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EXCLUSIVO | "Ninguém vai se lembrar disso, porque é rídiculo", diz Moro sobre 'Vaza Jato'
O Antagonista
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00:00
Só tem que ter cuidado com as mensagens do WhatsApp, né?
00:03
Não, isso não tem nada a ver.
00:04
E Telegram.
00:05
Não, isso não tem nada a ver.
00:07
Isso aí é um episódio, acho que, menor.
00:11
Claro que no momento em que isso foi divulgado, gerou um certo sensacionalismo em cima.
00:17
Mas é algo que vai passar algum tempo, ninguém vai nem se lembrar disso,
00:23
porque no fundo é algo ridículo, na minha opinião.
00:25
Então, hoje nós tivemos aí a informação da conclusão do inquérito desse que investigou esse crime, né?
00:34
Que é um crime, o pessoal gosta muito de romanciar o crime de hacker, né?
00:38
Mas esse crime não tem nada de bonito, né?
00:41
É um negócio extremamente grave.
00:43
Você violar a privacidade, as comunicações privadas, né?
00:50
É uma violação de preceitos constitucionais, né?
00:53
Você violar e roubar mensagens, troca de mensagens, conversas privadas de autoridades, né?
00:59
Não só as autoridades de Lava Jato, mas também autoridades, o senhor que já estava no cargo de ministro,
01:05
autoridades de tribunais superiores, jornalistas, né?
01:08
Até eu fui alvo dessa gente.
01:11
E tivemos agora essa conclusão.
01:12
Mas a conclusão ainda não é, ainda não foi, vamos dizer assim, terminativa em relação ao que poderia estar por trás dessa ação, né?
01:23
O que motivou, se haveria um mandante, se é, vamos dizer assim, se seria um crime político, né?
01:29
Ou uma coincidência, né?
01:32
De um exterior natário que começou a fazer as suas invasões e depois resolveu repassar isso adiante.
01:38
Mas o fato é que esse material foi usado com um objetivo político, né?
01:44
Posteriormente.
01:44
Ficou muito claro que esse objetivo foi soltar o Lula, você criar algum tipo de...
01:53
Tentar criminalizar a operação Lava Jato e o trabalho de quem atuou nela.
01:58
Qual a sua opinião?
01:58
Olha, o que eu acho mais grave é a tentativa dos responsáveis por esses ataques e também pela divulgação
02:08
em tentar traçar um cenário de que seriam heróis da imprensa,
02:13
que estariam ali fazendo isso pela liberdade de imprensa, pelo interesse público.
02:18
Quando parece absolutamente óbvio que, embora existam aspectos que devam ser ainda investigados,
02:25
que o mote principal era simplesmente invalidar condenações de pessoas que se envolveram em corrupção.
02:31
Então, claro que a gente tem que preservar a liberdade de imprensa.
02:34
A questão, a exposição lá das fitas do Nixon, né?
02:39
O Watergate, toda aquela investigação, ali tinha um propósito específico.
02:42
Havia um crime por trás, uma invasão criminosa do escritório da representação democrata em Washington.
02:50
Então, você tinha um crime, sem falar em verbas utilizadas de maneira inapropriada.
02:56
Naquele caso famoso também, o Papéis do Pentágono, o que você tinha era uma situação
03:02
em que o governo norte-americano escondia da população o fato de que já havia uma avaliação
03:08
que a guerra não poderia ser vencida e, ainda assim, aquilo prosseguia a custos de vidas humanas,
03:15
de soldados norte-americanos.
03:16
Então, você tem situações muito claras em que está caracterizado ali o interesse público na divulgação,
03:22
ainda que, eventualmente, algumas informações possam ter sido obtidas de uma maneira não totalmente,
03:28
vamos dizer assim, legal, principalmente no caso do Papéis do Pentágono.
03:31
Agora, nesse caso em particular, como caracterizar isso como uma ação positiva
03:38
quando o objetivo específico é invalidar condenações criminais de pessoas que se corromperam,
03:44
praticaram crimes de corrupção, que pagaram ou receberam suborno?
03:48
Eu, sinceramente, vejo todo esse episódio de uma forma extremamente negativa.
