de imunologia,
19:05a imunologia
19:05acaba sendo,
19:07ela varia muito pouco
19:08de acordo com,
19:10a fisiologia
19:10na imunologia
19:13segue uma regra geral,
19:15vamos dizer
19:16dessa forma.
19:16então,
19:17nós sabemos
19:18que o tempo
19:18de maturação
19:19de uma resposta imune,
19:21ela se dá,
19:23a resposta imune
19:23ela vai melhorando
19:24com o tempo
19:25e não acabando
19:26com o tempo,
19:26então,
19:27essa ideia
19:27de que a imunidade
19:28em uma vacina
19:29após seis meses
19:30aparece,
19:31isso é uma ideia
19:31antifisiológica,
19:33isso não tem
19:34um embasamento
19:35histórico,
19:37vamos dizer assim,
19:38fisiológico,
19:39imunológico,
19:40para tal.
19:41Por quê?
19:42Ela vai maturando
19:43e melhorando
19:44até uns cinco,
19:45seis meses.
19:46Então,
19:47eu não sei muito bem
19:48de onde o Queiroga
19:49tirou,
19:49qual foi a decisão dele,
19:50se foi municiada
19:51por técnico,
19:52se não foi,
19:53mas cinco meses
19:53é um tempo bom
19:54de intervalo.
19:55Então,
19:56eu vou até elogiar
19:58o que ele fez,
19:59de colocar cinco meses,
20:00porque os modelos
20:01matemáticos
20:02que tentaram estimar
20:04esse tempo
20:04de maturação
20:05colocam que
20:06a partir de cinco
20:07para seis meses
20:08você não tem benefício
20:09mais em esperar,
20:11entendeu?
20:11Então,
20:11a resposta vai melhorando
20:12até chegar nesse limite
20:14de cinco para seis meses.
20:16a partir disso
20:17você não tem
20:18grandes melhoras
20:20no aumento
20:22da afinidade
20:22em esperar mais
20:24para uma dose
20:24de reforço.
20:25Então,
20:25talvez ele tirou
20:26desses modelos
20:27ou,
20:27porque tem muita gente
20:28técnica no Ministério,
20:30tem equipes muito boas
20:31lá que eram do PNI,
20:33agora não estão
20:33nesse órgão novo.
20:35bom,
20:35mas para falar
20:35do estudo em si,
20:37do estudo que a gente
20:38está coordenando
20:39aqui em Ribeirão Preto,
20:41a ideia foi o seguinte,
20:42nós sabemos
20:44que a tecnologia
20:46da Coronavac,
20:48uma tecnologia
20:49de vírus inativado,
20:51ela tende
20:51a gerar
20:52uma menor
20:53resposta imune celular,
20:55né,
20:56do que uma tecnologia
20:57dessas mais modernas
20:59que mimetizam,
21:00entre aspas,
21:00a tecnologia
21:01de vírus atenuado,
21:02ou seja,
21:02você tem uma função,
21:04você tem uma atividade
21:05biológica
21:06dessas proteínas
21:07sendo geradas
21:08dentro da célula
21:09e uma vez
21:10que a proteína
21:11é gerada
21:11dentro da célula,
21:12a apresentação,
21:13a via de apresentação
21:14desses antígenos
21:15dessa proteína,
21:16ela é uma via
21:17diferente
21:17do antígeno
21:19que vem de fora
21:20para dentro
21:20da célula.
21:22É assim que foi
21:22composta a nossa,
21:23que a nossa
21:25resposta imune
21:25foi evoluindo.
21:27Só fazer
21:27uma digressão
21:28rápida,
21:30isso tem muito
21:30sentido se a gente
21:31parar para pensar
21:32que uma bactéria
21:33ela vem de fora
21:33para dentro
21:34da célula,
21:35ela não
21:35cria,
21:37ela não,
21:38entre aspas,
21:38não escraviza
21:39nosso sistema
21:40de geração
21:42de proteína
21:43para que
21:45possa acontecer
21:46a replicação
21:47viral,
21:48por exemplo.
21:49Então,
21:49dessa forma,
21:50o nosso sistema imune
21:50foi evoluindo
21:51para que se o antígeno
21:52vem de fora
21:53da célula,
21:54a resposta imune
21:55ela vai ser
21:56um pouco menos potente,
21:58mas mais geradora
21:59até de anticorpos,
22:00alguns tipos de anticorpos.
22:01se a proteína
22:04é sintetizada
22:05dentro da célula,
22:06a resposta imune
22:07é muito mais potente
22:08no global,
22:09com muito maior
22:09resposta imune
22:10celular,
22:11que para a infecção
22:12viral é extremamente
22:13importante.
