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O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo defendeu a atuação do ministro da Economia Paulo Guedes.
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NotíciasTranscrição
00:00Muito bem, estamos conectados aqui com o Luiz Fernando Figueiredo, economista, ex-diretor
00:05do Banco Central e hoje é CEO e sócio da Mauá Capital.
00:09Muito bem-vindo ao Papo Antagonista, muito boa noite.
00:13Boa noite, Cláudio. Prazer enorme estar com vocês.
00:16Temos também a presença do Diego Amorim, que vai participar da entrevista.
00:20Diego está conectado também, né? Ótimo.
00:23Boa noite, Cláudio. Boa noite a todos.
00:26Boa noite.
00:26Boa noite. Pra começar, nós tivemos aí uma manifestação agora no fim de semana,
00:32uma manifestação bastante contundente do mercado como um todo, né?
00:37Ex-diretores, ex-presidente do Banco Central, ex-diretores, banqueiros de uma maneira geral,
00:42economistas, grandes nomes do mercado, né?
00:45Que assinaram esse manifesto, fazendo duras críticas à gestão da pandemia
00:49e pedindo mudanças, mudanças imediatas, urgentes.
00:55A minha pergunta é se você chegou a assinar esse documento,
00:58se apoia a, vamos dizer assim, a toda a argumentação que foi colocada ali?
01:03O que você acha que...
01:05Como é que você vê essa situação?
01:09Desde o documento sendo feito, eu já apoiava, apoio integralmente.
01:16Eu, infelizmente, acabei não assinando,
01:18porque eu tive uma semana muito cheia de coisas e acabei não assinando.
01:23Mas eu apoio integralmente o documento.
01:30Estou te ouvindo.
01:31Entendi, perfeito.
01:32Deu uma falhazinha na conexão, mas vamos continuar aqui.
01:37O que você acha que foi a gota d'água?
01:40Porque, obviamente, a gente tem aí um ano de pandemia,
01:43já chegamos agora à cifra infeliz, à trágica cifra de 300 mil mortos.
01:48E passamos um ano nesta dinâmica meio fajuta.
01:57Fecha para lockdown, mas ninguém cumpre.
02:00Aí tem prefeitura que cumpre, tem outras que não.
02:03Tem governo que segue, tem governo que não.
02:06Está o presidente da República passando...
02:09O ministro manda fazer alguma coisa, o presidente diz, manda, troca ministro.
02:14A gente já está...
02:15Agora é com um novo ministro, que assumiu, inclusive, essa semana.
02:20É tudo muito caótico.
02:24Mas até então o mercado, ok, vinha tentando navegar aí nessa situação,
02:29tentando precificar essas decisões, essas mudanças.
02:35O que você acha que foi a gota d'água?
02:40Olha, a meu ver, a gota d'água foi...
02:44Porque nós estamos numa segunda onda e nós entramos nessa segunda onda completamente despreparados.
02:55Estava absolutamente claro para quem acompanhava minimamente de perto todo esse processo.
03:02Já em novembro, dezembro, que havia uma onda muito grande, tinha...
03:09Já se sabia da história do Amazonas, como a cepa nova, que é essa P1,
03:15que ela é duas vezes mais contagiosa e ela pode trazer uma carga viral muito maior.
03:22Ou seja, é um vírus muito mais perigoso.
03:25E não é claro que a imunização natural, ela no final, para essa cepa, as pessoas são imunes de verdade.
03:36E o que as autoridades fizeram foi um negócio completamente meia-bomba
03:43para segurar essa onda que ia vir firme e forte.
03:46A consequência disso é que, a partir do final de ano,
03:52o Réveillon, festas e Carnaval, festas,
03:56e não ter sido fechada a Amazonas por algum tempo,
04:01o que acabou acontecendo é que essa cepa se espalhou no Brasil.
04:06Por exemplo, em São Paulo, deve ser 60%, 70% dos contágios são já dessa cepa nova.
04:13E a gente foi pego de calça curta.
04:16Mas como pego de calça curta?
04:18Depois de um ano.
04:20Na verdade, tanto o governo federal, quanto o municipal, como o estado de Portugal,
04:25eles têm sido um desastre.
04:28Eles só são reativos ao que acontece,
04:31nunca são proativos.
04:34Um verdadeiro desastre.
04:36Então, esse manifesto é em função disso.
04:38Há uma intenção, assim, quando vocês, de uma maneira, pedem mudanças urgentes,
04:47isso passa não só por mudanças políticas,
04:52mas também mudanças dos próprios agentes políticos.
04:55A gente ouve, está ouvindo muita gente,
04:57a gente acompanha aqui, até o Diego apurou essas reuniões
05:02que o Rodrigo Pacheco e o Arthur Lili fizeram em São Paulo também,
05:07com alguns representantes aí do mercado.
05:09E a gente ouve muito essa coisa de que o mercado chegou,
05:13que essa coisa meio, vamos dizer assim, meio subjetiva, o mercado,
05:17mas que esses grandes nomes, esses grandes agentes,
05:20as pessoas que realmente têm influência na economia,
05:23parecem que largaram de mão do governo federal,
05:29da presidência do Bolsonaro.
05:33Porque acham que não há mais como refazer essa trajetória
05:39com a atual administração.
05:41Muita gente já perdeu a fé no Guedes,
05:43que sempre vendeu muito para o mercado e entregou muito pouco.
05:47Como é que você vê isso?
05:50Dá para mudar ainda com os atuais, com o presidente atual,
05:54com o ministro, apesar de tudo?
05:57Ou você acha que a coisa precisa avançar,
05:59o Congresso precisa ter coragem?
06:01Como é que você vê?
06:03Olha, que essa situação está ruim
06:09e percebida como muito ruim faz muito tempo.
