- há 8 meses
Categoria
📺
TVTranscrição
00:00O que é isso?
00:30O que é isso?
01:00O que é isso?
01:30É simples. Basta existir que já me prejudica.
01:37O quê?
01:38É isso mesmo. O simples facto de existir e andar por aí a dizer que é meu pai prejudica-me muito.
01:44Quando precisaste de mim, não te lembraste disso, pois não?
01:55Eu sabia. Eu sabia que é dia de cobrar-me o que fez para me ajudar.
02:01Sabe uma coisa? Eu até tinha dispensado a sua ajuda e ia acabar por resolver as coisas sozinha.
02:07Agora não admito que ando o resto da vida às minhas costas só porque me ajudou.
02:12Como é que eu era capaz de prejudicar?
02:18Explica-me o teu raciocínio.
02:20Olha para si. Um falhado. Sem casa, sem trabalho, sem um tostão.
02:26Um fraco que prefere refugiar sem encarar a vida de frente.
02:31Prefere afogar as mágoas numa garrafa de whisky.
02:33E ainda por cima pergunta como é que me pode prejudicar.
02:38É preciso ter lata.
02:43Muito bem.
02:47Diz-me então o que é que eu tenho que fazer para não te prejudicar.
02:53É fácil.
02:57Eu fiquei entregue a mim durante os oito anos em que esteve preso.
03:00Antes de tudo isso se passar, você tinha uma filha, uma vida normal.
03:07Era um médico de sucesso.
03:11Nessa altura não se incomodou com nada.
03:13Nem comigo, nem com a sua carreira.
03:17Começou a beber e acabou por matar um homem.
03:24Eu quero que não se aproxime de mim.
03:27E que não diga a ninguém que é meu pai.
03:29E se alguma vez nos cruzarmos, faça-te conta que não me conhece.
03:40É isso que tu queres?
03:42É?
03:43Saber.
03:44É isso que tu queres?
03:46É?
03:47Se eu tinha alguma dúvida antes de vir aqui, agora fica perfeitamente esclarecida.
03:51Ainda bem que não tens dúvidas.
04:02Deve haver poucas pessoas assim.
04:07Estão seguras?
04:08Vem, vem, vem, vem à tua vida, vai.
04:17Eu já desisti de tentar viver em ti a minha filha.
04:22Já desisti.
04:23A única pessoa da família que eu tinha.
04:26Já disse tudo o que tinha a dizer.
04:28Já fiz tudo o que tinha a fazer.
04:30Já não posso fazer mais nada.
04:31Percebe?
04:33Oi.
04:35Foi uma grande luta que eu travei comigo próprio.
04:38Para tentar desfazer aquilo que nos separava.
04:45Eu não consegui.
04:48Não consegui, olha.
04:51Perdi.
04:53Agora...
04:54Vai, vai, vai, vai à tua vida, vai.
04:59Sabes o que é que eu quero, Marta?
05:03Quero que sejas feliz.
05:24Não percebo.
05:33Levaram daqui as coisas?
05:36Malditos.
05:37Mas quem é que ia levar?
05:40As coisas não tinham assim tanto valor.
05:43Por exemplo, o que é um fato é que roubaram tudo.
05:45Mas o senhor tem razão.
05:46Não é pelo valor que eles levaram as coisas.
05:49Meu Deus, mas...
05:50Quem é que ia querer roubar os...
05:52os tuos de rega?
05:54Ainda bem que eu vim cozinhando,
05:56quando eu deixava mexer na...
05:57Eu ainda pedia apagar algo no pisto.
05:59Vamos ver se encontrar alguma coisa.
06:01O que você quiser...
06:03Tenho a certeza que não vai encontrar nada.
06:06Não, que eu se sabe.
06:07Eu sei lá que o dono Matilde não conheço cá o Manolo.
06:12Não sei o que vai ser.
06:17Mas se se vai à guarda, se...
06:18se fala à polícia...
06:21Não é?
06:24Imagina que a doida da Matilde agora quer fazer horticultura numa zona de sequeiro.
06:29Nem sequer sabe se a quinta tem água suficiente.
06:31Eu acho até muito louvável.
06:34Quer dizer que faz alguma coisa pela vida.
06:37Não é como certas pessoas que conseguem viver sem ter nada de útil de que se ocupem.
06:42Eu concordo completamente contigo, Rolo.
06:46Essa história da horticultura é mais uma das fantasias da minha irmã.
06:50Eu próprio fui lá com a intenção de apressar o projeto.
06:53Mas parece-me que aquilo não tem hipótese de ir para a frente.
06:56Pelo menos por agora.
06:57Está a ver, tia?
06:58É mais uma teimosia da Matilde.
07:00Eu gosto muito da Matilde e ainda apoio ela em tudo o que puder.
07:04Se calhar até lá vou hoje e aproveito para ver o João e a Luísa.