03:54
Então, o aspecto desses casos que o senhor disse, também tivemos recentemente,
03:59
já, vamos dizer assim, com a atuação dessas invasões eletrônicas ou de vazamentos,
04:06
que hoje você tem uma parte dos documentos públicos, são documentos digitalizados.
04:11
Então, tudo isso abre uma porta para a atuação desse tipo de criminoso.
04:17
Mas eu acho que há um aspecto aí que diferencia muito esses casos.
04:22
Nesses casos, você teve pessoas que, primeiro, no caso do Watergate,
04:27
é muito específico, porque você tem um crime que depois já era um crime por si só.
04:32
No caso dos Pentágono, você tem o vazamento de alguém de dentro que teve acesso a isso,
04:37
como aconteceu também no caso da NSA, de toda essa coisa da atuação das agências de inteligência americana,
04:47
que você também teve alguém de dentro que resolveu colocar...
04:50
Teve outro episódio envolvendo também a guerra no Iraque, no Afeganistão e tal.
04:53
Nesse caso, não. Não se trata de um agente público que resolve cometer ali uma infração administrativa.
05:00
Até houve uma tentativa de desinformação, bem no início,
05:04
em tentar plantar uma suspeita de que o responsável pelo vazamento era um procurador da República.
05:10
Exato.
05:10
E não faria sentido caso, vamos dizer assim, os hackers soubessem que estavam fazendo uma coisa realmente positiva.
05:19
O que você tem é uma clara violação da privacidade, com propósitos de invalidar condenações criminais.
05:25
E, do outro lado, o que se pode dizer? O que essas mensagens, o que essas supostas mensagens revelaram?
05:30
Alguém foi incriminado indevidamente? Alguma prova foi fraudada? Algum processo foi manipulado?
05:36
Não existe nada disso.
05:37
Não existe.
05:37
O que existia é um caso gigantesco de suborno no Brasil, um caso que nos envergonha,
05:43
e que foi um caso difícil, e a justiça tomou as posições que foram corretas.
05:48
Se a gente for ver os dados objetivos, até fiz um levantamento aí,
05:53
acho que eu absorvi em primeira instância 20% dos acusados, ou um percentual assim próximo.
05:59
Então, como pode haver uma comunhão entre Ministério Público e Justiça,
06:04
se não é essa convergência absoluta? Eu indeferi um número muito significativo de prisões preventivas.
06:11
Vendo retrospectivamente, até acho que eu deveria ter decretado mais prisão preventiva.
06:15
Mas, enfim, não existia isso. Cada órgão atuava com independência.
06:21
Agora, evidentemente, no trato diário, juiz, promotor, advogado,
06:25
há comunicações que podem ser verbais, podem ser feitas de outra maneira também.
06:29
Se tem uma comunicação ilícita, é uma coisa, mas, como disse, não tem nada disso,
06:37
pelo menos, mesmo se a gente for considerar os textos que foram apresentados.
06:41
É, e a tentativa de criar uma narrativa de que poderia ter sido um vazamento interno,
06:47
mostra justamente o desespero em se tentar dar alguma pecha de legal,
06:54
numa atuação que é absolutamente legal.
06:57
Então, muita gente confunde até o limite que se tem.
07:02
Quando você tem o uso de um material criminoso, você acaba retroalimentando esse crime.
07:09
Se você passa a usar material fruto de invasões ilegais,
07:15
você está incentivando outros a fazerem a mesma coisa.
07:19
Eu lhe pergunto, será que teríamos o desenrolar disso?
07:22
Ainda estão, o próprio STF ainda está para analisar essa questão da legalização dessas provas ilícitas.
07:29
O próprio TCU recentemente também solicitou a análise desse material
07:35
para poder até punir um procurador que conversou falando ali,
07:41
falou algumas coisas que, vamos dizer assim, fazendo algumas considerações em relação a alguns ministros do TCU.
07:47
Então, assim, você tem uma situação de tentativa de legalização disso,
07:54
uma coisa que ainda vai ser debatida pelo STF.
