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  • há 7 meses
Felipe Moura Brasil exibe e analisa trechos do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril que importam para a investigação da interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal apontada por Sergio Moro, relacionando também os vídeos em que o presidente tenta se explicar. Assista.
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Transcrição
00:00Os dois trechos da reunião ministerial de 22 de abril que importam a investigação da interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal
00:07estão presentes no vídeo divulgado pelo ministro do STF, Celso de Mello.
00:11Eu já havia analisado as transcrições desses trechos antecipadas pela AGU, mas analiso novamente agora com imagens.
00:18O presidente, ao reclamar da falta de informações, criticou os sistemas oficiais de inteligência, mas disse que o seu particular funciona.
00:26O meu particular funciona. Os que tem oficialmente, desinforma.
00:33E voltando ao tema, eu prefiro não ter informação do que ser desinformado por cima de informações que eu tenho.
00:40Sobre esse trecho do vídeo, Bolsonaro alegou que o serviço de informações particular a que se referiu
00:45é um sargento que está no batalhão do BOP lá no Rio de Janeiro, é um capitão que está em um grupo de artilharia em Fortaleza,
00:51é um policial civil que está em Manaus e um amigo meu do Acre que está na reserva e me traz informações.
00:57Esse é o meu serviço de informações particular que funciona melhor do que esse que eu tenho oficialmente e não me traz informações.
01:04Essa sempre foi a minha crítica.
01:06Em relação a essa alegação, não há por que duvidar de que Bolsonaro conta com um policial aqui e outro ali
01:11para lhe passar informações e que isto funciona melhor para ele do que os serviços oficiais.
01:16O presidente citou como exemplo no Rio um sargento do BOP, mas foi um delegado da Polícia Federal do Rio
01:22que, segundo o ex-aliado Paulo Marinho, antecipou à família Bolsonaro que o então assessor de Flávio Bolsonaro,
01:28Fabrício Queiroz, e a filha de Queiroz, Natália, lotada no gabinete do próprio Jair Bolsonaro,
01:34seriam atingidos por uma operação.
01:37O aviso prévio, do jeito que o então deputado federal e atual presidente gosta,
01:41levou Jair e Flávio a exonerarem Fabrício e Natália em 15 de outubro de 2018.
01:48Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil.
01:52Mas não quero sair e ver a minha irmã de Eldorado, outra de cá, já tinha o coitado do meu irmão capitão do exército de lá de Miracatu se fuder, porra.
02:02Como é perseguido o tempo todo.
02:03Esse trecho é muito importante para que se compreenda de antemão qual sentido o presidente dá à expressão
02:19perseguido o tempo todo, ao se referir a seu irmão de Miracatu, Renato Bolsonaro.
02:24Jair Bolsonaro quer que o povo acredite que se trata de uma questão de segurança física.
02:30Mas não há notícias de atentados e ataques corporais contra Renato, que dirá o tempo todo.
02:36O que há, e muito, é outra coisa.
02:39Vejamos alguns exemplos.
02:40Em 11 de agosto de 2019, o Globo noticiou que o próprio Jair Bolsonaro
02:45desceu à borduna em Marcos Sintra, secretário da Receita Federal,
02:49durante uma reunião com parlamentares.
02:51Aos palavrões, acusou a Receita de perseguir sua família.
02:55Isso mesmo, perseguir a mesma palavra.
02:57Relatou que até um dos seus irmãos, Renato, comerciante do interior de São Paulo,
03:02começou a ser importunado pelo leão.
03:05A paciência de Bolsonaro com Sintra está muito próxima do fim.
03:09Se você não acredita no jornal, pode acreditar no próprio Jair Bolsonaro,
03:13que dias depois disse que sua família sofreu uma devassa da Receita Federal.
03:17O Globo esteve no Vale da Ribeira, em São Paulo, onde Renato Bolsonaro, irmão do presidente,
03:23tem uma rede de lojas de imóveis.