07:07Então, olha, se quiser eu dou-lhe de moleia quando for para a escola.
07:09Ai, gosto imenso.
07:10E eu acho que a Matilde se quisesse viver à custa de alguém,
07:12teria com certeza direito a melhor de eles os juros.
07:15O que é que queres fazer à escola?
07:16Então, a escola é uma de trabalho e na troca.
07:18Vá lá, não?
07:19E tu podes aproveitar para dar um passeio.
07:21Nós depois falamos nesse assunto quando eu voltar, está bem?
07:23Já pela atrasada.
07:24Vamos, tia?
07:24Vamos, minha querida.
07:25Até já.
07:26Eu não me demoro.
07:27Até já.
07:28Estas discussões logo de manhã são péssimas, não acham?
07:38Bem, está na hora de irmos para a Iberás.
07:40Vamos, não queres chegar atrasada?
07:42Ou para o primeiro dia?
07:43Mas é que Carlos já lá deve estar.
07:45Não o vi esta manhã?
07:47É natural.
07:48A esta hora deve ir no primeiro sono.
07:53O quê?
07:55É que um dia a noite não conseguia dormir
07:56e por acaso viu-me chegar.
07:58Vão ser mais seis da manhã.
08:01Bem, eu depois falo com ele.
08:04Não é a altura própria para tratar desse assunto.
08:08Vamos?
08:09Vamos.
08:09Até logo.
08:10Até logo.
08:10Já deve ter percebido que esta família é muito mal educada.
08:26Ah, não pode ser.
08:29Eu estou farta de pensar e não consigo encontrar uma explicação.
08:31Os dois não valiam grande coisa.
08:35Olha, filha, só se foi por maldade.
08:36Mas quem é que quer fazer mal à Matilde?
08:38Quem?
08:39Ninguém, vó.
08:39Toda a gente adora a mãe.
08:41Não estou nada a ver quem é queira prejudicar.
08:47Não sei.
08:48Sinto-me tão perdida.
08:53E agora?
08:54O que é que eu faço?
08:55Não tenho dinheiro para pagar ao Vicente o que lhe devo?
08:58Também não tenho mais dinheiro para voltar a comprar os materiais?
09:00Oh, filha, pronto, Manu, te preocupes que alguma coisa sai de arranjar
09:03e os tubos vão aparecer.
09:04Isto foi brincadeira de miúdos, com certeza.
09:06Ah, não sei, pai.
09:07Descobri.
09:08Descobriu?
09:09Descobriu o quê, homem?
09:10Desembuche.
09:11Já sei quem é que roubou os tubos.
09:12Quem?
09:13Quem?
09:13Não pode ser.
09:18Onde é que você encontrou isto?
09:19Encontrou cá fora, à porta do armazém,
09:20estava preso a um posto numa falha da madeira.
09:22Mas o que é que isto quer dizer?
09:24Explique-se.
09:25Ah, vó, isso é o ferro de Rosara Brava,
09:26que normalmente os empregados usavam presos ao casaco.
09:30O quê?
09:31Então quer dizer que...
09:32Não pode ser.
09:34Quer dizer que o Raul mandou-lhe roubar os tubos.
09:36Quem é que o meu sobrinho mandou...
09:38Quem é que o meu sobrinho mandou roubar?
09:43Olha, aí está ele.
10:05Bom dia, desculpa o atraso.
10:07Ficaste a dormir, não foi?
10:08Chegaste a casa às tantas, andaste sabe-se lá por onde,
10:11e chegas a esta hora.
10:12Sabias que a Marta vinha hoje, mas não ligaste nenhuma.
10:18Vim lá o que é que se passa contigo, José Carlos.
10:20Isto é trabalho,
10:21ou é apenas mais uma distração,
10:23entre muitas, para ti?
10:25Não é isso, pai, é que eu ontem tive...
10:28De fazer umas coisas.
10:31Isto foste tu, não foste?
10:33A Marta não fica descansada...
10:35Calma, eu não tenho nada a ver com isto.
10:37Não arranjo as confusões para o meu lado.
10:38A Marta não descansa, enquanto não ficar sozinha à frente de tudo.
10:42Depois o pai é que vai ver o resultado disto.
10:44Onde é que tu queres chegar, Marta?
10:46Diz lá.
10:46Onde é que queres chegar?
10:48E tu?
10:50O que é que tu queres fazer da tua vida, José Carlos?
10:52Estás à espera que eu te entrego tudo?
10:54Para quê?
10:55Para te levantares ao meio-dia?
10:58Hã?
10:58Oh, pai...
11:00A Marta está cá,
11:01porque esta fábrica está completamente desorganizada.
11:04E isso reflete-se na produção.
11:07Tu tiveste a tua oportunidade, José Carlos.
11:09Mas falhaste.
11:10Falhaste.
11:13Se não fosses o meu filho, mandava-te embora.
11:16A Marta vem para esta fábrica, porque eu o quero.