06:14Quando você olha os ativos brasileiros,
06:16desde agosto do ano passado,
06:18eles têm sido o lixo do mundo.
06:20Eles têm performado muito pior que todos os países,
06:23inclusive os países emergentes.
06:25E é por uma série de razões,
06:27e a própria questão fiscal, que é dramática,
06:30fazer ter uma dívida gigante,
06:32maior que qualquer país emergente,
06:34e crescente, independente da pandemia.
06:37Então, é uma situação dramática.
06:40Só foi resolvida agora, recentemente.
06:42Mas o ponto é que quando a gente fala mercado,
06:49para começar, não é um grupo de economistas,
06:53gente de banco e de ácido.
06:55Somos todos nós brasileiros.
06:58Porque o grosso dos investimentos
07:00é feito pelas pessoas físicas brasileiras.
07:05Principalmente os investimentos mais líquidos,
07:07que é o caso da Bolsa,
07:09ou do dólar,
07:10o caso da curva de juros,
07:13sei lá, fundos imobiliários.
07:17Eles são muito afetados
07:18pelo movimento dos investidores brasileiros locais
07:22e dos investidores estrangeiros.
07:24Então, é muito menos uma coisa
07:26de um grupo pequeno,
07:28quando se fala mercado,
07:29e muito mais de uma...
07:32tem que olhar num sentido mais amplo.
07:33e essa incerteza, essa dúvida,
07:38ela é de todos,
07:39não é desse grupo de gestores
07:42ou de bancos e tal.
07:45Então, esse é o primeiro ponto.
07:47Já existe uma insatisfação há muito tempo.
07:52Esse documento, na verdade,
07:54organizou o que já muito foi falado
07:58por muitos agentes,
07:59inclusive por mim,
08:00em muitas entrevistas e lives,
08:04mas não fui só eu,
08:06todo mundo.
08:08Porque o que...
08:10não é que beira a irresponsabilidade
08:11ou a irracionalidade.
08:13O que foi feito para lidar com a pandemia
08:15foi absolutamente irresponsável.
08:18Do ponto de vista de saúde,
08:20do ponto de vista econômico,
08:21até que foi ok.
08:22A gente conseguiu realmente
08:26atender uma parcela importante
08:28daqueles que ficaram em uma situação difícil
08:30com a pandemia.
08:33Mas, então, quer dizer...
08:35E, no final,
08:36não é assim...
08:38Esses agentes não querem esse governo,
08:40querem outro governo.
08:41O que esses agentes olham é o seguinte.
08:43As pessoas que estão aí
08:45têm condições de fazer uma coisa razoável
08:48para frente ou não?
08:50É sempre essa discussão.
08:52Não é um juiz de valor,
08:53não prefiro o Bolsonaro,
08:54prefiro esse ou aquele candidato.
08:56porque você tem que ser, no final,
08:59agnóstico e ver, bom,
09:01como que está aí?
09:02Vai melhorar ou vai piorar?
09:04Essa discussão sobre impeachment,
09:07eu acho que é uma discussão
09:08que o Brasil não deveria querer.
09:11O que deveria acontecer
09:13é uma pressão enorme
09:15para quem está aí,
09:17mas é coisa certa.
09:19Mas essa escapada por impeachment,
09:21daqui a pouco vamos fazer impeachment
09:22para qualquer coisa.
09:23não que eu não tenha sido dramático
09:27os erros,
09:28eu diria muito mais na saúde
09:29do que no lado econômico,
09:32no lado econômico tem sido difícil,
09:34mas, principalmente no lado da saúde,
09:37o que tem que se pressionar
09:40é para que isso vá na direção correta.
09:43Eu sou um dos que acha
09:47que a solução não é impeachment,
09:48a solução é consertar o que está aí
09:50até o final do mandato.
09:52Se for ruim, trocamos.
09:54Daí é um voto da população
09:58em quem é o melhor representa.
10:02Tá certo.
10:03Diego, alguma pergunta?
10:06Luiz Fernando,
10:07eu queria te ouvir
10:08sobre essa dicotomia
10:10saúde versus economia.
10:13Eu diria que o próprio
10:14presidente da República
10:15acabou criando isso
10:16desde o início da pandemia,
10:18quase que colocando
10:20em lados opostos
10:22aqueles que defendiam
10:23as empresas,
10:24os seus funcionamentos
10:25e aqueles que defendiam
10:26a vida, a saúde.
10:28E se criou, então,
10:29essa dicotomia terrível
10:30que não levou
10:31a gente a lugar algum.
10:33Hoje pela manhã,
10:34o Paulo Guedes
10:34participou dessa audiência
10:36no Senado Federal
10:37e ele deixou claro,
10:39mais uma vez,
10:40que ele,
10:41como governo federal,
10:43imaginou,
10:43no ano passado,
10:44que a situação já estava
10:45sendo quase que controlada.
10:47Você nos lembrou
10:48agora há pouco
10:49que desde novembro,
10:50dezembro,
10:51essa tal segunda onda
10:52já se colocava aí,
10:55mas muita gente no governo
10:57e fora dele também
10:58acabou acreditando
10:59que a situação
10:59estava confortável.
11:01Nessa onda de pandemia
11:03que todo mundo
11:04dá palpite sobre tudo,
11:05teve até secretário
11:06do Guedes,
11:07economista,
11:08dizendo no ano passado
11:09que o Brasil
11:10não tinha a menor chance
11:11de ter uma segunda onda,
11:12como se ele fosse
11:13um especialista
11:14na área da saúde.
11:16Mas, enfim,
11:17estou dando esses exemplos
11:18para dizer como
11:19que a economia
11:19e a saúde
11:20foram ficando aí
11:21como coisas distintas.
11:24E aí eu pergunto
11:24para você
11:25a pergunta que tanto se faz.