22:14Então,
22:14baseado
22:14nesse princípio
22:17e baseado
22:19também em estudos
22:20observacionais,
22:21que aí eu cito
22:22o estudo do Otávio
22:23e do Júlio,
22:24em pacientes idosos
22:26com a P1
22:27e depois
22:28em pacientes
22:29aqui no estado
22:29de São Paulo,
22:30foi visto
22:31que para
22:32idosos
22:33a tendência
22:34a baixa
22:35efetividade
22:36da Coronavac
22:37comparado
22:38com as outras
22:39vacinas
22:39era maior.
22:41Então,
22:42ou seja,
22:43você tem uma menor
22:44eficácia
22:45nesses estudos
22:46observacionais
22:47da Coronavac
22:48nos idosos
22:49comparado
22:49aos outros esquemas
22:50vacinais
22:51que foram
22:51utilizados aqui.
22:52é por conta
22:53da plataforma
22:54da vacina
22:55de vírus inativado?
22:56Não sei.
22:58Pode ser porque
22:58o intervalo
22:59da Coronavac
22:59foi curto?
23:00Lembrando que a Coronavac
23:01foi um intervalo
23:02de um mês
23:02para todo mundo.
23:04Será que se a gente
23:05estendesse esse intervalo
23:06da Coronavac
23:06para três meses
23:07a resposta imune
23:08seria melhor?
23:08Eu não sei,
23:09a gente não sabe.
23:10Então,
23:10lembrando que eu falei
23:11que estudos observacionais
23:13gera hipótese,
23:14foi gerada uma hipótese
23:15de que talvez
23:16o reforço vacinal
23:18nessa população
23:19que se mostrava necessária
23:21pelo estudo observacional
23:23geramos a hipótese
23:25que poderia ser diferente
23:27aplicar uma dose
23:28de AstraZeneca,
23:29por exemplo,
23:29ou fazer uma terceira dose
23:30de Coronavac.
23:31Hoje mesmo
23:32foi publicado na Globo,
23:34eu não li o estudo,
23:34mas eu vi a chamada matéria,
23:36que teve um estudo
23:38de 127 pacientes,
23:39se eu não me engano,
23:40no Chile,
23:42mostrando que a terceira dose
23:43de Coronavac
23:44foi muito boa,
23:45aumentou em 12 vezes
23:46os níveis de anticorpos.
23:47provavelmente isso vai ter
23:49repercussão clínica,
23:50ou seja,
23:52a nossa ideia
23:52com o estudo
23:53então era
23:53trazer dados
23:54de qualidade
23:55puramente científicos
23:58e levar esses dados
23:59aos tomadores de decisão.
24:01Então,
24:01nós vamos comparar
24:03dois grupos,
24:04pessoas acima
24:04de 50 anos de idade,
24:06o estudo inicialmente
24:07foi idealizado
24:09para 60 anos,
24:10lembrando que a hipótese
24:11da queda de eficácia,
24:13de efetividade,
24:14desculpa,
24:14para Coronavac
24:15na população,
24:17ela era muito mais
24:18presente
24:19após os 60 anos,
24:21muito mais ainda
24:21após os 70,
24:22mas muito importante
24:23após os 60 anos,
24:25então nós desenhamos
24:26esse estudo,
24:27só que como um estudo
24:28de qualidade,
24:29um estudo muito bem feito
24:30demora para
24:31você começar,
24:33você tem que ter
24:33todas as bases,
24:35todo o caminho
24:36do bom andamento
24:37das boas práticas clínicas,
24:40relacionadas a um estudo clínico,
24:42então nesse meio tempo
24:44acertadamente
24:45já foi indicada
24:45a terceira dose
24:46para a população idosa,
24:47então a gente abaixou
24:48um pouquinho
24:48o nosso corte,
24:51mandamos uma emenda
24:52para a Conep,
24:52que foi aprovada,
24:53abaixando o corte
24:54para 50 anos de idade.
24:55Então,
24:56nós vamos testar
24:57dois grupos,
24:58ou seja,
24:59o paciente é um estudo
25:00randomizado,
25:01prospectivo,
25:02da forma que a gente
25:03já conversou,
25:05que vai trazer
25:05maiores níveis
25:06de evidência,
25:07um grupo vai tomar
25:08Coronavac,
25:10uma menor porcentagem
25:11dos pacientes
25:12vai tomar
25:13a terceira dose
25:13de Coronavac,
25:14outro grupo vai tomar
25:15a terceira dose
25:16de AstraZeneca,
25:17e aí nós vamos
25:18comparar a evolução
25:19dessa resposta imune.