11:19E por enquanto ainda sou eu que ia me andar aqui.
11:24Se eu sonho, ouviste?
11:26Se eu sonho que alguém lhe está a preparar alguma complicação,
11:30tu vais ter de que haver comigo.
11:33Estamos entendidos?
11:35Oh, pai, o que é que isso havia de acontecer?
11:39Bom.
11:41José Carlos vai tentar mostrar-te qual é a estrutura da fábrica.
11:46Se for capaz.
11:49E se houver alguma coisa, telefona-me imediatamente.
11:51Está bem?
11:52Fico descansado.
11:52Adeus.
11:53Adeus.
11:53Não vai venha o problema.
12:01Ou viste o que o teu pai disse?
12:04Vamos ao trabalho.
12:06Para começar, quero ver o organibrama da empresa.
12:10Faça favor, senhora doutora.
12:12Diga-me lá, Matilde, o que é que foi que o meu sobrinho mandou roubar?
12:21Não, mas ainda não há certeza.
12:24Claro que há certeza.
12:25Desculpe, minha senhora, só temos aqui a certeza.
12:26O que é que o senhor tem a ver com este assunto?
12:28Eu?
12:29Eu?
12:29Eu estou a trabalhar aqui com o senhor Dano Matilde.
12:31Isto foi encontrado ao pé do armazém.
12:33O senhor?
12:34O senhor?
12:34O senhor?
12:35O senhor?
12:35Ai, ai.
12:36Ai.
12:37Ai.
12:38Ai.
12:38A tia Rita está bem?
12:39Quer um copo de água?
12:39Não, não.
12:40Não quero nada.
12:40Obrigada.
12:41Mas eu quero fazer alguma coisa para remediar o que o meu sobrinho, mas isto não nos dá
12:47nenhuma certeza.
12:48Deixe estar-te, Rita.
12:49Não se preocupe.
12:51Eu arranjo uma maneira.
12:52Bom, não vale a pena estar a esconder mais nada, filha.
12:55A Rita é a tia do Raul.
12:57Eu nunca pensei.
12:58O Raul sempre foi meu amigo, ou pelo menos eu julgava que era.
13:03Mas o que é que ele tem contra nós para nos querer fazer mal?
13:06Olha, minha filha, eu ainda tenho algumas joias.
13:09Não é grande coisa, mas deve dar para operar os materiais e começarmos tudo outra vez.
13:13Não, mãe, eu não quero ouvir falar nisso.
13:14As joias eram da avó e eu não as deixo vendê-las de maneira nenhuma.
13:17Ai, deixem-me ajudá-los.
13:19Eu, de certa forma, sinto como responsável.
13:21Eu costumo acreditar nesta história.
13:24Que insólito.
13:26Eu costumo acreditar que o Raul, se ele não tem dez anos, ele não é propriamente um assaltante,
13:32eu tenho que saber o que é que se passa.
13:34Mas desde já eu quero ajudá-los.
13:38Não, tia Rita.
13:39Obrigada, mas não.
13:41Eu resolvo o assunto.
13:47Meu Deus.
13:49Tenho tudo contra ela, mas não desiste.
13:53Desculpa, Rita, mas ela tem passado por tanta coisa.
13:55Meninos, pouco barulho.
14:09Vá, vamos começar a passar a lição.
14:11Agora vais ter que esperar.
14:22Tem que ser agora.
14:23Bom, meninos, eu vou lá fora num instante.
14:27Miguel, vejo-vos para aqui que má conta na aula.
14:28Vocês vão passando os trabalhos, está bem?
14:30E não quero nem um pio.
14:31Bruno, está calado.
14:43Não viste a setora?
14:44Então, o que é que há assim tão importante que não podes esperar por logo à noite, hein?
14:52Sabes que eu tenho de romper a minha aula, não sabes?
14:54Eu sei que já não tivesse importância.
14:56Por quê?
14:57Como vais deixar a escola?
15:00O quê?
15:01Onde é que te foste buscar essa parvoíce?
15:02Por que é que eu vi agora deixar a escola?
15:04Porque isto não é um trabalho a sério, Isbana.
15:07Ouve, se eu contasse em Lisboa que uma advogada como tu
15:10tinha de repente decidido tornar-se professora primária,
15:13ninguém iria acreditar.
15:15É, mas isso é-me completamente indiferente.
15:18Isto é uma opção minha, estou-me satisfeita.
15:19Além disso, este trabalho é muito mais interessante do que os lugares, sabias?
15:22Tu não és capaz de ser sincera contigo mesma?
15:26Isbana, eu sei que tu saíste de Lisboa, que estavas magoada comigo.
15:29Tudo bem, minhas razão.
15:32Mas, caramba, eu acho que isso está resolvido, não?
15:34Ei, Gonçalo, eu saí de Lisboa para fugir de ti, para fugir da nossa relação, isso é verdade.
