00:00Esse aí não é um fato econômico,
00:02isso é um fato político importante.
00:04Para além de sociológico.
00:07Porque,
00:08bom,
00:10em primeiro lugar, mostra
00:11o quanto Brasília está desconectada
00:13da realidade. Eles estão preocupados
00:15em controlar o Ministério Público.
00:18Eles não estão preocupados em resolver
00:19a fome no Brasil.
00:22Zero. Preocupação?
00:24Zero. Porque o deles está garantido.
00:26Seja através
00:27dos salários que nós pagamos,
00:30seja através de outras fontes
00:32de renda ali que a gente sabe que os caras têm.
00:35Boa parte, pelo menos.
00:37Agora,
00:39a favelização
00:40do Brasil
00:41é evidente.
00:44Dobrou o número de favelas
00:46em 10 anos.
00:48Isso é visível. Basta você olhar
00:50as periferias das cidades
00:52e, às vezes, nem as periferias.
00:55Às vezes, as favelas estão se instalando
00:56até nos próprios centros.
00:58O número de cortiços.
01:00Número de imóveis ocupados.
01:01Número de gente na rua.
01:04Você tem...
01:05Então, você tem ali um contingente
01:08de 20 milhões de pessoas
01:09que já passam fome.
01:10De outras, 25 milhões
01:11que não sabem se passarão fome
01:13no dia seguinte.
01:14E mais, se eu não me engano,
01:1575 milhões que têm receio
01:18de ficar na situação.
01:21Isso não é dramático.
01:22Isso é trágico.
01:23É uma tragédia.
01:25É uma tragédia.
01:26E,
01:27atenção,
01:29quem não se preocupar com isso
01:31no discurso de campanha,
01:34no seu programa de campanha,
01:36não será eleito.
01:40E aí você tem...
01:41É um fato político,
01:42porque isso dá margem
01:43ao populismo,
01:45assistencialista,
01:46sem porta de saída,
01:47porque, obviamente,
01:50toda essa gente,
01:51todos esses cidadãos
01:52não estão preocupados
01:54com o teto de gastos.
01:56Estão preocupados
01:57com o próprio teto,
01:58com o fato de não ter comida
02:00no feijão,
02:01no fogão,
02:02ter feijão no fogão,
02:04ter comida na geladeira.
02:06E podem votar
02:08no primeiro que lhes oferecer
02:11essa possibilidade
02:12como se fosse
02:13a coisa mais fácil do mundo.
02:14Agora,
02:15do lado dos candidatos
02:17responsáveis,
02:18se é que usar,
02:20é preciso que eles
02:21contemplem também
02:23as necessidades emergenciais.
02:25Foi o que eu escrevi
02:26ao falar do desafio
02:27do Sérgio Moro.
02:28Se o Sérgio Moro
02:29for candidato
02:30e se cercar
02:32de economistas bacanas,
02:34não basta pensar apenas
02:36no teto de gasto,
02:38na responsabilidade fiscal,
02:41em programas
02:42de modernização da economia,
02:43tudo isso é necessário,
02:45é imprescindível,
02:46mas você tem uma questão
02:48emergencial no Brasil
02:49causada pelo desemprego,
02:53causada pela inflação agora,
02:57que é essa,
02:58quer dizer,
02:58do desespero absoluto.
03:02Essa é a situação.
03:03É a situação em que se encontra ali,
03:06em maior ou menor intensidade,
03:09metade da população brasileira,
03:11100 milhões de pessoas,
03:12dos quais 20 milhões,
03:15já passam fome,
03:16repito.
03:17Então, se você não tiver
03:18um plano econômico
03:20que contemple isso
03:21de uma maneira racional,
03:24também do ponto de vista
03:25das contas públicas,
03:27mas que contemple,
03:28esse candidato não será eleito.
03:34Então, nós corremos o risco
03:36de cairmos outra vez
03:38no populismo,
03:39porque o populismo,
03:41certamente,
03:42contemplará
03:43a qualquer custo
03:45para a nação.
03:48Esse problema aqui,
03:50como eu disse,
03:50não é mais um drama,
03:51é uma tragédia.
03:52Além de ter esse programa,
03:56ainda é preciso
03:57embalá-lo
03:57de uma forma
03:58que chegue
03:59ao eleitor comum,
04:01chegue a esse eleitor
04:02que precisa disso,
04:05que ele entenda
04:06que esta é uma saída
04:07possível, né, Mário?
04:09É, é preciso,
04:10obviamente,
04:11que a meta
04:11de qualquer plano econômico
04:13é criar condições
04:15suficientes
04:16para que empregos
04:17sejam gerados
04:18pela iniciativa privada.
04:19A única maneira
04:21de uma nação ir para frente,
04:22de seus cidadãos
04:23terem alguma segurança,
04:25é por meio
04:26da iniciativa privada,
04:28que gera empregos.
04:31O resto é balela.
04:32O Estado não é capaz
04:34de sustentar,
04:35obviamente,
04:35200 milhões de pessoas,
04:37porque não tem esse dinheiro.
04:41Mas é preciso
04:42atender
04:43as necessidades emergenciais,
04:45né,
04:45então,
04:46é preciso matar a fome,
04:47é preciso alimentar
04:48essas pessoas
04:49diariamente,
04:50e é preciso investir
04:52em educação,
04:54é preciso
04:54acabar com essa
04:57insegurança jurídica
04:59absurda
05:00que nós fizemos,
05:01que nós vivemos,
05:02acabar com essa
05:04cipoal fiscal,
05:08né,
05:09que essa reforma
05:10aí que está
05:11por aí
05:12só fará
05:13piorar,
05:15né,
05:16mas assim,
05:17mas você não tem,
05:18você tem uma política
05:18desconectada,
05:19né,
05:20Cláudio,
05:20só atende,
05:21assim,
05:21aos interesses imediatos
05:22dela própria
05:23através de medidas
05:24populistas,
05:24você não tem,
05:26o Brasil não tem plano,
05:28o governo não tem plano,
05:30mas pior ainda,
05:31a nação não tem plano,
05:33plano nenhum,
05:35né,
05:35a gente vive
05:36da mão pra boca
05:37no dia a dia,
05:39né,
05:39e soube
05:43a égide,
05:45né,
05:45dessa classe
05:47política
05:47vagabunda,
05:51vagabunda,
05:53né,
05:53eles são vagabundos
05:55na qualidade,
05:56eles são vagabundos,
05:57né,
05:58basta ver
05:59que a gente
06:00está assistindo hoje
06:01a preocupação
06:02com o Conselho Nacional
06:04do Ministério Público
06:05quando você tem ali
06:0620 milhões de pessoas,
06:08de brasileiros,
06:09passando fome
06:09todos os dias.
06:10Obrigado.
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