11:27Existe economia
11:27sem saúde?
11:28Dá para se pensar
11:29em economia?
11:30Dá para se falar
11:31em atividade econômica
11:32com 300 mil mortes
11:34e mais de 3 mil mortes
11:35por dia,
11:35Luciano?
11:37Olha,
11:38obviamente
11:40que é uma situação
11:41assim,
11:43absolutamente dramática.
11:44não dá para minimizar
11:48isso um milímetro.
11:51Mas existe sim
11:52uma preocupação
11:53que eu acho
11:53uma preocupação real,
11:54não no Brasil,
11:55no mundo inteiro,
11:57de que você
11:58tem que tomar
11:59um cuidado
12:00quando você vai
12:02totalmente
12:03só para a saúde
12:04e não pensa,
12:05porque
12:05dependendo
12:07do que você fizer,
12:09se você parar
12:10muito
12:11e tempo demais,
12:13você provoca
12:14uma questão social
12:15que talvez
12:16traga mais mortes
12:17do que o próprio
12:18problema do Covid.
12:20Então,
12:20isso é uma questão
12:22real.
12:23Não é uma questão
12:24do Brasil,
12:24é uma questão real
12:25no mundo.
12:26Qual é a solução
12:28que o mundo fez?
12:29A solução
12:30foi a seguinte,
12:31olha,
12:32no início
12:32parou tudo,
12:33fizeram um aperto
12:34mais forte,
12:35muito mais forte
12:36que o Brasil fez,
12:37em média,
12:38daí o que eles fizeram?
12:41Uma ajuda gigante
12:42para a população
12:44e para as empresas
12:45e
12:46foram começando
12:49a soltar
12:49na medida
12:49que a coisa melhorava.
12:52Quando começaram
12:53a ter vários surtos,
12:55se agia
12:56de maneira
12:56mais cirúrgica,
12:57ou seja,
12:59se ele impactava
13:00todo o sistema,
13:02então,
13:03assim,
13:03sei lá,
13:03por exemplo,
13:04se o Estado brasileiro
13:05tem problema,
13:06não quer dizer
13:07que o outro Estado
13:08deva parar,
13:09deva fechar.
13:11Talvez você tenha
13:12que segurar
13:13um pouco
13:13a comunicação
13:14de mobilidade
13:16entre esses Estados.
13:18O que você não pode
13:19fazer é parar tudo,
13:20porque se você
13:20parar tudo,
13:22o impacto
13:23é um impacto
13:24que não tem
13:26como segurar.
13:27Você pode gastar
13:28o que for
13:29que você vai ter
13:30um problema social
13:33e,
13:34enfim,
13:34no final,
13:35que vai acabar
13:36causando mortes
13:37é gigante.
13:40Então,
13:41a maneira que o mundo
13:42encontrou
13:42foi ser mais cirúrgico.
13:46Agora,
13:46nos momentos
13:47de mais aperto,
13:48ou perspectiva
13:49de mais aperto,
13:50apertava de vez,
13:50fechava de vez.
13:53Coisa que o Brasil
13:54não fez.
13:56Alguns Estados
13:57tiveram,
13:58acabaram fazendo,
13:59outros não,
14:00mas,
14:00assim,
14:01quase que a gente
14:03não viu
14:03uma reação
14:05preventiva,
14:07porque
14:08você tem que
14:09ter uma ação
14:10que ela
14:11antecipe
14:12pelo menos
14:1310 a 15 dias,
14:15no mínimo.
14:17Então,
14:18o que acabou acontecendo
14:19é que, olha,
14:20veio essa segunda onda
14:21e,
14:23por exemplo,
14:24cadê os hospitais
14:25de campanha
14:25que tinham sido
14:27montados e desmontados?
14:28não apareceram.
14:32Então,
14:32você,
14:33em alguns lugares,
14:35realmente chegou
14:35ao colapso.
14:37Se não é o colapso,
14:38é o quase colapso
14:39do sistema de saúde.
14:42Isso é inaceitável.
14:44Isso é total
14:45falta de planejamento.
14:46Nesse caso,
14:47eu diria até
14:48que não tem nada a ver
14:49com o governo federal.
14:50O governo tem mais a ver
14:51com o discurso doido
14:53e uma questão
14:54de não coordenar,
14:56mas, principalmente,
14:57a questão das vacinas.
14:58Nós devíamos ter comprado
14:59em agosto do ano passado,
15:00como a maioria
15:01dos países do mundo fez,
15:03que não teria resolvido
15:05essa questão
15:05da segunda onda
15:06no Brasil,
15:07mas teria ajudado bastante.
15:09E, provavelmente,
15:09várias mortes
15:10teriam sido
15:11evitadas.
15:13Nesse sentido,
15:14aproveito para te perguntar.
15:16Há muita pressão,
15:17hoje, inclusive,
15:18tem até empresários
15:20bolsonaristas
15:21aqui em Brasília
15:22fazendo pressão.
15:23O Luciano Hang,
15:26eles estão fazendo pressão
15:27para que a iniciativa privada
15:28possa fazer
15:30essa aquisição
15:32de vacina
15:33por conta própria,
15:34distribuição,
15:35possa vacinar
15:36seus funcionários,
15:37grandes empresas,
15:38enfim.
15:39Mas há pressão
15:40para que se flexibilize
15:42a lei,
15:43porque a lei
15:44exige ali
15:45que você coloque
15:4650%
15:47no setor público.
15:49Já tem gente,
15:50obviamente,
15:51como é prática,
15:52como é assim,
15:52como é prática
15:53aqui no Brasil,
15:54já tem gente
15:54furando isso.
15:55Ontem
15:56veio à tona
15:57um caso lá
15:57em Minas Gerais.
16:00O que você acha?
16:01Como é que
16:02o Congresso
16:04poderia fazer?