07:57
Eu acho que se o STF, se os ministros do Supremo, se ministros como o presidente do STF,
08:02
Dias Toffoli, Gilmar Mendes, se eles tivessem sido alvo,
08:06
tivessem vazado informações, mensagens trocadas entre eles ou entre eles e outros agentes,
08:12
agentes políticos, etc. A gente sabe que já tivemos até a própria Lava Jato grampeando legalmente,
08:20
fazendo interceptação legal de conversas do ministro Gilmar Mendes com o senador Aécio Neves,
08:25
que era um alvo de uma investigação, assim como temos várias outras ocorrências similares.
08:29
Você acha que se tivessem ministros do STF sendo alvo desse crime, nós ainda estaríamos debatendo isso?
08:37
Olha, o que eu posso dizer na minha avaliação, eu tenho a consciência absolutamente tranquila
08:43
do que eu fiz como juiz durante a operação Lava Jato.
08:48
Então, o que existe é um álibi apresentado pela defesa de alguns dos acusados,
08:54
e também álibis muito pontuais, no sentido de querer caracterizar tudo como se fosse uma perseguição política,
09:01
algo parecido. Mas, assim, tudo foi julgado com base nas provas que foram apresentadas.
09:08
E o que é mais importante, é evidente que existe um foco inadequado na minha atuação,
09:16
quando, por exemplo, a grande maioria das minhas decisões, condenações,
09:22
foram mantidas pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região.
09:24
Inclusive, em particular, em relação ao ex-presidente, foi mantido pelo TRF e foi depois pela CJ.
09:32
E depois o presidente foi condenado por outro juiz.
09:35
Então, assim, é uma farsa que não se sustenta.
09:39
Eu, particularmente, não vejo nenhum sentido nisso.
09:42
A outra farsa é a narrativa que se coloca muito lá fora,
09:46
e às vezes algumas pessoas que não conhecem a realidade brasileira
09:50
acabam comprando essa narrativa de que a minha indicação como ministro pelo presidente
09:59
teria sido alguma espécie de premiação pelo conto de ter afastado o ex-presidente
10:05
ou que eu teria afastado o ex-presidente já com esse propósito.
10:08
Que também é outra farsa grotesca,
10:11
porque quando eu proferi essa decisão em relação ao ex-presidente,
10:15
isso foi em meados de 2017.
10:17
Cronologicamente, não existe a cronologia, não bate, né?
10:20
Não, sequer conhecia o presidente Jair Bolsonaro,
10:24
salvo um rápido episódio de encontro no aeroporto,
10:27
que foi até televisionado e a interação não foi das melhores naquele momento.
10:33
Até porque não o reconheci, enfim.
10:37
Mas o fato é que são farsas visando sustentar um álibi
10:44
em que se coloca esse álibi, porque não tem como justificar as provas, né?
10:49
Como é que vai justificar que eu tenho tantas propriedades
10:53
e não está nada o meu nome,
10:57
e preiteiras me prestando toda hora toda espécie de favor,
11:00
e todo o contexto do caso da Petrobras,
11:03
do desvio de dinheiro,
11:06
dos subornos feitos no âmbito de um determinado governo.
11:09
Então, o senhor acha que o Supremo já deveria ter encerrado essa discussão?
11:14
O senhor não acha que já era a hora de encerrar isso?
11:16
Não me cabe dizer o que o Supremo deve ou não deve fazer, né?
11:19
O que eu posso colocar é a verdade do que eu penso
11:23
e da verdade do que aconteceu.
11:25
O que o senhor diria para o jornalista, para o Glenn Greenwald,
11:28
que lhe chamou diversas vezes no Twitter de corrupto?
11:32
Inclusive, também um deputado federal lhe chamou de corrupto
11:36
e foi até absolvido lá na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados.
11:40
O que o senhor diria para ele?
11:41
Olha, eu não gosto de gerar esse tipo de animosidade.
11:45
Acho que é perda de tempo discutir, ficar rebatendo ofensa,
11:49
gente que sinceramente não merece.
11:51
Então, para mim, são pessoas indiferentes.
11:54
Perfeito.
12:02
Perfeito.
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