03:25Ao responder se estava insatisfeito com o trabalho de Sintra, à frente da Receita,
03:30o presidente criticou a presença do jornal na cidade de Miracatu
03:33e disse que em qualquer estabelecimento comercial você vai achar coisa errada.
03:38Eu dou aqui a declaração na íntegra.
03:40Vou adiantar para você. Vale a pena.
03:42Fizeram uma devassa na vida financeira dos meus familiares do Vale do Ribeira.
03:46São quatro irmãos, três mexem com venda de imóveis.
03:50Questão barata, povo humilde.
03:51No dia de ontem, estiveram dois repórteres do Globo
03:54em três casas de comércio de irmãos meus.
03:56E entram filmando, fotografando, fazendo perguntas indiscretas.
04:00E eles, pessoas humildes, estão falando.
04:02O CNPJ, porque a loja está assim, afirmou o presidente, prosseguindo.
04:07Tem o nome dos dois repórteres.
04:09É uma vergonha essa maneira de ir para cima de pessoas humildes trabalhadoras.
04:13Vai achar alguma coisa errada?
04:14Acho que qualquer estabelecimento comercial, você vai achar uma coisa errada.
04:19E aí vão potencializar isso daí.
04:21Não conseguem me atingir?
04:23Vão para cima de parentes meus.
04:25Uma vergonha.
04:26Vergonha, na verdade, é passar um pano preventivo para qualquer coisa errada.
04:30O Globo ainda publicou.
04:31Saiba quem é o irmão de Bolsonaro que atraiu poderosos ao interior de São Paulo.
04:36Alvo da receita e morador de Miracatu, comerciante tem rede de lojas.
04:41Curiosamente, um mês depois, Bolsonaro demitiu o secretário da Receita, Marcos Sintra.
04:47A justificativa, ou gota d'água, foi uma divergência sobre a CPMF.
04:52Em janeiro de 2020, a Folha de São Paulo publicou.
04:55Sem cargo público, o irmão de Bolsonaro faz intermediação de verbas do governo federal.
05:00Renato Bolsonaro viabilizou a liberação de ao menos 110 milhões de reais para prefeituras de São Paulo.
05:06Ele nega receber vantagens.
05:08Mas há matérias mais antigas também a respeito de Renato Bolsonaro.
05:12Já em abril de 2016, o R7 publicou.
05:15Funcionário fantasma, irmão de Jair Bolsonaro, recebia 17 mil reais por mês da Alesp.
05:22Renato Bolsonaro era listado como assessor especial do deputado André do Prado.
05:27A carta capital, claro, repercutiu essa informação.
05:31O uso peculiar que a família Bolsonaro faz dos gabinetes, aliás, é antigo.
05:35Vale lembrar a reportagem da BBC, Faculdade no Rio, Emprego em Brasília,
05:39o cargo na Câmara que Eduardo Bolsonaro ganhou aos 18 anos e não lembra.
05:43Enquanto cursava a UFRJ, Eduardo Bolsonaro tinha um cargo comissionado de 40 horas semanais
05:48na liderança do então partido do pai na Câmara, o PTB, comandado por Roberto Jefferson.
05:54Por um ano e quatro meses, sem 16 meses, o Calouro de Direito ocupou um cargo que pagava
06:00o equivalente a 9.800 reais por mês em valores atuais, um rendimento maior que o de 98% dos brasileiros.
06:08Isso sem falar, claro, na rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, razão pela qual
06:14ele é investigado por peculato e lavagem de dinheiro, alvo de dois inquéritos, inclusive,
06:19e já teve dez recursos negados pela justiça.
06:23Mas o que é importante destacar aqui é que quando Bolsonaro fala em perseguido o tempo todo,
06:28ele se referia justamente a investigações e suspeitas a respeito de seu irmão.
06:34Ao atualizar essa alegada perseguição, o presidente comentou em seguida uma notícia recente,
06:40bem mais banal, sobre Renato Bolsonaro, tratando como fake news, mas ela tampouco dizia respeito
06:46a qualquer problema de segurança física, como veremos a seguir.