25:21Então,
25:21o critério de inclusão
25:22são pessoas
25:23acima de 50 anos
25:24que tomaram duas doses
25:25de Coronavac,
25:26e pelo menos
25:27que tomaram
25:28há dois meses
25:29a última dose
25:30de Coronavac,
25:31provavelmente
25:32a grande maioria
25:33da população
25:34já preenche o critério,
25:36e esse
25:38esse grupo
25:39de pessoas,
25:39esses dois grupos
25:40vão receber
25:41ou AstraZeneca
25:42ou Coronavac,
25:42isso vai ser sorteado,
25:44nem nós vamos saber,
25:45nem o paciente
25:47vai saber,
25:48e antes de receber
25:50a dose de vacina,
25:51nós vamos colher sangue
25:52desses indivíduos,
25:54desses voluntários,
25:55e 28 dias depois
25:56esses voluntários
25:57voltam para colher sangue
25:58novamente.
25:59Assim,
26:00nós vamos ter
26:01o dado
26:01muito preciso
26:03de imunidade,
26:04como estava
26:05a resposta imune
26:06desses pacientes
26:08todos,
26:08desses voluntários
26:09todos,
26:09e como ela ficou
26:10após um reforço,
26:12e vamos poder
26:12comparar os dois grupos,
26:14para que aí sim
26:14a gente tenha um dado,
26:15levar um dado
26:16para o Ministério
26:17para falar,
26:18olha,
26:18talvez não seja necessário,
26:21pode dar a terceira dose
26:22de Coronavac,
26:22porque no esquema
26:23desse Coronavac
26:24ela teve uma boa
26:25resposta imune,
26:26ou se não,
26:27a gente fala,
26:27bom,
26:27veja só,
26:28quem tomou duas doses
26:29de Coronavac,
26:30a terceira dose
26:32de AstraZeneca
26:33é melhor que a terceira dose
26:34de Coronavac,
26:34ou o contrário,
26:35entendeu?
26:36Então nós vamos estudar
26:37para saber qual esquema
26:38vai ser melhor
26:38para a nossa população.
26:41Como eu acredito
26:42que a população
26:43em geral
26:43não vai ter tomado
26:44a terceira dose
26:45até o final do estudo,
26:47esses dados
26:48vão ser de extrema importância.
26:49E também tem
26:50uma outra situação
26:50hipotética
26:52que eu considero
26:53menos provável,
26:53mas pode acontecer,
26:55das pessoas
26:55que tomaram
26:56três doses
26:56de Coronavac,
26:57então uma resposta imune
26:58muito inferior
26:59a quem tomou
27:00duas doses
27:00de Coronavac
27:01e a AstraZeneca.
27:02Se isso acontecer,
27:03o Ministério da Saúde
27:04vai ser informado,
27:05para que dessa forma
27:07crie-se uma campanha
27:10nova de vacinação
27:12para ir atrás
27:12dessas pessoas
27:13e que elas recebam
27:14ainda uma quarta
27:15dose de vacina,
27:16um reforço.
27:16Eu estou colocando
27:17essa situação
27:17como hipotética,
27:18uma vez que a gente
27:19considera menos provável.
27:21Mas é o que eu disse,
27:21a gente precisa de dados
27:22para tomar a decisão.
27:23Essa já era a discussão
27:25em setembro
27:26quando o seu estudo
27:27foi aprovado
27:28pela Conep
27:29e na época
27:30o governador João Dória
27:31já insistia
27:32que a Coronavac
27:33poderia sim,
27:35deveria ser dose
27:35de reforço
27:36para os idosos,
27:37até então
27:38só se falava em dose
27:39de reforço
27:39para os idosos,
27:41contra a orientação
27:42do Ministério da Saúde
27:43que indicava
27:44que quem tinha tomado
27:45duas doses
27:46de Coronavac
27:46não deveria tomar
27:47também Coronavac
27:48como dose de reforço.
27:49A gente aguarda
27:50os resultados
27:51do seu estudo,
27:52doutor,
27:52para a gente saber
27:53quando o senhor espera
27:54que teremos
27:55os primeiros resultados.
27:57Bom,
27:58o estudo
27:59a gente começou
28:01a agendar os pacientes
28:01hoje,
28:02ou seja,
28:03sexta-feira que vem
28:04o estudo começa
28:04na prática,
28:06então finalmente
28:07depois de seis meses
28:09de desenho de estudo,
28:11eu agradeço publicamente
28:12o apoio
28:13do Ministério da Saúde,
28:14até do governo
28:15do estado de São Paulo
28:15que cedeu as doses
28:16de Coronavac
28:17por despacho
28:18do Ministério da Saúde
28:19para que a gente
28:20conseguisse
28:21fazer um bom estudo
28:24para trazer esses dados
28:25que a população toda
28:26vai ganhar com isso,
28:27não só a nossa,
28:28mas da América do Sul
28:29e outros países
28:30também que tomaram
28:30Coronavac.