15:38Agora, o mais interessante é que eu descobri que é isto que eu quero.
15:41E eu já não conto?
15:42É a tua profissão.
15:44Ó, Gonçalo, eu gosto de ti.
15:47Eu acredito que tu tenhas mudado, acredito que já não estejas com a Teresa.
15:49Pronto, e nós damos-nos bem.
15:50Agora, por favor, dá-me tempo, não opresse essas coisas.
15:54E outra coisa, se tu me quiseres, Gonçalo, há uma coisa que eu quero que tu saibas.
16:00É que eu não vou deixar esta escola, nem nunca vou voltar à advocacia.
16:03Tu estás louca?
16:05O Alentejo deu-te a volta à cabeça?
16:09Eu vou pensar nisso.
16:12Depois nós falamos, está bem?
16:13Tem sido uma grande estuxa desmaturada.
16:21Mas tu sabes que eu às vezes preciso desabafar.
16:23Ainda há tanta confusão na minha cabeça por causa deste assunto.
16:26António, eu já tinha desconfiado que eras médico.
16:30Como tu trataste o Nelo, a mim mesmo, a maneira como te movimentas aqui no consultório.
16:36Está bem, era médico, mas agora já não sou.
16:39Mas porquê?
16:39Já fizeste tal uma exposição à guarda?
16:42Não, nem quero.
16:44Não quero.
16:44Eu não tenho o direito de voltar a exercer a medicina, percebes?
16:47Porquê?
16:48Eu vou-te contar uma coisa muito importante, João Pedro.
16:53É que...
16:54Eu fiz uma coisa muito mal.
16:59Eu fiz uma coisa...
17:00Servi-me da medicina para fazer uma coisa muito mal feita.
17:03António, já não percebo nada.
17:06O que tu me disseste,
17:08a causa da morte foi um medicamento mal ministrado.
17:12Isso já aconteceu mais vezes.
17:14E passado algum tempo, os médios voltaram a exercer.
17:18Ninguém está livre.
17:19Eu sei, mas...
17:21Aquilo que eu te queria dizer é que pode não ter sido negligência.
17:29Então agora é que já não percebo nada.
17:33Sabes que o Luís falava muito comigo.
17:39E estava-me sempre a falar da mesma coisa.
17:41Eu não...
17:43Eu não o queria ouvir.
17:45Já fugia dele para não ter que o ouvir, percebes?
17:47Mas ouvir o quê?
17:51Ele chegou-me a acusar de lhe querer prolongar o sofrimento.
17:54O sofrimento dele,
17:56da família, da mulher.
17:59Mas estava sempre a insistir para eu pôr fim àquilo tudo, percebes?
18:04E eu francamente...
18:05Eu não sei, não consigo lembrar o que é que se passou.
18:08Eu...
18:09Eu tinha bebido mais, João Pedro.
18:12E quando ali cheguei, não sei.
18:14Mas tenho medo.
18:15Eu tenho medo de ter cedido ao impulso e de ter feito o que ele pediu, percebes?
18:22Eu não acredito que tenhas feito nada que pusesse em causa os teus princípios.
18:27Os nossos princípios.
18:29Como é que podes ter a certeza disso?
18:31Porque sou teu amigo.
18:32Eu não tenho a certeza.
18:39E depois, tu sabes que esta coisa...
18:42Com a Matilde, com a Matilde, eu ando com a cabeça feita em água, sabes?
18:46E depois a Marta, a Marta é tão confuso.
18:50Sabes que a Marta é a minha filha, mas não quer que se saiba.
18:55Diz que eu só existo para lhe estragar a vida.
19:03Não quer que eu diga que sou pai dela.
19:07Calma, tu vais conseguir.
19:09Calma.
19:10Depois a Matilde.
19:12Tu não imaginas o que eu lhe disse.
19:15Eu quis lhe contar tudo, percebes?
19:16Quis lhe contar quem era, quis lhe contar tudo.
19:19Só que escolhi as piores palavras, a pior altura.
19:21António, eu não sei o que é que tu lhe disseste, não sei o que é que aconteceu,
19:26mas a Matilde é uma pessoa sensível.
19:28E ela sabe que todos nós temos os piores momentos na vida também.
19:33Ela não pode saber de nada.
19:35Nem de mim, nem da Marta, nem do Raul.
19:38Não pode saber de nada.
19:41Aí tens um problema.
19:44Ou mais tarde ou mais cedo vai acabar por descobrir.
19:47O que é que tu achas que ela vai fazer quando souber
19:49que fui eu quem lhe matou o marido?
19:51Espera, espera aí.
19:57Segundo estou a perceber, tu vieste aqui insinuar
19:59que eu tenho qualquer coisa a ver com o desaparecimento desses tais tubos de regra.
20:04Não, não é uma insinuação.
20:05Eu tenho a certeza.
20:07Sabe-se o que é isto?