06:49O coitado do meu irmão, capitão do exército de Lázio de Miracatou, se fuder, porra.
06:55Como é perseguido o tempo todo.
06:57A aposta da Folha de São Paulo diz que meu irmão foi expulso de um açougue em registro
07:02que estava comprando carne sem máscara.
07:05Comprovou no papel, estava em São Paulo esse dia, o dono do restaurante do açougue falou
07:10que não estava lá e fica por isso mesmo, sei que é problema dele, né?
07:14Mas é a putaria o tempo todo para me atingir mexendo com a minha família.
07:18O relato desse episódio banal foi feito à Folha, em conversa gravada pela própria dona
07:23do tal açougue da cidade de registro, que depois mudou sua versão.
07:27Mas se o irmão Renato estava na capital de São Paulo, ou seja, se nem sequer estava
07:32no estabelecimento do qual teria sido expulso, como diz o presidente, obviamente sua segurança
07:37física não foi ameaçada.
07:39Com o exemplo, Bolsonaro apenas completa o quadro que faz de seus familiares como vítimas
07:45de investigadores e da imprensa.
07:47Mas é a putaria o tempo todo para me atingir mexendo com a minha família.
07:53Já tentei trocar a gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui.
07:58E isso acabou.
08:01Eu não vou esperar foder minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não
08:08posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa.
08:11Vai trocar.
08:13Se não puder trocar, troca o chefe dele.
08:15Pode trocar o chefe dele?
08:15Troca o ministro.
08:16E ponto final, não estamos aqui para brincadeira.
08:21Esse trecho crucial do vídeo, agora devidamente contextualizado e com o novo agravante da referência
08:28anterior ao irmão alvo da Receita e acusado de ter sido funcionário fantasma, eu já havia
08:33comentado em vídeo a partir da transcrição antecipada pela AGU.
08:38Então, reafirmo tudo o que falei nele e solto para vocês o VT dessa análise passada, voltando
08:43em seguida para completá-la com outros agravantes.
08:46Antes, registro que o artigo 144, inciso 1 da Constituição, mostra que a Polícia Federal
08:52é um dos órgãos que exercem a segurança pública no país.
08:57Como até a Wikipédia sabe, portanto, a Polícia Federal é uma das forças de segurança do Brasil.
09:03Força de segurança, na intimidade do capitão, é segurança ou segurança nossa, dos brasileiros
09:09ou dele, já que ele abusa do pronome possessivo ao tratar dos aparatos da União.
09:13Vamos por partes, lembrando que o presidente, noutra ocasião, chegou a falar até em minha
09:19PF.
09:20E agora, ao falar, já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente
09:25e não consegui, Bolsonaro se refere à troca que tentou fazer na superintendência do Rio.
09:31Foi público.
09:31O contexto e o campo semântico do restante da fala, bem como as atitudes do passado e
09:36subsequentes à reunião, impõem este sentido, como veremos.
09:40Isso acabou.
09:42Eu não vou esperar fuderem minha família toda de sacanagem ou amigo meu, porque eu
09:46não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura.
09:51O presidente temia, portanto, fuderem e sacanagem com família e amigo dele.
09:56Ninguém tentou estuprá-los.
09:58Essas expressões, no respectivo contexto, casam perfeitamente com o temor de investigações
10:03indesejáveis, como a do filho Flávio Bolsonaro e do amigo Fabrício Queiroz, não com tentativas
10:09de assassinato ou qualquer atentado.
10:11Flávio, aliás, era alvo de inquérito eleitoral na PF do Rio, assumido pela superintendência
10:16duas semanas antes de o pai começar a pressionar Moro em 2019 a intervir na PF.
10:23Vai trocar.
10:24Se não puder trocar, troca o chefe dele.
10:26Não pode trocar o chefe, troca o ministro.
10:28E ponto final.
10:29Bolsonaro tanto se referia à PF que depois mostrou a Moro, no Zap, uma investigação
10:35de aliados que poderia atingir seu filho Carlos como mais um motivo para a troca.