28:32O nosso estudo
28:32começa então
28:33na sexta-feira que vem,
28:34os primeiros voluntários
28:35já vão começar
28:36a ser vacinados
28:37e colher sangue
28:37para que seja analisada
28:39a imunidade
28:40e são 300 pacientes
28:42no total,
28:44a gente já está caminhando
28:44para a metade
28:45dos pacientes inscritos,
28:46então eu reforço aqui
28:48o convite
28:49a quem tomou
28:50duas doses de Coronavac
28:51e queira participar
28:52do estudo,
28:53a vantagem de participar
28:54desse estudo
28:55em relação
28:55a tomar uma terceira dose
28:57de vacina
28:58no posto de saúde,
28:59ela é bem óbvia,
29:00você,
29:01cada indivíduo
29:02no final do estudo
29:03vai saber exatamente
29:04como está a sua imunidade,
29:05e aqui eu vou fazer
29:06mais um parênteses
29:06para explicar sobre isso,
29:08não existe um correlato
29:10de imunidade
29:11em exame
29:16adotado
29:17na prática clínica
29:18em laboratórios
29:19comerciais,
29:20o que é esse correlato
29:21de imunidade?
29:22Eu não tenho como
29:22fazer um exame
29:23no laboratório
29:24e em qualquer laboratório
29:25comercial fazer um exame
29:27e esse exame
29:28me dá
29:28o resultado
29:30de como está
29:31a minha imunidade,
29:31isso não existe,
29:32isso não está ratificado
29:33na prática clínica,
29:34a gente sabe
29:35que alguns colegas
29:35pedem os exames,
29:36alguns pacientes
29:37fazem o exame,
29:39só que isso
29:39não está validado,
29:41então um exame
29:41que está muito na moda
29:42é o exame
29:43de anticorpo neutralizante
29:44e fica uma ressalva
29:47muito grande
29:48que esse exame
29:49feito em laboratórios
29:50comerciais
29:51não é um exame
29:53de anticorpo neutralizante,
29:54é um simples
29:55ensaio de ligação,
29:56ensaio de competição
29:58por um sítio de ligação,
29:59não vou entrar em detalhes
29:59disso para a entrevista
30:00não ficar muito técnica,
30:03mas no nosso estudo
30:05vai ser colhido
30:06anticorpos,
30:07vão ser isolados
30:08os anticorpos
30:09dos indivíduos,
30:10dos voluntários,
30:11vai ser colhido
30:12as células de defesa,
30:13linfócitos B,
30:14linfócitos T,
30:15esse material
30:16vai ser enviado
30:17para a IEI
30:17no laboratório
30:18da professora Akiko,
30:19que é uma das principais
30:20imunologistas do mundo,
30:22das principais referências
30:23em imunologia do mundo,
30:25no laboratório
30:26da professora Akiko
30:27vão ser testados
30:28os anticorpos
30:29frente a muitas
30:30variantes diferentes,
30:31então o estudo
30:32vai trazer ainda
30:32essa vantagem
30:33de falar,
30:34olha só,
30:34a Coronavac
30:35ou a AstraZeneca,
30:37o esquema vacinal
30:38de duas doses
30:39de Coronavac
30:39está sendo muito bom
30:40para tal variante,
30:42mas essa variante nova
30:43que chegou,
30:43a Delta Plus
30:44ou a Delta,
30:45você não tem
30:47um nível de neutralização
30:48ainda melhor,
30:48ou seja,
30:49nós vamos comparar
30:50com as variantes,
30:51nós vamos estudar
30:51as variantes
30:52em vírus vivo,
30:53um laboratório
30:54que é de extrema
30:56complexidade,
30:57né,
30:58vai ser avaliado
30:59também
31:00para variantes
31:02diferentes,
31:02a resposta imunicelular
31:03de linfócito B,
31:05de linfócito TCD4,
31:07de linfócito TCD8,
31:08que,
31:09ou seja,
31:09nós vamos ter o padrão
31:10ouro da imunidade,
31:13e cada indivíduo,
31:14então,
31:15que participar,
31:15cada voluntário
31:16que participar do estudo,
31:17no final do estudo
31:18ele vai saber
31:18exatamente como está
31:19a sua imunidade,
31:21para aí sim ser tomado,
31:22esses dados vão ser levados
31:23ao Ministério da Saúde,
31:24vai ser discutido
31:25com o Ministério da Saúde
31:26com os técnicos,
31:27para que aí sim
31:28seja tomada
31:29a melhor decisão
31:30baseada em dados
31:31da nossa população
31:33para a nossa realidade,
31:35para que isso seja
31:36estendido para toda
31:37o restante da população.