16:05Acho que é necessário
16:06mesmo
16:06essa flexibilização
16:09para que a iniciativa
16:10privada
16:10possa entrar
16:11de uma forma
16:12mais efetiva
16:14e ir tentando,
16:17vamos dizer assim,
16:17preencher essa lacuna
16:18que o setor público
16:20não conseguiu
16:21até agora?
16:21Olha,
16:23eu acho
16:25que seria
16:26muito bom
16:27a iniciativa
16:27privada
16:28poder entrar,
16:29muito bom mesmo,
16:31e isso não depende
16:32de flexibilização,
16:33não.
16:35O problema
16:35é que hoje
16:36é impossível
16:37um agente privado
16:38conseguir trazer.
16:40Hoje é impossível.
16:41A lei
16:42não permite
16:43que ele traga
16:44na prática.
16:45E é aquela história,
16:46no Brasil
16:46a gente sabe muito bem,
16:47o diabo está nos detalhes,
16:49né?
16:49Coisas são permitidas,
16:51na verdade,
16:51são impossíveis
16:52de fazer.
16:53Então,
16:53embora a lei
16:54diga
16:55uma maneira
16:56do setor privado,
16:57na prática
16:57isso não é possível
16:58acontecer.
17:01Eu acho
17:01que não é necessária
17:03flexibilização,
17:04de jeito nenhum.
17:05Acho que o setor privado
17:06não tem nenhum problema
17:07de trazer
17:08dois para um,
17:10mas
17:11precisa,
17:14o mais rápido possível,
17:17colocar de uma maneira
17:17em que,
17:19na prática,
17:19o setor privado
17:20consiga fazer.
17:22Coisa que hoje
17:23ele não consegue.
17:26Bom,
17:26deixa eu mudar
17:27aqui um pouquinho
17:28a nossa pauta,
17:29Diego,
17:29para a gente
17:30falar mais de economia.
17:33O governo
17:34passou aí
17:35esses últimos
17:36dois anos
17:36falando muito
17:38em privatização,
17:40o secretário
17:40de privatização
17:41deixou o governo
17:42justamente
17:42por não conseguir
17:43avançar nesses projetos.
17:45Agora,
17:45recentemente,
17:46nós tivemos aí
17:47os primeiros passos
17:49para uma possível
17:50privatização
17:51em algum momento,
17:52talvez,
17:53de Eletrobras,
17:54Correios,
17:55EBC,
17:56enfim,
17:56mas isso ainda
17:57é muito pouco.
18:00O Paulo Guedes
18:01prometeu
18:02e não entregou,
18:03não performou,
18:04Luiz Fernando?
18:07Não,
18:08assim,
18:09eu vou dizer,
18:10nessa altura,
18:11eu estou achando
18:12que o Paulo Guedes
18:12é mais um herói
18:14do que um cara
18:15incompetente.
18:17E a gente tem que entender
18:18que a vida dele
18:19não está fácil,
18:20nem um pouco,
18:21pelo contrário.
18:23Quer dizer,
18:24ah,
18:24é o próprio governo?
18:25É,
18:25mas é o que temos.
18:27É horrível,
18:28mas, assim,
18:29o governo
18:30meio que mudou de opinião,
18:31o presidente
18:32meio que mudou de opinião
18:33e começou a achar
18:34que ele devia
18:35colocar a mão mesmo
18:36nas empresas públicas.
18:38Tem uma questão
18:39que eu,
18:40enfim,
18:41tenho que ser
18:41vocal sobre ela,
18:43que é o seguinte,
18:45muita gente tem sido,
18:46mas eu também,
18:48o Estado
18:49não pode ter
18:50empresa pública,
18:51não pode ter empresa.
18:55Por quê?
18:56Primeiro que a nossa história
18:57é desastrosa,
18:59eu estava no Banco Central
19:01quando nós tivemos
19:01que catalisar
19:02várias dezenas
19:04de bilhões
19:05a caixa
19:05e algumas poucas
19:06dezenas de bilhões
19:07o Banco do Brasil.
19:10Se você olhar
19:10o capital dos dois,
19:11está faltando capital lá,
19:13capital de verdade,
19:14hoje,
19:15tá?
19:16E vai faltar
19:17muitas vezes.
19:18O Estado
19:19é péssimo
19:20para ser empresário.
19:22Por quê?
19:24Parece que o Estado
19:25deveria olhar
19:26para o que é
19:27importante para ele,
19:28saúde,
19:29educação,
19:31segurança,
19:33no mínimo,
19:35e se ele fizer
19:35essas três coisas bem,
19:37ele já vai ter feito
19:38muito pelo país,
19:38mas como ele quer
19:40fazer tudo
19:41e no final
19:41ele não faz nada,
19:42é aquela história
19:42de tudo ser prioridade,
19:44no final nada
19:45é prioridade,
19:45né?
19:46Então ele faz
19:46uma montanha de coisas,
19:48só faz tudo
19:48mal feito.
19:50Mas fora
19:51isso ser uma verdade
19:53e no Brasil
19:54talvez
19:55as melhores
19:55mostras
19:56do quanto
19:56é verdade
19:57isso,
19:58mas tem um outro
20:00aspecto
20:00que é o seguinte,
20:01tem um conflito
20:02de interesses
20:04no final
20:05que é insolúvel.
20:08Quando você vai
20:09trabalhar em uma empresa
20:10e você tem um conflito
20:11insolúvel,
20:11você não vai para ela
20:12ou você elimina o conflito
20:14que você tinha anteriormente.
20:17Por exemplo,
20:17trabalhar em uma empresa
20:17concorrente
20:18ou ter alguma ligação
20:19com a empresa concorrente.
20:21Isso é um conflito
20:22insolúvel,
20:23não dá para você trabalhar
20:23em uma empresa
20:24que é concorrente da outra
20:25que você tem a sua.