10:40Bolsonaro falou em mais um motivo para trocar o diretor da PF justamente porque já havia
10:45citado na reunião um motivo anterior para essa troca.
10:49A frase troca o ministro era a ameaça de demitir Moro com quem generais do governo foram
10:54depois conversar sem apontar qualquer mal-entendido.
10:58Naquela ocasião, tudo estava claro.
11:00Não estamos aqui para brincadeira.
11:03Bolsonaro, de fato, trocou o diretor da PF, chefe dele, ou seja, chefe do superintendente
11:07do Rio, o que levou Moro a pedir demissão do cargo de ministro.
11:11O novo diretor-geral, Rolando Souza, então trocou o superintendente do Rio, Carlos Henrique
11:16Oliveira, como o presidente queria.
11:18Bolsonaro simplesmente explora sua imprecisão verbal como álibi, fingindo ter usado a
11:24palavra segurança como proteção física familiar, que é responsabilidade do GSI,
11:30não da PF, e que não inclui exatamente amigo, embora possa servir a outras autoridades.
11:36Mas o presidente, que disse já ter tentado trocar, nem sequer havia tentado trocar o chefe
11:41da ABIN subordinado ao GSI.
11:42O que o presidente tentou ao contrário foi, na prática, promover o chefe da ABIN, Alexandre
11:47Ramagem, a diretor da PF.
11:50De quebra, depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a nomeação, Bolsonaro
11:55nomeou o número 2 da ABIN, Rolando Souza, para o comando da corporação.
11:59Tudo se encaixa e a revelação de outro trecho da fala do presidente na reunião ministerial
12:04só reforça essa compreensão.
12:07Interrompo aqui o videotape, voltando ao presente, para, antes de exibir o outro trecho, agora
12:12em vídeo, não só em transcrição, refutar uma declaração do general Ramos em depoimento
12:17à PF.
12:18Ramos disse que Bolsonaro, ao ameaçar trocar o ministro, nesse momento olhou em direção
12:23ao ministro Heleno.
12:24Não é verdade.
12:25O ministro Heleno, como se pode ver na imagem, aparece sentado de cabelos brancos na lateral
12:30esquerda do vídeo, enquanto Bolsonaro, centralizado ao fundo, manteve, nesse momento, o olhar
12:36reto e neutro de orador na reunião.
12:38Se não puder trocar, troca o chefe dele, pode trocar o chefe dele, troca o ministro.
12:43E ponto final, não estamos aqui para brincadeira.
12:47Os poucos movimentos que fez com a cabeça foram para o outro lado, ainda que não tenha
12:52virado o suficiente para encarar Sérgio Moro, como fez no outro trecho que exibirei a seguir.
12:58Mas Moro entendeu o recado.
13:00Então é um apelo que eu faço a todos, que se preocupe com a política, para não
13:04ser surpreendido.
13:05Eu não vou esperar o bar começar a afundar, vai tirar água.
13:09Estou tirando água e vou continuar tirando água em todos os ministérios do Cândido.
13:13É isso.
13:13A pessoa tem que entender.
13:15Se não quer entender, paciência.
13:17E eu tenho o poder e vou interferir em todos os 11 ministérios, sem exceção.
13:22Nos bancos eu falo do Paulo Guedes, se é que eu preferi.
13:27Nunca tive problema, zero problema do Paulo Guedes.
13:29Vai não ser mais?
13:30Vou.
13:31Eu não posso ser surpreendido com notícias.
13:34Ou tenho a PF que não me dê informações.
13:37Eu tenho as inteligências das coisas, mas quem não tem informações.
13:41A BIM tem esses problemas.
13:42Tem algumas informações.
13:44Só não tenho mais porque está faltando realmente.
13:47Temos problemas.
13:48Aparelhamento, etc.
13:50A gente não pode viver sem informação.
13:51Qual é que é que nunca ficou atrás da porta ou do que seu filho ou sua filha está comentando?
13:59Tem que ver para depois.
14:00Depois que é minha vida, não é que eu vou lá falar mais.