31:38Esperamos que já
31:39no começo do ano,
31:40no começo de janeiro,
31:42tenhamos já
31:43alguns dados
31:43para ser levado
31:45ao Ministério discutido
31:46de modo mais informal,
31:49que a publicação,
31:50eu acredito,
31:51que deva sair
31:52do estudo completo
31:52em março,
31:53mais ou menos,
31:54né,
31:54mas os dados
31:55para se discutir
31:56estratégias para a população,
31:58eu gostaria já
31:59de levar isso
32:00ao Ministério
32:01no final de janeiro,
32:02já ter uma resposta
32:04boa,
32:05uma resposta já
32:06consistente cientificamente
32:07para levar para o Ministério.
32:09Quando os dados
32:10do estudo científico
32:11começarem a ser enviados
32:12no fim de janeiro
32:13para o Ministério da Saúde,
32:15já vai ter gente suficiente
32:16que recebeu
32:16doses de reforço
32:17para fazer o observacional,
32:20já que o
32:20Ministério da Saúde
32:22já começou
32:23de uma vez.
32:25O que vai ser
32:25é o que vai acontecer,
32:26porque aí você tem
32:27um estudo observacional
32:28e um estudo controlado,
32:30e você pode até
32:31comparar os dois,
32:32ou seja,
32:33a ciência vai avançar
32:35muito com esses resultados.
32:36Tem um estudo também
32:37feito,
32:37encomendado pelo próprio
32:38Ministério,
32:39que é semelhante ao nosso,
32:41que foi encomendado,
32:42está sendo feito
32:42por uma parceria,
32:44se não me engano,
32:45com a Fiocruz também,
32:46o nosso também tem
32:46parceria da Fiocruz,
32:47eu agradeço aqui
32:48nominalmente
32:49o Mark Krieger,
32:50que foi muito gentil
32:52e apoiou o estudo
32:53desde o início,
32:53o vice-presidente
32:54da Fiocruz,
32:54que foi uma pessoa
32:56que defendeu demais
32:57o estudo,
32:58o Júlio Proda também,
32:59que é co-autor do estudo,
33:01batalhou muito
33:01para que ele saísse.
33:04Então,
33:05no final de janeiro,
33:06começo de fevereiro,
33:07nós vamos ter
33:07os dados observacionais
33:08e os dados
33:09desse nosso estudo
33:11e de outros,
33:12para que aí sim
33:13a gente consiga
33:14entender melhor
33:15o significado
33:16desses observacionais,
33:17se eles podem,
33:18de repente,
33:19ser bons estudos
33:20para tomada de decisão,
33:21não só para gerar hipótese
33:22nesse contexto
33:23de vacina de Covid,
33:24de pandemia.
33:26Outro dado interessante
33:27que o nosso estudo
33:27vai trazer,
33:28isso é algo inédito,
33:30nós vamos estudar
33:31correlatos de imunidade,
33:33ou seja,
33:34nós vamos comparar
33:35nessas populações
33:36esses exames comerciais,
33:38então isso vai ser
33:39um dado inédito
33:39pelo que a gente sabe
33:40até agora,
33:41ou seja,
33:41se de repente
33:42o exame comercial
33:43for validado
33:44no nosso estudo,
33:46de repente,
33:46você tem para a população
33:48um bom correlato
33:49de imunidade,
33:49que pode,
33:50inclusive,
33:50nortear
33:51se uma pessoa
33:51precisaria tomar
33:53uma quarta dose,
33:54vamos dizer,
33:54dessa forma,
33:55entendeu?
33:56Então isso vai ser
33:57estudado também
33:57no nosso projeto.
33:59Essa parte do trabalho
34:00me lembra
34:00daquele quadro
34:01do Fantástico
34:02que tinha do Inmetro,
34:03a gente pegou
34:04os testes comerciais
34:05de anticorpos
34:06e a gente vai ver
34:07se o teste funciona mesmo,
34:08a gente vai ver
34:08qual a marca tal,
34:10esse teste
34:10deu certo mesmo,
34:12o resultado é bom,
34:13esse aqui não,
34:13não tem nada a ver
34:14com a proteção,
34:15não bateu uma coisa
34:16com a outra.
34:17Para o nosso leitor
34:18que nos acompanha,
34:18a professora Kiko,
34:19que o professor Filari disse,
34:21é a professora
34:22Akiko Iwasaki,
34:23que é a professora
34:24de imunobiologia
34:25lá em Yale,
34:26e ela que vai comandar
34:28aí o análise
34:29das amostras de sangue
34:30que vão ser enviadas,
34:33amostras de sangue
34:33dos voluntários
34:34aí que receberam
34:35duas doses de Coronavac
34:36e vão receber
34:38uma terceira dose
34:39ou de Coronavac
34:39ou AstraZeneca
34:40e o estudo do professor
34:41vai comparar os resultados.