20:10É o ferro da roseira brava,
20:12das antigas fardas dos criados.
20:15Agora já não usam.
20:17Foi encontrada no armazém onde roubaram os tubos.
20:19Não percebo.
20:24Não.
20:25Eu explico.
20:26Alguém mandado por ti roubou os tubos.
20:31Estáis maluca?
20:32O que é que eu tenho a ver com isso?
20:38O que é que te julgas que eu sou?
20:39Um criminoso?
20:41Achas-me com cara de andar por aí a roubar tubos de regra?
20:48O que é que eu faria uma coisa dessas?
20:50Não me dizes.
20:50É muito simples.
20:53Para mim impediste de conseguir levar avante o meu projeto.
20:55Tinha-se estado lá no dia anterior,
20:57mostraste-me muito preocupado com a minha situação,
20:59avisaste-me que eu não me ia conseguir chegar a lado nenhum.
21:02Para isso não era preciso roubar-te a porcaria dos tubos de regra?
21:06Nunca vais conseguir, ouviste-se.
21:07Nunca!
21:10E realmente eu tenho razão.
21:12Tu não consegues nem guardar as coisas como deve ser.
21:16Deixa-me continuar.
21:17Tenha a bondade, minha senhora.
21:18Pode-nos jogar tudo aquilo que tu quiseres.
21:23Mas enquanto não consegues lhe dar uma explicação convincente para isto,
21:29não é preciso ser-se muito esperto para perceber quem está por trás do roubo.
21:38Tu podes perfeitamente pensar aquilo que quiseres.
21:43Achas-me com cara de ter roubado esses tais tubos de regra?
21:46Então porquê é que não vais fazer queixar à guarda?
21:50Pá, experimenta.
21:52Deve ser interessante.
21:54Eu gostava de ver Raul Navarro acusado de ter roubado um monte de tubos.
22:00E qual seria o motivo do crime?
22:02Te sabes muito bem.
22:04E a guarda, saberá?
22:06Bem, agora se não te importas, tenho coisas mais importantes a fazer.
22:15Ah, não te preocupes.
22:19Se um dia estiveres aflita, já sabes.
22:23Vens ter comigo.
22:25Eu vou ser a tua última oportunidade.
22:27Ouve-me uma coisa, Raul.
22:36Faças o que fizeres, não vais conseguir impedir-me de realizar aquilo que eu quero.
22:41E quanto a dar-te o prazer de me veres humilhada,
22:45vir aqui e pedir-te ajuda, cabisbaixa, como tu gostarias.
22:49Esquece.
22:51Isso nunca vai acontecer.
22:52Vem, vamos lá.
23:22Também venho aqui muitas vezes.
23:49O que vocês esperam encontrar?
23:52Paz.
23:57Eu também.
24:05O que é que se passa consigo, António?
24:08Não sei porquê, mas tenho sempre a sensação que você quer contar-me alguma coisa.
24:12Deve ser impressão sua.
24:16Você é diferente.
24:19Aparentemente é uma pessoa calma e equilibrada, mas...
24:22Mas depois...
24:23Mas depois...
24:24O que aconteceu ontem?
24:26Eu falo nisso.
24:28Eu queria pedir-lhe desculpa.
24:33O que lhe posso dizer é que aquilo que se passou não volta a passar.
24:35Já está esquecido.
24:36Já está esquecido.
24:37Aliás, eu queria pedir para voltar a trabalhar comigo amanhã, sem ressentimentos.
24:41Mas...
24:43Eu queria mesmo era perceber o porquê dessa sua transformação.
24:47Porquê é que de repente deixa de ser essa pessoa calma e equilibrada e fica perdido, desnorteado, transtornado?
24:57Porquê é que não me conta?
25:00Agora...
25:01Você está a dar importância demais a uns copos que eu bebi.
25:06É só isso.
25:07Tenho a certeza?
25:10Tenho.
25:30Tenho.
25:44Posso?
25:47Estava a tomar chá com a tia Rita e lembrou-me que podias querer comer qualquer coisa.
25:53Não. Não quero nada. Obrigado.
26:00Que cara é essa?
26:07Tenho para aí uns problemas.
26:12Problemas?
26:15Nada que eu não possa resolver.
26:19Não parece.
26:21É tão raro ver-te assim com essa arte tão abatida.
26:26Desculpa se me estou a meter ou não sou chamada.
26:29Mas eu há bocado vi a minha irmã sair daqui.
26:32Ela tem alguma coisa a ver com essa tua disposição?
26:37Porquê é que não acabas com isto uma vez por todas, Raul?
26:41Não quero falar disso.
26:44Pronto.
26:48Não se fala mais no assunto.
26:51Eu só estava a querer ajudar-te.
26:54Podias querer que eu falasse com a minha irmã?
26:59Tenho paciência.
27:01No fim de contas, tu não tens culpa nenhuma disto.
27:03Mas...