14:02Tem que ver.
14:03E vão com o moleque e enchemos conas de droga.
14:05Não adianta mais falar com ele.
14:06Já era.
14:07A informação é assim.
14:09Então essa é a preocupação que temos que ter.
14:11A questão estratégica que não estamos tendo.
14:14E me desculpe.
14:15Os serviços de informação é nosso.
14:16Todos.
14:17São uma vergonha.
14:19Uma vergonha.
14:19que eu não sou informado.
14:24E não dá para trabalhar assim.
14:25Fica difícil.
14:26Por isso, vou interferir.
14:28E com o sinal.
14:30Não é ameaça.
14:32Não é uma extrapolação da minha pós.
14:34É uma verdade.
14:37Como eu falei, né?
14:38Deus me ensina para os senhores.
14:40O poder viver.
14:41Mudou agora.
14:42Tem que mudar.
14:42E o que eu quero é realmente governar o Brasil.
14:47Pois bem.
14:48Esse trecho foi filmado em plano fechado.
14:49Mas pelos planos mais abertos de outros trechos da reunião.
14:52Vocês podem ver a posição de Sérgio Moro.
14:55Ao lado do general Hamilton Mourão.
14:58Que está ao lado de Jair Bolsonaro.
15:00Portanto, Jair Bolsonaro olhou diretamente para Sérgio Moro.
15:04quando disse que iria interferir.
15:07Com todas as letras.
15:08Vamos repetir.
15:09É uma vergonha.
15:10É uma vergonha.
15:12Que eu não sou informado.
15:16E não dá para trabalhar assim.
15:17Fica difícil.
15:18Por isso, vou interferir.
15:20E com o sinal.
15:21Por isso, vou interferir.
15:24E com o sinal.
15:25Vale lembrar que era Moro o ministro que oferecia resistência a Bolsonaro em relação a uma interferência que o presidente já queria fazer desde agosto de 2019.
15:35No caso, as trocas sem justificativa técnica na direção-geral da PF e na chefia da superintendência do Rio.
15:41Todo esse pitido, presidente, que começa justamente com o apelo pela preocupação com a política e o recado para a pessoa que não quer entender,
15:50evidencia sua insatisfação com a resistência técnica de Moro sobre trocas em cargos policiais que não têm ou não eram para ter viés político.
16:00Repito os trechos de destaque que legendei.
16:02Então é um apelo que eu faço a todos que se preocupem com a política para não ser surpreendido.
16:08Eu não vou esperar o bar começar a afundar para tirar água.
16:12Estou tirando água e vou continuar tirando água de todos os ministérios do Cante.
16:16É isso.
16:16A pessoa tem que entender.
16:18Você não quer entender?
16:19Paciência.
16:20E eu tenho o poder e vou interferir em todos os 11 ministérios.
16:24Sem exceção.
16:25Eu não posso ser surpreendido com notícias.
16:29Ou tem o APF que não me dê informações.
16:32Mas a gente não pode viver essa informação.
16:34Qualquer que nunca ficou atrás da porta ouvida, diz o meu filho da sua filha, está comentando.
16:41Tudo isso sem contar, claro, a quebra da promessa de Bolsonaro feita em 2018 de deixar para Moro a escolha do diretor-geral da PF.
16:48O que eu conversei com ele é que ele terá ampla liberdade para escolher todos os que comporão o seu segundo escalão.
16:57Ele é o chefe da Polícia Federal.
16:59Quando Bolsonaro reclamou da PF e das Forças Armadas por não lhe passarem informações, ainda eximiu a Abin, dizendo que ela só não tem mais porque está faltando realmente.
17:16É tão nítido o seu carinho pela Abin quanto a sua vontade de espiar a PF atrás da porta.
17:23O presidente, que havia negado ter falado em Polícia Federal na reunião, ainda se enrolou todo ao ser confrontado com o fato de que falou PF e, incapaz de dar explicações aos repórteres na saída do Palácio, aloprou novamente.
17:35A palavra PF, duas letras, PF.