34:43Muito legal, professor,
34:45até esta sexta-feira
34:47que a gente está gravando,
34:48para quem recebeu
34:49a dose da Janssen,
34:50ainda não tinha saído
34:52nota técnica
34:52com a segunda dose
34:53da Janssen.
34:54A gente ainda vai falar
34:55isso antes de a gente
34:56encerrar,
34:57porque é importante,
34:58porque é o seguinte,
34:59mais de 4 bilhões
35:00de brasileiros
35:00receberam uma dose
35:01da vacina da Janssen.
35:02O ministro Queiroga
35:03disse,
35:04ainda se há nota técnica,
35:05até esta sexta-feira,
35:06quem recebeu o Janssen
35:07tem que receber duas doses,
35:09mas simplesmente
35:09não tem dose,
35:10porque, primeiro,
35:11quem recebeu o Janssen
35:12recebeu em junho
35:13ou julho,
35:14portanto,
35:14há mais de dois meses.
35:16segundo,
35:17acabou de chegar
35:18no Brasil
35:19há poucos dias
35:19um milhão de doses
35:21da vacina da Janssen,
35:22sendo que já tem
35:22quatro milhões de vacinados.
35:24Como é que o senhor
35:25vê essa avaliação aí,
35:27agora falando
35:28de segunda dose
35:28da Janssen,
35:29que é uma orientação
35:30diferente para quem
35:31recebeu as outras
35:31três vacinas?
35:32Bom, curiosamente,
35:36tem um dado
35:36bem interessante
35:37da vacina da Janssen,
35:38especificamente,
35:40que mostra a evolução,
35:43a maturação
35:44dos anticorpos neutralizantes
35:45contra várias variantes
35:48diferentes,
35:49e, se eu não me engano,
35:51no sexto mês,
35:53no trigésimo dia,
35:55esses anticorpos
35:56eram mais frágeis,
35:57menos,
35:58mais frágeis,
35:58entre aspas,
35:59eles tinham uma menor
36:00afinidade pelos antígenos,
36:02das variantes,
36:04e, no sexto mês,
36:05essa resposta imune
36:06tinha sido muito melhor.
36:08Então, eu faço
36:09o mesmo paralelo
36:09do que eu falei
36:10das outras vacinas,
36:12serve para a Janssen,
36:13ou seja,
36:14a pessoa que tomou
36:15uma dose,
36:15ela está muito bem
36:16protegida,
36:17como as pessoas
36:18que tomaram duas doses
36:19das outras vacinas
36:19estão muito bem protegidas.
36:22O que a gente tem
36:23de indicação mesmo hoje,
36:24viu, CD,
36:25olhando os dados,
36:26olhando para a nossa
36:28população que fez
36:29esquemas vacinais
36:31de três meses,
36:32olhando os dados
36:35científicos,
36:35para mim,
36:37o que eu depreendo deles,
36:38o que eu tiro dos dados
36:39é que não há uma necessidade
36:42inequívoca,
36:44imediata,
36:45de fazer a terceira dose
36:46para toda a população,
36:47necessidade,
36:49mas está muito bem
36:51recomendado,
36:51porque quanto mais
36:52doses de vacina,
36:53melhor vai ser a proteção,
36:54não tem risco
36:55para a população,
36:56certo?
36:57Deixando isso bem claro,
36:59o que tem recomendação
37:01imediata,
37:02o que é importante
37:03de se fazer
37:04para ontem
37:04é vacinar os idosos
37:05imunossuprimidos,
37:07principalmente aqueles
37:08que tomaram Coronavac,
37:09porque os dados
37:09observacionais mostram,
37:11e aí,
37:12voltando
37:13na certeza científica,
37:15né,
37:16os dados observacionais
37:17têm um menor grau
37:18de certeza,
37:18mas como o risco
37:19é grande,
37:21compensa,
37:21o risco de,
37:22claro,
37:22de óbito,
37:24nós estamos falando
37:24de desfechos
37:25trágicos,
37:26né,
37:27então,
37:27mesmo o dado
37:28não sendo muito
37:29robusto,
37:30não tendo um grande
37:31grau de certeza,
37:33no estudo observacional
37:35você não tira a conclusão,
37:36mas justifica a tomada
37:38de ação
37:39em política pública
37:41para revacinar os idosos.
37:42Então,
37:43o que eu vejo aqui,
37:44existe uma necessidade
37:45clara,
37:46imediata,
37:46de revacinar os idosos,
37:49e aí,
37:49talvez até por questões,
37:50não vou dizer políticas,
37:52mas por questões
37:52de saúde pública mesmo,
37:54de dificuldade de separar,
37:55para a população entender,
37:56então,
37:57orientou-se a revacinar
37:58todos os idosos,
37:59independente da vacina
38:00que tomaram,
38:00que está ok,
38:02tudo bem,
38:02eles só têm a ganhar
38:03com isso,
38:05e optou-se por fazer
38:08vacinas diferentes,
38:10porque a gente já sabe
38:11da literatura
38:11que o esquema heterólogo,
38:13ou seja,
38:14vacinas diferentes,
38:16traz uma imunidade
38:17que tende a ser melhor
38:19que a mesma vacina,
38:20entendeu?
