00:00Nós tivemos hoje, então, a saída dos comandantes das Forças Armadas do Exército, o Edson Pujol, o General Edson Pujol, o Almirante Ilques Barbosa, da Marinha, comandante da Marinha, e o Antônio Carlos Bermudes, que era o comandante da Aeronáutica.
00:16Todos eles decidiram entregar seus cargos de forma conjunta, e é um episódio inédito, é a primeira vez que isso acontece. E nós estamos noticiando isso desde ontem, acompanhando os bastidores, trazendo em primeira amostra as informações, e o cenário é esse.
00:36Quer dizer, houve ali uma tentativa no início, desde a substituição do ministro da Defesa ontem, e especialmente no caso do comandante do Exército, que o Bolsonaro já se queixou diversas vezes dele, o Pujol, agora ex-comandante, o Pujol convocou uma reunião do alto comando, chegaram à conclusão de que ele tinha que sair mesmo, porque ficou uma situação insustentável, humilhação pública, você ficar o presidente da República falando mal do comandante do Exército.
01:04Então ele comunicou os demais comandantes, e eles, que vinham sempre tendo uma atuação conjunta na gestão do Fernando Azevedo Silva, eles decidiram então entregar conjuntamente os cargos.
01:18E aí o fizeram, teve uma reunião ainda pela manhã com o novo ministro, ainda não empossado, o general Braga Neto, que estava na Casa Civil até agora, e ele e o Braga Neto tentou pacificar ali,
01:31tentou convencer os demais, o da Marinha, o comandante da Marinha e o da Aeronáutica a permanecerem no governo, mas não houve solução.
01:40Aliás, o próprio comandante da Marinha se exaltou bastante, segundo a nossa reportagem apurou, e reclamou muito, reclamou muito dessa coisa de intromissão política,
01:55da tentativa de uso político, e alertou, olha, as Forças Marinhas não podem cair numa aventura como foi em 64.
02:03Ele disse assim, olha, é inadmissível o uso político dos militares.
02:07Ele também, o Pujol também criticou a postura do presidente, que ficou chamando de meu exército, meu exército em função da questão do lockdown, que é uma questão política.
02:17Então, é muito ruim você ficar trazendo, arrastando instituições de Estado, como são as Forças Armadas, para a sua disputa, a sua briga política.
02:29E o Bolsonaro, que a gente já conhece, é um personagem que gosta de brigar, gosta da guerra permanente.
02:35Agora, uma coisa é a guerra política, outra coisa é a guerra real.
02:38Então, é inadmissível isso, as instituições devem permanecer firmes, e os homens que comandam essas instituições não podem ceder a desejos privados,
02:55que é disso que se trata, de aventureiros políticos.
02:59É disso que se trata.
03:01A gente avança aqui na nossa pauta, os comandados, os cotados para comandar as Forças Armadas.
03:08Como a gente acabou de ouvir aqui do ex-ministro Santos Cruz, o presidente tem, entre os generais quatro estrelas, a liberdade de escolher.
03:19Nós noticiamos mais cedo, havia ali uma lista com os favoritos.
03:24Isso mais cedo, é óbvio que a gente sabe que isso pode mudar, mas os nomes que estavam correndo eram do general José Luiz Freitas, do Exército,
03:34do almirante Alípio Jorge, da Marinha, e do brigadeiro Carlos Almeida Batista Júnior, da Aeronáutica.
03:40Há uma tradição interna, quer dizer, pelo menos um desejo interno, de que sempre seja respeitada essa hierarquia e a antiguidade,
03:50a antiguidade de acordo com a turma em que o general se formou, o brigadeiro, o almirante.
03:57Então, há um entendimento natural de que, olha, você escolhe o mais antigo, mas, como disse o Santos Cruz, não há essa obrigatoriedade.
04:04Você pode escolher, sim, o Bolsonaro tem essa prerrogativa de escolher entre os generais quatro estrelas, quem ele quiser.
04:11E aí é que a gente está monitorando, esperando a divulgação desses nomes para entender o perfil e entender se esse risco aí de uso político,
04:22se ele aumenta ou se ele diminui, tá?
04:26O Bolsonaro, desde sempre, e lembrando que amanhã é dia 31, o Bolsonaro, hoje, a gente estava na expectativa de que esses nomes saíssem hoje,
04:34mas já estão previstos, já deve ficar mais para amanhã, né?
04:38Então, vamos dormir com essa expectativa, muito provavelmente, mas torcendo para que haja um respeito ao Estado Democrático de Direito,
04:48que é isso que é importante nesse momento, sem aventuras, até porque aventuras também podem ter consequências para o próprio aventureiro.
04:57O Bolsonaro pode dar um canhão, um tiro de canhão no próprio pé ao tentar qualquer medida de força aí, usando as forças armadas.
05:18E aí
05:27Obrigado.
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