17:52É Polícia Federal.
17:53Ô cara, ô cara, tem a ver com a Polícia Federal, mas é a reclamação PF no tocante ao Serviço de Inteligência.
18:04A transcrição da agilha está correta, presidente?
18:06Está correta.
18:07Então o senhor reclamou que não recebe informações da PF.
18:10Da mesma linha.
18:11E do Serviço de Inteligência.
18:12E do Serviço de Inteligência.
18:12E da Força Armada.
18:13Na sequência, o senhor falou que vai interferir ponto final.
18:18O que é que significa?
18:20Eu não vou me submeter a um interrogatório a parte de vocês.
18:22Eu espero que a fita se torne pública para que a análise correta venha a ser feita.
18:28Presidente, a fita inteira...
18:30A interferência não é nesse contexto da inteligência, não.
18:34É na segurança familiar.
18:36É bem claro, segurança familiar.
18:38Eu não toco PF, nem Polícia Federal, na palavra segurança familiar.
18:42Mas a segurança familiar do senhor é feita pelo GSI.
18:45Você está se referindo ao GSI?
18:47Mas quem está aí me referindo?
18:48O senhor tentou trocar.
18:50Vem, vamos lá.
18:51Sem interrogatório.
18:52Outra pergunta aí.
18:53Olha a reclamação minha.
18:55Vou acabar a entrevista.
18:57Não vem com palhaçada aqui.
18:58É palhaçada que você está fazendo.
19:00Não vem com palhaçada aqui.
19:02O que eu falei ali, no tocante, a segurança física.
19:08Está bem claro, a minha segurança.
19:10Quem faz minha segurança no EPF,
19:12nem Polícia Federal.
19:14Hoje é assim.
19:15O general se recusou.
19:16Não deu a pergunta?
19:17O general se recusou.
19:18Não deu a pergunta.
19:19Ô cara, acabou a tua conta.
19:21Acabou a pergunta.
19:22Acabou o período.
19:24Jair Bolsonaro desconversou e fugiu descaradamente
19:27da pergunta pertinente do repórter.
19:30Se ele havia, de fato, tentado trocar alguém
19:32da segurança física familiar dele no Rio de Janeiro
19:36e não conseguiu.
19:37Mas é a putaria o tempo todo
19:39para me atingir mexendo com a minha família.
19:43Já tentei trocar a gente da segurança nossa no Rio de Janeiro
19:46oficialmente e não consegui.
19:48O Jornal Nacional apurou o seguinte,
19:51que 28 dias antes da reunião,
19:54o presidente tinha promovido o responsável pela segurança
19:57em vez de demití-lo.
19:59E ainda promoveu para o lugar dele o número 2 da diretoria.
20:02E mesmo no Rio, houve troca na chefia do escritório do GSI
20:07menos de dois meses antes da reunião ministerial.
20:11O general Sá Correia, subordinado ao ministro do GSI,
20:14Augusto Heleno, era o diretor que cuidava da segurança do presidente.
20:19A reportagem conta todos os detalhes e mostra
20:22que a troca foi assinada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro,
20:27como manda as regras nesse caso.
20:30E conclui, embora diga agora que na reunião do dia 22
20:33não se referia à superintendência da PF no Rio
20:35e sim à dificuldade para trocar sua segurança,
20:38Bolsonaro já tinha trocado o diretor responsável pela equipe
20:4128 dias antes e sem nenhuma dificuldade.
20:45Não para puni-lo, e sim para promovê-lo.
20:48E colocou no lugar o número 2 da diretoria da segurança presidencial.
20:52Se a queixa de Bolsonaro era quanto à sua segurança,
20:55de seus familiares e amigos,
20:56essas mudanças não fazem sentido.
20:59Vale lembrar que o presidente sempre associou a Polícia Federal à segurança,
21:03tanto que para ele a PF deveria ficar sob o guarda-chuva da segurança pública
21:07e não sob a justiça em caso de divisão da pasta,
21:10como confirmou o ministro Jorge Oliveira em entrevista à Globo News.