38:21Mas nessa questão
38:22do heterólogo,
38:23eu queria que o senhor
38:24comentasse uma questão
38:25seguinte,
38:25apesar do Ministério da Saúde,
38:26nessa nota técnica,
38:27falar de vacinação
38:28heteróloga,
38:29ele diz
38:30que quem tomou,
38:31por exemplo,
38:32duas doses de Pfizer,
38:33pode tomar a terceira
38:34da Pfizer também,
38:35não recomenda
38:36para quem tomou Pfizer,
38:38uma dose de reforço
38:38de outra vacina,
38:40e até com esse movimento,
38:42a AstraZeneca
38:43entrou com pedido
38:43na Anvisa,
38:44para que a vacina
38:45da AstraZeneca
38:46seja três doses
38:47da Bula,
38:48para quem tomou Pfizer,
38:50a questão da heteróloga
38:51não funciona?
38:52não vale?
38:54Funciona,
38:55funciona sem dúvida também.
38:57Tem um estudo
38:58muito interessante,
38:59um estudo,
38:59se eu não me engano,
39:00inglês,
39:02posso estar errado
39:03de cabeça,
39:04mas que,
39:06ou holandês,
39:06eu não lembro,
39:06mas foi um estudo
39:08já de uns três,
39:10quatro meses,
39:11que comparou
39:11Pfizer,
39:12Pfizer,
39:12AstraZeneca,
39:13AstraZeneca,
39:14e Pfizer da AstraZeneca,
39:18AstraZeneca,
39:18Pfizer,
39:19ou seja,
39:20inclusive,
39:21se você tomar Pfizer,
39:22a população que tomou
39:24Pfizer da AstraZeneca
39:24foi muito bem,
39:26ou seja,
39:28para a terceira dose
39:29a gente não tem,
39:30como eu disse,
39:31a gente não tem dado
39:32para poder fazer
39:33nenhuma afirmação
39:33mais categórica,
39:35entretanto,
39:36baseado no que já tem
39:37de evidência prévia,
39:39podemos inferir
39:40que a vacinação
39:42heteróloga com AstraZeneca
39:43para quem tomou Pfizer,
39:45eu faço uma hipótese
39:46que deve suscitar
39:48uma resposta imune
39:49melhor,
39:51mais robusta
39:52e mais heterogênea,
39:54por lidar com epítopes
39:55um pouco diferentes
39:56no processamento,
39:58isso é um detalhe
39:59mais técnico,
39:59mas eu faço uma hipótese
40:01que o esquema heterólogo
40:05para quem tomou Pfizer
40:06tomar AstraZeneca
40:07ou tomar Janssen,
40:08eventualmente,
40:09mas é uma realidade
40:10mais diferente,
40:11seria melhor.
40:13Quem tomar 3 de Pfizer?
40:16Creio que sim.
40:17Quem tomar 3 de Pfizer
40:18vai estar maravilhosamente
40:19bem protegido,
40:20quem tomar 2 de Pfizer
40:21vai estar muito bem protegido,
40:22entendeu?
40:23Então,
40:23mas se vai tomar a terceira,
40:24se alguém optar
40:25para tomar a terceira,
40:26não teria por que falar
40:28que teria que ser Pfizer,
40:30entendeu?
40:30A AstraZeneca,
40:32teoricamente,
40:34no pior dos cenários,
40:35vai estar do mesmo nível
40:37de reforço,
40:38entendeu?
40:38Perfeito.
40:40Bom,
40:40isso aí a gente ainda
40:41vai descobrir.
40:42O que a gente concluiu
40:43é que os estudos
40:45ainda são preliminares,
40:46a gente ainda está discutindo
40:48e está investigando
40:49ainda os reais resultados.
40:51Sim,
40:51é tudo muito hipotético,
40:52né?
40:52É tudo baseado em...
40:54Eu até,
40:56acho que até tuitei
40:57agora há pouco
40:58duas coisas
41:00que são muito ruins
41:01para a ciência,
41:02você deve,
41:03duas coisas que são péssimas
41:04para a saúde pública
41:04e ciência.
41:05Narrativa política,
41:07isso é uma tragédia
41:08para a ciência,
41:09né?
41:10E opinião de especialista
41:11também é péssima,
41:12entendeu?
41:13Então,
41:14a ciência é feita
41:15com dados de qualidade.
41:18Opinião de especialista
41:19continua sendo
41:20só uma opinião,
41:21né?