20:27No caso
20:28das empresas estatais,
20:30o que acontece
20:30é o seguinte,
20:31como é que você vai
20:32falar para o governo
20:33que ele não tem
20:33preocupação social?
20:36Não dá.
20:39Daí você fala,
20:39não,
20:40mas a empresa
20:40tem que cuidar
20:41do interesse
20:42dos seus acionistas.
20:44Óbvio,
20:45por definição.
20:48Agora,
20:48o seu acionista
20:49contubador,
20:50um dos interesses
20:51não é tanto
20:52ganhar dinheiro,
20:53por exemplo,
20:54é ter um impacto social.
20:56Pessoal,
20:57pô,
20:57pera um pouquinho.
20:58Claro,
20:58é isso mesmo,
20:59você está misturando
21:00acionistas.
21:01que estão preocupados
21:02com o resultado,
21:03o desenvolvimento,
21:05a longevidade da empresa,
21:07com outro acionista
21:07que está
21:08preocupado
21:09em usar
21:11essa empresa,
21:12que pode ser
21:12no melhor sentido possível,
21:13inclusive,
21:14para ações
21:15sociais.
21:17Então,
21:18eu estou dizendo assim,
21:19não estou nem dizendo
21:19dos episódios que a gente teve,
21:21foram feitos,
21:22bem feitos.
21:24Isso é provocar
21:26um desmonte
21:26de bons executivos
21:28das empresas estatais,
21:29já está provocando.
21:32Mas o que eu estou dizendo
21:32é que é um dilema
21:33insolúvel,
21:34um conflito insolúvel,
21:36então tem que vender
21:36tudo,
21:38coisa que esse governo,
21:40eu acho que
21:40nenhum governo
21:41até agora
21:42teve,
21:44assim,
21:45o pante
21:46para fazer.
21:47No final,
21:48o Brasil,
21:49na minha
21:49humilde opinião aqui,
21:51o Brasil
21:52adora
21:53cuidar
21:53das consequências
21:54e não cuidar
21:56das causas
21:56dos problemas
21:57que ele tem.
21:58Ele adora
21:59fazer isso.
22:00Hoje,
22:01o Brasil
22:01tem Estado
22:03que é muito
22:04maior
22:05do que o país
22:06é capaz
22:06de aguentar.
22:08Nós estamos
22:08sendo sugados
22:09por esse Estado
22:10e é um país
22:11que há 15 anos
22:12não cresce.
22:14Como é que você pode
22:15ter um país
22:15tão pobre
22:16que não cresce
22:17há 15 anos?
22:19Isso
22:19não é que é um desastre,
22:22isso é um
22:23crime.
22:24e parece que está
22:25tudo bem.
22:28Porque,
22:29em tese,
22:29não é pobre
22:30também, né?
22:31Diego,
22:31alguma pergunta?
22:34Luiz Fernando,
22:34eu queria ouvir
22:35o teu prognóstico
22:36sobre dois assuntos
22:38que estão atentes
22:39no Congresso,
22:41ainda em Brasília
22:42e também para o mercado.
22:43Um deles
22:43é a agenda
22:44reformista,
22:45a tal agenda
22:46reformista.
22:47A gente viu aí
22:47o Arthur Lira
22:48e o Rodrigo Maia
22:49assumindo
22:51seus mandatos
22:52no início deste ano,
22:53prometendo avançar
22:54com reformas
22:55como a administrativa
22:57e a tributária,
22:59mas a pandemia
23:00atrapalhou os planos
23:01do Congresso
23:03e deixou isso
23:03em banho-maria
23:04ainda mais.
23:05O outro assunto
23:06é a questão
23:07da inflação.
23:08A gente viu hoje
23:09aí o IPCA 15
23:10mostrando que,
23:11de fato,
23:12essa estimativa
23:13de uma maior carestia
23:15está se confirmando.
23:16O Banco Central
23:17já começou a subir os juros
23:18na última reunião
23:19do Copom.
23:19então eu te pergunto,
23:20você acredita
23:21em reformas
23:22ainda neste governo
23:23e que tipo
23:24de reformas
23:25e qual é
23:26o teu prognóstico
23:27para a inflação
23:29no curto prazo?
23:29Por favor.
23:31Vamos lá.
23:33Primeiro,
23:33sobre as reformas.
23:35Eu acho que sim.
23:37Eu acho que nós
23:37vamos ter reformas, sim.
23:39Não só porque
23:39o governo quer,
23:40mas porque a gente
23:41tem um Congresso
23:42que tem se mostrado
23:44bem reformista.
23:46Isso faz parte
23:47da agenda
23:48do Congresso
23:54as reformas,
23:56independente até
23:57do governo.
24:00Vamos lembrar
24:01que a gente passou
24:02por um risco gigante
24:03recentemente
24:04da aprovação
24:05do orçamento
24:06e da PEC emergencial.
24:08E no final
24:08acabou saindo
24:10uma coisa bem razoável.
24:12Resolvemos
24:12nosso programa fiscal,
24:13melhoramos nosso programa fiscal?
24:15Não.
24:16Mas não deterioramos
24:17de maneira relevante.
24:18Pelo contrário.
24:21Então,
24:22eu acho que teremos sim
24:23tanto a reforma tributária
24:24quanto a reforma administrativa.
24:27Reformas
24:27ok.
24:28Não vamos achar
24:29que são reformas gigantes.
24:32O Brasil,
24:32ele vira e mexe
24:33e faz uma reforminha
24:34que não vai
24:36de nenhum lugar
24:37a lugar nenhum.
24:38A Previdência
24:39precisamos dos o quê?
24:40Cinco, seis?
24:41Para sair alguma coisa decente?