27:05É que desapareceram os materiais lá da Quinta do Mojo
27:07e a tua irmã meteu na cabeça que eu é que sou o culpado.
27:09Minha irmã...
27:12Ela não deve estar bem.
27:15Se é que alguma vez te teve...
27:17Porquê é que tu deverias fazer uma coisa dessas?
27:20Viste só comigo.
27:22Parece que está tudo doido.
27:24Tens toda a razão para estar furioso.
27:29Mas e ela? Porquê é que ela te acusassem-se a mais nem menos?
27:33Não sei. Parece que encontraram um ferro de arrozeira brava num armazém.
27:38Ainda assim ainda me custa a querer.
27:40Porquê é que ela pensa que eu sou o culpado disto?
27:44Isto só tem uma explicação.
27:46A Matilde quer prejudicar-te.
27:48E essa coisa que ela diz que encontrou...
27:52Podia perfeitamente tê-lo lá em casa.
27:55Afinal, ela viveu tantos anos na Roseira Brava.
27:58Olha, até podia ser do Afonso.
28:00Mas mesmo assim custa-me a compreender.
28:03Porquê é que ela havia de querer prejudicar-me?
28:06Sabes, Lulu...
28:21Eu sei que isto vai magoar.
28:24Mas eu vou ter que te contar.
28:29Sabes, a Matilde, quando te recebeu obrigada a casar com o Luís...
28:32...jurou que sabia de vingar de ti.
28:38Estava sempre a dizê-lo com uma raiva.
28:42Juro-te que nunca pensei que alguém tão...
28:45...tão carinhoso...
28:47...pudesse esconder tanto ódio.
29:02Chegou a dizer-me várias vezes.
29:12O meu principal objectivo agora é destruí-lo.
29:16Não vou descansar enquanto não o viro por terra.
29:32Já tinha vindo aqui ao teu consultório, mas não estavas...
29:46Algum problema?
29:48Senta.
29:50Não, não há problema nenhum.
29:52Estive a falar com o António.
29:54Depois apareceu-me de estar sozinho, de pensar...
29:57Estás triste?
29:58Não.
30:01Descobri que temos muita coisa em comum.
30:04Assim à primeira vista não parece.
30:07Mas somos muito parecidos.
30:09As mesmas dúvidas, as mesmas inseguranças, as mesmas fraquezas...
30:15Se as pessoas fossem mais sinceras, não Pedro?
30:18Não tinham medo de se conhecer a si próprias.
30:20E percebiam que toda a gente tem inseguranças, fraquezas, medos...
30:23Mas também não foi para isso que eu aqui vim.
30:27Vim porque tomei uma decisão e quero que sejas o primeiro a saber.
30:31Fico muito satisfeito por te ver com essa energia toda.
30:35O que é que decidiste?
30:37Decidi que fui para o hospital até ser operada.
30:40É a mesma verdade?
30:42Até já falei com o meu médico e tudo.
30:46Foi a melhor decisão, tu tomaste.
30:49Mas o que é que te levou a mudar de ideias assim tão de repente?
30:51Foram os desmaios, começaram a ser mais frequentes.
30:55E depois acho que tu tens razão, acho que tenho que lutar.
30:58Primeiro pelo meu filhote, que merece uma mãe assim mais risonha.
31:02E depois pela minha mãe, coitada, que não merece este monte de mentiras.
31:06E...
31:08E depois por ti.
31:14Sabes que antes de te conhecer pensei que ia ser uma infeliz,
31:17que esta vida ia ser horrível.
31:20Mas depois tu chegaste e...
31:22percebi que tudo aquilo que se passou com o pai de Miguel não tem nada a ver com isto.
31:26Dei por mim até pensar que...
31:29tinha sido uma magia aquilo que tinhas feito.
31:31Sério, não me gozes?
31:34Conta-me um segredo.
31:36Da magia?
31:37Uhum.
31:39Só se prometeres que não dizes nada a ninguém.
32:03Olá Amélia.
32:05Olá.
32:07Então...
32:09Estava à espera de alguém?
32:11Não.
32:13Estava aqui a pensar.
32:15No Manolo?
32:17É, não tenho sabido nada dele, não...
32:19não me tem procurado.
32:21Começo a perceber que ele realmente só vem ter comigo quando precisa de alguma coisa.
32:24Ouve lá Amélia.
32:26Tu sabes quais são os negócios do Manolo, não sabes?
32:28Tu sabes para que é que ele usa o armazém?
32:29Sei.
32:31Sei e estou apavorada.
32:33Se o Eduardo e o Vicente descobrem, não sei realmente o que é que é a dizer.
32:36Porquê que não tens uma conversa com ele?
32:38Não lhe dizes que não pode continuar a usar o armazém?
32:41Não tenho coragem.
32:43Tens medo que ele não volte a aparecer, não é?
32:45Tenho.
32:47Amélia, Amélia.