41:22A ciência,
41:23ela é pautada
41:23em dados.
41:25Tem uma frase
41:26do Feynman
41:27que eu adoro,
41:28que ele fala
41:28que a ciência
41:30é a ignorância
41:31da certeza
41:33dos especialistas.
41:34Há uma tradução
41:35livre mais ou menos
41:35disso,
41:36ou seja,
41:37a opinião
41:39de especialista,
41:40ela não serve,
41:41né?
41:43Ou seja,
41:44o especialista,
41:45ele sabe que a opinião
41:45dele não tem
41:47tanto valor.
41:48O que tem valor
41:48são os dados científicos.
41:49E o que a gente precisa
41:51para melhorar a condução
41:52da pandemia
41:52são dados científicos
41:54de qualidade.
41:56O Feynman
41:57que o doutor Bruno
41:57falou
41:58é o Nobel de Física.
42:00Tem muitas aulas dele,
42:02trechos maravilhosos
42:02no YouTube,
42:03para quem não conhece,
42:04ele era também
42:05um grande defensor
42:06da ciência explicada
42:08para o público amplo,
42:11como o doutor Bruno
42:12está fazendo para nós.
42:13E, doutor Bruno,
42:14o que eu não perguntei
42:15e o nosso leitor
42:16precisa saber?
42:18Bom, Cede,
42:19eu acho que a gente,
42:20foi uma entrevista longa,
42:23a gente falou
42:23bastante coisa,
42:24a gente comentou
42:25sobre diversos aspectos.
42:27Falar sobre ciência
42:29é muito complicado,
42:30porque a gente traz
42:31às vezes temas
42:32que podem
42:33soar como
42:34controversos
42:35ou soar eventualmente
42:37como ambíguos,
42:37dependendo do contexto.
42:39Se alguém vê
42:40uma frase descontextualizada
42:41de uma entrevista longa,
42:43pode gerar ambiguidade,
42:46como falei em outros momentos.
42:48Mas eu acho interessante
42:49essas conversas
42:49um pouco maiores,
42:51que a gente consegue
42:52passar para a população
42:54em geral,
42:55e fica um bate-papo,
42:56a gente consegue passar
42:56para a população em geral
42:57conceitos mais difíceis,
43:00mais herméticos
43:00da ciência.
43:02E eu acho que você
43:03abordou muito bem
43:03os temas,
43:05e o que tem que ficar
43:06de mensagem mesmo
43:07é que não tem
43:08nenhuma conduta errada
43:09do Ministério,
43:11não existe nada
43:12mal feito
43:12em termos de conduta,
43:14essa terceira dose
43:15não está errada
43:15de forma alguma,
43:16ela só vai vir
43:17para ajudar.
43:18O que nós estamos
43:19discutindo aqui
43:20é que as evidências
43:22que ratificam,
43:24elas ainda
43:25são preliminares,
43:26são mais hipotéticas,
43:27mais observacionais,
43:29mas sem dúvida alguma
43:30eu assinaria
43:31embaixo fazer,
43:33quem sou eu,
43:34mas eu assinaria
43:34embaixo fazer
43:35uma terceira dose
43:36para toda a população,
43:38e se ainda
43:39a epidemia estiver
43:40continuando,
43:41continuar,
43:42enfim,
43:43isso dá mais para frente
43:44uma maior quantidade
43:46de reforços,
43:47mas principalmente
43:49porque talvez
43:50as vacinas
43:50possam ser atualizadas
43:51no futuro,
43:52mas enfim,
43:53eu acho que tem
43:53que ficar claro,
43:54a terceira dose
43:56é extremamente segura,
43:58está certa,
43:59está bem indicada,
44:00vai melhorar a imunidade
44:00de todo mundo,
44:02e o que nós estamos
44:02discutindo é,
44:04vamos fazer
44:04com que as próximas
44:06condutas
44:07sejam baseadas
44:08em conhecimento científico,
44:11em dados científicos,
44:11em evidências científicas.
44:14Perfeito,
44:15e fica o recado,
44:16se você é um
44:17dos cerca de 16 milhões
44:19de atrasados
44:20para tomar a segunda dose,
44:22tome a segunda dose
44:23da vacina,
44:24se você é um dos atrasados
44:25para a prova do Enem,
44:26que acontece nesse fim de semana,
44:28aí não tem jeito mais,
44:29aí só ano que vem.
44:31Eu conversei com o doutor
44:32Bruno Filardi,
44:33do Instituto do Câncer Brasil.
44:34Doutor,
44:35muito obrigado pelo seu tempo.
44:37Eu que agradeço,
44:38é sempre um grande prazer
44:39falar com você.
44:39do Instituto do Câncer Brasil.
44:43do Instituto do Câncer Brasil.
44:45Do Instituto do Câncer Brasil.