24:43Eu não acho
24:43que vai ser o caso,
24:44mas assim,
24:45não dá para esperar
24:45muito dessas reformas.
24:47E outras coisas
24:48têm acontecido.
24:49Saiu o negócio
24:50do saneamento,
24:51o negócio do gás.
24:52São coisas micro,
24:54saiu o negócio
24:54do Banco Central,
24:56com a autonomia,
24:57mas elas são
24:57muito relevantes.
24:59Se você juntar
25:00várias dessas,
25:02vale mais
25:02do que uma reforma macro,
25:03muitas vezes.
25:04São setores inteiros
25:06que vão reconfigurar
25:08e vão ser
25:08muito importantes.
25:09O gás no Brasil
25:10é um escândalo de caro
25:11para o consumidor.
25:14Vamos colocar
25:14a concorrência aí
25:15ver para onde vai
25:16esse gás.
25:17Então,
25:18tem um impacto
25:19geral,
25:20inclusive,
25:20na inflação.
25:22Com relação
25:22à inflação,
25:25assim,
25:25eu não tenho
25:27tanto receio
25:28da inflação
25:29quanto muita gente tem.
25:31Eu vou explicar
25:32por quê.
25:34Nós temos
25:35uma ansiosidade
25:35nessa economia,
25:36um desemprego,
25:38que poucas vezes
25:39na história,
25:40se é que a gente teve
25:41alguma vez
25:42na história,
25:42um desemprego tão grande.
25:46Para achar
25:47que a gente vai ter
25:48um processo
25:48inflacionário
25:49crônico,
25:50relevante,
25:52numa situação
25:52dessas,
25:54eu sou muito cético.
25:57Acho pouquíssimo
25:58provável.
26:00O que está acontecendo,
26:02então?
26:02Nós estamos
26:03embaixo
26:03de muitos choques.
26:06Tem o choque
26:06das comodidades
26:07lá fora,
26:08que tem muito a ver
26:08com a China,
26:09a recuperação da China
26:10dos países emergentes.
26:11mas a China
26:12tem comprado
26:13uma barbaridade,
26:14os comodidades
26:14subiram muito.
26:16O petróleo
26:17subiu muito.
26:18São preços
26:18importantíssimos.
26:21E,
26:22com esse risco
26:22fiscal
26:23à flor da pele,
26:26o câmbio
26:26depreciou muito,
26:27sendo que,
26:29com a alta
26:30das comodidades,
26:31o câmbio no Brasil
26:31devia apreciar,
26:33porque o Brasil
26:33é um grande
26:33exportador de comodidades.
26:35Isso é o que acontece
26:36normalmente.
26:38Mas o risco
26:38fiscal deste tamanho,
26:40o câmbio
26:41está muito fora
26:42da realidade.
26:43Ele está,
26:44claro que isso aí
26:44tudo tem a ver
26:45com esse risco,
26:46com essa incerteza.
26:48Ou seja,
26:48ele tem uma componente
26:49de risco enorme.
26:52Nós temos que parar
26:53de flertar
26:53com o precipício.
26:54Se a gente parar
26:55de flertar
26:55com o precipício
26:57e tiver
26:57algum horizontezinho
27:00razoável
27:01fiscal,
27:02claro,
27:03não podemos ter
27:03a situação
27:04horrorosa
27:06da pandemia
27:06também,
27:07porque
27:07você resolve
27:08o problema fiscal,
27:09mas você está com...
27:10Tem que ser...
27:11Você tem que ter
27:12um ambiente
27:12mais para razoável,
27:15a taxa de câmbio
27:16vai cair de madura,
27:18como a Bolsa
27:18vai melhorar muito,
27:19a curva de juros
27:20vai fechar,
27:22porque eles já embutam
27:24um prêmio gigante
27:25que é dessa incerteza.
27:26Todo dia acontece
27:27uma bobagem nova,
27:28uma confusão,
27:29e essa coisa da pandemia,
27:31infelizmente,
27:32ainda vai passar
27:32um tempo piorando.
27:34Por quê?
27:35Porque a gente
27:35não cuidou lá atrás,
27:36porque essa CEPA
27:37ela é muito
27:38mais severa,
27:40né?
27:40Então,
27:41mas,
27:43é uma coisa
27:44de uma
27:45a três semanas
27:46que essa curva
27:47vai voltar,
27:49e daí a gente
27:50vai para um momento
27:51mais de
27:52tranquilidade,
27:53né?
27:53Quando você cuida
27:54dessa CEPA
27:54agora,
27:55finalmente,
27:56os Estados Unidos
27:57estão fechando
27:58de vez,
27:59coisa que devíamos
28:00já ter feito
28:00lá atrás,
28:01a aflição
28:05não é só
28:06de saúde,
28:07mas é de
28:07perda de emprego,
28:09de outras empresas
28:09quebrando,
28:10e por aí vai,
28:11né?
28:12Então,
28:12assim,
28:13no final,
28:14a inflação,
28:15ela subiu
28:16por conta
28:16de uma série
28:17de choques
28:17relevantes,
28:19o Banco Central
28:20fala do risco fiscal,
28:23e por conta
28:24desses riscos
28:25relevantes,
28:26dessa incerteza,
28:27as expectativas
28:28também subiram.
28:29Então,
28:29são duas coisas
28:30ao mesmo tempo,
28:31são preços
28:32relevantes
28:32que subiram,
28:33que são choques,
28:34o Banco Central
28:35não tem como
28:35afetar esses choques,
28:37a não ser
28:37se resolvesse
28:38a questão fiscal,
28:40e com isso
28:40as expectativas
28:41também sobem,
28:42então,
28:42ele começa
28:43com a situação
28:43mais desagradável,
28:46por isso,
28:46ele tem que
28:47reduzir
28:48a excepcionalidade
28:50da taxa de juros
28:51tão baixa,
28:52que é o que
28:52ele está fazendo.