32:49Tens de ter mais confiança em ti.
32:51Se os homens sabem que nós estamos fracas, deixam-me de se interessar.
32:57Pois, tu dizes isso por duas razões.
33:00Primeiro porque és nova, depois porque és bonita.
33:03E tu és algum caco velho, não?
33:04Não, não se trata disso, penso.
33:07Penso que esta relação com o Manolo não me conduz a coisa nenhuma.
33:10E depois, muito francamente, parece-me que já não tenho idade para estas coisas.
33:14Deixa-te disso, Amélia.
33:16Os homens só sabem servir-se de nós e depois abandonar-nos, deixar-nos sozinhas.
33:21Temos que ser capazes de virar esse jogo.
33:23Sermos nós a usá-los.
33:25Olha para mim.
33:26Depois de tudo o que fiz ao João Pedro, bastava fazer assim e ele vinha atrás de mim.
33:30Duvido.
33:32Eu julgo que ele está muito interessado na Inês.
33:35Interessado na Inês?
33:37É o que toda a gente comenta.
33:38Aliás, o Eduardo já falou comigo acerca disso.
33:41Ai, não acredito.
33:43O João Pedro ainda gosta de mim.
33:45Tu não viste a cara com aquele meu olhão na sua festa?
33:48Olha lá, olha, não quer que uma coisa tenha a ver com a outra.
33:50Normalmente as pessoas recordam as situações menos cómodas,
33:54mas repare, ele está sozinho e ela também.
33:56Ela tem um filho, não se sabe quem é o pai.
33:59Ela é uma rapariga engraçada.
34:01Ah, eu não acho nada.
34:03Ouve lá uma coisa.
34:04Se não estás interessada nele, deixa-os em paz. Larga-os da mão.
34:07Eu, pelo amor de Deus, quero que eles se lixem.
34:10Ah, estou lá interessada no João Pedro.
34:12Ainda por cima, olha, quando separei dele, não funcionava.
34:19Desculpa, mas não consigo deixar de ter pena do Zé Carlos.
34:23O coitado nem imagina que vai ser cilindrado e o que isto está para acontecer.
34:26Sou assim tão mazinha.
34:28Digamos que não és exatamente o tipo doce e submisso.
34:32Tens o nariz empinado.
34:34Quando queres uma coisa, ui...
34:36Cuidado quem se põe à frente.
34:38É por isso que nós não acertamos os dois.
34:41Apesar das insistências da família para nos juntarem.
34:44Foste arranjar uma paixão assolapada por essa novela?
34:48Como é que fão as coisas entre vocês?
34:52Digamos que...
34:54Não vão.
34:55Assustiste.
34:56Finalmente ganhaste juízo.
34:58Tens de cada um meclado.
35:00Por enquanto eu não posso fazer nada, Marta.
35:03Ela sabe onde estou.
35:04Se precisar de mim...
35:06É só vir-te ir comigo.
35:08Deixa ver se eu percebo bem.
35:09Nessa altura vais ficar à espera dela?
35:11Ai, não acredito.
35:12Não, não acredito.
35:13Tu perdeste completamente o humor próprio.
35:15Marta.
35:16Se não te importas, eu preferi falar outra coisa.
35:18Está bem?
35:19Por mim tudo bem.
35:20Eres muito mais divertido como amigo.
35:22E tu és muito mais engraçada quando não estás a fazer o papel da jovem executiva.
35:28Um dia vais-te apaixonar.
35:29Vais conhecer alguém que te faz perder esse amor pela carreira.
35:32Dá-te a volta à cabeça.
35:34Acontece a todos.
35:36Duvido.
35:37Os homens são todos iguais.
35:39E neste momento isso não está nos meus planos.
35:43Eu só quero mostrar ao tio Raul que ele fez bem em confiar em mim.
35:47Mesmo passando por cima do Zé Carlos?
35:49Não dá para pactuar com pessoas como o Zé Carlos.
35:52Eu estive hoje na Iberás e aquilo está um caos.
35:55Tu e o Raul não ligam nenhuma àquilo.
35:57Eu não sei o que é que lhe deu.
35:59Ou melhor, eu sei muito bem o que é que lhe deu.
36:01E é por isso que eu não compreendo que ele não se preocupe minimamente com as empresas.
36:05E o Zé Carlos?
36:06Não existe.
36:07Não faz literalmente nada.
36:10Ah, isso é verdade.
36:12Eu de qualquer maneira vou fazer qualquer coisa para mudar a situação.
36:15Pelo menos aqui na Iberás.
36:17Já que em Lisboa...
36:19Eu não cheguei a perceber muito bem essa história.
36:21O meu pai contou-me que tinham apanhado um tipo.
36:24Um diretor que recebia comissões surrutas.
36:27Foi um diretor comercial.
36:28Bem, é um safado, tu não imaginas.
36:30Quase que ia dando cabo de mim quando começou a perceber que eu estava a desconfiar dele.