21:14Nas palavras dele, as instituições policiais iriam para a parte da segurança pública.
21:20Mas nem é preciso ir tão longe.
21:21Depois da divulgação do vídeo por Celso de Mello,
21:24Bolsonaro, acuado, desandou a fazer algumas confissões.
21:28O tempo todo vivendo sobre tensão,
21:32possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu,
21:35onde provas seriam plantadas.
21:38Levantei e disse que graças a Deus tenho amigos, policiais civis,
21:41policiais militares do Rio de Janeiro,
21:42que estavam sendo armados para frente a mim.
21:44Moro, eu não quero que me brinde.
21:46Mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado.
21:50Nunca tive sucesso para nada.
21:53É obrigação dele me defender.
21:55Não é me defender de corrupção,
21:57de dinheiro encontrado no exterior.
22:00Não.
22:02É defender o presidente para que possa trabalhar, possa ter paz.
22:05Pois é, Bolsonaro confirmou mais uma vez
22:08que sua preocupação era, sim, com investigações sobre os filhos.
22:12Deu graças a Deus de ter um serviço particular,
22:15a rigor paralelo de informações que inclui policiais amigos,
22:19vazando essas informações para ele.
22:22E cobrou que Moro fizesse isso também.
22:24Mas o presidente fez essas confissões,
22:27das quais a defesa de Moro tem mais é que pedir anexação no inquérito,
22:30pintando a família como vítima de armações e chantagem alheias,
22:35que justificariam atos injustificáveis.
22:38Sérgio Moro comentou o vídeo no Twitter.
22:40Não cabe também ao ministro da Justiça
22:42obstruir investigações da Justiça Estadual
22:45ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do presidente.
22:49As únicas buscas da Justiça Estadual que conheço
22:52deram-se sobre um filho e um amigo em dezembro de 2019
22:56e não cabia a mim impedir.
22:58Explorando as imprecisões verbais de seu político de estimação
23:02e as distrações causadas pela divulgação atabalhoada
23:05de outros trechos da reunião ministerial,
23:08os filhos de Bolsonaro e a claque bolsonarista
23:11no rádio, na TV e na internet
23:13podem fingir à vontade que nada houve nela
23:15e em todo o resto que comprove as motivações espúrias do presidente
23:19para trocar os comandos federal e estadual da PF.
23:23O procurador-geral da República, Augusto Ares,
23:25pode até engavetar o processo com a subserviência
23:28que Bolsonaro espera e cobra de todos os nomeados por ele.
23:32Os ministros do STF podem achar que a suspensão da nomeação
23:35de Alexandre Ramagem já foi castigo suficiente.
23:39Especialistas podem se limitar-se tanto a repudiar o comportamento
23:42do presidente do ponto de vista ético e moral
23:45sem defender que ele seja enquadrado criminalmente.
23:48Todos podem, preguiçosa e histericamente,
23:51fugir à complexidade do caso,
23:53já que o tempo da análise minuciosa dos fatos
23:56é diferente do tempo da lacração de rede social,
23:59que tomou o debate público brasileiro cada vez mais tribal
24:02e desprovido de nuances.
24:04Mas, como disse Moro, a verdade foi dita,
24:07exposta em vídeo, mensagens, depoimentos
24:09e comprovada com fatos posteriores,
24:12como a demissão do diretor-geral da PF
24:14e a troca na superintendência do Rio.
24:16Para impedir que a PF vire polícia familiar
24:19ou prato feito pela família Bolsonaro,
24:21essa história precisa ser contada em todos os seus detalhes.
24:25Eu não vou esperar foder minha família toda
24:28de sacanagem, ou amigos meus,
24:31porque eu não posso trocar alguém da segurança
24:33na porta da linha que pertence à estrutura nossa.
24:35Vai trocar!
24:36Por isso, vou interferir!
24:39E posso ir ao...
24:40O tempo todo vivendo sobre tensão,
24:44possibilidade de busca e apreensão na casa de filho mesmo.
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