28:54É,
28:55eu só queria,
28:56era justamente
28:56até para trazer
28:57o nosso espectador
28:59para entender
29:00que você está
29:01mencionando,
29:02você está fazendo
29:02referência aqui
29:03à decisão
29:03do Banco Central
29:04também ter aumentado
29:05os juros
29:05na semana passada
29:06a Selic,
29:07a Selic,
29:07né?
29:08Sim.
29:09Quando você está
29:09falando dessa inflação,
29:11de choques e tal,
29:12a gente,
29:14há algumas leituras
29:15de que você está
29:16vivendo uma inflação
29:17de custos,
29:18não é uma inflação
29:19de alta de demanda,
29:20porque você está,
29:21você não tem demanda,
29:22na verdade,
29:22você tem um aumento
29:23de custos
29:23em função
29:24de uma série
29:24de questões
29:26até desses problemas
29:28de atividade industrial
29:29no lugar.
29:30É nessa linha,
29:30né?
29:31Não,
29:32é exatamente isso.
29:33E o Banco Central,
29:34como é que ele consegue
29:35afetar os custos?
29:37Não tem como,
29:38ele não tem instrumento
29:39para isso.
29:40Claro.
29:40O instrumento é,
29:42de novo,
29:43atuar na causa
29:44dos custos,
29:45que nesse caso
29:46é principalmente,
29:48eu diria que,
29:4970% é respondido
29:51por essa fragilidade fiscal.
29:54Enquanto a gente
29:55ficar flertando
29:56com isso,
29:57não,
29:57então,
29:57nós estamos
29:57em uma situação
29:58dramática,
29:58vamos gastar mais,
29:59vamos gastar mais,
30:00não dá para brincar.
30:02E é uma questão
30:03que é o seguinte,
30:04você fala assim,
30:04não,
30:04mas precisa,
30:06eu sou super favorável
30:07numa situação dessas
30:08ao governo ajudar.
30:10Agora,
30:11um governo que gasta
30:12nas três,
30:1340% do PIB,
30:15não é possível
30:16esses 40%
30:18serem tão prioritários
30:19como essa situação
30:20da emergência.
30:21assim,
30:23no mundo inteiro,
30:24até o Papa
30:25reduzir o salário
30:26dos cargos de SES,
30:27no Brasil,
30:27o funcionário público
30:28não pode.
30:31Nem,
30:32o funcionário público
30:32em geral,
30:33o juiz,
30:33todo mundo não pode.
30:34Como assim?
30:35O país está
30:36no mínimo
30:37uns 30%
30:38do PIB,
30:38todo mundo,
30:40e o gasto público
30:41tem que continuar congelado.
30:43É uma ilha da fantasia.
30:45E os lobbies
30:46setoriais
30:48aqui no Congresso,
30:49para qualquer tipo
30:50de reforma,
30:51até da PEC emergencial,
30:53o pessoal aqui,
30:54a segurança pública,
30:55todo mundo
30:56se mete aqui
30:57para pressionar
30:58para poder fazer...
31:00Querendo o seu,
31:00querendo o seu.
31:02Eu ouço muito,
31:03e tem setores
31:04que são piores,
31:05eu ouço muitas críticas
31:07dentro da equipe econômica,
31:09por causa do judiciário,
31:10porque o judiciário
31:11é absolutamente
31:13fechado
31:15a qualquer possibilidade
31:16de abrir mão
31:17de qualquer coisa.
31:18Quer dizer,
31:18vira como se fosse
31:20um...
31:21viver-se num país
31:22a parte, né?
31:22Então, realmente,
31:24ao encontro
31:25que você está dizendo,
31:26não é fácil,
31:29não é simples.
31:30Por exemplo,
31:31não sei se a gente vai falar
31:32sobre isso,
31:32mas, assim,
31:33a decisão
31:36do Edson Fachin
31:37e agora
31:38da Cari Lúcia,
31:39eles estão
31:40de brincadeira.
31:41Ele acha
31:41que o Brasil
31:42é uma grande piada.
31:43essas decisões
31:45são absolutamente
31:47inaceitáveis.
31:49Não tem
31:50vírgula
31:51na lei
31:53ou no que for
31:54que dá
31:55um milímetro
31:57de razão
31:59para eles.
32:00É um absurdo.
32:02É um país
32:02das bananas.
32:03Eles estão lidando
32:03com o Brasil.
32:04Eu acho que o Brasil
32:05tem
32:05uma população,
32:08os cidadãos brasileiros
32:09são ótimos.
32:11Mas o Brasil
32:12tem uma elite
32:12que é um horror.
32:13importante
32:15que eles ouçam isso.
32:17A sensação
32:17do lado
32:19da economia real,
32:21do lado
32:22da sociedade real,
32:23como você mencionou,
32:24a gente tem acostumado
32:25a falar o mercado,
32:26mas o mercado
32:27somos todos nós.
32:28Eu gostei disso,
32:29acho que é importante
32:30a gente frisar isso.
32:31A sociedade
32:32como um todo,
32:33ela assiste isso
32:34de maneira
32:35chocada,
32:37ela fica
32:37sem esperanças,
32:39inclusive,
32:39porque se você tem
32:41uma mudança
32:43cultural
32:44que promove,
32:45que começa
32:47a apontar
32:47o Brasil
32:48a possibilidade
32:49de integrar
32:50uma OCDE,
32:50de ser respeitado,
32:52de passar
32:53a aplicar
32:53corretamente
32:54os recursos públicos,
32:55e de repente
32:56você tem manobras
32:57feitas no âmbito
32:58do judiciário,
32:59na cúpula,
32:59depois de anos até,
33:00de investigações,
33:01de condenações
33:02confirmadas,
33:03reconfirmadas,
33:04aí você tem decisões
33:06com uma canetada,
33:07você joga tudo
33:08no lixo.