36:35Mas acabou tudo bem.
36:36Graças a Deus.
36:37E agora esse Mário anda por aí aos caídos.
36:40E é incrível porque o tipo é barra naquilo que faz.
36:43É bom.
36:44Só que eu duvido que alguém lhe dê emprego depois do que ele fez.
36:48Foi preciso uma certa coragem para denunciar corrupção.
36:52E esse Mário...
36:53Mário o quê?
36:55Oliveira.
36:56Disseste Mário Oliveira?
36:59Sim.
37:00Porquê conheces?
37:03Acho que sim.
37:05Tu por acaso não sabes o que é feito dele?
37:07Não sei.
37:08E é personagem que eu não quero voltar a ver nos próximos cem anos.
37:26Tchau, tchau, tchau.
37:27E aí, tchau.
37:56O que é que estás aqui a fazer?
38:13Eu? Eu estava com as saudadinhas da minha gatinha.
38:16Tu gatinha? Tu gatinha o quê?
38:18O velhinho não percebeste que aqui é o Pagazão, então não tens de eita nada.
38:21Mas isso são dinharias, filha.
38:22Pois é. Mas é com essas dinharias que eu me sustento.
38:25Por isso o Pagazão adiantado ou põe-te na rua que eu já estou farta de ti e quer trabalhar, percebeste?
38:30A minha gatinha hoje está a virar uma leoa. Está tão leãozinha.
38:34Tu deves ser surdo. Ou surdo, ou parvo, ou qualquer coisa do género.
38:39Já percebi. Estás sem cheta, não é?
38:42Eu? Eu sem cheta? Não, filha.
38:45Eu começo a ficar farta de ti. Por isso o melhor é que pôs-te na rua, percebeste?
38:48Vamos lá. Olha. Olha para ti. Olha para aqui, olha. A prenda para ti.
38:56Pois não digas que eu não sou teu amigo.
38:58Tu és mesmo estúpido. E o que é que eu faço com isto? Um encipado para o jantar, não?
39:02Ah, filha, mas isto... isto vale... vale cento e cinquenta contos. É uma rica prenda.
39:07Uma rica prenda me se és tu. Tu és mesmo parvo. Vejo para aqui cheio de insinuações com um relógio. O que é que eu faço com aquilo?
39:14Dinheiro. Eu quero dinheiro. Dinheirinho aqui na minha mão. E já!
39:17Se não me chamar o Silva para te pôr no olho da rua. Percebeste?
39:26Tu vais-te arrepender, miúda.
39:30Vais-te arrepender.
39:36Estúpido. Será que me vou arrepender assim, oh, minha besta?
39:43És bem velho.
39:47Se a mim está assim...
39:51É, não vá. Não me dá marco, te virar.
39:53Então, doutor...
39:55As coisas não correram bem para o seu lado ou teve uma pequena intestão?
39:59Sua piga. Sua piga manhosa. Tu vais estar bem vindo.
40:03Olha para o meu ar preocupado. Estou toda a tremer.
40:06Cobra!
40:08Então, então... que figuras são essas?
40:10O seu doutor é tão distinto.
40:13Se fosse a ti não levantava muito cabelo.
40:14Os bons clientes nesta casa são os que pagam bem e até pioras.
40:19Já deixei-me ganhar estas peluncas.
40:21Isso já lá vai.
40:23Já lá vai há muito tempo. O dinheirinho aqui tem que continuar a escorrer.
40:26Porque sem dinheirinho não há nada para ninguém.
40:36Você não tem assim durante só dois dias 50 contidos que possamos ter?
40:40O doutor, a altura é má, sabe? Isto está mal.
40:46Se fosse noutra altura, mas hoje não é possível.
40:51Está a perceber?
40:52A caixa ainda nem fiz, né?
40:54Não percebi.
40:55Não escrevi, né?
40:56Não saiu é mais.
40:57Não saiu, né?
40:58O pessoal te aventure.
41:00Started jobada toda essa planetara.
41:02Eu quedo...
41:05Que coisa..
41:06Que coisa hemisphere dear?
41:07Mas por aí algo é bom?
41:09Chaque tarde!
41:11A saúde também estava acelerada.
41:16E tor sensei o fracas é incómodo,
41:18onde pará nossa gavca é Hero?
41:20Est馬.
41:21Amigo, é capaz de me dizer se há aqui para estes lados uma mercearia chamada Eldorado?
41:38Eu tenho ouvido chamar muita coisa, menos merceria.
41:41Mas não é uma merceria?
41:42Não, não é merceria, é um bar.
41:43Você está a usar comigo ou quê?
41:44Não estou a usar consigo.
41:45Ver aquelas luzes lá no fundo.
41:51Ver aquelas luzes lá no fundo.
42:21Ver aquelas luzes lá no fundo.
42:51Amém.
43:21Amém.
43:51Amém.