33:08Ontem,
33:09ontem a gente
33:10até lembrou
33:10num vídeo aqui,
33:12não sei se você
33:12teve a oportunidade
33:13de ver,
33:13mas eu fiz questão
33:15de lembrar,
33:15pedi ajuda
33:15aqui do Freitas,
33:16a gente coletou
33:17o pessoal,
33:17o Joel,
33:18o pessoal
33:18da equipe
33:19de São Paulo,
33:19a gente fez
33:20um vídeo
33:21de apresentação
33:21de abertura
33:22do programa,
33:23coletando
33:24diversas manchetes
33:26dos últimos anos,
33:2710,
33:2720 anos,
33:29de dezenas
33:30de operações
33:31de combate
33:32à corrupção,
33:33de combate
33:34à lavagem
33:35de dinheiro,
33:35operações
33:37que foram
33:38feitas
33:38pelo Ministério
33:39Público,
33:40com apoio
33:40da Polícia
33:40Federal,
33:41que foram,
33:42você teve
33:43prisões,
33:43teve condenações
33:44e depois
33:46STJ ou STF
33:48arquivando tudo,
33:49jogando tudo
33:50no lixo,
33:50quer dizer,
33:50anos de trabalho,
33:51dinheiro público
33:52envolvido
33:53nessas operações,
33:54dinheiro público
33:55envolvido
33:56no julgamento
33:57desses casos,
33:58na tramitação
33:59desses processos
33:59e depois
34:00isso tudo
34:01sendo rasgado
34:02e jogado
34:03no lixo
34:03pelo STF,
34:05pelo STJ,
34:06a gente vê
34:06as manchetes,
34:07são dezenas
34:08de operações,
34:08dezenas e dezenas
34:09e dezenas
34:10de operações,
34:11então,
34:11é duro,
34:13né,
34:13isso?
34:15Não,
34:15não tem dúvida,
34:16não é possível
34:17que o Ministério
34:17Público
34:18e a Polícia
34:18Federal
34:18enrirem tanto,
34:19né?
34:20O sistema
34:22foi montado,
34:23o sistema
34:23legal brasileiro,
34:25não é para as
34:26pessoas
34:26mais poderosas
34:28não perderem
34:31as suas causas,
34:33mas é para elas
34:33não serem julgadas,
34:35elas não são julgadas,
34:37porque sempre tem
34:38uma questão formal
34:39que faz com que
34:42tudo,
34:44por exemplo,
34:45vamos olhar,
34:46nós temos
34:46mais de 200
34:48condenados
34:50na Lava Jato,
34:53vai se jogar
34:54tudo no lixo
34:55por questões formais
34:58e mesmo assim
35:01muito discutíveis
35:03e assim,
35:0410 anos depois,
35:06quer dizer,
35:06prescrever na mão
35:07do STF
35:08não tem problema,
35:09né?
35:10Que assim,
35:11é uma quantidade,
35:12eu vi uma estatística,
35:13não sei se é isso mesmo,
35:15mas que 80%
35:15das ações
35:16prescrevidas,
35:17estavam prescrevendo
35:18no STF,
35:18não sei se esteja errado
35:19esse número,
35:20tá?
35:20Mas eu sei que é um volume
35:21enorme,
35:22isso pode,
35:23ou seja,
35:23ele não julgar pode,
35:25agora uma coisa que já foi,
35:27já andou,
35:28já pode voltar atrás,
35:30então eles podem pensar
35:31sobre o passado,
35:33mas o que está acontecendo
35:33de fato,
35:34eles não julgam,
35:34é totalmente,
35:38então não se discute o mérito,
35:40como é que um país
35:40pode não discutir o mérito?
35:42Como é que um país
35:43como o Brasil
35:44pode ter 40%
35:46do seu PIB
35:48de gasto público,
35:49um país com uma pobreza
35:50do tamanho que o Brasil tem?
35:54Pô, vamos olhar para a causa,
35:55vamos parar de olhar
35:56para a consequência,
35:57e o Supremo,
35:59esses juízes,
36:02eles estão olhando,
36:03tem uma vírgula aqui,
36:06é óbvio,
36:06por conta dessa vírgula,
36:07que tudo foi feito
36:08para jogar no lixo,
36:10o caso do Sérgio Moro,
36:12daqui a pouco,
36:12bom,
36:13o Sérgio Moro vai ser o culpado
36:15e o Lula vai ser
36:16tudo legal,
36:18estão trocando
36:19absolutamente os valores,
36:21eu até,
36:22o que eu digo é,
36:23é o Brasil velho
36:24vencendo o Brasil novo,
36:26é isso que está acontecendo,
36:27por algum tempo
36:29o Brasil novo
36:29estava vencendo
36:30o Brasil velho,
36:31agora,
36:31voltou tudo para trás,
36:33tudo para trás,
36:35Fernando,
36:35muito obrigado
36:35pela tua participação
36:37aqui no Papo Antagonista,
36:38infelizmente a nossa agenda
36:39aqui é apertada,
36:42mas eu te agradeço
36:42muito,
36:44com certeza o programa
36:45permanece aberto
36:45para futuras colaborações,
36:47tá,
36:48e Diego,
36:49obrigado também
36:50pela tua participação,
36:51uma boa noite.
36:53Uma boa noite,
36:54foi um prazer enorme
36:54para vocês.
36:55esse foi o Lúcio
36:57Fernando Figueiredo,
36:59sócio e CEO
37:01da Mawak Capital
37:02e ex-diretor
37:03do Banco Central.
37:04É isso.
37:25e aí
37:28a Mawak Capital
37:30e o Lúcio
37:32da Mawak Capital
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